Equilibrium
15 O Baile
Notas iniciais
Rey sentia-se insegura. Seu coração martelava no peito, lançando uma adrenalina desnecessária nas veias. Tempestades de areia, ladrões do deserto, Ranthars famintos – qualquer coisa a assustava menos que aquilo. Kylo, por outro lado, parecia calmo, como se estivesse acostumado á ir a bailes por toda uma vida.
— Coloque sua mão esquerda em meu ombro.
A voz grave a despertou de seus pensamentos. Ela obedeceu à instrução, relutante. Nunca havia dançado antes, e jamais imaginou que aquele seria seu par.
— Você vai apenas acompanhar os meus movimentos. Um passo para esquerda, outro para direita, só isso.
Ela acenou com a cabeça. Assim que Kylo pousou uma das mãos em suas costas, Rey enrijeceu todos os músculos do corpo, como se levasse um choque. O toque direto com a pele a deixou arrepiada, e ela rezou para que o cavaleiro não notasse.
— Algo errado?
— Não! – rebateu rápido demais. – Só... Vamos logo com isso.
A música começou, os casais deslizaram pela pista. Ren deu o primeiro passo, mas a Jedi não conseguiu acompanhar. Voltaram á estaca zero.
— Vamos de novo. O primeiro passo é sempre á sua direita.
Ela o acompanhou desta vez, mas suas pernas pareciam pesar uma tonelada. Relutava em seguir os comandos de Kylo, orgulhosa demais para se deixar conduzir. Ele parou subitamente, arqueando as sobrancelhas.
— O que foi?
— Você está tentando me conduzir. E continua tensa.
— Vai ver por que eu não sei dançar. E nem quero. – sibilou entredentes, o fuzilando com os olhos. – Prefiro te enfrentar com um sabre á ter de -
— É exatamente isso. – a cortou, sorrindo de canto. — É como lutar comigo. Você relaxa os músculos, sente a Força e prevê meus movimentos. Não é assim? – ela abriu a boca, mas tornou a fecha-la, um tanto embaraçada. – Então faça o mesmo agora.
Rey suspirou. Parou de pensar no quão estranho era a situação, e se focou nas instruções. Não queria passar vergonha na frente daquelas pessoas. Ren contou com o movimento dos lábios, e desta vez ela o acompanhou. Esquerda, direita, e assim sucessivamente, embalada pela melodia da banda. Sentiu a leve pressão da mão grande em sua espinha, e em como servia como uma espécie de “leme” para guia-la na direção certa. Estavam dançando.
— Viu? Não é tão difícil.
Ela entortou um pouco os lábios, odiando admitir que ele era bom. Evitou contato visual enquanto se moviam com gradual melhora.
— Diga o que você queria me contar.
— A surpresa que Snoke prometeu... – passeou os olhos pela festa, certificando-se de que ninguém os ouvia. – Eu não tenho certeza, mas é provável que te denomine como um dos meus cavaleiros. Vai ser obrigada a participar das missões, e consequentemente, terá de machucar pessoas.
— E matar.
— Sim.
Ela engoliu em seco.
— Você tem que fazer exatamente o que ele pedir. Precisa ser forte e usar aquilo que te ensinei, mesmo que vá contra os seus princípios. Esqueça seus amigos, esqueça seu passado. Foque apenas no presente.
— Certo.
Kylo sentiu sua hesitação apenas no timbre da voz. Rey estava com medo, e ele não poderia culpá-la. Mais uma vez sua compaixão acabou falando mais alto antes que pudesse se controlar.
— Não se preocupe. Vai se sair bem.
Seus olhos finalmente se encontraram; ela parecia desconfiada.
— Isso é você sendo gentil?
O cavaleiro deu de ombros ao se justificar.
— Meu sucesso depende do seu sucesso. Além do mais, aqui não somos inimigos. Estamos juntos nisso.
— Claro. Tirando o fato de que você me engana, não conta seus planos e —
— Hoje à noite terá as respostas que deseja. – a interrompeu. – Assim que voltarmos á mansão.
Ela piscou devagar, perdendo-se nos olhos escuros de Ren. Tentou encontrar algum indicio de mentira, mas ele parecia estar sendo sincero.
— Espero que não esteja mentindo.
Continuaram a valsa em silêncio. Rey olhou por cima do ombro do cavaleiro e identificou alguns rostos conhecidos. Um deles tinha um belo par de olhos azuis e uma barba rala emoldurando o rosto. Fenrir os observava com uma taça de vinho em mãos, sem expressão. A Jedi abriu um sorriso simpático, mas não obteve resposta – o cavaleiro simplesmente lhe deus as costas e se misturou aos convidados. O que havia dado nele? Estava pensando em se encontrar com o rapaz mais tarde quando a voz de Kylo a despertou de seus pensamentos.
— Vou girar agora.
— O que...?
