Era novamente uma vez

35 Capítulo 35 – Era novamente uma vez


Notas iniciais
É pessoal... Eu sei que vocês acharam que eu desisti. Confesso que foi isso mesmo, mas não por querer. Eu simplesmente fui deixando de lado, de lado até que quando vi nunca mais havia encostado nessa fic! Peço minhas sinceras desculpas e espero que neste lampejo que tive, ter conseguido dar um final digno para as personagens e a história como um todo.

— Maura, encosta o carro! – disse Jane com firmeza

— Quê? Por que? – perguntou a legista confusa olhando para a namorada pelo retrovisor e depois para a prima que também as observava confusa

— Zelena está na nossa casa, eu vou dirigir!

— QUE? – gritou Tinker num susto

— Como isso é possível? – questionou Maura efetivamente parando o carro mas sem nem notar que havia feito isso. — E por que você quer dirigir?

— Você tem curso de direção ofensiva? – retrucou a morena já abrindo sua porta e saindo

— Bem, não, mas este carro não tem nem sirene, você não vai conseguir...

Maura nem terminou de falar Jane já havia aberto a porta dela esticando sua mão para ela sair e Emma também havia saído do carro puxando Tinker pelo braço pra fora.

As primas me deslocaram para o banco de trás apreensivas com a tensão das duas detetives que não falaram mais nada. Jane assumiu o volante acionando alguma coisa em seu celular enquanto Emma tirou um rádio do bolso da jaqueta chamando reforços. Em menos de um minuto uma sirene havia sido ligada e elas decolavam pela estrada de volta a casa de Regina.

—X-X-X-

— Vamos cercar a casa sem fazer alarde! Temos 2 reféns lá dentro, incluindo um menor de idade. Vocês entenderam? – falou o tenente Cavaunaugh num tom de voz bem alto na sala dos detetives para todas as equipes que iriam sair para ajudar Jane e Maura. – Essa mulher é inconsequente, não podemos colocar mais vidas em risco.

— Não devíamos chamar a SWAT? – indagou Frost nervoso checando sua arma

— Se conseguirmos resolver esse problema sozinhos, pode apostar que sua vaga na Homicídios está garantida detetive! – retrucou o tenente – Então torça para que não tenhamos que chamar a SWAT!

Frost engoliu em seco e olhou rapidamente para Korsak que disfarçou um sorriso para ele. Killian suspirou profundamente caminhando até a porta:

— Bem, estão vamos logo!

Jane desligou a sirene um bairro antes de entrarem no delas e foi dirigindo rápido porém dentro dos limites permitidos até chegar a sua casa. Estacionou em frente a casa reconhecendo o carro de Korsak parado do outro lado da rua e o de Jones na rua dos fundos. Esperou a voz de um deles surgir no rádio que estava no colo de Emma:

— Rizzoli, Swan! Aqui é o tenente, cercamos a casa. Vamos fazer a linha diplomática, preciso que uma de vocês entre para servir de distração.

— Eu vou. – respondeu Emma na mesma hora

Jane não se opôs apenas complementou ao seu superior:

— Vamos nos distribuir pelas 3 entradas: garagem, principal e o jardim dos fundos. Vou entregar as chaves para vocês assim que a Emma entrar.

Emma suspirou dando um último olhar de preocupação para Jane depois saindo do carro. Tinker a segurou pelo braço:

— Ei...tome cuidado, por favor!

Emma olhou para a loirinha e para Maura que tinham os olhos arregalados e visivelmente preocupados com tudo que estava acontecendo ali. Murmurou um agradecimento sem conseguir sorrir e foi adiante.

— Vai ficar tudo bem. – sussurrou Jane para si mesma enquanto assistia a amiga indo até a porta de casa

A detetive tocou a campainha, não queria assustar Zelena provocando alguma reação inesperada. Um rapaz magro espiou pela janela antes de destrancar a porta e a abrir se escondendo atrás dela. Isso não passou desapercebido por Frost que observava com um binóculo do carro de Killian:

— Tem mais alguém na casa.

— Como assim? – questionou Jane confusa

— Homem, branco, magro, 1,80m aproximadamente.

—X-X-X-

— O que você está fazendo aqui?! – questionou Emma inconformada ao ver Will Scarlet, o amigo de infância de Anabelle em sua casa

— Se eu disser que “não é nada disso que você está pensando” você vai acreditar? – questionou o rapaz com o mesmo tom de ironia triste que sempre usava

Emma olhou melhor para ele: o olho estava roxo, haviam arranhões e hematomas pelos braços, ele não parecia de fato querer estar envolvido em nada daquilo, mas ainda assim não sabia se podia confiar no rapaz, não conseguia identificar nem se ele estava armado ou não.

