Era Uma Vez o Amor
12 Capítulo 12
Notas iniciais
Regina tinha acabado de sair não tinha nem um segundo. Emma estava ali desnorteada. Totalmente envolta naquelas sensações que ainda sentia dos beijos de um minuto atrás.
Sentia seu coração bater forte. Sabia que tinha muitos anos que não sentia aquilo. Era como se sentir viva outra vez. Como se todos esses anos estivesse adormecida, em um estado de latência, e agora tivesse despertado.
Estava escorada na mesa. Suas pernas estavam trêmulas. Na sua boca ainda conseguia sentir a pressão dos beijos de Regina. E o cheiro dela ainda pairava no ar.
Ainda não acreditava que aquilo tinha acontecido. Ter Regina daquela forma. E ela mesma se entregar aos beijos daquela forma. Sem pensar em nada, apenas vivendo o que seu coração implorava. Aquilo era inusitado demais pra ela.
Mas era bom. Bom demais.
Mas e agora? E depois disso, o que iria acontecer? O que Regina iria dizer depois?
Ela fora ali por vontade própria, mas da outra vez também a beijou por vontade própria e depois foi arrogante e disse que aquilo era loucura.
O coração de Emma palpitou. A possibilidade de Regina agir como da outra vez a afligiu.
Será que iria conseguir fingir mais uma vez que não sentiu nada?
Porque ela sentiu, e muito. E Regina também! Por que a teve em seus braços e pode sentir o quanto ela estava gostando também.
Os pensamentos se tornavam embaralhados junto com as emoções e sensações gostosas que ainda sentia.
Frações de segundos desde que a morena saíra, e a ansiedade já tomava conta de sua mente.
Não iria esperar pra saber. Desencostou da mesa e foi atrás de Regina no corredor. Andou rápido e quando entrou no corredor, viu Regina a frente, já quase chegando na porta de saída.
– Regina! — Chamou com a voz firme. Estava decidida a ter uma resposta dela.
A morena parou de imediato. Depois de tudo que tinha acontecido não tinha forças para fingir que não tinha ouvido ou continuar andando como se nada tivesse acontecido. Seu coração dava pontadas no peito. Ainda nem sequer havia se acalmado do momento de minutos atrás, e agora Emma estava atrás dela a chamando.
Respirou fundo e se virou. Emma se aproximava. Antes que a loira pudesse chegar perto dela, ela se pronunciou.
– Henry está me esperando. — Sua voz demonstrava todo seu nervosismo, ansiedade, emoção, vergonha.
– Eu sei. — Emma falava enquanto andava até ela. — Eu só queria...
Mas não conseguiu concluir a frase, soltou o ar dos pulmões e quando chegou perto de Regina a agarrou e a puxou para um beijo.
Envolveu o corpo dela e sua mão direita segurou os cabelos pretos, e a outra agarrou sua cintura, prendendo seu corpo com força.
Sentiu Regina suspirar. Suas bocas estavam grudadas em um beijo selado. Até que Regina relaxou os músculos e os lábios começaram a se mover sobre os de Emma.
Regina queria aquele beijo. Queria mais do que qualquer coisa. E não conseguia mais resistir. A boca da mulher a sua frente era a coisa mais gostosa que já havia provado. Era de uma textura suave, macia, quente, e fazia seu coração ficar em chamas. Segurou o rosto de Emma com a mão direita. A outra estava apoiada no ombro dela.
Enquanto se aproximava de Regina, Emma tinha tantas coisas a falar. A perguntar. Mas não conseguiu nem uma coisa nem outra. A frase morreu no momento em que se aproximou e se deparou com aqueles olhos castanhos, que tinham uma expressão diferente da de sempre. A beleza daquele rosto. O formato da boca linda que ela tinha beijado há um minuto atrás.
Emma não resistiu a vontade de beijar aqueles lábios mais uma vez. Aquela vontade era mais forte que qualquer pergunta que quisesse fazer.
O beijo era lento, as bocas se completavam. Regina entreabriu seus lábios, dando passagem para a língua quente de Emma. Suas línguas se tocaram. Disparando faíscas por seus corpos, ondas que faziam seus pelos se arrepiarem. O coração tomando um ritmo mais rápido a cada toque de suas mãos, que acariciavam, apertavam.
Era impressionante como a cada vez que se beijavam era mais intenso. Quando achavam que já estavam sentindo o auge das emoções, sentiam ainda mais forte.
O beijo era calmo, não era eufórico como o de minutos atrás na sala da Xerife. Com a mão esquerda Emma segurava a cintura fina de Regina e com a direita acariciava os cabelos curtos. Enquanto Regina tinha sua mão esquerda sobre o ombro dela e a direita estava apoiada carinhosamente no rosto quente da loira.
O beijo era cúmplice. Como se a resposta para o que tinha acontecido há minutos atrás estivesse ali. As duas queriam aquilo, e se entregavam ao beijo, degustavam suas bocas grudadas. Lentamente, carinhosamente, delicadamente.
Lábios que se tocavam, línguas que se acariciavam, mãos que passeavam, instigando os instintos.
Suspiros escapando abafados de suas bocas, as respirações voltando a ficar ofegantes. O coração pedindo desesperadamente que permanecessem assim, com seus corpos colados. Uma vontade imensa de se entregar mais e mais aquele sentimento arrebatador.
Se não interrompessem logo aquele contato, seria impossível parar.
Regina afastou sua boca da dela. Tinha a respiração pesada. Com dificuldade conseguiu falar.
– Preciso ir. — Falou de olhos fechados, com a testa encostada na de Emma, a mão ainda segurava o rosto dela. A voz era quase um sussurro.
– Tá bem. — Emma respondeu ainda abraçando a morena. Sentia o toque de Regina em seu rosto e aquilo era tão bom.
A morena se afastou e seus olhos se encontraram. Mas nada disseram. Se virou, saindo dali sem olhar pra trás. Porque se olhasse pra trás e encontrasse mais uma vez aqueles olhos verdes e aquela boca rosada, iria mudar seu posto de "mãe autoritária” para "mãe desnaturada".
Emma ficou parada vendo Regina ir embora. Quando a morena sumiu pela porta da delegacia ela respirou fundo, colocou as mãos nos bolsos da calça e deu meia volta, retornando até sua sala.
Seu olhar foi direto para aquela mesa do lado da cela, onde há minutos atrás havia acontecido a situação mais estranha da sua vida. Tão estranha quanto gostosa.
O cheiro de Regina parecia ainda estar ali. Ou será que estava em sua mente? Lugar de onde ela não saía mais.
Andou até a mesa, deu a volta e deixou seu corpo cair sentado sobre a cadeira.
Seu coração ainda batia tão forte que quase podia ouvi-lo.
Não podia nunca esperar que aquilo fosse acontecer. Depois de tudo que Regina disse, ela mesma foi até a delegacia procurar por ela. E foi ela mais uma vez que teve a iniciativa do beijo. O que isso significava?
Fechou os olhos soltando todo o ar de seu peito. Ficou lembrando dos minutos atrás, na hora que Regina chegou, tão linda, e a beijou.
Tudo que aconteceu depois. Elas se entregaram tão intensamente aquele momento.
Emma queria voltar no tempo. Mas não a uma outra época. Apenas há alguns minutos. Pra poder beijar Regina de novo, abraçá-la de novo, sentir o cheiro dela, colocá-la em cima daquela mesa de novo. Fazer tudo o que a tinha feito sentir viva outra vez.
**********
Regina precisava se concentrar ao máximo na direção do carro, do contrário ou iria bater de novo ou iria dar meia volta e fazer o que seu coração clamava, voltar pra junto de Emma.
Mas não podia, seu filho a esperava.
Sua cabeça dava voltas. Agiu como uma garota louca apaixonada, era o que pensava. Como aquela adolescente que fugia para encontrar Daniel às escondidas. Burlando as regras de sua mãe. Sentiu-se como aquela jovem Regina, de espírito livre, indo atrás daquilo que tão somente seu coração ansiava.
Mas espera.
"Apaixonada?"
Regina se perguntou. Não, não pode ser isso. Não pode estar apaixonada por Emma.
Mas depois da maneira como agiu, que outra explicação isso teria.? Nunca tinha sido tão impulsiva.
Chegou em casa e guardou sua Mercedes na garagem. Ao entrar, Henry estava esperando por ela na sala. Sentado no sofá, vendo televisão.
Ela se aproximou dele meio sem jeito. Parecia que sentia vergonha até dele. Por que ele ligou bem no momento em que ela estava sentada em cima de uma mesa sendo beijada insanamente pela mãe biológica dele.
Mas ele não sabia de nada, é óbvio.
– Oi, querido. — Sua voz saiu trêmula. Afinal seu coração ainda batia forte e todas aquelas sensações dos beijos de Emma ainda não tinham passado.
– Oi, mãe.
– Está tudo bem? — Ela perguntou sentando do lado dele.
– Tá — Ele fez uma pausa por um segundo e disse — Ué, você não disse que tinha ido buscar um documento? Cadê? — Perguntou vendo que ela não tinha nada em mãos.
O coração dela deu um pulo. Sentiu um frio percorrer sua espinha. E gaguejou ao falar.
– Ah, é que... e-eu... eu acabei olhando lá mesmo. Não queria trazer trabalho pra casa.
– Hum — Ele pronunciou voltando a olhar pra televisão.
Ele era esperto, mas ainda era uma criança. Não iria desconfiar que sua mãe estava mentindo sobre isso.
Ela respirou aliviada, porém ainda muito nervosa.
– Mãe, eu tô morrendo de fome. — Disse meio manhoso olhando pra ela de novo.
Regina riu do jeito dele. Como amava aquele menino.
– Então vamos comer — Disse sorrindo pra ele. — Quer dizer, você, porque eu já comi.
E mesmo que não tivesse comido, agora seria impossível. Não conseguiria engolir nada com todas as aquelas emoções embrulhando seu estômago. Estava nervosa.
Levou apenas alguns minutos para esquentar a comida e servir Henry. Mas em nenhum desses minutos Emma e o que tinha acontecido saíram de sua mente.
Henry quis comer na bancada mesmo. Sentou e Regina ficou em pé ao lado dele, recostada na bancada. Estava distraída. Com seu peito explodindo de emoção. O que tinha acontecido há minutos atrás tinha sido a coisa mais inusitada da sua vida.
Tinha se entregado intensamente a aquele momento com uma mulher. E o que havia sentido com ela foi a coisa mais forte que já havia experimentado.
Sim, sabia que ninguém, nenhum homem tinha provocado nela aquela emoção, aquele desejo. Nem mesmo Daniel. Com ele era muito nova, imatura e inexperiente. Ainda estava descobrindo tudo sobre paixão, amor, desejo. E antes mesmo que pudesse se aprofundar em todos aqueles sentimentos, sua mãe o matou.
Mas agora, com Emma, era diferente. Não era mais uma adolescente boba, era uma mulher. Vivida, madura, experiente.
E sabia muito bem que tudo aquilo que sentiu com Emma foi diferente de tudo que já havia sentido antes.
Os beijos dela eram incríveis. E tiraram sua razão. As mãos que a apertavam com força a faziam sentir segura naqueles braços.
