Notas iniciais
Nossa! Esse ficou muito gigante rsrsrs. Mas acho que é bom pra compensar um pouco o tempo de espera rs ;) Pessoal um "OBS" aqui: Nesse capítulo eu faço uma referência ao Sidney Glass (Espelho Mágico). E pra quem não lembra ou não sabia, ele realmente foi internado na clínica psiquiátrica. No último episódio da 1ª temporada, quando o Jefferson vai soltar a Bella, aparece uma plaquinha com o nome do Sidney no hospital. Bom, mas vamos ao que interessa. Espero vcs nos comentário ;) Boa leitura!

Já haviam se passado quase meia hora desde que Henry e Emma saíram de sua casa, e Regina ainda estava ali, sentada no sofá. Com aquele abraço e aqueles milhares de pensamentos atormentando sua mente.

Nem se procurasse em todos os livros do mundo não acharia explicação para o que tinha acabado de acontecer. Abraçar Emma Swan. Isso era algo sem sentido algum.

Mas naquele momento pareceu tão certo. Aliás pareceu a coisa mais certa do mundo. Fechou os olhos vivenciando novamente aquela sensação boa ao se lembrar dos braços de Emma em volta de seu corpo.

“Isso não pode acontecer”. Repreendeu-se rapidamente. “Ela é sua inimiga, Regina. Inimiga”.

Então lembrou-se de todas as palavras ternas de Emma junto aquele abraço. E logo lembrou-se do acidente, de como Emma a ajudou. E não foi embora do hospital, como Regina havia pensando. Mas ficou lá esperando por ela. A trouxe para casa. Lembrou-se do dia seguinte ao acidente, quando Emma esteve em sua casa bem cedo dizendo que queria saber como ela estava. Embora Regina tenha pensando que ela fora somente para falar sobre Henry.

Será que Emma era mesmo sua inimiga? Era o que Regina se perguntava. “Ela realmente nunca tentou tirar o Henry de mim”. Começou a ponderar. “Desde o começo sempre fui eu que tentei afastar ele dela”. “E ela sempre fez o contrário. Sempre o trouxe de volta pra mim. Mesmo quando teve várias chances de colocá-lo naquele fusca asqueroso e fugir com ele”.

“Apesar de ter me desafiado várias vezes, de ter me contrariado, me irritado, tudo que ela fez foi se defender de mim”. Regina começou a olhar as coisas sob outro ponde de vista.

O de Emma, talvez.

Algo estava mesmo mudando dentro dela.

Que tipo de sentimento era aquele que estava nutrindo por Emma Swan? Supunha-se que Emma deveria ser sua inimiga. Que deveria querer destruí-la, assim como quis destruir Branca de Neve, mãe dela.

O que teria mudado? Por que essa necessidade repentina de ter Emma Swan por perto?

Ao mesmo tempo em que queria que ela fosse embora pra que Henry fosse somente seu, também queria que Emma ficasse em Storybrooke... para sempre.

Desde o início Emma havia despertado nela sentimentos confusos. Ódio, medo e até mesmo admiração, por ter sido a única pessoa que ousou enfrentá-la naquela cidade.

E de uns tempos pra cá aqueles sentimentos estavam muito mais intensos. Cada vez que olhava aqueles olhos verdes sentia seu coração queimar e um arrepio lhe subir pela espinha.

Regina não era boba. Tinha muita experiência de vida. Apesar da aparência jovem que a maldição lhe proporcionava, já colecionava algumas décadas de vida. Sabia que aquele sentimento era algo que ela não poderia sentir jamais.

Apesar de ser algo confuso, algo que jamais havia experimentado na vida. Tinha alguma noção do que era. E sentir atração pela filha de sua inimiga não estava na lista de melhores coisas a se fazer.

Sentir atração por uma mulher já era por demais confuso pra ela depois de ter passado toda sua vida se interessando apenas por homens. E ainda mais sentir atração justamente por aquela mulher.

Não poderia admitir aquilo jamais. Nunca! Mas Emma estava sendo tão legal com ela, mesmo depois de tudo que ela havia tentado contra ela. Será que poderiam ao menos ser amigas?

“Regina!” Repreendeu-se mentalmente. Sua mente lhe mostrava que aquilo era loucura, mas seu coração clamava por aquilo. Clamava desesperado por ter Emma Swan por perto.

E se pudessem ser amigas? E se pudessem finalmente terminar essa luta por Henry e simplesmente cuidar dele juntas?

Por um momento, deixando-se levar pela beleza e leveza daqueles pensamentos, Regina esqueceu-se de seu ciúme doentio por Henry e simplesmente imaginou como seria viver em harmonia com Emma. Viver em paz, os três.

Havia passado a maior parte de sua vida lutando, alimentando um desejo insano de vingança, abandonando seus desejos para seguir o ímpeto de destruir aquela que destruiu sua felicidade. Mas no fundo, no íntimo de seu ser, tudo que ela queria era encontrar a paz. Ser feliz. Feliz de verdade.

Continuava no sofá. Agora deitada. De olhos fechados. Sua mente sendo bombardeada por aqueles pensamentos, pela lembrança daquele abraço. E em alguns minutos não conseguiu mais aguentar e se rendeu ao cansaço, ao sono. Praticamente não havia dormido a noite inteira. Acabou pegando no sono ali mesmo.

***

Acordou com o barulho da porta batendo. Apertou os olhos ainda sonolenta.

– Mãe? – Henry chamou se aproximando dela.

– Oi, Henry. Que horas são? – Passou a mão pelos cabelos, confusa.

– Já deve ser umas três e meia.

– Nossa! Isso tudo! Eu peguei no sono aqui, não tinha dormido direito à noite. – Disse bocejando.

Com a sensação de sono a abandonando aos poucos, olhou fixamente para ele. Como ela o amava. Já não sentia mais raiva pelo que ele fez. A conversa com Emma realmente havia mudado muita coisa. Ainda estava chateada, mas não com raiva.

Passou a mão pelos cabelos dele e em seguida pelo rosto. Respirou fundo e disse:

– Eu vou tomar um banho. Me espere. Temos que conversar. Está bem?

– Sim – Respondeu cabisbaixo.

Ela se levantou e ele se dispôs a ajudá-la a ir até o banheiro. Aquilo aqueceu seu coração. Embora ele mais tenha atrapalhado o trajeto do que ajudado, Regina amou aquele gesto.

Tomou seu banho, colocou uma roupa confortável e logo estava de volta à sala. Ele estava sentado olhando para algum ponto no chão, as mãos juntas entre os joelhos. Parecia nervoso. Ela respirou fundo e se aproximou. Sentou-se ao lado dele.

Ficaram em silêncio por alguns minutos. Henry sabia que tinha agido mal, mas não encontrava coragem pra falar nada. Regina envolta em seus dilemas. Ceder ou não ceder?

– Você sabe que o que fez foi errado, não sabe? – Finalmente conseguiu falar. Sua voz saiu calma.

