Notas iniciais
Demoooooreeeei, mas volteeeeei!!! Gente, infelizmente não deu pra postar antes. Sei que nada vai justificar, mas minha vida tem sido uma correria. Daqui pra frente acho que vai ser mais tranquilo um pouco. Desculpem mesmo. Tomara que não tenham me abandonado. Bom, o capítulo 5 terminou com um suspense. A Emma tinha feito algo. Vamos ver o que foi agora. Esse capítulo começa exatamente onde terminou o 5. Espero que gostem e comentem ( mesmo se não gostarem, comentem =D) Boa leitura!

Emma envolveu o corpo de Regina em um abraço. Um abraço tímido, mas cheio de sinceridade.

Não pôde suportar vê-la tão triste. Isso partiu seu coração de tal forma que a razão a abandonou e não pensou em mais nada além de seguir a vontade de abraçá-la. Regina parecia tão desprotegida. Emma sentiu um desejo insano e desconhecido de proteger aquela mulher.

E abraçá-la era tudo que podia fazer.

No momento em que seus braços passaram pelos de Regina, enlaçando-a junto a seu corpo, Emma sentiu uma pontada de dúvida, vergonha talvez. Regina provavelmente estava achando aquilo um absurdo. E quando pensou em soltá-la e se recompor, sentiu Regina apoiar de leve o queixo em seu ombro.

Emma ficou incrédula. Não podia imaginar que Regina faria aquilo, que aceitaria seu abraço. Aquele simples gesto foi suficiente pra fazer surgir dentro de Emma uma emoção sem igual.

O coração disparou feito louco, os pelos se arrepiaram, um friozinho na barriga. Regina estava se deixando abraçar. Aquela mulher imponente, forte, arrogante, estava ali totalmente frágil se deixando ser abraçada por ela.

Emma lembrou-se de alguns meses atrás, assim que Sidney confessou ter armado tudo em relação ao sumiço de Kathryn, e Mary Margaret saiu da cadeia. Emma disse a Regina que não se importava com ela. Mas precisamente suas palavras foram: “Dane-se o que pode acontecer com você!”

O que passou pela cabeça de Emma foi que há alguns meses atrás ela estava dizendo a Regina que não se importava com ela. E agora estava ali, abraçando aquela mesma mulher. Desejando que aquele simples abraço pudesse levar pra longe, mesmo que só um pouco, a tristeza dela.

Quando sentiu Regina apoiando a cabeça em seu ombro e junto com isso todas aquelas sensações, Emma apertou mais a morena em seu abraço.

Regina chorava, um choro contido, mas tão doloroso. Emma ousou mais, ergueu a mão direita e a depositou nos cabelos de Regina, e ali começou a acariciá-los.

– Regina, vai ficar tudo bem – Foi só o que conseguiu dizer.

Um silêncio. Apenas o som contido do choro baixo de Regina.

– Isso é tão injusto. – Regina falou entre o choro. A voz abatida. – Eu posso não ser uma pessoa maravilhosa. Sei que não sou. Mas se tem algo que fiz nesse mundo foi amar esse menino – A voz estava carregada de tristeza, raiva, mágoa, insatisfação.

– Eu sei – Emma disse solidária. Continuava a acariciar os cabelos da outra.

– Eu o amo demais. Saber que ele duvida disso me destrói por dentro.

O choro aumentou. E Regina fez algo que Emma não poderia imaginar. Aproximou ainda mais sua cabeça do pescoço da loira e ali se aconchegou.

Emma fechou os olhos com aquele contato. Como foi prazeroso. Apesar da situação, foi muito prazeroso sentir Regina assim tão perto. Sem que pudesse se controlar, Emma apertou ainda mais Regina contra seus braços.

E nesse momento, contrariando tudo que Emma poderia imaginar que a morena fosse fazer, Regina enlaçou o corpo de Emma com os seus braços, retribuindo o abraço.

Emma sentiu o coração quase explodir no peito quando Regina a abraçou de volta. Por que aquilo era tão bom? Desde quando gostava tanto de abraçar alguém?

Embora Regina estivesse triste, o que Emma sentiu com aquele abraço recíproco foi inexplicável. Emma não sabia direito o que pensar daquela sensação. Só sabia que há muito tempo não sentia algo tão gostoso.

Era um misto de emoções. Por um lado aquela sensação estranhamente gostosa de ter Regina em seus braços. Por outro, a inexplicável pontada de dor que sentia em seu peito ao ver a morena naquele estado. E ainda, pra completar, todos os “por quês”. Por que era bom sentir o abraço de Regina? Por que era incomodo ver ela triste? Por que estava se importando com ela depois de tudo?

– Regina, eu sei que você tá magoada com ele pelo que ele fez. — Falou sem deixar de abraçá-la. — E dessa vez eu concordo plenamente que ele deve ter um castigo. — Fez uma pequena pausa e respirou fundo — mas você também precisa entender... que não pode ser tão dura com ele. O garoto só tem dez anos. Isso afasta ele de você, entende? – Procurou usar o melhor tom, para não irritar Regina.

Um breve silêncio. A loira continuava a afagar os cabelos da morena.

– Eu sei — Regina estranhamente concordou. — Mas eu tenho tanto medo de perdê-lo. — E apertou o abraço em Emma. — Medo dele gostar mais de você do que de mim — disse num tom profundamente magoado. — E você acabar tirando ele de mim.

– Regina... — Emma disse mansa. E se afastou um pouco do abraço para poder olhar nos olhos da morena — Eu não quero tirar ele de você. Entende isso! Eu não to aqui pra tirar nada de você. Muito menos o Henry.

Seus olhos estavam grudados. Os castanhos tomados pela angústia, úmidos pelas lágrimas que insistiam em cair. Os verdes confusos, emocionados com aquele abraço e angustiados pela tristeza da outra.

Emma retirou sua mão direita dos cabelos de Regina e num impulso a levou para o rosto da morena. Acariciou de leve sua face. Com o polegar limpou uma lágrima.

– Não quero tirar ele de você — A voz saiu baixa.

O coração disparado com aquela proximidade, sentindo a maciez de sua face, o cheiro maravilhoso que vinha dela. Como era linda. Até com carinha de choro ela era linda. Emma chegou até a querer sorrir com a admiração daquela beleza distinta, que retratava a pureza e a entrega daquele momento. Mas se conteve.

