Notas iniciais
Gente, maior capítulo até agora. Mais de 10.000 palavras. Enorme de grande. Mas eu adorei escrever esse capítulo. Espero que gostem de ler tanto quanto eu gostei de escrever. Tem muito SwanQueen nele :D Agradeço a todos os que comentaram no capítulo anterior, aos que acompanham, obrigada pela força que vcs me dão. E aos que favoritaram. Valeu mesmo, pessoal. Sobre o capítulo de hoje: Um passeio, uma conversa íntima, e Regina tomando uma atitude inusitada rsrs. Boa leitura!!

Regina acordou muito cedo no domingo. Na verdade praticamente não tinha dormido. Passou toda noite pensando em quem estava tentando esquecer. A loira não saiu da sua cabeça um minuto.

E agora pela manhã estava sendo igual. Tentava se concentrar no jornal e em seu café, mas não conseguia. Logo estava lá, olhando pro nada, com a mente pairando sobre aquele beijo.

Regina estava assustada, com medo do que estava sentindo. Já fazia muito tempo que não sentia aquelas coisas, mas quando beijou Emma, se lembrou de como era beijar alguém que gostava. Era o que sentia com Daniel. E foi o que sentiu com Emma.

“Não! Eu não posso! Não quero sentir isso. Não por ela. Por que tinha que ser uma mulher? E mesmo que fosse um homem, ainda seria filho da maldita Branca de Neve! Ainda seria a pessoa que pode quebrar a minha maldição. Portanto, meu inimigo. Eu tenho que odiar Emma Swan. Não posso gostar dela”. Pensava sentindo uma pontada em seu coração.

Para Emma não foi diferente. Além de tudo ainda tinha aquele sonho. Que martelava em sua cabeça. A lembrança de como Regina a beijava no sonho fazia ela sentir um calor no coração. E ao mesmo tempo um frio na barriga.

Fechava os olhos e conseguia ver como Regina estava linda, com poucas roupas, o corpo perfeito, a voz sensual.

A emoção lhe invadia de tal maneira que quase lhe sucumbia em meio aquelas lembranças. Não conseguia de maneira nenhuma parar de pensar no beijo que trocou com a Prefeita na manhã do dia anterior. E nem no sonho.

As palavras de Regina naquela conversa depois do passeio com Henry pairavam em sua cabeça, e por mais que quisesse se convencer que aquilo era mesmo sem cabimento, as palavras dela em sua mente lhe causavam um desconforto, um aperto no peito.

Tentou se distrair conversando com Mary Margaret, mas não adiantou, os pensamentos em Regina, no beijo, no sonho, em tudo que estava sentindo, eram muito mais fortes.

*****

Na segunda-feira, Henry sabia que ia sair mais cedo da escola. E o seu plano desde que ouvira sua mãe dizer que queria que ele se divertisse muito com ela também era sair da escola e ir direto para o gabinete de Regina. Aquilo também fazia parte da Operação Cobra. Emma e ele tinham combinado de fazer Regina mudar. Ele precisava tentar de tudo, precisava descobrir como quebrar aquela maldição.

Ao descer do ônibus escolar, foi caminhando – quase correndo, na verdade – para o gabinete da Prefeita.

Regina estava em meio a um monte de documentos. Mas sua mente não processava nada do que estava ali. Se negava a sentir o que estava sentindo, mas a verdade era que Emma Swan já fazia parte de todos os seus pensamentos.

De repente a porta do gabinete se abre tão repentinamente que ela se assustou.

– Henry?! – Seu tom surpresa ao vê-lo.

– Oi, mãe. – Ele tinha um sorriso tímido. Mas ela estava tão surpresa que nem percebeu.

– Aconteceu alguma coisa? – Perguntou já se levantando e indo em direção a ele.

– Não.

– Então por que está aqui?

– Eu queria te pedir uma coisa. – Falou meio envergonhado, com medo do que ela ia dizer. — Nós podemos passar o dia com a Emma hoje?

– Henry! – Ela se irritou – Você já passou o dia inteiro com ela sábado – Falou dando meia volta e voltando para sua mesa. – Hoje de novo não! – Seu “não” foi mais do que áspero. Culminando com ela sentando-se na cadeira e voltando a olhar os papéis.

– Mãe... você não ouviu o que eu disse? – Se aproximou da mesa dela. – Eu não disse só eu. Eu disse nós. Eu e você.

Regina levantou o olhar confusa.

– Nós? Como assim? Você quer me levar junto? – Ela realmente não estava entendendo aquilo.

– Isso. – Ele sorriu fazendo aquela expressão doce com a boca que aquecia o coração dela.

Ela sorriu sentindo um calor dentro de si.

– Mas... por que?

– Por que você trabalha demais, e quero que se divirta. Naquele dia a gente saiu. Sábado eu saí com a Emma. Agora eu queria sair com vocês duas.

Ela o fitou por uns segundos.

– Henry, a Srta. Swan pediu pra você fazer isso? – Lembrou-se da outra vez que Emma pediu que o garoto saísse com ela.

– Não, mãe. Ela nem sabe de nada. Eu que tive a ideia.

Ela imediatamente pôde sentir os olhos marejarem. O coração aquecido. Uma felicidade tão grande que parecia flutuar ou caminhar nas nuvens. Seu filho queria estar com ela. Por vontade própria. Sem ninguém lhe impor nada. A emoção foi tanta que não importava o fato de que ele queria que a Emma fosse também. O que importava era que ele estava ali chamando ela pra sair.

– Querido – Ela levantou e caminhou até ele – Não sabe o quanto me deixa feliz – Acariciou o rosto dele, sorrindo cheia de amor.

– Então vamos – Ele disse, puxando-a pela mão.

– Espera, tenho que pegar minha bolsa. – Falou rindo alto.

No carro, Regina estava nervosa. Ficou tão feliz com a atitude de seu filho, que por um momento esqueceu que se tratava de Emma. Mas agora que estavam indo para a delegacia, a ficha tinha caído.

– Henry, devíamos ter ligado antes. Ela está trabalhando. – Procurava desculpas para manobrar sua Mercedes e voltar. Não porque não queria que Henry a visse de novo, mas sim porque não sabia como iria se comportar diante dela.

Emma estava provocando nela uma insegurança que ela não sentia há anos. E fora que tinham se beijado há apenas dois dias atrás. Suas mãos já estavam suadas ao volante.

– Mãe, você é a prefeita... Dá folga pra ela. – Seu tom era mais do que travesso.

Ela o olhou de relance, sentado no banco do carona. Balançou a cabeça sorrindo.

– Desse jeito ela vai ficar mal acostumada. – Os dois riram.

Logo estavam em frente à delegacia. Regina respirou fundo antes de entrar. Queria tanto aquele momento com Henry, que não pensou duas vezes antes de aceitar. Mas agora queria correr dali.

Já sentia um terremoto em seu estômago, a boca seca, mãos suadas, pernas bambas. Sintomas claro de nervosismo e ansiedade. Como é que ia encarar ela de novo? Depois daquele beijo e daquela conversa.

Estava tão assustada com aquelas sensações. Não queria estar sentindo nada disso. Não queria gostar de uma mulher, e muito menos de Emma, sua inimiga por natureza. Não que tivesse preconceito com o fato de uma mulher gostar de outra mulher, não era isso, só não entendia aquilo. Sempre gostou de homens. Como de repente havia se interessado por uma mulher? Era muito diferente. E Regina não gostava muito de mudanças. As coisas tinham que estar sempre sob seu controle.

Foi caminhando pelo corredor da delegacia reunindo todas as suas forças parar assumir sua postura rígida. Não iria deixar aquilo tomar conta dela. E iria deixar bem claro, que estava ali apenas por Henry. Que ela não queria vê-la, muito menos estar com ela.

Chegaram ao destino, Emma estava sentada na mesa que fica ao lado da cela. Sobre a mesa uma pilha de papéis. E ela parecia cansada.

– Emma! – Henry foi logo chamando e se aproximando. Com Regina o seguindo, mas com o andar lento.

A loira levantou a cabeça assustada. E mais ainda quando viu Henry... e Regina.

