Notas iniciais
Olá Nossa, gente, o capítulo 7 foi um desastre de comentários. Apenas 3. Vou ser sincera, isso me desanimou bastante. Bom, vamos ver como se sai o capítulo 8. Comentem se vcs quiserem que eu continue com a fic. Digam o que estão achando. Porque se estiver ruim, eu posso seguir os conselhos de vcs pra melhorar. Mas quero agradecer as 3 leitoras que comentaram. Obrigada pela força!

Os lábios se tocaram.

Tomada pela raiva e por aquele desejo insano que a consumia, Emma havia puxado Regina pela cintura com força até que seus corpos ficaram colados. E a beijou com força, fazendo suas bocas se tocarem com intensidade. Como se quisesse punir Regina pelas baboseiras que ela estava falando antes.

Finalmente pode saber como era aquele contato. A sensação de sua boca junto à dela. E era maravilhosa. Por mais que em sua cabeça tudo estivesse confuso e aquilo parecesse loucura, aquela sensação preencheu todo seu ser com um prazer indescritível.

Sentiu o corpo de Regina tensionar grudado ao seu. Mas totalmente absorta por aquela sensação intensa de ter aqueles lábios carnudos e vermelhos juntos aos seus, não conseguiu raciocinar nada. O que fez foi apertar ainda mais Regina contra seu próprio corpo. E pressionar mais sua boca contra a dela.

Foi um beijo selado. Forte. Um beijo nascido do ódio que sempre pairava entre elas. Um beijo dado como um castigo. A força que Emma fazia contra a boca de Regina poderia chegar a doer, se não fosse tamanha a sensação prazerosa que estava sentindo.

Por breves segundos Emma não moveu os lábios. Apenas permaneceu com eles grudados com força nos de Regina. Mas Emma queria mais. Precisava degustar aquela boca. Sentir todo o seu gosto. Então iniciou um movimento de leve, mexendo devagar seus lábios. Sem usar a língua, apenas movimentando sua boca levemente sobre a dela.

Regina parecia resistir, permaneceu parada, com suas mãos apoiadas nos braços de Emma, como se quisesse empurrá-la e se desvencilhar daquele contato, mas sem fazê-lo de fato. Não tentou desgrudar o corpo do de Emma. E a loira por sua vez segurava Regina com força, a impedindo de fazer qualquer movimento que tentasse separar seus corpos.

Então Emma sentiu os lábios da morena também se movimentarem lentamente sobre os seus.

Um beijo!

O coração de Emma, que já estava acelerado, passou a bater mais rápido e mais rápido. Como eram macios aqueles lábios. A sensação daquela boca se movimentando de encontro a sua causava-lhe arrepios por todo o corpo. Uma chama aquecendo seu coração já tão frio pelas decepções da vida.

Apesar de ter sido iniciado com voracidade pela raiva, foi um beijo tímido. Não houve língua. Apenas seus lábios traçando movimentos lentos um sobre o outro.

Emma sentia uma emoção tão forte que poderia jurar que sentiu um tipo de energia estranha fluir de seu corpo quando se beijaram. Era como se algo estivesse tentando sair, fluir de seus corpos e se espalhar por todo o cômodo. Ou talvez fosse apenas a emoção daquele contato.

Um segundo depois Emma sentiu seu corpo ser empurrado com extrema força e sua face esquerda arder. Um tapa.

Regina se desvencilhou dos braços de Emma e a empurrou, desferindo um tapa no rosto da loira logo sem seguida.

Emma rapidamente levou a mão ao rosto, com o intuito de amenizar aquela ardência. Parecia desnorteada. Olhou assustada para Regina, com a mão no rosto, o coração batendo desesperado ainda tomado pelas sensações do beijo.

– O que pensa que está fazendo? – O tom de Regina parecia tomado de fúria, porém saiu baixo, como se fosse difícil falar, até mesmo respirar. Visto que estava ofegante.

Emma não conseguiu dizer nada. Ainda estava se reencontrando. Entendendo o que tinha acontecido.

