Equilibrium
28 Redenção
Notas iniciais
Hanoon se tornou um borrão indistinto de cores e sons distantes. A noite surgia com poucas nuvens, tingindo o horizonte de púrpura e azul, exibindo as três primeiras estrelas que piscaram tímidas no céu. As pessoas corriam de um lado para o outro, ajudando os sobreviventes com a esperança mais uma vez ao seu lado, inconscientes da conexão mais forte da galáxia que ressurgia entre os Skywalker. Leia Organa manteve-se imobilizada, traída por seus próprios músculos, apertando as mãos de maneira ansiosa. Ben Solo pôs-se de pé, os cabelos desgrenhados, sangue seco manchando a roupa. Ele se aproximou devagar, hesitante, ombros baixos pelo peso da culpa. A mente da general trabalhava rápido em muitas direções, perdendo-se em mil lembranças que faziam seu coração se apertar e quase doer. Quando a um palmo de distância, o homem parou. Ofegante, com mil palavras presas na garganta, mas sem saber por onde começar. Leia mergulhou fundo em seus olhos marejados e o encontrou. Viu seu filho, Ben Solo, com a mesma luz que existia em si quando era criança. Tenra, sutil, aquecendo-a como os primeiros raios da manhã fariam. Ela soluçou, finalmente despertando de seu transe, e o abraçou com urgência.
Ben sentiu as lágrimas da mãe em seu peito e sentiu grossas gotas salgadas deslizarem por seu rosto. Por mais que não achasse merecer seu afeto, permitiu-se retribuir com alívio. Uma das mãos afagava os cabelos meio grisalhos da general, que parecia pequena e frágil em seus braços. Ficaram ali por longos minutos, Leia temendo que, se o soltasse novamente, tivesse o risco de estar sonhando mais uma vez sobre a rendenção de Ben. Mas agora parecia bastante real. O som do coração dele batendo rápido em seu ouvido, sua Força retribuindo à dela, claro como a luz do dia, sua mão no topo da cabeça. Quando se acalmou o suficiente para falar, se afastou um pouco para olhar em seu rosto e tocar-lhe a bochecha, os olhos inchados e vermelhos.
— Ben...
— Eu sinto muito. – sua voz grave falhou. – Eu sinto muito mesmo...
— Eu sei. Está tudo bem. Você está aqui, está tudo bem... – a mulher se permitiu dar um sorriso triste. — Me perdoe por ter sido tão ausente. Se eu tivesse ficado com você ao invés de te deixar na academia de Luke...
— Não. – Ben soou firme dessa vez. – Eu fui responsável por meus próprios atos. Não se culpe.
Apesar de assentir, o cavaleiro sabia que, bem no fundo, ela não concordava em se livrar da culpa. Leia era uma mãe, e assumir a responsabilidade pelo ato da prole estava em sua natureza. De qualquer forma, discutir o passado não era uma prioridade agora. A general se permitiu perder-se nas iris castanhas que a lembravam tanto de Han Solo mais uma vez, e então se lembrou de Rey ali perto. Afastou-se com delicadeza e se virou para a Jedi, que estava se ocupando em concertar um fio danificado no sistema de BB-8 para dar privacidade aos dois. Organa a chamou em seu tom afetuoso e se aproximou.
— Rey.
— General. — A garota se levantou, limpando as mãos nas roupas e sorrindo para ela.
— Eu sabia que conseguiria. Sabia que o traria de volta.
Antes de responder, Leia também a abraçou. Rey retribuiu com afeto.
— Nós conseguimos. Vencemos.
— Sim, querida.
— BB-8 me contou que Finn e Poe estão bem, mas e os outros? – A Jedi se afastou um pouco, de repente bastante preocupada. – Chewie, Rose, Luke?
— Luke está bastante ferido, mas sua situação é estável. Estão tratando dele. Quanto aos outros, ainda não tenho certeza. Estamos em busca dos feridos. Por sorte, parte do hospital da cidade ainda está intacta, e médicos já estão nos ajudando para os primeiros socorros. — A Jedi varreu os olhos pelo campo de batalha. Levaria alguns dias para que todos fossem atendidos. — Há muito o que fazer. Os casos mais urgente serão, claro, tratados primeiro e levados para unidades especiais fora do planeta conforme necessário. Vou mandar uma mensagem para a frota liberando a maior parte de volta para casa.
— Quantas naves ficarão para ajudar? – Ben perguntou, ignorando o fato de BB-8 estar se escondendo atrás das pernas de Rey com medo dele.
— Apenas meu cruzador e mais algumas starfighters. Não queremos sobrecarregar a capacidade de Hanoon. Quando terminarmos, faremos um cerimonial em memória às vidas que perdemos na guerra.
— Ahsoka!
