Notas iniciais
Olá, pessoal! Como vão vocês? Bem, esse capítulo se tornou bem extenso, apesar de todos os cortes que fiz nele. Me parece que conforme eu avanço na história, eles vão ficando maiores kkkk não consigo evitar, desculpem. Me avisem se a leitura estiver muito enfadonha ou difícil de assimilar, por favor. Hoje teremos um novo personagem, mas não é á toa: sua aparição será muito importante para o desenrolar da história. As respostas para as maiores perguntas estão chegando ♥ Não lembro se cheguei a agradecer a LarissaHyuuga pela recomendação linda e maravilhosa que recebi na fic, então farei aqui! Fiquei super feliz e grata, muito obrigada mesmo! Enfim, espero que gostem, e nao deixem de comentar sobre o que acharam! Sua opinião é a mais importante de tudo!

Em um momento, havia apenas escuridão. Morosa, profunda, livre de preocupações. No segundo seguinte, a consciência lutou contra o torpor em uma estranha urgência. Abriu os olhos de repente, inspirando o ar em um despertar confuso. Cada membro de seu corpo formigava pela falta de uso, suas íris demoraram á se habituar á claridade. As pernas estavam cruzadas em posição de lótus e a coluna encontrava-se perfeitamente alinhada. Teria meditado tão profundamente que sequer se lembrava de quando havia começado?

Com grande esforço, colocou-se de pé e tentou identificar onde estava. Para onde olhava, havia apenas névoa. Perolada, densa, nublando sua visão. A falta de memória lhe trouxe mal estar na boca do estômago.

— Olá! – gritou, mas a voz soou rouca e estranha aos ouvidos. – Tem alguém aí?

As palavras ecoaram distantes e não obtiveram resposta. Ela suspirou. Tinha de organizar os pensamentos. Fechou os olhos e focou sua mente a trabalhar com mais clareza. Lembrou-se de rostos familiares cheios de medo. Um holocron prestes á explodir. O chiado característico de uma luta com sabres de luz e, por fim, seu maior receio tomou a forma de um homem de respiração mecânica e pesada.

“Você me abandonou, Ahsoka...”

Entrou em um estado de transe, incapaz de barrar a enxurrada de imagens que se atropelaram em sua mente, apertando seu coração que havia disparado no peito.

“Se você não está comigo, então é meu inimigo”.

“Era para você destruir os Sith, não se juntar a eles!”

“EU TE ODEIO!”

Ouviu o chamado entristecido por seu nome. Caído no chão, corrompido pelo lado Negro da Força, fitando-a com seus olhos amarelos pela máscara quebrada.

“Eu não vou deixar você, não dessa vez!”

“Então você vai morrer!”

— Não!

Suplicou em voz alta, sentindo os olhos queimarem. Apoiou as mãos nos joelhos, barrando a avalanche de lembranças. Estremeceu dos pés á cabeça; o peso da culpa esmagando seu peito como um punho fechado. Darth Vader era uma memória amarga, uma sombra que a perseguia apenas para lembra-la de seu fracasso com seu mestre.

No entanto, não conseguiu se lembrar do que aconteceu depois. Não fazia ideia de como havia parado ali, mas precisava descobrir. Respirou fundo e endireitou a postura, livrando-se de toda a insegurança que ameaçava perturba-la. Sentiu a Força correr por suas veias, pronta para ser usada, e a canalizou para as palmas das mãos. Ergueu-as no ar e, com um movimento de empurrar, fez um vento forte dissolver a névoa.

Estreitou os olhos com o que viu.

Estava em um pântano. Havia água por todos os lados, as árvores formavam um teto de folhas que bloqueava a luz do sol e as rochas estavam cobertas por limo. Parecia estar só, exceto pelos pequenos animais silvestres que faziam barulho ao longe. Uma gigantesca árvore jazia bem no centro de uma clareira, lhe chamando atenção. Sua copa ultrapassava as demais e suas enormes raízes formavam uma espécie de oca. Algo poderoso a instigou a se aproximar, e foi isso o que fez. Afastou alguns cipós assim que passou para o lado de dentro, pronta para sacar seus dois sabres caso precisasse.