A loira a deixou alucinada, sem noção das coisas. Só queria ser beijada e acariciada por ela.
E ainda agora nesse momento, seu coração não parava de bater rápido nem um minuto. E desejava ainda estar lá, saboreando aquela boca.
– Mãe, que foi? — Ele perguntou percebendo que ela estava estranha e olhava pro nada.
– Han? — Ela nem sequer tinha compreendido o que ele disse.
– Aconteceu alguma coisa?
– Não... Por quê? — Respondeu séria.
– Você tá estranha. Tá aí com uma cara de boba olhando pro nada.
Sentiu-se envergonhada e fechou seu semblante. Não gostou do jeito que ele falou com ela. Mas estava mesmo com cara de boba enquanto pensava em Emma?
– Não aconteceu nada, Henry. Termina de comer pra você ir dormir.
Ele obedeceu.
Henry terminou seu jantar e foi para o quarto seguido de Regina, que esperou ele escovar os dentes e então o colocou na cama, despedindo com um beijo de boa noite.
Já em seu quarto ela trocou se roupa, colocou um baby doll, escovou os dentes e deitou.
Mas conseguiria dormir? A resposta provavelmente era não.
Só conseguia pensar em Emma e naquele momento juntas.
"Meu Deus, que beijo gostoso".
Pensou sentindo seu coração acelerar de novo. Não podia mais negar para si mesma tudo que estava sentindo por ela.
De repente um filme começou a passar em sua cabeça. Desde o dia em que a loira chegou na cidade até hoje. O ódio que sentia dela, a vontade de matá-la, o desejo de que ela sumisse pra sempre de suas vidas, o medo da profecia se cumprir e ela quebrar a maldição. E de repente a vontade de vê-la quando ela estava longe, a falta que sentia de suas implicâncias, o olhar verde que a fazia estremecer, a sensação boa de quando Emma a carregou no colo no dia do acidente, a felicidade que sentiu quando viu que ela ainda estava no hospital e se preocupou com ela, o abraço que trocaram depois e que foi tão reconfortante, a cada dia a falta que ela fazia, e agora, os beijos, o desejo.
Não sabia dizer em que momento aconteceu essa transição. Do ódio para a vontade de estar perto dela. Isso incomodava um pouco, porque queria entender como aquilo tinha acontecido. Mas não achava explicação. O fato era que agora já não podia negar seus sentimentos. Não depois de tudo que sentiu junto com ela.
Fechou os olhos e respirou fundo. As lembranças daquele momento juntas atacavam sua mente. E seu coração.
"Foi tão bom"
Pensou agarrando o travesseiro.
"Ela me fez perder a noção de tudo. Eu nunca me senti assim. Sem controle de mim mesma."
Naquele momento em que se beijavam tudo pareceu sumir a sua volta. Não existia mais Storybrooke, não existia mais maldição, não existia mais Branca de Neve e Príncipe encantado. E não existia mais uma Rainha Má e uma Salvadora. Existiam apenas duas mulheres que se desejavam, que queriam sentir uma a outra. O mundo a sua volta sumiu, e só sentia a presença da bela loira de olhos verdes. A mulher que fazia seu coração acelerar com um simples sorriso, que a irritava e a deixava feliz ao mesmo tempo. Que de um jeito inesperado e inusitado entrou em sua vida, desestruturando tudo. E que fazia ela sentir tantas emoções distintas.
Regina virou pro outro lado na cama soltando o ar com força. Abriu os olhos novamente e ficou olhando pro nada.
Como iria encarar Emma depois daquilo? Aquele momento foi tão... íntimo. E ela, ou melhor, elas não se preocuparam com nada. Apenas se entregaram a vontade que estavam uma da outra. E Regina pode sentir toda a vontade que Emma estava também.
"Ai, aqueles beijos no meu pescoço."
Imediatamente todos os seus pelos se arrepiaram com o pensamento.
"E a pele dela é tão macia. Nossa, isso é tão gostoso. A pele lisinha, sem nada espetando."
Mordeu o lábio inferior recordando do sabor da pele do pescoço dela.
"Ela tem um cheiro tão bom."
Puxou o ar com força como se quisesse resgatar de dentro de si o cheiro dela e senti-lo de novo.
Seus olhos se fecharam com aquela lembrança boa.
"Ai, Emma... O que você tá fazendo comigo?"
Se lembrou do momento em que Emma a levantou e colocou sentada na mesa.
Seu coração disparou com esse pensamento. E foi impossível não sentir uma pressão entre suas pernas pensando em Emma.
Regina se assustou com aquilo. Apenas uma lembrança estavam fazendo ela reviver tudo que tinha experimentado na delegacia.
Agora sim seria impossível tirá-la da sua cabeça. Por quê? Porque simplesmente queria sentir aquelas coisas de novo. Queria ter Emma em contato com seu corpo de novo. Sua cabeça podia negar, mas seu coração e seu corpo gritavam por aquilo. E admitiu que não conseguiria mais resistir. Mesmo que lutasse com todas as suas forças.
**********
Emma finalmente chegou em casa. Tinha ficado alguns minutos na delegacia depois que Regina saiu, mas logo foi embora.
Ainda não conseguia assimilar direito o que tinha acabado de acontecer. Seus pensamentos estavam desordenados e suas emoções mais ainda.
Ao entrar encontrou Mary Margaret na cozinha, jantando.
– Oi — Emma disse. Tentou parecer normal. Não queria que a amiga percebesse seu estado de nervosismo.
– Oi.
Emma foi direto para a geladeira e pegou uma garrafa de água. Despejou no copo e bebeu quase tudo em um gole só. Tinha que se acalmar.
– E então, como foi com a Regina?
Emma quase colocou toda água pra fora ao ouvir aquela pergunta. Se engasgou e teve um acesso de tosse.
– Emma, meu Deus. — Disse Mary assustada pela amiga ter se engasgado.
Emma não conseguia parar de tossir. Como assim como foi com a Regina? Como ela poderia saber do que aconteceu na delegacia?
Ao se recuperar um pouco, perguntou com a voz ainda um pouco engasgada.
– C-Como assim... — Tossiu mais uma vez — Como assim como foi com a Regina? — O medo estava estampado no seu olhar.
– No passeio ué. Nos estábulos. Como foi lá? — Mary Margaret estranhou o tom da amiga na pergunta.
O alivio tomando conta da loira. Então era isso. Respirou mais calma. E junto com o susto, a tosse também foi passando.
Mas é claro, não tinha como Mary saber de nada. Só podia estar falando mesmo do passeio. Mas espera aí. Como ela sabia disso?
– Como você sabe disso? — Perguntou intrigada.
– Henry me disse. Hoje cedo na escola. Quer dizer, ele disse que ia tentar convencer a Regina a deixar. E como aquele menino é esperto, imaginei que tivesse conseguido. — Concluiu sorrindo. E logo em seguida levou uma garfada de comida até a boca.
– É, pois é. Ele conseguiu. — Emma também riu. Henry era muito esperto mesmo.
Sentou-se no outro banco do lado da amiga e ficou pensativa. Se Henry não tivesse levado elas lá, será que Regina teria ido procurá-la na delegacia? Por que aquele momento íntimo delas nas baias com certeza influenciou, Emma tinha certeza, pois Regina não estava indiferente.
– E então? — Mary perguntou tirando Emma de seus devaneios.
– Então o que?
– Emma, você tá bem? — Perguntou num tom de deboche, rindo. — Como foi o passeio nos estábulos. Acabei de perguntar. Euem — Sorriu de novo achando que Emma estava bem estranha.
– Ah é... Foi bom. Nos divertimos muito. Principalmente o Henry. Ele adorou os cavalos.
– E você andou de cavalo também? — Mary imaginando a cena. Emma em cima de um cavalo, isso era bem engraçado.
– Andei, mas não foi fácil... Quer dizer, depois foi, mas no começo foi bem difícil. Nunca tinha reparado o quanto aquele bicho é grande. Parecia que eu tava escalando um precipício na hora de subir nele.
Mary riu alto e dessa foi ela que quase se engasgou com a comida.
– Você tá rindo? Queria ver você lá. — Brincou.
– Desculpa, Emma, é que é engraçado imaginar você tentando subir no cavalo. — Gargalhou.
E Emma não aguentou, riu junto. Era incrivelmente bom conversar com sua amiga. Sentia uma paz, um carinho. Apesar dos poucos meses, parecia que se conheciam há anos.
– Bom, mas por fim você conseguiu, né?
– Sim. — Respondeu lembrando de Regina. Se não fosse por ela não teria conseguido. — Regina me ajudou. — Falou olhando para o copo já vazio, que ela segurava com as duas mãos sobre a mesa.
– Sério? — Mary Margaret estava boquiaberta.
– Sério.
– Nossa, que coisa. Desde quando a Prefeita se tornou tão prestativa?
– Não sei. — Disse respirando fundo — Mas o fato é que prefiro essa versão dela.
As duas riram. Emma tentava se distrair e parar de pensar em Regina. Mas como, se estavam falando dela? E na verdade, no fundo, falar dela proporcionava uma emoção gostosa de sentir. Ainda mais depois do que houve na delegacia.
– Que bom que foi tudo bem lá. Fico feliz. Pelo visto as coisas estão mudando mesmo.
– Pois é, é o que parece. Tomara que continue assim.
Emma levantou-se e colocou comida em seu prato. E logo sentou novamente ao lado de sua amiga, que apesar de já estar acabando de jantar, fez companhia pra ela.
Depois de um breve silêncio enquanto Emma mastigava sua primeira garfada de comida, ela perguntou:
– E você e o David, como estão?
– Não existe “eu e David”. — Respondeu pesarosa.
– Você não vai mesmo dar uma chance a ele? Olha, ele parece arrependido de verdade.
Mary suspirou. Em seu coração sentindo toda a saudade que ele lhe causava. Amava David mais do que tudo, mas não conseguia esquecer a maneira fria como ele mentiu pra ela e pra esposa. Não conseguiria conviver com isso.
– Todo erro deixa uma consequência, Emma. E eu não sei se conseguiria viver sempre lembrando do que ele fez.
– Eu imagino como deve ser difícil. — Emma concordou lembrando de toda a decepção que sentiu com Neal.
E desde aquele dia prometeu pra si mesma que nunca mais confiaria em ninguém.
– Muito difícil. — Concluiu Mary em tom tristonho.
Emma não falou mais nada. Sabia o quanto aquilo fazia a amiga sofrer. Ficaram em silêncio por alguns minutos. Emma comendo e Mary pensando em David. Mas pensar nele não resolveria nada, não faria aquela dor passar, não traria o tempo de volta pra ver se ele faria certo dessa vez. Era melhor parar de pensar. Mesmo parecendo impossível.
– Mas e você? Ultimamente você tem andando bem diferente. Pensativa, suspirando. Outro dia eu te disse que isso era coisa de gente apaixonada. E continuo achando a mesma coisa. — Falou sorrindo. — Não vai me contar quem é a pessoa que tá fazendo isso com você?
Emma quase suou frio, seu estômago embrulhou no mesmo instante.
– Não tem ninguém, Mary Margaret. — Sua resposta não convenceu nem ela mesma.
