Notas iniciais
Notas: Oi pessoas! Aqui estou eu 36 dias depois. Não vou mentir, eu estava com muita preguiça de escrever. E também, precisava de ideias pra conseguir escrever esse bendito capítulo e finalmente sair desse dia de cão. Repararam que já estamos no quarto capítulo que fala só desse dia? Prometo não repetir essa marmota novamente. Daqui pra frente tudo vai ser mais fácil. SE PREPAREM PARA ALTAS EMOÇÕES! Beijos e até lá embaixo... E mais uma coisinha, desculpa pelo capítulo enooooorme. . . . . . Atualizado em 19/05/2015 Betado por Witlemn do Blog Black Widow Design

Não pude deixar de ficar sem graça com o olhar desaprovador de minha mãe, andei constrangida até a mesa de granito negro e me sentei em uma das extremidades, já que a outra estava ocupada pela minha mãe.

A sala de jantar era integrada com a cozinha, e segundo minha tia Daphne, daria um ar mais moderno e espaçoso ao ambiente.

Devo admitir que ela estava certa, o lugar parecia mais arejado, contando também com o toque especial das janelas francesas de vidro que permitiam maior aproveitamento da luz solar durante o dia, e durante a noite proporcionava uma belíssima do jardim sob a luz da lua.

Em questão de decoração tia Daphne sempre foi era um gênio, havia se formado em Londres e graças a ela nossa casa tinha uma cara de mansão, (pensando bem, é uma mansão sim, já que tem tamanho o suficiente pra ser considerada e se localiza em um condomínio onde a maioria das residências é de alto luxo) com paredes pintadas com cores neutras e decoração sofisticada.

— Grazie Mille Brooks. Non quiero brigar. Io planejei uma noche agradável. — disse Lorenzzo parecendo pedir rendição.

É impressão minha ou o ‘italiano’ dele se parece mais com espanhol?

De que Itália será que ele veio?

Não Brooke.

Não implique.

Lembre-se de ser legal.

É difícil eu sei.

Não vai querer mais confusões, vai?

Mamãe ficará decepcionada.

Fiquei surpresa ao ver que o suposto jantar não era apenas um simples lanche comprado via telefone, Lorenzzo se esforçara muito em escolher prato principal e sobremesa. O malandro estava mesmo disposto a encantar ainda mais a minha mãe.

— É. Parece estar bom. O que temos para o jantar?

Pude vislumbrar um sorriso satisfeito no rosto da minha mãe.

Não concordava com o novo relacionamento da minha mãe, mas naquele momento não podia fazer nada a respeito. Apenas esperei ser servida. O que não era problema, já que o meu futuro padrasto fazia questão de servir a todos. Se dependesse da minha parte a noite seria pacífica.

Mas pensando bem.

Não dependia só de mim.



...

Depois de um longo discurso sobre o quanto Lorenzzo apreciava a culinária oriental, parece que ele finalmente chegou à conclusão de que precisávamos comer.

Serviu o que parecia ser salmão grelhado em pratos de porcelana cinza. Um aroma delicioso de molho laranja misturado com wasabi invadiu o ambiente. Ouvi meu estômago roncar alto.

Não hesitei nem um pouco em devorar o salmão posto em minha frente. Não sabia se era o fato de eu amar o sabor picante do wasabi, ou talvez seja o perfume exalado pelo molho de laranja, ou poderia considerar o fato de que estava morrendo de fome.

Não havia comido algo que me sustentasse desde...

Não consegui me lembrar a ultima vez em que comi ‘comida de verdade’.

Poderia ter sido há alguns dias. Na semana passada talvez.

Só poderia afirmar uma coisa.

Desde a minha última briga com Natie não tive muita vontade de comer. Me alimentava somente de salgadinho e refrigerante. Não que isso seja considerado uma alimentação adequada, com toda certeza me traria celulites horrendas.

Naquele momento o salmão parecia me provocar, me encarando de um jeito como se dissesse “esquece esse garoto estúpido e coma”.

Que se dane.

Obedeci ao sábio peixe grelhado e o devorei com voracidade ignorando a conversa do casal. A fome foi tanta que não pensei duas vezes em liquidar o mousse de limão.

Eu me sentia melhor a cada colherada. Não havia mais hipótese de ser substituída, nem a saudade e a revolta por Natie ter sido tão insano. A cremosidade azeda afastava qualquer incerteza. Éramos o quarteto perfeito. A tigela, a colher, o mousse e eu.

