Era novamente uma vez
32 Capítulo 32 – Corrida insana
Notas iniciais
— Cheque as câmeras de segurança da rua do Governador de hoje mais cedo! – disse Cavaunaugh nervoso para Frost
— Sim, senhor!
Em poucos instantes o rapaz virava o monitor para todos verem que não havia nenhuma movimentação suspeita, muito menos sinal de Zelena. Voltou um dia e nada também.
— Vamos precisar verificar as câmeras internas, ela pode ter usado algum acesso lateral. – constatou Frost
Neste instante o telefone de Emma tocou, ela atendeu colocando no viva voz:
— Fala, Jane, o que aconteceu exatamente?
— Envenenamento! – disse a morena em tom sério – Os médicos tem certeza disso, só não sabem ainda se vão conseguir salva-lo.
— Puta merda! – soltou Emma – Bom, nos mantenha atualizados, vou com o Frost na casa ver o que a gente consegue de lá.
— Perfeito! Vamos nos falando!
A loira desligou o telefone já sinalizando para Frost a acompanhar. O tenente voltou a sua sala para fazer algumas ligações. Regina se despediu de todos um pouco atordoada. Sentou na cafeteria e ficou pensando que não tinha cabeça para nada então ligou para seu assistente:
— Sidney? Eu...bem, não estou me sentindo muito bem hoje. Vou ficar em casa. Se tiver alguma coisa urgente por favor me ligue ok? Obrigada! Bom dia pra você também.
Se levantou e pegou o carro. Foi dirigindo devagar no caminho de volta pra casa, pela primeira vez parecia que via efetivamente tudo que havia no caminho. “Aquela loja de bolos sempre esteve ali?” Se pegou pensando. Estava sempre tão atarefada e preocupada com coisas que julgava mais importantes que muitas vezes não olhava para as coisas óbvias que estavam ao seu lado. Nem mesmo as pessoas. Não viu que Gold era um canalha que a usava, não viu quando Zelena começou a se tornar o que era, não viu que Emma sempre foi apaixonada por ela... Tudo sempre via quando já tinha passado, já era tarde demais na maior parte dos casos. Estacionou o carro e suspirou longamente. Não fazia ideia de que música era aquela tocando no rádio de seu carro mas esperou ela acabar para sair. Abriu a porta da casa e se deparou com Henry sentado no sofá lendo um livro.
— Oi!
— Ué, você não vai trabalhar hoje? – perguntou o menino surpreso
— Não, hoje não, querido. – respondeu a morena sentando ao lado dele – Que livro é este?
— Robinson Crusoé. Você já leu?
— Bem, li mas faz muito tempo. É um bom livro, está gostando?
— Sim! O Sexta-feira é engraçado.
— Sexta-feira? – repetiu Regina procurando algo na memória – Ah sim, o nativo que ele encontra não é?
— Isso! – respondeu Henry rindo – Sabe, lá no Museu tinha uma exposição sobre ele mas eu não pude ver direito por que a professora disse que a gente só estava ali pra ver a exposição do descobrimento da América.
— Sério? – perguntou Regina meio sem emoção depois ficando um longo instante em silêncio e se virando bruscamente para o menino, animada com a própria ideia que teve — Você quer ir lá agora então?
— Podemos ir lá agora?
— Claro, por que não? – respondeu Regina já se levantando e abrindo o sorriso para o menor
X-X-X-X
— Como assim? – disse Emma em voz alta após ler uma mensagem de Regina
— Que foi? – perguntou Anabelle que fotografava a casa do Governador enquanto Frost com um notebook no meio da sala vasculhava a rede de segurança da casa
— Ah, nada, desculpe! – respondeu Emma andando em círculos depois voltando para perto de Tinkerbell — É que a Regina foi levar meu irmão no Museu.
— E dai? Ela não gosta de museus? – perguntou a loirinha confusa
— Não é isso, é que... sei lá, você acabou de descobrir que sua irmã é um monstro e ao invés de trabalhar... bom.. o que eu tô falando né? Ela nem é detetive não tem como ajudar aqui e do gabinete não ia sair nada também.
— Ela poderia se entupir de trabalho para esquecer mas acho que agora o melhor que ela tem a fazer é tentar se distrair com algo mais leve mesmo.
