“Se a vida fosse fácil como a gente quer

Se o futuro a gente pudesse prever”

Girassol — Priscilla Alcantara part. Whindersson Nunes

Capitulo 53 — Girassol

POV Percy

Minha primeira reação foi afastar Lizzy de mim.

—O que você está fazendo aqui?! — disse nervoso.

—Vim atrás de você! — ela disse com seu sotaque britânico carregado.

Senti o estômago afundar. Não fazia nem cinco minutos que eu tinha saído tomar um ar, quando um táxi parou em frente ao salão.

Dele saiu minha ex -namorada, Elizabeth, muito bem arrumada e vinda diretamente de Londres.

Sem muita explicação, ela voou no meu pescoço me beijando, assim que me viu.

—Lizzy nós terminamos. Deixei isso claro para você em Londres.

Imediatamente me senti meio culpado. Estava sendo grosso.

O sorriso dela se desfez um pouco.

—Você disse que tinha terminado comigo porque ia voltar para Nova York. Bom, eu estou em Nova York agora. Podemos voltar de onde paramos.

Suspirei.

—Eu não terminei só porque estava voltando para cá Lizzy... Voltei porque as coisas já não estavam indo bem. Você estava infeliz também!

—Não estava não! — ela disse com os olhos tomados de lágrimas. — Eu te amo, e ainda quero ficar com você.

Comecei a ficar nervoso. Não gostava de ver mulheres chorarem.

—Você sabe que foi uma parte muito importante da minha vida... Mas eu ainda amo a Annabeth. — soltei de supetão.

O olhar da garota demonstrava irritação.

—Você só fala nessa garota! E ela não está nem aí para você! Aliás, foi embora e te deixou! Acorda Percy!

A irritação cresceu dentro de mim.

—Você não devia ter vindo. — disse ríspido. — Já deixei bem claro que não quero nada com você. Acho melhor você voltar para Londres.

Pus as mãos nos bolsos do terno e me virei para entrar no salão.

—Ela nunca vai voltar para cá! — ela gritou. — Certamente não te ama! Você está fazendo papel de trouxa se pensa que ela vai desistir de tudo por você!

Me virei calmamente.

—Posso até não ficar com ela. Mas certamente não quero nada com você também.

Dei as costas novamente e segui devagar pelo caminho onde vim.

—Seu idiota! — a ouvia gritar chorando. — Vai morrer sozinho esperando essa vagabunda!

Entrei no salão e os gritos de Lizzy sumiram.

Já não havia muitas pessoas no lugar, só os garçons e alguns poucos convidados.

Nico estava encostado no bar.

— E aí cara. — disse me aproximando. — Onde está sua esposa?

—Saiu com o Thommy e a Annabeth. -

Senti o peito formigar de ouvir o nome dela.

— Eles estavam estranhos. — Nico disse isso pensativo. — Mas nunca me contam nada mesmo.

Ele deu um gole na sua bebida.

Fiquei apreensivo.

—Estranhos como?

—Sei lá. Annabeth veio lá de fora mais branca que papel. Falou alguma coisa para o Thommy e os dois saíram com a Thalia.

Senti um gosto amargo na boca.

—O que ela estava fazendo lá na rua?

Ele deu de ombros.

—Acho que foi pegar um ar.

Fiquei nervoso.

Ela não teria visto aquela cena ridícula que Lizzy aprontou, certo?

Me tirando dos meus pensamentos Thalia se aproximou de nós.

—Estou exausta. — ela sorriu para o marido.

Em seguida olhou para mim e o sorriso se desfez.

—Oi Percy. — ela forçou o sorriso novamente.

—Oi... — disse distraído.

Porque ela estava me olhando daquele jeito?

—Onde estão a Annie e o Thommy? — Nico perguntou.

—Eles foram para casa. — ela respondeu ainda me olhando estranho. — O voo deles é amanhã cedo.

Não consegui conter a curiosidade.

—Eles já vão?

—Já. Annabeth tem de trabalhar na segunda.

Thalia parecia irritada.

