Equilibrium

14 Dance Conforme a Música


Notas iniciais
Depois do imenso hiatus, finalmente consegui postar o capítulo novo. Está grande - como sempre, hehe - e é apenas uma introdução da nova fase da história. Espero que gostem ♥

Os resultados das minhas experiências em ambiogênese deslocaram meu atual foco de forma significante. É de considerável interesse o fato de que, enquanto a maioria das organelas celulares gera energia química, midi-chlorians geram energia da Força.

Os Jedi criaram um misticismo poético a respeito da Força, enquanto que os Sith ignoram a ciência complexa desse poder, e preferem continuar com seus rituais pagãos. Sou o primeiro a tomar o caminho da alquimia, dobrando a Força ao meu favor e explorando suas facetas. Apesar das muitas falhas, creio estar no caminho certo desta vez.

Meu foco, no entanto, deixou de ser a criação da vida. Apesar do aparente sucesso em produzir o zigoto, é impossível controlar certos inconvenientes ao decorrer de sua vida (especialmente as influências externas). Entretanto, o fracasso abriu portas para uma nova área de abrangentes possibilidades: transferência de consciência.

Devo ressaltar que não teria conseguido sem a colaboração de alguns homens influentes na política – especialmente entre o Conselho Jedi.

Kylo interrompeu sua leitura. Ergueu os olhos até a porta da biblioteca, sentindo o conhecido formigamento sob a pele. De imediato, guardou o diário de folhas amareladas na gaveta e pegou um livro qualquer sobre a escrivaninha, fingindo estar lendo. Mal tinha se ajeitado na cadeira quando Rey adentrou sem cerimônias, batendo os pés contra o assoalho.

— Pelo visto ninguém nunca lhe ensinou boas maneiras. Luke deve ter se tornado um selvagem naquela ilha... – resmungou sem encara-la.

Rey parou á sua frente com as mãos na cintura, e rebateu sem receio.

— Não, ele me ensinou a surrar a escória da Primeira Ordem, e isso me basta. O que eu quero mesmo saber é: que história é essa de baile?

— Me diga o que você não entendeu, e eu terei o maior prazer em explicar. – o sarcasmo pendia em cada palavra de sua sentença.

— Arista me passou uma lista imensa de coisas á fazer hoje, tagarelando sobre uma festa, e vestidos e não sei mais o que... Eu quero saber o que está acontecendo.

Kylo finalmente a fitou, entrelaçando os dedos sobre a mesa. Sua explicação veio fria e pausada, como de costume.

— É exatamente isso que está acontecendo. Um baile de gala, hoje á noite. Snoke chegará em algumas horas e quer celebrar suas recentes conquistas com a alta sociedade de Hanoon. E você é a convidada principal. Portanto, esteja pronta antes do pôr-do-sol se quiser continuar viva nesse lugar.

Então veio o silêncio. Rey trocou o peso do corpo para a outra perna e piscou algumas vezes, digerindo as informações com evidente irritação.

— E quando você ia me avisar disso tudo?!

— Eu não ia.

Ela arqueou as sobrancelhas, estupefata.

— Achei que estávamos trabalhando juntos!

— Se tivesse me procurando antes, eu teria lhe orientado.

Ela balançou a cabeça, desacreditada.

— Então é isso! Você está se vingando por que eu tenho te evitado durante esses dias!

— Não me rebaixaria á este nível. – ele suspirou e se levantou devagar, contornando a escrivaninha. — Eu simplesmente não tenho tempo para ficar correndo atrás de você. Se realmente quiser minha ajuda, então que me procure.

Ela revirou os olhos.

— Você está sendo mesquinho e —

— Não preciso te lembrar de que você está em meu mundo agora. São as minhas regras. Ou faz o que eu mando, ou vai sofrer de todas as maneiras possíveis nas mãos do Supremo Líder. E eu não irei ajudar.

— Eu não vou ser seu fantoche. – rebateu pausadamente, as íris faiscando. – O combinado é trabalharmos juntos. Farei o que você disser, contanto que pare de me tratar como seu bichinho de estimação.

Silêncio. Ele praticamente a dizimava com os olhos, tão frios que gelavam a alma. A Jedi retribuía com a mesma intensidade, se esforçando ao máximo para não deixar se abalar. Era difícil, com tamanha carga de Força obscura pesando em seu corpo, mas ela permaneceu firme. Jamais demonstraria medo ou fraqueza perante Kylo Ren.