– Eu sei – Ele não se atrevia a olhá-la.

– Não sabe o quanto fiquei triste. Nem consegui dormir. – Ela suspirou – Me dói tanto ver que você não gosta de mim, Henry. Por que eu te amo tanto e sempre fiz tudo por você – Sua voz já estava embargada pelo choro que queria sair, mas segurou. Não era hora de chorar mais.

Ele olhou pra ela. Seu coração doeu por vê-la daquele jeito. Queria dizer que gostava dela sim, mas as palavras pareciam não ter coragem para ser pronunciadas.

– Mãe, desculpa – Um fio de voz. Soou como uma súplica.

– Não basta pedir desculpa, Henry. O que você fez passou dos limites.

Ele abaixou a cabeça.

– Mas eu não vou deixar você de castigo.

Ele a olhou surpreso.

– Não vai adiantar. – Respirou fundo – Eu também estava errada... Pela maneira como venho tratando você – Finalmente resolveu ceder. Como era difícil admitir seu erro. Mas era preciso. Não queria mais brigar com ele. – Eu sinto muito por fazer sofrer. Você me perdoa? – Engoliu em seco.

Henry não conseguia acreditar naquilo. Era surpreendente.

Ela o olhava como que esperando uma resposta. Mas em vez de palavras ele se lançou nela em um abraço.

Ela sorriu emocionada. E fechou os olhos com aquele contato tão bom. Depois de alguns segundos assim e em silêncio, ele disse:

– A Emma tem razão. Você é uma pessoa triste por que deve ter sofrido muito na vida. Eu sei que você sofreu. E foi por isso que você ficou assim. Mas ela disse que você pode mudar. E eu acredito nisso – Ele disse emocionado.

– A Srta. Swan disse isso? – Ela se afastou um pouco do abraço para olhá-lo.

– Disse. Ela conversou comigo no carro. E ontem de noite também.

Ela sorriu. E o abraçou de novo. Emma realmente estava tentando ajudá-la, como havia prometido.

– E eu gosto de você sim, mãe. – Disse apertando mais seus pequenos braços em volta do corpo dela.

Seu coração bateu mais forte. Sentiu vontade de correr até ela, abraçá-la mais uma vez e dizer: “Obrigada”

***

Cinco dias após aquele abraço Regina ainda não tinha visto Emma. A cada dia que se passava seu coração apertava. Uma espécie de angustia desconhecida a invadia. Emma nem sequer fazia uma ligação.

Mas afinal por que ela deveria ligar? Só porque tinha dado um abraço nela? Regina queria que ela se preocupasse, que se importasse. Queria ao menos ouvir sua voz.

Mas isso não aconteceu. Os dias se passaram e Emma Swan não se fazia presente.

Tinha aberto seu coração para ela naquele dia. E depois daquilo passou a achar que poderiam ter uma espécie de amizade.

Mas será que Emma sentia o mesmo? Será que desejava estar perto de Regina assim como ela queria tanto estar perto da loira?

E se não? "Por que eu to colocando essas coisas na minha cabeça? Nunca seremos amigas. Nunca seremos nada. Eu sou a Rainha Má e ela a Salvadora. Somos inimigas por natureza. E mesmo que ela não saiba disso, ela me odeia. Por tudo que eu fiz desde que ela chegou aqui". Suspirou.

Começou a se sentir envergonhada por ter se mostrado tão frágil diante dela.

Que tolice aquilo tudo. Achar que poderia construir um relacionamento amigável com ela. E afinal não deveria querer aquilo. Deveria odiá-la, destruí-la.

Mas só de pensar nisso seu coração ficava pequeno. Já não conseguia mais enxergar Emma Swan como inimiga.

Como era possível que aquele sentimento estivesse crescendo dentro dela? Era difícil aceitar, admitir. Mas Regina no fundo sabia que queria Emma por perto. De algum modo que não sabia qual. Mas a queria perto.

Já era o dia que Regina iria tirar a bota imobilizadora e finalmente abandonar aquelas malditas muletas.

Estava no consultório do Dr. Whale. Um funcionário do hospital havia buscado ela. Privilégios de ser a prefeita.

– Está tudo perfeito, Regina — Disse o Dr. enquanto analisava o raio-x que Regina havia acabado de fazer.

– Tem certeza? Não tem nada quebrado mesmo, Whale? — Dizia meio aflita e ao mesmo tempo autoritária.

– Confie em mim, Prefeita. Você está perfeitamente bem.

– Ótimo. Não aguentava mais aquelas coisas nojentas — dizia em tom arrogante lembrando-se das muletas e da bota.

– Bem, você está liberada. Se sentir algo volte aqui.

Regina saiu do hospital aproveitando cada movimento que fazia com sua perna. Sentindo-se leve. Livre.

Era hora de voltar à sua rotina. Voltar a ser a prefeita. Mulher ocupada, temida, intocável. Resolveu passar em casa antes de ir para o gabinete para pegar seu carro. Afinal estava com vontade de dirigir também.

Foi caminhando até sua casa. Depois de uma semana sem poder fazer isso, andar nunca pareceu tão bom.

Chegando em casa sentiu vontade de fazer algo que não pôde fazer todos esses dias. Tomar um belo banho de banheira. O gabinete podia esperar mais alguns minutos.

Preparou o banho, tirou sua roupa e entrou na banheira. Quase gemeu de prazer quando sentiu a água quente massagear seu corpo. Que sensação deliciosa.

Quente. Assim como o abraço de Emma. Sensação deliciosa. Assim como o corpo de Emma colado ao seu.

“Tenho que parar de pensar nisso”. Repreendeu-se indignada por estar o tempo todo pensando nela. Nem saberia responder quando aquilo havia começado. Em um dia estava odiando aquela mulher com todas as suas forças. No outro estava querendo ser abraçada por ela mais uma vez.

Mas a verdade é que desde o começo, odiando ela ou não, Emma nunca saiu da mente de Regina.

Queria parar de pensar naquele abraço. Tentava se convencer de que não havia sido nada demais. E afinal Emma jamais iria sentir por ela o mesmo que estava sentindo.

Mas o que é que estava sentindo afinal? Nem ela mesma sabia dizer. Uma confusão de sentimentos, de pensamentos. Emoções conturbadas, desconhecidas, esquecidas.

A voz de Emma dizendo que iria ficar tudo bem, o calor do corpo dela tão próximo, o cheiro. Tudo ainda estava tão vivo na mente de Regina.

Enquanto passava as mãos por seu corpo naquele banho, involuntariamente começou a imaginar as mãos de Emma passeando por seu corpo. Deslizando pela pele molhada. Tocando, acariciando.

Fechou os olhos. O coração já acelerado. Lembrava-se do abraço, as mãos dela em seus cabelos, em seu rosto. O corpo tão quente tocando o seu. Aqueles olhos verdes tão penetrantes, que invadiam sua alma.

