Era novamente uma vez
23 Capítulo 23 - Quase Acertos
Notas iniciais
Os detetives ficaram parados observando com atenção o homem algemado e comparando seus traços com a foto.
– Transfira ele pra sala de interrogatórios que já vamos saber! – disse Jane num tom sério já saindo da sala
Em poucos instantes o homem estava preso pelos pés atrás de uma mesa olhando para uma janela de vidro que refletia sua imagem. Atrás dela Emma, Maura que logo foi chamada para lá e Frost observavam. Jane e Korsak logo abriram a porta com cara de poucos amigos:
– Senhor Esteves?
O homem carrancudo apenas virou o rosto na direção de Korsak mas não disse nada.
– O senhor pode nos dizer por que está aqui?
Ele riu num tom de ironia:
– Achei que vocês soubessem, não acabaram de me prender?
– Sem gracinhas, palhaço! – verocificou Jane batendo com a palma da mão na mesa fazendo o homem se encolher um pouco – Para quem você trabalha?
– Eu sou autônomo, moça. Pode até procurar na minha declaração de imposto de renda!
Korsak não perdeu tempo:
– Oh, é mesmo? Nos arquivos do pessoal da narcóticos consta que você era só uma ponte. Para quem realmente ia a mercadoria que você estocava?
– Isso não deve ser difícil de vocês acharem, não é? Mesmo porque essa pessoa não existe. Já disse que tocava tudo sozinho, dali só para os clientes!
– Então foi um cliente que cortou sua mão fora? O que você fez para irritar alguém neste nível?
O homem ficou em silêncio depois balançou a cabeça em tom triunfante:
– Exijo o meu advogado.
Jane deu uma olhadinha para o vidro como se buscasse o olhar de Emma que logo entendeu e deu os ombros do outro lado mesmo sabendo que a morena não a estava vendo.
– Ok, vamos te dar uma chance de negociar conosco, porque não se se você reparou senhor Esteves, eu e o Korsak aqui não somos da narcóticos, estamos pouco nos fudendo em como você estocava a merda das suas drogas ou quem as comprava, nós somos da homicídios e estamos atrás de gente bem maior que você, portanto se ficar no nosso caminho vai ter sua pena aumentada em muitos e muitos anos ao passo que se for um cara bacana e colaborar a gente pode ver o que faz com a sua sentença final e deixar ela bem mais suave.
Esteves agora começava a suar e se remexia na cadeira olhando agitado para os lados mas não respondia nada, manteve o olhar fixo no espelho a sua frente. Os detetives deram uns minutos para ele pensar mas nada dele dar uma resposta. De repente Maura apareceu na porta dando uma batida no vidro. Jane franziu a testa e olhou para Korsak, ambos foram até lá e a doutora logo se prontificou:
– Detetives, perdoem minha intromissão mas acredito que vocês tenham fechado uma porta aqui, ele já estava na defensiva e agora se fechou totalmente, até que resolva colaborar com algo serão perdidas muitas horas, se me permitem, posso tentar entrevista-lo?
Jane pareceu surpresa:
– Tem certeza? Quer dizer, ele é um bandido dos piores Maura, você quer mesmo ficar trancada numa sala sozinha com ele, não tem medo?
– Jane, eu fiz medicina forense, por favor! Num estágio de psicologia eu tive que ficar trancada com pessoas bem piores em salas para aprender sobre os diversos tipos de comportamento.
Korsak parecia bem convencido e deu um aceno positivo com a cabeça para a parceira. Jane abriu novamente a porta não sem antes segurar o braço de Maura por trás e sussurrar com suavidade em seu ouvido:
– Se precisar de qualquer coisa eu vou estar aqui, ok?
Maura sorriu com o jeito preocupado e protetor de Jane e depois entrou na sala fazendo uma cara séria. O homem acompanhou os movimentos da legista até que esta estivesse sentada em sua frente com os braços sobre o colo.
– Boa tarde, Senhor Esteves! Sou a Dra. Maura Isles.– ela disse polidamente com um meio sorriso.
– Olá, Doc! – respondeu o outro com desdém – Só porque eu pedi o advogado já mandaram alguém pra analisar minha cabeça?
– Não sou neurologista, senhor. Sou a médica legista chefe.
