Era novamente uma vez
34 Capítulo 34 – Reta Final
Notas iniciais
Já na sala Emma carregava sua arma e a da parceira. Regina parecia aflita terminando de calçar os sapatos:
— Henry, não saia de casa, está bem? Nós vamos voltar logo!
— Mas você também vai? – disse o menino confuso – Você nem é policial, Regina! Isso não vai ser perigoso?
— Vai sim, querido! Mas eu... Eu preciso estar lá também ok?
— Não se preocupe, Henry. Está tudo bem. Quando você notar já teremos voltado e ainda vamos comer no Mc Donald’s antes de te levar de volta para Storybrooke! – disse Emma com um tom firme olhando nos olhos do irmão que foi a frente e a abraçou com força
— Boa sorte Em! Até mais tarde!
Jane passou pelo menino também lhe dando um aperto no ombro e pegando sua arma das mãos da parceira. Maura sorriu para ele enquanto se dirigia a seu carro apreensiva já ligando para Tinkerbell para pega-la no caminho.
—X-X-X-
— Perai, gostosa!
— Killian, vamos, a gente tem que voltar para o trabalho.
— Qual é? Estamos no horário de almoço.
— Eu não sei quantas horas o seu departamento tem de almoço mas a minha já acabou faz tempo... – reclamou Tinkerbell mas sem afastar o detetive que lhe beijava o pescoço com vontade enquanto a prensava na parede do banheiro privativo do necrotério.
— Dá tempo pra uma segunda, tenho certeza!
— O problema não é esse, é terminarmos antes da Maura voltar!
— Foi você quem sugeriu o banheiro dela, eu disse que o do stand de tiros estaria vazio hoje... – retrucou Killian enquanto puxava novamente a alça do sutiã da analista para baixo, lambendo seus mamilos.
— Nem quero imaginar de quais formas ela vai querer me matar quando descobrir que faz semanas que estamos transando no banheiro dela... Acho que devemos mesmo considerar o stand de tiros, mas agora já foi, foda-se! – disse Tinker abrindo a calça do detetive e acariciando seu pau enquanto o puxava para um beijo de maneira violenta.
O detetive a empurrou mais contra a parede apertando sua bunda por baixo da saia a fazendo gemer sem parar o beijo. Tinker brincava com as bolas do homem e arranhava seu abdômen o puxando para mais perto de si.
O celular de Tinker tocou muitas vezes até que eles notassem. Killian havia interrompido o beijo para pegar outra camisinha do bolso e a analista deu uma olhada de relance no visor que estava sobre a bancada da pia não ficando realmente surpresa:
— Ah, merda! É ela!
— Hein? – perguntou o detetive confuso e de pau duro
Tinker trocou de lugar com o outro ficando encostada na bancada da pia para alcançar o aparelho mas como ele a olhava com tanto tesão sequer cogitou parar o que fazia, apenas fez sinal para ele guardar a camisinha e com uma mão batia uma punheta para ele enquanto com a outra foi pegando de qualquer forma o celular. Killian gemeu baixo depois mordiscou o seio da loirinha na tentativa de não fazer barulho.
— Alô!
— Tinker, por que demorou tanto para atender?
— Eu...estou ocupada com... Com umas amostras aqui que chegaram... – respondeu a outra hesitante – Você já está voltando?
— Sim, mas não para ficar ai. – disse a legista de maneira apressada — Acharam a Zelena! Arrume nossas coisas e me encontre na porta da delegacia em 2 minutos.
— Acharam a Zelena?! – repetiu a outra surpresa soltando o detetive e o empurrando pelo peito para que prestasse atenção no que ela dizia
— Quê? Onde? – ele logo perguntou ainda atordoado mas chocado também com a informação
— Quem está com você? – logo perguntou Maura que ouviu a voz do homem
— O Sargento Jones. – respondeu a outra tentando parecer casual
— E por que o Sargento Jones está no laboratório com você?