– Como se atreve a me beijar assim?! – Dessa vez a voz da morena saiu mais alta.

– E-Eu...

– Aliás, o que te fez pensar que eu queria te beijar?! – Interrompeu-a — Você ficou louca, Swan?! – Regina já quase gritava. Sua voz parecia trêmula.

– Eu é que pergunto, como você me bate assim?! Perdeu a noção das coisas?! – Disse com o punho fechado, se segurando para não revidar o tapa em Regina. – E até onde eu percebi você também me beijou! – Falou confusa, irritada, lembrando da sensação gostosa de segundos atrás quando sentiu a boca de Regina contra a sua.

– Eu beijei você? – Regina perguntou com deboche. Dando uma risada nervosa – Você me agarrou a força. Eu não pude fazer nada.

Emma perdeu as palavras, realmente tinha agarrado ela, isso não era mentira. Mas tinha certeza que Regina havia correspondido o beijo. Mesmo que por alguns segundos.

– Sai daqui, Srta. Swan. Você é mesmo uma louca. Só pode ser! Pra me beijar assim. Isso não tem cabimento. – Nessa última frase sua voz saiu mais baixa. Como se não tivesse tanta certeza do que falava.

– Você tá de sacanagem, Regina?! – Emma sentia a fúria percorrer toda a sua corrente sanguínea – Olha, eu não sei que loucura foi essa – Falou sacudindo a cabeça – Mas você correspondeu. Me beijou de volta. Sabe disso! – Gritou a última frase.

– Já disse pra sair daqui, Swan!! Não quero mais ouvir esses absurdos. Eu não te beijei! Só se eu estivesse tão louca quanto você pra fazer uma maluquice dessas. Isso foi... nojento.

Emma sentiu uma pontada no peito ao ouvir a última frase dela.

– Quer saber, você tem razão! Eu devo tá louca mesmo! Por que só estando muito louca pra querer beijar alguém ainda mais doida como você! – Falou com extrema raiva por Regina se fazer de boba. E raiva de si mesma por tê-la de fato beijado. – Mas pode ter certeza que isso jamais vai se repetir, Senhora Prefeita.

Seus olhares ainda grudados diziam coisas que suas mentes e palavras insistiam em negar.

– Espero mesmo que nunca volte a acontecer, Xerife Swan.

As duas não tinham firmeza alguma do que haviam acabado de falar.

Emma se afastou e saiu do escritório. Quando chegou próxima a porta de entrada da casa, sentiu vontade de voltar e dizer mais meia dúzias de palavras a Regina. Mas não o fez. Era melhor enterrar aquela história sem pé nem cabeça de uma vez por todas. Afinal ela estava errada de tê-la beijado praticamente a força.

Mas Regina estava ainda mais errada por ter fingido que não havia correspondido.

Bateu a porta da mansão com força e foi até o fusca pisando forte, bufando de raiva. Ao entrar bateu a porta do carro com uma força descomunal.

Deu vários murros no volante. Quase grunhindo de ódio. De Regina e de si mesma. Depois de ter descontado o suficiente no volante de seu velho fusca, respirou fundo várias vezes. Olhou em direção a casa. “Por que eu fiz aquilo?”. Se perguntou. “O que deu em mim?”

Como poderia um dia tão perfeito ao lado de Henry terminar dessa forma? Balançou a cabeça negativamente, suspirando alto. Deu a partida no carro e foi pra casa.

No caminho por pouco não bateu com o carro de tão distraída que estava.

Chegou em casa furiosa. Bateu a porta do apartamento com raiva. Fazendo um barulho alto ecoar pelo ambiente.

– Ai, que susto!! – Exclamou Mary Margaret que estava sentada vendo TV. – Ei, que isso, Emma? O Que foi? – Perguntou já se levantando ao observar a expressão irritada da amiga.

– Nada! – Se limitou a dizer enquanto tirava sua jaqueta e ia até a cozinha. Abriu a geladeira e pegou uma cerveja. E a geladeira também foi castigada por sua raiva na hora de fechar a porta.

