Era Uma Vez o Amor
10 Capítulo 10
Notas iniciais
Emma fechou a porta da mansão e andou em direção a Henry, que a esperava perto do fusca.
Olhava para baixo enquanto caminhava. Atordoada com o que tinha acabado de acontecer. Na sua cabeça ainda tentava organizar os pensamentos. Regina havia acabado de beijá-la? Era isso mesmo? Ou seria mais um sonho pregando uma peça?
Não! Seus lábios formigavam pela sensação do beijo forte de segundos atrás. Não era sonho. Sim, Regina a beijou. Seu coração não queria se acalmar e as pernas ainda estavam bambas.
– Emma? – Henry falou vendo que ela estava parada perto dele e do fusca e não fazia nada.
– Han? – Ela perguntou completamente desnorteada.
– Vamos logo! – Ele ordenou.
– Ah, claro. Vamos – Deu a volta no carro ainda meio confusa. Deu uma última olhada na casa antes de adentrar em seu fusca.
Já dentro do carro, estava colocando o cinto quando seu filho perguntou:
– Que isso na sua boca?
– O que? – Ela imediatamente levou a ponta dos dedos à boca.
– Tá vermelho – O menino respondeu.
Ela olhou no retrovisor. A pele branca ao redor de sua boca estava levemente manchada pelo batom vermelho de Regina. Seu coração deu um salto. E um calor lhe subiu pelo corpo.
– Ah, é batom – Falou sem pensar enquanto passava a mão pra limpar. Constrangida, mesmo sabendo que Henry não fazia ideia de nada do que havia acontecido antes dele entrar naquela sala.
– Han? Mas você nem ta de batom – Ele sorriu confuso.
Um frio na espinha. É claro. Que burra! Não devia ter falado aquilo.
– É que eu passei, mas não ficou bom. Então eu tirei – Respostas rápidas eram o seu forte. Mas ela estava nervosa.
– O que você tem? – Perguntou vendo que ela parecia nervosa.
– Nada. Por quê? – Tentou parecer mais calma.
– Tá estranha. Aconteceu alguma coisa?
Ela gelou. É claro que aconteceu! Algo que estava mexendo com ela até agora. E que tinha certeza que não iria sair de sua cabeça.
– Não, Henry. – Fingiu um sorriso – É impressão sua. Mas me diz, o que quer fazer?
– Não sei. A gente podia jogar no fliperama. O que acha? — Falou entusiasmado.
– Quer tomar outra surra, garoto? — Ela provocou.
– Até parece! Eu te ganhei um monte de vezes.
– Ah, ficou equilibrado. — Eles riram. — Vamos então.
Deu a partida no carro, feliz por Henry estar do seu lado. Mas por dentro havia aquela sensação de querer voltar pra dentro daquela mansão e beijar Regina de novo. Emma queria mais daquela boca. O beijo delicioso que Regina lhe dera acendeu todos os seus instintos.
Instintos que jamais imaginara ter. Sentir aquelas coisas por uma mulher era uma coisa muito nova. Mas não podia mais negar o que sentia. Regina não era qualquer mulher. E havia despertado em Emma desejos desconhecidos. Emma estava em chamas. Seria difícil se concentrar em outra coisa naquele dia.
Mas iria tentar. Afinal, estava ao lado da pessoa mais importante de sua vida. E estava mais do que feliz por Regina não ter levado adiante a ideia de afastar ela de Henry. Em relação a isso seu coração agora estava mais tranquilo.
Iria aproveitar ao máximo seu dia com seu filho e tentar com todas as forças deixar aquele beijo de lado por algumas horas. Se bem que forças nesse momento era algo que não tinha, o beijo havia lhe tirado todas elas.
*****
Regina estava quase que em choque. Sentada no sofá da sala, olhando para algum ponto no meio do nada. Lembrando que há alguns segundos atrás aquele cômodo, aqueles móveis presenciaram a maior loucura que já fizera na vida.
"O que eu fiz? O que eu fiz?!" Pensava exasperada. "Que loucura foi essa?!"
"Como eu pude beijá-la? O que deu em mim?!" Estava inconformada com sua atitude.
"O que tá acontecendo comigo?"
Deitou-se no sofá. Sua cabeça parecia girar, precisava relaxar.
Fechou os olhos. E por um momento foi como se ainda pudesse sentir o cheiro dela.
