“Alguns erros são cometidos

Tá tudo bem, tudo ok

Você pode pensar que está apaixonado

Quando está apenas com dor.”

Moral of the history — Ashe

Capitulo 52 – Moral of the history

Passei o resto do dia deitada.

Por volta das oito, Tommy veio perguntar se eu queria comer alguma coisa.

Neguei e voltei a por os fones de ouvido.

Por volta das dez, ouvi a campainha tocar. Ouvi movimentação no andar de baixo, uma voz conhecida e passos na escada.

Em um movimento brusco a porta foi aberta e uma Thalia com o rosto vermelho entrou no meu quarto.

—Que história é essa que você não vai ao meu casamento?

A olhei surpresa.

Tommy entrou no quarto atrás dela e me lançou um olhar culpado.

Bufei e pensei: Dedo duro.

—Thalia eu...

—Thalia porra nenhuma! — ela esbravejou. — É a bosta do meu casamento! Sabe o quanto eu estou nervosa? Sabe tudo que estou fazendo? E eu só queria que a droga da minha melhor amiga estivesse do meu lado!

Fiquei sem fala e ela continuou.

—Eu entendo que essa situação é uma merda, Percy é um cretino e eu desejo que o pau dele caia, mas você tem que estar lá por mim!

A olhei culpada.

Eu devia ter sido uma amiga melhor. Trouxe um redemoinho de confusão para o casamento dela e nem sequer pensei em como ela se sentiria com isso.

—Eu sinto muito. — disse envergonhada. — Pensei só em mim.

Ela me olhou desconcertada.

—Já é um começo. Agora pode me dizer que desistiu dessa ideia idiota?

Senti o estômago pesar e acabei não dizendo nada.

Ela suspirou e balançou a cabeça descrente.

—Certo Annabeth, cansei. Faça o que quiser. Deixei seu vestido com o Tommy. — ela se arrumou para sair. — Só te digo uma coisa: fui sua família quando você veio de São Francisco e estive ao seu lado em todas as suas decisões. Espero realmente que esteja lá por mim amanhã.

E saiu batendo a porta.

[...]

Aquela tarde de maio ficou marcada pelo sol lindo que fazia. O tempo estava agradável e as flores estavam no auge de suas cores.

O dia perfeito para o casamento da minha melhor amiga.

Depois de muito ponderar decidi que não poderia fazer isso com ela.

Thalia sempre esteve ao meu lado, não poderia deixar de ir ao seu casamento, mesmo que o mundo estivesse desabando.

Terminei de me arrumar e desci as escadas.

Tommy estava no meio da sala ajeitando a gravata quando entrei no cômodo.

Ele me olhou surpreso e sorriu.

—Sabia que você iria! – ele veio me abraçar.

—Não poderia fazer isso com ela. Ainda mais por besteira.

Ele me soltou.

—Não acho que seja besteira. Só não queria que isso dominasse sua vida inteira.

Suspirei.

—Essa história já deu o que tinha que dar. Preciso seguir a vida e parte disso é ser civilizada e não surtar perto dele. Posso fazer isso.

—Estou orgulhoso de você. – ele disse.

—Agora vamos, ou vamos nos atrasar.

Ele concordou e pegou minha mão.

[...]

Thalia olhava sua imagem no espelho com os olhos levemente arregalados quando entrei na sala.

—Toc toc. – disse sem graça.

Ela me olhou surpresa.

—Você veio! – ela soltou correndo me abraçar.

—Somos família. – disse abraçando ela forte. – e família é nunca abandonar ou esquecer. – completei a frase de Lilo e Stitch que usávamos quando mais novas.

Thalia encheu os olhos de lágrimas e me abraçou mais forte.

—Certo – disse engasgada. – Agora me solta que eu preciso respirar!

Ela riu e me soltou.

—Jenna! – Thalia gritou.

A mulher de óculos absurdamente grandes veio a nosso encontro.

—Sim, Thalia?

—Minha madrinha chegou. Pode entregar o buque dela?

Ela nos olhou confusa.

—Mas achei que...

—É. – Thalia cerrou os dentes. – Mas agora ela está aqui.

—Tudo bem. – ela suspirou. – Trago em um minuto.