Deslizava a mão pela sua pele pensando em Emma. Pelo pescoço, colo, braços, barriga. Tudo tão lento... sensual. Não era algo que podia controlar. Era gostoso demais para ser refreado.

Suspirou de olhos fechados ao sentir sua própria mão entre suas pernas. Tocando a coxa, acariciando. A mente dominada pela loira. Pela voz, pelo cheiro, pelo toque daquele simples abraço. Que para Regina significou tanto.

Quando sua mão pousou em sua intimidade, já começando a ser tomada por um desejo totalmente desconhecido, que era aumentado a cada vez que a imagem de Emma aparecia em sua mente, Regina sentou-se bruscamente na banheira. Retirando rapidamente a mão do meio de suas pernas. Fazendo um pouco de água cair para fora da banheira, devido ao movimento rápido e brusco.

Estava assustada. O que era aquilo? Era como se tivesse sido tomada por um estado de transe e então tinha voltado ao normal.

Saiu da banheira rapidamente, enxugou-se, sentindo-se envergonhada dela mesma. Procurou nem pensar no que havia acabado de acontecer. Ou melhor, no que estava prestes a acontecer. Estava com vergonha de si mesma.

Já era demais aquilo. Precisava parar. Que loucura era aquela que estava sentindo?

Tentou se concentrar no resto do dia, o tanto de trabalho que iria ter. Vestiu-se. Um tipo de euforia lhe invadiu quando abriu seu closet e pode escolher um belo par de sapatos de saltos bem altos, como ela adorava. Que saudade havia sentido deles.

Olhou-se no espelho, ajeitou os cabelos, o vestido. Estava linda. E sabia disso. Sentia-se imponente sobre aqueles saltos. Ergueu o queixo, sabendo que era superior.

Aproximou-se mais do espelho. Sentia falta do espelho mágico, seu companheiro, conselheiro. Apesar de tudo, Sidney lhe fazia falta. Era o único que sempre estava ao lado dela, mesmo que fosse por bajulação.

Mas ela fora praticamente obrigada a interná-lo no hospital psiquiátrico após o acontecido com Kathryn.

Era isso ou ele ser mandado para a cadeia em outro estado. E sabia que os amaldiçoados não poderiam sair de Storybrooke. Não sabia bem qual seria a consequencia. Então achou melhor deixá-lo lá mesmo.

Pegou seu carro e dirigiu até o gabinete. A princípio insegura. Era a primeira vez que dirigia após o acidente e isso lhe trazia lembranças daquela dor insuportável que sentiu em sua perna.

Mas também lhe trazia lembranças de Emma a carregando no colo e cuidando dela.

Depois de algumas horas no gabinete, tentava se concentrar nos papéis em sua mesa. Tanto trabalho acumulado. Tinha adiantado alguma coisa em casa nos últimos dias, mas não era a mesma coisa.

Já era trabalho demais e ainda com sua mente sendo atormentada pela loira, era impossível trabalhar.

Precisava vê-la, falar com ela. Agradecer por tudo, por ter conversado com Henry, por ter dado uma força quando ela precisou.

Ou era tudo apenas uma desculpa para encontrar com ela.

Pegou o carro e dirigiu em direção a delegacia, tomada por uma atitude impulsiva que não a permitia pensar direito no que estava fazendo.

Uma ansiedade desconhecida começou a tomar conta dela. O que dizer? O que faria lá? Não sabia. Só precisava estar com ela.

***

Emma estava na delegacia mexendo em alguns papéis na sua mesa. A expressão séria demonstrava o quanto estava compenetrada no que estava fazendo.

Foi quando Regina entrou sem que ela pudesse esperar. Percebendo a presença de alguém ali, levantou o olhar. E qual não foi sua surpresa ao ver quem era.

Regina estava mais do que linda. Seu coração tomou um ritmo acelerado imediatamente. Sentiu a boca seca e o ar lhe faltar por um momento.

Durante todos aqueles dias que se passaram após o abraço quis ver Regina. Quis ligar, saber como ela estava, como tinha sido com Henry. Mas não tinha coragem. O que iria dizer? Estava tão envergonhada depois daquele momento no mínimo íntimo que tiveram.

Embora Regina houvesse retribuído o abraço, Emma sabia que ela estava frágil naquele momento. E que depois, quando recobrasse a consciência acharia tudo um absurdo.

Pelo menos era o que Emma achava.

– Re-Regina... Oi – Disse meio sem jeito.

– Olá, Srta. Swan – Regina respondeu com um certo tom de nervoso na voz.

Emma levantou e deu a volta na mesa.

– Como você está? Tirou a bota, né? – Falou colocando as mãos no bolso. Estava nervosa. Desde quando a presença de Regina lhe causava aquilo? Queria que um buraco se abrisse no chão. Ou será que queria correr para Regina e abraçá-la de novo?

– Pois é. Como você pode ver. Estou muito bem, Swan – Falou com seu costumeiro ar superior.

Emma quis revirar os olhos, mas se conteve. Regina não perdia aquele jeito.

– Bom, então, em que eu posso te ajudar? – Perguntou querendo entender o que Regina fazia ali.

– Eu vim... – Regina parou um instante, como se pensasse se realmente queria falar aquilo — te agradecer.

– Agradecer pelo que?

– Por ter me ajudado no dia do acidente... E por ter... me confortado... naquele dia em que eu estava muito triste.

Emma se surpreendeu. Não esperava que ela fosse dizer aquilo. Sentiu uma alegria imensa invadir seu coração. Sorriu.

– E por ter feito Henry melhorar comigo – Concluiu a morena.

A voz de Regina entrava por seus ouvidos como melodia. Que voz maravilhosa. E ainda dizendo aquelas palavras.

– Não precisa agradecer, prefeita, eu fiz o que era certo.

– Mesmo assim... – Regina se aproximou um pouco – Eu queria que você soubesse... que sou grata. Por tudo. – O tom de Regina era o mesmo de sempre, mas havia algo diferente. Algo digamos, amistoso.

“Ei, Emma, calma. Fica na sua. Não confunde as coisas.”

– Tudo bem, Regina. Fico feliz que esteja tudo bem.

– Eu também.

Sorriram uma pra outra. “Que sorriso lindo”. Emma pensou sentindo o coração se aquecer com aquela visão. Depois de alguns segundos a morena deu um passo a frente.

– Emma... – Regina pronunciou quase num fio de voz. A loira sentiu o coração ir na boca. Por que era tão bom quando ela a chamava pelo primeiro nome? – Essa semana... é... aquele abraço... por que você me abraçou?

Emma gelou. O que iria dizer? Como se explicar? Gaguejou um pouco tentando encontrar as palavras antes de conseguir responder.

– Bem, é que... – Estava ofegante, nervosa – Você tava triste e... não gostei de te ver daquele jeito... quer dizer, você é sempre tão forte... e... também me sentia meio culpada por Henry ter ido pra minha casa... queria te ajudar de alguma forma – Nem acreditou que conseguiu formular as palavras, por que sentia que a qualquer momento seu coração iria explodir.