Rey de repente se lembrou, com o coração pesado como chumbo. Correu para onde havia deixando o corpo da Togruta, sentindo-se mal por não ter lhe dado a devida atenção, mas não a encontrou. A Jedi continuou procurando, confusa, — será que estaria viva? Ou alguém veio e a levou embora? — até que a voz de Ben soou cautelosa às suas costas.
— Ela se juntou à Força, Rey.
— Como você... ?
— É uma suposição. Ela era muito forte e ansiava por isso.
— Ahsoka Tano lutou ao nosso lado e se sacrificou em prol da Rebelião. Seu nome jamais será esquecido. Lhe prestaremos as devidas honrarias na cerimônia. – Leia pousou uma mão em seu ombro. A garota apertou os lábios e assentiu com um suspiro, então a mais velha continuou. — Quando terminarmos aqui, eu e minha frota pessoal voltaremos a Endor.
— Chewie, Finn e Poe também?
— Sim. Vamos oficializar a queda da Primeira Ordem lá e, bem... Eu gostaria que viessem conosco.
Ela se dirigiu aos dois sem econder uma ponta de esperança em sua voz. Rey e Ben se encararam – a Jedi com a sombra de um sorriso de aprovação no rosto, os olhos brilhantes de expectativa. Solo hesitou. Não tinha a certeza se queria simplesmente se instalar no meio da resistência como se seus crimes não tivessem existido. Apercebendo-se disso, Leia ivoltou a falar com amor compreensivo em sua voz.
— Eu transmitirei a mensagem de que você voltou para o nosso lado e como foi crucial para nossa vitória, Ben. Irão aceitá-lo de volta.
Ele riu sem graça.
— Acho pouco provável.
— As pessoas me escutam. Elas entenderão –
— Elas não são você, mãe. E elas tem um grande motivo para isso.
— Mas, filho...
— Conversaremos sobre isso mais tarde. – Rey interpôs com cautela. Segurou a mão dele como forma de suporte, mas pediu-lhe com o olhar que não discutisse aquilo agora. – Tudo bem?
— Certo.
Leia encolheu os ombros. Estava surpresa pela maneira como a Jedi conseguia lidar com seu filho, e sabia que ele precisaria de certos argumentos para concordar com sua ideia. Por isso, achou melhor deixar que ela lidasse com isso.
— Vou procurar R2 para transmitir a mensagem à frota e passar o restante das instruções. Nos vemos amanhã de manhã.
— Tudo bem.
— Vamos ajudar com os feridos enquanto isso. – Ben comentou, recebendo aprovação da Jedi.
— Até logo, filho.
Ben se precipitou para os escombros com a Jedi em seu encalço. Nenhum dos dois viu o sorriso de orelha a orelha que Leia deu quando lhe deram as costas.
XXX
— Eu a amo. Mas ela está sendo ingênua, e você sabe disso.
Ben espiava dentro de um speeder em busca de sobreviventes. Não havia ninguém.
— Ela só quer passar mais tempo com você.
— Eu sei. Mas é complicado.
— Não é tão complicado assim. Você precisa acreditar mais na compaixão das pessoas.
Rey havia pulado em cima de um enorme bloco de concreto, as ruas iluminadas apenas pelos postes que restaram e pequenos pontos em chamas. Outras pessoas também realizavam a busca usando lanternas e tochas. Alguns carregavam os soldados em macas.
— Assim como você acredita?
— Uhum.
— Mas você é um caso a parte.
— É mesmo? – ela riu, descendo de lá para caminhar ao seu lado. — E por que?
Ben arqueou as sobrancelhas. Pensou em responder com um irônico “nós dormimos juntos ”, mas se interrompeu quando viu, a uns trezentos metros a direita da Jedi, um movimento sutil entre as ferragens de uma X-Wing abatida. Indicou o local com a cabeça, aliviado em poder mudar de assunto, e a garota assentiu. Os dois foram até lá em passadas largas e constataram um piloto tentando se libertar de baixo do metal retorcido da asa. Ben ergueu a mão no ar e fez a nave flutuar sem dificuldade, rangendo e estalando no processo, enquanto Rey puxou o rapaz lá de baixo. Ele gemeu e seu rosto chamuscado pelas cinzas lhe pareceu bastante jovem. Ele levou um susto quando o cavaleiro deixou a nave cair no chão novamente.
— Obrigada... – ele murmurou. Tinha alguns arranhões e sua perna esquerda estava em uma posição estranha.
— Eu já venho, vou buscar alguém com uma maca pra levar até o hospital.
— Não!
O garoto segurou no seu pulso, assustado, e seu olhar passou rapidamente por Ben antes de voltar para a Jedi.
— Não precisa ter medo dele. Ele me ajudou a derrotar Snoke, está do nosso lado.
