Equilibrium
20 Rendição
Notas iniciais
Rey emergiu da inconsciência depois de um tempo que lhe pareceu incalculável. Poderia ter sido minutos, horas, ou dias – ela não sabia dizer. Sua mente estava dispersa e irritantemente lenta, mas a garota lutou contra a vontade de voltar a dormir e se atentou ao mundo real. Reconheceu primeiro a energia carregada de Kylo agitando suas células, fazendo uma leve pressão em sua nuca, e isso a tranquilizou. Ao invés de maus presságios, a energia densa que se misturava com sua luz agora significava proteção. Se estavam juntos, então tudo ficaria bem.
Ainda de olhos fechados, a percepção do ambiente ao seu redor começou a surgir. O braço musculoso de Kylo Ren descia sob seu pescoço, torneando as costas e a aninhando confortavelmente contra o peito largo. Ela conseguia ouvir com clareza as batidas do seu coração contra o ouvido direito. O agradável perfume almiscarado de sua pele misturava-se ao toque de shampoo de ervas, inebriando os seus sentidos, o que significava que ele havia tomado banho a pouco tempo. Toda essa proximidade fez com que ondas de calor se espalhassem dos quadris até o rosto, deixando-a ruborizada, mas inexplicavelmente feliz.
Rey poderia ficar ali por uma eternidade se a voz grave de Kylo não rompesse o silêncio.
— Como está se sentindo?
Seu corpo enrijeceu na hora. Levou algum tempo para encontrar as palavras perdidas no fundo da garganta, e quando isso aconteceu, ela soou rouca.
— Como se tivesse corrido uma maratona.
— Isso é normal. – o polegar dele deslizou sutilmente em sua cintura, por cima da blusa. Ela gostou do arrepio que isso causou. — Você fez um esforço enorme, me admira que já tenha acordado.
Rey franziu o cenho, tentando se lembrar do que havia acontecido, e de repente a verdade caiu como um balde de água fria sobre os ombros. Ela se sentou assustada.
— Snoke! – o quarto girou e ela teve de fechar os olhos por um momento.
— Vai com calma, Rey.
– Ele descobriu alguma coisa?!
— Não. Você conseguiu bloqueá-lo. Estamos seguros, por enquanto.
Ela suspirou em alívio.
— Graças a Deus.
O cavaleiro se aprumou na cama, apoiando as costas contra os travesseiros em um ângulo de 45 graus para ficarem na mesma altura. Eles trocaram um olhar cheio de significado, mas as palavras se perderam em algum lugar. Havia uma tensão diferente no ar, forte e quase sufocante. Não deixava de ser bom. Ele limpou a garganta e falou mais uma vez.
— Pedi a Arista que trocasse suas roupas. Espero que não se incomode.
— Ah! Não, tudo bem, eu agradeço. – Ela então desviou o olhar para a colcha monocromática meio engomada sob suas mãos. – Sobre o que você fez na Sala do Trono...
— Não precisamos falar sobre isso. O que importa é que acabou.
— Mas eu quero. – Ela insistiu. — Obrigada pelo o que fez por mim. Eu não sei se conseguiria sozinha.
— Era o mínimo que eu podia fazer.
— Pensei que fosse morrer, sabe. Para ser sincera eu desejei isso, em certo momento.
— Não fale assim. – A rebateu com certa dureza, desencostando da cabeceira da cama e se inclinando em sua direção. Tocou de leve seu queixo para que erguesse o rosto e voltou ao tom cândido de antes. — Eu jamais permitiria.
Ela apertou os lábios, perdida naqueles olhos castanhos incrivelmente expressivos e tão próximos. Por fim, lhe ofereceu um sorriso sincero.
— Sei que não.
Kylo sentiu algo morno aquecer seu peito, uma sensação agradável muito parecida com a luz sedativa da Jedi. Aquela sentença significava que, acima de tudo, Rey estava finalmente disposta a confiar nele. Agora, era sua responsabilidade manter a perspectiva amigável da garota. Suas próximas atitudes determinariam se essa frágil aliança conseguiria se manter com esse novo pilar construído entre os dois.