Um único feixe de luz vinha de uma abertura das raízes, caindo sobre uma rocha redonda no meio da guarida. Ali, banhado pela claridade, repousava um pequeno amontoado de capa marrom e touca. Um mínimo cajado repousava ao seu lado.

Será que era...?

Sim, era!

— Mestre Yoda!

Ahsoka correu em direção ao mestre, genuinamente aliviada, inclinando o corpo em uma breve reverência. Pensou ter visto um relapso de surpresa brilhar nos olhos verdes antes de ser substituído por um largo sorriso tenro.

— Feliz estou em vê-la novamente, Ahsoka Tano.

— Também estou, mestre! Que bom que o encontrei! – Se ele estava ali, então não tinha com o que se preocupar. Sentou-se para ficar na sua altura e resolveu ir direto ao ponto. – Onde estamos?

— Hum....

O pequeno ser franziu a boca com curiosidade, olhando ao redor como se reparasse no lugar pela primeira vez. Sacudiu as orelhas e então a respondeu.

— Certeza eu não tenho. Para você, com o que parece ser?

— Bem... – olhou ao redor, ponderativa. – Parece Dagobah.

— Mesmo? – arregalou os orbes grandes, logo em seguida abrindo um sorriso saudoso. – Boas lembranças eu tenho desse lugar.

— Senhor; sei que pode parecer estranho, mas... Eu não sei como vim parar aqui. Esperava que pudesse me esclarecer.

— Misteriosos os caminhos da Força são. O por quê está aqui, é o que importa de verdade.

— Como assim?

— Lugar comum, este não é. – Ele explicou, olhando ao redor de forma contemplativa. – Não, não físico. Espiritual.

Ahsoka engoliu em seco, apalpando o próprio rosto como se certificasse de que era carne, e não um fantasma.

— Eu morri?!

— Não, não. Em um plano superior você está. Além de vida e morte. Alcançar este patamar nunca presenciei alguém fazer. Forte na Força você se tornou, minha jovem.

— É como meditar? Estou no limbo? – ele não teve tempo de responder, pois ela lançou mais uma duvida em tom aflito. – Onde está meu corpo físico, então?!

xxx

Foram poucos segundos de queda, mas o tempo se esticou. Rey tentou usar a Força, mas o cinto de segurança ardeu na pele assim que um solavanco quis atira-la do assento. Teve a estranha sensação de que um cabo de aço havia sido conectado nos propulsores traseiros da nave, forçando-os a reduzir. Tirou os fios que lhe caíram no rosto e olhou pela janela, mas não havia nada atrelado ao Finalizer. Constatou apenas muita fumaça escura pelo ar e chamas que lambiam a lataria impiedosamente. Correu os olhos pela cabine e encontrou a resposta para suas duvidas: Kylo Ren estava rígido em sua cadeira, com as palmas das mãos viradas para cima e a feição concentrada em um notável esforço. Seus músculos tremiam em uma luta silenciosa contra a força da gravidade, tal como em um cabo de guerra.

Rey pensou em ajuda-lo, mas hesitou. Temeu que sua interferência o desconcentrasse, e aquela não era hora para falhas. Segurou firme no assento e ficou pronta para agir caso precisasse, enquanto os outros cavaleiros permaneciam presos aos seus bancos, sem poder fazer muita coisa. O metal fortificado rangia perigosamente, a tempestade uivava e chacoalhava a nave; o solo se aproximava cada vez mais, mas a velocidade diminuía a cada milha... Iriam bater.

A terra estremeceu quando a quilha foi de encontro ao chão. Eles quicaram como uma bola de gude, jogando lama e pedras para todos os lados. O estrondo ecoou de maneira horrível, mas a nave aguentou firme. Continuaram derrapando pela terra molhada, deixando um rastro fundo na lama. Kylo fechou as mãos em punhos, diminuindo gradualmente a velocidade da nave, que parecia gemer alto em protesto. Depois do que pareceram minutos sem fim, finalmente pararam.

O cavaleiro baixou as mãos e limpou o suor de sua testa. O cheiro forte de ozônio e combustível os sufocava, causando uma sessão de tosses secas. Rey desatrelou o cinto assim como o restante da equipe e apanhou seu sabre, olhando de esguelha para Kylo. Teriam explodido em mil pedaços sem a interferência dele. Sua voz saiu ferina e mecanizada no momento em que ele colocou a máscara escura de guerra.