– Henry? – Alternou o olhar para ela. – Regina? – Seu olhar surpreso.

Regina tentava a todo custo manter sua postura rígida e seu olhar frio. Já bastava daquela loucura. Iria tratar Emma o mais seca possível.

Imediatamente Emma percebeu seu coração passar de um ritmo normal para um descompassado. Estava preocupada por ver os dois ali, será que tinha acontecido algo? Mas principalmente ficou nervosa pela presença de Regina. Não demorou nem um segundo para a lembrança daquele beijo e a imagem daquele sonho surgirem sua mente.

– O que...? Aconteceu alguma coisa? – Ela perguntou nervosa.

– Não – O menino respondeu – A gente veio ver você. – Alternou o olhar entre ela e Regina.

– Me ver? – Ela sorriu confusa.

E aquele sorriso. Ah, aquele sorriso. Foi o suficiente para desarmar Regina por dentro. Uma onda de calor subiu pelo corpo dela. Como Emma conseguia ser tão linda? O coração, que já batia rápido, tomou um ritmo descontrolado. O chão pareceu sumir sob seus pés, e todo o universo parecia existir somente ali, no sorriso de Emma Swan.

– Como assim me ver? – A loira continuou.

– Eu queria sair com vocês duas. Minhas duas mães. – Sorriu olhando para Regina. E Emma também a olhou.

Mas a morena pareceu nem perceber o que Henry tinha falado. Seu olhar estava vidrado na boca de Emma.

Percebendo o olhar da loira sobre ela e o silêncio que havia se formado, Regina puxou o ar com força e comprimiu seus lábios numa expressão séria.

– Henry, acho melhor deixar pra outro dia. Ela está muito ocupada. – Voltou seu olhar para a pilha de papéis em cima da mesa da loira.

– Não – O tom de Emma foi mais ansioso do que ela gostaria. – Quer dizer, realmente eu tenho muito trabalho aqui... mas se você permitir, eu vou. Afinal você é minha chefe, né? – Emma provocou, com um sorriso de canto.

– É, mãe, deixa. – Henry pediu.

– Bom, já estamos aqui, não é. – O tom de Regina foi impaciente e seco.

Por fora era a Regina de sempre. Rígida, altiva, superior. Mas por dentro era uma mistura louca de todas as emoções. Que vontade louca era essa de beijá-la toda vez que a via?

Emma não estava diferente. Quando viu os dois na sua frente assim que entraram levou um susto, mas principalmente por que Regina estava ali, e ela imediatamente ficou nervosa. Achou que não a veria durante um tempo depois da conversa que tiveram.

E agora ela estava ali. Linda como sempre, fazendo o coração de Emma perder o controle. Por que era tão difícil controlar aquilo?

Além de tudo estava irritada. Por que sentia coisas que não sabia explicar, muito menos controlar. E por que não entendia porque Regina tinha beijado ela pra depois dizer que tinha sido um erro. Mas afinal, tinha sido mesmo um erro, não é? A própria Emma dizia isso para si mesma.

Tentou respirar fundo. Mas ela estava nervosa com a presença da Prefeita ali. Sabia que tinha muita coisa pra organizar na delegacia. Mas a vontade de estar com Henry e com ela, falavam muito mais alto. Sim, queria estar com ela. Por mais que estivesse confusa e com um pouco de raiva, não conseguia deixar de sentir vontade de estar perto da linda morena de belos olhos castanhos.

– E pra onde vamos? – Perguntou levantando da cadeira e dando a volta na mesa. Havia felicidade misturada ao nervosismo na voz dela.

Regina levantou as sobrancelhas, demonstrando que isso era surpresa pra ela também.

– Henry, saímos tão rápido que você não falou pra onde quer ir.

– Humm, então, eu tava pensando que a gente podia fazer alguma coisa que você gosta. — Se referiu a Regina.

– E o que seria? – Perguntou um tanto debochada, lembrando que não fazia nada a não ser trabalhar.

Emma permanecia em pé olhando pra eles. Aquilo era tão inusitado. Ela, Henry e Regina. Os três juntos escolhendo o destino de um passeio. Quem olhasse até poderia dizer que eram uma família. Seu coração deu um salto ao pensar nisso. Seria a família que ela nunca teve.

– Eu lembro que uma vez, há muito tempo, você me disse que gostava de andar de cavalo. A gente podia ir no estábulo. E você podia me ensinar. Você uma vez prometeu que ia me ensinar.

A morena sentiu palpitações. Estábulo? Isso a fazia ter tantas lembranças. Sim, quando Henry era menor havia contado a ele que sabia cavalgar e que quando era jovem amava fazer isso. E prometeu ensinar pra ele. Mas nunca cumpriu a promessa.

– Não sei, Henry. – Seu nervosismo estava muito maior agora.

– Por favor, mãe. Vai ser legal. – Pediu manhoso. Ele era esperto, sabia como convencê-la.

Ela respirou fundo, tentando afastar aquelas lembranças. E Emma que estava quieta se manifestou.

– Uou!! Espera! Estábulo? Cavalos? – Emma perguntou se aproximando mais deles. Havia um pouco de medo ali.

Regina sorriu de canto.

– Está com medo, Srta. Swan? – Era a oportunidade perfeita pra provocá-la, e se sentir superior.

Emma fez uma expressão de desagrado que só divertiu ainda mais Regina.

– Não é medo. Mas eu realmente nunca andei a cavalo. Então...

– Não se preocupa, Emma. Minha mãe ensina pra gente. Né, mãe?

Regina mais uma vez percebeu o medo nos olhos da Xerife. E aquela insegurança de Emma, fazia Regina se divertir, e sua própria autoconfiança voltar.

– Está bem, Henry, vamos pro estábulo. – Regina sorriu seu melhor sorriso superior.

Ele sorriu feliz. E Emma só pode suspirar resignada. Se protestasse perderia a chance de passar mais um dia com seu filho.

Saíram os três juntos da sala e no corredor Emma disse:

– Duas folgas em menos de uma semana, Prefeita? Uma sábado e outra hoje. Desse jeito eu vou ficar mal acostumada. – O tom era de provocação.

Mas o que ela não sabia era que esse comentário tinha provocado um sorriso interno em Regina, pois Emma disse exatamente a mesma coisa que ela disse para Henry no carro.

Por dentro sorria, mas por fora tinha a obrigação de ser firme. Ou pelo menos achava que assim seria melhor.

– Não. Não se acostume, Xerife Swan, isso não vai acontecer sempre.

Emma não disse nada. Regina a irritava, mas ao mesmo a fazia sentir algo que era tão diferente e novo. Estava irritada, talvez até com raiva dela por ser tão indiferente, mas ainda assim o que estava sentindo agora era melhor do que quando estava longe.

Na frente da delegacia Emma já caminhava para seu tão querido fusca amarelo.

– Aonde vai? – Regina perguntou.

– Pro carro. – Respondeu naturalmente.

– Eu não vou andar... nisso! – Falou em tom de nojo.

Emma revirou os olhos.

– Então vamos na viatura – Não queria ser muito teimosa ou ela poderia desistir e levar Henry embora.

– Se vamos sair juntos vai ser no meu carro e eu dirijo. – A Prefeita falou autoritária. Aquele tom que tanto irritava, quanto cativava Emma.

– Regina... – Emma se irritou com o tom dela e quis retrucar, mas a morena interrompeu.

– Se não for assim não vamos a lugar nenhum.

Henry olhou pra Emma com um olhar que suplicava “por favor, deixa assim, por favor”. Emma entendeu.

– Tá bem, Senhora Prefeita. Vamos no seu.

Regina entrou primeiro, e Henry foi logo sentando no banco de trás. Restando para Emma o banco do carona, ao lado de Regina.

Dentro do carro Regina disse que precisava passar em casa para trocar de roupa. Não ia dar muito certo cavalgar de saia. Ainda mais com uma tão justa quanto a que estava usando.

Emma e Henry ficaram conversando no carro enquanto esperavam por Regina. Ela não demorou, e saiu da mansão usando uma calça jeans e botas pretas.

