Era novamente uma vez
31 Capítulo 31 - Destino incerto
Notas iniciais
Regina deu alguns passos para trás se soltando das mãos de Emma e cruzou os braços balançando a cabeça para o nada.
— Re?
— Não, não pode ser! – bradou finalmente a morena com os olhos cheios de lágrimas – Minha irmã não é uma assassina!
— Amor, calma! Vamos voltar pro quarto eu te explico tudo direitinho ok?
— Não! Vocês estão errados ela não tem nada a ver com isso!!
— Re! Por favor... Calma, eu entendo o quanto é difícil mas...
— Você não entende porra nenhuma Emma! – gritou Regina já descontrolada – Pare de vir com esse discurso de detetive pra cima de mim!
Jane apareceu correndo na porta. Não que as outras estivessem fazendo tanto barulho assim, mas ela havia levantado pra tomar uma água e da cozinha era impossível não perceber que tinha algo de errado acontecendo.
— Regina, vamos conversar!
— Jane, acordamos você? – perguntou Emma aflita já pensando no irmão
— Não, eu já estava acordada! Re, por favor, vem tomar uma água pelo menos?
A outra morena concordou se dirigindo à cozinha e se servindo de um copo grande de água. Jane e Emma se sentaram na bancada observando a outra que abriu a porta da varanda e foi para o jardim. Ficou de costas para a casa olhando o céu. Emma suspirou fundo e Jane apertou seus ombros:
— Acho que o melhor que temos a fazer agora é deixar ela sozinha...
— Mas temos que explicar o que houve, ela não acreditou em mim!
— Acreditou sim, Emma. Ela só precisa aceitar isso.
A loira fez um silêncio triste olhando para a namorada do lado de fora da casa. Segurou a mão de Jane a puxando para fora e logo as duas estava paradas em frente a promotora que havia deixado o copo d’água sobre um banco e se encolhia na própria roupa esfregando os braços como se quisesse se acolher. Ambas encararam Regina firmemente nos olhos por um longo minuto até que a outra se pôs a chorar indo a frente e abraçando as amigas. Ninguém falou mais nada naquela noite.
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— Tem certeza? – perguntou Emma estacionando o carro de Regina em frente à Delegacia – Você não tem que ver as provas nem falar com ele se não quiser.
— Vamos logo com isso, por favor! – respondeu a promotora friamente saindo do carro.
Jane já estava do lado de dentro esperando pelas duas. Tinkerbell as observava da cafeteria e saiu correndo em direção ao elevador descendo até o necrotério onde entrou ofegando. Maura levou um susto:
— O que houve?
— A promotora está aqui!
— Que promotora? – perguntou Maura confusa
— Regina! Amiga da Maura e da Jane!
— E o que é que tem Anabelle?
— Como o que é que tem? Segundo os registros ela é irmã da Zelena! Será que ela já sabe que...bom... que...ah você entendeu! Não vai ser a gente que vai contar pra ela que ela tem uma irmã psicopata né?
— Espero que não! – respondeu Maura agora também aflita. Pegou o celular e ia mandar uma mensagem para Jane quando a própria entrou no recinto.
— Bom dia! – ela disse com um sorriso meio cansado.
— Bom dia, estava te escrevendo agora!
— Está tudo bem? – questionou Jane olhando as duas loiras a sua frente e a sala toda por segurança.
— Sim, apenas que Tinker acabou de dizer que Regina está aqui e...
— Não se preocupe, doutora eu já sei de tudo. – novamente o tom de Regina era frio e ela entrou na sala sem sorrir para ninguém.
— Poderia nos apresentar o material que analisou ontem, Anabelle? – disse Emma sem cerimônias.
A analista obedeceu e logo Regina tinha a pasta nas mãos com todos os dados fraudulentos e as ligações das modelos, encarregados, traficantes, homicidas e todo tipo de gente que ao que tudo indicava trabalhavam no sórdido esquema de sua irmã. Ela leu os documentos sem falar nada depois se virou para as detetives:
— Posso ver o Dr. Whale agora?