— Brooke, gostou da comida? — perguntou minha mãe me tirando do paraíso artificial feito de limão.

— Hâ? — dei uma última colherada

— Tô perguntando se gostou da comida — explicou com um sorriso grande. Não aparentava ter chorado a tarde quase toda.

— Ahh tá... Tava estupendo. — fiz um joinha para seu noivo que me encarava bebericando o vinho — parece que você tem bom gosto.

A partir daquele momento fiz de tudo para socializar com os dois. Falamos sobre coisas diversas. Lorenzzo se mostrou inteligente e entendedor da sétima arte. Não pude me deixar de surpreender. Eu imaginava que ele fosse do tipo de modelo que não sabe de nada além de sexo e sair bem nas fotos.

Não é minha culpa se ele vive à sombra do estereótipo de modelo bonito e sem o mínimo de inteligência. Pensando bem, é difícil imaginar que um cara como ele seja mais que um rosto bonito com olhos cor de âmbar.

Quem esperaria algo a mais de alguém que tira o sustento de sua própria imagem?

Tawni Hope Vega, mais conhecida como minha mãe.

Ela o conheceu na After Party do lançamento da nova coleção masculina da Calvin Klein, onde Lorenzzo era modelo. Minha querida mãe deve ter encontrado alguma qualidade nele, já que depois de uma semana começaram a namorar. E pelo visto parece que esta história deu certo já que irão se casar no próximo mês.

E era esse bendito ponto que me incomodava.

Como alguém com a sanidade mental preservada se casaria com outro alguém que conheceu a menos de seis meses?

Minha mãe sempre pareceu ser tão sensata.

Exceto quando o assunto é casamento.

Já vai para o terceiro.

Quando eu tinha 5 anos minha mãe se casou com Gaspard Boulanger, um jovem banqueiro francês que quase nunca estava presente. E quando digo ‘quase nunca’ estou falando sério. Ele passava mais tempo em viagens de negócios, como ressaltava minha mãe, do que em casa. Em compensação me trazia presentes caros de diversas partes do mundo.

Pra ser sincera devo dizer que eu o admirava, era a figura paterna que eu precisava. Ele fazia um papel totalmente diferente de padrasto, não era cruel muito menos tirano como a maioria. Eu me lembro de tê-lo chamado de pai uma única vez, e até hoje não consigo esquecer sua expressão emocionada. Por intermédio dele conhecemos a Austrália, Japão, França e principalmente conheci o verdadeiro motivo da comemoração do dia dos pais.

Pena que não durou mais que três anos, minha mãe pediu divórcio. Provavelmente por estar cansada de tantas viagens extensas sem explicações lógicas. Essa situação me deixou tão triste, passei um bom tempo fazendo terapia. Foi único jeito que eu consegui superar isso tudo. Afinal, Gaspard Boulanger era a única coisa que eu tinha em casa que poderia se parecer com um pai de verdade.

Quatro anos mais tarde em uma viagem ao Texas minha mãe conheceu um cantor de Country chamado Hank, e se casaram um ano depois.

O cara era uma figura, uma das pessoas mais engraçadas que já conheci, ouvia jazz praticamente 24 horas por dia.

E claro que havia um problema. Bebia mais tequila do que água, o que tirava minha mãe do seu juízo perfeito.

Seis meses depois cometeu o erro de querer destruir a sala enquanto discutiam. O resultado não foi muito dramático. Teve que pagar 10 mil dólares de fiança e depois enfrentar inúmeras acusações de violência doméstica. Pelo visto minha mãe não foi seu único problema, ele já havia tido mais três casamentos, todos problemáticos.

Demorou um pouco para que ele sumisse de vez de nossas vidas.

Depois disso tudo passei a acreditar piamente nas palavras passadas de mamãe:

“você não precisa ter um pai para ser feliz. Porque você tem a mim, e só isso basta.”

Claro que não precisava.

Eu tinha Gaspard, que nunca deixou de manter contato, não deixando-se esquecer dos meus aniversários, mesmo depois de ter formado outra família. Ele poderia não ser meu pai de verdade, mas dava para a necessidade.

E claro, não posso me esquecer da minha mãe, que sempre se desdobrou para nos manter bem e com segurança. Pra falar a verdade, não tenho muito o que reclamar.

Podem me chamar de egoísta.

Mas não vou admitir que roubem minha mãe de mim mais uma vez.

Eu não quero que ela se machuque novamente.

Isso também me afetaria.

Com toda certeza Lorenzzo não era o melhor partido.