Quando ouviram a porta da mansão bater, os dois que estavam dentro da Mercedes olharam. Era Regina que já vinha.

Emma tentou disfarçar, mas não deu muito certo. E acabou acompanhando o trajeto que a morena fez até o carro. Ela estava linda com aquela calça. Emma não se lembrava de já ter visto Regina com uma calça jeans.

Fizeram todo o trajeto em silêncio, exceto por Henry que falava alguma coisa vez ou outra. Era estranho para elas. Sabiam que tinham se beijado duas vezes. E agora fingiam que nada tinha acontecido. As duas estavam sentindo o coração bater acelerado pela presença da outra.

Aquele cheiro leve de maça do perfume de Regina, atingia Emma sem piedade. E fazia seu coração acelerar, dar pulos, queimar dentro de seu peito. Estava difícil ficar tão perto de Regina e ao mesmo tempo ter que se manter tão longe.

Regina achava que a qualquer momento ia perder o controle do carro. Suas mãos suavam, as pernas bambeavam, o coração saltava, e a mente inundada pelo cheiro da Xerife.

Chegaram ao estábulo e foram recebidos pelo tratador dos cavalos. Assim que colocaram os pés no lugar, as lembranças atingiram Regina como uma flecha certeira. “Daniel” Pensou.Uma melancolia tomou conta dela.

Foram recebidos pelo tratador que os orientou em tudo. Henry era o mais animado, Emma estava com medo, embora não demonstrasse, e Regina envolta nas suas lembranças.

Foram até as baias para escolherem um cavalo. O homem indicou um cavalo para Henry, dizendo que era o mais manso. E escolheu um para Emma também. Regina quis escolher o seu.

Olhou cada baia. Andava por aquele estábulo com seu coração apertado. Tantas coisas haviam acontecido num lugar como esse.

Por fim viu um cavalo marrom, com uma mancha branca que ia da altura da cabeça até o focinho. Ele era lindo. E lembrava tanto seu querido Rocinante. Levou sua mão até a cabeça do cavalo e acariciou. Sorriu triste, com os olhos marejados, lembrando de seu companheiro tão fiel. O qual ela matou em vão, já que o coração dele não serviu para invocar a maldição.

Pediu para que o homem selasse aquele. O homem selou os três cavalos e deu orientações as duas mulheres e ao menino.

– Mãe, anda primeiro e mostra pra gente como é. Depois você ajuda ele a ensinar a gente. – Falou se referindo ao tratador.

Já do lado de fora da parte das baias, no campo aberto, Regina olhava para o cavalo. Tinha 28 anos que não sabia o que era cavalgar. Será que ainda conseguiria?

– Acho que não foi uma boa ideia. Tem muito tempo que não faço isso. – Disse com a voz receosa, se afastando do cavalo.

– Está com medo, Madame Prefeita? – Emma provocou com um sorriso debochado. Estava em pé ao lado de Henry, com os braços cruzados.

Regina a olhou com ódio, quase bufou. E aquilo foi divertido para a loira.

A Prefeita subiu no animal. Não ia dar aquele gostinho para a Xerife. Respirou fundo algumas vezes e então fez o movimento que indicava ao cavalo que andasse. Começou andando devagar, pegando confiança. Vivenciando a emoção de fazer algo que amava depois de tantos anos.

E então induziu o animal a correr. Sentiu o vento em seu rosto, bagunçando seus cabelos. O coração batendo forte. Sentiu-se imponente como quando era a Rainha Má. E ao mesmo tempo leve como quando era uma adolescente.

Sua mente voou até Daniel mais uma vez. Quantas e quantas vezes cavalgou assim para encontrá-lo. Ali sozinha em cima daquele cavalo, não resistiu. E uma lágrima desceu por sua face.

Ao longe ela conseguia ver Henry e Emma parados perto da entrada das baias. Havia uma leve brisa naquela tarde e mesmo de longe ela podia ver algumas mexas dos cabelos loiros balançarem.

As lembranças de Daniel se misturando a essa onda de sentimentos que surgiam por Emma.

Desviou o olhar e continuou a correr com o cavalo. Aquilo era bom. Fazia tempo que não tinha aquela sensação de liberdade.

– Então a ideia foi sua, garoto? – Emma perguntou para Henry ao seu lado. Os dois observavam Regina ao longe.

– É – ele sorriu.

– Sua mãe parece que tá gostando. – Um sorriso tímido despontou de seus lábios. Sentiu alegria por ver Regina bem.

– Parece mesmo. E isso faz parte da Operação Cobra. A gente combinou de fazer ela mudar.

Emma respirou fundo. Aquele assunto de novo.

– É verdade, Henry. E pelo menos em relação a você e a mim ta dando certo. Ela não proibiu mais a gente de se ver.

– Uhum. – Ele fez uma pausa – Eu amo a Regina. Mas quando eu lembro que ela é a Rainha Má, que destruiu a felicidade de todo mundo e que por causa dela você cresceu sem seus pais, eu sinto muita raiva dela.

– Garoto, não diz isso, ela é sua mãe! – Emma repreendeu olhando pra ele.

– VOCÊ é minha mãe!

– E ela também. E mais do que eu. Por que ela cuidou de você enquanto eu estava longe.

– Eu sei – Ele abaixou a cabeça.

– Para de pensar nessas coisas. – Ela colocou a mão no ombro dele. – Vamos tentar nos divertir hoje.

Regina voltou para perto deles e ajudou Henry a subir no cavalo. Seu coração aflito com medo dele cair. Mas o tratador o acompanhou o tempo inteiro. Segurando as rédeas do animal e andando lentamente.

Emma estava fazendo de tudo para não montar no cavalo. Depois de algum tempo observando o menino, Regina disse:

– Você não vai tentar?

– Eu passo.

– Para de ser medrosa, Srta. Swan. Eu te ajudo. – O “eu te ajudo” saiu sem querer. – Quer dizer, Henry quis vir aqui, ele não vai gostar de ver que você não ta se divertindo.

– Eu não sou medrosa. Mas, Regina, olha o tamanho desse bicho. – Ela apontou para o cavalo branco a sua frente como se Regina não fosse capaz de enxergar o tamanho dele.

A morena revirou os olhos irritada.

– Anda, vem. Não é tão difícil assim.

Se aproximaram do animal. Emma soltou todo o ar que estava nos pulmões.

– Como eu vou subir nisso?

Regina revirou os olhos mais uma vez.

– É só colocar o pé aqui. – Apontou para o apoio. A morena não tinha um pingo de paciência para essas coisas. Mas estranhamente queria ajudar Emma.

– Ok.

Ela tentou, mas não conseguiu. Tentou de novo, e quase caiu. Regina balançou a cabeça, rindo dela.

– Por que em vez de rir de mim, você não experimenta me ajudar?

A morena descruzou os braços e foi até ela. Ofereceu a mão para Emma se apoiar. Tudo estava sendo tão natural. Mas no exato momento em que suas mãos se tocaram, uma onda de calor as invadiu. Emma sentiu todos os seus pelos se arrepiarem. Um simples toque foi capaz de provocar tantas emoções. Mas fingiu que nada aconteceu. E Regina fez o mesmo.

Finalmente conseguiu subir no animal. Nesse momento o cavalo deu dois passos para trás, balançando levemente a cabeça. O que fez Emma levar um susto e se abaixar, se agarrando com força no pescoço do animal.

Regina riu daquilo. Era a segunda vez que ria espontaneamente no mesmo dia perto de Emma. Era uma estranha sensação de paz, de repente tudo estava parecendo mais leve.

– Calma, Emma. – Pronunciou naturalmente o nome dela sem nem mesmo perceber. – Você não ouviu o tratador dizer que esse é um dos cavalos mais mansos? Ele não vai te derrubar.

Se aproximou fazendo carinho na cabeça do cavalo. Regina não percebeu, mas Emma tinha um leve sorriso. Isso porque sempre sentia uma sensação gostosa quando ela a chamava pelo primeiro nome. Emma realmente queria e estava se esforçando para pensar em tudo aquilo que aconteceu entre elas duas como uma grande loucura, uma coisa de momento. Mas aquilo que estava sentindo perto de Regina era tão bom. Algo viciante, que não queremos deixar de sentir.