— Qual a situação?

— Ainda não dá pra ter certeza, senhor. – o co-piloto se levantou, averiguando alguns painéis apagados. A cor pareceu sumir de seu rosto devido á queda. – Preciso fazer um check-up nos motores e descobrir a falha de energia...

— Faça isso enquanto estivermos fora. Quero que a nave esteja pronta para partir quando eu voltar.

O homem engoliu em seco e assentiu depressa. Sumiu de vista quando se enfiou em baixo do painel de controle, trabalhando sob a luz de uma lanterna de bolso.

— Vamos.

Um pouco cambaleantes, os cavaleiros obedeceram á ordem. Quando desembarcaram, tiveram alguns segundos para reconhecer o ambiente inóspito. Apesar da chuva torrencial, o ar naquele planeta era abafado e sufocante. Rey sentiu as botas escorregarem na lama quando se posicionou atrás da excursão, notando o tom avermelhado dos picos ao longe e da ausência de qualquer forma de vida. Parecia muito com Jakku, exceto pela água que não parava de cair.

Kylo tomou à dianteira e se concentrou. Não conseguia sentir o rumo á tomar, no entanto — algo ou alguém bloqueava sua sensibilidade á Força. Impaciente, chamou pela Jedi em busca de auxilio.

— Me dê uma boa noticia.

— Eu consegui ver o caminho antes da nave perder energia. – ela estreitou os olhos e identificou a cratera que os levaria ao caminho certo. – Estamos bem perto.

— Vá à frente, então.

Ela assentiu e apurou o passo. Distanciaram-se da nave com os sentidos em alerta, mas tudo parecia quieto. Quieto até demais. Rey limpava a água dos olhos com frequência, tentando enxergar o caminho da melhor forma possível. Subiu um declive, escorregando um pouco, e contornou um destroço de nave contrabandista, seguindo o trajeto de sua visão. Os outros a acompanhavam em silencio, marchando com dificuldade. Um clarão iluminou a pradaria, seguido pelo estrondo ressonante de um trovão. Tropeçou em um volume estranho, fazendo uma careta desgostosa ao identificar corpos de Stormtroopers jogados no chão. Afastou-se, deixando os outros averiguar mais de perto.

— Não tem sinal de luta... – um cavaleiro se agachou ao lado do morto, franzindo o cenho. – Nem feridas aparentes. Talvez tenham sido envenenados.

Kylo virou um deles com a ponta da bota, pensativo. Não fazia sentido.

— Vamos continuar.

Rey estava com um mau pressentimento, mas permaneceu firme em sua marcha. Estava ensopada e de mau humor. Seja lá o que os aguardava lá em baixo, sentia-se pronta para combater o mais rápido possível e retornar da missão. Quando chegaram á um tronco retorcido e sem folhas, ela os alertou.

— É por aqui.

Encontraram uma fenda no chão que os guiava a uma caverna subterrânea. Ela deslizou no barro até alcançar o subsolo, seguida de perto pelos outros. Encontraram-se em meio ao completo breu, acompanhado por um silêncio incomum. Rey ligou seu sabre bastão e iluminou o terreno nivelado, assim como Kylo Ren com sua lâmina rubra. Continuaram descendo, se aprofundando na gruta, seus passos ecoando por um longo caminho sufocante.

Rey sentia-a aflita, a intensidade do poder que emanava do núcleo daquele lugar formigava sua pele. Sabia que Ren compartilhava da mesma sensação. A certeza de que estavam chegando ao destino final apenas aumentou quando, lá no fim do túnel, avistaram uma fraca fonte de luz fazendo sombra nas paredes rochosas.

— Continuem! Estamos quase!

xXx

O farfalhar de asas ecoou fantasmagoricamente pelo pântano. A névoa flutuava perto do chão, envolvendo-os em vagarosos espirais. Ahsoka ainda tentava entender a situação, mas a cada troca de palavras com mestre Yoda, sentia-se mais confusa.

— Não entendo... Você também está meditando, então? Ou é só fruto da minha imaginação?