Ainda sentia na sua boca o beijo. E que beijo tão gostoso! Suspirou.
"Ela beija bem" Sorriu meio sem jeito, ainda de olhos fechados. "Muito bem!"
Regina suspirou fundo. Estava vivenciando emoções que há muitos anos não experimentava. Era forte e intenso. O que sentiu no beijo foi devastador. No momento sentiu como se uma descarga elétrica atravessasse todas as células do seu corpo.
E até agora, minutos depois de Emma ir embora, Regina ainda sentia as tais borboletas no estômago e o coração batendo demasiado rápido. Uma sensação que lhe causava alegria e uma certa aflição ao mesmo tempo.
Uma ansiedade misturada a um bem estar. Uma sensação de estar perdida e ao mesmo tempo saber exatamente onde é o seu lugar.
Era tudo muito confuso, mas ela sabia que a última, e única vez que sentiu isso foi quando compartilhava suas tardes com Daniel, quando fugiam para o campo com seus cavalos, e trocavam beijos entre as aulas de equitação e a hora do chá.
O que sentia com ele era inexplicável. Seu primeiro e único amor.
E agora estava sentindo essas coisas por Emma. Uma mulher.
Aquilo era loucura na cabeça de Regina. A coisa mais complicada que já havia sentido.
Abriu os olhos e respirou fundo mais uma vez. O ar parecia não preencher seus pulmões. Não sabia como tinha tido coragem pra beijá-la. Não teve controle algum de seu corpo naquele momento. E tudo isso simplesmente por que Emma estava próxima, com aquele cheiro bom, aqueles olhos verdes esmeralda e aquela boca tão rosada.
Regina sacudiu a cabeça exasperada, soltando um som irritado. Se levantou rápido. Precisava colocar as ideias no lugar. Ficar pensando e repensando e sentindo aquele beijo não iria ajudar.
Caminhou até a frente de um espelho, como se quisesse um conselho. Mas é claro que ele não viria. Suspirou sem saber o que fazer.
Olhou sua boca e percebeu que estava um pouco borrada de seu batom. Sentiu uma leve pontada de constrangimento. Seus pelos arrepiaram imediatamente. Na sua cabeça passando um filme. A cena? Aquele beijo. A garganta deu um nó com aquela lembrança que não sabia dizer se era ruim ou boa.
Precisava fazer algo. Precisava de ajuda.
Teve uma ideia. Subiu as escadas quase correndo, se equilibrando nos saltos. Chegou a seu quarto e foi até o espelho para retocar o batom que havia sido quase totalmente tirado por aquele beijo.
Após constatar que estava perfeitamente linda, afastou-se do espelho. Guardou sua maleta de maquiagem. A cabeça estava num dilema. Andou de um lado para o outro no quarto. Pensava se devia mesmo fazer aquilo.
Parou, colocou as mãos na cintura e soltou com força todo o ar que estava em seus pulmões.
“Se eu não fizer isso vou acabar ficando maluca”. Sentou na beirada de sua cama. “O que ela ta fazendo comigo?”
“Aquelas coisas que eu senti”. Os pelos de sua nuca se arrepiando. “Tinha tanto tempo que não sentia aquilo”. O coração voltando a tomar um ritmo muito fora de seu normal. “Acho que já enlouqueci”.
Suspirou e por fim decidiu colocar sua ideia em prática. Pegou sua bolsa e saiu de casa.
Ainda dirigiu por alguns minutos. Longos minutos na verdade. Tomando coragem. Rodando pelas ruas da cidade, em determinado momento viu o fusca de Emma estacionado. Sentiu a boca seca, apertou o volante com força como se quisesse ter certeza que não iria perder o controle da direção.
Olhou para o lugar, era a loja de jogos. Emma com certeza estava lá dentro com seu filho. Será que estavam se divertindo? Será que Henry estava feliz? Será que Emma estava pensando no beijo também?
Olhou para a frente e acelerou o carro. Era melhor mesmo fazer o que estava pensando. Talvez ajudasse.
E logo estava parada em frente a porta do consultório do Dr. Hopper.
*****
– Ei, vai com calma, garoto. Vai acabar se engasgando com esse sorvete – Emma se divertia ao ver a forma afobada com que Henry saboreava seu sorvete de chocolate.
