Era novamente uma vez
18 Capítulo 18 – Vivendo o hoje
Notas iniciais
– Use a farda! – disse Killian seriamente olhando nos olhos de Frost na sala dos detetives enquanto pegava um café – Mulheres piram com esse lance de uniforme!
– Nem todas... – resmungou Emma de sua mesa rindo da conversa dos dois por dentro
– Baby, ele quer pegar a Rubi! Vamos lá...
– Rubi? A garçonete do Dirty Robber? Ahh tá, ela realmente tem fetiche por policiais, use a farda, Frost!
– Ela tem... Calma ai! – parou Frost para pensar – Todo mundo do precinto já pegou ela por acaso?
– Do precinto eu não sei, mas deste andar com certeza! Não é não, Rizzoli? – respondeu Killian gargalhando e aproveitando para jogar Jane na conversa assim que a morena pisou na sala ainda perdida
– O que que foi?
– Rubi, o novato... – resumiu Emma levantando uma sobrancelha para a amiga
– Oh, use a farda, garoto! Ela curte! Acho que todos aqui usaram com ela...
Killian até se engasgou com o café de tanto que ria. Frost parecia abismado com a situação, assim que os dois se afastaram Jane falou baixinho para Emma:
– Você usou farda com ela não usou?
– Lógico que usei, fui eu que te falei pra fazer isso depois!
– E qual era o ponto aqui então?
– Nada, deixa pra lá! Como foi com a Re?
– Bem melhor do que eu esperava... Na verdade foi uma conversa tranquila, ela e a irmã tem muitos problemas mas ela estava bem mais interessada em saber como nos conhecemos do que outra coisa.
– Em que? – perguntou Emma surpresa – Por que ela queria saber isso assim de repente?
– Bom, eu diria que ela está sondando pra saber como te falar algo.
Emma ficou em silêncio encarando a morena e pensando sobre o assunto. Seu celular vibrou e ela logo viu uma mensagem de Regina a convidando para almoçar com ela. Sorriu instintivamente o que não passou desapercebido por Jane:
– Caramba, ela já te mandou mensagem?
– Quem disse que é ela?
– Quem mais seria? – perguntou Jane sentindo o seu celular vibrar também e o da amiga novamente, olharam vendo uma mensagem de Tinkerbell pedindo para irem ao laboratório
– Da prima da sua doutora, ué! – respondeu Emma que não podia perder a oportunidade e levantaram juntas rindo caminhando para os elevadores.
–X-X-X-
– Olá, bom dia! – se apressou em falar Tinker assim que avistou as detetives entrando no laboratório
– Bom dia. Então o que tem de tão interessante pra nos mostrar? – foi logo perguntando Jane no seu habitual mau humor ainda mais sem ter tido tempo ainda para tomar café
– Bom, é sobre um dos objetos encontrados na árvore do senhor Gold, mas antes... – a loirinha olhou para todos os lados e como não avistou a prima chegou mais perto abaixando o tom de voz – Duas coisas, uma para você Rizzoli: não se deixe enganar, a Maura é cabeça dura mas está doidinha por você, sério, por favor, não desista dela assim de cara, ok? E para você Swan, creio que lhe devo desculpas por ontem. Aquela confusão toda esquisita... Eu, eu realmente fiquei envergonhada pelo que aconteceu!
Jane e Emma se encararam surpresas e logo a outra continuou se explicando diretamente para a loira:
– Eu tinha acabado de fazer a descoberta que vou mostrar para vocês agora e estava realmente empolgada, queria revelar naquela hora, mas me lembrei que a Jane estava (ou deveria estar) ocupada com minha prima e seu celular só dava caixa postal. Não quis ligar para o Sargento Jones ou o Frost porque fiquei com medo de uma má interpretação, era de noite, eu estava aqui sozinha, ah vocês entendem...dai liguei para Regina mas ela disse que demoraria um tempo pra vir porque estava fechando um caso lá no tribunal e eu sai para comer. Estava no Dirty quando apareceu um amigo das antigas e bom... ok, ele não é assim o melhor exemplo de pessoa que temos por ai e logo apareceram aquelas caras enormes querendo bater nele e foi justo quando a Regina chegou, eu não tive tempo de bolar outro plano que não fosse beijar ela pra desviar a atenção dos caras dando tempo do Will fugir!
– Will? Você encontrou o Wiil Scarlet?! – bradou Maura indignada entrando de repente no laboratório e só pegando a última parte da conversa – E você fez o que pra ajudar ele? Beijou a procuradora?!
– Maur...Eu acho melhor a gente conversar depois sobre isso...
– Você... você... Eu não acredito!! – Maura agora bufafa enquanto se dirigia até a bancada batendo com força uma pasta cheia de papéis sobre o caso em cima dela.
Jane não se conteve com a cena e empinou o queixo soltando um ar irônico encarando a parceira ao invés das cientistas:
– Sabe, Emma, me disseram uma vez que pessoas que trabalham juntas não devem se relacionar por que costuma não dar certo, mas quando elas já se conhecem antes as coisas são diferentes, não acontecem situações constrangedores nem de tensão entre elas... Que pena, acho que nem sempre as estatísticas estão corretas, não é mesmo?