Não sabia quem ou o que havia tomado conta de seu corpo e mente, por que já não controlava mais suas atitudes. Trouxe a mão esquerda também para a face de Regina. E segurou o rosto dela entre as mãos.

– Não quero roubar ele. – Timidamente acariciava a face de Regina – Só queria que você entendesse que nós dois temos um laço – Seus olhos em nenhum momento se desgrudavam. As duas sustentavam o olhar – E não falo só do laço sanguíneo. Falo da amizade. Ele me considera amiga dele. E ele sofre quando você tenta afastar a gente, Regina – Falou com a voz dolorida.

Nesse momento Regina abaixou o olhar. Emma não pôde decifrar sua expressão. Ela parecia confusa.

– Não entendo porque ele gosta mais de você se fui eu quem fiz tudo por ele – Aquele tom arrogante de Regina parecia se manifestar, mesmo entre o choro, que já não era tão forte.

– Não acho que ele goste mais de mim do que de você – Emma retirou a mão direita da face dela e levou até os cabelos, enquanto a outra mão continuava a acariciar a face da morena. – Só acho que ele tá rebelde. Por causa... da... enfim, por causa da sua rigidez. – Fez uma pausa – Por que não me deixa tentar ajudar? – a voz saiu tímida.

Regina levantou o olhar. E Emma encontrou aquele castanho mais um vez. O choro dela havia cessado e seu rosto apenas estava molhado pelas lágrimas de antes. Regina parecia tão confortável naquela proximidade. Não recuava, não rejeitava. Isso fazia o coração de Emma pulsar ainda mais rápido.

– Se deixar eu me aproximar, talvez eu possa ajudar, conversar com ele. Tentar mostrar que ele está errado sobre você. Que você ama ele de verdade.

Nesse momento algo mudou no olhar de Regina. Mas o que teria sido?

– Faria isso, Srta. Swan? – Perguntou encarando Emma.

– Claro que sim – Respondeu com um leve sorriso. Como se estivesse aliviada. A pergunta de Regina era um fio de esperança.

E Regina esboçou um sorriso tímido, no canto da boca.

Estavam tão próximas. Aquele pequeno sorriso da morena aqueceu o coração da loira.

Acariciou os cabelos negros, colocou uma mecha atrás da orelha. O silêncio agora se fazia presente. Nenhuma das duas se afastava.

Seus rostos estavam a poucos centímetros de distância. No peito de Emma o coração batia descompassado. A respiração estava ofegante, como em todos os seus momentos de nervoso. Mas dessa vez parecia ser diferente. Não era só pelo nervosismo.

– Vai ficar tudo bem. Eu prometo – Emma disse com ternura.

E então, sem que Emma pudesse esperar, Regina se aproximou e a abraçou novamente.

Passou os braços envolta da cintura da loira. Dessa vez foi Regina quem tomou a iniciativa. E ela abraçava forte a loira. Que só pôde fechar os olhos e a abraçar de volta.

– Eu já... tô pronto.

Estavam tão distraídas com aquele momento tão diferente para as duas, que nem perceberam Henry descer as escadas e entrar na sala.

Ao escutar a voz do menino, Emma abriu os olhos e o avistou parado na entrada da sala.

Como que em coreografia, ambas se afastaram do abraço ao mesmo tempo. De supetão, assustadas. Como se o que estivessem fazendo fosse a coisa mais errada do mundo.

Nem sequer se encararam. Era como se tivessem acordado de um transe. Emma pigarreou por causa do nervoso, da falta de palavras, e levantou-se do sofá. Regina continuou sentada, apenas virou-se na direção de Henry.

– Bem, eu já vou indo – Disse Emma indo na direção da entrada da sala – Anda garoto, melhor você ir logo também, se não vai perder o ônibus.

– Srta. Swan... será que... – Regina parecia lutar contra si mesma para pronunciar aquela frase. – Será que pode levá-lo até a escola hoje?

Henry arregalou os olhos e em seguida olhou assustado para Emma, que encarava Regina sem acreditar.

– Se não for incomodar, claro. – Completou a morena, que passava de leve a mão no rosto, para limpar as lágrimas que haviam caído antes.

– Claro que não – Emma se apressou em responder – Não é incomodo nenhum – O sorriso era contido. Aquele sorriso tão comum dela.

E Regina tentou esboçar um sorriso também, mas parecia insatisfeita.

– Vamos então garoto. – Disse colocando a mão nas costas dele.

– Henry, quando sair da escola, venha direto pra casa – Regina falou rígida – Nós temos que conversar.

– Tá bom.

– Tchau, Regina – Disse Emma – E mais uma vez te desejo melhoras – Disse se referindo a perna dela.

Emma e ele saíram da casa e foram para o carro. No caminho Emma estava totalmente envolta por seus pensamentos. “Que diabos foi aquilo?”. Ainda sentia os braços de Regina envolta de seu corpo. “Por que eu abracei ela? Depois de tudo que ela fez comigo!”.

Algo havia mudado dentro de Emma. Depois de ver Regina daquele jeito, tão frágil, era como se tivesse passado a enxergá-la de uma forma diferente. Não saberia dizer o que mudou, mas sentia-se diferente em relação a ela.

E então Henry a tirou de seus pensamentos.

– Emma, quando eu cheguei na sala você tava abraçando a minha mãe. — A voz dele parecia interrogativa, confusa — Eu nunca vi minha mãe abraçar ninguém. A não ser eu.

Emma percebeu que ele a olhava intrigado. Esperando uma resposta.

– Sua mãe tava triste. Eu tava dando uma força pra ela. — Se limitou a dizer.

O que iria falar? Para ela também tinha sido muito estranho. Foi Emma quem abraçou primeiro. De onde teria vindo aquela vontade? Em meio a toda raiva que sentia de Regina. Que confusão.

Ele arqueou a sobrancelha. E disse:

– Mesmo assim é estranho. A Regina não é de abraçar ninguém.

Ficou quieto por alguns instantes, olhando pela janela do fusca e então continuou.

– Acho que ela já me perdoou por ter fugido. Se não ela não ia deixar eu vir com você. — Disse Henry animado. — Será que ela vai deixar a gente se ver mais vezes agora? — Sua voz continha um ar de esperança.

– Não seja tão otimista, garoto. — Disse Emma contrariando o tom confiante dele — Mesmo que ela já tenha te desculpado, você ainda merece um castigo.