– Eu amo sorvete – O menino disse de boca cheia.
– Tô vendo – Ela riu.
Estavam sentados em um banco na calçada, ainda perto da loja de jogos. Haviam jogado um pouco e decidiram sair pra fazer outras coisas. Estava um dia agradável, não fazia frio. Perfeito para caminhar e tomar sorvete. Se bem que para Henry todo dia era dia de sorvete.
– Sua mãe disse que horas eu tenho que te levar pra casa? – Emma perguntou sentindo um arrepio percorrer suas costas ao pensar em Regina.
– Não... – ele passou a língua pelo sorvete. – Pensei que ela tinha falado pra você.
– Ahnn, não falou não – Emma respondeu tentando se concentrar em seu próprio sorvete, lembrando que naquele momento suas bocas estavam ocupadas demais para que Regina pudesse ditar o horário da volta.
– Liga pra ela – Henry falou naturalmente.
Emma se engasgou.
– L-Ligar?! – Perguntou nervosa.
– É, ué – Ele a olhou estranhando aquela reação.
– É claro, ligar – Se corrigiu notando o quanto tinha soado estranha antes.
Olhou para os próprios pés por alguns segundos tentando achar uma solução. Como iria ligar? Como iria conseguir falar ao telefone com a mulher que havia beijado há algumas horas atrás? Seu coração bateu mais forte só de pensar em ouvir a voz dela.
– Emma, eu posso tomar outro sorvete? – A voz infantil ao seu lado a tirou de seus pensamentos.
Ela respirou fundo tentando afastar a lembrança daquele beijo.
– Não sei não, garoto. Sua mãe não vai gostar que você se encha de besteira.
– Emma! — Ele retrucou como se fosse falar algo muito óbvio — Você é minha mãe também. Pode me dar permissão. — Sorriu travesso.
Emma sorriu de volta. Seu peito se aquecendo ao ouvi-lo se referir a ela como mãe. Não conseguiu resistir.
– Tá bem, garoto. Vai lá. Enquanto isso vou ligar pra Regina.
Ele saiu em disparada até a barraquinha de sorvete. Emma colocou o último pedaço de sua casquinha na boca e tirou o celular do bolso. O nervosismo a fez apertar o aparelho com força. Respirou fundo. Jamais havia sentido essa insegurança. Ficar sem reação, sem palavras, sem coragem. E tudo pra fazer uma simples ligação.
Mas não era tão simples. Do outro lado estaria a mulher de lábios tão macios e saborosos que havia lhe dado um beijo de tirar o fôlego.
Aproveitou o fio de coragem que percorreu seu corpo e discou o número. A cada toque seu coração pulava no peito. Depois de alguns toques a loira ouviu a voz meio rouca e sensual do outro lado da linha.
*****
Dr. Hopper abriu a porta de seu consultório e se surpreendeu ao se deparar com a Prefeita.
– Regina? – Falou um tanto apreensivo.
– Podemos conversar? – Sua voz era firme como sempre. Mas para um bom terapeuta era nítido o nervosismo camuflado dela.
– É claro que sim – Ele deu passagem.
Regina sentou-se no sofá. Sua postura ereta denotava sua ansiedade e receio.
– Pode ficar a vontade, Regina. – Ele tentou acalmá-la.
Ela o observou ir até as gavetas de arquivos e começar a procurar algo.
– O que está fazendo? – Perguntou ela já irritada. Queria falar e ele ficava mexendo em papéis.
– Procurando sua ficha. Tem anos que você não se consulta. – Ele fez uma pausa como se quisesse recordar algo. – Acho que desde que você adotou o Henry. Tenho certeza que sua ficha está aqui, mas já faz muitos anos.
– Não precisa disso! – Ela retrucou com raiva – Eu não vim falar de nada do passado. Pelo contrário – Fez uma pausa – É algo que atormenta meu presente. E que pode revirar todo o meu futuro. – Disse pensando em qual seria o caminho de sua maldição com essas coisas acontecendo entre ela e Emma Swan.
– Está bem – Ele concordou vendo o quanto ela estava nervosa.
Pegou um bloco e uma caneta e sentou-se de frente pra ela.
– Me conte. O que te aflige, Regina.
Ela enrijeceu. A boca ficou seca. O nervosismo tomando conta de si.