Por fim, Kylo suavizou as linhas de expressão, com um mínimo sorriso de canto surgindo nos lábios. Isso a confundiu por alguns instantes.

— Certo. Faremos como você deseja, Jedi.

Se afastou, vestindo a capa por cima da roupa.

— Apenas siga as orientações de sua serva. Quando chegar á festa, vou lhe informar do que deve ou não fazer. Tudo bem para você?

— Sim...

— Ótimo. Te vejo mais tarde.

Deu as costas e marchou para fora da biblioteca, sem esperar uma resposta. Os pensamentos de Rey borbulhavam como água fervente em uma caldeira, acompanhando um súbito alívio por estar novamente sozinha. Ela ponderou se algum dia teria alguma interação com aquele homem que não fosse esquisita ou a deixasse desconfortável...

Provavelmente não.

Esta era a primeira conversa que tinham desde o incidente com o cristal, á cinco dias atrás, ali na biblioteca. Seus olhos pularam automaticamente para o sofá de couro, onde as lembranças do que havia acontecido ainda permaneciam bem vivas em sua mente. O poder do artefato alterou sua personalidade, mas as sensações eram as suas próprias. Engoliu em seco, se esforçando em afastar aquelas coisas da cabeça, e se dirigiu até o quarto.

Imaginou que se manter afastada naquele curto período de tempo a ajudaria, mas viu que de nada adiantou – tudo continuava bem esquisito. Tinha de manter o foco na missão, e esquecer o que havia acontecido: ou pelo menos tentar.

XXX

A cidade estava em alvoroço. O som de fogos de artifício riscando o céu estrelado fazia coro á balbúrdia dos civis. Bandeiras adornavam as ruas, lembrando-os da administração superior do Supremo Líder e suas tropas pacificadoras. Todos foram incentivados a comemorar o retorno de Snoke através de anúncios diários e propagandas televisivas durante a semana. Centenas de pessoas saíram de suas casas para celebrar, e muitas delas espreitavam o palácio central á distância: a grande festa aconteceria em poucos instantes. As luzes dos holofotes podiam ser vistas á quilômetros de distância, dançando entre as nuvens escuras. Tropas de stormtroopers barravam qualquer pessoa não autorizada á entrar no saguão.

Kylo detestava tudo isso. A exposição, as mentiras e a falsa sensação de calmaria. Ele sabia muito bem que todo esse clima de festa era apenas uma faixada: algo com fins de distração para os cidadãos ignorantes. A ditadura disfarçada de democracia serviu muito bem ao povo, no entanto. Tinha de admitir que Snoke sabia muito bem como esconder o lixo sob o tapete.

Assim que saiu do speeder, jornalistas o cercaram como chacais, realizando mil perguntas sobre a Primeira Ordem e a prisioneira de Jakku. Ele os ignorou e apressou o passo, calcando os degraus de mármore até a entrada do palácio. Usava uma roupa de gala cinza e não se preocupou em esconder o rosto – todos aprenderam a temê-lo sem sua máscara.

Entrou na festa suntuosa sem precisar mostrar identificação. Estava belamente decorada, com mesas dispostas pelo saguão lustroso e uma pista de dança ao centro. Cumprimentou algumas figuras importantes, para depois entrar em uma conversa monótona sobre a taxa de natalidade de Hanoon. Snoke ainda não havia chegado, dando tempo para o cavaleiro avaliar os convidados da celebração.

Ele conhecia a maioria. Militares de outras regiões, líderes religiosos, políticos recém-aliados — não confiava em ninguém daquele lugar. Viu também soldados com distintivos brilhantes no peito, incluindo o general Hux, com cara de poucos amigos.

— ... E como bem sabe, deveríamos controlar melhor o aumento da população, já que tem sido cada vez mais difícil arrecadar fundos para sustentar os civis. Eu sugiro uma multa...

Ele apenas ouvia e concordava com a cabeça, sem realmente prestar atenção. Seus olhos escuros varriam o saguão e voltavam a cravar no relógio de parede do outro lado – onde estava Rey? Aquele não era um bom momento para se rebelar. Começou a ficar irritado, e a voz do homem gordo á sua frente parecia cada vez mais distante e incômoda, como uma mosca zunindo perto do ouvido.