– Emma!! — Ele se surpreendeu com o que ela disse.

– O que? É a verdade. O que você fez foi muito errado — Enfatizou o "muito". — Nós já conversamos ontem. Sua mãe com a perna machucada, precisando de você e você deixa ela sozinha, você foge — Fez uma pausa enquanto se atentava aos carros a sua frente e passava a marcha. — Isso tem que parar Henry. Você já é bem grandinho. Já tá na hora de começar a entender as coisas — Falou como uma verdadeira mãe, mesmo que naquele momento não tenha percebido isso.

– Eu sei. Eu errei feio. Eu tava muito triste e desesperado. — Disse cabisbaixo — É que desde que eu descobri que a Regina é a Rainha Má, não consigo mais confiar nela, tenho medo.

– Henry, você quer parar com essa besteira?! — A voz saiu nervosa, meio raivosa.

Ele a olhou assustado.

– Você... ainda não acredita? — Ele estava incrédulo — Mas e a operação cobra? E todas as coisas que você me disse? — Ele falou com um certo desapontamento na voz.

Emma percebeu que não devia ter falado daquele jeito. Lembrou-se do que Dr. Hopper sempre fala: Não destruir a imaginação dele dessa forma.

– Henry, só quero dizer pra você parar de ficar falando isso o tempo todo. Você pode acabar estragando a Operação Cobra por causa desse seu nervosismo.

Tentou convencê-lo de que acreditava. Mas precisava achar uma forma de fazê-lo desacreditar daquilo. De mostrar pra ele que todos eram pessoas normais. Inclusive Regina. Que ela era apenas uma pessoa amargurada, mas que fazia tudo pensando ser o melhor pra ele. Mesmo estando errada às vezes.

– Olha, se eu quebrar a maldição, e todo mundo se lembrar quem é, eles vão querer se vingar da Regina pelo que ela fez com eles, não acha?

Henry pareceu pensar um pouco.

– Acho que sim — parou de falar um instante — Eu nunca tinha parado pra pensar nisso — sua voz pareceu um pouco aflita.

– Então, me responde uma coisa do fundo do coração. Se todos souberem que ela é a Rainha Má, o que você prefere, que se vinguem dela, façam o que bem quiserem com ela? Ou que vejam ela como uma pessoa melhor agora, que ela mudou e possam perdoá-la?

– Que vejam ela como uma pessoa melhor. Que perdoem ela — ele se apressou em responder, aflito. De fato ele amava Regina. E amava muito. Mas toda aquela arrogância e o fato dele saber que ela era a Rainha Má e que tinha destruído tantas vidas, o fez vê-la de forma diferente. E se afastar dela.

– Então, Henry. Nós precisamos ajudar ela a ser uma pessoa melhor. Acho que isso é ser uma Salvadora. É isso que os heróis fazem, salvam vidas. Não é? — Disse olhando de relance pra ele.

– É sim — ele sorriu aquele sorriso lindo que só ele e Emma tinham.

– Sua mãe é uma mulher amargurada com a vida. Não sei o que aconteceu com ela. Mas ela parece ser muito triste. Acho que ela tenta compensar toda essa tristeza com você. Ela enxerga você como a única oportunidade dela ser feliz. E aí ela exagera na super proteção. Mas ela não quer o seu mal. Garoto, eu já conheço um pouco a sua mãe, e se tem alguém nesse mundo que ela ama é você. — Fez uma pausa — a gente precisa ajudar ela, garoto. Fazer ela enxergar que está agindo mal e ajudar ela a mudar.

Henry ouvia tudo atentamente. Como se aquele fosse o melhor plano de todos para fazer Regina mudar, para quebrar a maldição.

– Acho que o primeiro passo pra quebrar a maldição é destruir o coração gelado da Rainha Má. Não acha? Tornar ela uma pessoa boa.

Ele sorriu abertamente.

– Tem razão, Emma. — Ele parecia bem feliz — Eu nunca tinha pensado nisso. É por isso que você é a Salvadora. Você sempre sabe o que é melhor.

Ela sorriu sem desviar o olhar da direção.

– Você quer ver sua mãe feliz, garoto?

– É claro que sim! – Disse entusiasmado — Tudo que eu mais quero é que todos tenham seus finais felizes. Inclusive a minha mãe — Seu sorriso era o mais sincero e puro possível.

Nesse momento eles já se aproximavam da escola de Henry. E Emma estacionou o carro.

– Então tá certo. Mudança de planos. Agora a prioridade é fazer a Rainha Má ser uma Rainha Boa. — Sorriu para si mesma das palavras que disse — Fechado? — Estendeu a mão pra ele.

– Fechado! — Ele disse confiante e apertou firme a mão dela.

– Certo – Ela sorriu e soltaram as mãos – Pra isso você não pode mais continuar fazendo essas coisas. Tem que parar de fugir, de dizer que ela não te ama. E principalmente... tem que parar de fazer ela pensar que você gosta mais de mim do que dela.

Ele pareceu surpreso.

– Ela disse isso?

– Disse sim. Por mais estranho que isso possa parecer, sua mãe confessando algo pra mim – Sorriu e Henry sorriu junto – Mas ela disse. – Ficou séria novamente — Ela acha que você me ama mais. E isso magoa muito ela.

– Mas eu amo vocês duas do mesmo jeito.

– Então demonstra isso pra ela, garoto. Eu sei que não é fácil. Sua mãe é difícil de lidar. Sei que ela fez coisas ruins. Mas temos que ajudar ela a mudar. E acho que um bom jeito pra começar é você dando mais amor pra ela.

– Tá bem, Emma. Eu quero muito ver minha mãe feliz. E talvez se ela mudar e estiver feliz, ela se arrependa e ajude a gente a quebrar a maldição.

Ela sorriu solidária. Sabia que aquilo tudo sobre contos de fadas era uma grande besteira. Mas se precisava usar isso para fazer Henry ficar bem com Regina e vê-lo feliz, então ela usaria.

Durante muitos anos não se importou com ninguém no mundo além dela mesma. Mas agora tinha mais alguém para quem desejar felicidade. E esse alguém estava ali na sua frente, sorrindo pra ela. Aquele sorriso único, que alegrava seu coração, que desarmava ela. Henry havia se tornado a pessoa mais importante da sua vida. E faria qualquer coisa para vê-lo feliz.