Ele concordou com a cabeça, sem parecer muito convencido. Rey se levantou e, quando passou pelo cavaleiro, recebeu um olhar que dizia “eu avisei”, as mãos na cintura.
— É só uma questão de tempo. Só até te conhecerem de verdade. – ela cochichou para ele antes de ir em busca de um socorrista.
— Claro.
Agora sozinho com o rebelde, Ben voltou sua atenção para ele e o percebeu desviar o olhar rapidamente. Solo suspirou, cruzou os braços, sentiu a brisa fresca da noite soprar seu cabelo. Havia o som distante de vozes em tom urgente, algo semelhante a um choro entristecido também. Um pássaro desconhecido cantou duas notas de algum galho próximo. De repente, o piloto cortou o silêncio.
— Você vai me sufocar com a Força?
— O que?! – O cavaleiro franziu as sobrancelhas, confuso. – Por que... ? Não, é claro que não.
— Eu ouvi dizer que Darth Vader fazia isso. Você sabe fazer também?
— Olha só, esse não é um bom assunto nesse momento. Ou em qualquer momento, na verdade. – O mais novo não parecia amedrontado agora, apenas muito curioso. Ben descruzou os braços e encolheu os ombros com um suspiro. Tanto faz. — É, eu sei fazer.
O piloto ampliou seu sorriso.
— Irado. — Mais silêncio. — Se você consegue fazer as coisas flutuarem, então pode voar também. – não era uma pergunta. Ele parecia refletir em voz alta.
— Não, eu não posso voar.
— Mas e se usar a Força em você mesmo?
— Isso é... – ele ia dizer “patético”, mas hesitou um segundo. – Eu nunca pensei em fazer isso.
— Sério? Se eu tivesse esse poder, seria a primeira coisa que iria tentar. Isso e testar umas paradas com minha namorada. Quer dizer, se eu tivesse uma.
Ben soltou uma risada curta e incrédula. Procurou ao redor em busca de Rey e suspirou aliviado quando a viu se aproximando com dois socorristas e uma maca.
— Me chamo Riley, a propósito.
— Não se preocupe, soldado Riley. Você logo vai ter uma namorada. As garotas adoram ex militares.
— Eu sei. – o rapaz sorriu com o olhar sonhador.
Os dois homens se aproximaram, agradeceram e o colocaram na maca. Enquanto se afastava, ele ergueu uma mão em saudação.
— Falou, Ben. A gente se vê por aí.
Ben apertou os lábios e retribuiu o aceno, um tanto desconcertado.
— Tchau, Riley.
Rey olhou para ele com um misto de diversão e curiosidade.
— Fizeram amizade então?
— Mais ou menos. Vamos continuar essa busca.
Enquanto patrulhavam, os alto falantes remanescentes chiaram do alto dos postes, antecendo um anúncio pelo qual todos aguardavam. Logo a voz de Leia Organa ecoava por toda a cidade, mergulhando Hanoon em respeitoso silêncio.
“Boa noite. Aqui é a General Leia Organa. Venho por meio deste para dar um comunicado importante a quem estiver ouvindo, seja qual for a galáxia em que esteja: A Primeira Ordem caiu. Sua última frota foi derrotada e o Supremo Líder não mais existe. Por todos esses anos de tirania e violência, mantivemos a esperança. Jamais desistimos. Você que lutou ao nosso lado, você é responsável por trazer de volta a paz e harmonia ao nosso universo. Seus filhos desfrutarão de um lar democrático, justo e livre da ditadura. A quem fez sacrifícios, e a todos que sofreram perdas, nossos mais sinceros sentimentos. E, mesmo quem não esteve diretamente em batalha mas nos apoiou de alguma forma, nosso muito obrigado. Cada um de nós fez a diferença nessa guerra. Lembrem-se: Vocês não estão sozinhos.”
Ben segurou a mão de Rey, e em sua troca de sorrisos, não foi preciso nenhuma palavra para exprimir o que sentiam naquele momento. A leveza da vitória, a esperança de um futuro lado a lado, o amor e a conexão que sentiam um pelo outro era refletido em seus olhos.
“No entanto, ainda há muito trabalho a fazer. Precisaremos restituir poder ao voto e denunciar qualquer sinal que atente contra a liberdade e bem comum. Por isso, será passado um código para que entrem em contato caso queiram ligar e pedir nossa ajuda. Também, passaremos uma lista atualizada com os nomes dos falecidos em guerra às nove da manhã. Convoco a todos os líderes de cada distrito para me contactarem no prazo de sete dias para que possamos regularizar as leis queregem a galáxia. E...” um momento de silêncio. Parecia ter sido interrompida. Logo retomou a palavra, no entanto, agora um pouco menos formal. “Rey, Finn não conseguiu te encontrar e está querendo apenas informar que ele e seus amigos estão bem. Estão comigo, ajudando.” A garota pareceu ouvir o rosnado de Chewie ao fundo, e riu com grande alívio. “Agora, passo a palavra o comandante Tesk, que lhes passará o restante das instruções e recomendações para que se mantenham seguros nesse período de transição.”
