Era novamente uma vez
19 Capítulo 19 – Sentimentos conflituosos
Notas iniciais
Nenhuma das duas mensurou quanto tempo durou o beijo mas pareceu uma eternidade revelada em pequenos segundos. Assim que se separaram Regina ainda apoiou a testa na da outra e sussurrou baixinho:
– Eu também te amo. E por mais piegas que isso vá soar: obrigada por me dar a oportunidade de te chamar de minha namorada de agora em diante!
Emma riu abraçando a morena contra seu corpo e sentindo as batidas de seus corações se misturarem um momento quando foi interrompida por uma voz:
– Você me deve 10 dólares!
Emma e Regina viraram o rosto assustadas na direção da voz e logo viram Henry sentado na mesa de trás encarando as duas com um ar travesso.
– Quem te deve 10 dólares, rapazinho? – perguntou Regina bem humorada
– A Emma! Por que eu perguntei se vocês estavam namorando e ela me disse que não! Eu disse que se fosse mentira e eu descobrisse ela me devia 10 dólares.
– Espera, pra começar, o que você está fazendo aqui, pivete? – disse Emma apoiando o braço no encosto do banco e se virando totalmente para o irmão
– Eu segui você, oras!
– Olha que beleza, temos dois detetives na família Swan então... – comentou Regina segurando um riso e provocando um olhar feio de Emma sobre ela.
– Henry! Você nem devia estar andando por ai sozinho. Boston não é Storybrooke e eu realmente não gostaria de ter que explicar para os nossos pais porque tive que abrir uma investigação pra achar você!
– Larga a mão de ser chata, Emma! Eu já sou grandinho o suficiente pra andar com minhas próprias pernas, ok?
Emma ainda abriu a boca mas Regina deslizou a mão por sua perna dando um aperto provocante na parte interna da coxa a distraindo um momento dando tempo dela falar:
– Está tudo bem querida, você só está irritada porque está com medo dele contar para os seus pais sobre o nosso namoro!
– Eu não... que?
– Eu não vou contar! – interrompeu Henry antes que a irmã pudesse falar qualquer coisa – Eu adoro você, Regina, é claro que eu ia querer você indo na nossa casa em toda festa de família, mas eu sei que minha mãe te odeia, mais que meu pai. Meu pai não acha que você é esse monstro todo que ela acha... De qualquer forma, fico feliz por vocês estarem juntas! Você é mil vezes melhor do que todos os namorados da Em que eu já conheci.
Regina abriu um sorriso comovida e Emma fez carinho em suas costas admirando sua expressão. Depois se virou para o irmão caçula:
– Ok, projeto de puxa-saco, senta logo aqui na nossa mesa e eu pago teu almoço, com certeza vai dar mais do que dez dólares e ficamos acertados!
–X-X-X-
Tinker e Maura saíram para o almoço, mas como a legista estava decidida a saber o que aconteceu na noite passada com a prima, optou por irem num parque próximo à delegacia enquanto comiam um lanche no caminho.
– Tinkerbell, eu não vou repetir mais uma vez que o Will é uma péssima companhia!
– Maur, foi um acaso! Eu não fui atrás dele está bem? E ele pode ser o que for, mas é um excelente amigo, sempre esteve do meu lado quando precisei dele.
– O rapaz roubou o faqueiro de prata herança do nosso avô quando esteve pela primeira vez na minha casa, Tinker!
– Ah, mas aquele dia ele tinha fumado alguma coisa, não estava no estado normal... – disse a outra defendendo o amigo
– Sério? – disse Maura parando de andar para encarar a outra que dava uma grande mordida em seu hot-dog – E você acha que um cara que vive chapado e roubando as pessoas não é uma péssima companhia? Ainda mais agora com você trabalhando dentro de uma instituição de polícia! O que vão pensar de você se te virem andando com um indivíduo desses? O que vão cogitar sobre nós?