— É. Acho que não tem uma reação certa ou errada pra quando acontece algo tão inesperado assim. – concluiu Emma respondendo com uma mensagem carinhosa a namorada e mandando beijos ao irmão.
Voltou a andar pela sala analisando cada objeto quando levou um susto com o parceiro:
— Ela não voltou mais aqui depois da festa! – disse Frost quase gritando de tão surpreso
— Não? – disse Emma já se posicionando atrás dele para ver a tela.
— Fiz rastreamento facial a última vez que ela apareceu nos vídeos foi no dia seguinte a festa. Certamente dormiu aqui mas não voltou mais. Como ela envenenou ele então?
— Ela pode ter deixado alguma coisa na casa ou mandou alguém entregar. Abre de novo o vídeo de ontem da câmera da rua.
O detetive obedeceu e logo eles viram um homem muito magro que escondia o rosto atrás de um boné. Usava uniforme de entregador com um crachá que não dá pra ler. Ele toca a campainha, se identifica e mostra uma caixa retangular pequena ao segurança que analisa depois o libera levando o objeto para dentro. Frost se virou reconhecendo o segurança parado num corredor:
— Ei, amigão, vem aqui, por favor!
— Pois não? – disse o homem secamente
— Se recorda de ter recebido esta entrega? – Frost voltou o vídeo o mostrando ao grandalhão
— Sim, senhor. Era da loja de chocolates ali da esquina.
— Chegou a entregar essa caixa ao Governador? – questionou Emma séria
— Sim. Ele abriu, pegou um bilhete e o bombom que tinha dentro e levou com ele quando subiu após o café da manhã. A caixa ainda está no lixo se quiserem verificar.
Emma o dispensou e correu até o quarto do Governador. A caixa não lhe interessava tanto quanto esse tal bilhete. Vasculhou tudo até achar um papel de bombom amassado no lixo do banheiro. Junto dele uma nota rasgada. Juntou os pedaços e leu a mensagem: “Para adoçar seu dia, porque de noite eu que vou adoçar sua boca! Beijos, Z”
Emma tirou uma foto e mandou para Jane ligando em seguida:
— Recebeu a foto?
— Sim, o que ela deu pra ele?
— Achei um papel de bombom na casa junto com esse bilhete da Zelena. Não sei se ajuda os médicos em algo na investigação do antídoto...
— Eles combinaram de se encontrar hoje a noite... – divagou Jane – Mas claro que ela nunca teve a intenção disso, não é? Ou tinha, se ele não comesse o bombom na hora ela certamente o daria a noite. O objetivo era eliminar ele ainda hoje, isso está claro. Então ela pode ainda estar na cidade! Alguma pista da onde seria este encontro?
— Ainda não. Mas provavelmente não era aqui, o Frost vasculhou tudo e ela não pisou mais na casa do Governador depois daquela festa.
— Ele deve ter algum lugar secreto onde costuma levar as acompanhantes dele.
— Exato! Este caso só complica, meu deus...
— Nem me fale! Como está a Re?
— Ah, ela desistiu de ir trabalhar hoje e foi levar meu irmão ao museu. – respondeu Emma andando pelo quarto do governador e olhando seus objetos pessoais
— E por que você está aborrecida com isso?
— Quem disse que estou aborrecida, Jane?
— Ah por favor, eu conheço essa sua voz de decepção ok?
Emma suspirou antes de falar qualquer coisa de novo:
— Estou com um pressentimento ruim, não sei explicar o que é. Você não acredita nessas coisas, mas... sei lá, Jane, estou com um pouco de medo do que possa acontecer.
— Ei, nós já resolvemos casos piores, certo? Vai dar tudo certo, você vai ver! – respondeu Jane se esforçando ao máximo para usar um tom de consolo.
— Caso pior do que a irmã da sua namorada ser uma psicótica que matou o assassino do seu avô? Tem certeza que nós já fizemos isso, Jane? – perguntou Emma de maneira irônica
— Bom, eu estava pensando naquela vez que o serial killer me sequestrou, me pregou no chão pelas mãos, você apareceu lá pra me salvar e ele quase te matou, mas assim, claro, este caso não foi tão grave assim no fim das contas!
Emma ficou em silêncio mas logo as duas começaram a rir:
— Obrigada, parceira! Qualquer novidade avisa!
— Pode deixar! Até mais, Em.