– E nada pra você quer dizer muita coisa – Mary falou calma – Me conta o que houve.

– Ahh, a Regina. Como sempre – Deu mais uma golada na garrafa e sentou-se no banco – Quando eu fui levar o Henry, ela disse que queria conversar comigo. Então veio com aquele papo de que ele não é meu filho. Que não vai deixar eu tirar ele dela. Que nada mudou. Que eu não quis ele. Ahh, as mesmas coisas de sempre. – Ela falava rápido, exasperada, quase sem respirar.

– Emma, calma. Me conta direito. O que aconteceu então.

– Nós discutimos. Você sabe que não levo desaforo pra casa, Mary Margaret. Ainda mais dela. Quantas vezes eu vou ter que falar e mostrar que não quero roubar ele dela? – Sentiu o coração apertar com essa última frase, por que afinal estava mesmo tentando aproximar ele de Regina – Aí ela gritou, eu gritei! E depois eu... – Parou de falar bruscamente, engolindo em seco.

– Depois o que? – Mary perguntou confusa, vendo que a amiga não concluía.

Emma sentiu o coração disparar e as mãos suarem. Contar ou não contar? Como faria isso? Melhor deixar pra lá. Já não bastava ter sido humilhada por Regina, ainda iria correr o risco de sua amiga julgá-la? Melhor não.

– Depois eu saí de lá furiosa e vim pra casa.

– Fica calma, Emma. A Regina é uma mulher fria. Ela sempre quer ter a vantagem em tudo. Bem que eu estava achando estranho mesmo essa história de deixar o Henry ficar com você. – Passava a mão no ombro de Emma, tentando consolá-la.

– Pois é. Mas não quero mais falar disso. Vou tomar um banho e dormir. – Disse levantando e caminhando em direção à escada.

– Não vai jantar? – O tom de Mary era preocupado.

Emma sempre sentia um certo conforto no peito pela forma como Mary Margaret cuidava dela.

– Não. Depois disso perdi a fome. Boa noite – Falou subindo as escadas.

– Boa noite.

Chegou no quarto, sentou na cama e deu um grande gole em sua cerveja. E a primeira coisa que veio em sua mente foi aquele beijo.

Aliás, ele sequer tinha saído de sua cabeça.

A lembrança dos lábios de Regina colados aos seus fez seu coração palpitar. Seu corpo arrepiou e seu estômago ficou gelado. Fechou os olhos, como se quisesse viver aquele momento mais uma vez.

Abriu os olhos logo em seguida. “Deus, que loucura! De onde eu tirei coragem pra fazer aquilo?”. Suspirou pesarosa. “Ela tem razão. Eu tô louca. O que ela deve tá pensando de mim?”

Não era bem arrependimento o que ela sentia. Era mais um sentimento de que havia feito algo proibido. Algo que jamais deveria deixar ninguém saber que tinha vontade de fazer.

“Ahh, dane-se o que ela vai pensar de mim”. Ainda estava irritada. “E afinal tenho certeza que ela me beijou também. Eu não to imaginando coisas!”

“Ela me beijou também?” Pensou confusa. “Isso quer dizer que...”

“Não! Não quer dizer nada, sua maluca”. Repreendeu-se rapidamente. “Ela me deu um tapa depois. Deve ter sentido nojo mesmo.”

Abandonou a pequena garrafa de cerveja na cabeceira da cama e levantou, já retirando sua blusa para entrar no banho.

Entrou no banheiro apenas de calcinha. Aproximou-se do espelho. Observou o lado esquerdo de seu rosto. A pele branca ainda estava levemente avermelhada. Por sorte Mary Margaret não havia percebido. Se não como iria explicar o tapa?

Levou a mão ao local. Sentiu o corpo queimar em raiva. Na hora quis revidar em Regina, mas além de estar totalmente perdida pelo que tinha acabado de acontecer, também sabia que estava errada, afinal realmente tinha praticamente agarrado ela a força.

Suspirou pesarosa mais uma vez, como que colocasse para fora todo o ar de seus pulmões. Quando foi que sua vida se tornou tão mais complicada do que já era?