Emma segurou um riso dando uma cotovelada nas costelas de Jane para fazê-la parar enquanto a morena se virava novamente para as outras duas observando Tinkerbell com a cabeça baixa brincando com um fio no jaleco e Maura prendendo e soltando a respiração devagar, visivelmente tentando se controlar antes de falar novamente qualquer coisa.
– Tem razão, depois nós conversamos... Olá, detetives!
– Olá, Doutora Isles! – cumprimentou Jane falando de maneira pausada e encarando firmemente a loira nos olhos que ficou arrepiada e logo soltou um pigarro para se recompor
– Bem, Tinker... Digo, Anabelle tem uma descoberta ao que tudo indica relevante para nos mostrar. Podemos?
Tinkerbell se dirigiu à bancada e pegou a adaga levando próximo a seu computador onde abriu algumas imagens ampliadas e algumas fotos de pesquisa. Explicou novamente sobre os caracteres gravados formarem uma mensagem oculta em línguas fictícias e mortas e a reação das detetives foi a mesma de Regina:
– Tá ok, e isso nos leva para onde exatamente? – perguntou Emma com ar de tédio
– Eu ainda não estou 100% certa, mas acredito que é algo que pode nos dar uma pista maior! – a analista percebeu que não estava sendo convincente então se irritou um pouco — Oras, se nós compreendermos o significado da mensagem talvez ela em si seja uma pista, sei lá!
– Você fez um bom trabalho, Anabelle. – interrompeu Maura percebendo o descontentamento da prima por não ser reconhecida – Mas eu também não tenho certeza se isso será relevante para as buscas ou se apenas descobriu uma peculiaridade de um objeto de coleção...
A legista foi mais para frente e pegou a adaga a observando de perto em silêncio. Jane se colocou nas costas de Maura praticamente grudada na outra observando por cima de seu ombro o objeto, a loira não pode evitar seu coração batendo mais rápido e disfarçou como pode o desconforto de ter a morena ali tão perto dela. A detetive também analisava com cuidado o objeto e num dado momento passou um dos braços por cima do da outra apontando para o cabo da adaga praticamente em cima da mão de Maura. Ambas sentiam seus cabelos roçando nas partes descobertas da pele uma da outra, o cheiro dos perfumes as inebriando um instante. Jane teve que se concentrar mais, ela tinha se aproximado com o propósito de provocar a outra, mas era ela que não estava quase resistindo a “atacá-la” e antes que o fizesse se concentrou no trabalho:
– É...Talvez seja bobagem minha, mas nesse trecho ai que diz de usar a força, essa letra parece uma seta não parece? E está apontando para a base do cabo.
– Você não acha que... – começou Maura mas antes de terminar a frase Jane já havia segurado a arma por cima da mão dela e puxado o cabo com força para o sentido oposto ao da lâmina fazendo ele se abrir
Todas se olharam surpresas e assustadas, Emma então foi a frente tirando o objeto das mãos das duas e torcendo o cabo totalmente revelando que havia um pendrive dentro dele.
– Sem dúvidas não era por isso que eu estava esperando mas pelo menos é alguma coisa! – comentou Tinker triunfante
As detetives se olharam logo procurando por um computador ligado e assim que Emma se aproximou do de Anabelle, Maura agarrou seu braço tirando o objeto das mãos dela.
– Não, nós não vamos abrir isso sem a ajuda de um especialista em informática! – insistiu Maura já caminhando em direção a sua sala seguida das outras mulheres
– Como assim? Finalmente parece que temos algo concreto de pista na mão, vamos simplesmente largar? – falava Jane inconformada
– Não é largar, é apenas deixar que alguém que entende de segurança cibernética nos comprove que não haverá danos permanentes aos computadores e nem as redes da Delegacia antes de plugarmos isso por ai.
– Ela está certa, Janie. – disse Emma com ar de derrota – Vai ser muito pior se ao invés de uma pista tiver uma armadilha e nós cairmos feito patinhos nela.
– Está bem, está bem... Vamos levar para o tenente então e deixar que ele decida o que é melhor a fazer!
Algumas horas se passaram e nada do tenente chegar, estava numa reunião externa com Korsak. Emma avisou Jane que faria um horário maior de almoço, queria comprar alguma coisa de presente para Regina antes delas se encontrarem então aproveitou o pouco movimento e saiu. Killian viu Jane sozinha e bufando na sua mesa:
– Ei, doçura, se está entediada, no meu departamento está lotado de trabalho, não quer ajudar não?
– Eu também tenho trabalho pra fazer, Killian! Mas o caso principal que estou trabalhando não anda porque não temos um ninja da informática...
– Hum... Eu não sei exatamente do que você precisa, mas ouvi dizer que meu garoto novo aqui tem umas boas habilidades nisso. Diferente da experiência de ver cadáveres eu espero!