Rapidamente desviou o olhar para o sofá vendo Regina e Henry amordaçados. Os dois emitiram grunhidos mas assim que Emma correu na direção deles e ouviu a voz debochada de Zelena vindo da cozinha:

— Na, na, ni na nãooo. É pra olhar com os olhos, não com as mãos, bonitinha!

Emma apertou os lábios com raiva mas viu que a outra apontava uma arma na direção dela e foi direto ao assunto:

— Ok, Zelena, o que você quer?

— Primeiro a sua arma, é claro!

Regina balançava freneticamente a cabeça em movimento de não mas Emma sequer ousou desobedecer, num movimento calmo tirou o revólver do coldre e o colocou no chão chutando para baixo da mesinha de centro. Zelena apontou com a arma para Will e depois para o chão:

— Vamos, pegue isso dela!

O rapaz obedeceu mas ao ter a arma em mãos era visível o quanto tremia. Emma ouviu um soluço e viu que seu irmão chorava encolhido ao lado de Regina.

—X-X-X-

Jane estava tensa. Deu uma chave para Maura e outra para Tinker:

— Maur você entrega essa pro Korsak, ele está ali no carro com o tenente, avisa que ela abre a porta da garagem. Tinker, você entrega essa pro Frost que está no carro do Jones ali atrás, ela abre a do jardim dos fundos. Não voltem pra este carro, fiquem no que vocês forem entregar as chaves, ok?

— Você vai ficar aqui sozinha, Jane? – retrucou Maura apreensiva

— Não, eu vou entrar com a minha chave da frente, não sabíamos que ela não estava sozinha, a Emma vai precisar de reforços lá dentro!

— Mas o tenente disse que...

Jane interrompeu a pergunta de Maura lhe roubando um beijo:

— Vai ficar tudo bem! Nos vemos mais tarde!

Tinker segurou a mão da prima com força e elas se olharam com carinho, depois abriram as portas do carro e se dirigiram para onde Jane havia indicado. Após todos darem o ok pelo rádio que estavam com as chaves a morena saiu do carro de Maura dando passos duros até sua própria residência.

—X-X-X-

— Zelena, não sei o que você quer mas não tem por que manter mais gente aqui. Solte eles, não vai ganhar nada assustando meu irmão e a Regina desse jeito...

— Tem certeza que não vou? Você acha que eu sou tão ingênua assim? – respondeu a ruiva caminhando até a entrada e ficando de frente para Emma — Eu sei que a esta hora a casa está cercada e todos vocês vão tentar me convencer de me entregar, mas quanto mais reféns e mais tempo ficar aqui mais chances tenho de negociar e conseguir o que quero.

— E o que você quer? – disse Will num tom amedontrado

— Um acordo. – respondeu a ruiva sem nenhum tom de emoção na voz

— Um acordo para te manter viva? Por que livre acho que você é inteligente o suficiente pra perceber que não vai rolar. – retrucou o rapaz

Zelena se virou de lado olhando a sala, pegou um vaso que ficava no hall e o atirou na direção do homem que se encolheu fugindo de ser acertado mas tendo que esconder o rosto para que o vidro não pegasse nele.

— Calado, moleque! Ou amarro você com os dois ali também!

— Por que ele está aqui, Zelena?! – disse Emma se colocando a frente de Henry e Regina para os proteger

— Ele é só um fudido, Swan, que diferença faz por que ele está aqui? Se estivesse em qualquer lugar estaria fazendo merda igual! Foi só oferecer dinheiro pra esse coitado que ele aceitou me ajudar!

—X-X-X-

Jane deu passos firmes até a porta mas prendeu a respiração por um instante quando olhou pela janela. Viu friamente toda a cena tentando se concentrar em como agir da maneira mais profissional possível para dar fim àquele pesadelo. Emma não desviava o olhar de Zelena então não a viu, mas sabia que de alguma forma tinha que fazer a parceira a notar para qe pudessem trabalhar juntar. Ainda planejando algo olhou rapidamente para o carro de Korsak vendo o tenente lhe lançar um olhar de reprovação quase paternal pela atitude mas em nenhum momento fez menção de impedi-la. O velho amigo e tutor por sua vez deu uma piscadinha discreta lhe dando certeza de que havia sido ele a acalmar o chefe. Jane esboçou um sorriso. Não sabia ao certo o que aconteceria a seguir e sentiu que precisava demostrar seu carinho por eles caso fosse a última vez.

Finalmente colocou a mão da maçaneta de entrada e percebeu que a porta estava destrancada. Anos morando naquela casa claro que havia desenvolvido alguns macetes de como abrir todas as portas sem fazer barulho. Abriu o mais devagar que pode se deparando com as costas de Zelena para ela e um discreto tom de incredulidade no olhar de Emma que logo forçou para sumir.

