Era novamente uma vez
10 Capítulo 10 – Superação
Notas iniciais
– Seus pais ainda me detestam... – comentou Regina após um momento
– Veja só, mais uma coisa que temos em comum! – comentou Emma fazendo a outra rir – Pelo menos meu irmão gosta da gente. Ele sempre me pergunta da sua torta de maçã.
– Ele fez ela outro dia, me mandou foto por e-mail.
– Você se comunica por e-mail com o meu irmão??
– Sim. Como você mesma disse, ele é o único que gosta da gente na sua casa!
Emma abriu um sorriso segurando a mão de Regina e a apertando com força, fez carinho em seus dedos e de repente se pegou pensando por que estava sendo tão melosa com a outra e pior, em pleno ambiente de trabalho. Deu um passo para trás sem jeito falando que precisava voltar para as investigações, Regina até tinha se esquecido que chegara com raiva e decidiu não perguntar mais nada sobre o caso do Senador. As lembranças ao ver os pais de Emma tinham lhe dado dor de cabeça, preferia pensar naquilo depois e se dirigiu para fora da delegacia de volta ao seu gabinete no tribunal.
–X-X-X-
Enquanto isso Jane suava para encaixar a nova pista que achava que tinha e de nervoso pelo que tinha se passado anteriormente com a nova legista.
– Maldita loira, tenho que me concentrar e só fico pensando nela... – Jane murmurava para si mesma ao notar que já havia lido três vezes o mesmo parágrafo do relatório dos oficiais sobre a cena do crime mas simplesmente não conseguia absorver o que estava escrito ali pois não estava se concentrando.
– Jane, está tudo bem com você? – perguntou Emma entrando na sala dos detetives
– Hei! Tá tudo bem sim. Como foi lá com a família do garoto?
– Tranquilo, o que não foi nada bem foi encontrar a família Swan na recepção...
– O que seus pais estão fazendo em Boston? – perguntou Jane intrigada
– Aparentemente vieram abrir uma champagne em família pra comemorar a morte do “assassino” do meu avô! Trouxeram até o coitado do Henry junto. – respondeu Emma enchendo uma xícara de café e sentando em sua mesa de frente para Jane
– Puuuta, mas que merda, hein? A Re já sabe que eles estão por aqui?
– Se sabe? Ela também estava na recepção! Puta da vida com a gente por não ter contado em primeira mão sobre o Gold. – fez uma pausa tomando um longo gole do líquido preto – Não preciso dizer que saiu faísca quando ela e minha mãe se viram né?
Jane apenas apertou os lábios fazendo uma cara de dó na tentativa de confortar a outra que suspirou e por fim deu os ombros:
– E lá com a legista, como foi?
– Bom. Consegui uma informação interessante...
– Tipo o telefone dela?
– O que?? – espantou-se Jane questionando um pouco mais alto do que gostaria a amiga.
– Sei lá, você estava tão agitada para vê-la achei que já tinha pintado um interesse grande e a boa e velha Rizzoli ia investir de cara!
– Really? Às vezes eu me pergunto por que ainda sou sua amiga, Swan! Dá pra me respeitar pelo menos um pouquinho?
Ambas riram e logo Jane dividiu as informações que havia obtido e leram juntas o relatório da cena do crime comparando com as fotos que acabavam de chegar e pregando tudo num grande mural. Já haviam passado e muito da hora do almoço entretidas na investigação ainda mais quando Korsak voltou de outro caso e se juntou a elas analisando os interrogatórios que tinham feito pela manhã.
– Vocês notaram uma coisa? – perguntou o mais velho ajeitando os óculos e se debruçando mais sobre os papéis espalhados nas mesas das colegas – De todos os empregados que moram na casa metade diz ter escutado um barulho alto de madrugada mas não levantaram para ver o que era porque “o Senhor Gold não gostava de ser incomodado indiferente do que pudesse estar acontecendo em sua casa” e a outra metade diz não ter escutado nada, sendo que todos dormem no mesmo alojamento, ou seja, o som teria que ser igual e acordar todos.
– Até ai, nós moramos na mesma casa e mesmo se estivermos no mesmo quarto e cair uma bomba atômica na rua, a Regina vai continuar dormindo! – comentou Emma com naturalidade
– Vocês dividem o mesmo quarto? – perguntou Korsak interessado somente nessa parte da frase da loira
– É claro que não, Korsak! – respondeu a outra ficando vermelha e olhando para Jane pedindo ajuda mas a amiga já abaixava a cabeça para esconder um riso — Eu disse, mesmo se estivéssemos!
– Na verdade, detetive, você disse “mesmo se estivermos” o que em termos gramaticais representa um tempo verbal de algo que ocorre continuamente não que hipoteticamente fosse ocorrer como no caso de “estivéssemos”... – falou de repente uma voz suave fazendo todos olharem para trás espantados – Oh, desculpe, não queria me intrometer, é que estava conhecendo a Delegacia e vi vocês aqui e talvez estivessem conversando sobre o caso, achei que poderia ajudar com algo...