– Cacete Maura, por que você tem que ser assim? – se irritou a outra – Para de dar tanta importância para o que os outros pensam! Por isso que você não vive! Olha aqui, quer saber, o Will é um desajustado na vida? É! Mas ele só fez mal a uma pessoa até hoje sendo assim que é ele mesmo, todo mundo só vê a ele como um ladrãozinho chapado, e não como o cara que atravessou a pé uma cidade porque era de madrugada e ele não tinha dinheiro para pegar um táxi para ir segurar a minha mão quando meus pais morreram, que assumiu a culpa de um incidente e foi preso no lugar do irmão porque ele estava no último ano de faculdade e não podia perder a bolsa, que podia ter sido alguém realmente reconhecido na sociedade mas era infeliz e teve a coragem de trocar tudo por ser quem ele era de verdade...
Maura ficou quieta um tempo encarando a prima. Por fim soltou um suspiro e se virou de costas voltando a andar na frente, ouviu a outra voltar a falar:
– Já você optou por ser a certinha doutora Maura Isles que nunca erra, que foi noiva de um duque que te traia com todas as empregadas da casa e você sabia, mas demorou 8 anos pra terminar com ele porque não sabia o que iam achar de você, que estava esnobando um nobre, e bla bla bla... Que não tem amigos porque tem medo de se aproximar e saber o que as pessoas realmente pensam sobre você. Como provavelmente a coitada da Rizzoli que você não tem coragem de dizer pra ela que a quer só porque ela é uma mulher, e novamente “oh meu deus, o que vão pensar de mim, saindo com uma mulher, que absurdo”
Maura parou bruscamente de andar se virando com tudo e trombando com a prima que já estava quase colada em suas costas a fazendo derrubar todo copo de suco na roupa da mais velha. Maura olhou para baixo seu vestido pingando mas ela estava mais irritada pelo que a outra havia falado que não ia se importar em limpar naquele instante:
– Eu sei cuidar da minha vida, Anabelle! Sei tão bem que tive que cuidar da sua também, e não venha me dizer que não é verdade, porque por você jamais teria continuado os estudos e entrado em empregos tão bons. Eu me preocupo sim com a minha imagem e parte disso é se colocar no lugar dos outros e teorizar sobre o que eles pensam. Nem sempre fiz boas escolhas mas se tem uma coisa que não me arrependo é ter pelo menos sempre ter as feito sozinha, não esperado alguém tomar elas por mim!!
Dito isso a loira voltou a caminhar com passos duros e bufando de volta à Delegacia. Tinkerbell ainda ficou parada sozinha na trilha do parque encarando a figura da prima se afastando, perdida em pensamentos.
–X-X-X-
Maura entrou resmungando consigo mesma no local de trabalho e se dirigiu à sua sala, havia um pequeno armário onde ela guardava roupas reservas. Pensou em se trocar ali, mas a sua sala é toda de vidro que ainda com as persianas fechadas causa uma sensação de invasão de privacidade além de que apenas trocar as vestes provavelmente não daria certo, sua pele e cabelos estavam grudentas ela precisava de uma ducha. Resolveu procurar o vestiário, nunca havia ido até lá, só sabia que ficava no andar da academia em um dos subsolos.
– Olá, com licença! – disse para uma moça oriental compenetrada num microscópio no laboratório
– Pois, não, Doutora Isles?
– É, Chang seu nome não?
– Analista sênior Chang. – corrigiu a outra levemente mal humorada enfim tirando os olhos do aparelho e notando o estado da outra. Ergueu as sobrancelhas um pouco – Precisa de ajuda?
– Bem, sim. Poderia me explicar o caminho até os vestiários?
A moça traçou toda a rota para a doutora sem se importar em questionar sobre o que poderia ter ocorrido com ela. A outra agradeceu e sumiu pelos corredores em seguida.
–X-X-X-
Jane sabia que Frost havia deixado o pendrive plugado num aparelhinho esquisito que fazia sabe-se o que durante o período de almoço e quando retornaram mais alguns minutos depois o rapaz veio até a morena:
– Ei, detetive, acho que consegui!
