Era novamente uma vez
9 Capítulo 9 - Mal entendidos parte 2
Notas iniciais
Dito isso a morena se levantou e foi embora do bar sem olhar para trás. Jane e Emma ficaram de boca aberta alguns minutos pensando sobre o que tinha se passado ali. O 1 mês do prazo dos moradores venceu e todos tiveram que deixar suas casas, Jane e Emma empacotaram somente o necessário e deixaram na oficina mecânica do velho amigo Giovanni, objetos pessoais encheram em mochilas que deixavam no vestiário da delegacia onde por sinal passavam as noites na sala de descanso que continha camas razoavelmente confortáveis. Pegaram um caso complicado então voltaram a ver Regina constantemente mas a morena só insistiu as primeiras vezes que as encontrou sobre aceitarem a proposta, depois resolveu que era melhor deixar as duas cabeças duras decidirem por si próprias. Estavam um dia saindo para o almoço quando deram de cara com um grupo de crianças no hall da Delegacia:
– Aahh não, é hoje o dia de excursão de escola? Não estou com o menor saco pra isso... – resmungou Jane.
– Henry? – disse Emma observando melhor o grupo a sua frente e um garoto com traços parecidos com os seus se afastou dos amigos correndo em sua direção – Eeiii, meu pivete favorito! Como você está?
– Emma!! Sabia que ia te encontrar aqui, falei pra todo mundo que a minha irmã é uma detetive importante de Boston mas ninguém acreditou!
A professora do garoto se aproximou sem graça com a observação, Emma logo reconheceu a idosa a sua frente, tinha sido sua professora também:
– Eu posso até imaginar o por que, Henry! As pessoas em Storybrooke não tem recordações tão memoráveis assim de mim... Se incomoda se eu levar ele pra passarmos um tempo juntos?
– Emma, eu estou responsável por ele aqui, se quiser fazer isso vai ter que avisar o Sr. e a Sra. Swan.
– Eu aviso! E pode deixar que apesar de detestar aquela cidade ainda sei o caminho e posso levar meu irmão caçula de volta aquele fim de mundo no final do dia!
A professora se afastou e Henry abriu um sorriso gigantesco batendo uma palma na mão de Emma. Ele admirava muito a irmã mais velha. Apesar dela ter sido a “filha problema” para os pais e a cidade pequena onde morava, ele que era muito mais novo só enxergava o lado bom da loira. A mulher forte que se tornou e brincalhona que lhe oferecia sempre uma boa companhia, apesar de se verem pouco.
– Jane, olha quem está aqui!
Jane já tinha avistado o garoto que viu poucas vezes na vida, mas como era amiga de Emma há muito tempo já havia ido a Storybrooke uma vez e outras em que os pais da loira estiveram na cidade passou um bom tempo com o garoto. Ele gostava de videogame e jogar basquete como ela então tinham bastante assunto:
– Olha só, garotão! Quanto tempo! Já aprendeu a driblar melhor?
– Mais ou menos, não tenho praticado muito... Bom ver você, Jane!
– Quem sabe não dá pra vocês jogarem uma partida mais tarde? – encorajou Emma sabendo que Jane estava só o pó e ia querer mata-la se tivesse que fazer qualquer esforço físico além do minimamente necessário – E esta aqui você não conhece, é a Regina! Regina, meu irmão, Henry!
Regina o cumprimentou com um sorriso e iniciou uma conversa, logo Emma os conduziu para fora a fim de almoçarem no Dirty. Passaram duas horas divertidas comendo e rindo, quando o celular de Jane tocou.
– Nós temos que voltar, chegou um laudo conclusivo... – ela sussurrou para a loira que olhou com pesar para o irmão mais novo
– Ok, Henry, eu tenho que voltar para o trabalho agora, talvez seja melhor você ir até o museu onde disse que sua professora ia levar vocês agora de tarde...Me desculpa por não passar mais tempo com você.
– Mas você disse pra ela que íamos ficar juntos e a noite você me levava de volta pra casa!
– Eu sei, rapazinho, mas é que estamos no meio de um caso complicado e...
– Eu posso ficar com ele — Emma levantou os olhos para Regina que havia disparado a frase com toda naturalidade – Eu estou liberada agora a tarde porque tenho audiência amanhã de manhã então devo apenas repassar o texto, posso levar ele pra casa e certamente arranjaremos algo divertido para fazer até vocês terminarem o expediente. O que me diz, Henry?
– Eu gostei da ideia! Melhor que visitar museu, credo!
As três mulheres riram e Emma concordou que tudo bem, mal saíram do bar mandou mensagem para a morena se desculpando, não queria abusar da boa vontade dela, mas é que realmente estava com saudades do garoto e queria ficar mais tempo com ele. No final do dia quando terminaram tudo foram tomar banho no vestiário e Emma já trocada falou para Jane:
– Vamos?
– Vamos aonde?
