Era novamente uma vez

24 Capítulo 24 - Noite cheia, parte 1


Notas iniciais
Olá meus amores, como vão vocês? Não demorei muito dessa vez e aqui está a continuação que na verdade é só o começo de um bocado de coisa beeemm interessante que está para acontecer viu? Prometo! ;) Boa leitura!

– É sério? – perguntou Emma rindo – Então tá esperando o que? Fala que vai e corre logo pra tomar um banho, mulher!

Jane concordou com a cabeça e em menos de um minuto já estava subindo as escadas correndo em direção ao seu quarto. Parou na porta e voltou para o corredor olhando para baixo da escada e vendo a cabeça de Emma sentada no sofá onde ela estava anteriormente:

– Você acha mesmo que eu devo ir?

A loira levantou a cabeça com olhar confuso e a morena insegura continuou:

– Quero dizer...sei lá depois de tudo que ela me fez passar em tão pouco tempo eu já senti que sofri tanto por causa dela, ela simplesmente indo embora, sumindo ou me rejeitando por idiotices será que eu devia mesmo sair correndo atrás dela desesperada desse jeito? Eu não devia sei lá, fazer essa coisa que mulheres fazem e me fazer de difícil?

Houve um momento de silêncio entre as duas no qual só se ouvi o barulho da televisão passando o noticiário.

– Sabe, eu tenho uma grande amiga que se eu perguntasse isso pra ela sabe o que ela responderia? – Emma respondeu se levantando.

– O que?

Emma desarrumou os cabelos e jogando os ombros pra baixo, cruzou os braços e arqueou uma sobrancelha fazendo sua melhor imitação de Jane Rizzoli:

– REALLY??

Jane agora ria mas por dentro estava realmente nervosa. Se apoiou no guarda corpo olhando o nada. Emma se ajeitou e pegando o controle da TV voltou para o sofá:

– Jane, pra que esperar se é ela que você quer? Não vai ser se fazendo de difícil que você vai se sentir melhor, cara, de verdade... É estando com ela, eu tenho certeza!

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Maura estava em casa lendo um artigo científico em seu quarto mas não conseguia se concentrar. Não estava realmente com fome mas pensou em ir na cozinha ver se tinha algo e se lembrou da proposta que havia feito para Jane sobre um jantar e filme em sua casa. Hoje particularmente seria uma excelente noite pra isso, ela pensou. Não que houvesse nada demais naquele dia, apenas ela estava com vontade de ver a morena fora do ambiente de trabalho, poder ficar mais a vontade perto dela, tocá-la, beijá-la quem sabe... Mas ela não ia aceitar assim do nada se ela chamasse ela para ir ali não é? Claro que não, elas nem eram grandes amigas para isso. Sentou de novo em sua escrivaninha e pegou o celular. Sem pensar muito digitou a mensagem. Um minuto depois ficou pasma com a resposta positiva e se pôs a andar em círculos no próprio quarto. Por que ela foi fazer aquilo? Não, ela não estava realmente preparada, foi só um flerte, ninguém nunca caia nos flertes da loira por que ela sempre era literal demais, como isso foi acontecer?

Saiu andando e parou na porta do quarto da prima. Tinker estava ouvindo música enrolada numa toalha pois havia acabado de sair do banho.

– Você vai fazer alguma coisa hoje? – perguntou Maura como quem não quer nada

– Hum... nada programado, por que?

– Nada, sei lá, é que você acabou de tomar banho achei que fosse sair...

– Eu tomo banho todos os dias, Maur, mesmo quando não vou sair! – respondeu a outra rindo enquanto voltava para o banheiro em busca de sua escova de dentes

– Eu sei... É que geralmente você toma antes de deitar e não está tarde... Enfim, deixa pra lá. – disse rapidamente a loira tentando de outra forma – Como está o Will? Tem falado com ele?

– Maisis oitu menuos. – disse ela cheia de pasta na boca, cuspindo em seguida — Não nos falamos direito depois daquele dia lá, na verdade marcamos de sair mas acabou não rolando.

– Ahh e por que não marcam de novo?

– Como assim? – perguntou a mais nova começando a ficar desconfiada

– De sair, vocês dois, botar o papo em dia, sem nenhuma gangue atrapalhando e de preferência nem você beijando ninguém que não deve...Essas coisas!

– Você acha que eu devia ligar pra ele agora?

– Claro! Por que não? – disse Maura sem conseguir conter o entusiasmo

Tinkerbell de repente ficou parada de braços cruzados encarando a prima depois começou a gargalhar. Maura ficou perdida olhando para ela que só depois de algum tempo consegui fôlego para falar:

– Maura, pelo amor de deus, se você quer receber alguém aqui e quer a casa livre era só me pedir!! Não precisava dar essa volta toda!

Maura subitamente ficou vermelha e não sabia o que falar direito:

– Eu....bom...na verdade...ok, desculpa, era isso mesmo mas eu não sabia como pedir sem te chatear!