Voltou á consciência assim que sentiu uma mão feminina lhe apertar de leve o ombro. Por um milésimo de segundo, acreditou ser a Jedi. Virou-se imediatamente e, ao invés dos olhos cor de avelã, se deparou com duas íris azuis como o céu o encarando. Lyra estava em um vestido de festa cor de sangue extremamente vulgar, sem se importar com os olhares em seu decote.

— Gostou? – ela sorriu de canto com os lábios pintados também de vermelho.

— Parece uma acompanhante de luxo.

— Então você gostou.

O homem com quem Kylo fingia prestar atenção foi completamente ignorado, e por fim lhe deu ás costas de cara emburrada.

— Estaria mentindo se dissesse que não.

Ela ampliou seu sorriso, engatando o braço no do cavaleiro sem nenhum receio.

— Vamos dar uma volta pela festa...

— Lyra, hoje não vou poder ficar com você. – ele disse com a maior cautela possível, mas revirou os olhos assim que a loura o fitou com se ele tivesse acabado de lhe dar um soco no estômago.

— Como assim...?

— Tenho de ficar de olho em Rey.

— Ah! Claro, como pude esquecer... – deu um tapinha na própria testa, transbordando ironia. — Vai ficar stalkeando seu novo brinquedinho agora.

— Não seja tola. Sabe que tenho que cuidar para ela não fazer nenhuma bobagem na presença do Supremo Líder.

— Poupe-me, meu amor. Ou você me acha muito burra, ou você fica enganando a si mesmo. – ela cochichou com fúria mal contida, evitando chamar atenção em meio á tanta gente. – Sua obsessão por essa sucateira ainda vai te custar caro!

— Eu não tenho obsessão alguma. Pare de paranoia ou vou começar a ser rude com você. Não quer que eu te faça chorar de novo, quer?

Abriu a boca para cuspir uma resposta mal criada, mas tornou a fecha-la assim que ele virou o rosto em direção a porta. Como Ren sempre sabia sobre a chegada da sucateira, Lyra jamais entenderia – mas lá estava ela, deslumbrante em um vestido mullet de cor nude e desfilando em salto alto.

Se outrora a loura estava com raiva da Jedi, agora isso tinha triplicado.

XXX

Rey varreu os olhos pela festa á procura de Kylo Ren. O encontrou ao fundo do salão, apoiando o ombro esquerdo em um pilar de mármore e com as mãos enfiadas no bolso da calça. Estava completamente diferente naquele paletó de risca cinza, com uma gravata cor de sangue em torno do pescoço. Ela sentiu um impulso de dar meia volta e ir embora: não queria estar ali, vestida daquele jeito, em meio àquelas pessoas. No entanto, não havia outra escolha. Respirou fundo, ergueu o queixo e caminhou até Kylo, ciente dos olhares que atraía pelo caminho. Sua concentração variava entre andar direito naquele salto alto e fingir estar calma.

Viu ondas de cabelos louros se afastarem ao notar sua aproximação. Lembrou-se do que Fenrir disse, sobre Lyra sentir ciúmes de sua relação com Ren. Mas afinal, que relação ela achava que eles tinham? Raiva e desconfiança não eram sentimentos invejáveis...

Ele a fitava com um brilho diferente no fundo dos olhos. A analisou por alguns segundos, sem transparecer o que se passava em sua mente, e por fim as palavras soaram no costumeiro tom grave.

— Está atrasada.

Rey revirou os olhos e pôs-se ao seu lado, mantendo certa distância.

— Eu teria vindo de pijama se Arista deixasse. Pra que esse teatro todo?

— Snoke quer te mostrar como um troféu. Você é a figura importante da Resistência que decidiu mudar de lado e nos ajudar. Isso dá confiança á esse bando de ignorantes.

Ela soltou o ar em uma risada forçada.

— Faça o que eu mandar e tente não se entregar.

A garota lhe lançou um olhar faiscante antes de acompanha-lo por uma cansativa excursão pelo salão de festas. Odiava seguir suas ordens, mas não havia outra escolha a não ser dançar conforme a música. Ren a apresentou á algumas pessoas influentes, puxando assunto com elas. Todos pareciam muito interessados na Jedi, apesar de não a conhecerem de verdade – sabiam apenas se tratar de alguém importante da Resistência. Com seu discurso falso, Rey conseguia convencer a todos de que havia percebido o quão superior os planos do Supremo Líder eram, em comparação ao atraso da Nova República.