Também montando em seu cavalo, Regina se aproximou dela. Deu um tapinha de leve no lombo do cavalo branco de Emma e ele começou a andar. Fez seu cavalo andar também e acompanhou a loira.

Não sabia porque estava fazendo aquilo. Poderia simplesmente esperar o tratador voltar com Henry e ajudar Emma. Mas ela queria fazer aquilo, estar perto dela. Ter certeza que nada iria acontecer.

Os dois cavalos mantinham um ritmo lento. Emma segurando as rédeas com força, morrendo de medo. Quando tinham que fazer alguma volta, Regina dizia o que ela tinha que fazer.

O silêncio reinava. Emma no fundo queria saber como Regina estava conseguindo fingir que não tinha acontecido nada. Mas ela mesma também estava fazendo isso.

Em alguns momentos Emma quis tocar no assunto. Mas já tinham conversado sobre isso, já estava tudo esclarecido, foi uma coisa de momento, algo sem cabimento e ponto. Teria que se conformar. Teria que parar de pensar em Regina daquele jeito e voltar a enxergá-la apenas como a Prefeita e mão adotiva de Henry.

Depois de alguns minutos em silêncio, Regina falou:

– Viu? Você não morreu.

– É, até que é legal. – Respondeu no mesmo tom debochado da outra.

– Você nunca iria admitir que está adorando, Swan.

Emma sorriu. Ela tinha razão, nunca daria o braço a torcer.

– Seria mais legal correr, como você fez. – Falou meio impaciente, já que já estava em cima daquele bicho, então queria sentir a adrenalina.

– É, seria, mas você ainda não está preparada pra isso.

– Então podíamos vir outra vez, e você podia me ensinar. – Simplesmente saiu. Não conseguia mais se controlar quando estava perto dela.

Regina olhou pra ela um tanto surpresa. A possibilidade de passar outro momento como aquele perto dela a assustava, e ao mesmo tempo enchia seu coração de uma paz que não tinha explicação.

– Quem sabe. – Foi só o que conseguiu responder, voltando a olhar pra frente.

A tarde fluiu assim. Henry adorando o seu cavalo, fazendo de tudo para Regina deixar ele correr, mas nem ela nem Emma permitiram. Mas com muita insistência, ele conseguiu convencer Regina a correr com ele no mesmo cavalo. Foi um momento muito especial para os dois. A felicidade estampada no rosto dela vendo o quanto seu filho estava alegre.

As duas mulheres andaram mais algumas vezes lado a lado. Em silêncio, apenas sentindo o coração bater forte. Regina estranhamente não queria desgrudar de Emma. E a loira, mesmo querendo se negar aquilo, estava adorando.

Já se aproximava das cinco da tarde e eles se preparavam para ir embora. Henry estava dando uma última volta com o tratador, enquanto Emma e Regina estavam na área coberta, onde ficavam as baias.

– Obrigada por ter me ajudado hoje. Se não fosse você, eu nunca ia ter subido nele. – Emma disse enquanto fechava o portão da baia do cavalo que usou.

– O tratador estava ocupado com o Henry. Não podia deixar você tentar sozinha. Se algo acontecesse ele ficaria muito triste. – Respondeu séria sem olhar pra ela. Estava escovando o pêlo do cavalo.

O que disse não foi totalmente mentira, mas não foi o único motivo pelo qual ajudou Emma. Simplesmente não conseguia mais resistir a vontade de ficar perto dela.

– Uhum, claro. – Emma pronunciou.

Ficaram em silêncio. Emma observando o que ela fazia. Os movimentos dela eram tão delicados. Podia até dizer que o cavalo estava mais feliz.

Estar perto de Regina lhe trazia uma confusão imensa. Mas também trazia uma alegria. Era bom estar ali, só olhando pra ela.

Mas queria abraçá-la, sentir o cheiro dela, dizer o quanto ela estava linda. “Se controla, Emma. Nós já conversamos e tudo não passou de uma loucura de momento. Não vai acontecer mais. Eu não quero que aconteça mais”. Pensava frustrada, tentando se enganar.

– Você gosta mesmo disso, né? Quero dizer, essa coisa com cavalos. – Dizia com os braços cruzados, escorada na porta da baia de seu cavalo, que ficava de frente para onde Regina estava.

– Gosto. – Respondeu sincera. – Eles são animais muito leais.

Regina estava nervosa com Emma ali tão perto. Aquela paz que sentiu durante toda a tarde parecia se esvair agora que estavam ali sozinhas. A presença dela lhe causava arrepios, seu estômago revirava. Aquele beijo não saia da sua cabeça. Já estava ficando com raiva. Não queria sentir aquilo.

Emma por sua vez tentava se manter firme, porque se perdesse o controle iria agarrar Regina ali. Aquela calça jeans realçava ainda mais as formas da mulher morena, que estava de costas, ainda escovando o animal. E o olhar da loira não parava de cair sobre a bunda dela. Emma queria se controlar, mas como?

O sonho da outra noite preenchendo com força sua mente. Sentiu sua boca encher de saliva com a visão perfeita do corpo de Regina a sua frente e as lembranças do sonho.

Já não havia mais como negar de maneira alguma que estava completamente atraída por Regina. Queria senti-la, beijar sua boca, tocar seu corpo. Mesmo que fosse uma mulher, ela queria aquilo. O fato de ser uma mulher parecia já nem importar mais, tamanho era o desejo que sentia.

– Quer ajuda? – Emma perguntou. Ofereceu ajuda sincera, mas estava tentando também se distrair, parar de pensar naquelas coisas.

– Não precisa, Swan. – Retrucou ríspida. Estava incomodada com todas aquelas sensações.

– Nossa, Regina! Precisa ser tão grossa? Eu tava querendo ajudar. – Falou irritada com o tom da outra. Impressionante como Regina tinha o poder de irritá-la.

Regina realmente não teve a intenção. Mas aquelas emoções invadindo todo seu ser sem piedade estavam deixando ela assim, sem conseguir se controlar.

– Desculpa... eu não quis falar assim. – Parou de escovar o cavalo e falou olhando por cima do ombro, mas sem encarar a outra de fato. – Eu só... estou cansada.

Isso era o que mais incomodava Emma. Regina era sempre assim, de um momento para o outro mudava seu humor, seu tom. Uma hora estava sendo simpática e na outra dando patadas.

Foi exatamente assim quando se beijaram. Regina que tomou a iniciativa, deu um beijo nela. E foi um senhor beijo. E depois, naquela conversa, agiu com arrogância, como se não fosse nada demais.

Emma achava que nunca iria conseguir entender a cabeça dela. Mas aquele pensamento a incomodava demais, precisava saber por que Regina agiu assim. Por que a beijou se pensava que era um absurdo. E no primeiro beijo, correspondeu o beijo pra depois encher a mão na cara dela. Nada disso fazia sentido. Emma queria apenas entender. Estava sufocada com aquilo tudo.

– Regina...? – Chamou sem pensar.

– O que?! Eu já pedi desculpa. E nem tinha necessidade disso. – A morena virou um tanto impaciente.

– Não é isso, é que... – Fez uma pausa, respirou fundo olhando pra baixo. – Eu sei que já conversamos sobre isso... mas é que eu não entendo... – voltou a olhar pra ela.

– Não entende o que? – Regina perguntou num tom preocupado, já imaginando o que vinha a seguir.

– Por que você me beijou? – Perguntou séria. Com os braços cruzados.

Regina estremeceu. Não imaginava que ela ia ser tão direta.

– Eu não sei! – Virou-se novamente e voltou a escovar o cavalo com movimentos quase bruscos dessa vez. Tentando esconder seu nervosismo — Por que você me beijou? – Perguntou de costas, olhando para o cavalo.

– Vai fugir da minha pergunta fazendo outra?

– Não estou fugindo, Srta. Swan – Seu tom foi ríspido e seco. — Eu já respondi. Disse que não sei.

Emma suspirou e se aproximou de Regina, parando logo atrás dela. Regina queria sair correndo dali, queria fugir. E ao mesmo tempo queria tanto estar ali. Imediatamente seu corpo ficou quente quando percebeu que Emma estava tão perto.