As detetives acenaram positivamente com a cabeça acompanhando Regina de volta ao elevador. Minutos depois estavam na sala de interrogatórios:
— Promotora Mills? – perguntou o médico confuso
— Sabe quem eu sou?
— Claro, já te vi em muitos jornais sobre esse caso do Senador.
— Ótimo, assim não vamos ter que perder tempo com apresentações fúteis! – respondeu Regina num tom sério e levemente ameaçador que fez até mesmo Emma ficar com um frio na espinha – O que sabe sobre a relação de Zelena com o Governador?
— O Governador? Porra, sério que vocês deixaram ela entrar lá e perguntar isso assim sem nenhuma preparação?? – comentava Korsak assustado do outro lado do vidro para Emma e Jane que apenas deram os ombros sem jeito.
— O que gostaria de saber? – perguntou o homem procurando por alguma brecha de controle na situação
— Você sabe alguma coisa a respeito?
— Talvez... – disse com tom levemente debochado
Regina apertou a barra da saia se esforçando para não demonstrar sua irritação:
— Então quero saber tudo.
— Depende. O que eu ganho com isso?
— Perdão?
— Ora, ora...a promotora mais famosa de Boston deve ter alguma coisa a me oferecer em troca. Diferente do bando de pau mandados dos policiais que me interrogaram até agora você tem algum poder na Suprema Corte! Quero redução da pena.
— A sentença já foi dada, por acaso? – perguntou Regina entre dentes
— Você acha que eu não conheço as leis? No mínimo vou pegar perpétua, quero negociar!
Regina virou o rosto discretamente para a janela de vidro. Cavaunagh que fez questão de estar presente neste interrogatório abanou com a cabeça indo até a sala.
— Senhor Whale!
— É Doutor Whale, se me permite alguma dignidade, tenente!
— Que seja, fale logo o que tem para falar e prometemos que a promotora Mills reverá seu caso!
O médico arregalou os olhos assustado. Claramente estivera blefando será que aquilo tinha dado certo? Não podia ser.
— Bem, e quem me garante isso?
— Quem garante que as informações que você vai nos dar são verdadeiras? – retrucou o tenente ríspido.
Houve um momento pesado de silêncio até que Regina se pronunciasse:
— 30 anos com direito a revisões periódicas que possam reduzir a pena. Isso, se as informações dadas em todos os interrogatórios forem de fato reais e relevantes.
— Feito! – disse o homem rapidamente com medo da outra mudar de ideia — Ela se infiltrou na residência do Governador como acompanhante de luxo.
— Isso eu já sabia. Quero mais detalhes das transações.
— Ah, claro, quer a cor da calcinha que ela mais usava também? – ironizou o homem ficando vermelho de raiva
Nesse momento Emma não conseguiu evitar olhar com um sorriso cínico para Jane:
— Esta você saberia responder...
As duas se olharam começando a rir mas logo foram repreendidas por Korsak que fazia anotações num bloco e elas se calaram.
— Se era a que mais usava não sei, mas era lilás. – cochichou Jane
— Lilás? Sério? Eu imaginava algo mais forte, tipo vermelho ou preto.
— Eu também fiquei surpresa.
— Ficou surpresa com o que, detetive? – perguntou Maura que entreva na sala de interrogatórios em tom curioso
Jane olhou de modo exasperado para Emma que logo inventou uma desculpa:
— Com... O jeito que a Regina está liderando o interrogatório. Sabe, nunca vimos ela numa situação como essa!
Maura acenou com a cabeça dando um passo a frente quase grudando no vidro:
— Ela deve estar atuando muito bem então porque está muito insegura. Dá pra notar pelo movimento das mãos e também a rigidez do corpo. Nem imagino o quanto seja difícil estar nessa posição agora.
— Com certeza! – concordou Jane que obviamente já havia notado aquilo mas não podia dizer.