Regina lhe sorriu timidamente.

– Mas você disse “essa semana”. O que aconteceu essa semana? – Perguntou Emma confusa.

Regina pareceu nervosa. Abaixou o olhar. Ficou em silêncio por alguns segundos. Emma tentava analisar a expressão dela, mas não entendia.

– É que... essa semana – Falava sem olhar a loira – Não pude... parar de pensar nisso – Levantou o olhar e sustentou o de Emma – Parar de pensar no abraço. E no por que de você ter feito isso.

Emma tentou falar algo, mas Regina a interrompeu.

– Não sabe o quanto significou pra mim. Mas o que acontece é que... Bem, eu não sei como dizer...

Regina estava muito confusa. Parecia receosa. Mas ao contrário do que Emma poderia imaginar, ela se aproximou mais. Estavam a centímetros de distância.

O cheiro dela invadindo seus pulmões. Emma já sentia as pernas bambas.

– Não sei o que está acontecendo comigo, Emma – Regina falava meio confusa – Só sei que não consigo... parar de pensar em você.

Pronto. Uma nevasca na barriga de Emma, um arrepio na espinha, o coração pulsando fazendo sua respiração se alterar.

E ainda mais quando Regina se aproximou mais, tocando seu rosto com uma mão. Acariciando sua face, olhando fixamente para os olhos de Emma. E então puxou a loira... para um beijo. Emma, com o coração disparado, simplesmente fechou os olhos esperando aquele contato.

Mas antes que suas bocas pudessem se tocar, uma espécie de névoa tomou o lugar de Regina. E Emma abriu os olhos assustada.

Estava em seu quarto, na cama. E não na delegacia. E não havia, obviamente, nenhum sinal de que Regina estivera ali.

Fora apenas um sonho.

Emma relaxou na cama. Seu corpo suava, seu coração batia em um ritmo descompassado, acelerado. Sua respiração ofegante.

Agora já não tinha como ter dúvidas. Aquilo era atração sim. Do contrário não teria sonhado que Regina tentava beijá-la. E ela iria corresponder com certeza se não tivesse acordado.

Aquele sonho era um reflexo de tudo que Emma estava sentindo. Tudo que Regina disse no sonho era o que Emma sentia. E era o que, inconscientemente, queria que Regina sentisse também.

Mas sabia que era loucura. Regina a odiava. O abraço foi só um momento de fragilidade dela.

“Deus, por que comigo? Por que tinha que acontecer logo comigo? Me sentir atraída por ela. Se fosse qualquer outra mulher já seria bem estranho. Sendo ela então”

Emma suspirou cabisbaixa. Fechou os olhos e lembrou do sonho. Regina estava maravilhosamente linda. E aquela boca vermelha tão próxima a sua. Emma queria degustá-la. Como uma fruta suculenta, pronta para ser mordida. Queria sentir o sabor daquela boca. Agora tinha certeza disso. Queria, mesmo que em sonho, por que sabia que na vida real seria impossível.

E talvez fosse melhor assim.

Olhou para o relógio e este marcava 8:05 da manhã. Estava mais do que atrasada, visto que deveria estar na delegacia às 8.

– Merda! – Exclamou dando um pulo da cama.

Tomou um banho mais do que rápido. Não teve tempo de arrumar os cabelos, então os prendeu em um rabo de cavalo. Colocou sua jaqueta vermelha e saiu.

Chegou à delegacia pouco mais de 8:30. Nunca havia se arrumado tão rápido. Nem conseguiu tomar café.

Estava irritada. De fome e de frustração. Frustração por ter acordado bem no momento que ela mais queria.

Os sonhos são sempre assim. Nos fazem sentir o gostinho bom daquilo que desejamos tanto. Colocam nosso desejo de bandeja à nossa frente. E quando vamos pegá-lo, acordamos.

E acima de tudo estava irritada por estar desejando tanto aquilo. Por querer beijar aquela boca vermelha. Boca de uma mulher. Da mulher que a odiava, que havia infernizado sua vida.

Se jogou na cadeira, suspirando alto. O dia seria longo.

***

Emma estava tão distraída com alguns papéis e tomando seu chocolate com canela, que não percebeu a presença de alguém entrando na delegacia.

– Xerife Swan.

Emma imediatamente virou-se na direção daquela voz já tão conhecida e que ultimamente vinha causando nela uma infinidade de emoções que ela não conseguia explicar.

Regina estava parada próxima à porta. E estava simplesmente fabulosa. Usava um sobretudo cinza que ia até a altura dos joelhos, sendo um pouco mais comprido que o vestido preto que alcançava o meio de suas coxas. A bota imobilizadora não estava mais lá. E no lugar dela um belo par de sapatos de salto também pretos. Os cabelos bem arrumados.

Emma admirou aquela bela mulher a sua frente. E por um momento foi como se tivesse esquecido toda e qualquer palavra, pois não conseguiu responder nada. Apenas a olhou de cima a baixo, sentindo o coração pulsar.

Vendo aquela cena, lembrou-se do sonho.

– O gato comeu sua língua, Srta. Swan? — Regina disse irônica, mas sem esboçar nenhum sorriso.

Emma pareceu sair daquele transe causado por tamanha beleza e olhou nos olhos dela. Pra logo em seguida desviar o olhar, tentando voltar à sua razão. Levantou-se e deu a volta na mesa enquanto começou a falar.

– Regina, como você está? — Olhou na direção da perna dela. E que pernas! — Já tirou a bota. Que bom — Sorriu aquele sorriso tímido e ao mesmo tempo travesso, que só duas pessoas no mundo tinham, ela e Henry.

O coração de Regina foi às alturas ao observar aquele sorriso. Que tamanho poder aquele simples sorriso tinha sobre ela.

Emma tinha os cabelos presos em um rabo de cavalo, o que deixava seu rosto mais a mostra, valorizando seus traços. Regina estava quase hipnotizada com a beleza da loira. Precisava se recompor.

– Estou ótima. Como pode ver — Seu costumeiro tom superior, altivo, frio. Mas no fundo, o coração batendo descompassado, as pernas levemente bambas, um friozinho lhe atacando o estômago.

Esforçou-se ao máximo para manter sua pose. E deu alguns passos a frente, ficando mais próxima de onde Emma estava, perto da mesa.

Regina era extremamente elegante. Parecia flutuar em vez de andar.

Emma sentiu a respiração falhar quando viu Regina se aproximar. Era como se tudo estivesse acontecendo exatamente como em seu sonho. Estavam a pouco mais de um metro de distância.

– Que bom, Regina. Fico feliz de ver que tudo já passou. — Disse colocando as mãos nos bolsos de trás da calça, como sempre fazia quando se sentia nervosa. E a presença de Regina a estava deixando assim.

– Uhum... Bem, eu vim te agradecer pessoalmente por tudo que fez por mim. Obrigada, Srta. Swan.

