Era novamente uma vez

17 Capítulo 17 – Quando é para ser, será


Notas iniciais
Oi pessoas! Tudo bom com vcs?? Como estava com saudades e tbm pq não queria ngm reclamando que eu demorei mto pra postar a continuação do flashback aqui está o novo capítulo! Boa leitura!

– Ok, nos conhecemos na academia de polícia. Éramos as poucas garotas da equipe e sem dúvida alguma as mais competitivas! – Regina riu e Jane se fez de desentendida – Tão competitivas a ponto de em algumas semanas éramos totalmente rivais. Eu sabia o nome de pouca gente ali, mas o dela era impossível não decorar. Sempre tinha um sargento, preparador físico ou auxiliar de qualquer coisa dando os parabéns à Senhorita Emma Swan! (Jane fez careta nessa hora depois começando a rir sozinha) A cada 10 que ela tirava numa prova eu me esforçava para tirar em duas, logo o novo nome impossível de não decorar naquela academia tinha passado a ser Jane Rizzoli e foi ai que nos falamos pela primeira vez.

– Ow, volta aqui! – gritou Emma saindo do stand de tiros ainda com os óculos de proteção e correndo atrás de Jane – Ei, Rizzoli estou falando com você!

Jane se virou devagar abrindo um sorriso cínico:

– O que foi, Swan?

– Qual é a sua, afinal?!

– Do que você está falando?

– É alguma coisa pessoal não é? — Jane cruzou os braços e se fez de desentendida esperando a outra continuar – Porra, qual é? Toda matéria que eu vou bem, você está indo ainda melhor, se a gente tira a mesma nota vira uma competição nas provas práticas! Levamos a maior bronca hoje do Major porque não paramos de atirar mesmo quando ele mandou só pra ver qual de nós acertava mais vezes no centro.

– Então eu acho que você é que tem algum problema comigo, não? Afinal eu não estou competindo com você eu faço isso porque sou melhor.

– Não vou entrar nessa discussão, ok? Só acho que vamos acabar nos matando se continuarmos nesse ritmo!

Jane coçou a cabeça se lembrando da bronca que acabaram de levar, na realidade já haviam ganhado muitas naquela semana pelo mesmo motivo. Mas isso não era nada, estava disposta a ser a policial revelação da academia e ser indicada para vaga direta ao departamento de detetives e não seria aquela loirinha sem sal que a distanciaria de seu objetivo. Soltou um riso debochado depois se virou de costas e continuou andando.

– E para sua informação: eu sou melhor! – resmungou a loira balançando a cabeça e andando na direção oposta da outra.

Puxa, é realmente difícil imaginar vocês duas falando assim uma com a outra! – comentou Regina chocada

– Pois é, para você ver como éramos duas babacas... Enfim, continuando: era final do semestre e tanto eu quanto ela só éramos vistas correndo pra lá e pra cá praticando os exercícios físicos ao mesmo tempo com um livro na mão relendo teoria. Eu estava disposta a tudo para ser classificada na prova final como a melhor aluna do pelotão e a Emma, lógico que também! Era a noite de véspera da grande prova e eu não conseguia dormir, então pensei: por que não praticar mais um pouco? Pulei a janela do quarto, fui sorrateiramente até a quadra dos fundos do esquadrão e estava lá fazendo abdominais enquanto lia um manual técnico de armas quando ouvi um barulho...

“Cacete!” – pensou Jane enquanto se encolhia próxima a um banco da arquibancada principal e observava uma luz de lanterna caminhando até a entrada da quadra.

A morena prendeu a respiração quando viu a luz se aproximar mais e duas figuras uniformizadas adentrarem no recinto. Pareciam estar fazendo a ronda e tudo que Jane certamente não queria era levar uma suspensão por estar fora da cama no horário correto em plena véspera do dia mais importante de sua vida. Foi rastejando por debaixo dos bancos abraçada em seu livro. Percebendo que as luzes da lanterna se afastaram novamente ergueu a cabeça e apoio a mão num banco para se levantar, sentindo na mesma hora que havia apoiado em outra mão, deu um pulo para trás batendo com força a cabeça na mureta de proteção e sentindo um corpo cair sobre o seu com o coração igualmente disparado.

– SWAN?

– RIZZOLI?