– E-Eu... É que... – Ela limpou a garganta e respirou fundo, sem olhar pra ele – Eu... beijei alguém que não deveria. – Falou olhando para baixo.
– Como assim não deveria? Ele é casado? – O homem perguntou confuso.
– Não! – Ela respondeu como se fosse algo ridículo o que ele disse – Não se trata disso.
– Então o que é? – O tom dele era calmo.
– É só que... essa pessoa... eu e ela... a pessoa... não nos entendemos, há vários motivos que me fazem odiar essa pessoa!
– Odiar? Isso é muito forte, Regina. Que motivos são esses?
– Motivos de... – Pensou por um instante no que ia dizer. Ou poderia entregar tudo de bandeja. E não queria jamais que alguém soubesse que a tal pessoa era Emma Swan – Motivos de negócios. Essa pessoa pode atrapalhar meus negócios... Política, essas coisas. – Foi o melhor que conseguiu inventar. Engoliu em seco olhando pra ele, torcendo pra que ele acreditasse.
Ele respirou fundo ajeitando os óculos. Anotou algo no papel antes de começar a falar.
– Regina, essa pessoa já tentou prejudicar você alguma vez?
Todas as coisas que Emma poderia fazer para destruir Regina vieram em sua mente. Mas de fato a loira não tinha feito nada para prejudicá-la. A única vez que fez algo foi quando descobriu aquele desvio de dinheiro, que na verdade era para construir um parque para as crianças. E mesmo assim ela estava apenas tentando ter uma carta para se defender do que Regina fazia contra ela.
Ela não tentou nem mesmo tentar se apoderar de Henry. Pelo contrário, sempre esteve fazendo de tudo para manter Regina junto dele.
– Na verdade não – Ela admitiu. De uns tempos pra cá, inevitavelmente, Regina começava a enxergar as coisas de um jeito diferente.
– Então, sinceramente, não vejo o problema. Se ele não tentou nada não há motivo para se alarmar. O fato dele ser um homem envolvido com a política não quer dizer que ele vá prejudicar você.
Regina sentiu um calafrio quando ouviu ele falar a palavra "homem". Se perguntava: "por que comigo?". Porque justamente ela? Com tanta gente no mundo tinha que ser ela a estar sentindo isso por outra mulher. E pior, a filha da inimiga de toda uma vida.
– Você acha que ele pode tentar algo contra seu cargo político? — Hopper continuou. — Que ele pode usar você ou tentar te prejudicar?
Regina não sabia o que responder. O que ele falava não tinha nada a ver com seu real problema.
– E-Eu... Eu não sei. — Respondeu desnorteada.
– Regina, qual é o problema de verdade?
– O problema é que isso não pode acontecer. Eu e e... — Ia dizer ela — essa pessoa. É algo inadmissível. Não tem cabimento. Eu não posso estar sentindo essas coisas.
– Que coisas? — Como um bom terapeuta, ele instigou.
– Essa vontade. Esse... desejo — Disse sentindo o rosto corar.
– Regina, acho que você está antecipando as coisas. Talvez você esteja com medo de entrar numa relação. Mas isso não é algo ruim, Regina. Você é jovem e bonita. Deve sim se permitir viver algo bom. Se esse beijo aconteceu é porque existe vontade das duas partes. Então porque não continuar? Sinto que esse seu receio em relação aos negócios é um escudo que você está criando para tentar proteger seus sentimentos. — Ele fez uma pausa — Se dê uma oportunidade, Regina. Uma oportunidade de ser feliz.
– De ser feliz? Relação? Dr. Hopper, você enlouqueceu? — Seu tom era exasperado — Não é nada disso. Foi apenas um beijo!
– Se foi apenas um simples beijo, então porque veio até aqui, Regina?
Ela o olhou perplexa com a pergunta dele. Sentiu seu sangue ferver.
– É, realmente, não sei onde estava com a cabeça quando resolvi vir aqui. Não me ajudou em nada. — "Inseto". Ela pensou.
Levantou-se rapidamente, com a respiração pesada pela raiva. Hopper nada disse. Queria realmente ajudá-la a se dar uma oportunidade de viver, mas a decisão era apenas dela.
– Te envio o cheque. — Disse antes de bater a porta com força, deixando o consultório.