Mas em meio a toda essa avalanche de pensamentos bons, ele perdeu o olhar sobre os lábios dela uma ou duas vezes. Ela continuava imóvel, energizada por sua Força escura, esperando... O que, exatamente? Kylo desconfiava, mas temia estar errado e estragar tudo. Ainda assim, a tentação de agarrar sua nuca e beijá-la era grande. Gostaria de lhe colocar no colo, apertar cada parte do seu corpo, descobrir quais seus pontos mais sensíveis ao toque. Queria toma-la ali, naquele instante, propositalmente devagar, e ver como ela reagiria quando ele rasgasse suas roupas. Como será que ela soava quando suspirava de prazer...?
E ela viu, no fundo dos olhos dele, uma energia pura crepitar como fogo.
— Você fica aqui essa noite.
Rey se assustou quando ele de repente cortou o silêncio, meio rouco e inconsistente, saltando da cama. Parecia ter acordado de um transe. Ela piscou confusa.
— O que...?
— Você pode ficar aqui. – Ele pigarreou e colocou as mãos na cintura, evitando seu olhar. – Eu vou dormir em outra suíte.
— Por que?
— Porque meu chuveiro é melhor, tem uma banheira ali dentro, e a cama é maior.... Enfim, você vai gostar.
A Jedi franziu as sobrancelhas. Nada daquilo fazia sentido. Ela odiava essas oscilações do humor dele, e por alguma razão se irritou com aquela atitude de repente tão esquiva. Fechou a cara e lhe deu as costas.
— Como quiser. Boa noite, Kylo.
Bateu a porta do banheiro e se trancou lá dentro. Ren ficou para trás, agora com a boca entreaberta, sem saber direito o que havia acabado de acontecer. De repente, ficou com raiva. Não, não apenas isso – ele sentiu ódio ferver suas veias. Mordeu os nós dos dedos para não gritar e teve de se usar tudo de si para não esmurrar a parede. O motivo era simples: ele queria dormir com ela. Céus, ele nunca desejou tanto algo em sua vida, nem quando estava iniciando seu treinamento com o tio e ansiava ter o domínio da Força. Mas e se ela o repreendesse? E se ela voltasse a odiá-lo? E se aquela frágil, inconsistente aliança entre os dois fosse rompida no momento em que a tocasse? Ele não queria estragar a confiança que Rey tinha acabado de depositar nele.
Mas ela parecia bem aborrecida.... Talvez quisesse isso também.... Ou talvez tivesse percebido o que se passava em sua cabeça e se ofendido.
De qualquer forma, o melhor a se fazer era se afastar. Ele marchou para fora do quarto a passos largos e se enfurnou na suíte mais distante dali, esperando tomar um banho gelado para se esquecer daquilo. Provavelmente não conseguiria dormir tão cedo.
Rey repassava os últimos acontecimentos pela cabeça com aborrecimento. Nem mesmo o enorme banheiro de linóleo, nem a potência descomunal da ducha massageando suas costas ou os sabonetes perfumados puderam afastar seu mau humor. O que diabos tinha acabado de acontecer? E por que ela se sentia tão irritada?
Sabia que havia algo diferente ali, mas não era apenas por conta da sua ligação notoriamente mais forte com Kylo. Tinha a ver com sua própria percepção dele, a maneira como o enxergava e como eles funcionavam quando estavam juntos. Eles ainda eram um time, é claro. Cúmplices, aliados, dois lados da mesma moeda. Mas ainda faltava alguma definição, algo que surgiu no momento em que Rey percebeu a química entre os dois e viu que ele faria de tudo para salva-la. Era intenso, aflitivo, mas ao mesmo tempo muito bom.
No início parecia tudo bem. Ele estava sendo gentil, atencioso, agradável. Será que estava prestes a beijá-la? Talvez. E isso não lhe pareceu ruim. Ela não tinha certeza de onde aquela proximidade poderia leva-los, mas a sutil desconfiança fez um arrepio percorrer sua espinha. Na verdade, ela estava dividida entre alívio e incômodo. A voz de sua consciência brigava com a do coração em um debate sem fim.
Como poderia querer algum contato íntimo com aquele homem?
Mas ele estava diferente... Ele dividiu a dor da tortura. Ele estava sendo sincero quando disse que faria de tudo para salvá-la.