Frost fez uma cara ofendida e logo se apresentou à Jane:
– Sim, eu sou formado em ciência da computação.
– Formado? Espera, você parece novo... Quantos anos você tem?
– Eu sou novo, detetive, é que comecei assim que sai do colégio, e depois de dois anos entrei na academia, tive regime parcial para que pudesse continuar os estudos no período noturno.
– Uau! – se impressionou Jane – Academia de polícia de manhã e faculdade a noite, você é mesmo um cara dedicado, parabéns.
O outro ficou meio envergonhado mas por dentro absurdamente feliz com o elogio da morena que ele sonhava um dia poder chamar de parceira de investigações.
– Então, o caso é o seguinte: temos um pendrive! Porém não sabemos a origem muito menos o que tem dentro então não sabemos se é seguro analisar.
– Pendrive? Do caso do Gold? – perguntou Killian
– Sim, estava dentro daquela adaga esquisita que vocês acharam na árvore. Ela tinha umas inscrições macabras que a analista Isles descobriu o que significavam e acabamos achando isso dentro. Agora o negócio é ver o que tem nele e sem alguém que nos diga se tudo bem espetar isso em qualquer computador aqui da central.
– Bem, eu posso fazer uma varredura para verificar se é seguro abrir, sim, detetive Rizzoli! Onde está?
Jane já se reanimou e foi buscar o objeto na sala do tenente.
–X-X-X-
Emma estava nervosa esperando Regina no restaurante que combinaram com duas rosas na mão: uma vermelha e uma branca. Não soube se decidir por qual a morena gostaria mais e com medo de se atrasar levou as duas.
– Com licença, será que posso me sentar? – disse a voz aveludada de Regina assim que avistou a loira sentada – Ou será que atrapalho? Você está esperando outra pessoa?
– Não, era você mesma que eu queria ver! – respondeu Emma ficando de pé e abrindo um sorriso esticando as flores a frente.
– Pra mim? Obrigada, Em! Algum motivo especial?
– Você. Você é especial, Re! Tanto que nem sei dizer qual dessas duas combinam mais com a sua personalidade, acho que é a mistura que me fascina...
Regina ficou parada observando Emma nos olhos, ela tinha marcado este almoço pensando em botar as claras os últimos acontecimento e de alguma forma expor seus sentimentos pela outra mas com o receio de que eles não fossem recíprocos e até então a loira a estava surpreendendo com tais palavras. Se sentaram sorrindo uma para a outra e enquanto olhavam distraidamente o cardápio Regina puxou assunto:
– Desculpe por hoje de manhã. Sei que não foi um momento dos mais agradáveis...
– Está tudo bem. Janie me disse que vocês conversaram depois, pelo visto você e a tal Zelena tem muito o que acertar!
– Sim! Ou não, por que isso não está na minha lista de prioridades da vida, honestamente... No momento o que está é te explicar sobre o que aconteceu ontem a noite.
– Que a Anabelle precisou da sua ajuda pra distrair a gangue que ia bater no amigo dela por isso te beijou?
– Vejo que moro com uma detetive de primeira! – disse Regina num tom levemente sarcástico.
– Sim, você mora! – respondeu Emma a altura segurando a mão de Regina sobre a mesa e acariciando seus dedos.
Regina puxou a mão da outra dando um beijo suave:
– Que bom, então não temos nenhum mal entendido pendente... Salvo talvez por que você não atendeu meus telefonemas assim que sai do bar!
– Ah, isso? – respondeu Emma rindo – Eu estava sem bateria e encontrei o Giovanni lá da oficina perto da minha antiga casa, ele tinha ingressos para o campeonato de Monster Truck e acabei indo com ele.
Regina sorriu compreendendo. Chamou um garçom e logo fizeram os pedidos, assim que as bebidas chegaram fizeram um brinde e Regina mudou de lugar se sentando ao lado de Emma que estava num banco comprido acolchoado.
– Em, na verdade além de falar sobre essas coisas eu queria conversar sobre algo um pouco mais delicado com você hoje.
– Re, posso te interromper um pouquinho? – perguntou Emma novamente entrelaçando os dedos nos de Regina que estavam em seu colo e a encarando firmemente – É que eu não sei o que você vai dizer agora mas eu sei o que eu preciso te dizer e logo por que não aguento mais lutar contra isso: Re, eu acho que...quer dizer, talvez eu não ache, eu saiba, mas tenha medo e...bom, o que importa mesmo é que eu não te quero mais como amiga, nem como foda eventual, eu... isso aqui que estamos tendo agora, eu quero sempre, sabe? Esse estarmos juntas, perto, sorrindo e trocando flores, sei lá, falando agora parece bem bobo e piegas, nada que realmente se pareça comigo e muito menos com você, mas, Regina, eu te amo e não me culpe por não saber fazer isso direito mas eu juro que estou tentando te pedir em namoro neste momento!
Regina abriu um sorriso enorme e se inclinou a frente segurando o rosto da outra e deu um beijo longo em Emma, o primeiro beijo das duas que não era só de luxúria, mas sim de amor.
Fale com o autor