A voz firme de um homem tomou o lugar de Leia. Ben e Rey continuaram sua ronda com muito mais afinco – principalmente por parte da garota, que sentia como se tivessem lhe tirado um hutt dos ombros ao ser informada do bem-estar daqueles a quem amava. Pelas quatro horas seguindas, mais nove soldados foram resgatados por suas mãos, entre eles stormtroopers rendidos.
Agora, um manto de estrelas pontilhava o céu escuro e sem nuvens. O hospital trabalhava sem parar, em turnos, e os que não cabiam lá dentro ficavam em tendas improvisadas ao lado de fora. A todo momento, naves levavam os casos mais urgentes para planetas próximos, onde seriam atendidos mais rápido. Com o decorrer do tempo, entretanto, as viagens iam diminuindo. Já fazia uns quarenta minutos desde que os dois andavam sem encontrar novas vítimas e, finalmente, a garota pediu para que dessem uma pausa.
Eles pararam próximo a uma estátua parcialmente destruída de Snoke, sentando na beirada, e ouviram apenas grilos cricrilando do gramado a sua frente. Rey bocejou e encostou a cabeça no ombro de Ben.
— Talvez seja melhor encerrarmos as buscas por hoje. – ele comentou, acariciando de leve a coxa da garota.
— Mas precisamos ajudar...
— Eu acredito que fizemos tudo o que podíamos. Além do mais, eu consigo ouvir seu estômago roncando daqui.
— Bem que eu queria um daqueles bolos de carne que serviram outro dia. Com bolo de sobremesa. E muito suco de caju.
Solo riu. Deu-lhe tapinhas carinhosos na perna e saltou da beirada da estátua, oferecendo-lhe a mão.
— Vem, o castelo-forte está perto. Acho que ainda tem alguma coisa na despensa.
Devagar, subiram a encosta do morro onde ficava sua casa, agora parcialmente destruída. Isso não importava muito – a cozinha e o quarto com suíte ainda estavam intactos, e era apenas disso que precisavam. Quando passaram pela porta e ascenderam as luzes, foram acometidor por uma sensação de bem-estar associado ao aconchego do lar. Como um sopro fresco em uma noite quente de verão. Por mais que estivesse na base inimiga, muita coisa boa havia acontecido ali também. Eles contruíram sua história dentro do Castelo-Forte. Foi ali que tiveram sua primeira noite juntos, que planejaram seu ataque contra Snoke, que descobriram o amor um pelo outro.
Se as paredes pudessem contar histórias...
Elas contariam como foi saudoso receber seus anfititriões novamente. Como eles, no momento em que puseram os pés no hall de entrada, se perderam no olhar um do outro e se desejaram com urgência, como se suas vidas dependessem disso. Diriam como Ben a puxou com força contra seu corpo, fazendo-a arfar surpresa, e em como a garota retribuiu com toda a paixão que ardia em seu peito ao segurar-lhe o rosto e pescoço. Eles haviam sobrevivido. E cada segundo longe um do outro era um segundo desperdiçado.
Ben caminhou as cegas com a garota em seus braços fortes, derrubando um vaso de porcelana no caminho. A prendeu contra a parede mais próxima, sua língua enroscando-se a dela em uma intensidade lenta e completamente lasciva. Ela retribuia com o coração acelerado, o corpo em chamas, a textura dos lábios carnudos dele explorando sua boca em uma sede vulgar. Rey ficou na ponta dos pés e empurrou seus quadris contra os dele, o volume completamente rijo fazendo pressão em sua intimidade. Louco com esse movimento, ele segurou sua perna esquerda e a ergueu na altura da cintura, apertando e arranhando por cima da roupa. Eles respiravam ofegantes e entre gemidos fracos e sôfregos, a garota segurou a parte de trás dos cabelos rebeldes de Solo e rompeu o beijo.
— Ben, eu... Eu te quero muito, mas...
— Aham... – ele murmurou contra seu pescoço, deixando um rastro quente por onde lambia.
— Acho que estam... Estamos... Ah! – ele a ergueu como se não pesasse nada, fazendo-a abraçar seu corpo com as pernas, sentindo a mão dele apertar sua bunda. Apenas o tecido o impedia de tomá-la naquela posição. – Eu acho que deveríamos ir mais devagar... – mais um gemido. A mão dele explorava sua pele sob a camisa com urgência, alcançando os seios, brincando com um dos mamilos. Ela queria ser tomada naquele momento, mas uma parte de sua consciência ainda falava mais alto. Depois de outro beijo quente, ela conseguiu suspirar. — Estamos sob o efeito do stress, temos que comer e tomar um banho...
