Era novamente uma vez

25 Capítulo 25 - Noite cheia, parte 2


Notas iniciais
Oi, Oi, gente!! Desculpe a demora, eu juro que o capítulo estava quase pronto, dai não gostei de uma parte, acabei refazendo e nisso viajei sem o note e sem ter agendado a postagem! Mil desculpas mesmo! Cá está o novo capítulo, espero que gostem!!!

Jane esperava e não esperava por aquilo. A verdade é que ela sabia que se a legista a estava abertamente dando uma chance era porque ela queria estar com ela mas novamente aquela explosão de emoções que ela não sabia explicar quando beijava a loira a deixava desnorteada. Maura foi escorregando para o colo de Jane que a deixou se sentar nele sem quebrar o contato com seus lábios. Ambas encurtavam um pouco a duração dos beijos agora para respirar, a legista agarrara a nuca da morena e mordiscava seu queixo quando foi voltar para a boca a morena subitamente afastou o rosto segurando com mais força a cintura da outra a fazendo abrir os olhos para a encarar:

– O que foi? – perguntou Maura ao mesmo tempo confusa e ofegante

– É que... – Jane mais uma vez ficou abobalhada com a beleza daquela mulher ainda mais a vendo tão de perto, mas ela tinha que fazer aquilo – Desculpe, mas eu não consigo te entender!

Maura agora se afastava um pouco retirando as mãos da nuca e as apoiando levemente nos ombros de Jane. Fez menção em levantar, mas a morena abraçou suas costas:

– Não estou te pedindo pra sair ou parar... é só que... Maura, de verdade, o que você quer comigo?

– O que quer dizer exatamente com isso Jane?

– Exatamente eu também não sei mas, sabe, toda vez que eu beijo você parece que o mundo para e eu não gostaria de estar em nenhum outro lugar que não fosse aqui, com você e pelo menos na hora parece que é recíproco, mas também toda vez que isso acontece na sequência você some ou me fala umas coisas doidas. Quero dizer, eu sei que da última vez você disse que ia parar com isso, mas no fundo eu ainda estou esperando que você vire pra mim a qualquer momento e diga: “Bom Jane acho que está na hora de você ir pra sua casa, porque segundo o fuso horário do Alaska está na hora de eu fazer minha meditação indiana antes de dormir”, sei lá!

Jane terminou a frase tentando dar um sorriso frouxo disfarçando um pouco o nervosismo, mas isso não passou desapercebido por Maura que soltou um suspiro e procurou as mãos de Jane em suas costas as trazendo para frente e segurando suas palmas:

– É recíproco! E por mais que eu seja uma estudiosa que sabe de milhares de coisas eu não consigo explicar o que sinto quando estou com você. Só sei que é único e eu deveria ter te explicado porque fui embora na primeira vez que nos vimos quando tive a chance. Você se importa de escutar agora?

Jane fez um negativo com a cabeça fitando com interesse os olhos da outra que continuou:

– Então, você já sabe que eu e a Tinker tínhamos acabado de mudar pra Boston e ela queria curtir a cidade antes de começarmos a trabalhar. Quando encontrei você e falei que ela tinha ido no banheiro era verdade, e como você mesma já disse quando eu e você nos beijamos parece que o mundo para e eu não percebi que na verdade havia se passado muito tempo entre ela ter ido e você ter ido buscar a água pra gente. Nessa hora um segurança apareceu me dizendo que ela tinha se machucado e estava no ambulatório, eu tentei explicar que tinha que avisar para uma pessoa antes mas ele estava rabugento e com razão, afinal deve ser um trabalho ingrato ter que cuidar de bêbados inconvenientes como a minha prima e eu fui com ele. Quando voltamos não lhe achei mais. Procurei ainda um bom tempo, mas talvez você já tivesse ido embora. Fiquei realmente brava com a Tinkerbell por isso...

Jane ficou em silêncio um tempo analisando as expressões de Maura. Ela era treinada para saber se uma pessoas estava mesmo dizendo a verdade, mas estava levemente bêbada e numa situação parcial demais para se guiar pelo profissionalismo. Preferiu se deixar levar pelo instinto e este lhe dizia que a legista falava a verdade. Abriu um sorriso de canto:

– Você chama a sua prima adulta de Tinkerbell?

Maura não se conteve e deu um tapa no braço de Jane fazendo ar de ofendida:

– Eu conto toda a história preocupada se você vai acreditar nessa maluquice improvável que me aconteceu e você repara no apelido de infância da Anabelle?