– Está tudo bem, Dra. Isles! – a cortou polidamente Korsak se levantando – Prazer em vê-la novamente. Está é a sala dos detetives e como pode observar aqui ficam as mesas do nosso setor da homicídios.
Maura abriu um sorriso tímido realmente incomodada por ter atrapalhado o trio. Korsak olhou o relógio se espantando:
– Meu deus, olha a hora! Não é a toa que minha barriga está roncando. Vamos fazer uma pausa e comer, meninas, a doutora nos acompanha?
– Não, muito obrigada Sargento, mas eu já almocei. Procuro manter uma rotina equilibrada e saudável e isto inclui horários relativamente rígidos para refeição.
– Certo, você precisava jantar naquela madrugada por isso foi embora, no mínimo... – resmungou Jane baixinho chamando a atenção de Emma que franziu a testa
Maura ficou ainda mais sem graça sem saber o que fazer pois não ouviu o comentário de Jane mas notou sua cara fechada para ela no pouco tempo que permaneceu ali, talvez não fosse uma boa ideia impor sua presença no espaço “territorial” direto da detetive. Pelo menos não por enquanto, mas ela não conseguia evitar a curiosidade de observar melhor a morena agora estando tão perto dela. Os três detetives pegaram seus pertences e acenaram para a loira se encaminhando para o elevador. Assim que eles sumiram Maura sentiu alguém tocar em seu ombro:
– Qual é a sua com essa detetive Rizzoli?
– Tinker...Anabelle, que susto! O que está fazendo aqui?
– Passeando, oras! A gente não combinou de conhecer a Delegacia depois do almoço? Imaginei que você estaria aqui...
– E por que isso?
– Bom, o motivo exatamente não sei, mas volta na minha pergunta inicial! Não vai responder ela não?
– Eu não tenho nada para dizer sobre isso...e...quer saber, vamos ver os outros setores e voltar ao trabalho que ainda temos muita coisa para fazer, está bem?
–X-X-X-
– Não vai tentar mentir? – sussurrou Emma para Jane enquanto Korsak atendia o celular na mesa do restaurante
– Mentir sobre o que? – sussurrou a outra de volta
– Que a legista não era a loira que você pegou sábado, foi embora e te deixou super mal, assim que eu perguntar?
– Você vai me perguntar o que exatamente? Se era ela ou se eu fiquei mal de novo por vê-la outra vez?
– Se eu perguntar você vai mentir?
– É claro!
– Então não preciso. Já sei a resposta mesmo, e acho que você devia tentar falar com ela!
– Pra que? Ela inventar uma desculpa esfarrapada? Você só vai embora sem nem falar com uma pessoa depois de beijar ela se claramente não estiver interessado em nunca mais vê-la de novo, não acha?
– Tá, esta seria a primeira opção, concordo, mas pode ser que tenha acontecido alguma outra coisa...
– Tipo o que, Emma?
Emma não teve tempo de responder porque Korsak havia desligado e celular e já chamado o garçom para acertar a conta:
– Meninas, vamos logo, parece que temos uma pista nova importante que acharam na casa do Gold.
– Você diz, aquela pista nova importante? – comentou Jane apontando para a TV do restaurante que havia sido aumentada pelo dono e passava o Sargento Killian num noticiário:
“- Nossas investigações levam a crer que ele estava envolvido com a tráfico sim. Meus homens acharam pacotes de cocaína e malotes de dinheiro na casa. Faremos uma investigação detalhada a partir das provas coletadas!
– Sargento Jones, havia chance do Senador usar para consumo próprio? – perguntou um repórter em meio a tantos outros que jorravam perguntas e flashes no detetive
– Meu caro, se a quantidade achada era para consumo próprio é bom a nova legista refazer a autópsia porque ele só pode ter morrido de overdose se for assim! – respondeu o outro num riso irônico”
– Mas é um cretino mesmo! Isso vai atrapalhar toda a investigação agora! – se exaltou Jane na mesa – Ele é incapaz de guardar as informações para gente que interessa, ou seja só nós da polícia?!
– Se ele puder esfregar a cara “bonitinha” dele numa câmera ele nunca vai perder a oportunidade, Jane, vai por mim! – falou Emma já de pé.
Korsak acertou a conta e se pôs a caminhar rápido de volta à delegacia seguido das outras duas, Jane de repente franziu a testa e abriu um riso provocador:
– Você está cheia de meias palavras sobre a intimidade dos seus “parceiros” hoje, hein Swan? Primeiro como a Regina dorme, agora que o Killian gosta de ser filmado...
– Eu não disse, nada disso, Jane!! – retrucou Emma dando um soco forte no braço da amiga – Você não mostrou todo esse seu lado charmoso pra loira não né? Por que senão não me espanta ela ter te deixado sozinha na balada! Aliás, por que não vai cuidar da sua vida com os seus “parceiros” indo atrás dela resolver isso?
Jane fechou a cara passando a mão no local que a outra havia atingido e revirando os olhos. Aquele era só o primeiro dia de uma longa semana, pelo visto.
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