– Na casa da Regina buscar meu irmão, oras!
– Ué, mas por que eu tenho que ir junto? Você só não vai pegar ele e dirigir de volta pra cidade de vocês?
– Sim, mas é que...sei lá...Eu não aguento mais ficar aqui dentro dessa delegacia mesmo quando acabamos o trabalho, achei que você também e ia querer dar uma volta!
– Uma volta até a casa da Regina?
– Por que não?
– O que foi, Swan, tá com medinho dela te atacar, ou espera justamente que eu distraia o Henry pra ela poder fazer isso e você se lembrar de como era a decoração do quarto dela? – provocou Jane rindo
Emma bateu com uma toalha molhada em Jane enquanto a outra ria mais ainda, no fundo era bem isso mesmo e ambas sabiam. Dirigiu até a enorme casa da morena e foram recebidas pela mesma usando algo que nenhuma das duas nunca tinha visto ou imaginado ela usando: um avental todo sujo de farinha e luvas térmicas para pegar coisas no forno:
– Olá! Entrem, eu e o Henry fizemos torta de maçã!
– Torta de maçã? Desde quando tem um pequeno chef na família Swan? – bradou Emma vendo Henry se aproximando por trás de Regina
– A Regina que me ensinou! O cheiro está delicioso, podemos cortar já?
– Humm, tá delicioso mesmo! – comentou Jane passando a mão na barriga.
Logo todos entraram e se dirigiram à cozinha. Regina tinha colocado a torta para esfriar na bancada e foi pegar pratos e talheres, todos comeram vários pedaços elogiando sem parar os dois “cozinheiros”.
– A casa de vocês é muito legal! – comentou Henry de boca cheia
– De vocês? – frisou Jane na dúvida
– É, vocês todas moram aqui, não é? Eu sei que você e a Emma sempre moraram juntas, mas nunca conheci a casa e aqui é enorme, cada uma deve ter dois quartos se bobear!
Todas se olharam sem graça e Emma não quis entrar em detalhes:
– Sim, é bem legal aqui. Mas cada uma só tem um quarto mesmo!
– Eu posso ir ver o seu quarto?
– Depois! Agora limpa essa boca que tá toda suja de creme, fazendo favor?
Assim que estavam satisfeitos Henry correu para sua mochila e foi pegar um videogame portátil para mostrar um jogo para Jane. Ambos se sentaram no sofá enquanto Regina tirava a mesa, Emma se aproximou da dona da casa:
– Ei, obrigada por fazer isso!
– Eu cozinho muito bem, Emma, mas fico feliz que tenha gostado.
– Não, não era da torta que eu estava falando, apesar dela estar incrível mesmo. – disse Emma sorrindo – Era por se oferecer para cuidar dele.
– Tudo bem, eu me sinto nessa obrigação de cuidar de vocês.
– Cuidar de nós? Como assim?
– Quando eu digo de vocês não é especificamente de você e do Henry, Emma, é de vocês pessoas, da sociedade... eu sou promotora, sabe? Escolhi essa profissão pensando nisso...
Emma observou que a outra havia ficado sem graça e achou realmente suspeito ia fazer mais uma pergunta quando a campainha da casa tocou. Jane notou que as duas estavam meio tensas ali na cozinha e ela muito mais próxima da porta e se levantou já dizendo:
– Pode deixar que eu atendo! – abriu a porta dando de cara com um casal mais velho com ar nada simpático – Mary Margareth? David? Olá!
– Olá Jane, quanto tempo! – respondeu rapidamente a mulher abrindo um meio sorriso – Viemos procurar a Emma e nos passaram este endereço, vocês estão morando aqui agora?
– Oi mãe, oi pai! Olha que legal a casa da Emma! – disse Henry correndo na direção da porta ao ver seus pais parados ali.
– Querido! Ficamos preocupados, você ligou dizendo que sua irmã ia leva-lo no final de tarde de volta e já são mais de dez horas!
– Desculpa é que a Em tinha que trabalhar e estava muito legal aqui! A Regina me ensinou a fazer torta de maçã!
– Regina? Quem é Regina? – perguntou seu pai com espanto
Logo a morena que estava na cozinha pareceu ter sido pregada no chão e suava frio encarando o casal na sua porta sem se mover apenas observando os dois entrarem em sua casa puxados pelo filho mais novo e olhando com atenção o ambiente. Logo Emma atraiu a atenção para este lado da casa ao falar:
– Caramba, mas que superproteção, eu ia levar o garoto de volta, não precisava ter vindo até aqui! Ele está bem, não está? Alimentado, sorrindo... Ia devolver perfeito!
Seus pais viram Emma mas não a responderam nada ao ver a morena ao seu lado, David sussurrou para si mesmo:
– Ah não... Tinha que ser justo essa Regina?
– O que esta mulher está fazendo na sua casa, Emma?