Emma e Frost riram do jeito literal de Maura enquanto Korsak lia a papelada sobre ele e Jane apreensiva demais batia o pé no chão angustiada com a ideia da outra estar tão próxima de uma ameaça por mais que o homem estivesse imobilizado.
– Bem, então mandaram a médica errada eu estou bem vivo!
– Você sim, mas sua mão não. – respondeu Maura com simplicidade vendo pela primeira vez o homem parecer genuinamente interessado na conversa
– Que quer dizer com isso?
– Bem, que nós temos posse da sua mão que foi retirada involuntariamente de seu corpo considerando a irregularidade do corte e a julgar pelo seu processo de cicatrização do seu antebraço houve um acompanhamento médico do ocorrido em diante. Imagino que o próximo passo será colocar uma prótese.
O homem parecia boquiaberto e levou um minuto para se recuperar e soltar outra piadinha:
– Bem, eu confesso que bater punheta com a outra mão não é a mesma coisa, mas não acho que vocês vão devolver o meu dinheiro para que eu possa comprar nenhuma prótese...
– Imagino que não mesmo. – disse Maura fazendo uma pausa – sobre os dois pontos colocados, que não deve ser a mesma coisa se masturbar de uma forma diferente ao que seu cérebro já estava acostumado a lhe dar prazer tanto quanto que sem dinheiro não será viável investir em uma prótese, sem dúvidas.
Emma agora se segurava para não gargalhar enquanto Jane franzia a testa. Todos os detetives já haviam chego num consenso que Maura tinha um jeito único mesmo.
– Ok, doutora, você é uma ótimo companhia, bem melhor que aqueles detetives chatos, mas continuo dizendo que quero meu advogado. Não é porque você tem a minha mão guardada na sua geladeira que eu vou querer me entregar.
– Mas em nenhum momento eu disse que queria isso. – respondeu Maura com calma – Primeiro porque você não precisa se entregar, já foi preso em flagrante e isso é um crime inafiançável. Os detetives querem saber para quem você trabalha o que me interessa também porque certamente essa pessoa foi quem mandou cortar sua mão, agora o mais interessante mesmo da história toda é saber porque sua mão foi parar na casa do Senador Gold.
– O que?? – o homem fez menção em se levantar mas sentindo as correntes o puxando para baixo caiu sentado de volta na cadeira falando desesperado – Eu não tenho nada a ver com a morte dele! Não, por favor, vocês não podem me acusar disso eu não vou nem apodrecer na cadeia porque algum dos contatos dele vai me achar lá e me matar! Eu aceito o acordo, eu aceito o acordoooo!
Jane abriu um sorriso largo ao ver a reação do homem e logo sentiu Emma lhe dando um tapinha nas costas:
– Além de bonita é inteligente pra cacete essa loirinha, hein? Não é a toa que conquistou o coração de pedra da Rizzoli!
Jane deu uma cotovelada de leve na amiga rindo e logo depois todos estavam reunidos na sala dos detetives:
– Ele não tinha nada a perder, o chefe estava preso e foi morto numa briga de detentos semana passada, mas que droga! – resmungou Korsak – Não ajudou em quase nada falar que o médico que cuidou dele foi o tal Dr. Whale, isso era mais do que previsível e nós não temos nem sinal do cara ainda!
– Sim, ainda mais porque ele não sabia do que se tratava o tal experimento médico que foi por onde achamos ele... – completou Emma — Realmente no vídeo que ele aparece entregando a maleta de drogas ele só faz isso e depois some. Na sequencia temos o vídeo do Gold que é o único a sair com uma maleta. Ou seja essa das drogas.
– Sim, e foi o Gold que mandou tirar a mão do cara, por isso ele ficou tão apavorado com a ideia de incriminarmos ele sobre a morte dele – disse Jane cansada. – Aliás essa parte pelo menos a gente descobriu do quebra-cabeças, o Esteves arranjou as drogas que o Gold encomendou, entregou via Dr. Macabro lá, a pessoa para quem o Gold entregaria não quis aceitar porque acho que a cocaína não era pura o suficiente, dai o nosso querido Senador manda cortar a mão do Esteves como aviso e pede outro lote, antes que o traficantezinho consiga arranjar o senador aparece morto.