O sorriso em seu rosto minguou. Ponderou alguns instantes antes de responder.

— Depois da batalha contra Darth Vader, muito aconteceu. Para que entenda, sua mente deve limpar.

A Togruta obedeceu, assentindo para indicar que estava pronta. Mestre Yoda ergueu o braço e tocou em sua testa com o polegar, criando uma conexão entre os dois. Flashes se desenrolaram incontroláveis por seus olhos, frutos da mente do ancião. A quantidade de informações lhe causou enxaqueca, mas ela não ousou interrompe-lo. Seu coração martelava contra as costelas, enchendo-se de sentimentos controversos.

Quando ele quebrou o contato, estava trêmulo pelo esforço. Ahsoka parecia ofegante e confusa. Se não era uma visão do futuro, como poderia ainda estar viva? Quase três gerações passaram por seus olhos!

— Eu não... Não entendo... Anakin se redimiu?

— Sim.

— Mas como? A quanto tempo eu estou em transe?

— Poderes misteriosos a Força possuiu, e um deles você experimentou. Na luta contra Vader toda a sua vontade estava, e tamanho foco o inimaginável fez. Um campo magnético para protegê-la surgiu. Mesmo inconsciente, seu corpo a Força preservou.

— Então você está me dizendo que eu congelei no tempo-espaço graças á Força, e que agora estamos quase duas gerações adiante... – Ela finalmente se levantou de um pulo, impaciente. Caminhou de um lado para o outro, apertando a ponte do nariz com os dedos.

— Precisamente.

— Todos que eu conhecia... Meus amigos... E você...

Não foi preciso completar a frase. Yoda abaixou as orelhas, lhe dando o tempo necessário para processar aquela informação. Tano sentiu como se tivessem lhe dado um soco no estômago. Seus olhos encheram-se de lágrimas que simplesmente se negaram a derramar. Não era justo.

— Eu queria ter morrido. – anunciou de repente, com a voz embargada e rancorosa. – Naquele combate contra Darth Vader. Era para eu ter me juntado á Força junto á vocês.

— Por um motivo maior, viva você está. Seu destino deve cumprir.

— Destino?

— Da sua ajuda depende o equilíbrio da galáxia.

— Já fiz muito pela galáxia. Eu só quero paz.

— E paz você terá. Mas antes, uma ultima missão deve cumprir. Ajudar aqueles que a procuram agora, você deve.

— Quem está me procurando?

xXx

Os cavaleiros ficaram estáticos. A origem do distúrbio estava ali, diante dos seus olhos, mas era difícil acreditar no que viam. Rochas de todos os tamanhos giravam pela câmara em um redemoinho, circulando uma pessoa em posição de lótus no centro da caverna. Não era humana, entretanto – sua pele alaranjada contrastava com as marcas brancas no belo rosto, os lekku da cabeça pendiam como cabelos pelos ombros e os montrais parecendo chifres se erguiam para o alto. A fonte de luz vinha de seu corpo, mas os olhos estavam cerrados como se estivesse meditando.

Rey só sentiu tamanha perturbação na Força no dia em que tocou os cristais Kyber – cada célula de seu corpo se agitava em frenesi. Seja lá quem fosse, era poderosa o suficiente para destruir uma base militar sem sair do lugar.

— Ela está em transe. – Kylo se fez ouvir em meio ao zunido do ar sendo cortado pelas rochas. — Não vai acordar sozinha. Vou dar passagem para que você vá até lá e a faça acordar.

Rey assentiu em silêncio. O cavaleiro flexionou as pernas e ergueu as mãos enluvadas como se fosse agarrar algo invisível á sua frente. O impulso que nasceu de sua concentração fez um som de propulsão, fazendo o teto esfarelar. As pedras que flutuavam pararam de girar descontroladas, flutuando inofensivas.

Rey correu até o centro da câmara e se ajoelhou em frente á Togruta. Respirou fundo, canalizando a Força para as pontas dos dedos e os aproximando para quase tocar no rosto adormecido. Concentrou-se no sentimento próprio para induzir o seu despertar, e sentiu-se imergir na mente agitada da mulher.

O pântano estremeceu, afugentando os pássaros nativos. Ahsoka ergueu as sobrancelhas para Yoda, que apenas assentiu solene como se aquilo fosse esperado.