Incrível! Que explicação poderia ter aquilo? Regina fora lhe agradecer, exatamente como tinha sonhado. Que loucura. Espantou aquela ideia louca de premonição e respondeu.

– De nada. Nem precisava ter se incomodado de vir até aqui — Disse, mas no fundo achou linda a atitude de Regina.

– Precisava sim. Seria muita falta de educação de minha parte se não o fizesse — Falou séria. Suspirou após isso e sua expressão pareceu mudar um pouco — Bem, também vim dizer que depositei uma gratificação na sua conta, como eu havia dito que faria. Em nome da prefeitura, como agradecimento por seu trabalho.

O coração de Regina estava apertado enquanto dizia aquelas palavras. Tudo que Emma havia feito por ela a tinha deixado tão feliz. Mas não podia se dar ao luxo de sentir aquela felicidade quando sabia que Emma não tinha feito aquilo por que se importava com ela e sim por obrigação. Por dever, ou qualquer coisa do tipo.

Emma ficou séria e cruzou os braços no peito.

– Regina, eu disse a você que não queria dinheiro nenhum. Eu não fiz mais que minha obrigação.

Uma pontada no peito, foi o que Regina sentiu. "Claro, obrigação". Mas o que Regina não sabia é que tinha sido apenas um modo de falar. É claro que Emma se importava com ela. Mas Regina não sabia disso. E é claro que Emma não iria dizer com essas palavras.

– Mas eu faço questão, Xerife Swan. Não quero ter nenhuma dívida com você. – O tom altivo, com o queixo levantado, mostrando superioridade. Regina queria esquecer que estava se preocupando com o porque de Emma tê-la ajudado. Foi por obrigação e ponto.

– Eu não quero seu dinheiro, Prefeita. Fiz aquilo por ser o certo. Então sugiro que o pegue de volta – O tom de Emma era desafiante.

Regina sorriu de canto.

– Já está em sua conta, Xerife. Mesmo que eu quisesse não poderia pegá-lo. – O sorrisinho cínico continuava em seu rosto. Se aproximou mais para falar – É seu. Desfrute dele como quiser. – Seu tom era baixo e debochado. Quase sensual — Talvez queira comprar umas roupas novas – Seu olhar pousou com certo ar de insatisfação na jaqueta vermelha de Emma.

Emma prendeu o ar. Regina tinha o poder de lhe irritar fácil. Como se atrevia a falar assim da sua roupa?

– Como a senhora bem disse, prefeita, o dinheiro é meu. Então não preciso de sugestões de como gastá-lo.

Nenhuma das duas perdia a provocação. Era impressionante. Aquilo era como um jogo para elas. Um desafio. E já estava se tornando algo de que necessitavam para viver.

Estavam próximas. Os olhares se cruzando desafiantes. Os cheiros se misturando. Os sorrisos debochados. Mas por dentro um sorriso mais que sincero por estarem perto uma da outra.

Podiam sentir o coração acelerado. E a respiração já começava a ficar pesada com aquela proximidade.

Emma já não tinha dúvidas que Regina despertava nela vontades que nem ela mesma sabia que tinha. Vontades que jamais imaginou sentir.

Aquele batom vermelho nos lábios carnudos da morena a faziam aguar por eles, por descobrir o sabor que eles tinham.

Regina sentia uma emoção tão diferente estando ali perto da loira. Algo que não compreendia muito bem, mas que lembrava vagamente de já ter sentido antes na vida.

Por Daniel talvez.

Mas para ela não passava de carência. E como Emma havia sido a única pessoa, que de um jeito ou de outro, se mostrou próxima, Regina estava transferindo aquela carência para ela.

Já não podia negar que Emma a fazia sentir coisas inexplicáveis. Imediatamente lembrou-se daquele momento íntimo na banheira.

Estavam tão confusas. E nenhuma das duas poderia imaginar o que a outra sentia.

Tudo não durou alguns segundos, até que foram tiradas daquele momento de proximidade por batidas que ouviram no vidro que envolvia a pequena saleta onde ficava a mesa de Emma. Com o leve susto se afastaram.

– August? – Emma perguntou confusa olhando para o homem parado à porta de sua saleta. – O que ta fazendo aqui?

– Vim conversar com você – Como sempre com seu tom debochado, sorrindo – Mas vejo que está ocupada. Volto depois – Fez menção de se retirar.

– Não se incomode. Eu já estava de saída. – Regina falou com desprezo olhando na direção dele. – Tenha uma boa tarde, Xerife Swan – Falou com os olhos invadindo aqueles verdes.

– Boa tarde, prefeita – Emma respondeu.

– Boa tarde, senhor...? – Regina disse caminhando até a porta e fingindo não lembrar o nome dele.

– August – Ele respondeu sorrindo.

Ela sorriu fingindo satisfação e passou por ele. Antes de sair da delegacia, olhou rapidamente para trás e seu olhar cruzou com o de Emma através do vidro. Algo dentro dela clamava para não sair dali. Para não sair de perto de Emma. Nunca mais. Sentiu uma saudade antecipada. Então virou e se foi.

Emma ficou ali parada, olhando pelo vidro na direção de onde ela acabara de sair. Que vontade louca e desconhecida de sair correndo atrás dela, agarrá-la e beij...

– Emma? – Seu pensamento foi interrompido por August a chamando.

– Oi... – Parecia meio desnorteada.

– Você está bem? – Perguntou achando engraçado a cara que ela tinha.

– Claro que sim – Ela disse saindo daquele devaneio. Deu a volta novamente na mesa e sentou-se. – Então você ainda está na cidade? — Começou a mexer nos papéis demonstrando claramente que não estava a fim de conversar com ele.

– Claro que sim. Você ainda me deve um drink. Não vou embora antes de você cumprir – Ele não se deixava atingir pela indiferença dela.

– Você não desisti, não é? – Ela riu pra ele.

– Nunca – Ele correspondeu o sorriso.

– Bem, mas agora não posso. Tenho muito trabalho e...

– Eu não disse que precisava ser hoje — Ele a interrompeu. – Eu só vim mesmo saber se você estava bem. Tinha tempo que não nos víamos.

Ficaram por alguns minutos conversado amenidades. Aquele homem era muito misterioso. Dizia que estava em Storybrooke por que a cidade o inspirava. Mas Emma sentia que havia algo mais que isso. E seu instinto detetivesco a fazia querer descobrir. Quem ele era? Por que estava ali?

Mas no momento a única coisa que não saia de sua mente era Regina.

***

Na hora do almoço Emma passou no banco e retirou um extrato. Regina havia depositado cinco mil dólares em sua conta.

– Uau! – Exclamou olhando para o papel em sua mão – E isso é só uma gratificação? Imagina se fosse um prêmio ou algo assim.

Regina realmente gostava de esbanjar seu poder.

Aquilo era muito tentador, afinal quem não gostaria de ganhar cinco mil dólares assim? Mas Emma não queria aquele dinheiro. Então iria depositar tudo de volta na conta de Regina.