– Agora vai, garoto. O portão já vai fechar.

Ele retirava o cinto de segurança quando ela falou:

– E você ouviu a Regina, quando sair da escola, direto pra casa hein – Ela disse séria, rígida.

Mesmo assim ele sorriu.

– Sabe o que é engraçado e muito legal nisso tudo? – Ele perguntou.

– O que? – Ela o olhou intrigada.

– Ter duas mães – Respondeu sorrindo docemente pra ela.

O coração de Emma foi nas alturas com o que ele disse. A cada dia que passava tinha mais certeza que amava aquele garoto.

Henry se inclinou no banco e praticamente se jogou para abraçá-la. Ela fechou os olhos sorrindo e retribuiu o abraço.

Era tão bom tê-lo assim perto. E a cada vez que sentia essa sensação gostosa não conseguia deixar de se perguntar como pôde ter desistido dele. Como teria sido se tivesse visto ele crescer.

Saíram do abraço e se despediram. Henry foi correndo para o portão e entrou. Quanto Emma ia dar a partida no carro, viu Mary Margaret acenando pra ela na frente da escola.

Saiu do carro e foi na direção da amiga, passando por algumas pessoas, pais e crianças que ainda estavam por ali.

– E então, como foi? – Perguntou Mary Margaret quando Emma se aproximou.

– Bom... – Disse puxando o ar – Foi... Estranho – Falou lembrando do abraço que ela e Regina trocaram – A Regina tava muito triste. Nem parecia ela.

Não queria expor o momento de fragilidade de Regina. Mas queria de certa forma começar a acreditar que Regina poderia mudar. E queria que todos vissem isso também.

– Eu imagino. Do contrário não teria deixado ele vir com você – Respondeu Mary – Ela parece ser uma mulher insensível, mas no fundo é uma mulher amargurada com a vida. E quando se trata de Henry os sentimentos dela se afloram mais ainda.

Dentro de Emma uma pontada de felicidade por saber que Mary Margaret entendia que Regina não era uma pessoa ruim. Mas apenas uma pessoa machucada pela vida. Assim como a própria Emma era.

Dizia para si mesma que queria que Regina mudasse por Henry, para que ele pudesse ficar bem. Mas no fundo sabia que não era só isso. Queria que Regina mudasse por ela própria, pelo próprio bem dela. Para que as pessoas a vissem como alguém melhor.

– Ela pareceu concordar comigo quando eu disse que ela tem que ser menos rígida com o Henry. Acho que ela vai tentar mudar – Emma queria acreditar nisso com todas as suas forças. Mas ainda havia uma dúvida enorme dentro dela. Regina não era uma pessoa muito confiável.

– Tomara. O Henry é uma criança solitária, fechada, sem amigos. E isso se deve em parte a maneira como Regina sempre o tratou. Tudo que ele tem é o livro que eu dei e a imaginação fértil.

Emma se sentiu triste com esse comentário. Era verdade, o modo de Regina tratá-lo com certeza influenciou a personalidade dele. Mas o fato dela tê-lo abandonado quando bebê foi a causa de tudo. Se não fosse por isso ele não teria crescido ao lado de Regina, teria tido sua mãe biológica perto dele e talvez fosse uma criança mais feliz.

– Bem, já vou indo – Disse Emma – A delegacia me espera.

– Está bem. Eu também vou entrar. A aula já vai começar. Nos vemos a noite.

Despediram-se e Emma foi para a delegacia. Estava pensativa. Coisa que ultimamente vinha fazendo muito.

Entrou devagar, ajeitou algumas coisas na mesa, sentou-se, ligou o computador.

Sabia que tinha que se concentrar no trabalho. Mas como? Depois do que tinha acontecido na casa de Regina. “Mas afinal, por que eu abracei ela?”. Emma sempre foi sozinha, cresceu sem família, nunca teve muitos amigos. Por isso nunca soube ou nunca quis demonstrar afeto pra ninguém. Isso só foi diferente com Neal. E ele a abandonou. Depois disso Emma se fechou para tudo e todos. Se fechou para amizades, se fechou para o amor.

E em Storybrooke tudo isso parecia estar mudando. Uma amizade forte com Mary Margaret, o amor por Henry. E agora esse sentimento por Regina. Que Emma não sabia decifrar, o mais confuso de todos. Seria atração física? Amizade? Ou... amor?

“Será que eu to mesmo sentindo atração por ela, meu Deus?”. Todas aquelas sensações do abraço de Regina ainda estavam vivas dentro dela.

Emma tendo coragem pra abraçá-la, Regina se entregando ao abraço. O cheiro da morena, a maciez de seu rosto, de seus cabelos, a voz, que tomada pela fragilidade, estava suave.

“Ela parecia tão diferente. Será que é possível que ela mude? Será que vai aceitar que eu faça parte da vida do Henry?”. Emma perguntava-se, recostada na cadeira, olhando para o nada, completamente distraída.

“Como seria se isso acontecesse? Eu podendo sair pra passear com ele, pegar ele na escola de vez em quando. Ele passando os fins de semana comigo.” Sorriu. Começou a imaginar-se cuidando de Henry juntamente com Regina, fazendo parte da educação dele. Os três podendo conviver bem, sem brigas, quem sabe até saírem juntos.

Emma parecia estar realmente esquecendo todas as coisas ruins que Regina havia feito. O sentimento de que Regina poderia mudar e tornar-se uma pessoa melhor estava derrotando o ódio que sentia por ela.

Imaginou como seria se pudesse conviver todos os dias com ele. Vê-lo acordar, tomar café junto, levá-lo e buscá-lo na escola, embora soubesse que ele gostava de fazer isso sozinho. Sorriu mais uma vez.

Isso tudo teria acontecido se não tivesse dado ele pra adoção. Mas estranhamente nessa sua imaginação não excluiu Regina. Imaginou ela junto deles, na mesa do café, à noite no jantar, vendo um filme na sala. Os três juntos... Como uma família.

“Eiii!!!”. Repreendeu-se. Assustada com aquele pensamento ergueu o corpo na cadeira, afastando-se do encosto. “Que isso?!!! Agora eu enlouqueci mesmo! Ahhh”.

Levantou-se, balançando a cabeça negativamente. Andou até a outra mesa, e pegou um dardo que ali estava. Queria se distrair, espantar aquele pensamento insano que acabara de ter.