É, certo. E todo o mal que causou? Como pode esquecer algo assim?
Não esquecer. Mas perdoar, quem sabe.
Vai perdoar ele?! Tá brincando, né?
E que escolha eu tenho? O destino nos quer juntos! Talvez eu deva abraçar essa realidade!
Quanta bobagem.
A garota respirou fundo, afastando aquela loucura da cabeça. Terminou de se lavar e se secou com uma toalha dobrada dentro do armário, fazendo tudo de maneira automática. Saiu enrolada na peça branca e encontrou o quarto vazio. Irritantemente vazio. Deu-se conta de que não havia nada seu para vestir. Não queria voltar a usar aquela calça e regata que Arista colocou nela quando ainda estava desacordada, também. Assim, abriu o closet dele e procurou por qualquer coisa que não fosse um uniforme sem graça da Primeira Ordem. Encontrou uma camisa branca de manga comprida e botões, bem parecida com a que ele usou por baixo do sobretudo no dia do baile, e a vestiu. A peça virou um minivestido, cobrindo-a até metade das coxas. Tirou o excesso de água dos cabelos e voltou a se deitar na cama, encarando o teto do quarto por alguns instantes. Uma nova e automática percepção ativou uma parte do seu cérebro e a fez bufar.
A camisa tinha o cheiro dele.
A garota fechou os olhos, sentindo um bolo se formar na garganta. O perfume amadeirado reavivou lembranças em sua cabeça sem que pudesse controlar. Pensou na proximidade do corpo dele a alguns momentos atrás, da sua voz profunda vibrando no ouvido direito; do quanto ele era quente. Lembrou dos olhos brilhantes a fitando em sua intensidade habitual, dos lábios grossos perigosamente próximos, da energia escura agitando suas células. Ela já os havia experimentado, mas não parecia ter sido o suficiente. Ela queria mais. E por um momento, pensou que seu desejo fosse se concretizar.
E se ele não tivesse se afastado?
Sua respiração se tornou falha. O coração começou a bater mais rápido, acumulando pressão sanguínea no baixo ventre. A imaginação a levou para longe, para um lugar onde Kylo a tomava de maneira impetuosa, rasgando suas roupas e depositando beijos por todo o seu corpo. Sem parar para pensar no que estava fazendo, desceu a mão direita pela barriga e puxou a camisa para cima. Seus dedos encontraram sua intimidade completamente úmida e o toque a fez suspirar. Iniciou devagar os movimentos circulares, contorcendo-se na enorme cama de casal em um prazer agonizante. Imaginou Kylo abrindo espaço entre suas pernas e lhe preenchendo, como ele sussurraria em seu ouvido, como seria ter o peso dele sobre si. Rey conhecia bem o seu corpo, então tentou não chegar ao clímax tão rápido, mordendo os lábios conforme o sangue zunia nos ouvidos. Quanto mais prolongava o prazer, mais desconexos seus pensamentos se tornavam e mais vontade ela tinha.
A pressão foi aumentando, ela usou a mão livre para massagear um dos seios enquanto trabalhava habilmente em seu ponto mais sensível. Estava alcançando o ápice. Seu coração martelava feroz contra as costelas, ela sentia como se fosse explodir a qualquer momento. O nome dele saiu sussurrado e, quando ela estava prestes a aliviar sua maravilhosa agonia, algo a fez parar. Ela paralisou, na verdade, arregalando os olhos na escuridão do quarto com terror. Poderia ser só impressão, mas ela não costumava se enganar com isso. Ele apareceu ali por um instante, na cabeça dela, atraído pelo chamado do seu nome em um ingênuo receio da garota estar em perigo. Não dava para saber o que ele viu, mas tudo era possível. Rey ficou alguns segundos sem reação. Uma pedra de gelo escorreu por sua garganta e fez os membros congelarem.
Mas que merda.