— Bem... foi ele quem trouxe as amostras e... Você disse 2 minutos? – cortou a analista para não dar tempo da prima perguntar mais nada – Vou desligar então pra ir buscando nossas coisas!
— Ok, até já!
Maura ia desligar quando Jane falou bem alto ao seu lado:
— Ei, Jones, veste a calça e vem junto! Pode ser que a gente precise de reforços lá!
Killian apenas revirou os olhos enquanto Tinkerbell encerrava a chamada e vestia rapidamente de volta sua blusa, saindo do banheiro em seguida.
—X-X-X-
— O que você quis dizer com aquilo?? – questionou Maura em choque
— Sério mesmo, que você acreditou que a sua prima não atendeu o telefone tantas vezes por que estava ocupada com umas amostras sendo que é horário de almoço e o Killian estava com ela?
Maura maneou a cabeça pensativa e acelerou o carro. Quando teve que parar num farol se virou novamente para Jane:
— Bem, só espero que não tenha sido no precinto. Eles podem tomar uma advertência grave por esse tipo de infração!
— Aham... sem dúvidas! – disse Jane de maneira irônica e depois rindo – Relaxa que quanto a isso todo mundo faz vista grossa lá. E também se não foi lá dentro só pode ter sido no Dirty Robber que é do lado. – a morena refletiu alguns segundos antes de continuar – Se bem que a Rubi não ia deixar usarem o espaço dela sem ela participar, e ela mesma só usa quando não está em horário de expediente.
— Espera, a garçonete do Dirty transa com os clientes lá dentro?
— Nem todos, alguns tem o privilégio de ir conhecer a kitnet dela.
— “Alguns” inclui você? – perguntou Maura com um tom de visível irritação na voz.
Jane olhou para o relógio do carro depois para a loira sorrindo:
— Nós estamos namorando há 10 minutos e você já está tendo uma crise de ciúmes pelo meu passado, é isso mesmo?
Maura estacionou o carro e ligou o pisca em frente a delegacia:
— Eu não estou... Ah, esquece! E para sua informação faz 15 minutos, este relógio está atrasado!
Elas se olharam com carinho e sorriram uma para a outra. Logo Tinker apareceu batendo no vidro e entrou toda atrapalhada com sua maleta de análises e a de Maura.
— Oi! Desculpa! Acho que trouxe tudo que precisamos. Ah, olá, Jane!
— Oi, Tinker! Cadê o tripé?
— Ele disse qualquer alguma coisa sobre você não precisar de reforços com gente morta... – respondeu a outra prendendo os cabelos e de repente notando do que ela havia o chamado — Como VOCÊ sabe disso?
Jane apenas ergueu os ombros gargalhando:
— Ué, nem sempre eu peguei mulheres... Fora que a Emma já tinha me contado também.
— Bom, eu sei que você não vai aprovar Maura, mas também pelo visto não vou mais conseguir mentir, então só espero que não fique muito desapontada por eu não ter resistido e estar dando para um cara absurdamente gato, charmoso e que é um cafajeste, enfim, tudo igual ao meu ex-namorado. – se desculpou de alguma forma Tinkerbell
— Eu diria que você já é bem adulta para lidar com seus próprios erros, Anabelle e... Espera, vamos voltar ao ponto: é mesmo tudo isso? Quero dizer, quantos centímetros tem? – disse Maura interessada
— Eu não tinha uma fita métrica na hora mas realmente é bem grande e eu diria que ele sabe usar bem...
— Ok, chega de detalhes! – interrompeu Jane meio sem graça – Acharam o corpo quase na fronteira do estado, acha que vamos conseguir colher material suficiente para comprovar que eram eles?
— Depende. – responderam as primas em uma só voz.
— Depende do que?