– Oras, nós não estamos mais na sua mansão em Londres né? Essa casa não tem espaço suficiente para nós duas termos privacidade se quisermos trazer alguém, eu já imaginava que uma hora isso fosse acontecer. Só não esperava que você fosse a primeira a pedir, é claro!

Maura ficou roxa de tão vermelha enquanto a prima ria gostosamente escolhendo uma roupa no armário.

– Eu posso marcar em outro dia, não tem que ser hoje...

– Relaxa, Maur! Eu vou arranjar alguma coisa pra fazer, de repente eu ligo mesmo pro Will e a gente se encontra. Só uma coisa: eu vou ficar com o carro! Aliás acho que essa é uma condição justa: quando uma precisar da casa a outra fica com o carro! O que acha?

– Sim, sim, é justo! – respondeu Maura meio a contragosto. Seu carro era caro e ela sabia que a prima não era uma das melhores motoristas que já viu, mas se este era o preço a pagar, que escolha tinha?

– Você não vai se arrumar? – perguntou Tinker vendo que a prima continuava parada na porta do quarto dela

– Vou! Claro...meu deus, sim eu preciso fazer isso! – respondeu Maura meio desconcertada.

– Só não exagera, ok?

– Como assim?

– É a Jane Rizzoli que vai vir não é? – perguntou Tinker com naturalidade separando uma calça de couro cor de vinho enquanto a outra loira pareceu refletir por uma eternidade – Ela não tem cara de que usaria um vestido de festa pra vir jantar na sua casa, então não deixe ela desconfortável se vestindo com um!

– Bem observado! – concluiu Maura passando mentalmente seu closet na cabeça

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– Então, como estou?

Emma levantou a cabeça do sofá que estava deitada e olhou para a amiga que tinha os cachos rebeldes ainda meio úmidos jogados sobre uma camisa de linho branca e uma jaqueta de couro preta, depois analisou a calça jeans azul escura e suas inseparáveis botas.

– É...tá bem sim! Mas podia ter botado uma camisa colorida, você sempre usa tons pastéis pra trabalhar, vai parecer que tá indo fazer hora extra.

– Eu uso as mesmas roupas pra sair e trabalhar, você sabe disso... Mas ok, que camisa você sugere então?

– Ah, você tem uma roxa de cetim, aquela que você quase não usa no trabalho porque acha que chama muito atenção então, hoje é isso mesmo que você quer!

Jane resmungou algo já tirando a jaqueta e voltando para o quarto enquanto ria:

– “Tons pastéis”, “camisa de cetim”, você virou mesmo a namorada da Regina... Por deus, Emma, você definitivamente não falava essas coisas!

Recebeu uma almofada na nuca antes que pudesse falar mais alguma coisa.

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Maura arrumava a mesa de jantar enquanto alisava seu vestido preto básico a todo instante preocupada se estaria tudo perfeito.

– Maur, eu já estou indo!

– Ok! – disse a legista levando um susto depois olhando com carinho a prima já na porta da casa — Obrigada mesmo, Tinker! Se cuida, tá?

– Pode deixar, e você tenha juízo mocinha! – a loira baixinha deu uma bagunçada nos cachos se olhando no espelho do hall — Ou melhor, tenha nada, curte bastante! Até amanhã!

A analista saiu de casa e Maura se serviu de uma taça de vinho. Estava nervosa demais para esperar pela convidada, mesmo por que ela era o motivo desse nervosismo todo. Uns 10 minutos se passaram até que a campainha tocou. Maura levantou respirando fundo e dando uma última checada no visual e vendo os cabelos soltos porém perfeitamente penteados abriu a porta com um enorme sorriso.

Jane do outro lado parecia sem graça e estendeu uma garrafa para a outra:

– Oi! Eu lembrei que você gosta de vinho e não sabia direito qual seria o jantar, talvez combinasse com a comida então trouxe um pra você... Na verdade eu não entendo nada de vinhos, mas roubei este da adega da Regina, deve ser bom, ela gosta bastante pelo menos!

– Oh, puxa que delicado da sua parte, Jane! Muito obrigada. – respondeu a loira aceitando a garrafa e olhando seu rótulo – Este vinho é maravilho, aliás.

– Que bom! – respondeu a morena mais aliviada – Então, eu posso entrar?

– Claro! Desculpe... – respondeu a loira abrindo espaço e fechando a porta logo na sequencia

A morena ficou parada no hall observando timidamente o espaço a sua volta, Maura parecia não saber ao certo o que fazer e apenas sorria para a outra. A notou olhando para sua taça vazia e se desculpou:

– Perdão, eu realmente gosto de vinhos, não consegui te esperar. Gostaria de me acompanhar neste? Depois abrimos o seu para jantar.

– Parece ótimo. – respondeu Jane tentando não parecer tão nervosa quanto estava e acompanhando a loira até seu sofá.