Saiu do prédio do consultório extremamente irritada. Já não bastava ter cometido o ato impensado de beijar Emma, agora ainda vinha esse doutorzinho graduado por uma maldição querer lhe dar conselhos amorosos. Foi lá para tentar se acalmar e saiu mais nervosa ainda.
Assim que entrou em seu carro ouviu seu celular tocar. Pegou o aparelho e quando olhou o visor seu coração disparou fazendo-a quase perder o ar. Era Emma. Pensou por breves segundos se deveria atender.
Mas a vontade inconsciente de ouvir aquela voz era muito forte. E além do mais poderia ter acontecido algo com Henry.
– Alô. – Disse tentando não demonstrar seu nervosismo. Tinha beijado aquela mulher há algumas horas atrás.
– Oi, Regina... – Emma tentava fazer o mesmo. Depois de um breve silêncio constrangedor Emma continuou – É que você não me disse a que horas eu posso levar o Henry. – Emma parou de falar esperando a resposta dela.
Regina tentava controlar a respiração. Seu coração não se continha.
– Pode ser as 6. Quero ele em casa pra jantar.
– Ok.
– E não deixe ele comer besteiras, Srta. Swan. – Falou autoritária.
– Está bem – Emma sorriu do outro lado da linha observando Henry comprar seu segundo sorvete.
– Está certo. Tchau – O tom de Regina era o mais seco e frio possível.
Aquilo fez o coração de Emma apertar. Depois daquele beijo tão fervoroso que trocaram pela manhã, como ela conseguia permanecer tão apática? Afinal Emma também estava tentando parecer normal, mas não conseguia agir tão friamente como Regina.
Mas o que a loira não sabia era que Regina estava tentando ao máximo esconder o que estava sentindo.
– Ok, tchau, Regina.
A morena pôde finalmente soltar o ar.
Enquanto do outro lado, Emma respirou fundo tentando se recuperar do que sentiu ouvindo a voz dela naquela ligação.
*****
Para Henry o dia passou rápido. Estava se divertindo com sua outra mãe. Já para Emma e Regina o dia pareceu interminável. A todo momento ambas pensavam como seria quando estivessem cara a cara.
Regina ainda não conseguia acreditar que tinha feito aquilo. Deu um tapa em Emma quanto ela a beijou da outra vez. E agora ela mesma a havia beijado.
5:53 da tarde a campanhinha da mansão toca. Emma não gostava de se atrasar quando o assunto era Regina e Henry. Não queria cometer nenhum erro.
Regina sabia que eram eles. Sem que pudesse perceber, antes de abrir a porta passou por um espelho e ajeitou os cabelos rapidamente e passou as mãos pela roupa para tirar algum amassado. Foi algo involuntário, mas que no minuto seguinte a fez perceber que queria parecer apresentável especialmente para a loira.
Abriu a porta. Henry foi logo entrando todo animado. Enquanto os olhares das duas se grudaram por alguns segundos. Ah aqueles olhos verdes, tão lindos. Regina sentiu um friozinho na barriga. Então desviou o olhar. Entrou atrás de Henry e não fechou a porta. Seria a deixa para que Emma entrasse também? A loira não esperou pra saber, entrou assim mesmo.
– Então, como foi o dia? – Ela perguntou ao menino.
– Foi ótimo, mãe. A gente se divertiu pra caramba! – Tinha um sorriso enorme no rosto.
– Que bom, querido. – O sorriso dela parecia triste. – Agora sobe e toma um banho, vou preparar o jantar.
– Tá bom. Tchau, Emma. – Disse e saiu correndo pela escada.
Regina o acompanhou com o olhar. E antes que ele pudesse sumir pelo corredor e entrar em seu quarto, conseguiu ouvir quando Regina disse com a voz pesada para Emma:
– Queria que ele se divertisse tanto assim comigo também.
Aquilo fez o coração do menino apertar. Então ele teve mais uma de suas ideias mirabolantes.
Na sala o clima era pesado. Nenhuma das duas sabia como agir diante da outra. Mas foi Regina quem tomou a iniciativa.
– Bom, eu tenho que preparar o jantar. Então se me dá licença. – Regina e seu tom frio.
Aquilo fez Emma se irritar. Ela tinha dado um beijo nela, caramba! E agora agia assim.
– Regina, precisamos conversar.
– Sobre o que?
Emma bufou.
– Você sabe sobre o que!