Retirou sua calcinha, ficando completamente nua, e entrou embaixo da água quente. Querendo que aquela água pudesse levar para longe tudo que lhe afligia naquele momento.

Mas ao contrário do que desejava, aquela lembrança continuava viva em sua mente. E em seu corpo.

Queria se arrepender do que tinha feito. Mas não conseguia... Por que tinha gostado.

A boca de Regina era tão linda e desejável. Tinha lábios tão macios. E aquele cheiro delicioso. Emma pode sentir o cheiro dela bem de perto. Um cheiro maravilhoso, intoxicante.

Inconscientemente levou a ponta de seus dedos aos lábios, tocando de leve. Sentindo em sua mente o momento em que tocou a boca de Regina com a sua.

Agora estava ainda mais confusa. Seria difícil esquecer aquele beijo. Mas iria conseguir. E iria tirar Regina da sua cabeça. De qualquer jeito. Prometeu para si mesma.

*****

Regina só queria que Emma não fosse embora. Já estava se tornando muito difícil lutar contra aquela vontade de estar perto dela.

Seguida por esse impulso chamou Emma para o escritório para conversarem. E lá mencionou a primeira coisa que lhe veio na cabeça para confirmar a história de que queria conversar com ela.

Mas aquilo acabou as levando a mais uma discussão. Regina estava sim tentando mudar por Henry. Para vê-lo bem, vê-lo feliz. Mas ainda era muito difícil vê-lo feliz com Emma.

O que disse foi o que lhe veio na mente na hora. Mas realmente estava enciumada. E ficou assim durante o dia inteiro que Henry passou com Emma.

Passou todo o dia andando de um lado para o outro. Olhando no relógio. E a hora parecia não passar. Quando eles finalmente chegaram foi o seu alivio. Tinha seu filho de volta. Onde era o lugar dele.

Mas a presença de Emma, além de ciúmes, estava provocando nela toda aquela mistura de emoções confusas.

Quis que ela ficasse, mas por causa de seu ciúme desmedido, acabaram brigando.

– Você não sabe de nada, Senhora Prefeita – Emma a chamou com deboche – Não sabe o que passei. Você jamais iria entender mesmo, por que nunca vivenciou nada daquilo.

Estavam próximas, Emma parecia enfurecida pelas coisas que Regina falava.

Regina não conseguia controlar, era mais forte que ela. E isso levou aquela discussão.

Estava impulsiva. Se aproximando de Emma cada vez que levantava a voz pra falar. Estava sendo movida pelo ciúme, pela raiva que simplesmente aflorava quando estava perto daquela mulher. Mas seria raiva dela ou raiva das sensações que ela lhe causava?

Por causa da proximidade, o cheiro de Emma atingia com facilidade o seu olfato. E aquele cheiro desnorteava Regina.

A voz firme da loira alcançava seus ouvidos e mexia com seu coração. Uma voz doce, suave e ao mesmo tempo tão cheia de firmeza, de força.

Os instintos mais escondidos de Regina se afloravam. O coração, já acelerado, dava sinais de que iria disparar a qualquer momento.

– Quer saber, Emma? – Falou exasperada — Não me importa o que você passou. Ele é meu filho agora. Não pense que pode chegar assim de repente e mudar tudo. Desestruturando tudo, mudando minha vida – Suas palavras eram desconexas, aquela proximidade a afetava. Um sentimento de ódio que aflorava de repente, misturado a um desejo insano de se jogar nos braços dela. Respirou fundo – Ele é meu filho. Só meu, Emma. – Diferente do momento anterior, sua voz saiu mais baixa.

Estava completamente confusa com aquilo que sentia perto de Emma Swan.

A odiava. A desejava.

Imersa naquela mistura de emoções nem percebeu quando Emma se aproximou mais e fez algo que Regina jamais poderia esperar. E muito menos naquela situação onde o ódio pairava no ar.

Emma enlaçou sua cintura com força e a puxou para si rapidamente.