– SSSHHHHH!!! — fizeram as duas juntas percebendo que havia falado muito alto.

– O que você está fazendo aqui? – sussurrou a morena segurando a outra pelos braços em cima de si

– Oras, o que você está fazendo aqui? – respondeu a outra no mesmo tom de voz e se levantando com cuidado observando a porta da quadra

– Fala sério... Por que você não vai dormir, garota?

– Como se você estivesse dormindo, não é?

– Olha aqui, — respondeu Jane ficando de pé e massageando a cabeça enquanto elevava um pouco o tom de voz – eu faço o que bem quiser da minha vida, tá bom?

– Cala a boca, quer que nos suspendam da prova de amanhã? – retrucou Emma se abaixando um pouco e segurando com força o braço de Jane

Jane balançou a cabeça em negativo depois sussurrou ao ver as luzes rondando novamente a área da porta:

– Quer saber? Vamos embora daqui!

Emma fez um positivo com a cabeça e as duas se dirigiram sem fazer barulho à entrada do fundo. Já estavam do lado de fora quando Jane bateu a mão na testa e deu meia volta.

– Rizzoli, tá doida? Aonde você vai?

– Meu livro! Deixei cair, não podem achar ele lá...

Emma ergueu a sobrancelha abismada enquanto acompanhava Jane se afastando, mas logo viu dois policiais vindo na direção dela com suas lanternas e não achou outra opção senão ir atrás da morena na direção oposta a dos oficiais. Entrou devagar na quadra ainda olhando para trás e bateu o rosto nas costas de Jane.

– Ai!

– Shhhh!

– Você tem que ficar parada ai que nem uma estátua no meio do caminho, italiana metida a besta?

– Eu falei shhh! Agora abaixa a cabeça filhinha de papai!

– Eu não sou... – Emma sequer pode terminar sua frase porque entendeu do que Jane estava se escondendo, dois homens fardados entraram arrastando um terceiro aparentemente civil encapuzado e algemado e o jogaram no centro da quadra.

O homem atordoado pedia ajuda enquanto um dos oficiais ria, o outro se aproximou tirando o capuz do homem e lhe apontando uma arma grande:

– Vai se arrepender do que fez ou não?

– Sim, sim! Me perdoe!

Os homens se olharam e riram mais alto enquanto o que estava no chão tentava se levantar. O primeiro oficial chutou sua canela o fazendo cambalear e cair sentado novamente. Jane e Emma se olharam chocadas:

– Puta merda, o que está havendo?

– Eu não sei, mas temos que ajudar aquele cara! – disse Jane de maneira firme já dando um passo a frente.

– Sério? – retrucou Emma a puxando para trás — Aqueles dois estão fortemente armados, no meio de um lugar aberto, nós temos que bolar um plano se não quisermos apanhar junto com ele!

Jane franziu a testa fazendo uma cara emburrada mas ao ouvir o homem gemer de dor enquanto os oficiais o amarravam no poste do alvo de basquete e riam mais alto concordou com a cabeça:

– Está bem! Já tem alguma ideia?

– Espera, vocês realmente acharam que a melhor coisa a fazer era encarar desarmadas dois caras fardados dando uma surra num terceiro em plena calada da noite? – perguntou Regina com ar inconformado

– Ué, eles podiam ser grandes e ter armas, mas nós bolamos um bom plano ali! – argumentou Jane de maneira natural

Emma voltou para fora do estádio e pegou um punhado de pedras, esperou Jane dar a volta pela arquibancada por entre os bancos até mais perto da onde os homens estavam e arremessou uma delas para um canto da quadra assustando eles.

– Quem está ai?! – disse um deles apontando a arma para todos os lados.