Antes que eu pudesse perguntar mais alguma coisa um casal de amigos deles se aproximou para se despedir e deu fim ao papo.

Porque Thalia estava me tratando daquele jeito?

[...]

POV Annabeth.

Congelei diante da cena.

Queria correr, mas minhas pernas estavam congeladas no lugar.

A única coisa que passava pela minha cabeça era que eu tinha esperado demais.

Finalmente meu cérebro voltou a funcionar e me virei para voltar por onde eu vim.

Sentia o peito arder, mas não conseguia chorar.

Acho que já tinha esgotado minha cota de lágrimas.

Andei devagar até o salão e entrei sem olhar ninguém nos olhos.

Tommy imediatamente veio na minha direção.

—E aí? — ele perguntou animado. — Espera... Parece que você viu um fantasma.

—Cheguei tarde. — Forcei um sorriso.

Sua expressão entristeceu.

—Ele já foi embora?

—Na verdade não. — disse com a boca seca. — Mas ele estava muito bem acompanhado.

Tommy franziu a testa.

—Como assim?

—Ele estava beijando uma garota ruiva. — suspirei — Acho que não era pra ser mesmo.

Meu peito ardia cada vez mais.

—Mas... — meu amigo dizia incrédulo. — Ele ama você. Sei que ama!

—Bebê tá tudo certo. — só queria acabar com aquilo. Era quase tortura. -Vamos nos despedir do casal?

Ele decidiu não questionar.

—Vamos — disse depois de um tempo — Você está bem?

—Vou ficar – forcei mais um sorriso.

Thalia se aproximou de nós dois.

—E aí? — ela disse pura excitação. — Thommy me disse.

—Eu... — tentei falar, mas fui interrompida.

—O cretino estava agarrado com outra. – meu acompanhante disse irritado.

—O que? — minha melhor amiga soltou.

—Mas ele veio sozinho!

—Bom, então arranjou alguém aqui. Uma ruiva bem bonita. — disse entredentes.

—Ruiva? Mas eu não convidei nenhuma ruiva... — ela disse pensativa.

—Gente, sério. Tá tudo bem. Ou vai ficar, sei lá.

Os dois me olharam com pena e as lágrimas decidiram reaparecer.

—Parem de me olhar assim!

Ambos disfarçaram o olhar.

—Thalia sua festa estava linda. — disse emocionada. — Mas temos que ir. Nosso voo sai amanhã cedo.

Thommy franziu o cenho para mim, mas acho que entendeu o recado e concordou.

—Mas já? — ela disse triste.

—Já... Trabalho na segunda.

Estava tentando me convencer de que esse era o motivo pra eu ir embora cedo.

—Tudo bem. — ela me abraçou. — Vou sentir saudades. Boa viagem e se cuidem.

Em seguida ela abraçou Thommy e se afastou.

O moreno alto passou o braço pelos meus ombros.

—Vamos nessa, bebê? Foram muitas emoções por uma semana.

[...]

2 meses depois

Minha vida estava um caos desde que tinha voltado de Nova York.

A empresa onde eu trabalhava estava com um projeto novo e me pediram para assumir. Junto a isso eu estava com alguns trabalhos atrasados e uma quantidade relativa de matéria acumulada.

Cheguei em casa e encontrei Thommy Na cozinha.

—Oi docinho. — ele disse me dando um beijo na testa.

—Oi bebê. — sorri para ele. — O que está fazendo?

—Um sanduíche. Quer um?

Olhei o sanduíche em cima da mesa e meu estômago se revirou.

—Não, obrigada. — afirmei. — Não estou com fome.

—Ainda ruim do estômago? — ele perguntou.

—Sim. — disse me jogando no sofá.

—Você precisa ir ao médico. Vomitou quase todas as manhãs essa semana.

Ele se sentou ao meu lado.

—Não precisa. Já tive isso. Toda vez que fico sobrecarregada fico mal do estômago.

—Mas você não tem comido quase nada e o pouco que come põe pra fora.