Regina sentiu o corpo estremecer pelo susto. E pelo impacto quando seu corpo se chocou ao de Emma.

O que ela estava fazendo?

Regina não conseguia entender. Estava assustada com aquela atitude. O que Emma iria fazer? Bater nela?

Segurou os braços dela com intuito de afastá-la. Mas foi então que sentiu aqueles lábios rosados se chocarem aos seus com força.

Arregalou os olhos por um instante, sem entender absolutamente nada. Mas para logo fechá-los inconscientemente ao sentir aquela sensação... tão boa.

O coração disparou feito louco. As pernas ficaram bambas. Sentiu nevar em sua barriga. E uma fogueira acender em seu peito.

Emma a estava beijando. Jamais imaginou aquilo acontecendo de verdade.

O corpo de Emma em atrito com o seu, os braços dela a segurando forte, a boca pressionando a sua. Ela tinha lábios tão quentes.

Pensou em afastá-la com o pouco de juízo que ainda tinha. Mas foi quando sentiu aqueles lábios se moverem lentamente sobre os seus, tentando abrir caminho para um beijo mais degustado.

Perdeu a noção de tudo a sua volta. Não pôde raciocinar mais nada. Apenas se entregar aquele momento de êxtase.

Emma tinha lábios tão macios. Sentia seu corpo ser segurado com firmeza pela mulher a sua frente. Aquilo mexeu demais com ela. Seu peito parecia sair do lugar de tão forte que seu coração batia.

Então aquele pouco de juízo que lhe restava se dissipou totalmente. Pois se permitiu, mesmo que inconscientemente, beijar Emma de volta. Timidamente, lentamente, suavemente.

Seus lábios se tocavam num beijo lento, mas que ainda possuía resquícios da irritação das duas.

Visto que Emma continuava a segurar Regina com força, com raiva. E Regina seguia com suas mãos apoiadas nos braços dela, como que quisesse impedir aquilo. Mas não conseguia.

E o beijo apesar de lento, era dado com força, quase agressivo. Havia raiva nele.

Moveu seus lábios lentamente pelos lábios finos da loira. Aqueles lábios rosados que, inconscientemente, quis beijar antes. Era gostoso ter a boca de Emma colada a sua, e os braços dela segurando seu corpo. Era gostoso ter o corpo colado ao dela mais uma vez. Sentir o calor do corpo dela. Sentiu uma emoção muito forte lhe consumir o peito.

Seu coração batia totalmente desesperado. Sentia suas entranhas queimarem. Seu corpo parecia pegar fogo. E aquilo era bom demais.

Vivenciava uma emoção que fora tão apagada pelo tempo, que até já havia esquecido como era bom sentir aquilo.

Sentiu como se uma energia se expandisse dentro de si. Algo que parecia querer se libertar e atingir todo o espaço que estivesse vazio, dentro e fora dela.

Mas o beijo não durou mais que alguns poucos segundos. Foi mais um roçar de lábios. Tudo muito rápido. Com toda aquela sensação explodindo dentro dela, tomou conta do que estava de fato acontecendo.

Emma a havia beijado. Que petulante! Como se atreveu?

Empurrou Emma com toda sua força e lançou sua mão no rosto dela com violência, fazendo um estalo ecoar pelo ambiente devido ao tapa.

Quando suas bocas se desgrudaram, se sentiu ofegante. Sua respiração estava pesada e seu coração muito acelerado.

– O que pensa que está fazendo? – As palavras estavam difíceis de sair. Estava com raiva de Emma e com raiva de si mesma por ter se deixado levar por aquela loucura, mesmo que por alguns milésimos de segundos.

Emma não disse nada. Regina a olhou e ela estava com a mão no rosto, onde havia pegado o tapa. Regina se sentiu ainda mais enfurecida porque ela não falava nada.

– Como se atreve a me beijar assim?! – Dessa vez sua voz mais alta.

– E-Eu...

– Aliás, o que te fez pensar que eu queria te beijar?! – Interrompeu o que Emma ia falar — Você ficou louca, Swan?! – Regina estava trêmula. Sua boca ainda formigava e queimava pelo beijo inesperado de segundos atrás.