Como não obtiveram resposta os dois agressores se encararam. Emma jogou mais uma pedra agora na direção oposta da primeira confundindo ainda mais eles. Um fez sinal para o outro e eles se separaram indo cada um na direção das pedras esquecendo o homem em que batiam sozinho um instante. Jane ficou bem escondida atrás da mureta apenas esperando um deles se aproximar. No mesmo instante que o homem viu a pedra e abaixou para pegá-la Jane se jogou da arquibancada em cima dele o derrubando no chão. O comparsa ouviu o barulho estrondoso e se virou para procurar o parceiro dando tempo de Emma alcança-lo por trás o acertando com um duas pedras grandes nas têmporas, o homem caiu e a loira logo pegou sua arma o imobilizando no chão. Não muito distante Jane também havia conseguido fazer o mesmo. As duas se encararam e só pelo olhar compreenderam o que deviam fazer na sequencia. Fizeram os homens se levantarem e os encaminharam até o poste onde o terceiro homem estava amarrado. Jane ordenou que um deles soltasse o cara e depois Emma empurrou o outro para que ambos se prendessem contra o poste. Assim que terminaram ela e Jane verificaram se eles estavam mesmo bem presos e se o homem estava bem. Ele abriu um sorriso e disse:

– Estou sim, muito obrigado e parabéns!

– Parabéns? – repetiram as duas moças confusas – Pelo que?

Logo as luzes da quadra se acenderam e um grupo de instrutores da academia apareceram nela.

– Vocês ainda não me conhecem, mas eu sou o Coronel de Massachusetts e eu ouvi histórias suficientes sobre vocês, mocinhas! Rizzoli e Swan esta foi a única prova que precisavam passar, estão aprovadas no preparatório da academia de polícia de Boston e semana que vem serão transferidas para o campo de treinamento de detetives.

Jane e Emma se olhavam abismadas e sorrindo trocaram um abraço animado, logo percebendo o que fizeram se afastaram meio sem graça.

– Senhor, mas e a prova regular? Quero dizer, o que exatamente foi testado em nós hoje? – perguntou Emma ainda sem acreditar em tudo aquilo

– O que faltava testar. – respondeu o homem com simplicidade enquanto via os majores e tenentes cumprimentando as moças – Vocês demonstraram tudo que um bom oficial precisa ter desde o primeiro dia que chegaram aqui: raciocínio rápido, bom condicionamento físico, desenvoltura no manuseio de armas, só faltava uma coisa: saberem trabalhar em equipe! Agora sim, estão completas!

Jane olhou para Emma pela primeira vez sem ser com raiva ou inveja apenas com ar de gratidão e a outra retribuiu. Trocaram um sorriso largo e logo parabenizaram uma a outra fazendo piadinhas sobre quem se saiu melhor, mas dessa vez não de provocação de verdade, apenas por diversão revelando como seria pelo resto de suas vidas dali para frente.

E desde então não nos separamos mais! – concluiu Jane com um olhar distante nas lembranças daquele dia – Fomos transferidas e passamos a morar no mesmo alojamento, percebemos que a sintonia que tivemos naquele dia existia sempre e logo se tornou mais que parceria, uma amizade mesmo. Acho que Emma foi a minha primeira amiga de verdade e eu a dela. Crescemos dentro da polícia e amadurecemos na vida juntas, nos metemos em muitas enrascadas, tivemos problemas na família, amorosos mas aprendemos como superar com a ajuda uma da outra e bem...acho que é isso!

Regina limpou uma lágrima tímida que escorreu em seu rosto e se apressou em justificar antes que a outra questionasse.

– Eu nunca tive uma amiga assim como vocês são uma da outra, isso é incrível, Jane! Obrigada por me contar essa história!

–X-X-X-

Maura empurrou Jane com força contra a porta de seu quarto enquanto tirava sua camisa. Jane mordia os lábios rosados da doutora enquanto ela continuava a “tarefa”. A loira subiu a regata de Jane apertando cada centímetro de seu tronco focando no abdômen definido da outra que ergueu os braços e se separou rapidamente pra lançar a camiseta longe. Maura puxava com força a morena para si emaranhando as mãos em seus cabelos cacheados.

– Calma, doutora, está tentando compensar o tempo perdido é? – debochou Jane segurando com força na cintura de Maura e a guiando para trás caindo por cima dela na cama da loira e pressionando seu corpo contra o colchão.

Maura gemeu com o contato do corpo da outra no seu e a detetive traçou uma trilha de beijos da sua boca até o pescoço o chupando de leve enquanto acariciava seus mamilos turgidos a deixando com cada vez mais tesão quando ela ouviu um despertador. Demorou algum tempo até que abrisse os olhos e percebesse que estava sonhando com tudo aquilo. O corpo de Maura ainda estava rígido e ela suava um pouco podendo sentir os toques de Jane sobre ela.