Kylo não entendeu o que havia acontecido. Ele estava quase pegando no sono quando Rey o chamou através de sua conexão, despertando-o no mesmo instante. Quando tentou sondar sua mente, no entanto, teve um breve relance de batimentos cardíacos elevados e então foi expelido para longe. Aquilo foi o suficiente para deixa-lo extremamente preocupado. Ele levantou meio zonzo da cama e correu pelo corredor em direção a Jedi, criando em sua mente diversos cenários ruins em que a garota corria perigo. Quando chegou a porta, bateu nela exasperado e constatou a luz ligada através do vão.
— Rey?! – Esperou com o ouvido colado na superfície. Não houve resposta. Ele bateu novamente, agora com mais força. – Rey, você está bem?! Se não abrir a porta eu vou...
Ela de repente se escancarou. Kylo não conseguiu disfarçar a expressão atônita no rosto quando seus olhos escuros a dissecaram dos pés a cabeça, demorando mais nas pernas. Levou algum tempo para conseguir falar.
— Está.... Tudo bem?
— Sim. – Não havia firmeza alguma na sua voz. A mão continuava na maçaneta. — Por que?
— Eu ouvi você me chamar.
— Acho que foi impressão sua.
Kylo ainda não conseguia acreditar no que via. Rey estava ofegante, com os cabelos ainda molhados meio bagunçados, as bochechas coradas e uma expressão de culpa estampada no rosto. Ele abriu e fechou a boca algumas vezes até conseguir encontrar novamente sua voz que, desta vez, saiu quase sôfrega.
— Está usando minha camisa...
— Algum problema?
— Não! – Rebatou rápido demais. Ela se assustou um pouco enquanto ele retomava a postura. – Claro que não.
Dava para ver os mamilos enrijecidos sob o tecido da camisa. Dava para ver as coxas bem delineadas a mostra. Dava para sentir uma energia completamente diferente emanando dela. De repente, Kylo entendeu. Era tão óbvio, mas ainda assim, tão inacreditável... A garota notou a mudança da feição dele, que agora parecia sombria e indecifrável. Ela engoliu em seco, asas batendo em seu estômago e se atropelando na garganta.
— Bom, eu vou.... Acho que eu vou dormir e....
Ela se esqueceu do que iria dizer quando o viu passar pela porta e se aproximar com lentidão. O cavaleiro a fitou de uma forma que a garota nunca tinha presenciado antes, com uma intensidade quase predatória. Ela deu alguns passos para trás, o coração batendo desenfreado no peito, sua presença inundando o quarto de energia escura.
— Eu estou tentando, Rey. Juro que estou. – a garota parou quando sentiu a parede em suas costas. Kylo ficou a alguns centímetros de distância, e sua voz pareceu especialmente grave quando abaixou o tom. – Mas desse jeito eu não vou conseguir me controlar.
— E por que deveria? – As palavras saíram por contra própria, e ela mordeu os lábios logo em seguida. Ren retribuiu com um sorriso malicioso.
— Não me provoque. Sabe que não sou bom com autocontrole.
— Você chegou a perguntar o que eu quero?
Respirar se tornava uma tarefa cada vez mais difícil. Ela sentia-se presa, encurralada, mas ela soube que não havia outro lugar do mundo em que quisesse estar naquele momento. Faltava apenas meio centímetro para se tocarem. O rosto dele pendia perigosamente próximo.
— E o que você quer? – Ela hesitou um momento, perdida no fogo dos seus olhos, sentindo a conexão entre eles especialmente forte agora. – Me conta, Rey.
— Já sabe o que eu quero.
Erguendo-se na ponta dos pés, acabou finalmente com aquela maldita distância entre eles e agarrou seu pescoço. Foi um alívio imprescindível tocá-lo, como se estivesse á dias no deserto e seus lábios volumosos fossem a nascente fresca de um oásis. O breve segundo de hesitação por parte de Ren logo deixou de existir, dando lugar a um beijo lento e excepcionalmente erótico. O universo simplesmente deixou de existir naquele momento. Havia apenas a presença e o toque um do outro, e isso pareceu a coisa mais certa que poderiam estar fazendo.