– Certo. – concordou Frost – Então a pessoa que matou o Gold provavelmente é a mesma que fez a encomenda e não ficou satisfeita?
– Não necessariamente, mas vamos trabalhar com esta sendo a hipótese mais plausível, sem dúvidas. Vamos continuar investigando, pessoal! – disse Korsak
A tarde se foi e todos continuaram trabalhando bastante, como não conseguiram grandes avanços todos aproveitaram para preencher papeladas burocráticas e enfim foram embora. Chegando em casa, Jane e Emma encontram um carro oficial do Governo parado em sua porta e se espantam ao ver um homem alto, negro de cabelos grisalhos sentado no jardim:
– Sidney? – perguntou Emma chegando mais perto
– Olá, detetives! – respondeu o assessor de Regina. – Boa noite, como estão?
– Bem, trabalhando bastante, você sabe... – interveio Jane
– Imagino, está uma loucura para todos!
– Então...o que te trás aqui? – perguntou Emma meio desconfiada
– Ah, a Stra Mills me pediu que a encontrasse aqui, iremos a um coquetel na casa do Governador.
– Caramba, mas já é hoje? – se espantou a loira – Quando ela falou com você hoje de manhã... – subitamente a loira se calou e ficou levemente vermelha pensando que não deveria entrar em detalhes – Nada, deixa pra lá! Ela ainda está lá dentro?
– Sim, sim. Mas já deve sair, disse que estaríamos lá às 20h30 em ponto.
As detetives se afastaram pedindo licença e entrando na grande casa. Jane se jogou no sofá ligando a TV enquanto Emma chamou pro Regina a vendo descendo as escadas elegante como sempre apesar de nitidamente apressada:
– Boa noite, minhas queridas! Demorei demais escolhendo os sapatos, coitado do Sidney deve estar cansado de ficar me esperando. O que acha deles, amor?
Janne sem nem olhar respondeu de costas:
– Tá lindo!!
Emma e Regina riram, Emma segurou a mão da morena fazendo ela dar uma voltinha para ela olhar o visual inteiro. Ela usava um vestido decotado e justo no limite entre o provocante e o fino com um casaco de pele jogado e saltos muito altos e finos com detalhes em dourado contrastando com a meia calça escura.
– Está perfeita como sempre!
– Obrigada! – Regina fez um ar preocupado – Você sabe que a escolha da roupa não foi aleatória, certo? Eu não estou indo lá apenas para fazer um social e deixar meu nome aparecer em nenhuma nota de jornal...
– Como assim? – Emma pareceu meio perdida
Jane logo se levantou do sofá olhando de verdade para a amiga e soltando um assobio quando viu:
– Se você não fosse comprometida hoje eu bem que te chamaria pra sair, hein, Re? Agora sem brincadeira, você sabe que é praticamente este o objetivo hoje né, Em?
– O que? O Governador te chamar pra sair??
– Não necessariamente... – disse Regina de maneira confiante – Ele pode apenas ficar muito impressionado comigo o suficiente para querer ter uma conversa um pouco mais privativa.
– E você vai com qual reforço policial, o Sidney? – falou Emma meio inconformada. – Nem fudendo, se é assim eu vou junto, e se o cara quiser te pegar a força?
– Tá doida, Emma?! – interrompeu Jane – Se qualquer um do DP aparecer por lá vai dar muita bandeira que estamos querendo saber de algo. Tem que ser a Regina com o assessor dela que tecnicamente é um cara neutro mesmo!
Emma bufou se afastando das duas para pegar um copo d’água sem falar mais nada, Regina apenas olhou pra Jane e disse rindo:
– Cuida dessa ciumenta pra mim, tá? Não sei que horas volto... Boa noite!
Emma acompanhou Regina abrir a porta e ser acompanhada por Sidney até o carro e depois partirem.
– Eu não estou achando nem um pouco bom esse plano...
– Ahhh para de bobagem, ela é uma mulher adulta, vai saber se virar! Vamos pedir comida chinesa? Eu tô morrendo de fome!
Nisso o celular de Jane vibrou e ela leu uma mensagem sem perceber abrindo um sorriso bobo de orelha a orelha. Emma logo percebeu:
– Que foi? Recebeu nudes de alguma gostosa?
– Não, é a Maura, está me convidando pra jantar na casa dela!
– Quando?
– Agora!!
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