– Bem, é que é engraçado... Não que ela não tenha mesmo cara de um apelido assim, achei fofo você tratar ela por esse nome! Como ela te chama?

– De Maur mesmo. Não tenho um apelido de infância pelo que me lembre.

– Eu também não. Meus irmãos me chamam de Janie mas não gosto muito. – completou Jane abrindo um sorriso ainda maior, nitidamente o momento desconfortável de dúvida entre as duas havia se dissipado

Maura sorriu de volta ajeitando o cabelo para trás da orelha encarando agora a morena com uma certa timidez. Ainda estava sentada em seu colo mas parecia que só agora havia se dado conta disso e não sabia ao certo o que fazer.

A detetive pousou uma mão em seu rosto fazendo um carinho e logo trazendo seu rosto para mais perto do seu:

– Desculpe a interrupção, vamos continuar da onde paramos?

A doutora abriu um sorriso maior e logo estava beijando Jane novamente que logo passou um braço pela cintura dela a trazendo mais para perto as deixando mais próximas do que nunca.

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Emma pediu comida chinesa para ela e já havia devorado seu yakissoba enquanto tentava passar de fase no vídeo game quando ouviu a campainha tocar.

“Que estranho, a essa hora?” pensou a loira se levantando com cuidado e dando uma olhada rápida da onde estava sua arma. Checando que estava ao alcance de sua mão foi até a grande porta e olhou pelo olho mágico. Viu um homem alto de cabelos aloirados com fios brancos e porte atlético parado ali. Abriu a porta ainda mais espantada:

– Pai??

– Hei, Emma! Tudo bem com você?

– Tá sim...e com você? Quero dizer... deve ter acontecido alguma coisa pra você ter vindo até a casa da Re, sei lá!

– Sua casa. – disse o homem com simplicidade – você mora aqui também, não mora? Então é a sua casa e a da Regina.

Emma sem palavras apenas encarava o pai que sem jeito disse abrindo um sorriso:

– Posso entrar? Tá ventando um pouco aqui fora...

– Claro, pai, desculpa!

Assim que ele entrou Emma ainda permaneceu parada olhando para fora:

– Veio sozinho?

– Sim, pode fechar a porta, sua mãe com certeza não está ali fora nos aguardando! Talvez seu irmão, mas só se me seguiu!

Emma deu uma risada fechando a porta mas ainda espiando pela fresta da janela:

– Você sabe que isso não seria tão impossível, né? O garoto é bem esperto! E leva jeito pra ser detetive...

– Claro que leva, ele adora você e procura se igualar em muitas coisas.

– Ainda bem que nas boas. – disse Emma meio baixo

David sorriu. Ele estava com as mãos na cintura encarando a filha com um olhar meio bobo, mas nada disse. Emma pareceu desconfortável:

– Eu acabei de comer, mas você quer alguma coisa? Uma água pelo menos?

– Não, está tudo bem, filha! Obrigado. Você está sozinha aqui hoje?

– Sim, a Re foi num coquetel político e a Jane num encontro. Vem, vamos sentar pelo menos!

Emma levou o pai até o sofá e desligou o jogo na TV se sentando com uma almofada no colo sem entender ainda o que havia trazido o homem até ali.

– Tem alguma coisa que você gostaria de me contar? – perguntaram os dois ao mesmo tempo se encarando

Ambos riram, David disse:

– Ei, eu sou o pai, era pra essa frase ser só minha!

– Desculpe é que eu sou a detetive, essa frase também costuma ser minha. Então, quem começa?

– Eu sou mais velho então acho que tenho direito de escolher! Você!

– Hum...tem alguma coisa a ver com algo que o Henry tenha te dito?

– Talvez... Aliás não porque ele não disse mas eu deduzi pelo pouco que ele deixou escapar.

– Ok, eu não tenho mais 13 anos, pai. Não te devo satisfação nenhuma de com quem eu namoro ou não, certo? – respondeu Emma meio emburrada – Mas se por algum motivo isso vai te fazer mais feliz sim, eu estou namorando a Regina! E nada do que você ou a mamãe achem dela vai mudar meus sentimentos.