Mirou no alvo na parede a sua frente. Atirou. E errou. Resmungou frustrada. Nunca conseguia acertar aquilo.

“Como Graham conseguia fazer isso?”. Pensou enquanto se abaixava para pegar o dardo. Sorriu ao lembrar-se dele. Aquela delegacia às vezes parecia tão vazia sem ele por ali.

Como que no automático, seu pensamento correu até aquele último beijo que trocaram. Ali mesmo, na delegacia. É claro, foi o momento mais marcante que vivera com ele. Mas não pelo beijo e sim pelo que ocorreu em seguida. O que todos pensam ter sido um ataque cardíaco e a morte dele. Na sua frente, em seus braços.

Rapidamente espantou aquela lembrança. Não iria adiantar nada remoer aquela dor. Não iria trazê-lo de volta. Mas foi inevitável um pensamento: “O que teria acontecido entre nós se ele não tivesse morrido?”

Mas quando pensou isso, um outro alguém invadiu sua mente. Regina. Inconscientemente o que ela pensou foi: “Talvez teria sido legal ficar com ele. Mas e a Regina?”

Não pôde controlar. Imaginou que se tivesse ficado com ele não poderia ficar com Regina. E não só isso, lembrou-se que ele e Regina tinham um caso. E sentiu ciúmes. De Graham? Não. Ciúmes de Regina.

“Ahrg, já chega! Cada vez que tento parar de pensar, mais eu penso nisso. Nela.” Pensou levando a mão a cabeça visivelmente nervosa. “Eu já entendi. Tô atraída por ela?! Pode ser. Mas e daí? Isso é besteira. Pode acontecer com qualquer pessoa. Mas vai passar. Eu não gosto de mulher. E ainda mais se tratando de quem é. Sempre gostei de homem e isso não vai mudar... Vai passar”.

Ainda em pé deu um murro na mesa, tamanha a raiva que sentia de si mesma por estar tendo esses pensamentos e sentimentos sobre Regina. Tentou se convencer de que aquilo não passava de uma loucura sem pé nem cabeça e que iria acabar assim como começou. De repente.

***

Já passava das onze da noite quando Regina recebeu a ligação de Emma dizendo que Henry havia fugido e estava no seu apartamento.

Emma sugeriu que Henry ficasse lá com ela pelo menos aquela noite. Nesse momento Regina sentiu uma raiva profunda a invadindo, junto com um ciúme enorme. Relutou, negou aquele pedido. Henry tinha a casa dele, não tinha cabimento ele ficar lá com a Emma. Justo com ela.

Mas a voz de Emma insistindo naquilo fez o coração de Regina acalmar ao menos um pouco. A voz mansa, um pedido, não uma imposição. E Regina cedeu. Contrariada, nervosa, triste, com raiva, mas cedeu. Algo na voz de Emma parecia ter o poder de fazê-la agir da maneira que ela não queria.

Quando desligou o telefone ficou vários minutos perdida em seus pensamentos.

Se antes já achava que seria difícil dormir, por causa dos milhares de pensamentos envolvendo Emma e por causa da dor na perna. Agora depois do que Henry fez, seria impossível.

Depois de longos minutos decidiu levantar. Pegou as — malditas — muletas ao lado da cama do quarto de hóspedes. Apoiou-se nelas, já até estava se acostumando com elas. Mas queria se ver livre daquele estorvo o mais rápido possível.

Caminhou até a cozinha e fez um chá. Optou por um chá de camomila para ver se aquilo poderia ajudá-la a dormir.

Ficou ali, sentada na mesa da cozinha, tomando o chá, sentindo seu coração apertar mais a cada minuto que passava. Como Henry poderia estar fazendo aquilo de novo? Era o que martelava em sua cabeça.

Terminou seu chá e voltou para a cama. Ainda se perguntava como tinha deixado Emma convencê-la a deixar Henry ficar lá. Estava quase mudando de ideia. Mas o que fazer? Não podia dirigir. E além do mais, algo dentro dela dizia que assim era melhor. Forçá-lo a voltar poderia ser pior. E de experiências ruins com Henry ela já estava ficando farta.

Deitou-se, mas o sono não veio. Depois de vários minutos resolveu levantar de novo. Se chá de camomila não trazia seu sono, talvez sidra de maçã trouxesse.

Chegou ao seu escritório, onde costumava guardar sua garrafa. A perna doía. E ela estava fazendo esforço, indo de um lado para o outro.

Pegou a garrafa e uma taça no armário, sentou-se na poltrona. Tomou o primeiro gole. Seu coração estava dilacerado. Sabia que não podia misturar álcool com os medicamentos, mas não se importava. A dor do seu coração falava mais alto do que qualquer dor.

Amava Henry mais do que já tinha amado qualquer pessoa em sua vida. E essas pessoas se resumiam em três: Daniel, seu pai e Cora, sua mãe.

Por que ele agia daquela forma com ela? Tudo que ela fazia era dar o seu melhor pra ele.

Será que estava mesmo agindo como sua mãe? Sufocando ele? Sabotando a felicidade dele?

Já era quase uma da manhã. E ela voltou para o quarto junto com uma taça. Sentou-se na cama, recostou-se no travesseiro e terminou sua taça.

A cabeça já estava tonta. Pelos problemas e pela bebida. Deitou pra ver se finalmente conseguia esquecer aquilo e dormir um pouco.

Quando deitou a cabeça no travesseiro, as lágrimas que antes estavam sufocadas, caíram por sua face.

Não suportava mais aquilo. De que adiantava aquela maldição se agora a única pessoa que importava pra ela estava cada vez mais distante?

O choro não cessava. Será que esse era o papel da Salvadora nisso tudo? Destruir sua felicidade?

Lembrou-se de quando Rumple lhe disse no dia que ela lançou a maldição, que aquilo iria criar um buraco dentro dela. E isso realmente aconteceu. E ela pensou ter preenchido esse buraco quando adotou Henry. E de fato foi verdade. Mesmo que sempre sentisse bem lá no fundo uma espécie de vazio, ela estava feliz com Henry.

Mas agora tudo era diferente. Toda aquela profunda tristeza tinha voltado. Será que foi pra isso que a Salvadora veio?

Primeiro a maldição começa a enfraquecer. E agora Regina estava morrendo por dentro.