– Regina... Eu só quero entender o que é isso que ta acontecendo entre a gente. – A voz de Emma era mansa. Mas ao mesmo tempo era séria e um pouco impaciente. Estava envergonhada, nervosa.

– Não está acontecendo nada, Swan. – Regina não se virava. Tinha medo de encontrar aqueles olhos verdes. A pele do cavalo estava sendo massacrada por seus movimentos, já não tinha a delicadeza de antes.

– É claro que está. E você sabe que sim. – O tom da loira foi um pouco mais forte agora. O que fez Regina estremecer com aquela voz, quase deixando o pente cair de sua mão. – Olha pra mim. – Emma pediu tocando levemente o ombro dela.

Impossível resistir a aquele toque. Uma descarga elétrica percorreu o corpo de Regina e a respiração ficou um pouco pesada. Parou de escovar o cavalo e se virou, e encarou os olhos verdes que tanto queria fugir. Por que sabia que no momento em que olhasse pra eles tão perto iria perder suas forças. Segurou o pente com força entre sua mão.

– Isso não sai da minha cabeça – A loira continuou – Da primeira vez tudo bem, eu te beijei, você não gostou e me deu um tapa. É compreensível... E olha, eu tive que me segurar muito pra não revidar em você...

– Você não teria coragem! – Regina a interrompeu encarando seus olhos.

– Ah, não? – Perguntou meio debochada – Não se lembra daquela vez no cemitério, com o Graham? Você me bateu e eu te bati de volta.

– É mesmo. – Desviou o olhar. Um leve sorriso se formou no canto da boca de Regina ao lembrar daquilo.

Emma também acabou sorrindo. Estranho como aquela briga no cemitério parecia engraçada agora.

– A gente brigou feio naquele dia... – A voz de Emma saiu sorridente. Pela lembrança, pelo nervoso.

Regina apenas sorriu de canto, sem encará-la.

O coração de ambas batia acelerado com aquela proximidade. Era difícil manter a postura, quando no fundo o que queriam era se beijar mais uma vez.

– Então... como eu tava falando... sábado foi você quem me beijou... Eu só... preciso entender isso.

– Se quer entender, então me diz você, Srta. Swan... Por que me beijou primeiro? – Voltou a encará-la. O tom de Regina era desafiante, mas por dentro uma Regina amedrontada com o que estava sentindo.

Emma pensou por alguns segundos.

– Não sei explicar direito. É que... Eu te disse no sábado... Não sei o que deu em mim... – Engoliu a saliva, procurava as palavras. – É que... eu sinto essa vontade quando tô perto de você. – Simplesmente saiu, como se não tivesse controle sobre suas palavras. Estava tomada pela emoção. Não sabia se foi coragem, desespero ou burrice, mas acabou confessando.

Os olhos mergulhados na imensidão dos castanhos a sua frente. O coração de Regina parecia explodir no peito quando ouviu o que Emma disse. Estavam tão próximas, e Emma tão linda. A leve brisa balançava alguns fios do cabelo loiro dela. Aquela vontade de se lançar nos braços de Emma tomava conta de Regina.

Não! Ela não podia ceder! Não podia sentir aquilo.

– Isso é loucura! – Falou irritada se virando pra sair.

– É, pode ser loucura. — Emma rapidamente a segurou pela mão, fazendo-a se virar de novo. – Mas eu não gosto das coisas mal resolvidas, quero entender o que é isso. O que ta acontecendo entre nós de uns tempos pra cá. Se é loucura, então tem que acabar, eu concordo. Mas antes eu quero entender por que você me beijou! – O tom dela era firme, a Emma Swan de sempre, corajosa. Mas sua respiração estava ofegante pelo nervosismo.

– Eu não sei, Srta. Swan. – Regina olhou para baixo, balançando a cabeça nervosamente.

Emma ainda segurava sua mão direita. Com a outra, Regina apertava com força o pente que tinha usado para escovar o cavalo. Aquele toque da mão de Emma na sua fazia seu coração queimar, pular no peito. Uma onda de fogo percorria seu corpo. Aquilo era bom e assustador ao mesmo tempo.

Emma estava agora totalmente tomada por aquela vontade de estar perto dela. No início sua intenção era apenas obter uma reposta de Regina, entender o que se passava na cabeça dela. Mas agora diante daqueles olhos castanhos, sentindo a maciez da mão dela, não sentia mais vontade de simplesmente se afastar. Não sentia vontade de parar, de soltar a mão dela. Queria se aproximar mais. Isso era ao que o seu coração pedia desesperadamente.

Se deixando levar por aquilo, Emma se aproximou, apertando um pouco o toque na mão delicada de Regina. Sua mão direita, que estava livre, subiu até alcançar a face dela, onde Emma a depositou, acariciando de leve a pele morena do rosto dela. Regina ainda olhava para baixo e fechou os olhos aproveitando aquele toque gostoso. Mas os abriu logo em seguida.

O coração da loira batia desesperado, o cheiro bom de Regina mexia com ela, a beleza daquela mulher a fascinava.

Lentamente foi levantando o rosto de Regina, trazendo o olhar dela para o seu. Regina não resistia mais, não conseguia. Seu coração batia tão forte, como resistir aquilo? Seus olhos castanhos, que tinham um brilho um tanto amedrontado, mergulharam naquelas esmeraldas a sua frente.

Estavam muito próximas, podiam ouvir suas respirações pesadas. Os corações totalmente descontrolados. Era impossível se controlar, e Emma sentiu aquela vontade avassaladora de beijar Regina de novo. E seu olhar desceu para os lábios lindos da morena.

Regina sentiu a respiração falhar já percebendo o que estava prestes a acontecer. Ou melhor, o que desejava no fundo de seu ser que acontecesse.

Mas então ouviram um barulho alto de galopar de cavalo se aproximando. Só podia ser o tratador e Henry que estavam voltando.

O barulho ficou mais perto.

– Isso é loucura! – Repetiu Regina, retirando a mão de Emma do seu rosto. E elas se afastaram rápido.

Um segundo depois eles entraram onde elas estavam. Os dois estavam em cima do cavalo. Mais cedo Henry tinha convencido Regina a deixar o tratador correr com ele.

Elas se olharam de relance. Emma estava com a face corada e Regina sentia as pernas bambearem.

– Henry, e então, gostou? – Falou se aproximando dele enquanto ele descia do cavalo com a ajuda do homem. O nervosismo era nítido em sua voz. Sua real intenção era se afastar de Emma. Quebrar aquela tensão que tinha se formado.

– Eu adorei, mãe! – Respondeu entusiasmado.

Conforme os minutos foram passando, aquela tensão pareceu se esvair, trocaram algumas palavras com o tratador, conversaram com Henry. E então era hora de ir embora.

Já no carro as duas foram em silêncio, apenas rindo de Henry, que falava animado de como tinha se divertido, e aquilo deixou Regina imensamente feliz.

É claro que aquele momento nos estábulos havia causado um certo desconforto nas duas, mas tentaram deixar aquilo de lado.

Regina parou o carro em frente à delegacia. Henry já havia sido tomado pelo cansaço há alguns minutos.

– Esse daí já embarcou — Disse Emma olhando para o menino que cochilava no banco de trás.

– Pois é — Regina disse olhando-o pelo retrovisor — Tem certeza que não quer ir pra casa?

– Tenho. Mas obrigada.

– Quer dizer — Regina continuou — Eu posso te dar o dia completo de folga.

– Eu sei. Mas é que eu quero revisar logo esses arquivos. Como já passei o dia todo fora sábado e hoje, não quero atrasar mais. Quero deixar tudo adiantado pra amanhã.

– Certo... Bom saber que a cidade está nas mãos de alguém responsável. — Disse séria.

– O que foi isso? — Emma perguntou.

– Isso o que? — Regina indagou olhando para a rua. Pensou que Emma estava lhe mostrando algo.