Jenna sumiu por uma porta lateral.

— E então? Como estou?

—Maravilhosa. – sorri.

—Que bom que você veio. Não ia ser a mesma coisa sem você. – ela disse segurando minhas mãos.

—Fico feliz de ter vindo. – sorri, mas por dentro estava nervosa.

[...]

Notei que Thalia estava inquieta, mas achei ser nervosismo pelo casamento.
O clima no quarto estava leve e todas as madrinhas- inclusive eu- estavam bebendo champanhe e rindo, conversando amenidades.
De repente, Kate começou a falar sobre o seu casamento (que estava marcado para dali uns meses) e em como ela e Travis já planejavam ter filhos logo após o casamento.
— E você Thalia, pretende ter filhos logo? — ela perguntou.
Thalia começou a ficar pálida.

—Não sei. – ela disse distante.

Apenas eu pareci notar o temor em sua voz.
A conversa seguiu e enquanto o papo rolava notei que minha amiga começou a ficar cada vez mais amarela e pequenos pontos de suor despontaram em sua testa.

—Está calor aqui, não? – ela disse de repente, ofegante – Esta sim. Acho que vou tirar o vestido um pouquinho, é isso, ele esta apertado. Vou tirar. ALGUEM ABRE A DROGA DO FECHO DO VESTIDO POR FAVOR?

Ela estava pirando.

—Thalia. – chamei baixinho.

Ela continuou hiperventilando e tentando abrir o vestido.

—Thalia! – chamei mais alto, ainda sem sucesso.

—Droga! – ela disse com lágrimas despontando nos olhos.

—Thalia, olhe pra mim! – disse segurando seus ombros. – Se acalme! O que ouve com você?

—Não sei mais se quero casar! — ela gritou em pânico.

Todas as outras madrinhas e Tommy olhavam para nós assustados.

—Bebê— disse a Tommy. – Leve as meninas pegarem mais champanhe enquanto eu converso com a Thalia, sim?

—Ok. Vamos meninas! Circulando! – ele chamou.

—Certo. O que houve? — Perguntei depois que todas saíram da sala.

—Eu não sei se quero mais casar Annie. – ela disse baixando o olhar. – É responsabilidade demais.

—Mas não muda nada Lia. O que muda e só o seu sobrenome. Vocês já moram juntos.

—Eu sei, eu também pensava isso, por isso quis casar, mas agora o Nico surtou e já esta falando em comprar uma casa maior e em filhos! Eu não quero ter filhos tão cedo! Só a ideia me apavora Annie!

Soltei uma risadinha.

—Thalia você só esta nervosa, e o Nico empolgado. São planos para o futuro. Não quer dizer que vocês já vão fazer um bebê na lua de mel e que na manhã seguinte já vão comprar uma casa maior. Vocês se amam, Thalia.

—Mas e se o amor não for o suficiente?

—Vai ser! – disse empolgada.

—Mas para você e o Percy o amor não foi o suficiente.

Olhei pra ela surpresa.

—Qual é Annie! Todo mundo vê que um é louco pelo outro. Só são turrões demais pra admitir.

Senti meu rosto ficar vermelho de raiva.

—Ele disse que eu fui só uma transa! DEPOIS DE DOIS MALDITOS ANOS ELE DISSE QUE EU EU SOU SÓ UMA TRANSA! – despejei.

Thalia riu.

—Vocês dois são um caso sério. Ele só disse aquilo porque é tão orgulhoso quanto você! Mas ainda te ama, pode apostar.

Arqueei uma sobrancelha.

—Ata! – revirei os olhos.

—Sabe por que eu sei? Porque quando Nico o convidou para ser seu padrinho, ele me ligou pedindo pra tirar essa ideia da cabeça dele, e quando eu perguntei o porquê ele me disse que você provavelmente não iria querer ficar perto dele e que isso não seria justo com você. Ele pensou em você o tempo inteiro. Ele não estava nem ai para ele mesmo. Isso é amor Annie.

Abri a boca algumas vezes pra falar algo, mas Tommy abriu a porta nos interrompendo.

—Amores, longe de mim atrapalhar as confissões de melhor amiga, mas estamos atrasados. Mais do que seria considerado elegante.