Claro, a maldição havia sido sua vitória. E ela ainda tinha isso. Mas de que adianta? Se ninguém sabe o que aconteceu, nem quem ela é.

Passou o resto da noite assim, perdida nesses pensamentos, mergulhada em dor, chorando.

Por vezes cochilava. Mas logo despertava. Até que em uma dessas vezes viu o relógio da cabeceira marcar 5:47 da manhã. Virou para o lado e tentou dormir mais um pouco. Mas não conseguiu.

Então se levantou, escovou os dentes. As 7 Emma iria chegar com Henry. Estava tão desnorteada com aquilo tudo que nem lembrou de trocar de roupa. Permaneceu com seu baby doll preto. Apenas colocou um casaquinho cinza por cima e foi para a cozinha. Tentou tomar café, mas a angústia não permitiu.

Estava numa confusão de sentimentos. Sentia tristeza pelo que Henry havia feito. Raiva de Emma por ele preferir ficar com ela. E ao mesmo tempo vontade de vê-la. Não sabia por que, mas queria que ela estivesse ali logo.

Às 6:55 a porta se abriu e Henry entrou, acompanhado de Emma. Regina olhou pra eles e baixou o olhar. Apoiou-se nas muletas e se levantou. Henry então se aproximou, seu semblante estava triste, ela percebeu. Como se ele estivesse envergonhado.

– Mãe...

– Vá se aprontar pra escola — Ela o interrompeu seca. Por dentro sentia uma angustia que ninguém poderia expressar em palavras.

Ao olhar pra ele sentiu uma mágoa profunda. Chegou a sentir um pouco de raiva dele.

Quando ele subiu as escadas ela foi pra sala. Não disse nem uma palavra a Emma, não tinha forças pra isso. Em outros tempos teria discutido com ela, mas agora do jeito que estava nem sequer tinha condições pra isso. Uma parte dela queria que Emma fosse embora, queria ficar sozinha com sua amargura. Mas algo dentro dela queria Emma exatamente ali.

Não sabia o que fazer, o que falar. Então simplesmente saiu de perto dela.

Emma foi atrás. Regina não sentia vontade de fazer nada. Era como se algo realmente estivesse morrendo dentro dela. Amava tanto seu filho e ele a desprezava. Sentou-se no sofá e fitou o nada.

– C-como... tá a perna? – A voz da loira a trouxe de volta daquele momento de devaneio. Emma estava ofegante, parecia nervosa.

– Melhor... Hoje não tá doendo tanto — Regina não queria falar sobre nada. Mas também não conseguia ser arrogante naquele momento.

– Vai melhorar logo. Você tá tomando os remédios e...

– O que ele disse pra você? — Emma ainda falava, mas Regina não queria falar sobre nada daquilo. Só lhe interessava Henry e o porquê dele ter feito isso.

– Muitas coisas... Disse que... Se sente sozinho. Que você não ama ele de verdade. Que... que ele não é feliz.

Foi uma facada no peito de Regina. Sentiu que as lágrimas queriam voltar, mas se segurou. Suspirou com pesar.

– Eu não entendo. Eu faço tudo por ele – Abaixou a cabeça. Seu peito parecia estar dilacerando – Sempre dei tudo que ele quis. Eu dei um lar pra ele. Como ele pode dizer que eu não o amo? – E então aquele choro que ela estava tentando conter venceu a barreira e se deixou libertar.

Quando percebeu que não conseguia conter as lágrimas, sentiu uma vergonha enorme. “Que isso? Como posso estar chorando na frente dela?”. “O que ela vai pensar? Que sou fraca”. Tentou segurar, mas era impossível. A tristeza que sentia era muito mais forte do que qualquer vergonha que pudesse sentir naquele momento.

Percebeu que Emma se aproximava. E então a loira se sentou ao lado dela. Mas Regina já havia sido tomada por aquela tristeza profunda. E nem a presença de Emma ali tão perto fez com que ela conseguisse se conter. Então continuou.

– Eu o amo tanto – Falava entre o choro – Nesses dez anos a minha vida é ele. Tudo que faço é pensando nele. Eu o amo – Disse agora olhando pra Emma. Sentiu necessidade de que Emma acreditasse nela. Queria que ela soubesse que o que estava dizendo era a mais pura verdade. O choro não cessava. Era contido, mas carregado de mágoas.

Seus olhos encontraram os de Emma. E a loira tinha um olhar diferente, parecia confuso. Mas Regina não teve tempo de entender, até porque naquele estado não conseguiria. Sem que Regina pudesse esperar ou sequer imaginar, Emma a abraçou.

Não podia acreditar. O que significava aquilo? Os braços de Emma passando pelos seus, seus corpos se juntando. O coração pulou em seu peito. Nunca havia sentido nada tão confuso na vida. Não que se lembrasse.

Era estranho, a mulher que a abraçava era Emma Swan, a filha da mulher que desgraçou sua vida. A mulher que a abraçava era a Salvadora, a que podia destruir tudo que ela havia construído em 28 anos. A mulher que a abraçava era a mãe biológica de seu filho, a que podia roubá-lo dela.

E ainda assim, aquele abraço muito mais do que inesperado estava aquecendo seu coração. Por um momento esqueceu quem Emma era, tudo que ela representava, e apenas sentiu aquele abraço. Sentiu os braços de Emma em volta de seu corpo. Assim como foi no dia do acidente, mas agora era diferente. Emma estava de fato a abraçando. Sentiu o calor do corpo da loira no seu.

Até quis relutar, quis sair do abraço. Afinal não tinha cabimento aquilo. Mas foi impossível. Aquela sensação era boa demais. E estava tomando todos os seus sentidos. Então desistiu de tentar resistir. E cedeu. Aceitou o abraço. E apoiou sua cabeça no ombro de Emma.

Quando fez isso sentiu Emma apertar o abraço. Regina estava muito confusa, por um lado estava sentindo aquela coisa gostosa de estar sendo abraçada por Emma. E por outro a dor inigualável do que Henry fez. Tudo se misturava na cabeça dela. E continuava a chorar. Só que agora... no ombro de Emma.

Nesse momento sentiu a mão de Emma pousar em seu cabelo e ali acariciá-los. Ah, como aquilo foi bom. Há tempos ninguém lhe dava carinho. Estava tão triste por causa de Henry. E aquele gesto de carinho aqueceu seu coração. Mas por que Emma estava fazendo aquilo?