– Jura?! – falou a outra animada
– Sim, fiz uma verificação completa nele e ao que tudo indica podemos abrir sim. Há arquivos codificados dentro pelo padrão de números apresentado na varredura, não sei se vamos conseguir abrir eles de cara, mas agora sabemos que dá pra tentar!
– Ótimo, vamos abrir então!
Ela foi até a mesa dele juntamente com Killian e ambos observaram o rapaz plugar o pendrive a começar a rodar um programa. Os detetives mais velhos se olharam intrigadas e logo apareceu na tela um pedido para inserir senha. Frost pareceu decepcionado:
– Mas que sistema simples! Achei que seria algo mais protegido...
O rapaz abriu uma página de comando digitou rápido como nunca uma série de coisas ininteligíveis a quem estava assistindo e logo voltou para a tela anterior que foi liberada revelando uma série de vídeos e pastas.
– O que mais tem ai? – questionou Killian rapidamente
– Arquivos ocultos...muitos! – respondeu Frost voltando para a segunda tela e digitando mais coisas – Aqui, agora aprecem, são documentos, mas estes sim estão bem protegidos por criptografia.
– Consegue abrir eles? – disse Jane curiosa
– Sim, mas isso vai levar tempo. Os vídeos dá pra abrir, não querer ver logo?
Eles concordaram e Frost abriu um deles. Assistiram em silêncio relativamente chocados, ele ainda passou rápido pelos outros vendo se tratar sempre da mesma coisa. Jane já estava com o celular em punho:
– Em? Oi, sou eu! Desculpa atrapalhar seu dia, mas é o seguinte, temos trabalho pra fazer. O Frost abriu o pendrive, vem pra cá que explico!
Killian parecia bem preocupado:
– Então o que vamos fazer com essas informações agora?
– Primeiro vamos vasculhar tudo que tem ai, depois decidimos! – respondeu Jane firmemente – Preciso informar a doutora também, já volto.
Jane se dirigiu rápido ao necrotério o encontrando vazio. Entrou no laboratório:
– Oi, japa!
– Fala, Rizzoli! – respondeu Chang com um sorriso simpático no rosto
– Cadê a nova Pike ou a doidinha que roubou teu cargo?
– A segunda não sei, a doutora se não se perdeu está no vestiário, chegou toda suja de alguma coisa que caiu ou derrubaram nela, sei lá e deve ter ido se trocar...
– Ok, valeu! – respondeu Jane sorrindo e já saindo rápido de volta aos elevadores.
Passou pela academia cumprimentando o pessoal que treinava e chegou no vestiário feminino abrindo depressa a porta. Deu de cara com Maura com os cabelos molhados usando uma calça social azul e na parte de cima estava só com um sutiã preto simples pegando uma camisa amarela para vestir bem diferente do vestido estampado que usava mais cedo.
– Doutora Isles, temos novas informações!
Maura levou um susto ao ver a detetive parada na sua frente e deu um pulinho para trás segurando com força suas roupas depois relaxou um pouco:
– Oh, sim, ótimo! Vocês voltaram à casa do Senador? – perguntou ela enquanto vestia a camisa
– Não, na verdade Frost descobriu que era seguro abrir a camisa.
– Camisa?
– Pendrive! – corrigiu Jane ficando vermelha de vergonha. Estava tão compenetrada vendo a outra se vestir que nem percebeu a besteira que soltou – Ele descobriu que era seguro abrir o pendrive e...
– E ele abriu? – questionou Maura agora se divertindo um pouco com o estado da morena e demorando uma eternidade para terminar de abotoar sua roupa
– É...isso! Ele abriu e tem uns vídeos e uns arquivos criptografados que ele ainda vai abrir.
– Certo. – disse Maura se sentando no banco do vestiário para calçar de volta os saltos – E qual o conteúdo dos vídeos?
– O que? – perguntou Jane novamente distraída olhando a outra que havia jogado o cabelo para o lado de forma provocante enquanto terminava de se arrumar
– Os vídeos. – respondeu Maura agora sem conseguir evitar um riso frouxo – Qual o conteúdo deles, detetive?