Ele parou um pouco. Ofegante, olhou para ela, os olhos castanhos ardentes em desejo, a boca inchada. Parecia selvagem.
— O que?
— Eu só estou dizendo que eu quero isso tanto quanto você. Mas quero fazer com calma dessa vez. Não há pressa, nem inimigos nos esperando. Quero aproveitar você, quero ver cada detalhe seu sem essa roupa, cada pintinha do seu corpo. – Ela acaricou a bochecha dele, dando-lhe um selinho e por fim continuando. – O que acha?
Ben sorriu. Lhe beijou outra vez, não menos quente, mas com mais serenidade.
— Acho que tem razão.
Com delicadeza, a colocou de volta no chão. Se afastou um pouco, ajeitando os fios para trás com um movimento rápido, algo que a Jedi achava particularmente charmoso.
— Vamos.
Rey segurou em sua mão pela terceira vez aquela noite e o guiou até a cozinha. O mais simples contato gerava algo semelhante a eletricidade. Ainda havia a densa energia sexual entre eles, mas assim como controlavam a Força, também estavam controlando a ânsia um pelo outro. Foram para a despensa e encontraram pão, carne seca e manga em conserva. Ben lavou as mãos e colocou as coisas na mesa enquanto Rey serviu água em dois copos e abria o pote de metal. Os dois comeram em um silêncio confortável, gratos por finalmente estarem sentados e de barriga cheia, mas com aquela troca de olhares bastante significativa. Não era algo de se espantar. Depois de todo o peso da guerra sobre os ombros, de toda a agonia, medo e tensão, as correntes que os aprisionavam estavam finalmente soltas e tudo que havia de reprimido em seu interior queria explodir como uma bomba.
— Você pode tomar banho primeiro. – Ben comentou quando estavam guardando as coisas de volta na despensa. – Eu preciso meditar por uns minutos.
— Também está se sentindo estranho?
— Sim. Estou agitado, acho que sua teoria sobre o stress pós guerra faz sentido.
— Eu também estou assim. Vou lá, acho que só preciso de um bom banho.
Ele lhe deu um beijo suave na testa e saiu pela porta dos fundos até o quintal. Sentou-se entre as hortaliças e cruzou as pernas, apaziguando o fervor que pulsava em seu âmago. Rey subiu as escadas, pegou uma toalha e se enfiou no chuveiro. A água morna surtiu um efeito imediato quando alcançou sua pele, relaxando cada músculo tenso do corpo e limpando o sangue seco das feridas. Até o ardor suave dos cortes na pele lhe acalmaram.
Ela se ensaboou sem pressa, lavou os cabelos com o shampoo de ervas de Ben e fechou os olhos. Não pensou em nada em particular. Nada excedo a pressão da água em suas costas. Isso também era uma espécie de meditação, ela refletiu assim que desligou o chuveiro. Talvez uns quinze minutos tivessem se passado, e quando se sentou na beira da cama com a toalha enrolada no corpo e uma escova de cabelos nas mãos, Ben surgiu pela porta do quarto.
Parecia muito mais calmo. Quase sonolento. Descalçou as luvas, tirou as botas e a calça sem pressa. Havia alguns hematomas roxos ali, mas nada muito grave. Rey se perdeu um pouco com aquela visão, admitindo a si mesma que a parte favorita do corpo de Ben eram suas coxas musculosas. Agora só de cueca, tirou a camisa suja de sangue, novos cortes se sobrepondo às antigas cicatrizes na pele alva, e sorriu malicioso quando percebeu que a garota não disfarçou em ser pega no flagra admirando-o com segundas intenções.
— Vou ser rápido. – ele comentou, sua voz grave e baixa causando um arrepio na espinha da Jedi.
Entrou no banheiro e deixou a porta aberta. O vapor do chuveiro invadiu um pouco o quarto enquanto Rey terminava de pentear os cabelos e largava a escova no armário. Ela vestiu uma calcinha e regata preta – sabia que Ben gostava de tirar suas peças de roupa – e foi até a janela para olhar para a cidade sob uma nova perspectiva.
Livre da influencia da Primeira Ordem, Hanoon até era bonita. Uma cidade moderna, com prédios altos e futuristas obstruindo um pouco o brilho das estrelhas. Ela sempre iria preferir o frescor da natureza, mas era interessante explorar novos ares. O parque, apesar de parcialmente destruído, ainda exibia a copa de suas árvores com certo orgulho. Apesar de se sentir em casa ali, aquele definitivamente não seria seu lar. Teria tempo para discutir isso com Ben, mas imaginava que ele também não iria querer ficar em um lugar que trouxesse tantas lembranças amargas.