—X-X-X-

— Eu não sabia do que se tratava, sua vaca! – reagiu Will nervoso saindo de perto da TV e indo para o lado de Emma instintivamente tentando se proteger – Eu tentei cair fora quando entendi o que era mas você me bateu e me deixou preso aqui com vocês!!

Will estava tão transtornado que parecia ter esquecido que tinha uma arma na mão e em nenhum momento ousou aponta-la para Zelena que percebeu que ainda tinha todo o controle sob a situação:

— Bom, pronto, agora já sabe como ele veio parar aqui, detetive. – retrucou Zelena de uma maneira irônica e rindo gostosamente na sequência – Mais alguma pergunta?

— Foi bom trepar com a Jane? – perguntou Emma de maneira calma impressionando um pouco a outra

— O que disse?

— Você e a Jane. Vocês transaram umas semanas atrás não foi? Então, ela é mesmo tudo isso que diz que é?

Jane franziu a testa recriminando a estratégia da amiga mas sem se importar tanto assim foi entrando devagarinho pela porta fazendo sinal para Will ficar em silêncio. O rapaz desviou o olhar para o chão com medo de Zelena notar que ele havia visto algo, mas a ruiva estava mesmo intrigada com a pergunta da outra detetive:

— Ora, não era bem esta a pergunta que estava esperando que você fizesse mas, sim. Foi bem gostoso. Por quê?

— Bom saber que foi bom pra você também! – disse Jane com sua arma encostada na nuca de Zelena – largue a arma, você está presa!

A mulher revirou os olhos brava consigo mesma por ter caído num truque tão estúpido e não largou a arma.

— Zelena, acabou! – completou Emma – Você está certa, a casa está cercada e não importa o que faça você será presa pelo assassinato do Senador Gold, por desvio de dinheiro, tráfico de armas, manipulação, a lista é enorme... Não há pra onde fugir.

—X-X-X-

Do lado de fora os 6 membros da Delegacia esperavam aflitos por um desfecho. Frost com o binóculo narrava aos demais o que conseguia ver e ao que tudo indicava as detetives estavam no controle da situação até que todos ouviram uma estrondosa explosão.

— Puta que pariu! – gritou Killian saindo do carro e observando nervoso a casa que os vidros da janela estouraram e saia muita fumaça

Kosak já havia ligado para os bombeiros e logo ouviram uma sirene ao longe.

Maura sem pensar duas vezes foi correndo na direção da casa.

— Maura, não!! Podem haver mais explosões! – gritou Tinkerbell correndo atrás da prima tentando impedi-la.

A legista não deu ouvidos e chegou a porta escancarada tentando ver na fumaça se haviam corpos ou vivos. Encontrou Jane e Emma deitadas em cima de Regina e Henry ainda amarrados, mas agora no chão. As detetives se levantaram conferindo se eles estavam bem soltando suas mordaças. Os dois choravam de pânico mas estavam vivos e sem nenhum ferimento grave aparente. A explosão havia sido no andar de cima e além dos lustres terem caído quase sobre eles, o teto parecia que ia começar a ceder a qualquer instante.

— Temos que sair daqui, rápido! – disse Maura ajudando a desamarrar os dois

— O que você está fazendo aqui? Falei para ficar no carro! – esbravejou Jane ao ver a loira

— Depois você briga comigo, Jane! No momento eu só quero garantir que você ainda esteja viva pra fazer isso depois!

Emma abraçou com força o irmão e segurou na mão de Regina os puxando para fora. Mal atravessaram a porta olhou em volta:

— O Will? Cadê o Will?

Tinker gelou ao ouvir este nome e logo avistou o amigo caído inconsciente no chão da sala. Foi a vez dela entrar correndo sem se importar com o perigo, seguida por Jones que pegou o rapaz no colo o levando para o lado de fora. Tinker via sua pulsação fraca enquanto Korsak foi o primeiro a perceber:

— E a Zelena?!

— Ali! – gritou Frost avistando a mulher que corria pelas escadas para o andar de cima da casa.

— Pra onde ela está indo? – disse o tenente conferindo junto com o mais novo

— Eu não sei, senhor, mas posso ir atrás dela!

— Claro que não, se retardado, a casa vai desmoronar! Eu prometi a transferência pra um oficial com vida!

Frost se calou e viu o caminhão de bombeiros chegando juntamente com algumas unidades de socorro e da polícia.

— Pra longe!! Evacuem o perímetro! – gritava o chefe dos bombeiros para os policiais que logo chamavam as pessoas das casas próximas para se protegerem. Jane, Maura e os outros que estavam na casa já haviam corrido para longe e eram socorridos nas ambulâncias.