– Ah tá. E você quer que eu acredite? Emma eu te conheço. Poxa, por que não me conta? Você não confia em mim?
Emma mastigava sua comida e ouvia a amiga. Não saberia dizer se confiava nela. Para Emma era difícil confiar em alguém. Mas ela era sua amiga, e sentiu uma leve tristeza por mentir pra ela. Será que já não era hora de contar? Não aguentava mais guardar aquilo dentro dela. Ainda mais depois do que aconteceu na delegacia. Precisava compartilhar aquilo com alguém. E Mary era a única pessoa com quem podia conversar.
– Hein, me fala, Emma. — Mary insistiu vendo que a amiga não falava nada.
Como ela iria explicar. Era estranho. Não só por que era uma mulher. Também era isso, afinal aquilo era muito novo pra ela. Mas era principalmente pela pessoa que estava fazendo ela sentir aquilo tudo. Como dizer que essa pessoa era Regina?
– Já disse que não tem pessoa nenhuma. Você tá vendo coisa onde não tem.
Não teve coragem de falar. Emma não sabia como se abrir, não sabia como desabafar. O que para algumas pessoas podia parecer fácil, pra ela era muito complicado. Se abrir com alguém, confiar em alguém, era algo que não sabia fazer. Não saberia explicar pra ela o que estava se passando. Emma era sempre prática e objetiva, mas em se tratando do que era não tinha como.
– Ok. Se não quer falar, vou respeitar.
Emma sentiu um certo desapontamento na voz dela e se sentiu mal por isso. Afinal era sua amiga e estava mentindo pra ela.
– Bom, eu vou subir. – Emma disse.
– Mas você nem acabou de comer.
– Eu não tava com tanta fome.
E era verdade. Não conseguia parar de pensar no que tinha acontecido. Ainda mais com Mary insistindo naquele assunto. Tudo que queria agora era relaxar. Despediu da amiga e subiu as escadas em direção ao seu quarto.
Assim que entrou deixou seu corpo cair na cama. Com os braços abertos e uma das pernas jogadas para o lado de fora. Soltou todo o ar que estava preso em seus pulmões. Seu olhar fixado em um ponto qualquer do teto, enquanto sua mente viajava naquele momento com Regina.
"Que boca gostosa.”
Pensava vagando por aquele momento.
"Que cheiro gostoso. Que pele macia. Deus, tudo nela é bom."
Seu coração acelerando de novo.
Ficou pensando em tudo naquele momento. Tudo estava gravado em sua mente. Cada detalhe do que aconteceu. Desde a hora que Regina chegou lá até a hora que a viu sair.
“É uma mulher. Isso é tão estranho”. A confusão querendo vir à tona. “Mas foi tão bom”
Aquele primeiro beijo que Regina lhe deu foi surpreendente. Emma não esperava. E a morena a beijou com tanta vontade. Emma pode sentir um frio em sua barriga lembrando de quando Regina se aproximou rápido e praticamente agarrou ela. Emma nem teve tempo de reagir, de falar algo. Mas quem disse que queria falar alguma coisa? Ou fazer outra coisa que não fosse beijá-la. Ela queria aquele beijo, queria aquela boca exatamente ali, grudada na sua.
Fechou os olhos e mordeu o lábio inferior lembrando daquilo.
A intensidade do que sentiu naquele beijo jamais poderia ser explicada em palavras. Foi algo como descargas elétricas e ondas de fogo. Algo como sentir o chão sumir de seus pés e de repente flutuar. Como se todo o seu ser estivesse sendo invadido pelo melhor aroma do mundo, o cheiro dela. Como se de repente se sentisse forte e fraca ao mesmo tempo. Corajosa e ainda assim, frágil. E precisava dos braços dela para se sentir bem.
Sua cabeça parecia girar como furacão. Regina lhe dera todos os motivos para odiá-la. E agora Emma sentia todo esse desejo por ela. E não era só isso, também se preocupava com ela. Como foi quando ela sofreu o acidente. Agora sentia falta dela, queria estar perto, queria ouvir aquela voz rouca e arrogante, queria ter certeza de que ela estava bem.
"O que eu vou fazer?"
Agora tinha certeza que Regina sentia o mesmo que ela estava sentindo. Mas o que estava sentindo? Nem ela mesma sabia responder isso. Mas se a morena foi procurá-la é porque com certeza compartilhava daquela vontade.
Suspirou fundo e levantou da cama. Tirou suas roupas rapidamente e foi para o banho.
E agora o que iria fazer? Era o que se perguntava enquanto sentia a água quente escorrer por sua pele. Que atitude tomar? Será que deveria procurá-la? Ou esperar que a morena fosse até ela?
E se resolvesse procurá-la o que iria dizer? Não sabia bem o que queria. Aquilo tudo foi muito gostoso, mas não sabia lidar com todas aquelas emoções e sentia medo.
Ficava lembrando de Neal e do que ele fez, de como a magoou. Prometeu a si mesma que jamais voltaria a se envolver com alguém daquela forma. E então a vida lhe prega uma peça. Essa pessoa que ela tanto desejou que nunca aparecesse em sua vida, a pessoa que despertaria isso nela novamente, era Regina.
Se sentia perdida.
**********
O dia começou muito mais cedo para a Prefeita. Quase não dormiu a noite e perdeu o sono ainda faltando alguns minutos para as 5 da manha.
Agora, já quase 11 da manhã, já estava na Prefeitura e estava exausta pela noite mal dormida.
Mas esse cansaço não era maior do que a quantidade de pensamentos e lembranças que lhe consumia. Lembranças da noite anterior na delegacia.
Sentia-se envergonhada. Tinha tomado uma atitude impulsiva indo procurar Emma. Mas por mais que tentasse achar motivos pra se arrepender daquilo, não conseguia. Só conseguia pensar que se não tivesse ido até lá, não teria sentido todas aquelas sensações gostosas. Não teria se sentido... viva.
Levantou da cadeira, foi até o armário e retirou uma garrafa de vinho. Despejou um pouco do liquido no copo e passou a andar de um lado pro outro no gabinete.
Tomou um gole do vinho e fechou os olhos enquanto sentia o líquido descer por sua garganta.
Em que momento aquilo havia acontecido? Todo aquele ódio se transformar em desejo. Não conseguia mais dormir direito, nem se concentrar no trabalho, nem olhar para Henry sem se lembrar dos traços perfeitos do rosto da loira.
Parou de andar por um momento e encostou o corpo em sua mesa. Tola atitude, pois aquilo imediatamente a levou para aquele momento em que Emma a abraçou e pressionou o corpo de Regina contra aquela mesa na delegacia.
Um arrepio subiu por sua espinha e ela fechou os olhos para saborear melhor a lembrança do momento que Emma a levantou e colocou sentada na mesa.
Suas bochechas arderam lembrando daquilo, pois só ela sabia bem o que sentiu quando Emma se encaixou no corpo dela e a beijou mais uma vez.
Já havia se tornando impossível não pensar na loira. E agora havia constatado que pensar nela, apesar de lhe causar certa confusão, proporcionava uma sensação gostosa. Emma fora tão carinhosa na noite anterior. Regina pode sentir carinho nos toques dela. Não era só desejo o que vinha da loira. Era... Ternura. Sorriu levemente emocionada com esse pensamento. Será que depois de tudo que Regina fizera, era possível que alguém gostasse dela de alguma forma?
Precisa saber. Regina precisava saber o que Emma pensava. Afinal fugir não estava adiantando. Quanto mais tentava lutar contra aquilo, mais forte aquele sentimento ficava.
Seu coração bateu forte. Pelo nervosismo, pela euforia, pelo desejo, pela saudade que já se instalava, e principalmente pela vontade de saber o que Emma pensava de tudo aquilo.
"Deus, ela é uma mulher."
Queria entender em que momento aquela atração... diferente... surgiu nela.
Se na Floresta Encantada não havia casos de mulheres com mulheres, ou homens com homens? Sim, havia. Isso sempre existiu em qualquer Reino, em qualquer época. Afinal é algo natural do ser humano. E até de outras espécies animais. Mas naquela época, naquela terra de reis e rainhas, príncipes e princesas, aquilo era muito mais abafado. Já nesse mundo isso parecia ser mais compreendido. Mas o fato é que Regina nunca tinha sentido isso, nem naquele Reino e nem nesse. E isso a deixava confusa.
Mas essa confusão estava dando lugar para aquele sentimento que parecia crescer a cada dia. E a vontade de ficar perto de Emma, de olhar naqueles olhos, ouvir sua voz. Seu coração ficava tão quente quando estava perto dela.
A tarde anterior nos estábulos foi simplesmente maravilhosa. E a presença de Emma ali só fez tudo ficar ainda melhor, tinha que admitir.
“Você precisa se dar uma chance de ser feliz”. Lembrou das palavras do Dr. Hopper naquele dia no consultório.
Será que...? Será que Emma poderia ser parte dessa felicidade. O sorriso despontou de seus lábios mais uma vez. Uma certa esperança crescendo dentro dela. Respirou fundo e resolveu que tinha que fazer aquilo. Iria conversar com Emma, saber o que ela achava, o que estava acontecendo, e seria agora.
Desencostou da mesa, largou o copo ma mesma, pegou sua bolsa e saiu do gabinete.
**********
Na delegacia Emma não fazia outra coisa a não ser olhar para aquela mesa. Estava sentada na saleta de vidro e de lá podia olhar para aquele local onde na noite anterior tinha experimentado tantas sensações e emoções que nunca pensou ter.
Não conseguia parar de pensar em Regina. Em tudo que tinha acontecido. No encontro nos estábulos. Em Regina indo procurá-la. Naqueles beijos. Na coragem louca que teve de colocar a morena sentada naquela mesa.
Já não aguentava mais aquela vontade de ver Regina de novo. Era tão bom ouvir a voz dela, sentir aquele cheiro delicioso, e beijar ela. Nossa, isso era incrível.
Mesmo quando Regina a irritava era bom. De um jeito muito estranho, mas era. Fazia parte de Regina, foi assim que Emma a conheceu. E aquele jogo de implicância parecia ter se tornado parte da vida delas.
Estava difícil aguentar o nervosismo hoje. Tentava controlar um tremor interno que sentia simplesmente pela lembrança dos lábios de Regina nos seus. Aquilo tudo parecia até sonho, mas Emma sabia que era bem real. E seu corpo pedia por mais daquilo. Queria o corpo dela colado no seu mais uma vez, queria aquela boca macia junta a sua mais uma vez.
“Tão linda.”
Antes de conhecer Regina, jamais havia reparado tanto na beleza de uma mulher. Mas agora conseguia admirar todos os detalhes. Mas não de todas as mulheres. A única que a fazia sentir assim era aquela mulher arrogante e prepotente, charmosa e autoritária, de voz sensual e olhar forte, e ao mesmo tempo um olhar doce, que parecia esconder uma grande dor.
Seu ser estava totalmente tomado por Regina Mills. E isso a assustava. Não sabia lidar com aquelas emoções. Precisava ir com calma. Ainda mais se tratando de quem era. Havia a possibilidade de Regina agir como doida de novo e dizer que tudo aquilo foi uma completa loucura.