Só que não iria estragar a noite, já que eu estava muito agradecida pela comida e a conversa estava ficando boa.

— E tu Brooks? Está meglio? — perguntou o bendito me fazendo esquecer do que eu estava pensando.

— hã? Como? Não entendi.

— ele está querendo saber como você está — explicou minha mãe enquanto enchia sua taça de vinho.

— estou bem, obrigada.

O casal dividiu um olhar apreensivo. O que foi bem estranho e desagradável para mim. Me sentia como se estivesse esquecendo de algo importante, ou que estava fazendo algo errado sem perceber.

Pensando bem, o que eu fiz ontem em Malibu pode ser considerado um ato de rebeldia. Acho que deve ter sido a surpresa ao descobrir que fui a última a saber do suposto casamento. Analisando melhor essa confusão toda, dava pra ver que minha mãe deixou de contar muita coisa na última semana. Não consigo me lembrar o que eu fiz, só me lembro de ter discutido com Natie no sábado passado, mas não parece ter sido muito importante, já que não me lembro de absolutamente nada, exceto de ter chegado em casa em um carro da polícia.

— ei, não me olhem assim. Me desculpe por ontem. — comecei tentando manter a postura. — eu... eu fui muito insana. Não deveria ter feito aquele escândalo todo.

Eu realmente estava sendo sincera. Não me sentia bem com a memória do dia anterior pairando em minha mente.

— tudo bem querida — minha mãe disse de um jeito suave. — entendemos que essa semana tá sendo muito difícil pra você.

De um jeito amável Lorenzzo assentiu. O que me deixou completamente desconfiada.

— sabemos o quanto é difícil aceitar o que teu ragazzo fez e....

Não deixei ele terminar.

— o Natie não fez nada. Nós só discutimos e ele... ele não me li...

— Brooke! O Natie não... — minha mãe falou com urgência, ela tinha um olhar triste e preocupado estampado no rosto.

— Mãe foi só uma briguinha besta, eu juro. — levei minha mãos ao rosto e sequei as lagrimas quentes que o molhavam. Eu me sentia mal. De repente minha cabeça foi invadida pelo som ensurdecedor. Era como se o mar revolto estivesse a poucos metros de distância, como se a água furiosa quisesse me fazer surtar. — ele vai ligar e se descul...

Mamãe acariciava gentilmente meu ombro tentando me acalmar.

— Não Brooks, ele não vai ligar. Ele está morto.

Naquele momento eu não estava mais na sala de jantar de minha casa. O que eu via era o corpo do meu namorado pendurado na varanda do seu quarto e escutava sua voz me dizendo o quanto aquilo foi necessário.

— Não! — gritei voltando a realidade.

Primeiro as torneiras explodiram, depois em fração de segundos todo o resto da tubulação da cozinha estourou e tudo apagou em seguida.

...

Quando retornei a consciência já estava no m
eu quarto sob cobertores quentinhos. Minha mãe estava sentada ao meu lado cantando uma música de Frank Sinatra que costumava cantar quando eu era mais nova. Sua voz era doce e reconfortante, era tudo o que eu precisava naquele momento.

“Fly me to the moon”

“Leve-me até a lua”

“Let me play among the stars”

“E deixe-me brincar entre as estrelas”

Ela estava toda molhada, o rímel escorria pelo seu rosto bronzeado. Estava um completo desastre, e eu me senti culpada por tudo isso.

— tudo bem querida. Já passou — sussurrou próximo ao meu ouvido.

Eu comecei a chorar descontroladamente.

Não acreditava que aquilo era real.

Não podia ser verdade.

Então ela me abraçou e mesmo molhada deitou ao meu lado, continuando a cantar baixinho.

“Let me see what spring is like on”

“Deixe-me ver como é a primavera”

“Jupiter and Mars”

Em Júpiter e Marte”

“In other words, hold my hand”

“Em outras palavras, segure minha mão”

“In other words, baby, kiss me”

“Em outras palavras, querida, beije-me”

Até que enfim consegui dormir.

Notas finais
Desculpa pelo italiano fajuto. foi de propósito. Notas finais: e ai? gostaram? Tomara Comenta aí Beijos P.S. se tiver algum erro me avisem. P.P.S O nome da música é Fly me to the moon P.P.P.S. queria recomendar uma fic muito boa. O nome dela é perdidos na selva. Não que eu ache legal me perder na selva e tals, mas ler estórias de pessoas que se perderam com toda certeza é. Enfim Deem uma passadinha por lá. http://fanfiction.com.br/historia/567623/Perdidos_na_Selva/