— A hora chegou. Partir você deve.

— Não! Eu tenho outras perguntas! Por favor...

— Respondidas elas serão, em breve.

O nevoeiro começou a crescer, ocultando a cópia perfeita de Dagobah. A imagem de Yoda tremeluziu, ameaçando se extinguir.

— Mestre, por favor, deixe-me ver Anakin... Quero falar com ele!

Ele apanhou o pequeno cajado e se apoiou com uma das mãos.

— Aqui ele não está. Transmitir sua mensagem eu posso, se desejar.

O local começou a escurecer. Sua voz esmaecia a cada palavra, sentia-se cada vez menos presente. Pôs-se de pé e suplicou com urgência antes que fosse tarde:

— Diga á ele que sinto muito. E diga que... – ela hesitou. Abraçou o próprio corpo antes de prosseguir. – Diga que logo nos reencontraremos. Eu sinto isso em meu coração.

Yoda assentiu, e seu sorriso tenro foi a ultima coisa que ela presenciou. A paisagem girou e desapareceu, dando lugar á inconsciência.

Rey rompeu a conexão, ofegante e molhada de suor. As rochas caíram no instante em que abriu os olhos, quicando no chão arenoso. Analisou com espanto a figura semiconsciente, tentando decifrar o que havia acabado de presenciar em sua psique – um labirinto de sentimentos que oscilavam de uma extremidade á outra em uma frequência assustadora. Não havia luz, nem escuridão; mas sim um equilíbrio perfeito entre os dois lados. Não alcançou as lembranças, no entanto, pois sabia o quão incômodo era ter alguém vasculhando sua cabeça sem permissão.

Kylo Ren e seus cavaleiros observavam a certa distância com armas apontadas, prontos para agir sob qualquer sombra de ameaça. A togruta tombou para frente, recebendo o amparo dos braços de Rey. Ela parecia exausta.

— Seu nome é Ahsoka, não é? Ahsoka Tano? – ela tentou soar o mais tenra possível, torcendo para que a alienígena não fosse nenhuma espécie de Sith. — Eu vi na sua mente. Estou aqui para te ajudar.

Ahsoka demorou em responder aos estímulos. Abriu os olhos muito verdes e avistou o sorriso amigável de uma garota humana.

— Quem é você? — os lábios se moveram, mas sua voz não saiu.

— Me chamo Rey. Sou Jedi, posso te levar para um lugar seguro.

— Jedi...

Ela suspirou. A avalanche de lembranças inundou sua cabeça, mas ela não conseguia sequer se mover. Enfraquecida, voltou a perder os sentidos.

— Ahsoka! Ahsoka, acorde...

Kylo fez um movimento para se aproximar, mas parou de repente. Um estrondo retumbou pela câmara, rachando o teto da caverna e estremecendo o chão. A pequena abertura correu por todos os lados, partindo cada pedaço de terra e ameaçando despencar sobre suas cabeças. Aflita, a Jedi olhou para Ren.

— Não podemos deixa-la.

— Ross, leve a togruta. Vamos sair daqui.

Não aguardaram uma segunda ordem. Dispararam pela caverna enquanto desviavam dos blocos de pedra que desprendiam das paredes. O cavaleiro de quase três metros de altura apanhou a mulher desacordada e a jogou por cima do ombro, correndo em direção á saída. Rey foi logo em seguida, acompanhada de perto por Kylo. O tremor parecia piorar, como se o planeta se partisse ao meio, enchendo a caverna de pó e rochas. Aos tropeços, um a um foram chegando á abertura que dava acesso ao plano superior. Não levou mais que um segundo para que a caverna fosse obstruída por destroços no momento em que Ren saltou para fora, e a visão do lugar não era a das melhores.

O planeta estava desmoronando. Crateras imensas se abriram no chão, repartindo a planície em varias placas. Os cavaleiros seguiram correndo em direção à nave, e Rey só conseguiu torcer para que o co-piloto tivesse conseguido concerta-la. Passaram pelo mar de corpos, contornaram os troncos ressequidos no caminho. Deslizaram pelo barranco enlameado e finalmente avistaram a Finalizer, de luzes acesas e turbinas funcionando. Apertaram o passo, desviando dos buracos que surgiam e da chuva que os cegava. A Jedi viu o tal Ross chegar até a rampa de acesso e deixar Ahsoka em um banco qualquer, seguido pelo restante dos cavaleiros. Ela saltou, acompanhada por Kylo Ren. Antes de respirar em alívio, no entanto, a garota notou que havia algo errado.