E além do mais, nem a própria Emma sabia bem o que pensar daquilo ou o que queria. Tudo era tão novo e assustador. Não queria se deixar levar por algo que não entendia direito.
Por enquanto iria apenas conversar com ela. Saber por que ela a procurou. Saber porque nos estábulos disse uma coisa, e então à noite veio procurá-la. Emma não pretendia mais ficar ouvindo que aquilo era loucura. Se Regina dissesse isso mais uma vez, seria um basta para Emma. Iria fingir que aqueles dois beijos de antes e o momento inesperado na delegacia não tinham acontecido.
Embora parecesse loucura mesmo, afinal ela e Regina eram o casal mais inusitado do mundo.
Casal?
Isso estava se tornando sério demais na cabeça confusa da loira. Não podia se entregar e acabar se ferindo. Ainda mais sendo Regina, a mulher que tantas vezes tentou prejudicá-la. Depois de ter se magoado tanto com Neal, não podia ser tão tola de novo e se entregar assim sem pensar em nada.
"Regina"
Mas como não ceder aquilo? Só de pensar no nome dela seu corpo estremecia. E tudo aquilo que sentiu com Regina não seria fácil de deixar de lado. Pelo simples motivo de que ela queria sentir aquilo de novo, queria sentir mais.
Um sorriso tímido se formou em sua boca lembrando de como Regina estava nervosa quando chegou na delegacia. Provavelmente porque queria beijá-la e não sabia o que dizer. O coração de Emma acelerou lembrando da maneira desesperada e cheia de vontade que Regina a beijou.
"Ela queria me beijar". Sorriu emocionada.
Por mais que não quisesse se entregar aquele sentimento, porque sabia o quanto ele estava ficando forte e tinha medo disso, não conseguia mais se negar aquilo. Queria Regina. Queria seus beijos de novo, seu abraço, seu calor, seu cheiro. A desejava. Como há muito tempo não desejava ninguém. Mesmo sendo uma mulher. Sim, Emma a desejava.
O fato dela ser mulher já não importava mais. Apesar de ser diferente, de assustar um pouco, Emma sempre fora livre, desprendida de qualquer preconceito. Ela queria Regina.
Mas tentava se convencer de que era apenas atração. Uma curiosidade e nada mais. E não iria se apegar. Iria agir como agiu com todos os homens depois de Neal. Apenas se divertia. Matava seu desejo e não se apegava a ninguém.
Mas no fundo Emma sabia que dessa vez era diferente.
Já não aguentava mais de ansiedade. Precisava falar com Regina. Saber o que ela achava disso tudo. E por que tinha ido procurá-la se no estábulo disse mais uma vez que era loucura.
Levantou da cadeira sentindo as pernas tremerem e o estômago revirar. O que iria dizer quando chegasse no gabinete de Regina?
Não importava, no caminho pensaria em alguma coisa. Só de pensar em encontrar com a morena seu coração batia cada vez mais rápido. Apesar do nervosismo, uma certa felicidade parecia surgir.
Pegou sua jaqueta vermelha, que estava envolvendo o encosto da cadeira. Vestiu e saiu da saleta de vidro. Uma ansiedade por pensar em encontrar a dona de seus pensamentos.
Prestes a passar pela porta para chegar ao corredor, sentiu seu corpo esbarrar em alguém. Estava tão distraída que nem percebeu a presença da pessoa que chegava.
– August?!
– Oi, Emma. — Ele sorriu segurando os ombros dela após o esbarrão. — Aonde vai com tanta pressa?
Ela se afastou.
– Eu tenho que resolver uma coisa. O que faz aqui? — Estava irritada. Queria sair para falar com Regina.
– Queria falar com você. Podemos conversar? — Perguntou ainda na porta do gabinete dela.
– Agora? — Seu tom foi mais rude do que ela desejava.
Percebeu que ele ficou sem graça.
– Quer dizer, é que eu realmente tô com pressa. Mas se for rápido, podemos sim.
Ela andou e encostou na mesma mesa onde esteve com Regina. Cruzou os braços. Sua postura corporal demonstrando que não queria estar ali com ele.
August deu alguns passos a frente e começou a falar.
– Bom, Emma. Eu só queria... Me desculpar com você. — Percebeu a expressão confusa dela e explicou. — Pelo beijo daquele dia.
Emma respirou fundo e desviou o olhar.
– Emma, eu não quis te ofender. — Esperou algum comentário dela, mas não veio. — Eu confundi as coisas. Me desculpa?
– Ok — Respondeu séria voltando a olhar pra ele. — Só espero que isso não volte a acontecer. — Foi curta e grossa.
– Pode ficar tranquila. Eu não sou muito fã de ficar levando foras. — Riu irônico.
Ela acabou rindo também.
– Então... — Ele se aproximou — Amigos? — Estendeu a mão esperando que ela apertasse.
Ela descruzou os braços e apertou a mão dele. Ele sorriu. Realmente acabou confundindo as coisas. Não estava ali para conquistar o coração dela. Mas sim para fazê-la acreditar na maldição.
– Bom, agora eu tenho mesmo que ir. — Soltou a mão dele.
– Tá bem. Eu só vim mesmo falar isso.
– Ok. — Respondeu e desencostou da mesa para sair.
Nesse momento outra pessoa entra.
"Regina"
Emma disse em pensamento quando a viu entrar.
Seu coração gelou. E o ar pareceu faltar por um segundo.
– Regina... Oi... — Emma disse com a voz um tanto nervosa.
Regina sentiu uma coisa estranha quando entrou e viu os dois juntos. Uma certa angustia. Não esperava encontrar ali aquele... Aquele... Homem. O que Emma estava fazendo ali com ele? De novo.
No mesmo momento uma raiva começou a subir por seu corpo. Quase podia sentir o sangue circulando mais rápido, deixando seu corpo quente. Respirou fundo. Agora se sentia idiota.
– Me desculpe, Xerife. Eu não sabia que tinha... visitas. — Disse sentindo nojo ao lembrar que ele a tinha beijado.
– Olá, Senhora Prefeita. — August a cumprimentou.
Aquele sorrisinho e aquele tom naturalmente debochado dele faziam o sangue dela ferver. Como desejou naquele momento ter magia e arrancar o coração dele.
Nem sequer se deu ao trabalho de responder ao cumprimento dele.
Olhou nos olhos de Emma com raiva. Como se perguntasse mentalmente o que ela estava fazendo com ele. Mas por que toda aquela raiva? Eles não estavam fazendo nada.
Ciúmes?
Sim. Só podia ser isso.
Logo percebeu o papel ridículo que estava fazendo ali.
– Eu volto outra hora. — A fala arrogante saiu apenas pra que não parecesse tão idiota saindo dali de repente sem dizer nada.
Imediatamente se virou e saiu. Mesmo correndo o risco de parecer patética indo embora, não se importou. Estava chateada por ter encontrado ele ali. Ele não devia estar ali. Não queria ele ali justamente no momento em que ia falar com Emma. E agora estava com raiva de si mesma por ter feito papel de idiota indo até lá. Sua cabeça fervilhava enquanto caminhava rápido pelo corredor.
Emma não entendeu muito bem o que aconteceu ali. Sua mente estava ocupada demais admirando Regina, lembrando do que acontecera ali na noite anterior, para raciocinar alguma coisa.
Teria Regina ido até ali para conversar com ela? Mas porque fora embora assim sem mais nem menos?
Emma então lembrou da presença de August ali. E logo lembrou que Regina tinha visto o beijo entre eles daquela vez. Será que...? Será que ela tinha sentido ciúmes?
Aquilo apertou seu coração de tal forma que não podia respirar direito. Nem se importou com homem parado ao seu lado e saiu em disparada atrás de Regina. Teve medo. Medo dela estar com raiva. De repente toda aquela confusão sobre não se entregar aquele sentimento pareceu sumir. E a simples possibilidade de Regina estar com ciúme e com raiva afligiu seu coração.
Saiu correndo pelo corredor sentindo o coração palpitar.
– Regina! — Chamou quando chegou à porta da delegacia.
Alcançou a morena quando ela já estava do lado de fora, com a mão na maçaneta do carro.
– Regina, espera! — Disse um pouco mais baixo quando chegou perto dela.
A morena respirou fundo, sentindo um misto de ódio e vergonha. Soltou a maçaneta do carro e virou.
– Você veio conversar comigo? — Emma perguntou desejando que ela respondesse sim.
– O que isso importa? — Seu tom arrogante — Pode continuar a conversa com seu namorado. — Falou exasperada. E debochada na palavra "namorado". Estava com tanto ciúmes que não pensava no que estava falando.
– O que...?! Ele não é meu namorado! — Respondeu irritada com o tom e a insinuação da outra — E eu já te disse isso!
– Ah, por favor, Swan. Ninguém me contou. Eu vi vocês se beijando. — Após falar isso, virou o olhar pro lado como uma criança birrenta.
O coração de Regina batia com força pela raiva. Raiva pela lembrança daquele homem, que ela achava asqueroso, beijando Emma. Raiva por estar com ciúmes. Raiva por que naquele exato momento, mesmo sentindo tudo isso, queria desesperadamente beijar a loira.
– É, e se você viu, sabe que eu não correspondi o beijo dele. Eu afastei ele... E fui embora. — Emma estava nervosa, e começava a falar no mesmo tom da Prefeita.
É verdade. Regina sabia que Emma tinha ido embora um segundo depois dele ter beijado ela. Sim, ela não correspondeu o beijo dele.
Mas era mais forte do que ela. Estava morrendo de ciúmes. E aquilo doía... muito. Baixou o olhar e suspirou.
– Regina... Nós precisamos conversar. — Falou mansa, se aproximando um pouco mais.
Podia sentir o cheiro da morena. Aquele cheiro que mexia com todos os seus sentidos. E ela estava linda como sempre.
Emma estava perto e Regina sentia que não conseguiria controlar sua vontade de beijá-la sentindo aquele cheiro maravilhoso dela. Como ela queria sentir Emma de novo. Sentir sua boca de novo.
O que era isso? Por que era tão forte?
– Agora não, Srta. Swan! Volta pra lá e continua sua conversinha com ele. — Falou com um sorrisinho irônico no final.
Virou, entrou no carro batendo a porta com força, e deu a partida. Mesmo sem ter muita certeza se conseguiria dirigir. Afinal suas pernas tremiam.
Emma ficou ali parada, olhando o carro de Regina ficar cada vez mais longe, até que ele sumiu de sua vista.
Soltou o ar irritada. Por que Regina tinha que ser sempre assim tão teimosa? Tão cabeça dura! Pela atitude dela em relação a August, Emma teve certeza que ela estava com ciúmes. Mas nem deixou Emma falar nada, nem quis conversar.
"Que droga!"
Caminhou de volta para dentro da delegacia.
– Você está em problemas? — August perguntou assim que ela entrou novamente na sala.
– Acho que sim. — Respondeu pesarosa, imaginando que depois desse pequeno atrito, a conversa entre elas seria bem mais complicada.
– Essa Prefeita é osso duro de roer. — Falou rindo.
– Você não imagina o quanto. — Emma estava meio desnorteada.