— Parabéns, sua falta de colaboração desfez nosso acordo! Adeus! – disse Regina se levantando devagar dando tempo suficiente do homem a impedir
— Me desculpe! Eu... – soltou um suspiro derrotado – Desculpe, promotora! A verdade é que sei muito pouco sobre o que aconteceu depois que ela colocou o que pretendia em prática mas com certeza sei que o interesse dela era que com Gold morto ela precisava de alguém ainda mais influente para encobrir todo seu esquema e não me espantaria que a esta altura ela já tenha viajado em algum jatinho particular liberado por ele.
Korsak se deu um soco na testa. Como eles haviam deixado escapar esse fato do conhecimento entre os dois? Saiu da sala voando ao mesmo tempo que solicitava uma patrulha para acompanha-lo até o Gabinete. Jane foi atrás dele chamando outra para a acompanhar para a residência do Governador. Emma saiu chamando por Frost para ele fazer uma busca detalhada em todo sistema de vigilância que pudesse ter acesso por onde o Governador havia passado nos últimos dias enquanto Maura a acompanhava na esperança de poder ajudar em algum reconhecimento facial.
Ainda na sala Regina se afastou do homem indo em direção a porta que Cavaunagh já havia aberto para ela.
— Ei! Você simplesmente vai embora? E como ficamos? Você ainda vai rever meu caso, não é?
— Obrigada pela ajuda, Dr. Whale! – disse apenas a morena sumindo pela porta de ferro.
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— Você está bem? – perguntou o tenente assim que entraram na sala dele e a promotora se sentou na habitual poltrona de couro em frente a mesa.
— Gostaria de saber te responder isso, Sean!
— Você se saiu muito bem lá embaixo. Foi isso então que descobriu na casa do Governador não? Ele não é exatamente nosso suspeito mas pode ser o boneco manipulado por ela para ser.
— Sim. Ao que tudo indica. – respondeu a mulher passando as mãos na nuca de maneira cansada.
Cavaunagh se dirigiu a parte mais alta de seu armário e tirou um garrafa de whisky e dois copos. Encheu um pouco de cada e guardou a garrafa oferecendo o copo a outra.
— Isso não é proibido?
— Com certeza, mas só uma promotora poderia me denunciar e acho que não é bem o caso... – respondeu o homem com um ar paternal – Beba!
Regina brindou o homem a sua frente e tomou um demorado gole da bebida. Ele tinha razão aquilo era o que ela estava precisando naquela hora para aliviar a tensão. Lembrava-se de Cavaunagh desde criança. Ele e o pai dela haviam servido juntos na Guerra do Vietnã e vez ou outra o tenente aparecia na casa deles para tomar um whisky e falar dos velhos tempos. Ele sempre alertara o pai de Regina que Gold não era uma boa pessoa, mas ambos o ignoraram quando a filha mais velha recebeu a oportunidade de emprego com ele. Que ironia, pensou Regina, perceber que a própria irmã era um verdadeiro perigo para todos ele também nunca percebeu.
— Ainda não consigo acreditar no que ela se tornou... – deixou escapar em voz alta
— Nem eu, Regina! Nem eu... Mas tenho certeza de que seus pais onde quer que estejam sabem o quanto você lutou para que a história dela fosse diferente.
— Será que eu lutei tanto assim? – perguntou Regina com um olhar triste e culpado enquanto tomava mais um gole de sua bebida
— Pare de se culpar Regina, você fez o que pode e... – o tenente foi interrompido por um telefonema que atendeu rápido – Alô? Como assim?
Em poucos instantes os dois estavam do lado de fora da sala encarando juntamente com Emma, Frost e Maura uma cena na TV: Jane e um grupo de policiais escoltavam uma maca em direção a uma ambulância.
“O Governador se encontra em estado grave, a polícia se recusa a esclarecer o que está acontecendo.”— dizia uma repórter na tela enquanto o câmera focava em Korsak que parava o carro de qualquer jeito e adentrava o cordão de isolamento da casa do Governador. “As suspeitas até agora são de atentado. O perímetro está todo fechado pela polícia e podemos ver a ambulância saindo agora em direção ao Hospital Central. Voltaremos a qualquer instante com maiores informações! Stacie Dakota para o Plantão de Notícias de Boston”
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