– O que?! – disse Emma confusa com a pergunta – Mãe! Você nem conhece a Regina e aliás o correto seria perguntar o que vocês estão fazendo aqui na casa dela
– Se a casa é dela por que você mora aqui? – intrometeu-se seu pai na conversa
– Eu moro onde eu bem entender! E mas que diabos tá acontecendo aqui, alguém pode me explicar?
Jane notando a confusão se formar ali segurou com força os ombros de Henry o empurrando pelo corredor para um escritório e acenando para Emma que ficaria ali com ele. Seja lá o que estivesse prestes a ser dito nenhum dos dois necessitava de fato presenciar.
– Essa víbora foi responsável pela morte do seu avô! – gritou Mary Margareth num misto de raiva e choro
– Do que você está falando? – gritou de volta Emma se colocando mais a frente de Regina num instinto protetor.
– Ela fez parte do tribunal que acusou injustamente seu avô e o condenou a prisão perpétua, Emma! – explicou seu pai se colocando entre a filha e a esposa.
– Mas, eu não entendo, isso foi há muitos anos atrás e você me falou que foi o promotor Gold que hoje é senador que o acusou. – disse Emma apontando o dedo para a mãe
– Você nem sequer se envolveu com a história porque estava naquela fase que quando não estava chapada dormindo por ai, fugia de casa! Mal sabia que tinha uma família e quando voltou estávamos devastados, ao menos isso você foi capaz de respeitar e não fez perguntas! Eu não queria nem conseguia falar muito sobre o assunto na época e reduzi ao mínimo necessário! – respondeu a mãe de Emma ferozmente
– Regina, isso é verdade?
– Eu era estagiária dele. – comentou Regina num tom firme com os olhos marejados fazendo Emma olhar para ela assustada – Este foi um dos casos mais contraditórios que pegamos, íamos perder, mas ele me prometeu uma efetivação se eu conseguisse reverter o quadro. Eu não implantei provas mas desnorteei tanto os jurados com fatos confusos e irrelevantes que ao final foi fácil o Sr. Gold os manipular para decidir pelo veredicto que interessava a ele. Seu avô era inocente, mas foi dado como culpado e nosso escritório lucrou quase um milhão. Fui promovida a assistente direta do Gold, mas nunca soube que aquele homem de Storybrooke não era de fato um criminoso, jamais teria feito aquilo se soubesse da verdade. O Gold é alguém tão sujo que foi capaz de manipular a própria equipe para chegar aonde queria. Assim que descobri a verdade pedi demissão. Procurei seus pais, você já tinha se alistado na polícia e morava no quartel na época. Sim, eu pesquisei a vida de todos vocês por anos, eu queria me redimir, mas quando cheguei lá sua mãe bateu a porta na minha cara, me xingando e dizendo que de mim só queria distância.
Houve um minuto de silêncio pesado na casa até que Mary Margareth dissesse com tristeza:
– E é isso que continuo querendo. Emma, essa mulher é má e se você pelo motivo que for quiser continuar convivendo com ela a escolha é sua, mas saiba que não vou aprovar nunca.
Emma deu um riso irônico:
– Você nunca aprovou nada do que eu fiz mãe... E pode apostar que eu tenho um instinto muito melhor do que você pra conhecer pessoas. Regina não é má, e eu vou ficar onde estou!
Sua mãe saiu da casa sem dizer mais nada. David deu um suspiro pesado encarando a filha, ele queria dizer algo mas nada que fosse deixar sua mulher com raiva dele também naquele momento, Emma leu isso no seu olhar:
– Tá tudo bem, pai! Eu vou chamar o Henry pra vocês irem embora agora...
A loira foi até o escritório, seu irmão estava com os olhos arregalados e lhe deu um abraço forte, depois se despediu e foi com seu pai para fora, David murmurou um pedido de desculpas ao encarar timidamente Regina que estava no mesmo lugar visivelmente segurando um choro. Emma fechou a porta e se apoiou nela olhando o teto. Jane da porta do escritório arriscou algo:
– Foi por isso que você ofereceu os quartos pra Emma e pra mim, não é? A mãe dela não aceitou sua ajuda e você ainda se sente culpada.
Regina apenas acenou com a cabeça baixando os olhos. Jane encarou a amiga de muitos anos e sabia o que a outra queria fazer só não tinha condições no momento mas pela expressão lhe dava permissão para fazer em seu lugar:
– Está bem, então comece a se sentir melhor, Stra Mills, iremos alugar seus quartos a partir de hoje mesmo! Aliás, sei que seu rolo todo é com a família Swan, e dê graças a deus, porque se fosse com os Rizzolis você nem estaria mais viva, por isso vai ter que me aturar aqui também!
As três riram e Emma foi ao centro da sala abrindo os braços chamando as outras para um abraço. Foi um abraço silencioso, de dor, mas também que marcava um começo de uma grande amizade e a esperança de uma nova fase na vida de todas.
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