Mas antes teve uma ideia. Então sacou mil e o resto transferiu para a conta da prefeita.

Saiu do banco sorrindo do seu plano mirabolante.

***

Entrou na escola de Henry e seguiu até a classe da senhorita Blanchard.

Tudo o que mais queria era a felicidade de Henry. E isso dependia muito do relacionamento dele com Regina. Queria vê-lo bem. A felicidade dele passou a ser sua felicidade.

Só não sabia que no fundo começava a se preocupar com a felicidade de Regina também.

Chegou até a porta da sala onde sua melhor amiga lecionava. Depois de algumas batidas, Mary Margaret veio falar com ela.

– Não acho isso uma boa ideia, Emma. Não posso simplesmente dispensar o Henry assim. Se a Regina descobre. Meu Deus – Falava aflita. Estavam paradas na porta.

– Por favor, Mary Margaret, é por uma boa causa. Prometo que ela não vai descobrir. Quer dizer, não agora.

– Que?! – Mary perguntou assustada.

– Bom, ela vai ter que saber. Mas quando souber, vai estar feliz e não irá se importar.

– Emma, você ficou louca. O que deu em você?

– Mary, por favor – Emma fez cara de cachorro pidão.

A professora suspirou.

– Está bem – Cedeu – Mas espero que saiba o que está fazendo. Por que está colocando em risco meu emprego. Meu Deus, por que você me faz agir assim – Concluiu já se virando para chamar Henry. Emma sorria.

– Hey, garoto! – Disse quando ele chegou na porta.

– Oi, Emma. O que tá fazendo aqui?

– Nós vamos sair pra fazer uma coisa.

– Que coisa? – Estava curioso.

– Vem logo, Henry. Você vai ver. Obrigada, Mary Margaret – Se dirigiu a ela.

Saíram e no corredor ela perguntou:

– Como está com sua mãe, garoto?

– Está tudo bem melhor. Você tem razão, acho que ela pode mudar. E essa semana ela disse que vai deixar a gente se ver mais.

Uma alegria e esperança enorme encheu o coração de Emma.

***

Logo estavam na loja de roupas.

– O que acha desse? – Henry perguntou segurando um vestido azul claro.

– Hum, é lindo. Mas acho que não combina com sua mãe. — Ele suspirou cabisbaixo. Ela olhou em volta, andou – Esse aqui! – Sorriu segurando um vestido vermelho sangue.

O vestido tinha um tecido leve, daqueles que parecem deslizar sobre o corpo. Era de alças e tinha um decote sugestivo. A barra do vestido ficaria um pouco acima dos joelhos.

Emma engoliu em seco olhando para aquele vestido. Não conseguia parar de imaginar Regina dentro dele.

– É muito bonito esse. É a cara da minha mãe mesmo. Ela adora vermelho. Deve ser por causa das maçãs.

A voz dele a tirou daquele momento. Emma havia explicado toda a situação para Henry. Ele sabia que o dinheiro tinha sido dado por Regina. E que Emma não o queria. Então decidiu devolver. Mas teve a ideia de devolver uma parte na forma de presentes. E quem iria dar seria Henry.

– Agora temos que escolher um par de sapatos. Um de saltos bem altos. Ela adora – Falou a última frase mais para ela mesma. Sorriu bobamente.

Além do vestido e dos sapatos, compraram também um casaco preto e um colar dourado, o qual Henry escolheu. Pois o colar tinha um pequeno pingente de coroa e Henry achou que tinha tudo a ver com sua mãe. Afinal ela era uma rainha. Mesmo que fosse a Rainha Má. Mas ele estava disposto a tentar fazê-la mudar.

Agora o mais importante na ideia de Emma é que Henry deveria levar sua mãe para sair, passar um tempo com ela, fazê-la rir, se sentir feliz. E ele acatou como uma ordem.

Deixaram os presentes na mansão, junto com o que havia sobrado dos mil dólares, para que ele pudesse gastar no passeio com Regina. Deixaram tudo no guarda-roupa dele para ela não ver caso chegasse antes dele. E então Emma o deixou de volta na escola.

***

Ao chegar em casa, Henry ligou para o gabinete de Regina e perguntou se ela podia ir pra casa mais cedo.

Ela tinha tanto trabalho acumulado. Mas como negar um pedido dele? Já tinha ficado sem trabalhar tantos dias, sair mais cedo um pouco não faria tanta diferença.

Logo ela estava em sua mansão. Henry a recebeu com um abraço apertado e um sorriso enorme. Só não era maior que o sorriso dela.

Ele a levou até o quarto dela. Onde ele tinha colocado os presentes, menos o colar, sobre a cama antes dela chegar.

– Mãe, tenho uma surpresa pra você. Fecha os olhos.

– O que é, querido? – Ela sorria.

– Anda, fecha o olho.

Assim ela fez. Ele a segurou pela mão, a fez parar bem de frente pra cama.

– Pronto, pode abrir.

Ela abriu os olhos. Ficou sem palavras. O que era aquilo? Roupas tão bonitas em cima de sua cama. O que significava aquilo?

– Henry, eu não entendo.

– São presentes pra você, mãe. Presentes meu e da Emma. – Ela o olhou assustada. Ele sorria. – Olha ela deixou um cartão.

Ele entregou o cartão na mão dela. Que pegou meio desnorteada. Sem entender bem o que estava acontecendo.

Estava escrito:

“São seus. Desfrute deles como quiser.

P.S.: O resto está em sua conta. Eu disse que não queria.

Emma Swan”

Regina sorriu da provocação. Emma disse no bilhete a mesma coisa que Regina falou pra ela mais cedo na delegacia.

Entendeu que Emma havia comprado aquilo com a gratificação que tinha recebido. Presentes para ela. Regina jamais poderia esperar aquela atitude da mulher que deveria ser sua inimiga.

Seu coração estava aquecido. Sentia-o bater forte. Emma era mesmo surpreendente.

– Agora eu vou te levar pra sair, mãe – Falou entusiasmado. Ela olhou pra ele sem entender – A Emma disse pra você usar essas roupas hoje quando a gente sair.

Inacreditável. Mais uma atitude surpreendente de Emma Swan.

– Henry... – Ela disse quase num sussurro. Agachou-se diante dele, ficando na altura de seus olhos – Você quer mesmo fazer isso, querido? Ou só está fazendo por que a Emma pediu? – Teve medo da resposta.

– Não mãe. Eu quero! Quero mesmo sair com você. – O sorriso lindo dele confirmou que ele dizia a verdade.

Ela sorriu de volta. Emocionada.

Algum tempo depois ela já estava de frente paro o espelho, se admirando enquanto ajeitava o casaco. Ficava imaginando a cara de Emma enquanto comprava aquelas roupas. Emma não tinha muito o jeito de que gostava de lojas de roupas. Sorriu.

– Você ta linda, mãe. – Falou entrando no quarto dela.

– Obrigada, querido. Você também – Ele usava uma roupinha social, estava bem arrumado. Do jeito que Regina gosta.