— Do estado de decomposição do corpo. – resumiu Maura olhando com atenção o GPS no celular
— Considerando que a água já atrapalha bastante qualquer tipo de reconhecimento porque incha os tecidos se os corpos foram arrastados, se foram para qualquer área com água contaminada ou até mesmo pela própria força da correnteza seria suficiente para alterar bastante o estado natural gerando um estado crítico de mutilação.
— Quer dizer que um reconhecimento facial está fora de questão? – confirmou Jane apreensiva
— Bem, sim, detetive, nunca trabalhou num caso de afogamento? – questionou Anabelle surpresa
— Não me recordo. Provavelmente sim, mas não estava preocupada que quem fosse reconhecer o corpo tivesse que passar por uma imagem tão horrível quanto essa como estou agora.
— Regina está indo também? – deduziu a analista
—X-X-X-
— Estamos quase chegando... – sussurrou Emma para Regina que mordia os lábios e olhava para seu lado da janela – Amor, eu vou encostar aqui e vamos esperar a Jane e a doutora nos alcançarem está bem?
— Por que? – perguntou a outra sem emoção
— Por que nós não viemos aqui pra ver o corpo, isso é para os especialistas, nós vamos apenas vasculhar o perímetro e enquanto elas fazem as análises pode ser que encontremos provas suficientes para ver que era a Zelena mesmo e com sorte podemos finalmente encerrar esse caso.
Regina ficou em silêncio por um longo minuto depois falou suspirando:
— Você não tem que me proteger de tudo, Em. Eu quis vir, eu sei o quão horrível vai ser, está bem?
— Todo mundo acha que está preparado para a morte até que se depara de verdade com ela, Re. Confia em mim, vai ser melhor dessa forma, está bem?
Novamente ficaram em silêncio até que ouviram um carro se aproximando e logo Maura parou ao lado delas:
— Algum problema na estrada?
— Nenhum, apenas estávamos esperando vocês nos alcançarem. Pode ir na frente, Doutora!
Maura acenou com a cabeça já acelerando novamente. Jane deu uma olhada preocupada para Regina e encarou Emma nos olhos, elas se conheciam bem o suficiente para este pequeno gesto ter demonstrado toda a apreensão e ao mesmo tempo confiança que precisavam trocar naquela hora. Foram em frente sem trocar nenhuma palavra.
— Bem... chegamos! – disse Anabelle ao avistar o cordão de isolamento da polícia
— Ainda bem, porque meu celular acabou de perder o sinal! – resmungou Maura
— É, o meu também. – comentou Jane – pelo visto chegamos no limite até do sinal de Boston!
As mulheres desceram do carro e ultrapassaram o limite da faixa mostrando suas credenciais. Jane logo avistou dois corpos estendidos num saco preto a frente. Calçaram suas luvas plásticas e logo a analista estava debruçada sobre o rio olhando a correnteza enquanto Maura avaliava friamente os hematomas dos corpos sem vida a sua frente. Jane olhava o entorno do rio observando cada galho de árvore.
— Confesso que esperava uma condição pior. – disse a legista depois de um tempo
— Também. – comentou a prima agora próxima dos corpos analisando as roupas com cuidado.
Jane que olhava para os destroços do carro sendo guinchado pela equipe de perícia não percebeu quando Regina e Emma se aproximaram. A outra detetive também teve o olhar desviado pelo carro e logo notaram Regina se afastando correndo para vomitar na beira da estrada. As duas amigas se olharam e Jane pediu a vez indo até a outra morena:
— Re... Você não precisa ficar aqui, está bem? Eu sei que... – a detetive parou um instante para suspirar e mudou completamente o tom ficando realmente firme – Ok, foda-se, você queria vir e ver isso, já viu, agora chega já pode voltar pra casa, não tem nada realmente em que irá nos ajudar aqui, certo? Vamos ser sinceras! Além do mais não vamos conseguir trabalhar preocupadas com você, nem eu, muito menos a Em!