— Está faltando um. – o líder dos cavaleiros parecia encolerizado. — Onde está Lyra?

O estômago de Rey afundou. Ela olhou por cima do ombro e a avistou em meio á tempestade, correndo para alcança-los. Já estavam á alguns palmos do chão, prontos para partir, e o mundo lá em baixo estava literalmente se acabando. A planície na qual alçaram voo se repartiu em duas, revelando um abismo onde Lyra teria caído se não tivesse agarrado a ponta de uma raiz exposta. Dependurada, não parecia ter muitas chances de se salvar sozinha. Ren girou nos calcanhares para ajudar, bufando impaciente, mas viu que alguém já havia tomado uma atitude – com um salto certeiro, a Jedi se lançou no caos lá em baixo. Dependurou-se na beira do precipício e esticou o braço para que ela o agarrasse.

— Segura em mim!

Sentiu a mão gelada envolver seu pulso e a puxou, deixando-a em terra firme. A água continuava a cair, tornando tudo escorregadio e dificultoso.

— E agora?! – Lyra rastejou para o seu lado, vendo o abismo que os distanciava da nave. Não havia como se aproximarem, o chão continuava a se abrir.

— Agora você vai para o outro lado.

Não houve tempo para resposta. Rey a empurrou com o uso da Força, lançando-a direto para a entrada da Finalizer. Em seguida, tomou impulso e se atirou o mais longe que pôde, agarrando-se á um braço estendido em seu auxílio – Fenrir a trouxe para dentro e finalmente fechou a porta.

Os propulsores os lançaram para as estrelas, afastando-os daquele local inóspito. Ensopados e estranhamente silenciosos, cada um tomou seu lugar para recuperar o fôlego. Lyra olhava de soslaio para sua salvadora, parecendo travar uma luta interna antes de murmurar de seu assento um tímido “obrigado”.

Rey apenas assentiu. Sua atenção estava na nova tripulante deitada sobre um amontoado de panos no fundo da nave. Dirigiu-se até lá, sentindo a nuca queimar pelo olhar furtivo de Kylo sobre si, e se agachou ao seu lado. Quem seria aquela mulher? Como conseguiu encontrar o ponto perfeito de equilíbrio dentro de si? O que estava fazendo naquele planeta, meditando sozinha?

Para sua surpresa, a togruta despertou. Piscou devagar, girando os olhos pela cabine e então os focando em Rey. Parecia reunir toda sua força para fazer ouvir sua voz rouca.

— Onde estou?

— Em uma nave. Está segura agora.

Entortou os lábios com desconfiança.

— Pois me parece uma nave imperial.

A Jedi franziu as sobrancelhas. O império já não existia á muito tempo. Talvez ela ainda estivesse um pouco tonta.

— Precisa confiar em mim. Ninguém lhe fará mal.

— Você é Rey. Estava procurando por mim. – não era uma pergunta. Ela respirou fundo antes de continuar. – Eu –

Mas parou por aí. Rey a viu fitar algo acima de sua cabeça, e logo entendeu o motivo. Kylo tinha acabado de se aproximar, agora sem a máscara, e as fitava com o olhar indecifrável. Um lampejo de reconhecimento passou pelas íris esmeralda de Ahsoka, que murmurou em seguida.

— Você... Eu te conheço.

— Eu duvido muito.

— Ben Solo, filho de Leia Organa e Han Solo. Neto de Anakin Skywalker.

Ren não foi capaz de camuflar surpresa e confusão transparecer em seu rosto expressivo. Estreitou os olhos escuros quando a questionou com um quê de ameaça na voz.

— Como sabe dessas coisas?

— Porque eu fui padawan de seu avô.

Notas finais
Não se preocupem, Reylo logo voltará a ser o foco dessa bagunça toda haha. E aí, alguém aí conhece a Ahsoka?