– Eu é que pergunto como você me bate assim?! Perdeu a noção das coisas?! – Quando Emma finalmente falou, sua voz estava irritada — E até onde eu percebi você também me beijou!

Regina sentiu seu corpo gelar. Era verdade, havia beijado. Mas foi tão rápido. Foi por impulso. Foi por que Emma a segurou contra a vontade. Não teve como se soltar.

Ou foi por que quis beijar? Regina sabia que queria o beijo, mas insistiu pra si mesma que não queria. Que foi mesmo à força.

– Eu beijei você? – Perguntou com deboche. Dando uma risada nervosa – Você me agarrou à força. Eu não pude fazer nada. – Bom, quem sabe tentando convencer Emma, conseguia convencer a si mesma?

Emma ficou quieta. Parecia não saber o que falar.

– Sai daqui, Srta. Swan. Você é mesmo uma louca. Só pode ser! Pra me beijar assim. Isso não tem cabimento. – Estava transtornada. Foi uma loucura aquele beijo. Mas nem sabia mais o que pensar. Não tinha certeza do que dizia.

– Você tá de sacanagem, Regina?! – Emma falou exasperada – Olha, eu não sei que loucura foi essa – Falou sacudindo a cabeça – Mas você correspondeu. Me beijou de volta. Sabe disso! – Gritou a última frase.

– Já disse pra sair daqui, Swan!! Não quero mais ouvir esses absurdos. Eu não te beijei! Só se eu estivesse tão louca quanto você pra fazer uma maluquice dessas. – Precisava encerrar logo aquela história — Isso foi... nojento.

Não! Não tinha sido nojento. Mas precisava fingir que tinha sido. Não entendia por que Emma a tinha beijado, mas tinha que fazer ela acreditar que não tinha gostado nem um pouco.

Emma a olhou de um jeito estranho. Parecia... desapontada.

– Quer saber, você tem razão! Eu devo tá louca mesmo! Por que só estando muito louca pra querer beijar alguém ainda mais doida como você! Mas pode ter certeza que isso jamais vai se repetir, Senhora Prefeita.

Uma leve pontada no peito de Regina.

– Espero mesmo que nunca volte a acontecer, Xerife Swan. – Falou olhando diretamente nos olhos dela, segurando sua pose. Mas no fundo não tinha certeza alguma do que falou.

Será que não queria mesmo que acontecesse de novo?

Emma saiu enfurecida, sem olhar pra trás. Regina escutou quando a porta da frente bateu forte. E logo em seguida ouviu o som do fusca se afastando.

Escorou seu corpo na mesa. Suas pernas estavam bambas. Levou a mão ao peito e respirou fundo. Pode constatar a velocidade em que seu coração batia.

Precisava sentar, antes que caísse por lhe faltar força no corpo. Desabou no sofá, deixando seu corpo afundar.

“Por que ela me beijou?” Se perguntava.

Precisava de um copo de bebida para ver se acalmava. Levantou, pegou um copo, encheu e sentou de novo. Deu um grande gole.

“Meu Deus, ela me beijou!” Pensava perplexa. “Mas por quê?” “O que ela tinha na cabeça?”

“Nossa! Nunca imaginei que ela se interessasse por mulheres” Riu inconscientemente desse pensamento, dando um gole na bebida.

“E como ela se atreve a me beijar daquele jeito? Sem saber se eu queria!” Pensava meio exasperada. “Segurar meu corpo daquele jeito, me pegando assim pela cintura e me beijando com agressividade”

Imediatamente um frio correu por sua espinha. Lembrou de como aconteceu. E sabia que tinha gostado. Emma era petulante, atrevida. Isso irritava Regina. E mais uma vez havia agido assim.

Mas aquele jeito audacioso da loira irritava e ao mesmo atraía Regina.

Deu mais um gole na sidra.