Não houve tempo para pensar. Em um movimento elegante com as pernas, giraram pelo salão. O tecido leve do vestido flutuou em um círculo, assim como os cabelos castanhos da Jedi. O medo deu lugar á inebriante sensação de liberdade, inundando seu peito de forma acolhedora. Seu receio foi substituído por algo novo que energizava cada célula de seu corpo, fazendo-a se esquecer de todos os problemas.
Rodaram de novo, e de novo. As luzes passavam como estrelas cadentes por seus olhos. Não precisou pensar em como acompanhar os passos do cavaleiro, ela apenas o sentiu e deixou-se levar. Rey quase sorriu, não fosse aquela voz no fundo de sua consciência a lembrando de onde e com quem ela estava. Não poderia ficar feliz com aquilo, seria um desrespeito com todos os seus amigos e para consigo mesma.
— É assim que quer passar o resto da vida? Refreando a si própria? – voltaram ao movimento padrão, agora mais devagar. Ela franziu as sobrancelhas. – Jamais conhecerá seu verdadeiro poder se continuar a se limitar desse jeito.
— Pare de ler minha mente...
— Sabe que não estou lendo. Seu esforço em não sentir nada chega a formigar as pontas dos meus dedos.
Suas bochechas adquiriam um tom rosa quando ele disse aquilo. Cuspiu as próximas palavras com um aperto no coração.
— Tente se por em meu lugar! Estou no meio dos meus inimigos, fingindo ser algo que não sou. Tenho que sorrir quando na verdade queria chorar. E quando sinto algo bom, me culpo por isso. Eu sinceramente não sei mais o que pensar.
Ele a analisou por um tempo, vendo a aflição refletida nos olhos cor de âmbar. Gostaria de dizer mil coisas, mas se limitou a responder uma só palavra.
— Entendo.
— Não. Não entende. – a música acabou, e que outra se iniciasse, Rey acrescentou. — Estou morrendo de sede, preciso tomar algo.
Ela soltou sua mão e saiu da pista de dança sem esperar pelo cavaleiro. Kylo ficou alguns segundos parado, sentindo o sangue ferver pela atitude petulante da garota. Se ela soubesse metade das coisas que ele guardava para si... Mas ela não sabia de absolutamente nada, e mesmo assim continuava o julgando. Acelerou o passo para alcança-la e lhe dizer algumas boas verdades quando alguém se meteu em seu caminho.
— Com licença, você está na minha frente. – sua voz saiu arrastada e letal.
— Senhor... – Era um de seus cavaleiros. Havia algo errado. – Uma nave sem identificação está se aproximando da orbita do planeta.
— O que?!
O homem engoliu em seco. Ninguém gostava de levar más noticias para Kylo Ren.
— Uma nav –
— Eu ouvi a primeira vez. Por que ninguém foi averiguar?
— Eu vim alertá-lo primeiro, senhor.
O homem bufou e saiu a passos largos com o outro em sua cola. Passou voando por Rey e lançou apenas um “volto logo” sem mais explicações. A Jedi tentou questiona-lo, mas os dois sumiram entre os convidados antes que piscasse. Trincou o maxilar, irritada. Odiava ser deixada de lado, especialmente depois do que Ren disse – “estamos juntos nessa”.
— Pff. Uma ova. – rolou os olhos, jogando-se na cadeira da mesa reservada. Tentou chamar o garçom, mas ele nunca olhava. Também não queria levantar, aquele maldito salto alto estava a matando.
Estava tão ocupada acenando que não viu quando alguém se aproximou pelo outro lado.
— É bem deselegante abandonar a própria parceira no baile. Não que você deva esperar algo decente vindo de Kylo, é claro.
Assim que a voz chegou aos seus ouvidos, seu estômago afundou. Virou devagar até o homem alto de cabelos cor de fogo e torceu o nariz, como se sentisse o cheiro de algo desagradável.
— Ah, você.
— Olá, Rey. Gostando da festa?
— Nem um pouco.
Ele riu.
— É, eu também não sou muito fã de bailes. Veja, trouxe pra você.
Hux lhe ofereceu uma taça de vinho com sua mão enluvada. Rey piscou devagar, desta vez abrindo um sorriso amarelo.
— Eu passo.
— Certo. Vou deixar aqui, se mudar de ideia. – Ele se sentou na cadeira ao lado, sem se importar com a cara de poucos amigos da Jedi. Cruzou as pernas de forma elegante, transparecendo um excelente bom humor. – Veja bem, acho que começamos com o pé esquerdo. Agora que faz parte da Primeira Ordem, creio que possamos nos apresentar da maneira correta. – lhe estendeu a mão. — General Hux, ao seu dispor.
— Rey, Jedi, pupila de Luke Skywalker e aliada Rebelde. – apertou sua mão estendida com vigor, satisfeita pelo sorriso cínico do ruivo murchar um pouco. — Prazer.
Ele pigarreou, olhando para os lados e em seguida nos olhos amendoados dela.