Regina ficou olhando surpresa para a amiga e de repente se pôs a rir. Jane ficou pálida arregalando os olhos, como a outra poderia estar achando graça em qualquer coisa naquele momento?
— Uma vez detetive Rizzoli, sempre detetive Rizzoli! Você tem razão, Jane! E obrigada por me dar esse chacoalhão. Eu não tinha nada que ter vindo, sou inútil aqui... Bom trabalho pra vocês!
— Espera... É sério que você está indo mesmo?
Regina já havia se recomposto e caminhava até o carro:
— Obrigada mais uma vez por tudo, minha querida! Estarei esperando vocês em casa. Ainda bem que acabou...
Jane sorriu e acenou para a amiga que caminhava mais firme. Voltou se deparando com Emma olhando em volta preocupada:
— Cadê ela?
— Foi pra casa.
— Sério? – perguntou a loira surpresa
— Sim, dei uma de Jane Rizzoli e ela entendeu que era melhor assim.
— Valeu, Janie! – disse Emma apertando o ombro da parceira. – Vamos ao trabalho então?
— Claro, o que temos?
— Pra começar o carro era roubado...
Emma continuou a explicação levando Jane de volta a mais próximo da cena do crime.
Uma hora havia se passado aproximadamente desde que chegaram ali quando decretou que eles tinham que levar o corpo para o necrotério o mais rápido possível.
— Tudo bem, mas o que mudou? – perguntou Jane sem entender nada apenas vendo a cara de aflição da legista
— O teste inicial não bateu!
— Que teste?
— De DNA!
— Quer dizer que essa mulher não é a Zelena? – perguntou Jane em choque
— Eu não disse isso, detetive! – retrucou a legista ofendida — As condições nas quais fizemos o teste não são totalmente confiáveis por isso quero refazer num ambiente controlado!
— Mas é impossível não ser ela! – interveio Emma meio alterada – Eu vi ela viva, ela atirou em mim, porra!
Maura ia responder quando Tinker interveio:
— Detetive, pode mandar esta foto a sua namorada?
Emma olhou confusa para Anabelle que mostrava no celular a foto de uma tatuagem de flor atrás da orelha, muito antiga e obviamente esticada demais pelo estado do corpo.
— Pra que eu mandaria isso pra ela?
— Pela pigmentação da pele essa tatuagem tem pelo menos 15 anos. Calculando que a nossa serial killer tenha por volta de 30, é altamente provável que a irmã mais velha dela tenha ciência de quando ela fez essa tatuagem ainda morando na mesma casa que ela, não?
Jane acenou positivamente para a loirinha e Emma mandou a foto para si mesma para enviar a Regina.
— A merda do sinal aqui não pega!
— Não tem problema, a Maura já deu as instruções para levarem o corpo podemos ir, no caminho o sinal volta.
Jane e Emma entraram no carro de Maura juntamente com Anabelle. Rodaram boa parte da estrada em silêncio embaladas apenas pela música clássica que tocava no rádio do carro. De repente o celular de todas começou a emitir sons.
— Parece que o sinal voltou. – comentou Jane sem tirar o seu aparelho do bolso
— Sim, finalmente consegui mandar a foto! – resmungou Emma – Onde estamos? Acho que não falta muito pra voltarmos pra cidade, né?
— Não muito pelo que me lembre do caminho da ida... – disse Tinker olhando atentamente pela janela.
Passaram-se mais alguns minutos de silêncio quando o celular de Emma brilhou com uma mensagem e todas viram o rosto da detetive empalidecer.
— Jane... – sussurrou a outra sem coragem de dizer mais nada, apenas entregando o celular para a amiga sentada ao seu lado
Na tela de Emma a conversa aberta com Regina onde ela havia mandando a foto da tatuagem e a pergunta: “reconhece?” Seguido da resposta: “não, e você, reconhece?” com uma foto de Regina e Henry amordaçados no sofá da casa delas e Zelena sorrindo com uma arma apontada para eles...
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