– Eu nunca disse que não gostava da Regina, Em. – disse David sério – Sua mãe é uma pessoa rancorosa e teve muito tempo para remoer um erro que ela cometeu no passado, mas eu acredito que as pessoas podem mudar pra melhor se elas realmente quiserem e a Regina me parece ter sido alguém que fez isso. É verdade que ela nos procurou muitas vezes para se desculpar e demorou muito tempo mas ela encontrou uma forma a maneira dela de se redimir te dando um teto pra morar e não poderia ser só por consciência pesada eu acredito nos sentimentos dela por você também.

Emma pareceu confusa e continuou falando mais baixo meio insegura:

– Então você aceita bem o nosso namoro?

– Sim. Se ela te faz feliz, é isso que importa para mim! – respondeu David com convicção — Só não espere que sua mãe vá aceitar isso tão cedo, claro...

Emma ficou quieta refletindo um instante. Ouviu o pai suspirar e abaixar a cabeça:

– Bem, se eu tinha algo para lhe contar sem dúvida era isso. Agora o que você tem pra me contar que está tão engasgado?

– Meu casamento não vai nada bem, Emma. Eu estou cansado, a Margareth também, estamos brigando constantemente por besteiras e eu sinto que isso tem feito muito mal ao Henry. Ele não conversa mais direito com a gente, se tranca no quarto com os livros e sai correndo de casa quando começamos a brigar. A Bela, não sei se você se lembra dela, filha do dono da biblioteca da cidade, diz que volta e meio o pega chorando num canto de lá e eu sei que a culpa é nossa. Não queria deixar ele no meio de tudo isso, mas não teve como. — Emma ouvia atentamente o pai agora sem saber o que dizer a princípio – Nós trouxemos ele pra cá não foi só porque sua mãe é louca obcecada por enterrar fisicamente a memória do homem que matou o pai dela, mas foi uma desculpa que encontramos pra tentar ficar mais perto dele de novo e sendo aqui em Boston tem você, e você sabe o quanto o Henry te adora, então achamos que tudo seria mais fácil “juntando a família novamente”. Pena que a vida real não é como um comercial de margarina.

David suspirou novamente jogando o corpo contra o encosto do sofá e olhando para o chão com pesar. Emma agora se sentia culpada também mas se esforçou para achar as melhores palavras:

– Nós dois sabemos o quanto Marie Margareth é uma mulher difícil e você sempre tirou isso de letra. Por estar cansado, não te culpo, todo mundo tem um limite, mas acho que se procurarem conversar abertamente sobre isso talvez ajude. Bem mais do que gritar, xingar etc. Se ela não quiser te ouvir, fale a verdade que é o que mais te preocupa, vocês estarem traumatizando o Henry. Aquele menino é fantástico e eu me culpo por não poder passar mais tempo com ele, mas minha rotina é uma loucura e você sabe disso. Agora, pai... A vida nunca vai ser um comercial de margarina mas pelo menos eu tenho certeza de uma coisa: com todos os defeitos, vocês são excelentes pais. Não me acho a melhor pessoa do mundo mas apesar de toda rebeldia quando parei para pensar meus maiores exemplos de vida sempre foram vocês dois. Sei que pro Henry também, e não só individualmente mas como casal, pelo companheirismo nas horas difíceis, pelo suporte que um sempre prestou ao outro, pela confiança... Pai, se tem duas pessoas nesse mundo que sabem ser pais são vocês e por mais que estejam passando por um momento ruim, se souberem superar ele juntos vocês vão vencer como sempre fizeram. Se vocês suportaram me ver ir de delinquente a membro da polícia, o que é uma fase instável emocional? O Henry é forte e inteligente, ele vai entender se vocês resolverem que de repente precisam passar um tempo afastados um do outro ou coisa do tipo para melhorar.

David fez um longo minuto de silencia até que virou o rosto encarando Emma e esticando o braço a chamou para perto dele. Emma se encaixou no seu ombro no sofá e o pai lhe deu um abraço apertado beijando o topo de sua cabeça depois sussurrou baixinho:

– Você é minha maior prova de que apesar de todas as inseguranças e ter achado que erramos em tudo na verdade fizemos um bom trabalho. Eu te amo, Em! Obrigado por tudo!

– Obrigada você por tudo, pai. Apesar de todas as brigas e momentos estranhos que tivemos eu também te amo muito!

Notas finais
Bom, pra compensar, o próximo virá muito antes do que os intervalos dos últimos capítulos, até porque, agora que a coisa vai ficar boa entre a Jane e a Maura seria sacanagem fazer vocês esperarem até 2016 pra ler, né? Hahaha Beijos mil, galera, muitíssimo obrigada por continuarem acompanhando sempre! Até breve!