– Você me elogiando — Sorriu travessa. — É sério isso? A Senhora Prefeita toda poderosa me elogiando? Nunca pensei que fosse viver pra ver isso. — Sorriu abertamente junto com uma pequena gargalhada. Estranho como se sentia bem perto dela.

Regina apenas revirou os olhos. E Emma continuou a sorrir. Aquela sensação estava mesmo tomando conta dela. A sensação de querer Regina por perto.

– Vai logo, Xerife Swan. Antes que eu mude de ideia e te dê uma advertência por ter passado o dia inteiro hoje e sábado fora do trabalho. — Disse séria, mas dava pra notar que não era raiva de verdade. Era como se tivesse entrado na brincadeira. E Emma percebeu aquilo.

– Tá bom, calma. Eu já vou, Senhora Prefeita.

O coração de ambas, como já era de costume ultimamente, estava acelerado. Emma não era a única que estava desfrutando daquele momento. Regina também estava se divertindo. Emma a irritava de um jeito que parecia se fazer necessário. Era como se Regina precisasse daquilo.

Um silêncio se fez por um momento. E nessa fração de segundos, Emma pensou se deveria falar sobre o que tinha acontecido minutos atrás nas baias. Aquele momento entre elas.

Emma tinha pegado em sua mão e ela não tinha repulsado o toque. Será que se Emma a tivesse beijado naquele momento ela iria corresponder?

Queria perguntar. Mas com Regina era sempre tudo tão imprevisível. Não queria acabar estragando o dia perfeito e o momento descontraído dentro do carro. Achou melhor deixar pra lá. Afinal era algo que não tinha futuro mesmo. E nem sabia se queria que tivesse futuro.

– Ah, e obrigada por hoje, Regina. Por deixar eu ir junto com vocês.

– De nada. – Respondeu sem olhar pra ela.

Emma saiu do carro e ouviu quando Regina deu a partida. Entrou na delegacia e suspirou quando olhou todos os aqueles papéis em cima da mesa. Depois de um dia tão bom, teria que trabalhar.

O pior era que agora estava ainda mais confusa. Só conseguia pensar naquele momento entre elas. Desejou ardentemente que Henry não tivesse aparecido ali junto com o tratador de cavalos. Queria ver até onde aquilo iria levá-las.

Respirou fundo, sentou na cadeira e começou a revisar os arquivos.

Na frente da mansão, Regina acordou Henry e entraram em casa.

– Vamos tomar um banho e depois eu vou preparar algo pra gente comer.

– Tá bom. – A voz dele era sonolenta. – Mãe, eu me diverti pra caramba hoje. Obrigado. – Disse no pé da escada.

Regina sorriu pra ele. Uma imensa felicidade invadindo sua alma. As coisas pareciam realmente estar mudando.

– De nada, querido. Eu adorei passar o dia com você. – Sorriram um pro outro. – Agora vamos tomar banho.

Regina estava feliz. O dia tinha sido realmente bom. Mas estava confusa porque Emma tinha feito parte dessa felicidade.

Tomou seu banho pensando nisso. Colocou uma roupa confortável e foi preparar o jantar. Quando passou pelo quarto de Henry, viu o menino jogado na cama. Vestindo apenas a calça de seu pijama, e do outro lado da cama a toalha jogada. Ele já dormia profundamente.

Regina riu. Tirou a toalha de lá e cobriu seu filho, que tinha uma expressão serena. Apesar de saber que ele deveria comer, não teve coragem de acordá-lo.

*****

Já se aproximava das 8 da noite. Regina já tinha jantado e estava na sala, pensativa.

Estava inquieta. Cansada pelo dia agitado nos estábulos, mas não conseguia relaxar. Em sua mente aquela conversa com Emma nas baias a incomodava.

Aquele momento em que a loira segurou sua mão foi inexplicável. O que sentiu foi algo que foi do susto, passando pelo medo, até uma estranha felicidade e paz interior. O calor da mão dela na sua. A textura macia e forte ao mesmo tempo dos dedos finos e delicados.

Olhou para sua própria mão. Desejou que estivesse sendo aquecida pela da outra, como foi naquela tarde fresca. Logo em seguida Emma se aproximou e tocou seu rosto, causando arrepios em Regina. O toque gentil dela em seu rosto foi tão bom.

"Por que ela? Isso é um absurdo. Eu tentei matar ela quando ela nasceu". Regina lembrava de quando deu ordens explícitas a seus guardas de que a criança deveria morrer. "E agora sinto meu coração bater como louco simplesmente porque ela segurou minha mão?".

Estava sentada no sofá da sala. A televisão estava ligada, mas tudo que ela ouvia eram ruídos e palavras desconexas, afinal não estava prestando atenção em nada.

Por mais que tentasse, já não conseguia mais tirar Emma da cabeça. Olhou ao redor na sala e se lembrou do sábado de manhã, quando trocaram aquele beijo. Seus olhos se fecharam em meio a um suspiro, lembrando daquela boca quente, aqueles lábios macios, aquela língua gostosa.

Queria sentir aquilo de novo. O gosto daquela boca. O pulsar de seu coração enquanto se beijavam. Há tempos não se sentia viva como sentiu naquele beijo.

Abriu os olhos passando a mão pelos cabelos. A mente cheia de pensamentos desordenados, cheia de vontades. Estava tentando lutar, mas sentia que já não tinha mais forças pra resistir, porque todo seu ser gritava pra ter Emma por perto.

Estava... Com saudade.

Saudade da boca dela, saudade de sentir a respiração dela junto a sua como naquele beijo, saudade de ter o corpo dela grudado no seu, e aqueles braços a segurando forte.

Sorriu levemente sentindo a emoção daquela lembrança percorrer seu corpo. Precisava sentir aquilo de novo, precisava desesperadamente. Se ficasse ali sentada sozinha, sem fazer nada, ia enlouquecer ou morrer de vontade.

Hoje a tarde ficara nítido pra Regina que Emma iria beijá-la. Estavam próximas, a loira segurava seu rosto carinhosamente, o olhar dela estava pousado em seus lábios. É claro que a Xerife tinha a intenção de beijá-la. E Regina sabia que não iria resistir. Iria se entregar ao beijo, como aconteceu naquela manhã de sábado exatamente ali, na sala de sua casa.

Só de imaginar o beijo que teria acontecido naquela tarde nos estábulos, sentia um friozinho na barriga.

Levantou-se de supetão do sofá. Deu dois passos e parou. "Não, não!". Recuou, sentou-se novamente, a postura ereta, as mãos sobre os joelhos, tomada pelo nervosismo.

"Não! O que eu estou fazendo?"

"Não posso sair correndo até aquela delegacia. O que eu vou dizer? O que ela vai pensar de mim?".

Sua mente sendo bombardeada pela dúvida e pelas lembranças. Aquele beijo de sábado foi tão bom, Regina não sentia aquilo há muito mais de trinta anos, desde quando estava com Daniel. E hoje à tarde, Emma iria beijá-la, e ela queria aquele beijo, por mais que tentasse negar.

"Dane-se".

Levantou do sofá rapidamente. Sim, dane-se, foi o que Regina pensou. Queria sentir aquilo tudo que sentiu com Emma de novo, estava desesperada por ela. Desligou a televisão e subiu as escadas quase correndo. Uma emoção nova lhe invadindo. Era uma mistura de ansiedade com felicidade.

Passou pelo quarto de Henry. Entrou, e seu filho dormia tranquilamente. Observou o rosto dele sob a meia luz da lua que entrava pela janela do quarto. Ele se parecia tanto com ela. Aquilo a fez ficar com mais vontade de ver aquele rosto lindo, daquela mulher de cabelos loiros e olhos verdes.

Foi para seu quarto, abriu o guarda-roupa e pegou a primeira roupa que viu pela frente. Uma blusa vinho e uma saia preta. Calçou suas botas e vestiu seu casaco. Passou uma maquiagem de leve, e seu batom vermelho. Saiu do quarto sentindo a ansiedade tomar conta dela.

Deu uma última olhada em Henry. Aquilo era loucura, deixá-lo sozinho para ir até Emma. Mas sempre costumava dar uma volta a noite em seu carro quando queria espairecer. Não iria acontecer nada.

Desceu as escadas e saiu de casa.