– Regina, vai ficar tudo bem – Ouviu Emma dizer baixinho.

Queria controlar seu choro, mas não conseguia. Não estava entendo aquele momento. Mas queria aproveitá-lo ao máximo. Por um momento, um breve momento, sentiu que poderia confiar seus medos a Emma. E desabafar com ela.

– Isso é tão injusto. – Falou com a voz profundamente triste em meio ao choro. – Eu posso não ser uma pessoa maravilhosa. Sei que não sou. Mas se tem algo que fiz nesse mundo foi amar esse menino – Seu coração, já tão escurecido pela vida, estava cheio de tristeza, raiva, mágoa, insatisfação.

– Eu sei – Emma respondeu.

– Eu o amo demais. – Fez uma pausa — Saber que ele duvida disso me destrói por dentro.

Como Henry poderia duvidar de seu amor depois de tudo que ela havia feito por ele? Sentia uma dor tão grande que talvez a única vez que tivesse sentido igual fora quando viu Daniel morrer em sua frente.

O choro que estava tentando segurar sem sucesso, agora saía mais forte. Mas ainda contido, baixo. Não podia mais suportar a dor do desprezo de seu filho. Queria que aquela dor sumisse de dentro dela. Queria ser amada.

Sem que pudesse ter alguma noção do que estava fazendo, aproximou seu rosto do pescoço de Emma, e ali se aconchegou, buscando abrigo, proteção, compreensão.

E sentiu que Emma a apertou ainda mais naquele abraço. E aquilo fez com que ela perdesse qualquer resquício de sanidade que ela ainda tinha. Então foi a vez dela passar seus braços pelo corpo de Emma.

A abraçou. Apertou Emma contra seu corpo. Grudou ainda mais seu corpo no dela. Sentiu mais forte o calor do corpo dela. A alma que chorava pela dor do desprezo, agora se enchia de uma emoção desconhecida. Ou há muito esquecida.

Mas o que era aquilo? Emma não era sua amiga. Por que era tão prazeroso tê-la perto? Emma se importava com ela? Pensar nisso a fazia sentir uma estranha esperança. Mas de que? Esperança de ter alguém que se importe ao menos um pouco com ela. De ter uma amiga?

– Regina, eu sei que você tá magoada com ele pelo que ele fez. — E dessa vez eu concordo plenamente que ele deve ter um castigo. – Regina percebeu que ela respirou fundo antes de falar — mas você também precisa entender... que não pode ser tão dura com ele. O garoto só tem dez anos. Isso afasta ele de você, entende? – A voz dela era mansa. E como aquilo confortava o coração de Regina.

Ficou em silencio por alguns segundos, enquanto apenas desfrutava do prazer de sentir Emma afagando seus cabelos.

AS palavras de Emma só confirmavam o que Regina já sabia, mas não queria admitir. Estava agindo exatamente como sua mãe. Destruindo a felicidade de seu próprio filho.

– Eu sei – Foi difícil, doloroso, mas teve que concordar — Mas eu tenho tanto medo de perdê-lo. – Seu coração parecia sangrar. Mas estar nos braços de Emma parecia fazer com que aquela dor pudesse passar. E quis mais daquilo. Abraçou Emma mais forte — Medo dele gostar mais de você do que de mim — E você acabar tirando ele de mim.

– Regina... – Emma se afastou um pouco do abraço — Eu não quero tirar ele de você. Entende isso! Eu não to aqui pra tirar nada de você. Muito menos o Henry.

Emma olhava dentro de seus olhos. Invadia sua alma. E parecia decifrar todos os seus segredos. Aqueles olhos verdes que há algum tempo a hipnotizavam. Na verdade eles faziam isso talvez desde o primeiro dia que Regina os viu.

O coração de Regina pareceu querer sair de seu peito quando sentiu a mão de Emma pousar em seu rosto. E acariciá-lo com ternura. Limpar uma lágrima que insistia em descer.

– Não quero tirar ele de você — A voz penetrando em seus ouvidos, fazendo aumentar toda aquela sensação. Que poder era esse que tinha aquele olhar, aquela voz, aquele toque?

Regina não conseguia desgrudar seus olhos daquele mar verde a sua frente. Aquela proximidade estava despertando nela sensações que jamais havia sentido. Pelo menos não por uma mulher.

Sentia o cheiro dela tão próximo. Aquele cheiro que invadia todo seu ser, instigando seus instintos. A mão macia acariciando seu rosto. E quando Regina achou que não poderia sentir algo mais forte e confuso, Emma segurou o rosto dela com as duas mãos.

Sentiu-se reconfortada com aquele toque. Era como se aquela dor pudesse ser amenizada por aquela sensação.

– Não quero roubar ele. — Regina sentia seu rosto ser acariciado pelas mãos de Emma, que seguravam sua face com tanta ternura. — Só queria que você entendesse que nós dois temos um laço – Regina estava fascinada por aquele olhar. O olhar de Emma era ao mesmo tempo terno e forte – E não falo só do laço sanguíneo. Falo da amizade. Ele me considera amiga dele. E ele sofre quando você tenta afastar a gente, Regina – Sentiu um ponta de mágoa na voz de Emma.

Baixou o olhar. Aos poucos conseguia enxergar o mal que estava fazendo ao seu filho. Por mais que fosse difícil aceitar, ele gostava da Emma. E ela tinha razão, afastá-los fazia ele sofrer. De repente passou a sentir-se horrível por ter feito as coisas que fez.

Mas como assim? Que tipo de poder era esse que Emma Swan estava tendo sobre ela? A ponto de fazer com que ela mudasse seu pensamento. Seria magia? Não! Não existe magia em Storybrooke. Era um turbilhão de sentimentos. E por um instante sentiu raiva por estar se permitindo mudar de ideia em relação a Emma e Henry.

– Não entendo porque ele gosta mais de você se fui eu quem fiz tudo por ele – Falou um pouco ríspida.

– Não acho que ele goste mais de mim do que de você – Retirou a mão esquerda do rosto dela e levou aos cabelos e a outra continuava acariciando seu rosto – Só acho que ele tá rebelde. Por causa... da... enfim, por causa da sua rigidez. – Fez uma pausa – Por que não me deixa tentar ajudar?