A morena respirou fundo. Não queria ter aquela conversa. Não queria se explicar. E principalmente, não queria ficar sozinha com ela de novo.
– Vamos até o escritório. – Seu coração estava mais que acelerado. E podia sentir as mãos suarem. Enquanto seu corpo estava quente por uma onda de calor que simplesmente percorria sua pele quanto estava perto daquela mulher.
Regina caminhou na frente, e para Emma foi impossível não descer seu olhar para o quadril de Regina. A morena tinha um rebolado natural que estava mexendo com todos os instintos de Emma. Um arrepio subiu pelas costas dela. Ela sacudiu a cabeça e se concentrou em andar.
– Então, diga... – Regina pronunciou fechando a porta do escritório quando Emma passou por ela, deixando o rastro de seu cheiro perto da morena.
Emma respirou fundo, nem sabia por onde começar. Enquanto Regina caminhava para perto da mesa.
– Olha, isso é estranho, aquilo que aconteceu de manhã...
– Foi algo que jamais deveria ter acontecido, Xerife Swan. – Regina não deixou ela terminar de falar. – Foi um erro. – Falou totalmente seca.
O peito de Emma apertou. É claro que sabia que Regina iria ser fria, mas não esperava que depois de um beijo e tanto ela fosse ser tão dura. Sentiu raiva dela. Muita raiva.
– Claro! Era exatamente isso que eu ia falar. – Não era não. Seu sangue estava fervendo de raiva dela, de raiva de si mesma por estar sentindo aquelas coisas. – Aquilo foi a coisa mais estranha do mundo. Da outra vez você me deu um tapa e agora você me bei...
– E agora nada, Swan. Foi algo sem cabimento. Não tem nem explicação. — Ela estava exasperada.
– Concordo – Mentira. Mas jamais daria o braço a torcer para aquela mulher tão arrogante. – Algo que nunca vai acontecer de novo.
Os olhares permaneceram grudados. Por fora uma máscara, tentavam mostrar que aquilo não tinha importância. Por dentro, corações acelerados, pernas bambas, mãos suando, vontade de diminuir aquela distância em que estavam, desejos que pensavam ser errados.
– Vamos esquecer isso. – Foi Regina quem disse – Foi algo impensado. Eu realmente não sei por que fiz aquilo. Mas foi um absurdo. Olha, eu não gosto de mulher...
– E nem eu! – Emma retrucou antes que ela terminasse. – Você tem razão. Foi um absurdo mesmo.
Agora foi a vez de Regina sentir um aperto no peito. Emma realmente concordava que aquilo não tinha sido bom? E ela realmente não se interessavam por mulheres?
– Está certo então, Swan. Que bom que concordamos . Isso nunca mais irá se repetir. – Sentiu como se uma agulha entrasse em seu coração a cada palavra que dizia.
– Ok.
Se encararam por alguns segundos. Agora tudo estava esclarecido. E acabado. Emma fez menção de se virar, mas antes resolveu dizer algo.
– E isso não vai afetar de nenhuma maneira minha relação com Henry. – Falou séria. Não era uma pergunta, era um comunicado.
Regina quis dizer algo, mas já estava sendo bem difícil lidar com todas aquelas sensações dentro dela. A verdade era que queria sentir aqueles lábios rosados e quentes mais uma vez.
Emma virou e partiu. Deixando para trás a mulher que não saía de sua cabeça e a vontade de beijá-la de novo.
Ainda era relativamente cedo e Emma não foi para casa. Estava tentando organizar a delegacia, a bagunça que ficou depois da morte de Graham. Toda a papelada, casos arquivados.
Tentou trabalhar pra se distrair. Mas não conseguia parar de pensar em Regina. Ela realmente queria parar, mas estava cada vez mais difícil. E depois daquele beijo, depois de ter sentido a boca de Regina por completo, de ter sentido aquela mulher colada a seu corpo, tinha se tornado impossível não pensar.
Ficou na delegacia por mais algumas horas e então decidiu ir pra casa. Quem sabe um bom banho e uma noite de sono fossem o que ela precisava pra entender de uma vez por todas que aquilo não iria pra frente mesmo. E que era loucura.