Já a caminho da delegacia, dentro do carro, o nervosismo atacava sem piedade. Sentia o estômago revirar.

Emma tinha dito que ficaria na delegacia até tarde. Já passava das oito da noite. E se ela não estivesse mais lá?

Ou pior... e se ela ainda estivesse?

O que diria pra ela quando chegasse lá? Afinal, de tarde tinha dito pra ela mais uma vez que aquilo era loucura. O que iria dizer agora? Pensou em manobrar seu carro e voltar.

Mas não! Se já estava ali iria até o fim. Continuou seu caminho.

Ao se aproximar da delegacia viu aquela lata velha chamativa. O fusca amarelo de Emma. Sim, ela ainda estava lá. O coração disparou muito mais rápido, quase saindo pela boca.

Passou pelo fusca e estacionou sua Mercedes um pouco mais a frente. Pensou por alguns instantes se deveria sair do carro ou ir embora. Mas aquela vontade a consumia, queria vê-la.

Saiu do carro, Storybrooke não era muito agitada a noite e a rua estava quase vazia, exceto por alguns pedestres.

Entrou na delegacia se perguntado o que estava fazendo ali, seu coração em mãos, as pernas bambas. Quando chegou a porta do gabinete viu quem tanto seu coração ansiava.

Emma estava em pé de costas, mexendo em uns papéis na mesa ao lado da cela. A mesma que estava sentada hoje cedo quando Henry e Regina chegaram.

Já estava organizando tudo para ir embora. Não havia mais aquela pilha de papéis em cima da mesa. Tinha separado alguns arquivos para revisar no outro dia, e o resto tinha guardado. Ainda tinha muito trabalho, mas iria deixar para o dia seguinte, estava cansada. E além do mais não dava pra trabalhar direito quando sua mente só se concentrava na Prefeita e naquele momento íntimo que tiveram nos estábulos.

– Xerife, Swan? – Regina falou entrando na sala. O nervosismo a fazendo estremecer.

Emma virou assustada.

– Regina?

O coração de Emma disparou quando a viu ali parada diante dela. Era sempre assim agora quando ficava perto dela. Não havia parado de pensar nela um minuto e agora ela estava ali.

Mas afinal, o que ela estava fazendo ali? Será que tinha acontecido algo?

– Aconteceu alguma coisa? — Sua expressão confusa e temerosa ao mesmo tempo.

Aquela voz atingiu Regina em cheio. Bastava ouvi-la para quebrar todas as suas estruturas. Observou o rosto lindo dela, aqueles longos cabelos loiros caindo sobre seus ombros, e os olhos verdes que tanto a fascinavam.

Regina sentia os sentimentos embaralhados em sua mente. Deveria odiar aquela mulher, e agora sentia toda aquela emoção simplesmente por ouvir a voz dela e admirar sua beleza.

– Regina... — Emma chamou e se aproximou, fazendo-a sair daquele transe. — O que aconteceu?

– Ah, é que... — Não sabia o que dizer. Sentiu suas bochechas corarem.

– Foi alguma coisa com o Henry?! — Emma perguntou preocupada vendo que ela parecia nervosa.

– Não, não. Ele está bem. – Respondeu rápida. Seu coração batendo acelerado.

– Então o que foi?

– É que... – Deu um passo a frente, ficando mais próxima dela. Seu coração batia totalmente desesperado. A boca estava seca. O medo tomando conta dela — Eu vim porque...

Não conseguia falar, suspirou nervosa abaixando a cabeça.

– Regina, o que foi? – Emma chegou mais perto, estava agoniada com aquilo.

A morena levantou seu olhar castanho, mergulhando-o nos verdes a sua frente. E então tomada por aquele impulso, seu coração batendo descompassado, a vontade lhe consumindo por dentro, caminhou rápido até Emma, e sem prévio aviso se lançou nela em um beijo.

Emma levou um susto, mas seus olhos se fecharam no exato momento em que os lábios de Regina tocaram os seus. E correspondeu o beijo de imediato.

O beijo de Regina foi cheio de vontade, transbordando de desejo. E Emma correspondeu da mesma forma, suas mãos logo seguraram a cintura da morena. Não queria pensar em nada, estava surpresa pela atitude de Regina depois de tudo que tinham conversado, depois dela dizer tantas vezes que aquilo era loucura, mas não dava pra pensar em mais nada, a não ser naquela boca maravilhosa que estava se apoderando da sua.

Ondas de calor percorriam o corpo de Regina. E ao mesmo tempo um friozinho na barriga. O coração disparado, uma intensidade de emoções que atingiam seu corpo.

Sim, era aquela coisa gostosa de novo. A mesma coisa que sentiu das outras duas vezes que se beijaram. E era isso que precisava sentir de novo. Era tão bom. Lábios e línguas se tocando com intensidade, num beijo quase voraz, cheio de desejo. Emma a abraçava, se entregava com intensidade aquele beijo.

Mas o que Emma estaria pensando? Era o que a Prefeita se perguntava. Que Regina era louca, claro! E realmente tinha agido como louca, se entregando aquele impulso.

Regina se sentiu atordoada e então se afastou do beijo. Não encarava Emma, olhava para baixo com a respiração pesada.

– Emma, eu...

– Shhh — Emma a interrompeu, levando as duas mãos ao rosto dela e segurando carinhosamente. — Não fala nada não. — Disse de olhos fechados com sua testa encostada na dela.

E Emma a beijou. Foi um beijo mais calmo, diferente do de segundos atrás. Regina não conseguiu dizer mais nada, se deixou levar por aquela emoção que transbordava dentro de si. Acompanhou o beijo. Um beijo lento, lábios se tocando, línguas se misturando, respirações se encontrando.

Então era por isso que Regina estava ali. Era por isso que estava nervosa como Emma tinha percebido. Agora ela entendeu. Mas não teve muito tempo pra raciocinar, o beijo de Regina tirou sua razão. Como ela queria aquilo, desde aquele beijo no sábado, Emma só queria mais e mais daquela boca.

Foi a vez de Regina envolver o corpo da loira. Passou seus braços pela cintura dela, a abraçando. Enquanto Emma segurava seu rosto com as duas mãos. O beijo era quase sincronizado, as bocas pareciam se encaixar, terem sido feitas uma pra outra.

A cada toque de suas línguas naquele beijo lento, uma eletricidade parecia subir por seus corpos. Emma entrelaçou sua mão direita no cabelo curto da outra. E o beijo foi tomando outras proporções, ficando mais rápido, mais molhado, mais intenso.

As mãos de Regina começaram a passear pelas costas de Emma, apertando, trazendo-a mais para si. E na força daquele beijo, sem perceber, Regina foi empurrando Emma para trás. Até que a loira parou quando seu corpo se chocou com a mesa atrás dela. A mesma mesa onde estava parada de costas quando Regina chegou.

Emma podia sentir seus pelos eriçados. Ondas de calor tomavam conta de todo seu corpo, enquanto seu coração parecia querer explodir no peito. Aquilo era tão bom. Tinha tanto tempo que não sentia algo assim que já havia se esquecido como é gostoso aquela sensação. Regina a beijava com tanta vontade, aquilo fazia seu corpo estremecer.

Estava completamente tomada por aquele desejo. Se afastou um pouco da mesa, onde seu corpo estava apoiado, e virou Regina, trocando de posição com ela. Nesse momento suas bocas se desgrudaram e seus olhares se encontram. Estavam tomados por um brilho mais escuro, denotando o desejo que estavam sentindo. As respirações pesadas. Foi tempo apenas para tomarem um pouco mais de ar, para logo suas bocas se encontrarem novamente. Dando continuidade aquele beijo ávido.

Agora era Regina quem estava apoiada na mesa, com Emma a sua frente a beijando deliciosamente. As mãos de Emma em seu rosto causavam uma emoção distinta em Regina, sentia carinho. O coração pulsando de felicidade.

Totalmente envolta por aquela sensação de entrega, retirou suas mãos das costas da loira, trazendo-as para frente, apertando a cintura dela, para então voltar a abraçá-la, mas dessa vez com as mãos por dentro da jaqueta vermelha da Xerife, sentindo o tecido da regata branca que ela usava por baixo.