Regina levantou o olhar, confusa. Já não mais chorava. E seus olhos encontraram mais uma vez aqueles verdes lindos. O que será que Emma estava querendo dizer com “ajudar”?

– Se deixar eu me aproximar, talvez eu possa ajudar, conversar com ele. Tentar mostrar que ele está errado sobre você. Que você ama ele de verdade.

Aquelas palavras causaram em Regina algo que ela não sentia há muito tempo. Um sentimento de aprovação. De que alguém acreditava nela. E talvez confiava nela. Mas Regina nunca se importou com isso. Então por que vindo de Emma era tão especial?

– Faria isso, Srta. Swan? – Perguntou encarando Emma. Emocionada com as palavras dela.

– Claro que sim – Emma Respondeu sorrindo. Aquele sorriso que desarmava Regina.

Regina não resistiu. Sorriu também. Timidamente, mas sorriu.

Emma a olhava de um jeito tão... terno. Tão carinhoso. Aquilo confundia a cabeça de Regina e ao mesmo tempo aquecia seu coração.

Emma a olhava profundamente. Aquele olhar invadia a alma de Regina. Ela acariciou mais uma vez seu cabelo e colocou uma mecha atrás da orelha. Estavam próximas. Em silêncio. Podiam ouvir a respiração uma da outra. Respirações que estavam levemente alteradas por causa dos fortes batimentos do coração.

Regina sentia seu coração dar saltos em seu peito. Aquela proximidade havia feito algo mudar dentro dela. Já quase havia se esquecido do porque estavam assim. Henry. Mas agora só conseguia pensar uma coisa: Emma Swan com o rosto próximo do dela.

– Vai ficar tudo bem. Eu prometo – Emma disse com ternura.

A voz de Emma fez Regina se arrepiar, o coração acelerar ainda mais, se emocionar. Precisava dela. Não dava mais pra negar. Não importava mais nada. Pelo menos naquele momento, só naquele momento, precisava dela.

Não resistiu a vontade de abraçá-la novamente. Não quis resistir. Queria sim abraçá-la. Precisava sentir de novo o calor daquele corpo.

Então seguiu aquela vontade. E a abraçou. Passou os braços envolta da cintura da loira. E sorriu para si mesma quando sentiu Emma abraçar de volta. Aquele momento parecia mágico pra ela. Não sabia explicar o que era, mas era algo maravilhoso de sentir.

– Eu já tô... pronto.

Regina estava tão envolta por aquele sentimento, por aquele seu momento com Emma que não escutou Henry descer as escadas.

Quando escutou a voz dele parece que alguém estalou os dedos, retirando-a de uma hipnose. Foi como se tivesse se dado conta do que estava fazendo. Abraçando Emma Swan.

Se afastaram rapidamente. De imediato sentiu-se envergonhada. Primeiro por ter chorado na frente dela. E agora por estar abraçando justamente ela na frente de Henry.

Não se olharam. Emma se levantou. E Regina virou-se na direção de Henry.

– Bem, eu já vou indo – Disse Emma indo na direção da entrada da sala – Anda garoto, melhor você ir logo também, se não vai perder o ônibus.

Já não estava mais com raiva de Henry. Embora ainda estivesse muito chateada. Mas aquele momento com Emma definitivamente havia mudado algo dentro dela.

Apesar da mágoa, o que mais queria na vida é ver seu filho feliz. E já era hora de começar a tentar fazer isso do jeito que provavelmente era o certo. Já que todos os outros meios não funcionaram.

– Srta. Swan... será que... – Era difícil pra ela fazer aquilo. Permitir aquilo – Será que pode levá-lo até a escola hoje?

Emma parecia não ter escutado, porque não respondia nada. Então Regina completou:

– Se não for incomodar, claro. – Ela passava de leve a mão no rosto, para limpar a umidade que as lágrimas haviam deixado.

– Claro que não – Não é incomodo nenhum – Sorria aquele sorriso meio travesso, confuso. Tão comum dela.

Regina quis sorrir, mostrar que estava tudo bem pra ela. Mas não estava. Fazia aquilo por Henry, mas por dentro o ciúme a incomodava.

– Vamos então garoto.

– Henry, quando sair da escola, venha direto pra casa. Nós temos que conversar. – Falou rígida, séria. — Henry precisava entender que tinha que obedecê-la.

– Tá bom. – Fez aquela carinha que comovia o coração de qualquer um. Ainda mais o de Regina. Mas não deixou transparecer.

– Tchau, Regina – Disse Emma – E mais uma vez te desejo melhoras.

Emma e Henry saíram. E Regina ficou ali, sentada no sofá, com todos aqueles pensamentos.

“Por que ela me abraçou?”. “E por que eu abracei ela depois?”. “Por que foi tão bom sentir o abraço dela?”. Essas perguntas fervilhavam na cabeça de Regina.

E pra completar, vê-la saindo com seu filho. Hoje conseguiu suportar, mas e como seria depois. E se Emma o tirasse dela?

“Não quero tirar ele de você”. Lembrou-se das palavras de Emma, ditas com ternura.

Lembrou-se de como Emma foi carinhosa com ela. As palavras de apoio, o abraço. Mas por que? O que será que estava acontecendo?

Seria que podia ver em Emma alguém em quem confiar. Será que depois de tudo, e apesar de quem ela é poderia ver nela uma... amiga?

Mas todas aquelas sensações, o toque de Emma em seus cabelos, no seu rosto, o calor do corpo dela no seu. Tudo isso ainda estava vivo dentro dela. Era como se aquele abraço tivesse deixado marcas. Em seu corpo, mente e alma.

Não iria se sentir assim por uma amiga. Talvez fosse o nervosismo por se tratar de quem é. E isso tornava essa possível amizade complicada.

Mas Regina no fundo sabia que não era só isso. Tentava se enganar, se justificar. Mas sabia que aquilo era mais do que uma amizade. Era algo diferente. Algo que já estava na hora de Regina começar a admitir que estava sentindo por Emma.

Notas finais
E aí gente, era o que vcs esperavam? O que acharam? Pessoal, agora mais do que nunca eu preciso dos comentários de vcs. Depois desse tempo todo ausente, quero saber a opinião de vcs. Devo continuar. Por favor, comentem. Se estiver ruim, falem. Tudo que nós escritores esperamos são os comentários! Obrigada a quem leu! Bjossss e até o próximo ;)