—Você vai ver. Assim que entregar os trabalhos tudo volta ao normal.

Thommy deu uma mordida no sanduíche e o cheiro do que quer que estivesse dentro alcançou meu nariz.

Senti o meu estômago ganhar vida e corri para o banheiro.

Pus tudo o que comi durante o dia para fora.

Sai do banheiro me sentindo fraca.

Meu melhor amigo me olhava de olhos arregalados.

—Annie é sério, você...

Não ouvi o que ele falou.

De repente tudo ficou preto.

Acordei alguns minutos mais tarde no sofá da sala.

Thommy estava sentado no chão ao meu lado, apavorado.

—Você acordou! — ele disse aliviado. — Nós vamos para o hospital. Agora!

—Bebê eu já tive isso...

—Não me interessa! Nós vamos e pronto.

Ele pegou minha bolsa e me ajudou a levantar.

Me senti levemente tonta.

Talvez não fosse ruim ir ao médico, só para ter certeza de que estava tudo bem.

[...]

Meia hora mais tarde, estávamos sentados no consultório do doutor.

No meu braço havia um curativo onde o médico tinha tirado sangue para alguns exames de rotina.

Expliquei que tinha tido algumas crises assim quando mais nova e que uma vez tinha até ido parar no hospital.

Thommy ouvia tudo de boca fechada, mais branco que papel.

—Ei, estou dizendo, ele vai voltar e vou ter no máximo uma fraqueza por não estar comendo direito, só isso. — segurei sua mão.

Ele me olhou de forma estranha.

—Annie... Quando foi sua última menstruação?

Franzi o cenho.

—O que?

—Quando foi sua última menstruação? — ele repetiu.

— O que isso tem a ver com isso tudo?

—Annie eu realmente acho que isso pode ter a ver. Você...

Ele foi interrompido pelo médico entrando na sala.

—Srta. Chase saíram os resultados do seu exame. — ele disse.

Fiquei levemente apreensiva.

—A Srta. não tem nada grave. — ele sorriu.

Soltei uma gargalhada.

— Eu disse Thommas. — mostrei a língua para ele.

—Mas tenho notícias importantes. — o doutor continuou.

Fiquei muda.

—Os seus exames apresentaram um nível de HCG de 8.970, isso é compatível com mais ou menos oito semanas de gestação.

Pisquei algumas vezes.

—Gestação? — Thommy perguntou como se já soubesse a resposta.

O médico olhou para mim com o olhar sereno.

—A Srta. está grávida de aproximadamente 2 meses.

Senti o corpo ficar mole.

—Mas... Mas eu... — tentava argumentar.

—Acho que ela esta em choque. — meu amigo disse segurando a minha mão. — Pode nos dar um minuto?

—Claro. Estarei no corredor.

O medico nos deixou a sós.

—Docinho... — ele chamou.

Eu encarava um ponto fixo no chão e sentia o ar faltar nos pulmões.

—Annie... Você vai ter um bebezinho. — ele disse gentil.

—Mas... Mas a gente usou camisinha... — eu balbuciava.

A verdade era que eu estava bêbada demais para lembrar se usamos proteção.

—O bebê é do...?

—Sim. — disse em choque. — Só transei com ele nos últimos seis meses.

Minha boca estava ficando seca.

Thommy me abraçou.

—Vai ficar tudo bem... Esse bebê vai ser o mais amado do mundo! E eu vou te ajudar em tudo o que precisar.

Comecei a hiperventilar e chorar.

—Eu não posso... — dizia entre soluços. — Não posso ter um bebê agora!

O choro aumentava cada vez mais e se tornara engasgos.

—Fica calma... — Tommy me abraçava.

—O que eu vou fazer?

Ele continuava me abraçando e dizendo que tudo ficaria bem.

Depois de uns dez minutos finalmente me acalmei e controlei o choro.

—Você precisa contar a ele. — ele disse cauteloso.

—Esse bebê é meu. — disse convicta. — Só meu.

Notas finais
Espero que tenham gostado. Cambio, desligo.