Os suspiros se misturavam com suas respirações e com o barulho molhado dos beijos. Os corações batiam juntos, seus corpos estavam colados, conseguiam sentir o coração da outra batendo contra seu peito. Regina a abraçava com força, com vontade, enquanto Emma tinha agora uma mão em seu ombro e a outra entrelaçada no cabelo dela.

Aquele beijo estava fazendo surgir em Emma aqueles desejos desconhecidos, instintos que jamais pensou ter. Tudo isso sendo aflorado pelo cheiro de Regina, o gosto de sua boca, a maciez da pele do rosto e do pescoço dela, onde suas mãos estavam.

E de repente a boca maravilhosa de Regina parecia não ser mais suficiente para suprir todos aqueles desejos que estavam surgindo dentro dela, Emma queria mais, queria degustar mais.

Afastou sua boca da dela por um instante, Regina permaneceu de olhos fechados e mordeu involuntariamente o lábio inferior em sinal do prazer que estava sentindo, então logo abriu seus olhos, encontrando os verdes de Emma. A loira olhou fundo dentro daqueles olhos cor de chocolate. Como se pedisse permissão para o que queria fazer.

A resposta não precisou ser dita, ela veio na forma do beijo possessivo que Regina ofereceu, fazendo suas bocas ansiosas uma pela outra grudarem mais uma vez. Emma havia parado de beijá-la e Regina não queria aquilo, mesmo que tivesse sido por alguns poucos segundos, então rapidamente colou sua boca na dela mais uma vez.

A loira tinha a mão direita segurando os cabelos de Regina, e a outra deslizou até suas costas. Em meio ao beijo, Emma afastou seus lábios para o lado e beijou o canto direito da boca de Regina, logo em seguida depositou um beijo no rosto dela. Para então descer sua boca e alcançar a pele de seu pescoço, fazendo a morena arfar com aquele contato.

Passou seus lábios de leve pelo pescoço dela, aspirando aquele cheiro bom. Cheiro que mexeu com todos os seus sentidos. Sua respiração se tornou mais ofegante, não conseguia se conter, aquilo era bom de mais. Seus lábios roçavam de leve a pele macia do pescoço dela, até que tomou aquela região em um beijo colado. Fazendo Regina arfar e suspirar mais alto.

O coração de Emma palpitou ouvindo aquele suspiro alto de Regina. Foi quase um gemido. Jamais pensou que pudesse ser tão gostoso ouvir o suspiro prazeroso de uma mulher.

Regina subiu suas mãos, entrelaçando a direita naqueles longos cabelos loiros, e a outra apertava suas costas, querendo grudar seus corpos. Os beijos de Emma em seu pescoço lhe causavam arrepios, o coração rasgando seu peito, seus olhos fechados.

As mãos da Xerife voltaram para a cintura da Prefeita, abraçando aquele corpo, que Emma podia sentir, era perfeito. Distribuiu beijos por toda a extensão daquele pescoço lindo, e então voltou para sua boca. Beijaram-se como se tivessem necessidade daquilo pra viver. Regina a abraçou, envolvendo seu pescoço.

Emma já havia perdido a razão, não raciocinava, estava sendo controlada por seus próprios instintos. Sem pensar em nada, inclinou um pouco seu corpo para baixo, abraçou a cintura de Regina delicadamente, e usou sua força para levantá-la, colocando-a sentada sobre a mesa.

A morena abriu os olhos um tanto assustada. Sentiu a mão direita da loira subir e tocar sua face com carinho. Os olhos não se desgrudavam. Eles diziam mais do que suas palavras poderiam explicar.

Emma a beijou com carinho. Delicadamente. Sentindo seus lábios devagar. Regina correspondeu aquele carinho. Aquele toque delicado de suas bocas, aquilo era gostoso. E enlaçou o pescoço dela com seus braços mais uma vez. Obrigando Emma a descer suas mão e tomar o contorno de sua cintura.

O cheiro bom da loira instigava Regina, atiçava, e dessa vez foi ela a descer seus lábios de encontro a pela alva do pescoço da outra. Emma inclinou a cabeça para o lado, para facilitar o toque dela, suspirava de prazer. Enquanto Regina beijava e, se deixando ser mais ousada, mordiscou. Arrancando um suspiro alto da loira.

Aquilo mexeu com tudo em Emma. A posição em que Regina estava era perfeita para que ela ficasse encaixada entre as pernas dela. Mas não sabia muito bem o que estava fazendo, jamais havia estado com uma mulher. Só sabia que aquilo era bom. Bom demais. Não tinha pelos pinicando seu rosto, a pele era lisa, macia, gostosa de beijar, tocar.

Seus instintos e vontades a controlando, desceu timidamente suas mãos até as coxas de Regina, que estavam um pouco a mostra devido ao modo como ela estava sentada na mesa, o que fez sua saia subir um pouco.

Ainda sem saber muito bem o que estava fazendo, apenas se deixando guiar pela vontade que sentia, passou a ponta de seus dedos de leve pela pele morena das pernas dela. Regina soltou um suspiro abafado, sua boca estava grudada no pescoço da loira. Mas Emma logo desviou daquele contato gostoso e tomou os lábios carnudos da morena em mais um beijo faminto.

Se permitiu ter mais contato com Regina. O que eram apenas as pontas dos dedos, agora eram suas mãos que passeavam pela parte exposta das coxas dela. Deslizava levemente suas mãos na pele dela, uma cada perna. Enquanto isso se beijavam. Suspiravam em meio aquele momento prazeroso.

E a loira mais uma vez foi de encontro ao pescoço dela. Dessa vez ousou mais, e além dos beijos, deixou a ponta de sua língua deslizar naquela pele macia.

Aquilo era bom. As duas tomadas por uma euforia e bem-estar que não poderiam ser descritos em palavras. Apenas sentiam, desfrutavam, aproveitavam uma a outra. Os beijos na boca, no pescoço, as mãos que acariciavam, apertavam. Seus corações batiam forte como há muito tempo não faziam, ardiam em desejo e carinho.

E em meio aquilo tudo, um barulho as fez sair daquele momento. Era o celular de Regina tocando. E logo, com o susto, Emma se afastou. Se entreolharam meio desnorteadas. Ainda tomadas pela emoção daquele momento. E o celular continuava a tocar.

Regina o pegou no bolso de seu casaco. Era Henry. Emma permanecia de pé na frente dela.

– Oi, Henry! – Atendeu com a voz trêmula.

– Mãe, cadê você?!

– Eu... é... – Olhou de relance para Emma. – Eu tive que vir no gabinete... pegar um documento que eu precisava revisar.

Emma se afastou um pouco e se escorou na outra mesa, sentia suas pernas bambas.

– Você já ta vindo? Eu acordei morrendo de fome, te procurei e não achei.

– Sim, sim. Já estou indo, querido. – Mais uma vez olhou de relance a loira, que tinha o olhar sobre ela.

Regina enfim desceu da mesa, ajeitando sua saia, percebendo o quanto estava sendo estranho ainda estar sentada ali.

Mas Emma não estava pensando isso. Na verdade não estava pensando em nada. Seu corpo ainda reagia aos estímulos e emoções de segundos atrás.

– Tá bom, tchau. – Henry despediu.

– Tchau.

Guardou o celular no bolso, sentindo-se encabulada pelo que acabara de acontecer entre elas. Suas bochechas queimavam de vergonha.

Se afastou da mesa, dando alguns passos em direção a porta. Emma continuava escorada na outra mesa olhando pra ela.

– E-Eu tenho que ir... – Olhando pra loira, com muita dificuldade foi só o que conseguiu dizer.

E saiu da delegacia, com seu coração batendo forte, e as famosas borboletas no estômago. Deixando para trás uma Emma ofegante, de coração acelerado, que desejava apenas que aquele momento não tivesse acabado.

Notas finais
E aí, gostaram? Valeu a pena ler esse capítulo gigante? kkk COMENTÁRIOS!!!!! Me digam o que acharam. Preciso da força de vcs! Beijoooosss!!!!