– Então, vamos? — Ele perguntou.
– Han?
– Você disse que tinha que resolver algo fora da delegacia. E como eu já tô de saída... Então...
– Claro... Vamos.
Agora teria que sair. Ficaria estranho dizer que não tinha mais nada pra fazer lá fora depois que Regina apareceu ali. E talvez fosse bom fazer uma ronda, tentar se distrair.
Caminharam juntos até a saída. De lá ele foi embora em sua moto e Emma saiu com a viatura.
Dentro carro, sozinha agora, começou a repensar o que tinha acabado de acontecer. Será que Regina tinha ido lá pra conversar sobre o que tinha acontecido na noite anterior?
Queria saber, e elas ainda precisavam conversar. Poderia ir atrás dela na Prefeitura ou na mansão. Mas conhecendo Regina e conhecendo a si mesma, sabia que depois daquilo e da tensão que se formou, acabariam discutindo.
Era melhor deixar pra depois. E talvez fosse melhor deixar pra lá. Estava com raiva. Não tinha porque Regina ter agido daquele jeito. Ela e Ausgut não estavam fazendo nada. E além do mais, que direito ela tinha de sentir ciúmes depois de ter dito várias vezes que aquilo era loucura e que não iria acontecer mais? Não tinha direito nenhum.
Mas espera. Ela foi procurar por Emma na delegacia. Ela tomou a iniciativa do beijo. E se entregou intensamente aquele momento. Regina quis aquilo tanto quanto ela. E Emma ficava imaginando o que teria acontecido se Henry não tivesse ligado.
"Ela foi me procurar".
Talvez não estivesse sendo fácil pra ela. Talvez Regina estivesse tão confusa sobre aquilo tudo quanto ela. Talvez também estivesse tentando lutar contra aquilo.
Emma passava pelas ruas sem prestar muita atenção nas coisas. Nada mais parecia importar além daquilo que estava acontecendo entre elas duas. Mas o que estava acontecendo? Ela não sabia dizer.
"Será que ela sentiu mesmo ciúme de mim?” Sorriu.
Mas e agora o que iria fazer? Regina estava com raiva. E Regina com raiva era um perigo ambulante. Era melhor deixá-la se acalmar e depois tentar conversar. Talvez fosse melhor deixar para um outro dia.
**********
Já passava das duas da tarde. Regina tinha ido para casa depois que saiu da delegacia. Estava nervosa, com raiva, não conseguiria trabalhar mesmo. Então decidiu ir para sua casa, almoçar lá mesmo e relaxar um pouco.
Agora já estava em sua Mercedes novamente. Saíra de casa há alguns minutos e ia em direção a Prefeitura. Não podia perder todo o dia de trabalho por causa daquilo.
De repente algo mais à frente chamou sua atenção. Era um aglomerado de pessoas. O que será que estava acontecendo? Ficou curiosa. Mas não pretendia parar, se fosse algo sério logo ela seria avisada mesmo, afinal era a Prefeita. Não estava com cabeça para se preocupar com essas coisas agora.
Até que viu ali estacionada a viatura. O coração bateu forte. Emma estava ali.
Mas afinal o que estava acontecendo ali? Reduziu a velocidade e estacionou um pouco atrás. Caminhou até lá, adentrando por meio daquelas pessoas e dos olhares assustados por ver a Prefeita ali. Quando se aproximava do centro pode ouvir duas vozes. Uma delas era a de Emma. O que o simples ouvir daquela voz fazia com ela era inexplicável. Não acreditava que estava se enfiando no meio de uma confusão de pessoas só porque sabia que Emma estava ali.
– Gold, tenta ser um pouco mais razoável. Dá mais alguns dias pra ele. — Emma falava.
– Eu já dei um prazo a ele, Xerife Swan. E ele não cumpriu. O prazo acabou. — Gold falava irritado.
– Mas...
– O que está acontecendo aqui? — Regina perguntou antes que Emma pudesse concluir o que iria falar.
A loira olhou surpresa. Nunca iria esperar que ela aparecesse ali.
Regina se aproximou um pouco mais.
– Ah, olá, Prefeita. — Sr. Gold disse com um sorriso sarcástico.
– O que está havendo, Xerife Swan? — Nem se importou com ele e perguntou diretamente para Emma.
– Regina, o Sr. Tillman, está devendo ao Gold o aluguel da casa e da oficina. Mas ele não pode pagar. E o Gold quer expulsar ele daqui. — Emma falou tentando controlar o que estava sentindo pela presença dela ali.
Só então Regina percebeu mais a frente o homem, que tinha uma menina de longos cabelos loiros e ondulados, abraçada a seu corpo, com uma expressão triste.
– Um acordo é um acordo. Você não concorda, Prefeita? — A olhou com aquele sorriso, sabendo que Regina entenderia bem o que ele estava falando sobre acordos. — E ele não cumpriu o dele. Portanto estou no meu direito.
– Senhora Prefeita. — O homem chamou em tom de desespero. Regina olhou pra ele. — Eu nunca deixei de cumprir minhas obrigações. Nunca deixei de pagar o aluguel ao Sr. Gold. — Ele estava aflito. — Mas o meu filho, Nicholas, ficou doente. Ele está com uma pneumonia muito grave. Há quase dois meses ele está internado.
A voz do homem denotava toda sua tristeza. Olhou para a menina agarrada ao pai. Ela tinha o rosto vermelho, os olhos molhados. Estava chorando.
– No mês passado eu tive que atrasar o pagamento ao Sr. Gold para comprar os remédios e pagar o hospital. E agora não posso mesmo pagar a ele. Todo dinheiro que tem entrado com o conserto dos carros só está dando para as despesas com o Nicholas e sobrando um pouco para comer. — Regina percebeu os olhos dele marejarem.
Regina olhou de relance para Emma. A loira, que olhava pro homem enquanto ele falava, tinha uma expressão preocupada, e um pouco triste.
– Isso tudo é muito comovente, mas não me importa. Negócios são negócios, e eu preciso do meu dinheiro. Se não quer pagar, pois bem, outro irá querer. É só você deixar a casa e a oficina nesse exato momento.
– Não! Papai? — A criança desesperada chamou pelo pai e o apertou ainda mais no abraço.
– E pra onde nós vamos? — O pai perguntou com a voz baixa e trêmula.
– Bem, isso não é problema meu. — Gold respondeu.
– Gold, por Deus. Tem uma criança nisso tudo. Ou melhor, duas. O menino está no hospital. — Emma disse indignada com a atitude dele.
Regina, que observava tudo em silêncio, sentia algo diferente dentro dela. Olhava para aquela criança assustada, chorando. O desespero daquele pai. Que sentimento estranho era esse agora? Será que estava com pena deles? Mas justo daquela criança? A mesma que a rejeitou há muitos anos na floresta encantada.
Olhou para Emma mais uma vez. A loira tinha uma postura firme, com os punhos cerrados. Podia jurar que ela estava se segurando para não quebrar a cara do Rumple.
– Gold? — Regina chamou. — Não quero interromper os seus negócios, mas poderia me acompanhar um minuto? Preciso falar com você.
"Não quero interromper seus negócios?” “Sério?” Emma pensou incrédula. "Não é possível. Depois de ter ouvido tudo aqui e o desespero desse homem, ela ainda acha que o Gold tá certo?” Estava indignada.
Virou para o lado e bufou quando viu Regina se afastar para um canto com ele. Não acreditava que Regina concordava com ele. Voltou a olhar na direção de onde eles estavam. Eles conversavam baixo. Emma não conseguia acreditar no que Regina tinha falado. Será que ela era tão insensível assim?
Sim, aquela era a Regina que Emma conheceu. A mulher fria, que não mede esforços para conseguir o que quer, mesmo se tiver que passar por cima dos outros. É claro que ela não se importava com aquele homem e com aquelas crianças. Eles não eram ninguém pra ela.
Voltou a olhar para a criança abraçada ao pai. Aquela criança que lembrava tanto ela mesma. Cresceu sem os pais. A única pessoa que teve foi o irmão. E agora que Emma tinha conseguido unir ela e o irmão ao pai, acontece algo assim.
Desviou o olhar para onde Regina estava. Tão linda, tão charmosa. Sentiu raiva. Achava mesmo que Regina estava mudando, mas depois da frieza com que ela agiu diante daquela situação, Emma viu que não estava. Suspirou desapontada.
Logo viu Regina se afastar de Gold e ir embora sem retornar ao local onde Emma estava. Mas não sem antes lançar um olhar pra ela. Emma estava com tanta raiva que desviou o olhar. Gold se aproximou, e quando Emma olhou de novo, Regina já tinha saído com o carro.
– Bem, Sr. Tillman, como disse negócios são negócios. Mas veja bem – Ele se aproximou um pouco mais – Para não dizer que sou um homem sem coração... vou te dar até amanhã para pagar o que me deve.
As pessoas que ouviram se indignaram, mas não podiam fazer nada.
– Mas... amanhã... De onde vou tirar esse dinheiro até amanhã? Por favor, meu filho está doente e eu tenho que cuidar dele.
– Até amanhã, do contrário pode deixar o lugar.
– Gold, você...
– E você, por favor não se meta, Xerife Swan – Ele a interrompeu – Eu tenho um contrato... E estou no meu direito.
Dizendo isso foi embora. Emma olhou para o homem abraçado a sua filha e viu toda a dor no rosto dele. Aquilo apertou seu coração. Queria ajudar. Mas como? Aproximou-se deles. Aos poucos os que estavam ali também foram se dispersando. Afinal o que poderiam fazer? Gold queria todo o dinheiro para amanhã.
– Fica calmo. Vamos dar um jeito. – Emma falou colocando a mão sobre o ombro dele. Mas não tinha muita certeza do que falava.
Ele fez que sim com a cabeça e sorriu tristemente para a filha. Precisava ser forte por ela.
– Não sabia que seu filho estava no hospital. Desde que os entreguei a você não tive mais noticias deles.
– Sim. – Respondeu engolindo o choro que estava prendendo. – Estou gastando todo o dinheiro com o tratamento dele. Mas o Dr. Whale disse que a infecção está muito grave e ele ainda vai ter ficar mais um tempo no hospital. Não sei o que vou fazer.
Emma ficou em silêncio. Não havia o que dizer.
– Posso visitar ele? – Perguntou depois de alguns segundos.
– Claro. – Eu estava indo pra lá antes do Gold chegar.
Emma realmente se preocupou com o menino, afinal a história dele e da irmã lembrava muito a dela.
Foi para o hospital na viatura, o homem e a filha foram no carro dele. Ao chegarem, se encaminharam para o quarto onde o garoto estava. O quarto era parecido com aquele onde Regina ficou quando sofreu o acidente, tinha a metade da parede em vidro, e podiam ver o lado de dentro. O menino estava deitado na cama, com um aparelho respiratório cobrindo seu nariz e boca. Ele estava dormindo, e uma enfermeira esta do lado anotando algumas coisas no prontuário.
Ao ver aquela cena Emma sentiu uma forte pressão no peito. Era apenas uma criança. E estava naquele estado. Não pôde deixar de imaginar Henry naquela situação. Seu coração pareceu rasgar. Puxou o ar com força sentindo dificuldade em respirar.