Kylo não precisou interferir. Rey se mostrou uma boa diplomata, fazendo parecer ter realmente mudado de lado. Em certo momento da recepção, ele fez a única coisa que tinha vontade desde que ela chegou ali – observá-la sem que ela notasse. Rey estava deslumbrante, seu vestido emoldurando cada curva de seu corpo e os cabelos soltos brilhando sobre os ombros. A única coisa ruim foi que esconderam suas sardas sob a maquiagem, e ele preferia vê-las ao natural.

Suspirou. Até agora não havia percebido que gostava desse detalhe, e se policiou para não pensar em mais besteiras.

No momento, ela estava conversando com o Primeiro Ministro de Ghod’ar – um homem de meia idade magrelo e de bigodes. Leia provavelmente havia lhe ensinado algumas coisas, pois a Jedi discutia assuntos difíceis com evidente domínio. Exalava uma serenidade que só Kylo sabia não ser verdadeira e sorria muito, também.

Ele não percebeu quando terminaram a conversa. Só se deu conta de que estava a olhando por mais tempo que devia quando Rey se voltou em sua direção, juntando as sobrancelhas.

— O que foi?

— Detesto admitir isso, mas está se saindo muito bem.

A garota ficou sem reação. Abriu a boca para responder, mas tornou a fecha-la. Isso foi um elogio?

— Venha; Snoke vai chegar em poucos minutos.

Caminharam até uma mesa circular com o nome “Kylo Ren & Rey” inscrito na plaquinha de cobre. Ele puxou a cadeira para a jovem antes de se sentar afastado. Ren parecia extremamente entediado.

— Somos um casal agora e eu nem estava sabendo.

O cavaleiro voltou o rosto em sua direção, levando alguns segundos para entender. Então viu a placa e deu de ombros.

— Apenas formalidades. Como eu disse, você é convidada especial hoje.

— Assim vão achar que estamos juntos. Tem certeza que não é isso que Snoke quer que pensem?

— Talvez... – ele admitiu depois de pensar um pouco. Rey arregalou os olhos. – Ele não me conta os detalhes dos planos dele. Só fico sabendo do superficial.

Silêncio. Ela se remexeu na cadeira, inquieta, e voltou a questiona-lo.

— Eu só queria entender por que você fica se submetendo á isso...

— Tenho meus motivos.

— E quando vai me explicar?!

— Provavelmente nunca, se continuar sendo impertinente desse jeito.

Rey estava prestes á rebater, irritada, quando um movimento estranho se desenrolou no salão de festas. As pessoas começaram um burburinho, e todos os rostos se voltaram á entrada principal. A Jedi sentiu o coração dar um salto assim que avistou o motivo – seguranças de terno escuro adentraram o saguão, dando espaço para Snoke em seguida, em carne e osso.

Era tão alto quanto Kylo, porém mais magro. Estava com uma máscara de prata cobrindo a face, o design muito parecido ao capacete de Ren. A única parte despida eram suas mãos, longas e cavernosas, assim como os olhos pequenos e cinzas.

Todos se levantaram. Suas longas vestes douradas deslizavam pelo piso conforme ele caminhava imponente até uma espécie de palco, se posicionando ao centro. A orquestra parou de tocar, e após uma boa olhada no público, Snoke começou a discursar em tom grandioso.

— Hoje, meus amigos, devemos festejar um marco histórico. Nos livros, ficará o registro do fim definitivo da Nova República, e o recomeço de um Império!

O público estourou em palmas e assovios. Rey engoliu em seco, desconfortável com aquilo tudo. Ouviu Kylo chamar seu nome, incentivando-a a permanecer em seu papel e também aplaudir. À contra gosto, a garota acompanhou apenas o término da salva enérgica.

“Como bem sabem, temos lutado á anos contra a farsa da Nova República. Vocês, meus leais amigos, são testemunhas do fim trágico em que a galáxia se encaminhava sob a liderança dessas pessoas. Com seus discursos pacifistas e seus ideais fajutos, enganaram a todos por tempo demais.” Ele gesticulou veemente, e sua fala ecoava pelos cantos do salão. “Como um último esforço, mandamos nossos melhores soldados para terminar de vez com a Resistência. Meus cavaleiros da Primeira Ordem...”, apontou para Kylo, e algumas pessoas o fitaram também. “...assim como os leais oficiais, cumpriram seu papel em eliminar quaisquer resquícios dos rebeldes. Claro, não devemos esquecer da ajuda crucial de terceiros... Rey, suba aqui!”