A Jedi percebeu vagamente que ele tinha de se abaixar para que ela o alcançasse melhor, e isso a fez sorrir contra sua boca. Não parecia ser tão confortável para ele, embora o cavaleiro não parecesse se importar. As mãos fortes agarraram sua cintura, apertando e deslizando por toda a extensão das costas e então voltando ao ponto inicial. Por onde elas passavam, deixavam um rastro quente e meio dormente na pele, deixando-a cada vez mais em brasas. Ela sentiu-se exultante quanto teve a chance de finalmente mergulhar os dedos nos cabelos cheios de Kylo durante o beijo, sentindo sua maciez em uma espécie de desejo secreto. Ela adorava aquela cabeleira escura. Demorou um bom tempo ali, puxando e acariciando, até que ele finalmente se afastou um pouco para fita-la nos olhos. Ele tinha uma expressão de desejo maravilhosa.
— Preciso ter certeza. – ele ofegou, quase sem ar. – Preciso saber que é isso o que você quer e que não vai se arrepender depois.
— Sim!
Ela rebateu como se fosse óbvio, unindo mais uma vez os lábios com uma necessidade sôfrega. Ele voltou a interrompê-la, agora partindo em direção ao seu pescoço para depositar beijos quentes por toda a extensão da clavícula, chegando muito perto do decote da camisa. Quando chegou a sua orelha, mordicou o lóbulo e sussurrou ao pé do ouvido.
— Quero que você fale com todas as letras. – Rey sentiu os poros se eriçarem enquanto ele alcançava a linha do seu maxilar com sua trilha de carícias. – Tenho que ouvir da sua boca.
Ela suspirou de prazer e, depois de hesitar um momento, falou com um fio de voz.
— Quero você.
— Eu não ouvi. – Ele insistiu entre uma mordida e outra, sugando cada centímetro de pele com habilidade magistral.
— Quero você, Kylo! – Rebateu agora com firmeza quase aborrecida, sentindo-o parar de repente e tencionar todos os músculos do corpo. — Eu preciso de você!
Ren se afastou de novo e voltou a encará-la. As pupilas dilatas faziam seus olhos parecerem pretos ao invés de castanhos. O sorriso libertino em seu rosto fez seus joelhos bambearem, ela jurou que poderia derreter como manteiga a qualquer instante. Sem quebrar o contato visual, o cavaleiro deslizou devagar as mãos grandes de voltas ás suas costas e desta vez não parou até alcançar seu bumbum. A garota não precisou pôr em palavras o quanto o aperto voraz em cada nádega a agradou – dava para ver na expressão do seu rosto.
De repente, ela não sentiu mais o chão sob seus pés e ofegou surpresa. Kylo a ergueu no ar com uma facilidade inacreditável, obrigando-a a abraçar sua cintura com as pernas torneadas para não cair. Ele suspirou em deleite quando sentiu o sexo quente e muito úmido de Rey pressioná-lo um pouco a cima do umbigo, e sua calça ficou insuportavelmente apertada. Precisava se controlar se não quisesse machucá-la. Apoiou os braços sob a parte interna das coxas dela e caminhou pelo quarto enquanto tomava mais uma vez os seus lábios macios. O beijo outrora lento se tornou faminto, apressado, cheio de luxúria. Se não estivessem tão envolvidos com o lado físico, teriam percebido que suas energias opostas pareciam ter se misturado e virado uma só. Mas isso não importava agora.
A depositou sem muita cerimônia sobre a cama e permitiu que ela arrancasse sua camiseta por cima da cabeça. Eles se atrapalharam um pouco nesse ponto – a maldita peça de roupa não parecia capaz de passar dos ombros largos do cavaleiro – mas com um puxão mais forte, a garota conseguiu jogá-la em um ponto qualquer do chão. A imagem de Kylo Ren de joelhos, com o tronco musculoso a mostra, jogando os fios bagunçados para trás com um movimento da cabeça pareceu acontecer em câmera lenta para Rey. Ela mordeu o lábio inferior, não se preocupando em esconder sua encarada indiscreta sobre o abdômen definido do cavaleiro.
— Que bom que gostou. – ele sorriu triunfante. — Sua vez agora.