– Nos últimos dias ele piorou muito. E não podemos mais entrar na sala por que a infecção tá muito forte.
Emma apenas olhou para o homem, não conseguia dizer nada. Podia ver toda a tristeza nos olhos dele e também da menina.
– Com licença, vou beber uma água. Vamos, Ava. – Disse e se afastou.
Dr. Whale se aproximou alguns segundos depois de Emma de ter ficado sozinha na frente do quarto.
– Fiquei sabendo do aconteceu agora pouco entre o pai dele e o Sr. Gold.
– Nossa, tudo nessa cidade se espalha rápido. – Emma respondeu – É muito grave? – Perguntou olhando para o garoto do outro lado do vidro.
– Bastante. – Respondeu respirando fundo. – Ele tinha melhorado, mas de algumas semanas pra cá não está respondendo bem ao tratamento. Vamos ter que mudar os remédios. E, bem... esses são mais caros.
– Não me admira que tenha o organismo tão fraco. Durante anos ele e a irmã viveram sozinhos, em condições precárias, sem se alimentar direito. – Emma falou.
– Pois é...
– Dr. Whale – Uma enfermeira se aproximou – Telefone para o senhor.
– Obrigado. – Disse para a moça – Com licença, Xerife.
Ela fez um aceno de cabeça e ele saiu.
Olhou mais uma vez para o menino, e suspirando abatida, caminhou para onde pai e filha estavam.
Depois de alguns minutos conversando com o homem, Dr. Whale retorna.
– Tillman! – Whale chamou enquanto se aproximava. – A sorte te sorriu hoje. – Ele tinha um grande sorriso.
O homem e Emma se entreolharam sem entender.
– Acabei de receber uma ligação com a melhor notícia da sua vida, rapaz. – O médico falou tocando os dois ombros dele em sinal de cumprimento.
– Como assim, Dr.? Do que está falando? – Ele perguntou aflito.
– A pessoa que me ligou ofereceu uma grande doação em dinheiro para pagar o tratamento do seu filho até ele se curar!
Emma assumiu uma expressão incrédula. Já Micheal Tillman e sua filha sorriram surpresos.
– Mas Dr... Eu não vou poder pagar por isso depois...
– Essa é a melhor parte. Não vai precisar se preocupar com isso. Foi uma doação anônima e você não vai precisar pagar nada. Apenas cuidar de seu filho.
Ele sorriu boquiaberto, e olhando para a filha, a abraçou feliz.
– Whale. – Emma puxou o médico para um canto enquanto o homem estava distraído curtindo sua sorte. – Quem é essa pessoa? – Perguntou quando se afastaram um pouco.
– Sinto muito, Xerife Swan, mas a pessoa pediu extremo sigilo. Não posso revelar a ninguém. – Whale respondeu. – Bom, vou agora mesmo fazer o pedido dos remédios. – E saiu da presença deles.
Emma ficou intrigada com aquilo. Quem teria feito isso?
De repente um estalo em sua mente.
“Regina!!”
Emma sentiu seu coração acelerar com aquele pensamento.
“Será que...?”
“Esse menino tá há dois meses no hospital, e só depois da Regina ficar sabendo é que aparece esse doador anônimo.”
“E ela chamou o Gold pra conversar. E quando ele volta resolve dar mais um dia de prazo? Isso é estranho.”
Seu peito se enchendo de esperança. Algo dentro dela queria desesperadamente acreditar que tinha sido Regina. Que ela estava, sim, mudando.
“Tem que ter sido ela!”
Sorriu discretamente.
Voltou para perto do pai com a filha.
– Parabéns, Michael. Ainda existem pessoas boas nesse mundo. – Disse sentindo um arrepio percorrer seu corpo querendo que uma dessas pessoas fosse Regina.
– Sim! – Ele sorriu – Eu já não sabia como ia cuidar do Nicholas sem o dinheiro da oficina. Já que o Gold vai me botar pra fora amanhã. – ele baixou o olhar. – Não sei pra onde vamos.
– Fica calmo. Você não vai ficar sem um teto. Qualquer coisa arrumamos um abrigo pra vocês até as coisas melhorarem. – Ele assentiu com a cabeça e com a expressão séria. – Bom, agora eu preciso ir. Melhoras pro seu filho. – Disse estendo a mão que logo foi apertada por ele.
Saiu rápido do hospital e deu a partida com a viatura. Estava ansiosa. Com medo, mas alegre ao mesmo tempo. Tinha que ter sido Regina. Mas e se não tivesse sido? Precisava saber.
Dirigiu em direção a Prefeitura.
Regina estava sentada à mesa, tentando se concentrar em alguns papéis, quando ouviu alguém bater na porta. Nem teve tempo de perguntar quem era, pois Emma logo entrou.
Respirou fundo quando viu Emma. Não esperava por ela ali. Mas manteve a expressão séria.
– Srta. Swan. Em que posso lhe ser útil? – Perguntou dando novamente atenção para seus papéis. Tentando fingir que estava desinteressada da presença dela.
– Foi você, não foi? – Emma perguntou se aproximando.
Regina ouviu aquilo, mas continuou lendo os papéis. Ou melhor, fingindo que estava lendo.
– De que está me acusando agora, Xerife Swan? – Falou irônica ainda sem olhar pra ela.
– Você fez a doação pro tratamento do filho do Michael Tillman. – Falou se aproximando ainda mais. Ficando bem perto da mesa.
Regina ficou tensa.
– Do que você está falando? – Perguntou fingindo indiferença.
Mas Emma a conhecia e percebeu o tom dela.
– Regina, não precisa mentir. Se foi você, não tem porque esconder. – Emma apoiou os dois braços na mesa dela.
– Eu realmente não sei do que você está falando, Srta. Swan. – Dessa vez levantou a cabeça e olhou pra ela. – Eu não fiz doação nenhuma.
Emma riu. Tendo certeza agora de que tinha sido ela.
– Meu super poder pode não ser perfeito. Mas eu sempre sei quando você está mentindo, Regina. E dessa vez... você está.
Regina engoliu em seco e abaixou a cabeça, desviando o olhar.
– Como soube disso? – Confessou.
– Fui visitar o garoto no hospital e o Whale me disse que uma pessoa que queria se manter anônima tinha feito a doação para o tratamento dele. Eu pensei um pouco e, bem, só podia ter sido você.
– Tinha um monte de gente sabendo disso, Swan. Por que achou que fui eu? – Perguntou olhando pra ela.
– Porque o garoto tá no hospital já tem um tempo, e só depois de você saber é que isso aconteceu. E além do mais... você mudou, Regina. Não é mais aquela pessoa insensível que eu conheci há meses atrás.
Emma sorriu pra ela, que abaixou a cabeça para não deixar escapar o leve sorriso que seu formou em seu rosto também. Ouvir aquilo de Emma causou nela uma emoção inexplicável. Ficou emocionada.
– Mas ainda tô com dúvida em uma coisa. E acho que você vai me esclarecer. Você chamou o Gold pra conversar naquela hora e quando ele voltou resolveu dar um dia de prazo pro Tillman. Por quê? O aconteceu naquela conversa?
Regina não queria falar. Estava se sentindo envergonhada.
– Não aconteceu nada. Eu só precisava falar com ele.
– Você vai pagar a dívida dele também, não é?
Regina respirou fundo. Emma era esperta mesmo.
– Sim. – Respondeu séria olhando pra ela. Estava encabulada. Queria que ninguém soubesse daquilo. Não era para Emma saber. Mas não tinha jeito, ela parecia saber de tudo.
Emma sorriu abertamente sentindo seu coração derreter. Estava emocionada com a atitude de Regina.
– Regina, isso é incrível. E o fato de você não querer se expor só torna sua atitude mais nobre ainda.
Seus olhares se encontraram. Regina admirou aquelas esmeraldas a sua frente. Aqueles olhos que tinham um poder tão grande sobre ela. Seu coração acelerado, uma sensação de carinho tomando conta de seu ser.
– Fico feliz que tenha sido você. – Emma continuou. – Henry ia adorar saber disso.
– Swan, eu não...
– Eu sei. Não quer que alguém fique sabendo. – A interrompeu sorrindo.
Regina não queria que Henry pensasse que ela tinha feito aquilo para conseguir aplausos.
– Bom, eu já vou. Parabéns pela sua atitude.
Relutante em deixar aquela sala e se afastar da bela morena, Emma deu as costas e saiu. Queria conversar com ela, mas não sabia como ela iria reagir se tocasse naquele assunto naquele momento. Então simplesmente saiu da sala.
Quando a loira saiu, Regina se deixou sorrir emocionada com as palavras dela. Emma não poderia imaginar o quanto a fez feliz com tudo o que disse. E só de ter pensando que foi ela sem nem saber de nada, era a maior felicidade para Regina.
De repente lembrou que elas ainda tinham que conversar. E isso a deixou nervosa de novo.
Sacudiu a cabeça tentando deixar de pensar naquilo. Conversaria com Emma depois. Ainda estava irritada por ter encontrar aquele motoqueiro de quinta com ela. Mas estava imensamente feliz por Emma ter reconhecido algo de bom que ela fez.
Levantou para guardar uns papéis no armário. Agora a imagem da loira linda de olhos verdes brilhantes falando que estava feliz pela atitude dela, não sairia de sua cabeça. Sorriu sentindo o corpo estremecer enquanto guardava os papéis no armário.
Quando estava voltando pra mesa, a porta abriu rapidamente. Ela olhou assustada para a loira que entrava em sua sala mais uma vez.
– Regina... nós temos que conversar.
Quando saiu da sala dela, Emma queria ir embora. Mas não aguentou de ansiedade e acabou voltando.
– Mas nós acabamos de conversar.
– Você sabe do que eu estou falando. Temos que conversar sobre nós. Sobre o que aconteceu... ontem. – Falou com suas bochechas corando.
O corpo de Regina gelou. Pela vergonha e pelo prazer que lembrava ter sentido. Caminhou em direção a sua mesa.
– Agora não é hora, Srta. Swan. Estou ocupada. – Sua voz saiu firme, mas por dentro sentia suas entranhas estremecerem.
O medo bateu. É claro que tinham que conversar, mas Regina estava com vergonha e sem saber o que dizer. Mais cedo havia tomado coragem, mas não pôde conversar com ela por causa da presença de August. E aquela coragem momentânea parecia ter sumido agora.
– Regina, chega de ficar deixando pra lá! – Emma falou com a voz firme.
O tom de voz dela fez Regina parar antes de chegar à mesa, e se virar. Mas estava de cabeça baixa, não a encarava. Sim, elas precisavam falar sobre aquilo.
– Você sabe muito bem que nos beijamos! – Emma continuou. Pôde sentir um leve calor em seu rosto ao pronunciar isso. – E não foi só uma vez! Já foram várias. Primeiro naquele dia que você me deu um tapa. Depois no dia que eu fui buscar o Henry pra sair, na sala da sua casa. E ontem na delegacia! – Fez uma pausa para respirar fundo. — Tá acontecendo alguma coisa entre a gente, Regina. E depois de ontem... – Engoliu a saliva, nervosa ao se lembrar de tudo que tinha acontecido na noite anterior — Eu preciso saber! Por que você foi até lá ontem?