—Pronta para casar agora? – perguntei a ela.

—Acho que sim. – ela disse se animando.

—Então vamos para aquela igreja! – respondi desconversando.

— Ok. Vou avisar a todos. – ele piscou.

Quando me virei pra arrumar a cauda do vestido dela, Thalia disse:

—Não fuja do assunto. O que você vai fazer agora?

—Por enquanto, sorrir para as fotos e fingir que sou civilizada ao subir no altar do lado dele. Até lá decido se acredito nele ou não.

[...]

O corredor do altar nunca pareceu tão comprido. Ainda não tinha certeza se acreditava em Percy ou não e a proximidade com ele me deixava tonta demais para pensar.

Agi no piloto automático durante as fotos, porém na cerimônia senti uma porção de coisas diferentes e ver os dois ali, juntos, me deu uma paz.

Quando estava ponderando ir falar com Percy, Tommy e Thalia me puxaram dizendo que ela jogaria o buque.

Em meio a dezenas de mulheres se acotovelando, desejei silenciosamente pegar o buque e ser a próxima a casar.

Enquanto o buque rodava no ar, imaginei como seria bom formar uma família.

E quando um sorriso despontava no meu rosto diante da ideia de ter filhos, o buque bateu nas mãos da menina a minha frente e caiu nas minhas.

—Ih! Pegou o buque tem que casar! — a mesma menina a minha frente gritou.

Me surpreendi ao ver o buque de rosas vermelhas na minha mão.

Sorri sem jeito para a menina.

—Ah, isso foi combinado! — Kate ralhou.

—Bem suspeito, franjinha, cair justo na Annie. — Tommy disse de olhos semicerrados.

—Ei! Foi justo, eu ganhei! — me manifestei pela primeira vez, entrando na brincadeira.

—Essa é minha garota! — Thalia disse batendo a mão na minha. — falta só o noivo. — Ela acrescentou baixinho piscando pra mim.

Fingi não ouvir e me deixei ser arrastada para a pista de dança por Tommy.

[...]

A festa já estava quase no fim.

Tommy e eu dançávamos uma música lenta, junto com Nico e Thalia e alguns outros poucos casais, na pista de dança.

Nos dois olhávamos o casal de recém-casados.

—Eles são tão fofos juntos. — Tommy disse.

—Sempre foram. Acho que foram feitos um para o outro. — completei.

—Queria isso para mim. — ele suspirou.

—E você vai encontrar bebê. Alguém que te ame mais que tudo e que seja feito para você. — disse colando a testa na dele.

—Sabe tampinha às vezes queria que você fosse homem. A gente ia ter um relacionamento maravilhoso.

Soltei uma gargalhada.

—Eu ia ser o gay mais gostoso do pedaço. — fiz piada.

Tommy riu e concordou com a cabeça.

—E você? Decidiu o que vai fazer?

Suspirei.

—Ainda não.

—Annie... Pela primeira vez na vida não seja tão racional. Deixa seu coração mandar uma vez só.

—Não sei... Tenho medo das coisas não darem certo. Nunca deu antes.

—Bebê vocês se amam. Vai atrás dele. Chuta o balde e vai ser feliz.

—Mas e se não der certo?

—Então você pode sempre correr para mim e para a nossa casa. — ele piscou.

Comecei a sentir uma euforia no peito.

Eu sabia o que sentia por ele e todos me diziam (inclusive ele) que ele me amava também.

Já tínhamos perdido dois anos.

—Certo! — disse tomando coragem. — Vou atrás dele!

—Isso! — meu amigo disse animado. — Vi ele sair do salão não faz cinco minutos.

—Ok! Espera aí... Você ficou cuidando ele a noite inteira?

—Óbvio! Você não se mexia. Agora vai logo!

—Tá! Estou indo!

Sai correndo pela pista de dança em direção a porta.

O clima na rua estava fresco para maio e a noite estava estrelada.

Corri por um caminho cheio de flores até a entrada, quando enfim o avistei.

E junto com ele, agarrada ao seu pescoço lhe dando um beijo apaixonado, estava uma baixinha ruiva.

Notas finais
Espero que tenham gostado. Cambio, desligo!