Inclinou-se sobre ela e, enquanto a beijava, começou a desabotoar a camisa de mangas longas. Aquela bendita camisa.... Ele teria se segurado se ela estivesse usando qualquer outra coisa. Mas vê-la com uma roupa sua despertou um instinto primitivo em seu âmago, algo que ele não era capaz de controlar. Nas entrelinhas, seu subconsciente lhe passava uma sensação de posse; como se aquilo demonstrasse que ela era sua, e somente sua. Foi com esse pensamento que, na quarta casa, acabou medindo mal sua força e fez o restante dos botões estourarem e se espalharem pelo quarto. Que se dane a roupa. Quando voltou para cima, no entanto; ávido em desbravar cada centímetro do corpo da Jedi, ele hesitou.
Pela primeira vez, viu hesitação no rosto dela. E isso era compreensível. O cavaleiro apoiou um braço de cada lado dos ombros da garota e depositou um beijo doce em sua testa. Não parecia a mesma pessoa afoita de antes.
— Tudo bem aí?
— Sim... – ela não soou tão convincente. Viu de relance o volume evidente sob a calça escura dele e voltou a encará-lo, receosa. – É só que.... Eu nunca...
— Eu sei.
Kylo soou calmo e reconfortante. Deslizou o polegar pelo rosto de Rey com cuidado, transmitindo segurança a mulher que agora o lembrava uma peça de joia rara. Ele sentiu esse instinto poderoso de proteção aflorar em seu âmago, dando-lhe a certeza de que esse era seu destino, afinal de contas.
— Vamos com calma. — Deu outro selinho em seus lábios. — Se sentir desconfortável, me avise.
A garota sorriu em resposta. Ele abriu a camisa dela devagar, atento a expressão em seu rosto, e percebeu que estava aos poucos voltando a relaxar. Rey o ajudo a tira-la por completo e deixou a peça de lado, refreando a vontade de se cobrir. Nunca ninguém a havia visto nua. Quando presenciou a maneira com que Kylo olhou para seu corpo, no entanto, seus medos foram varridos para longe.
Havia um êxtase em seus olhos brilhantes que beirava a adoração. O cavaleiro suspirou em deleite quando viu suas curvas perfeitas e os dois pequenos montes que eram seus seios, firmes e rijos de excitação.
— Você é linda.
Apanhou os dois e os apertou de leve, apreciando a maciez da pele e o volume agradável entre os dedos. Reparou que havia algumas sardas ali também, iguais aos do rosto, e decidiu experimentar sua textura. Rey ofegou quando sentiu os lábios grossos do cavaleiro envolver seu bico sensível, massageando morosamente com a língua habilidosa. Ele lambeu e beijou ao redor da aréola, repetindo o processo na segunda mama enquanto ela suspirava de prazer. Rey arranhou as suas costas durante o processo e as vezes puxava seus cabelos. Não demorou muito para sentir uma das mãos deslizar por sua barriga e chegar até sua intimidade. Ele de repente parou o que estava fazendo e ronronou maravilhado em seu ouvido.
— Nossa.... Como está molhada....
Desta vez, a Jedi não conteve um gemido deliciado quando ele passeou os dedos por toda a extensão dos seus grandes lábios e massageou o clitóris com a própria lubrificação. Era incrível como ele parecia saber exatamente como tocá-la. Kylo brincou um pouco ali, observando com devoção a garota se contorcer por sua causa.
— Kylo... – o nome dele balbuciado naquelas condições surtiu um efeito enlouquecedor no cavaleiro. Ele não conseguiria aguentar muito tempo.
— Diga.
— Por favor.... Não me obrigue a falar... – ela choramingou. Kylo alargou o sorriso perverso.
— São só algumas palavras, Rey.
Ela rolou os olhos. Agarrou com força os cabelos atrás da cabeça de Ren e respondeu em tom suplicante.
— Quero você, Kylo. Quero dentro de mim.
Um som muito parecido ao rosnado de um animal surgiu no fundo da garganta dele. Não dava mais para adiar. O cavaleiro se levantou apenas para tirar a calça e, nesse momento, Rey trancou a respiração. Viu seu membro teso saltar da peça e apontar para cima, espesso o bastante para lhe deixar com frio na barriga. Como se adivinhasse seus pensamentos, ele a tranquilizou.
— Não se preocupe. Vou bem devagar. Se começar a doer, eu paro.