Todos os olhares se voltaram para ela. Seu coração disparou em um solavanco, deixando-a pálida e momentaneamente confusa. Com um empurrãozinho de Kylo, caminhou através dos convidados até chegar ao palco, mantendo a postura intacta. O salto alto contra o piso foi o único som durante aquele longo minuto, e quando ficou ao lado de Snoke, sentiu calafrios por toda a pele.

— Esta, meus caros amigos, é nossa preciosa informante. Sem ela, provavelmente não teríamos encontrado a Resistência. – olhou para Rey, e provavelmente havia um sorriso sob a máscara. – Esta é a prova viva de que até mesmo um Jedi reconhece nossa superioridade política.

A revelação de última hora resultou em um burburinho eufórico. As pessoas apontavam para a garota e se entreolhavam abismados. Todos conheciam a história, mas nunca haviam visto um Jedi pessoalmente.

— Gostaria de dizer algo á plateia, querida?

O Supremo Líder se virou para a Jedi. Ela entendeu muito bem que aquele não era um convite amigável, e sim uma ordem. Concordou com a cabeça, deu um passo á frente e usou toda a confiança que conseguiu reunir:

— Escolhi meu caminho assim que percebi os problemas camuflados da Resistência. Os rebeldes simplesmente não entendiam que seu sistema não funcionava – nunca funcionou. Se deixarmos que pessoas ignorantes tomem á frente nas decisões, acabamos ficando á mercê de decisões ruins. – sua voz tomou uma proporção maior, carregada de um falso patriotismo. — Chega de mentiras, falso moralismo e má administração. Viva a Primeira Ordem!

Gritos e mais palmas, desta vez ainda mais barulhentas. Rey não pode evitar sorrir – não por que acreditava realmente naquele discurso, mas sim em seu potencial em enganar aquela gente. Sentiu a mão magra de Snoke pousar em seu ombro, o que lhe deixou com mal estar.

— Ótimo, ótimo! Vamos começar essa celebração. Mais tarde teremos uma surpresa para todos. – algo em seu tom de voz fez seu estômago afundar. Estava com um mau pressentimento. – Divirtam-se, crianças.

Rey desceu rapidamente do palco, sem olhar para trás. Não precisou atravessar o salão inteiro em busca de Kylo, pois ele já estava a sua espera ao pé da escada.

— Estou surpreso quanto ao que você é capaz de inventar, Jedi.Eu quase acreditei no seu discurso.

Ele cochichou ao pé do ouvido, para logo em seguida se afastar um pouco e sorrir de canto. Ela estreitou os olhos, incomodada.

— Sou uma sobrevivente. Não é a primeira vez que tenho que mentir para salvar minha pele.

— Imagino. –Olhou ao redor e estendeu o braço de forma polida. – Venha, precisamos conversar.

Ela o fitou por alguns instantes, a sobrancelha arqueada. Acabou cedendo quando o viu rolar os olhos, caminhando ao seu lado pelo salão. O cavaleiro comentou de forma distraída:

— Você não vai se queimar se encostar em mim.

— Minha aversão tem a ver com seus atos. Poderia ser diferente se não fosse um assassino narcisista e egocêntrico.

— Claro.– deu de ombros. Parou de repente, em um estalo de língua incomodado. – Não podemos ficar aqui, vão ouvir nossa conversa.

— Então vamos sair.

— Também não; vai chamar muita atenção.

Kylo observou os casais dançando. Rey soube imediatamente o que se passava em sua mente.

— Nem pensar! Eu não sei dançar.

— Eu te ensino.

A Jedi buscou por qualquer indicio de brincadeira ou má intenção em seu olhar, mas só encontrou serenidade. O cavaleiro estendeu a mão, convidando-a para a música que se iniciava. Rey suspirou alto o suficiente para denotar sua insatisfação.

— Que seja breve, então.

Quando suas peles se tocaram, a costumeira carga de energia arrepiou os pelos da nuca. Dirigiram-se ao centro da pista, atraindo alguns olhares curiosos – a informante rebelde e o líder dos cavaleiros de Ren, aparentemente juntos. Quando Kylo ficou de frente á Jedi, sorriu de canto.

— Sabe que nunca sou superficial no que faço.