“Maravilha, eu digo que não quero nada, no entanto tenho sonhos eróticos com ela... Isso não vai dar certo!” – pensou Maura consigo mesma ainda deitada na cama olhando para o teto e tendo flashes vívidos do sonho que estava tendo. Levantou e foi até o banheiro tomar uma ducha gelada resmungando para si mesma: “Céus, no que você foi se meter, Maura?!”

– Bom dia, Bela Adormecida! – disse Anabelle assim que viu a prima aparecer na cozinha para tomar café – Eu cheguei você estava dormindo, achei que eu ia sair pro trabalho e você ainda estaria assim...o que foi que que a Rizzoli te deu para tomar no jantar ontem, Rivotril?

– Como você sabe que jantei com ela? – perguntou a legista assustada

– Nossa, eu posso ser meio lerda mas nem tanto, né, Maura? A gente não conhece ninguém nessa cidade e a única pessoa que te faria aceitar sair para jantar seria ela e a única pergunta que tenho é porque você está aqui ou porque ela não está aqui com você?

– Como assim? Você acha que eu devia ter dormido com ela só porque jantamos juntas? – perguntou Maura num tom um pouco acima do que costuma falar

– Não por isso, mas porque você está doida por ela e devia experimentar logo pra saber como é! – respondeu a outra com naturalidade vendo a prima ficar roxa de vergonha – Ok, não vou ultrapassar as barreiras do seu “puritanismo” britânico logo de manhã... Apenas me conta como foi a parte do jantar e do que conversaram, pelo menos!

– O restaurante era bom. – começou Maura fazendo seu chá sem encarar a outra diretamente — Ela não entende nada de vinhos. Falamos de bobagens, de como ela virou policial, da família dela e a infância aqui em Boston, falei da minha em Londres...só isso, ela é uma companhia muito agradável e divertida.

– Sei...- comentou Tinkerbell sentada no sofá da sala limpando o assento do mesmo — E não rolou mais nada? Tipo nenhum beijo, nada, assim?

– Sim... sim. – respondeu Maura após um tempo finalizando de fazer seu chá. – Ela me trouxe aqui, ficamos no carro dela um tempo mas eu falei que era melhor não continuar ou se repetir.

– Você o que? – se surpreendeu Tinker deixando cair as migalhas de pão que tinha acabado de limpar de volta ao sofá. – Porra, mas por que diabos você fez isso, Maura?!

– Tinkerbell, olha o linguajar! – repreendeu Maura antes de tentar se defender – Por que estatísticas dizem que as pessoas passam perto de um terço da vida dormindo. Sendo assim, oito das 24 horas do dia passamos fazendo esta atividade e nas dezesseis horas que restam permanecemos cerca de doze horas no trabalho e somente quatro fora dele. O que quer dizer que de segunda a sexta, pessoas que trabalham ficam três horas na empresa para cada um hora apenas fora dele. – Maura fez uma pausa para ver a cara da prima enquanto ela repetia exatamente as palavras que havia dito para a detetive na noite anterior – É muito tempo de convivência o que naturalmente acaba gerando ligações fortes que podem evoluir para envolvimentos físicos e/ou amorosos, no entanto uma média de 70% das pessoas que fizeram isso afirmam que não foi uma boa decisão pois afetaram suas carreiras e o próprios relacionamento interpessoal em si com o outro colega.

Tinker apenas se levantou do sofá indo lavar as mãos e depois se dirigindo ao banheiro.

– Você não vai falar nada? – perguntou Maura confusa com a atitude da prima

– E adianta? Quando a “doutora Maura Isles” aciona seu linguajar técnico nada a faz acreditar no contrário, salvo eu possa justificar através de alguma pesquisa científica comprovada internacionalmente que tudo que você falou não passa de uma bobagem que você está usando para tentar justificar para você mesma que está com medo de se entregar... E, sinceramente não estou a fim de pesquisar nenhuma revista especializada agora!

Maura observou a outra sumir pelo corredor e bater a porta do banheiro com uma certa violência. Revirou os olhos olhando no relógio que estava atrasada e tratou de terminar correndo seu chá antes de ir para o trabalho e encarar de frente a dura realidade de uma Jane Rizzoli de carne e osso boa parte do seu dia com ela.

Notas finais
Espero que tenham gostado! ;) Até breve! Besssooosss