– Aahh, sim! Era por isso mesmo que vim atrás de você. Melhor assistir pessoalmente para entender a gravidade.
Maura se colocou de pé sorrindo e se dirigindo para um espelho para retocar a maquiagem. Como o espelho estava muito longe se inclinou para frente vendo pelo reflexo Jane tombar a cabeça para o lado abrindo um sorriso malicioso.
– Está analisando a minha bunda, detetive?
Jane retornou a postura séria:
– Não! – andou devagar até a outra ficando bem perto dela mais uma vez a encarando pelo espelho abaixou até a altura da cabeça da loira e sussurrou no seu ouvido – Mas e se estivesse?
A detetive observou os pelos na nuca da outra se levantarem e sorriu satisfeita com a reação que estava causando. Como a outra não respondeu, se aproximou mais colando nas costas dela e segurando de leve em sua cintura sussurrando novamente:
– Não diga que você não quer que eu analise ela. Está se esforçando pra me desconcentrar desde a hora que pisei aqui...
– Eu não estou fazendo nada de mais detetive... – respondeu Maura de maneira sensual fingindo inocência entrando de vez no jogo e virando um pouco a cabeça abrindo o pescoço para o lado que a detetive sussurrava
Jane desceu a boca até ele depositando um beijo suave enquanto encarava nas olhos a outra pelo reflexo do espelho. Desceu dando mais alguns beijos enquanto abraçava totalmente a legista pro trás acariciando sua cintura. Maura segurou os braços de Jane se abraçando neles enquanto fechava os olhos aproveitando as carícias. A morena subiu pelo pescoço traçando uma trilha de beijos até atrás da orelha onde parou e mordiscou o lóbulo da orelha da Doutora que visivelmente segurou um gemido. Agora era Jane que estava se divertindo com aquilo:
– Não tem nenhuma estatística, regra, norma, artigo, qualquer coisa que me impeça de continuar agora?
– Na verdade, deve ter pelo menos umas cem mas eu não estou ligando para isso... — Jane levantou a cabeça levemente surpresa com a resposta e viu a loira se virar de frente para ela a encarando nos olhos – Dessa vez eu não vou ser estúpida de te deixar sozinha se me beijar de novo.
– Bom saber! – retrucou Jane sorrindo e já puxando a outra para perto e encontrando seus lábios com fervor.
Se beijaram por alguns minutos sentindo toda aquela explosão de sentimentos e sensações como das primeiras vezes e demoraram a notar o celular de Jane tocando.
– Acho melhor você atender! – disse Maura quando se afastaram um instante pra respirar mas ainda dando selinhos na outra
Jane puxou o aparelho do bolso e o atendeu sorrindo:
– Rizzoli!
– Ei, cadê, você?
– Ah, oi Em! Já chegou?
– Sim, e tô te esperando pra ver o tal material... Disseram que você foi atrás da Doutora.
– Sim, já achei a Maura. Vamos subir em um minuto.
– Subir? Onde vocês estão? Eu acabei de vir do laboratório e a prima dela estava sozinha lá...
– Emma eu já tô indo, tá legal?
– Mas... AAAHHHHHH! – Entendeu Emma começando a rir – Claro, claro, sem problemas!
– Beleza, Em! Até já! – Jane desligou o celular e voltou a abraçar a loira – Acho que temos que trabalhar...
– Sim, nós temos! Mais tarde continuamos da onde paramos!
– Really? – questionou Jane ganhando um beijo caloroso da outra em resposta – Sabia que a Maura é bem diferente da Dra. Isles? E sinceramente eu gosto muito mais dela!
Maura sorriu se afastando de Jane para pegar suas coisas e saiu andando em direção à porta do vestiário dando uma piscadinha ao soltar a frase:
– Não se preocupe, detetive, você terá a oportunidade de conhecê-la cada vez melhor em breve!
– Espero que você saiba que eu vou cobrar isso... – respondeu Jane indo atrás dela com um sorriso travesso no rosto.
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