Ouviram mais uma explosão, desta vez com muito mais fogo e Regina podia jurar que ouviu o grito da irmã em meio a tudo aquilo. Uma fumaça densa invadiu o céu e estranhamente parte dela era verde. Todos acompanharam em silêncio sem saber o que dizer ou sentir naquela hora.

—X-X-X-

1 ano depois

— Que horas é o vôo de vocês mesmo? – perguntou Jane enquanto dava outra garfada em seu prato de comida

— Às 6h30. – respondeu Regina tomando mais um gole de vinho e olhando em volta – Maura querida, venha sentar, está tudo ótimo!

— Desculpe, não estou acostumada a receber tanta gente, acho que estou meio ansiosa! – disse a legista caminhando de um lado para o outro na cozinha e verificando se na mesa estava tudo servido parando atrás da cadeira de Jane

— Sim, amor, você está! – comentou Jane rindo e olhando para cima recebendo um beijo carinhoso da namorada

Era o open house da casa das duas. Depois de ficarem novamente sem casa as detetives e Regina alugaram outro apartamento mas não demorou muito para que Jane passasse muito mais tempo na casa de Maura ou a legista na sua e logo decidiram que era hora delas terem um lugar só pra elas. Assim Emma e Regina ficaram no novo apartamento, Tinkerbell no apartamento antigo dela e de Maura e Maura e Jane alugaram um lugar que previamente calculado ficava exatamente no caminho entre uma casa e outra. De fato era um open house grande por mais que a casa também fosse. Além das melhores amigas haviam os rapazes do trabalho e até Giovanni e os pais de Emma estavam lá. É verdade que estes últimos só estavam porque no dia seguinte Emma e Regina tirariam férias e embarcariam para a Europa passar 1 mês.

— Bem, não esqueça de levar os potes que minha mãe pediu para comprar! – disse Jane se dirigindo à amiga voltando ao assunto da viagem.

— Já estão na mala, Janie! Relaxa! Junto com os ursinhos que o Gio pediu pra eu levar pra sobrinha dele!

— Sim! Muito obrigado pelo favor, Em! Sabe, que correio anda muito caro não é? – resmungou o mecânico devorando seu segundo prato de jantar. E mande lembranças a Mama e Papa Rizolli por mim!

— Eu não sei nem se eles vão querer que eu mande lembranças, vão querer as suas, por acaso?! – brincou Jane fazendo todos rirem.

Acabada a refeição que foi bastante animada e descontraída, todos ajudaram a arrumar um pouquinho a casa mas continuaram abrindo suas bebidas e jogando conversa fora. Regina colocou a mão no joelho de Emma que estava sentada ao seu lado no sofá:

— Querida, acho que daqui a pouco é melhor irmos, o vôo é bem cedo amanhã...

— Claro, tem razão! – disse Emma terminando sua cerveja e se levantando dizendo alto para que todos olhassem para ela – Mas antes tenho algo a dizer.

Jane apertou a mão de Maura com força mas a loira não entendeu o que estava acontecendo ali. Nem tinha como, Emma só havia contado a Jane o que iria fazer na viagem e a morena não entendeu quando viu que seria mais cedo do que o esperado.

— Bem, A Janie sabe... Eu planejei fazer uma puta surpresa pra Re nesta viagem mas, a verdade é que eu tenho um pouco de medo de avião e são muitas horas de vôo, além de que a bagagem sempre pode extraviar, aahh enfim, acho que não tenho muitas desculpas só estou nervosa demais e agora passando esse tempo aqui com vocês achei que pelo menos se fizesse agora na presença de todos que eu amo tanto e se importam comigo e com ela ia ter muito mais significado... — logo Emma tirou uma caixinha do bolso e se ajoelhou na frente de Regina – Acho... Acho que não preciso dizer mais nada, né?

Regina ria incrédula mas ao mesmo tempo abobalhada ao som de assobios e palmas de todo pessoal até mesmo os pais de Emma que finalmente haviam perdoado a morena sorriam para elas. A morena olhou diretamente para eles como se pedisse alguma espécie de permissão que logo foi concedida com o olhar. Henry gritou empolgado quando viu Regina colocando a aliança no dedo e puxando Emma para um beijo amoroso sussurrando: “É claro que eu aceito casar com você”.

Era visível que após todo turbilhão que viveram fortaleceu muito a união entre aquelas pessoas. Seja como amigos, pais, irmãos ou casais. No final, parecia que tudo tinha tido um sentido por trás, como se estivesse escrito que era para ser daquela forma. Que a vida de cada um dia iria se cruzar e viver intensamente cada momento sem questionar o porquê. O que mais estaria escrito para eles dali para frente? Bem, isso ninguém tem como saber...

FIM

Notas finais
Obrigada mais uma vez a todos que leram e comentaram sempre! Uma hora qualquer a gente se encontra novamente! Besssoosss
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!