Se a Jedi não estivesse com tanto tesão, provavelmente teria desistido. Mas a essa altura, essa já não era mais uma opção. Tinha de acontecer. Precisava daquilo da mesma foma que se precisa de oxigênio para respirar. Seu coração zuniu nos ouvidos quando o viu se posicionar de entre as suas pernas, afastando-as com gentileza. Afundou as unhas nas palmas da mãos, tensa, esperando o momento em que ele se empurraria para dentro. Ao invés disso, Kylo Ren se inclinou em sua direção, apoiando cada cotovelo em lados opostos da sua cabeça, e a fitou no fundo dos olhos com uma serenidade contagiante. Eles se perderam ali pelo que pareceu uma eternidade, sentindo a conexão pulsar como eletricidade, as pupilas dilatadas, respirações ofegantes de expectativa. O ar pareceu carregado de algo mágico e surreal.
— Fica tranquila. – Ele voltou a falar, a voz grave soando bastante aveludada. Rey sentiu o membro dele roçar de leve em sua intimidade e teve vontade de erguer os quadris. – Vai doer, mas se você achar ruim, nós paramos. – “Tomara Deus que ela não peça para parar”, pensou em seguida, mas apenas lhe ofereceu um sorriso tranquilizante. – Tudo bem?
— Tudo bem. – ela sentiu as batidas do coração se acalmarem um pouco, quase entrando em sincronia com as dele. Envolveu seu pescoço com os braços, alcançando as costas largas com as mãos. – Eu confio em você.
Ele baixou os quadris devagar. A Jedi sentiu primeiro uma leve pressão em sua entrada, deixando-a ainda mais excitada, depois uma bombada. Houve incômodo, mas nada alarmante. Eles não desviaram o olhar por um segundo sequer. Depois outro empurrão, dessa vez mais forte. Rey arranhou suas costas. Kylo parecia extremamente concentrado no que fazia, mas a garota sabia que ela precisava relaxar. Houve uma terceira, uma quarta, uma quinta estocada; forçando com cuidado para derrubar a única barreira que agora os separava para se tornarem um só. Eram lânguidas, lentas, rítmicas. A garota sentia dor, mas ainda não era algo insuportável. O medo do desconhecido ainda era maior. A garota apertou os lábios, se atentando apenas ao desejo, e ele falou com uma voz meio falha e rouca:
— Tudo bem?
Rey estava prestes a assentir, mas uma última investida a fez engasgar de dor. Ela arregalou os olhos e cravou as unhas nas costas de Kylo quando seu membro de repente rasgou o caminho e a preencheu até no fundo, pegando-a de surpresa. O cavaleiro prendeu a respiração e esperou ela se habituar com o tamanho dentro dela. A Jedi puxou o ar, perdendo-se na intensidade dos olhos escuros do homem que a tomava pela primeira vez, e o ardor fez os olhos lacrimejarem. Ainda assim, algo muito maior e melhor cresceu em seu peito, dando-lhe a sensação de estar finalmente completa e não mais sozinha. Pareceu certo.
— Espera só um segundo... – ela gemeu, fechando os olhos. O cavaleiro assentiu.
Kylo tremia com o esforço de resistir à tentação em começar a se mover. A carne macia de Rey o envolveu de maneira insuportavelmente apertada e úmida, deixando-o em um estado de êxtase inigualável. Ainda assim, ele reuniu todo o autocontrole que conseguiu e aguardou pacientemente. A feição da Jedi voltou a relaxar depois de um tempo, então ele sussurrou perto do ouvido dela.
— Vou me mover.
Retrocedeu os quadris quase por completo e voltou a preenche-la, suspirando de prazer no processo. A garota mordeu os lábios, mas dessa vez houve menos ardor. Ele começou a bombear em um ritmo lento, mas constante, e a cada segundo Rey sentia menos desconforto. Quando se completou um minuto daquele vai e vem comedido, ela finalmente começou a gemer de puro deleite.
Aquela era a melhor coisa que ela já havia experimentado na vida.