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Regina desceu do carro já chamando a atenção, vários jornalistas e políticos não conseguiram evitar olhares indiscretos e muitos se aproximaram puxando assunto com a procuradora que apenas sorria educadamente fazendo seu melhor social. Sidney não parecia muito a vontade com a situação. Ele era um bom assessor em todos os sentidos, além do profissional ele realmente admirava a morena a ponto de querer “zelar pela sua reputação” e começava a ficar desconfortável com tanta gente cheia de segundas intenções perto dela. Deu uma volta pela grande casa do Governador retornando com uma bebida para a chefe lhe fazendo um sinal discreto com a cabeça. Regina pediu licença a um grupo de deputados que a haviam inserido na sua rodinha já fazia um tempo e se juntou à Sidney num canto mais calmo do salão de festas. Aceitou a bebida e falou para o nada observando o ambiente dando a entender que não estava muito preocupada com o que o outro fosse dizer apesar de ser exatamente o oposto:

– Então, algum sinal dele?

– Ainda não.

– Francamente, estou perdendo meu tempo aqui... quem é que oferece um coquetel na própria casa e nem aparece?

–Ouvi uma conversa entre o mordomo e um dos motoristas. Parece que ele foi buscar alguém.

– Alguém importante?

– Bem...pelo que entendi me pareceu ser uma acompanhante de luxo.

– Ah, claro, ele não apareceria numa festa cheia de ricaços por baixo. – resmungou Regina com ainda mais raiva, assim mesmo é que toda a sua produção havia sido um desperdício, mas ela ainda daria um jeito de conseguir o que queria

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Ao estarem na última taça do vinho de Maura as duas já riam meio alegres. Jane podia beber uma caixa inteira de cerveja e continuar bem, mas para vinho era muito fraca ainda mais sem comer. Seu estômago roncou de repente fazendo um barulho alto. Ela ficou envergonhada mas Maura riu:

– Meu deus, nós não jantamos! Desculpe, eu sou uma péssima anfitriã! Venha, vamos para a mesa.

– Desculpe eu realmente estou com muita fome e caramba você é boa pra vinho mesmo, hein? Eu provavelmente não conseguiria me equilibrar nesses saltos a essa hora!

– Por que eu acho que você não conseguiria se equilibrar sobre saltos em instante algum, detetive? – respondeu Maura de maneira provocativa

– Eeii, você não sabe tanto sobre mim assim, Doutora! E pelo que te conheci nem faz suposições...

Maura concordou com um “tem razão” e depois se limitou a tirar um prato do forno e colocar na mesa. Serviu as duas abrindo o vinho que Jane levou.

– Eu realmente vou querer uma água agora, se você não se importa! – respondeu a morena aceitando a taça mas a colocando de lado.

Maura atendeu o pedido e se servindo de um copo d’água também depois se sentaram para comer.

– Meu deus, esse risoto tá uma delícia! Parece até a da minha mãe! – falou Jane se segurando para não ser mau educada e engolir a comida de uma vez, estava mesmo desesperada de fome – Você cozinha muito bem!

– Obrigada, mas não fui eu que fiz. – respondeu Maura com simplicidade – comprei num restaurante que entrega aqui na região.

Jane pareceu pela milésima vez na noite sem graça e deu um gole de sua água. Elas terminaram de jantar em silêncio, tomaram mais vinho enquanto conversavam sobre os mais variados assunto na mesa. Uma hora cansadas do desconforto das cadeiras voltaram para a sala com o que restava da garrafa em suas taças. Maura agora havia se sentado de lado, encostada no braço do sofá e retirado os sapatos colocando os pés por debaixo do corpo observando com uma certa moleza a morena que se sentou bem próxima dela, virada de frente numa postura bastante relaxada, brincando com sua taça apoiada sobre a mesinha de centro:

– Então, sobre o que mais a gente pode conversar?

– Não sei ao certo. Como foram as investigações hoje?

Jane riu se engasgando um pouco com o vinho depois arqueou uma sobrancelha encarando a loira:

– Não, não, eu não quero saber sobre o que a Dra. Isles gostaria de conversar com a detetive Rizzoli, ok? Pense que agora somos só Jane e Maura aqui. Sobre o que você gostaria de conversar?

– Ás vezes eu me pergunto quem se conhece melhor... – divagou a loira encarando a outra com firmeza nos olhos – a doutora e a detetive ou a Jane e a Maura?

– É um bom início de conversa. – disse Jane abrindo um sorriso de canto e apoiando confortavelmente uma mão sobre a perna da loira que estava quase encostada nela sem quebrar o olhar. – O que você acha?

– Não tenho certeza ainda. Mas tenho de uma coisa – respondeu Maura se livrando da taça em sua mão a colocando na mesa e tirando a taça da mão de Jane e juntando à sua – A doutora certamente não faria isso que a Maura está doida para fazer desde a hora que você entrou aqui!

A legista foi a frente puxando Jane pelo pescoço lhe dando um beijo avassalador que prontamente foi correspondido. A morena abraçou a outra que deixou o peso do seu corpo cair quase que totalmente sobre ela enquanto procurava desesperadamente mais contato com seus lábios.

Notas finais
Caaaalma vai rolar muita coisa nessa noite ainda! Ngm surtado querendo matar a autora antes do tempo ok? Hahahaha Até breve! Beijos mil