Ela o ouviu desligar o chuveiro e, minutos depois, se aproximar. O perfume dele se misturava ao seu cheiro almiscarado e atiçava todos os seus sentidos. Quando o calor do corpo duas vezes maior que o dela se moldou às suas costas, Rey sentiu-o pousar suas mãos enormes em sua cintura e depositar um beijo delicado em seu ombro. Depois outro, e mais outro – uma trilha longa e quente que seguiu caminho por seu pescoço até alcançar a linha do maxilar. A Jedi jogou a cabeça para o lado a fim de lhe dar mais espaço e guiou as mãos de Ben para a frente de suas coxas, subindo de leve.
— Eu nunca senti nada parecido com isso antes. – Rey comentou, fechando os olhos quando ele sugou o lóbulo de sua orelha e passeou as mãos por sua barriga, apertando os seios com suavidade. – Quando você não estava entre nós, eu senti como se tivessem arrancado uma parte de mim. Um vazio no peito.
— Eu não entendo como foi que vivi todos esses anos sem você, Rey. – ele ronronou em seu ouvido, acariciando a ponta de seus seios com o polegar, enquanto a outra mão voltava a descer perto do cós da calcinha – Porque desde o primeiro momento em que nos encontramos naquela floresta em Takodana eu soube que havia algo em você. Algo que eu não conseguiria mais ignorar.
Seus dedos hábeis brincavam ali, as vezes deslizando em seu ponto mais sensível, abraçando-a com uma pressão quase gentil. A mão que estava em seu seio subiu para os cabelos, segurando-os de uma forma que não a machucasse e abrindo mais espaço para beijar seu pescoço. A garota gemeu baixinho, buscando as coxas do cavaleiro e subindo até seu membro, escorregando os dedos pela base dura como pedra e fazendo-o estremecer. Ela queria olhar em seus olhos. Se virou e suspirou quando seus músculos moldaram-se às suas formas esguias e tonificadas, o coração batendo no mesmo ritmo que o seu, os olhos nublados pelo desejo e por um sentimento tão profundo que os conectaria pela vida inteira.
— Quanto te peguei nos meus braços eu soube... – ele continuou, acariciando seu rosto com as mãos enquanto Rey seguia embriagada, deslizando as mãos por seu abdomem, perdendo-se nas íris escuras. – Soube que nossas vidas estariam conectadas.
— Quando duas pessoas sensitivas à Força se apaixonam, é isso que acontece? Essa conexão?
— Isso que nós temos – ele terminou a frase com as mãos em suas costas, apertando-a com firmeza contra si, seu volume pressionando o ventre de Rey, enquanto ela passeava os dedos nos cabelos volumosos e molhados do cavaleiro, completamente entregue. – Isso não acontece com qualquer pessoa. Eu tenho certeza que há algo a mais. Algo que me chama até você. Algo em você que me deixa mais forte, mais vivo, que tráz sentido a minha existência. Nós somos algo a mais, Rey. Você sabe disso.
— Eu sonhava com você. Quase sempre. Desde que entrou em minha mente, eu tinha medo, e sabia que tinha de detê-lo, mas eu ansiava pelo próximo encontro. – Rey sugou seu lábio inferior, depois o superior, e por fim enroscou sua língua na dele com movimentos propositalmente vagarosos que ascenderam chamas em ambos, de baixo para cima. — E estremecia quando pensava na hipótese de estar realmente atraída por alguém que deveria ser meu inimigo. – ela rompia o beijo apenas para susurrar aquelas palavras, os dois corpos em um atrito contínuo e lascivo. Apertavam-se, arranhavam-se, trocavam aquela energia e calor como se nada mais existisse no mundo. — Mas a verdade é que eu sentia isso, e me culpava por isso. – Beijou o pescoço dele e adorou a maneira como Ben levantou a cabeça para que lhe dar mais acesso. – Eu sempre tive que lutar para resistir ao seu chamado.
Ele a interrompeu com mais um beijo apaixonado, obrigando-a em dar dois passos para trás e cair na cama. Rey sentia o corpo arder. Seu peito subia e descia, suas pernas pareciam manteiga. A visão de Ben Solo de pé, admirando o efeito que causava nela, a fez estremecer. Solo colocou um joelho na cama, depois o outro, e a garota empurrou seu corpo para lhe dar mais espaço a fim de se apoiar. As mãos dele tentaram tirar sua regata com calma, mas ele a rasgou sem querer no processo – Isso foi completamente ignorado pelos dois, é claro. O homem admirou seus seios pequenos e rijos e se banqueteou neles, lambendo, sugando e apertando com as mãos. Ela se contorcia sob o peso do seu corpo, tentando desesperadamente arquear os quadris para sentir sua virilidade presa sob a cueca pressionar seu clitóris escondido sob a calcinha. Rey tinha razão. Escolher esperar para fazer as coisas com calma tinha sido a melhor decisão.