– Eu tenho mais uma coisa pra você. Esse fui eu que escolhi – Ele se aproximou e abriu o estojo que continha o colar.

Ela olhou emocionada. Sorriu lindamente pra ele.

– Você poderia colocar ele em mim, cavalheiro? – Ela brincou, sentando-se na cama para que ele pudesse alcançar seu pescoço.

Ele o fez e ela passou a mão sobre o pingente de coroa.

– Eu escolhi o de coroa porque você é uma rainha. – Sorriu docemente.

Ela sentiu os olhos marejarem. Ele era tudo pra ela.

***

Saíram pela cidade. Passearam pelas ruas, tomaram sorvete. Conversaram, sorriram. Regina não poderia sentir-se mais feliz. Era talvez o dia mais feliz de sua vida depois de tantos anos.

À noite Henry quis ir ao Da Vovó para jantarem. Henry falava entusiasmado enquanto comia. Ele estava realmente feliz. Nem ele mesmo poderia imaginar que seria tão legal sair com Regina. E ela tinha que repreendê-lo quando ele falava de boca cheia.

O peito dela explodia de felicidade. Era impossível explicar em palavras a emoção boa que estava sentindo. Amava Henry mais do que qualquer coisa.

Tinha passado horas maravilhosas ao lado dele. Horas que haviam feito esquecer um pouco a amargura que seu coração escurecido carregava. Estava feliz, imensamente feliz.

Regina estava no balcão pagando a conta enquanto Henry estava sentado à mesa escolhendo o sabor do milk-shake que havia pedido pra viagem.

O sino da porta soou. Não deu importância. Até que ouviu Henry dizer:

– Emma! – Ele exclamou.

– Oi, garoto – Logo virou para Regina – Boa noite, Regina.

“Deus, como ela está linda”. Emma pensou a admirando. Realmente havia escolhido bem as roupas. Ficou tudo perfeito no corpo da morena. Não conseguiu controlar seu olhar que percorreu aquele corpo divino de cima a baixo.

Regina sentiu-se um pouco envergonhada por estar usando as roupas que sabia que Emma tinha escolhido.

– Eu já escolhi. Quero de ovomaltine – Ele falou para Ruby, entusiasmado, se aproximando do balcão. – Olha, Emma, deu tudo certinho. Ela ta linda.

– Está mesmo – Foi só o que conseguiu responder. Nem um louco discordaria daquilo. Ela estava incrivelmente linda.

O vestido vermelho combinando com o batom e contrastando com o casaco e os sapatos pretos. O decote sendo preenchido pelos seios firmes dela. As pernas grossas a mostra. Aquela mulher era a imagem viva da perfeição.

Emma já estava sentindo seu corpo queimar.

– Henry, pode esperar na mesa? Preciso falar com a Srta. Swan.

Ele foi pra mesa e elas ficaram num canto, mais afastadas.

– Srta. Swan, eu nem sei como agradecer por isso – Falou olhando em volta para onde Henry estava.

Ela realmente parecia sincera. Não estava sendo debochada ou prepotente. E aquilo alegrou o coração de Emma.

– Espero que não com dinheiro. Já te mostrei que não quero – Emma ousou brincar.

Regina riu. E o coração de Emma parecia se derreter diante de tal perfeição.

– Você está muito bonita – Emma falou num impulso. Que loucura. Nem sabia de onde tinha tirado coragem para falar aquilo. – Quer dizer... Com as roupas que o Henry escolheu.

– Foi ele mesmo? Acho que um garoto de dez anos não tem tão bom gosto assim para roupas de mulher – Respondeu com um sorriso discretamente malicioso.

– E por acaso eu tenho? – Emma provocando.

– Parece que sim – Respondeu olhando para as roupas.

As duas sorriram. Os olhares pareciam ter sido feitos um para o outro. Por que sempre que se encontravam eles se grudavam.

– Bom, eu já estava indo. Obrigada mais uma vez – Concluiu e chamou Henry que já estava com seu Milk shake na mão. – Boa noite, Srta. Swan.

– Tchau, Emma.

– Tchau, garoto – Sorriu para ele. – Boa noite, Regina. – Seus olhares diziam coisas que não poderiam ser expressadas em palavras.

– O que foi isso? – Ruby perguntou para Emma depois que eles saíram e ela sentou-se no balcão.

– Algo mudando – Respondeu sorrindo para si e olhando em direção a porta.

Já em casa, Regina falou para Henry:

– Eu adorei o passeio, querido. Não tem ideia de como estou feliz. – Ela sorria com os olhos marejados pela emoção – Eu te amo, Henry.

– Eu também te amo, mãe.

O peito dela transbordando de felicidade. Se morresse naquele momento, morreria sendo a mulher mais feliz do mundo.

– Eu tenho um presente pra você também. Mas tem que esperar até domingo está bem?

– O que é? — Ele perguntou entusiasmando e curioso.

– É surpresa. Espere.

Eles se abraçaram. Regina não podia acreditar que devia aquilo a Emma. Tinha que admitir. Passou meses fazendo de tudo para afastar ele dela. E agora justamente por causa dela, estava conseguindo o amor de Henry de volta.

***

A semana passou e logo já era domingo. Emma se deu ao luxo de acordar bem tarde. Estava sentada de frente para a TV tomando seu chocolate com canela, quando o telefone tocou.

– Alô – Atendeu um pouco irritada por ter derramado um pouco de creme na camisa quando se moveu para pegar o telefone.

– Oi, Emma – A voz infantil e entusiasmada do outro lado da linha.

– Henry, o que foi? – Estranhou sua ligação.

– Adivinha? Minha mãe vai deixar eu passar o dia com você hoje – A voz dele demonstrava que ele tinha um sorriso enorme enquanto falava.

Emma parecia processar aquela informação. Seria mesmo real? Ou apenas mais um sonho?

Ouviu a voz de Regina do outro lado ao longe dizer: “Primeiro pergunte se ela pode, Henry”.

Emma sorriu.

– Minha mãe mandou perguntar se...

– Eu ouvi – Ela interrompeu. – Diga a ela que é claro que eu posso. – Uma felicidade invadindo seu peito.

– Ebaa! – Ele exclamou – Vou falar pra ela. Daqui a pouco minha mãe vai me levar aí. Tchau, Emma.

– Tchau, garoto.

Desligou ainda confusa. Iria mesmo passar o dia com seu filho?

Disse para Mary Margaret, que também custou a acreditar. Subiu e tomou banho, se arrumou e ficou esperando por eles.

Uma hora depois a campainha toca.

– Oi, Emma. Oi Srta. Blanchard. – Um Henry muito entusiasmado passou pela porta já cumprimentando.

– Oi, Henry – Mary respondeu sorrindo. Apenas olhou para Regina.

– Entra, Regina – Emma disse.

– Obrigada, mas eu só vim trazê-lo – Ela esboçava um sorriso. Mas por dentro travava uma espécie de batalha interior.