Regina puxou uma grande quantidade de ar, nervosa depois de ouvir tudo aquilo.
– Eu não sei, Srta. Swan. Eu só... – Respirou fundo balançando a cabeça, confusa. – Eu não sei. – Olhou pra ela nesse momento.
Emma pode perceber a expressão confusa dela. Se aproximou um pouco enquanto dizia:
– No estábulo você insistiu em dizer que isso era uma loucura. Mas de noite foi me procurar na delegacia e... nos beijamos daquele jeito. – A voz saiu baixa nessa última frase. Um tremor subiu por seu corpo, acelerando seu coração.
– Eu sei, é que... Isso é complicado demais. Eu to confusa. – Desviou o olhar. Falava com a expressão angustiada.
– Acho que você tá tão confusa quanto eu. – Emma sorriu nervosa. – É complicado pra mim também. Eu não sei o que tá acontecendo. – Falou sem conseguir resistir ao impulso de se aproximar um pouco mais.
As pernas de Regina tremeram com aquela proximidade. Cada vez que Emma chegava perto dela todo seu ser respondia daquela forma. Tremores, coração batendo forte, mãos suadas, respiração pesada.
– Por que você foi até lá, Regina? – Emma insistiu na pergunta, desejando olhar naqueles castanhos, mas a morena não a encarava.
As duas vivenciavam um estado de ansiedade. Sem conseguir resistir mais, Regina respondeu:
– Porque não conseguia parar de pensar em você. – Olhou pra ela nesse momento, encarando aqueles verdes a sua frente. A voz estava embargada pelo excesso de emoções.
Emma sentiu o coração vir na garganta com aquela resposta. Tinha dito a si mesma que não se deixaria levar por aquelas sensações. Que iria só conversar com ela. Mas diante daquela resposta e daquela mulher linda, como se conter? Queria beijá-la, mas tentou se controlar.
Não quer ver anúncios?
Com uma contribuição de R$29,90 você deixa de ver anúncios no +Fiction durante 1 ano, além de outros benefícios.
Seu apoio é fundamental. Torne-se um herói!– Hoje... você foi lá pra conversarmos sobre isso?
– Swan, por favor, outra hora nós conversamos. – A voz saiu baixa, mas ela estava extremamente ansiosa e isso estava lha causando um nervosismo. Não sabia lidar com aquela situação, com tudo que estava sentindo. No fundo queria ficar perto dela, conversar sobre aquilo, mas não imaginou que seria tão difícil assim
– Responde, Regina! – Falou determinada. Não iria sair dali sem saber.
– Sim! – Olhou dentro dos olhos dela, já sentindo raiva daquela situação. Regina não era nada boa em lidar com emoções fortes – Fui lá pra falar com você!... Mas aí te encontro com aquele... motoqueirozinho de meia tigela. – Cuspiu as palavras com nojo. – Afinal o que ele estava fazendo lá? – Perguntou sentindo o ciúme voltar.
Emma não conseguiu controlar o impulso de dar um leve sorriso. Sim! Regina estava com ciúmes. Emma tinha certeza agora. E por mais que fosse estranho, foi gostoso ver Regina com ciúme dela. Aquele sentimento estava mais forte do que imaginava.
“Tô perdida”. Pensou enquanto admirava a beleza da morena irritada.
– Foi me pedir desculpa por ter me beijado aquele dia. – Emma respondeu.
Regina pareceu indignada.
– Ah, claro! Ele te beija à força e depois vem fazer papel de bom moço. Que lindo. – Disse nervosa e debochada. Não conseguia controlar aquele ciúme que estava sentindo dela. – Qual vai ser o próximo passo dele agora? Ser amiguinho e...
Foi interrompida pelos lábios de Emma grudando nos seus.
A loira não resistiu mais. Aquele jeito enciumado e irritado de Regina pareceu tão lindo aos olhos dela. Não pensou em mais nada, só quis beijá-la. Suas mãos ansiosas seguraram o rosto da morena para então grudar suas bocas em um beijo selado.
Com a investida de Emma, Regina acabou sendo empurrada um passo para trás e seu corpo se chocou com a mesa atrás dela. E a morena acabou apoiando suas duas mãos na mesa para se equilibrar.
Relaxou o corpo depois do susto e se deixou levar pelo que sentia por ela. Suspirou enquanto sua boca era pressionada por aquela boca quente. Seu coração já não se continha no peito.
Até que Emma desgrudou suas bocas. Permaneceram de olhos fechados, com as respirações fortes, e Emma segurando o rosto de Regina, enquanto ela tinha suas mãos apoiadas na mesa. Mas logo seus olhos se encontraram.
– Ele não me beijou a força, Regina. – Emma respondeu ao que Regina tinha falado. A morena a olhou confusa e não pareceu gostar muito do que ouviu. Então Emma continuou. – Naquela noite eu fui naquele bar pra ver se conseguia parar de pensar um pouco em você. Encontrei ele lá... e achei que... que se ficasse com ele seria uma saída pra deixar de sentir toda aquela coisa estranha que eu sentia cada vez que te via ou pensava em você.
Regina ouvia tudo sentindo uma felicidade surgir. Há quanto tempo ninguém dizia que pensava nela daquele jeito. Talvez o único tivesse sido Daniel.
– Mas quando ele me beijou, Regina, eu logo pensei em você. E me senti mal por estar beijando ele. Então me afastei logo. Bom, você tava lá, você viu. – Sorriu pra ela.
Emma sentiu uma estranha necessidade de explicar pra ela como tudo aconteceu.
– Eu não tenho nada com ele. – Concluiu.
A felicidade que Regina sentiu naquele momento era única. Mas era orgulhosa. Não deixaria Emma saber. Aquilo tudo a assustava. Aquelas emoções e sensações a faziam tremer de medo. Medo de sofrer mais uma vez, medo de estar sentindo isso por uma mulher, medo da maldição ser realmente quebrada por essa mulher.
– Bom, isso não me importa, Srta. Swan. – Disse mantendo sua voz rígida e saindo daquele contato com Emma.
Mas só conseguiu dar dois passos, quando então Emma segurou levemente seu braço.
– Vai fingir de novo que não está sentindo nada? – Emma fez com que ela a olhasse de novo. – Regina, por favor, olha o jeito como você me beijou ontem!
O corpo de Regina queimou com essa última frase.
– O jeito como nós nos beijamos. – Continuou Emma enquanto se aproximava novamente.
Emma já não raciocinava normalmente. Toda aquela história de que não ia se entregar tinha sumido de sua mente. Estava sendo controlada por suas emoções. Regina mexia demais com ela. Sim, aquela mulher arrogante que foi praticamente uma peste na vida dela quando ela chegou a Storybrooke, agora lhe despertava um sentimento único, que estava se tornando impossível de controlar.
– Depois do jeito que nos beijamos ontem, não tem mais como você negar que não está sentindo nada, Regina. Eu mesma tentei negar. Mas depois de ontem... não dá mais.
Emma se aproximou e tocou docemente os lábios de Regina com os seus. A morena não recusou, queria aquilo tanto quanto a loira.
Degustando aquele suave reconhecer de lábios, Emma envolveu o corpo de Regina em um abraço terno, calmo. E a morena logo subiu suas mãos e enlaçou o pescoço da outra. Algo parecia explodir dentro delas. Sim, cada vez que se beijavam aquilo ficava mais intenso.
Em que momento aquilo tinha começado? Em que momento tinha surgido? Quando foi que as coisas mudaram tanto entre elas? Não sabiam dizer. Era como mudar da água para o vinho, mas o fato é q agora sentiam satisfação por estarem perto, por estarem nos braços uma da outra.
Regina sentiu a ponta da língua de Emma tocar levemente seus lábios. Respondendo aquele toque, entreabriu sua boca e permitiu que a língua dela a invadisse. E o prazer foi imenso quando sua própria língua sentiu o toque da outra.
Aprofundaram o beijo. E Regina extasiada quis grudar ainda mais seu corpo no dela. Em resposta Emma a apertou mais. E elas suspiraram. O beijo era calmo, mas cheio de emoções distintas. Satisfação, carinho, prazer, alegria, medo, ansiedade.
Aquilo se tornara mais forte do que elas poderiam imaginar. E isso assustava demais. Como lidar com aquilo depois de tudo de ruim que já havia acontecido entre elas? Não sabiam.
Quando cessaram o beijo, Emma disse:
– Ainda acha que é loucura? — Tinha sua respiração irregular devido ao coração que batia descontrolado.
– Eu não sei... – A morena respondeu baixo, abalada pela emoção que sentia. — Isso é tudo tão estranho. Eu não consigo entender o que tá acontecendo. — Sua voz estava trêmula. Aquele beijo mexeu com todo seu ser. O coração tinha um ritmo descompassado, fazendo sua respiração se tornar pesada. Estava nervosa e assustada com a intensidade do que Emma causava nela.
– Eu também não consigo entender. — Disse Emma sentindo o mesmo receio e confusão que Regina. — Um dia nos odiávamos, e agora trocamos beijos.
Regina não conseguiu resistir ao jeito que ela falou e acabou sorrindo. Emma sorriu também.
Se entreolharam por alguns segundos. Regina se perdendo naquela imensidão verde. Emma admirando o brilho intenso dos castanhos. Apenas aquele olhar era suficiente para desencadear uma corrente de emoções dentro delas.
– Emma, eu...
Duas batidas foram ouvidas na porta. Imediatamente Regina se afastou dela com o susto, sem concluir o que pretendia falar. Já imaginava quem era a pessoa que batia.
– Emma, depois nós conversamos! — Ela falou um tanto nervosa.
Emma quis falar algo, mas ouviram mais uma batida na porta.
– Ok. – Era melhor ir embora. Agora Regina estava mesmo ocupada.
A loira se afastou ainda olhando nos olhos dela, então virou e caminhou até a porta e abriu. Quem ela encontrou ali foi homem de quem estava com ódio.
– Oh, olá de novo, Srta. Swan.
– Oi, Gold. – Falou apenas por educação. Deu passagem e ele entrou. E ela saiu.
Antes de ir deu uma última olhada para Regina, então fechou a porta e se foi.
– Problemas com a Salvadora, Vossa Majestade? – Ele perguntou alguns segundos depois da loira ter deixado a sala.
Ela revirou os olhos irritada, ainda tentando se acalmar do que Emma tinha desencadeado no corpo dela.
– Não te devo satisfação do que trato com meus funcionários. – Disse seca, caminhando para sua cadeira.
– Claro que não, querida. Vim apenas tratar do nosso acordo.
Por algum motivo Regina havia se comovido demais com a situação daquele pai e de seus dois filhos. E no momento em que chamou Gold pra conversar, propôs a ele que deixasse o homem na casa e com a oficina, e em troca ela lhe pagaria o dobro do que ele estava devendo. O importante era receber o dinheiro e é claro que Gold aceitou. Por isso ele disse que daria mais um dia de prazo ao homem, era o tempo para receber o dinheiro de Regina e o tal doador anônimo aparecer para dizer que, além de bancar o tratamento do garoto, pagaria a dívida dele.