— Ah, Rey... Eu sempre te quis tanto. Ainda é difícil acreditar que você sente o mesmo por mim.
A garota puxou seu rosto para cima novamente, ofegante, trazendo-o na altura de seus olhos. Lhe abriu um sorriso diferente, algo tão genuíno que refletiu bem no fundo de suas íris cor de avelã, que pulsou em forma de energia externa e os engolfou como uma nuvem carregando chuva fresca de verão. Ela não sentiu receio em dizer as próximas palavras, e seus olhos chegaram a marejar com a sensação borbulhante e incrível de confessar aquilo em voz alta.
— Eu te amo, Ben Solo. Com todas as minhas forças.
Ele pareceu em choque por alguns segundos, mas a verdade é que estava se esforçando em guardar aquele momento em seus mínimos detalhes. O rosto dela estava mais lindo e reluzente do que nunca. As sardas em evidência nas bochechas coradas, os olhos brilhantes e enérgicos, os cabelos espalhados pela cama com certa selvageria. E aquelas palavras... Elas ecoaram em sua mente e o fizeram sorrir de uma forma que ela via pela primeira vez também. Sem malícia, sem ironia, sem a normalidade de sempre. Apenas radiante e honesto.
— Eu também te amo, Rey.
O beijo que se seguiu foi calmo, gentil e cheio de amor. Talvez tivessem se passado minutos, talvez horas. Eles não sabiam. Continuaram ali, as mãos acariciando toda a pele que conseguiam alcançar, conscientes do peso e do calor de seus corpos. Faltava apenas uma barreira para tornar-se um, e foi Rey quem se livrou delas. Tirou a calcinha, puxou a cueca dela sem pressa, sem nenhum resquício de vergonha em manter contato visual. Se uma bomba explodisse agora mesmo ali, do lado da janela, eles não interromperiam aquele momento. Havia cumplicidade em seus movimentos, uma química que só acontecia entre casais que faziam amor, e não só sexo. A garota voltou a se deitar e, quando Ben se colocou por cima dela, entre suas pernas, e se afundou em seu interior enxarcado, ela soltou um muxoxo desfalecido. Ela estava aperta e quente como sempre. Eles sorriam o tempo todo. Conforme o homem empurrava seus quadris, ela beijava sua boca, suas bochechas, sua testa. Solo fazia o mesmo, acariciando seu rosto, seus cabelos, colando seus lábios em cada centímetro que podia enxergar. O prazer que sentiam ultrapassava qualquer coisa que já haviam experimentado na vida. Um calor que subia do baixo ventre e se transformava em asas de borboleta no estômago, que trazia fogos de artifício para seu cerébro.
A garota acariciava sua nuca, puxava seus fios negros, arranhava suas costas largas. Ele se movimentava com empurrões vagarosos e amplos, suspirando, as vezes chamando seu nome, aproveitando cada segundo daquele momento. Mas queria ir mais fundo. Colocou as pernas dela em seus ombros e se inclinou para frente, enchendo-a até que Rey gemesse em surpresa, e depois votando para trás. Repetiu o processo sem pressa, a textura de sua pele macia deixando-o completamente louco. Ela mordeu os lábios quando o viu beijar suas panturrilhas, admirando os músculos do abdomem se contraírem a cada estocada, contorcendo-se em total entrega. Estava adorando a angústia de sua morosidade, mas queria muito poder tomar o controle também.
— Deixa eu sentar em você.
Ela gemeu, e não precisou pedir duas vezes. Ben associou seus movimentos rápidos e elegantes como um gato selvagem quando a Jedi se desvencilhou dele e se sentou a sua frente. Divertiu-se com esse pensamento particular e a viu abraçando-o com as pernas, encaixando-se nele e arrancando de Solo um gemido grave do fundo da garganta. Abraçou seu pescoço enquanto o cavaleiro inclinou o corpo para trás e se apoiou com os braços na cama, dando-lhe total liberdade para se movimentar como quisesse. E, céus, ela deslizava nele e rebolava em seu pau com uma maestria digna de súplica. Ben mergulhou em seus olhos enquanto apertava um dos seus seios, murmurando coisas inaudíveis e desconexas. A garota conseguiu entender algumas coisas, como “gostosa” e “rebola assim”.
Enquanto que, para ela, deslizar sobre a extensão do seu membro com a visão de um Ben Solo apaixonado e cheio de tesão era um privilégio. Seu peito largo subia e descia com a mesma intensidade que ela rebolava, um pouco vermelho pelo calor que os acometia, a pele brilhante de suor, os cabelos ainda úmidos pingando água no colchão. Ela queria lhe dizer o quanto o achava atraente, mas ele de repente falou primeiro.