A loira desligou o telefone bem a tempo de ouvir Frost a chamando:
— A Anabelle encontrou um fatura de auto posto na estrada do litoral! Mas acabei de fazer uma busca que ali não tem nenhum auto posto, é o nome fantasia de um motel barato. Certamente era ali que eles se encontravam.
— E certamente era lá que ele pretenda ir hoje a noite encontrar com ela de novo. – completou Emma mostrando o bilhete ao detetive – Vamos até lá!
—X-X-X-
Frost dirigia o mais rápido que podia até o endereço. Ele e Emma sequer conversaram no caminho, o clima estava tenso e nenhum dos dois ousava quebrar isso, estavam absortos demais nos próprios pensamentos e suposições do caso.
Chegaram ao endereço após mais de meia hora. Apresentaram seus distintivos na recepção e um homem calvo não pareceu realmente surpreso:
— Em que posso ajudar, senhores?
— Esta mulher esteve por aqui recentemente? — perguntou Frost grudando seu tablet no vidro da recepção com uma foto de Zelena
— O senhor sabe que mesmo sendo policial precisa de um mandato pra eu lhe responder isso, não é? Nossa lista de clientes é confidencial...
— Ela tentou matar o Governador. – disse Emma sem rodeios – Ou você ajuda ou vai ter sérios problemas pra explicar depois por que encobriu ela.
O homem ficou pálido mas viu com canto de olho a sua televisão que volta e meia passava flahs do noticiário sobre o caso de mais cedo. Aqueles policiais podiam até estar blefando mas não seria prudente para ele arriscar. Se virou indo até um armário. Pegou uma chave e entregou a Emma:
— Quarto 212, mas tomem cuidado, tem dois seguranças armados com ela.
Emma pegou a chave e foi na direção do elevador que o homem indicou, Frost já ajeitava a arma em punho e quando chegaram ao andar sussurrava para a loira meio nervoso:
— Não devíamos pedir reforços?
— Não vai dar tempo!
— E se for uma emboscada? Emma, pensa, por que ela estaria aqui ainda sabendo que o Governador já foi envenenado?
A loira parou no meio do caminho e se virou para olhar o rapaz. Ele tinha razão ela estava tão ansiosa para acabar logo com aquilo que não estava raciocinando claramente. Abriu a boca para concordar quando ouviram um disparo na direção deles. Se esconderam atrás do que podiam identificando o atirador na escada de incêndio. Frost atirou de volta acertando o estômago do segurança de Zelena que caiu desarmado, Emma correu para perto dele checando a pulsação quando ouviu um barulho de freada brusca. Os detetives olharam pela janela do corredor vendo um homem manobrando um carro de qualquer jeito. Zelena olhou para eles pela janela do passageiro e começou a rir.
Emma e Frost desceram correndo de volta ao térreo, deram instrução para o homem da recepção chamar a polícia que havia um ferido e Emma tomou a direção do carro. Tentavam a todo custo alcançar a assassina fazendo manobras arriscadas e quase batendo na maior parte das vezes, Frost pôs meio corpo para fora do carro atirando no retrovisor do carro da frente. Zelena se abaixou, mas logo apareceu com uma arma para fora disparando de volta neles.
Emma desviava de tudo mas as curvas na serra do litoral começavam a ficar cada vez mais fechadas e perigosas, viu o segurança jogando o carro por uma trilha lateral mas conhecia bem aquela região e seguiu reto com a intenção de pegá-los mais na frente.
— Não estou mais vendo eles! – gritou Frost aflito
— Quieto, tenho que ouvir o carro deles! – respondeu Emma nervosa
Atravessaram um túnel e como Emma esperava lá vinham eles muito menos a frente para cair no mesmo trecho de estrada.
— Para o carro deles, Frost!
O rapaz novamente se pôs pra fora atirando no pneu traseiro do carro que estourou. O segurança visivelmente havia perdido o controle do carro que agora ia diretamente para o fim da serra sem seguir a curva da estrada. Zelena atirou contra o vidro do próprio carro acertando o ombro de Frost que ficou pendurado para fora gemendo. Emma reduziu a velocidade puxando com um braço o rapaz para dentro e quando percebeu precisou frear bruscamente jogando o carro para dentro da curva. O carro de Zelena já havia quebrado a barreira da estrada e caia diretamente para o mar ao som dos gritos de horror dela e do segurança.
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