Quando o cavaleiro percebeu que poderia agir no seu tempo, voltou a erguer o tronco e começou a aumentar o ritmo. O som do choque de pele contra a pele ecoava pelo quarto junto as lamúrias suplicantes de Rey e aos suspiros de Ren. Ela massageava os seios enquanto experimentava a incrível sensação de ser preenchida por Kylo. Seu membro a massageava por dentro e a deixava ter pensamentos desconexos, dando-lhe um agradável frio na barriga e uma sensação crescente de calor.
— Deus, como é apertada... – ele gemeu com rouquidão, apreciando os seios saltarem a cada investida. Isso o deixou com um tesão ainda maior. – Rey, olha pra mim.
Ela ainda estava de pálpebras cerradas quando a ordem soou em seus ouvidos. Percebeu que estava com vergonha de encará-lo durante a transa, mas fez o que ele pediu mesmo assim – e agradeceu por tê-lo feito. A expressão que viu no rosto dele era algo completamente novo e incrível: lábios inchados, rosto corado, olhos nublados de desejo. Os músculos do abdômen se destacavam cada vez que ele se empurrava para dentro dela. Era digno de apreciação, realmente.
Ele se sentou nas panturrilhas e segurou as pernas abertas de Rey por cima dos seus ombros. Isso fez com que ele fosse ainda mais fundo; ela gemeu alto e sorriu. Ele retribuiu, embora o dele fosse bem mais depravado. Cada vez que deslizava para dentro dela, seus dedos se afundavam mais na carne macia das pernas. A imagem da Jedi ali, completamente entregue e submissa a sua mercê nublou sua mente. Era inacreditável e, ainda assim, era verdade. Rey ficava linda quando estava com tesão.
— Isso é....Tão bom.... Ah! Não pare, por favor... – ela choramingou enquanto o olhava entrar e sair de dentro dela.
— Você é deliciosa.... – Kylo suspirou, apertando suas coxas e deixando vergões. A garota não se importou. – Tão macia....
Rey descobriu que ouvir Kylo Ren gemer era seu novo fetiche. Ela sentiu o clímax se aproximando apenas com o timbre profundo de sua voz, agora carregado de luxúria por sua causa. O calor se espalhava por seu corpo suado, a sensação da bomba relógio dentro do peito voltou a massacrá-la. Era uma deliciosa e agonizante antecipação, algo que a fez perder completamente a inibição.
— Kylo, eu vou... Eu... – não dava para formular frases coerentes, mas ele entendeu mesmo assim. Ela só queria senti-lo cada vez mais, então suas próximas palavras saíram automáticas da sua garganta. – Mete com força, Kylo...
Era só o que ele precisava ouvir para perder as estribeiras. O cavaleiro ergueu os quadris dela para conseguir se mover com mais violência, incapaz de se controlar. A garota aprovou a ideia porque se apoiou na ponta dos pés e curvou as costas, ajudando-o nesse processo. O choque de pele contra a pele se misturava aos gemidos dela. A agonia foi se aproximando, seu coração ficou desenfreado, os gemidos foram aumentando de intensidade, o mundo escureceu.... Quando Ren começou a usar o dedo para a estimular enquanto a penetrava, o orgasmo veio – uma explosão de prazer e alívio tão intensa que o cavaleiro sentiu seu membro ser espremido pelas contrações, o que também o deixou perto do fim. Por alguns segundos, ela só se contorceu sobre o colchão, despeita do próprio nome e do mundo ao seu redor. Seu corpo estremeceu por inteiro e finalmente relaxou, deixando-a em uma espécie entorpecedora de transe.
A Jedi quase não reparou que o cavaleiro ainda bombeava dentro dela, completamente maravilhado em vê-la se desmanchar em seus braços por sua causa, e não demorou mais que alguns segundos para que ele também alcançasse o pico. Retirou o membro no último instante e derramou toda sua essência na palma da mão – seu último lapso de consciência o fez reconsiderar a opção de não fazer isso em Rey, ela poderia se ofender – e a Jedi pôde contemplá-lo de joelhos, com a cabeça jogada para trás, suspirando em exultação. Aquilo voltou a excitá-la.
Quando ele acabou, seu olhar foi automaticamente para o dela. Eles se fitaram em silêncio, recuperando o fôlego enquanto assimilavam o que havia acabado de acontecer. Finalmente, Kylo deu uma risadinha maliciosa.
— “Mete com força”, é?
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