– Não vai ficar com a gente? – Emma perguntou. Antes que Regina pudesse responder, Henry se adiantou.

– Não, ela veio só me trazer. Hoje somos só nós dois, Emma – Ele sorria. Mas Regina pareceu entristecer um pouco com o comentário dele.

– As 8 na minha casa, Srta. Swan. E cuide bem dele. – Falou absolutamente autoritária.

– Pode deixar – Emma não conseguia esconder a felicidade que sentia.

Regina virou-se e foi embora antes que se arrependesse.

Emma virou para Henry com o maior sorriso do mundo e perguntou:

– E então, garoto, por onde começamos?

Foi um dia mais que perfeito. Assistiram a um filme, conversaram durante longos minutos, depois Emma o levou para jogar no fliperama, andaram no fusca escutando música alta. Tomaram chocolate com canela juntos.

Emma não se lembrava de ter se sentido tão feliz em toda sua vida. Ter seu filho ao seu lado, e sem medo de ser surpreendida por Regina, era uma sensação indescritível.

Não sabia o que era ser mãe. Mas ali ao lado dele, entendia o que era amar um filho.

Faltando dez para as oito da noite ela já estava na porta de número 108. Com Regina não podia dar nenhum deslize, então melhor não se atrasar.

Henry entrou e cumprimentou Regina, que o mandou subir e tomar um banho. Emma ficou parada próxima à porta. Pronta para se retirar. Mas não sem agradecer antes.

– Regina... muito obrigada por isso – Disse sincera. Regina apenas sorriu. – Bem, eu já vou.

“Não!”. O pedido ecoou na mente de Regina. Seu coração clamava para que Emma não fosse.

– Espere, Srta. Swan. – Tentou não parecer ansiosa – Pode me acompanhar ao meu escritório? Tenho algo a conversar com você.

Pretexto. Só agiu por impulso. Só queria prolongar um pouco a presença de Emma ali. Mas agora precisava pensar em algo para falar.

Ao chegarem no escritório, Regina ofereceu um copo de sidra de maçã.

– Srta. Swan, temos que combinar direito como vai ficar isso – Emma a olhou confusa enquanto terminava de bebericar o copo – Quero dizer, não pense que poderá vir quando quiser e pegar o Henry. Não será assim. Eu dito as regras por aqui.

– Então como será, Regina? – Perguntou já um pouco irritada pelo tom dela.

– Vocês só vão se ver quando eu deixar. Assim como foi hoje. Não pense que será do jeito que você quer.

– Regina, eu não...

– Nada mudou, Swan – A interrompeu – Ele é meu filho. Não seu. – Seu lado obscuro tomando conta de si. O ciúme falando mais alto.

Emma trincou os dentes com raiva. Virou o pouco de sidra que havia em seu copo e o depositou com força em uma mesinha próxima, fazendo um barulho alto ecoar pelo cômodo quando o vidro bateu com força na madeira.

– Então por que me deixou sair com ele se nada mudou? – Emma se aproximava enquanto falava. A mão fechada em punho devido ao grau de irritação. Tinha passado um dia tão perfeito e agora Regina a tirava do sério. – Hein? Por que você sempre trata ele como se fosse uma propriedade sua?

– Você está me entendendo mal, Emma. Eu não quis dizer isso – A cabeça de Emma pareceu girar. A raiva e a emoção de ouvir seu nome saindo daquela boca perfeita, daquela voz. Tudo se misturando. Sua respiração já era ofegante. Pela raiva, pela confusão, pela voz dela. – Eu apenas quis dizer o que a lei me assegura. Você não o quis. Eu adotei. É meu filho.

– Eu não o quis?! – A voz de Emma saiu muito alterada. – Eu não o quis?! – Repetiu a pergunta quase gritando, se aproximando ainda mais de Regina. Estavam a centímetros de distância. – Você não sabe os motivos que me levaram a fazer isso. Ou melhor, você sabe, né? Afinal, você investigou minha vida toda. Então não me julgue. Eu queria ele, mas não podia ficar com ele.

Emma arfava de raiva. Regina a julgava como se abandonar Henry tivesse sido a decisão mais fácil de sua vida.

– Me coloco no seu lugar, Xerife. E só consigo pensar que não importa qual fosse a situação, eu jamais teria abandonado ele. – Agora foi Regina quem se aproximou mais, falando alto, alterada.

Regina tão próxima, tudo se misturando na cabeça de Emma. O cheiro dela invadindo seus instintos, que agora estavam muito mais apurados pela raiva. Seu coração batia tão rápido que podia sentir seu peito se mexendo. Seu rosto vermelho de raiva... de desejo.

Como aquela mulher poderia causar em Emma duas emoções tão distintas ao mesmo tempo? Regina era linda, e aquela boca tão próxima. A irritação de Emma era ainda maior por que mesmo naquele momento em que Regina a tratava como a pior pessoa do mundo, ela ainda desejava beijar aquela boca. Sentia raiva de si mesma por isso.

– Você não sabe de nada, Senhora Prefeita – Disse o termo debochadamente – Não sabe o que passei. Você jamais iria entender mesmo, por que nunca vivenciou nada daquilo.

Sua raiva era tanta que já gesticulava sem controle, o rosto praticamente colado ao de Regina. As duas se mediam pelo olhar. Olhares que emanavam fogo. Regina movida pelo ciúme e Emma pela raiva.

– Quer saber, Emma? – Falou exasperada — Não me importa o que você passou. Ele é meu filho agora. Não pense que pode chegar assim de repente e mudar tudo. Desestruturando tudo, mudando minha vida – Suas palavras eram desconexas, aquela proximidade a afetava. Um sentimento de ódio que aflorava de repente, misturado a um desejo insano de se jogar nos braços dela. Respirou fundo – Ele é meu filho. Só meu, Emma. – Diferente do momento anterior, sua voz saiu mais baixa.

Ao ouvir mais uma vez seu nome sendo pronunciado por ela, Emma não resistiu. Tudo ficou embaralhado em sua cabeça. Sentia raiva, sentia desejo.

Agindo por impulso, passou seu braço direito pela cintura de Regina, trazendo-a para si com força, colando seus corpos. Arfava com a boca entreaberta muito próxima a dela.

Regina a olhava assustada, respirando ofegante. Os corações de ambas batendo acelerado. Os olhares penetrando um no outro. E então, Emma fez o que tanto desejava. Os lábios se tocaram.

Notas finais
Aeeehh, finalmente o beijo o/ O que acharam? Foi do jeito que vcs esperavam? Gente, com toda essa tensão que rola entre elas, eu imaginei que o primeiro beijo não seria um coisa calminha rsrsrs. E o sonho? Consegui enganar vcs? Bom, eu tentei kkk ;) E a aparição do August, hein? Qual será o papel dele na nossa fic? A Emma comprando roupa pra Regina, amei escrever isso rsrs Comentem, please. Preciso da força de vcs. Interajam com a fic. Me animem, please. Bjosss e até o próximo :)