— Fica de cócoras.
— O que?
— Se levanta pra eu meter mais forte em você.
Ela riu mas não ousou fazer tomar qualquer outra atitude que não essa quando recebeu o olhar predatório de Ben. Se levantou alguns centímetros e, ainda agachada a sua frente, deu mais espaço para que ele pudesse erguer os quadris e ditar por um momento a intensidade da transa. Rey gemeu alto e proferiu alguns palavrões quando ele começou a estocar com força, o choque entre as peles ecoando pelo quarto de maneira imoral. Ele lambeu o polegar e começou a masturbá-la enquanto se empurrava para dentro de sua initmidade quente, deleitando-se em vê-la se contorcer e clamar seu nome. Ela parecia perto de gozar, mas o foco que usava para manter o equilibrio naquela posição a impedia de chegar ao ápice. Apercebendo-se disso, Ben se ergueu como uma montanha, segurando-a mais uma vez como se não pesasse nada, colocando-a na cama e se posicionando mais uma vez entre suas pernas. Continuou a usar os dedos enquanto a penetrava, retirando-se por inteiro e chocando-se contra ela, seus seios saltando a cada estocada, uma Rey implorando para que ele não parasse. Após um segundo de silêncio, ela estremeceu por completo e o cavaleiro sentiu suas paredes apertando-o em contrações involuntárias. Seu orgasmo veio ondas enquanto ela jogava a cabeça para trás e choramingava seu nome, algo que durou quase dez segundos.
Quando ele percebeu que finalmente acabara, deitou ao seu lado e a puxou para um beijo urgente. Rey não tinha problemas em se recuperar de um orgasmo intenso e colocou sua perna na altura das costelas de Ben, dando acesso para que seu membro encontrasse a entrada dela novamente. Aproximou seu quadris do dele e, com a ajuda da mão, encaixou-se nele mais uma vez. Ben soltou um arfar de prazer. A garota usava sua perna entrelaçada para trás das costas dele como apoio para se mover, deslizando-se ao seu encontro em movimentos rápidos e fluídos. Enquanto o fazia, agarrava a parte de trás dos cabelos dele e olhava fundo em seus olhos. Desejo e amos misturavam-se em uma devoção só deles, em uma química e troca de energia que somente os dois conheciam.
— Rey, eu vou gozar... – ele gemeu quase sem voz.
— É? Eu quero que você goze pra mim.
— Não pára, continua assim... – ele segurava sua nuca, beijando-a de vez em quando, respirando cada vez mais rápido.
— Não vou parar. Eu quero você gozando dentro de mim. — A garota gemeu sem pensar, levada pelo tesão do momento, completamente deliciada em provocar tamanho prazer em Ben. Movimentava-se como uma serpente contra seu membro pulsante.
— Rey... – ele suspirou, os olhos nublados de prazer, o aperto em sua nuca mais firme – Não fala isso, eu não vou... Não vou conseguir parar...
— Eu não quero que pare. — ela ofegou, sentindo que alcançaria o orgasmo mais uma vez muito em breve. Mordeu o lábio inferior de Solo, depois fixou sua feição extasiada, pronta para explodir.
— Eu vou... Eu...
A garota usou a mão para se estimular e chegou ao ápice pela segunda vez. As contrações foram demais para Ben suportar, e isso o fez agarrar sua bunda e enterrar-se ainda mais fundo nela, um gemido rouco e profundo sendo emitido no fundo de sua garganta, perdendo-se em ondas de prazer que deixaram sua mente complemente em branco. Ele estremeceu e enfiou o rosto entre o ombro e o maxilar da garota, terminando seu apelo extasiado contra o corpo quente dela. Rey sentiu-o desperjar-se dentro dela, uma sensação quente e maravilhosa, abraçando-o como se temesse que ele rompesse o processo. Mas já estava feito.
Ben Solo quase imediatamente pegou no sono. Abraçado contra Rey, satisfeito e feliz em ter seu amor correspondido, ele mergulhou em uma noite sem sonhos. A Jedi chegou a cochilar, mas acordou logo em seguida com o pensamento de que precisava se limpar. Com cuidado, se desvencilhou dos braços grandes de Ben e foi até o banheiro, tomando uma ducha e se lavando com especial cuidado nas partes íntimas. Se tinha sido irresponsável com seu pedido? Tinha, mas naquele momento, ela não conseguia se sentir mal por isso. Secou-se e voltou para a cama, sonolenta e extasiada, abraçando-o por trás e enroscando sua perna na dele.
Ela nunca tinha se sentido tão feliz em toda sua vida.
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