– Muito obrigado. – Disse pegando o cheque da mão da Prefeita.
Ela não respondeu nada, apenas começou a mexer em alguns papéis dando a deixa para que ele se retirasse da sala.
– Interessante o que você fez hoje. – Ele estava em pé de frente pra mesa dela. – Ajudar um homem que não significa nada pra você. Ou melhor, além do Henry, ninguém significa nada pra você. Começo a achar que você está amolecendo, Majestade.
– Tinham duas crianças envolvidas na história, Gold.
– Sim, duas crianças que você mandou para aquela casa feita de doces na Floresta Encantada. João e Maria, certo? Você os mandou para uma casa com uma bruxa que gostava de comer crianças. E depois deles terem dado a sorte de sobreviver você os manteve longe do pai... E ah, sim... – Fez uma pausa fingindo lembrar de algo. – As mesmas crianças que você quis mandar para Boston alguns meses atrás, mesmo sabendo que nenhum dos amaldiçoados pode sair de Storybrooke.
Ela sustentou o olhar dele.
– Não tenho que te dar explicações do que faço ou deixo de fazer. – Retrucou rude.
Ele sorriu.
– Claro que não, querida. Mas, sabe, acho interessantes os efeitos que a presença da Salvadora estão causando nessa cidade. Ela está mudando muita coisa que só nós dois podemos perceber. Mas os seus... sentimentos... foi uma surpresa pra mim. -
Será que até nisso a Salvadora está tocando? Nos seus sentimentos.
Regina apenas desviou o olhar. Ele estava certo, Emma estava mexendo com os sentimentos dela. Tentando recuperar sua postura altiva, ela disse:
– Não se anime tanto, Gold. Nada mais vai mudar.
– Acho que você esqueceu que essa maldição tem um prazo de validade, querida. – Sorriu discretamente. – E ela está com os dias contados.
Aquela frase fez um arrepio gelado subir pela espinha de Regina. O que faria se a maldição fosse realmente quebrada? Tudo que ela tinha era aquilo. Aquela cidade, com aquelas pessoas cujas personalidades ela criou, e Henry. Não podia perder aquilo, ou perderia tudo.
– Você planejou isso tudo, não foi? – Falou em tom de acusação. – Desde o começo. A adoção do Henry. Você sabia de quem ele era filho. Você planejou isso tudo!
Ele abriu um sorriso mais largo e se apoiou com as duas mãos na bengala.
– De uma coisa ninguém pode escapar, Vossa Majestade... – Fez uma pausa. – Destino. As coisas estão acontecendo assim, porque era assim que tinham que ser... Emma Swan está aqui, porque esse é o lugar que ela deve estar pra poder cumprir o destino dela.
Ela engoliu em seco. Ele podia ver o medo e a aflição nos olhos dela.
– Bom, querida. – Falou em tom quase animado. – É sempre bom fazer acordos com você. – Foi debochado na palavra “acordos”.
Dando as costas para ela, saiu do gabinete caminhando lentamente se apoiando em sua bengala.
E Regina ficou ali sentada, remoendo as palavras que ele disse. Aquilo não podia acontecer. Emma não podia quebrar a maldição, ou Regina perderia tudo.
**********
No dia seguinte, Emma esperou que Regina a procurasse para terminarem aquela conversa. Mas isso não aconteceu.
Ficou com raiva. Depois de tudo que tinha acontecido naquela noite na delegacia, e da conversa que tiveram ontem na Prefeitura, ainda assim Regina não aparecia. Emma não iria atrás dela. Não de novo. Nunca correu atrás de ninguém e não seria agora que isso iria mudar.
Se Regina quisesse falar com ela, então ela que viesse procurá-la.
Enquanto isso na Prefeitura, Regina se sentia angustiada. Emma tinha razão, ela não podia mais negar o que sentia. Não depois daquela noite na delegacia e do beijo ontem ali mesmo no gabinete dela.
Mas o medo não deixava que se entregasse aquilo. Como se entregar a um sentimento tão forte por alguém que além de ser mulher, e isso por si só a espantava, ainda era a Salvadora? Filha de sua maior inimiga.
Naquele dia não se viram. Emma por ser orgulhosa demais para procurá-la de novo. E Regina por se sentir afligida por todos aqueles pensamentos ruins.
*****
À noite já em casa, Emma estava sentada no banco da cozinha, pensando em tudo que tinha acontecido, em tudo que estava sentindo. O coração insistia em bater rápido. Toda aquela aflição estava matando ela de ansiedade e nervoso.
– Mary Margaret. – Chamou a amiga que estava no sofá, lendo um livro.
– Sim.
– Podemos conversar um minuto? – Emma perguntou receosa.
– Claro. O que houve? – Perguntou enquanto se aproximava da amiga.
Emma esperou que ela sentasse ao seu lado.
– Bom, é que... – Pensou bem se devia falar – Você tinha razão. Tem... alguém. Alguém que eu... bom, que eu acho que to gostando.
– Eu sabia! – Mary exclamou se sentindo vitoriosa. Emma do riu do jeito dela. – Mas porque você não me contou das vezes que eu perguntei?
– Porque... eu e essa pessoa... é complicado. Eu não queria ficar falando de uma coisa que nem eu entendo direito.
– Como assim? – A amiga perguntou confusa.
– É uma situação complicada. E eu não sei bem o que a pessoa sente. Na verdade nem sei direito o que eu sinto. Entende?
– Não.
Emma achou engraçada a expressão dela e riu.
– Eu disse que era complicado.
– Acha que ele não sente o mesmo por você?
Emma achou engraçado e estranho ouvir a palavra “ele”.
– Não sei. Mas acho que não é indiferente. – Respondeu sem olhar pra ela. Achou melhor não entrar no detalhe de não ser um “ele”. Não queria falar disso agora.
– Fora isso, o que pode ser tão ruim pra te deixar assim meio angustiada? – Mary conhecia muito bem sua amiga. – Ele é casado?
– Não!! – Emma exclamou olhando pra ela. – Não tem nada a ver com isso, Mary Margaret, meu Deus.
– Então o que é?
– É que... eu tô confusa, sabe? Com isso que eu tô sentindo. É esquisito. E ao mesmo tempo, é forte. – Abriu seu coração para a amiga. – E ainda tem essa questão de não saber se o sentimento é recíproco. Isso me deixa nervosa. Sem saber o que fazer.
– Eu entendo, Emma. – Colocou a mão no ombro dela em sinal de apoio. – Mas quem é ele?
Emma gelou. E agora, o que dizer?
– Ah... É... Você não conhece. – Tentava achar uma desculpa. – Não adianta falar o nome se você não conhece.
– Não conhecer alguém nessa cidade tão pequena? Difícil. Mas tudo bem. Se você não quer falar quem é, eu não vou ser tão intrusa.
Que bom. Emma respirou aliviada.
– Mas eu acho, Emma – Segurou a mão dela entre as suas, fazendo-a olhar em seus olhos. – Que se você gosta dessa pessoa, e acha que ele não é indiferente, então deve tentar. Desde que te conheço, nesses meses nunca vi você assim. Acho que você deve procurar essa pessoa, dizer o que sente e se ver que vale a pena, buscar sua felicidade. Quando estamos apaixonados e existe a chance do sentimento ser recíproco, devemos lutar por isso. – Pensou tristemente em David.
– Mas eu não tô...
– Emma! – A interrompeu. – Não adianta negar. Você está apaixonada sim. Isso tá na cara.
A loira se assustou ao ouvir aquilo. Será que estava mesmo apaixonada por Regina?
Ela sorriu apenas para quebrar aquele clima.
– Obrigada, Mary. – Disse e se levantou. – Foi bom conversar com você. Obrigada por me ouvir.
– Sou sua amiga, Emma. E pode contar comigo sempre.
– Obrigada. Mas olha, acho que poderia seguir também esse conselho que me deu e procurar o David.
– É diferente, Emma. Ele mentiu pra mim.
Se ela soubesse que acabara de aconselhá-la a procurar a mulher que infernizara a vida da amiga, ela não diria que era diferente.
– Tá bem. – Emma sorriu pra ela. – Boa noite. E obrigada mais uma vez.
– Boa noite, Emma.
Emma subiu as escadas, entrou em seu quarto e como sempre, se jogou na cama. Será que Mary estava certa? Devia procurar Regina?
Estava irritada porque a morena não foi até ela para terminarem a conversa. Mas talvez Regina também estivesse nesse dilema. E Emma sabia o quanto aquela mulher era cabeça dura.
Fechou os olhos e lembrou de todos os beijos que trocaram até ali. O arrepio que sentia apenas com a lembrança era o sinal de que sua amiga podia ter razão. E pra completar estava encantada com a atitude que Regina teve ajudando aquele homem.
Não sabia o que fazer. Procurá-la? Esperar? Ou deixar pra lá?
Mas por enquanto queria apenas tomar um banho, relaxar e dormir.
Tomou seu banho rápido, colocou uma roupa confortável e deitou na cama, esperando conseguir algo que não tinha há algum tempo: uma boa noite de sono.
**********
Na mansão Regina estava no sofá da sala. Tentava se concentrar em um livro. E ouvia os sons da televisão. Talvez tentando fazer duas coisas ao mesmo tempo conseguisse parar de pensar um pouco em Emma e em toda aquela coisa de Salvadora e maldição.
Mas parecia ser em vão. Remoia as palavras de Gold.
“Acho que você esqueceu que essa maldição tem um prazo de validade, querida. E ela está com os dias contados”.
Um calafrio lhe subiu pelas costas. Será que isso iria mesmo acontecer? Emma iria mesmo quebrar sua maldição? E se isso acontecesse, o que Regina iria fazer? Estaria perdida.
“Emma”
Pensou fechando os olhos. A mulher que representava todo o perigo pra ela, era a mesma que despertava nela sensações e emoções tão fortes.
Tinha dito pra loira que conversariam depois, mas não teve coragem de ir até ela. Não com toda aquela confusão em sua cabeça.
Não sabia mais o que pensar. Sentia tanto medo de perder tudo que construiu, mas quando estava perto de Emma ou quando pensava nela, seu coração batia rápido como louco, ansioso para desfrutar mais daquelas emoções. Seu corpo ficava em chamas e suas pernas pareciam não querer obedecer. Sua boca chegava a ficar seca desejando ser beijada pela outra.
“O que eu faço?”
Já passava das 10 da noite e ela não conseguia se concentrar no livro mesmo, muito menos na televisão. Era melhor tentar dormir. Fechou o livro, levantou e desligou a televisão.
Caminhou para a escada e então ouviu três batidas na porta. Sentiu um arrepio de susto. Quem poderia ser àquela hora da noite?
Desceu receosa os dois degraus que tinha subido.
– Quem é? – Perguntou a uma certa distância da porta.
Não obteve resposta. Se irritou com isso. Estava um tanto temerosa, mas ao mesmo tempo curiosa pra saber quem era. Então foi até a porta e abriu.
No mesmo instante o coração acelerando ao ver quem era.
– Emma?! – Com a surpresa não pensou antes de dizer o primeiro nome dela.
– Oi, Regina.
Fale com o autor