Suspirou desapontada. Pensou que depois daquele beijo, Regina ia querer pelo menos conversar. “Ai, chega. Isso não tem cabimento mesmo. Nada a ver eu e Regina. Já é estranho me imaginar com outra mulher, com a Regina então. Melhor mesmo esquecer logo isso”. Respirou pesarosa, soltando o ar tristemente por seus pulmões.
*****
Chegou em casa, encontrando sua companheira de apartamento na cozinha. Emma não estava muito para conversas, então trocou meia dúzia de palavras com ela e disse que iria tomar um banho e depois desceria para jantar.
Tomou um longo banho. O dia tinha sido longo também. O beijo, o passeio com Henry, a lembrança do beijo durante o passeio com Henry. E depois Regina mais uma vez agindo como se nada tivesse acontecido. Mas depois de ter refletido muito viu que era o melhor. O que sentiu com Regina naquele beijo foi algo que há anos não sentia. Aquela emoção lhe invadindo, as borboletas no estômago, o coração querendo pular do peito, todos os pelos se arrepiando. E uma vontade de não soltar Regina nunca mais.
Tinha sido algo muito forte. E tinha assustado Emma. Era apenas uma curiosidade, uma atração momentânea, certo? Então não deveria ter sentido tudo aquilo. Sabia que a única pessoa que havia despertado aquelas sensações nela tinha sido Neal.
Sacudiu a cabeça para tentar afastar aqueles pensamentos. Não poderia jamais estar nutrindo por Regina os mesmos sentimentos que tinha pelo pai de Henry. “Deus, isso é loucura! Eu não quero sentir isso. Por ninguém! Muito menos por ela!” Emma sabia que o amor só trazia decepção e sofrimento.
Quando desceu para jantar encontrou Mary Margaret já dormindo. Jantou rápido, sem fazer muito barulho e foi se deitar. Mas demorou muito para adormecer. Apesar de estar cansada, o sono não chegava de jeito nenhum. E sua mente se aproveitando disso, viajava até onde Emma não queria: Regina.
Rolou de um lado para o outro várias vezes. Deitou de lado, de bruços, de barriga pra cima, trocou o lado na cama, voltou ao normal. E nada. Quando finalmente pegou no sono já devia passar das duas da madrugada. Por sorte seria domingo e ela poderia dormir até tarde.
E quanto dormia, a magia do sono tomou conta da mente dela: um sonho.
Estava na sala da mansão de Regina. Estava escuro, todas as luzes apagadas, havia apenas um par de velas em um candelabro numa mesinha ao canto. Emma se perguntava o que estava fazendo ali. Caminhou até a porta da sala e entrou na sala de jantar. Mas assim que se aproximou da mesa tudo se tornou turvo e ela fechou os olhos. Quando abriu estava na sala de antes novamente. A mesma sala onde o beijo tinha acontecido pela manhã.
Tentou chamar por Henry, mas a voz não saia. Tentou chamar Regina, e não conseguiu mais uma vez.
De repente ouviu um barulho. Pareciam passos. Ficou mais perto, era o barulho de saltos batendo no chão. E então Regina entrou na sala.
– Olá, Xerife Swan.
Emma engoliu em seco, seus olhos perderam o controle e passearam pelo corpo da mulher a sua frente. Regina, como sempre, linda. Estava usando as mesmas roupas que usava pela manhã quando o beijo aconteceu. A saia preta, a blusa branca de seda, e os saltos bem altos.
De repente toda a confusão que aquele momento parecia para Emma desapareceu, e ela parecia saber exatamente o que estava fazendo ali.
– Regina, o que aconteceu? Você parecia nervosa no telefone. – Sua voz voltou quando Regina se aproximou dela.
Regina tinha um olhar diferente. Um olhar de desejo, parecia comer Emma com os olhos.
– Aconteceu que não consigo mais ficar longe de você, Srta. Swan. – A morena disse carinhosamente enquanto deslizava a mão direita pela face de Emma.
A loira imediatamente sentiu o rosto corar. Seu coração acelerando. Regina se aproximou mais. Deslizou as mãos para baixo pelos dois braços de Emma por cima da jaqueta vermelha. Os olhos acompanhando o movimento. Subiu as mãos novamente e segurou na gola da jaqueta dela. Puxou delicadamente e a beijou.
Beijaram-se por alguns segundos, então Emma interrompeu.
– Regina, você disse que isso não ia mais acontecer, que era loucura. – A voz tomada pelo desejo.