“Mas se ela me beijou... é por que...” Tentava analisar os fatos. “Aquela sensação estranha que eu sentia... Ela também sente?” Se perguntava em relação ao fato de possivelmente estar atraída por Emma.

Seu coração bateu mais rápido. Sentiu um friozinho na barriga.

Já não podia mais ter dúvidas, estava sim atraída por ela. Do contrário, por que teria beijado também? Queria se convencer de que tinha sido a força, mas sabia que tinha beijado por que sentiu vontade...

– Mãe? – Estava tão distraída que não tinha ouvido Henry se aproximar.

Ela olhou pra ele, meio desnorteada.

– A Emma já foi? – Perguntou se aproximando e sentando do lado dela no sofá.

– Já – Foi só o que conseguiu dizer.

– Hum – Ele pronunciou – Mãe, hoje foi muito legal – Ele falou com tanto entusiasmo que ela olhou pra ele. – A Emma joga no fliperama quase tão bem quanto eu. E o fusca dela é irado!

– O que tem de tão legal num fusca velho, Henry? – Perguntou desinteressada. Para em seguida matar o último gole de sidra de maçã que havia no copo.

– Ah, não sei. A gente ficou andando e ouvindo música. Foi muito maneiro. – Ele estava realmente feliz.

Aquilo estava fazendo o ciúme de Regina reacender. Mas ao mesmo tempo era tão gratificante ver aquele sorriso enorme estampado no rosto dele. E ainda mais quando ele disse:

– Obrigado, mãe! – Ela olhou pra ele – Por ter deixado eu sair com a Emma. Eu gostei muito mesmo. – Ela sorriu pra ele e ele a abraçou. – Que bom que vocês não tão mais brigando.

Seu coração se encheu de felicidade com aquele abraço, com aquelas palavras. Realmente estava fazendo a coisa certa. Apesar de ser muito difícil, o melhor para ele era deixar ele conviver com a Emma. Desde de que tinha finalmente cedido, tudo estava mudando para melhor entre ela e Henry.

Mas e agora? Como ficaria tudo depois daquele beijo? Como iria encarar Emma de novo?

Estava com raiva dela por ter sido tão descarada. Mas ao mesmo tempo ainda sentia em seus lábios e corpo a sensação daquele beijo rápido.

Como iria ser daqui frente? Talvez seria difícil, mas aquilo não tinha cabimento. Ela não era lésbica. Se Emma gostava de mulher, problema dela. Aquilo seria esquecido e ponto final.

Aquelas sensações, aquele beijo, tudo não passou de carência. Só isso.

– Que bom, querido – Falou acariciando as costas dele, ainda abraçados. – É tão bom te ver feliz, Henry – Saiu do abraço. Ele tinha aquele sorriso lindo no rosto. Lembrava tanto o de Emma.

– Agora vamos jantar pra depois você dormir. – Falou rindo. Se levantando e puxando ele pela mão.

Mais tarde, já deitada em sua cama, Regina se revirava. A mente agitada. O coração não parava de bater rápido. E aquele frio continuava a insistir em sua barriga cada vez que o beijo vinha em sua mente.

Aquilo foi a coisa mais inusitada que aconteceu na sua vida. Já tinha passado por tantas coisas, mas isso, jamais. Ser beijada por uma mulher. E sentir todas aquelas coisas.

Seu coração parecia queimar enquanto pensava em Emma.

Quando foi que isso aconteceu? Quando foi a primeira vez que sentiu aquela espécie de atração carnal por ela? Não saberia responder.

Mas Emma Swan estava mexendo com ela e isso não poderia mais negar.

Sem que pudesse controlar, levou a ponta de seus dedos nos lábios. Fechou os olhos, suspirando.

Pelo visto não seria tão simples colocar um ponto final naquilo.

Notas finais
Gente, esse capítulo ia ter mais coisas, mas estava ficando muito extenso. Então eu dividi pra poder postar logo. E aí, o que acharam? Essa é minha primeira fic. Portanto eu nunca escrevi nenhuma cena de beijo. Preciso mesmo que me digam como ficou. COMENTEM! Beijosss!