– Esquece o que eu disse, Srta. Swan. Só me beija. Eu sei que você quer. – A voz de Regina estava absurdamente sensual aos ouvidos de Emma.
Beijaram-se mais uma vez. Regina foi empurrando Emma para o sofá enquanto se beijavam, fazendo a loira cair sentada. Emma respirava pesadamente. Regina estava parada de pé a sua frente, muito próxima a ela. Emma sentia o coração bater tão forte, uma emoção sem igual.
A morena se aproximou e inclinou o corpo, apoiando os braços no encosto do sofá, onde Emma estava apoiada. Suas bocas grudaram novamente. Dessa vez num beijo intenso, carregado de vontade.
Emma subiu suas mãos e segurou nos cabelos de Regina. Aquele beijo, daquele jeito, estava fazendo explodir dentro dela um desejo louco por aquela mulher. Era um beijo tão gostoso. Seu coração parecia que batia mais forte a cada segundo. E sentia uma felicidade que não poderia explicar.
Regina afastou sua boca. E quando Emma abriu os olhos, os mesmos se arregalaram. Regina de repente não usava mais suas roupas. Agora trajava apenas suas roupas íntimas. Um sutiã e uma calcinha muito pequena, ambos na cor vermelha.
Emma sentiu um calor lhe invadir. E mais ainda quando Regina ficou de joelhos no sofá, com uma perna de cada lado do corpo dela, mas sem se sentar, ela mantinha os braços apoiados no encosto do sofá.
Emma tentava controlar sua respiração, mas não conseguia, seu coração batia rápido demais.
– Pode me tocar, Emma. Eu quero isso. Não foi loucura o nosso beijo. Eu quero te beijar mais, muito mais! – Regina falava olhando nos olhos de Emma. E o que ela disse provocou um friozinho na barriga da loira.
A morena pegou as mãos de Emma e colocou em sua própria cintura. O corpo de Regina parecia pegar fogo. Emma passeou suas mãos pela cintura dela. Desceu pelas pernas, apertou. Era uma mulher, mas aquilo era gostoso, tocar o corpo dela. Emma sentia o olhar de Regina sobre ela, enquanto seu olhar passeava pelo corpo da morena. Suas mãos foram subindo, e seu olhar pousou sobre os seios da morena, cobertos pelo sutiã vermelho.
Desejou tocá-los. E quando suas mãos iam se apoderar deles, Emma quase deu um pulo na cama. Acordando bruscamente e muito assustada.
Com o susto que levou ela, sem perceeber, ergueu o corpo e ficou apoiada nos cotovelos. Sua testa molhada de suor. Olhou rapidamente ao redor, reconhecendo seu quarto. Entendendo que tinha sido um sonho. Aos poucos foi se acalmando e deitou de novo. Fechou os olhos e respirou fundo. “Meu Deus, meu Deus, tira ela da minha cabeça. Que sonho foi esse?”
Podia sentir seu coração ainda batendo forte, assim como no sonho. E lá em baixo, em sua intimidade, o resultado do que o sonho tinha provocado. Emma estava excitada.
Rolou na cama soltando o ar dos pulmões. Ficando de bruços e a cabeça jogada no travesseiro. Abriu os olhos e fixou seu olhar em algum ponto escuro do quarto. Seu coração batia acelerado, a imagem do sonho ainda estava viva em sua mente.
Respirou fundo. Além da irritação de ter sonhado com aquilo, ainda tinha aquela vontade. A vontade de fazer exatamente o que tinha acontecido no sonho. Não queria sentir aquelas coisas, tinha que dar um basta, nada daquilo fazia sentido, e agora sua mente lhe proporcionava aquele sonho um tanto erótico. Um calor consumia seu corpo, ainda estava sentindo tudo que sentiu no sonho. Fechou seus olhos mais uma vez e respirou fundo.
É claro que estava atraída pela Prefeita, isso já sabia. Que ela era linda, cheirosa, tinha uma voz sensual, um corpo perfeito, e no fundo era uma mulher sensível e frágil. Mas ainda não tinha imaginado algo assim como no sonho.
Regina estava despertando em Emma instintos desconhecidos, desejos inexplorados. E aquele sonho aflorou algo a mais nela.
Sentindo o coração bater acelerado e aquela vontade de estar perto da morena, ela pensou: “Tô ferrada.”
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