— Eu não vejo a hora de tê-la conosco nas missões. Claro, a galáxia já foi tomada, mas alguns pequenos grupos insistem em resistir. Na verdade, eles são especialistas em se esconder, então será bom ter uma aliada que pensa como a escória rebelde.
Ele comentou aquilo como se falasse sobre o tempo. Em sua imaginação, Rey estava socando aquela cara magra com os punhos fechados.
— Claro. Por que não vai direto ao ponto e diz logo o que você quer?
— Só quero que saiba que estou feliz, de verdade. O Supremo Líder a treinará bem. Provavelmente a transformará em uma máquina de matar descartável, assim como Kylo. – ele disse aquilo com uma voz alegre, o que tornou a sentença ainda mais dissimulada. – Os truques de mágica de vocês tem um prazo de validade, veja bem.
— Você subestima o poder da Força. – não gostou da maneira como ele se referiu a algo tão sagrado. Engoliu a raiva e sorriu de canto, decidida a provoca-lo. – Talvez seja o medo de encarar algo além da sua compreensão. Mas eu ainda aposto que é inveja.
— Inveja? – Hux forçou uma risada exagerada.
— Sim. Sabe que somos mais fortes do que você jamais será. – encarou os olhos azuis com firmeza, confiante de suas convicções. — E isso o incomoda, por que você também luta por um lugar especial ao lado de Snoke. Seu sonho é ser o braço direito dele, mas os Cavaleiros de Ren sempre estão no caminho. – se debruçou em sua direção, como se fosse contar um segredo divertido. — E isso por que você não passa de um soldadinho qualquer, sem nada especial para oferecer. Uma pena.
Quando se endireitou na cadeira, teve de se segurar para não rir. O rosto de Hux ficou completamente vermelho, a ponta de suas orelhas parecia estar em chamas. Ele mantinha uma feição neutra, mas a pálpebra inferior de seu olho esquerdo tremia.
— Não vou perder meu tempo em provar á você que essa é a coisa mais estúpida que já ouvi. Ao invés disso, vou te lembrar duma coisa... – desta vez foi ele quem se inclinou na direção da Jedi. Os olhos pareciam dois cubos de gelo, frios e carregados de ódio. – Quando chegar a hora, eu farei questão de te incluir nas missões de campo. Vai matar e torturar a escoria rebelde na frente de todos. – diminui a voz até um sussurro arrastado, destilando veneno pelos lábios finos. — E quando se encontrar com Skywalker, vai ter a honra de olhar bem fundo em seus olhos e atravessar um sabre em seu peito.
A ameaça á Luke a fez estremecer. Seu coração apertou de uma forma dolorosa, causando falta de ar. Quando conseguiu responder, sua voz saiu sem muita convicção.
— É o que veremos.
— Sim, veremos. — Hux abrandou suas feições de repente e se levantou como se nada tivesse acontecido. — Bom, eu vou indo. Foi um prazer conversar com você.
Conforme ele se afastava, Rey tentava se recuperar daquele terrível encontro. Teria mesmo de fazer isso? Ela não estava preparada. Até agora ela só sorria e concordava com o que diziam, mas empunhar seu sabre e matar pessoas inocentes era algo bem diferente. Tinha de falar com Kylo, se preparar e encontrar uma forma de não participar dessas missões...
Respirou fundo, procurando controlar sua agitação. Olhou para a taça de vinho. Talvez beber um pouco aliviaria seu stress. Cheirou antes de dar o primeiro gole – nunca colocou álcool na boca. O gosto veio doce no começo, em uma textura bastante interessante, e quando desceu pela garganta esquentou seu corpo inteiro.
Certo, aquilo a faria se distrair um pouco.
Xxx
A noite se estendeu por mais algumas horas. Quando Snoke a anunciou como membro oficial dos Cavaleiros de Ren, fez de maneira breve e simples. Rey deixou de se importar em estar sozinha na segunda taça de vinho: dançou duas vezes com um rapaz simpático e fez amizade com a moça do buffet. Gostaria de ter anotado seus nomes em algum lugar para não se esquecer depois...
Tinha se sentado para arrancar as malditas sandálias quando Fenrir entrou em seu campo de visão: Ele estava sozinho, caminhando em direção á saída. Descalça e um tanto zonza do álcool, correu até o hall esbarrando nos convidados. Quando passou pela porta, o vento gélido arrepiou sua pele. Olhou para os lados á sua procura, e o encontrou partindo a passos largos ate um speeder.
— Ei! – O cavaleiro parou. No meio tempo em que tentava decidir se partia ou não, ela o alcançou. – Fenrir, sou eu!
Virou devagar e deu um sorriso amarelo.
— Oi.
— “Oi?” –Talvez fosse o vinho, mas o sangue lhe subiu a face naquele momento. – Por que está me tratando desse jeito?
— Você sabe bem o motivo.
— Não, eu não sei.
Franziu o cenho quando notou sua fala amolecida e a postura esquisita.
– Você está bêbada?
— Não mude de assunto.
Abriu a boca para retrucar, mas desistiu.
– Deixe para lá. Eu vou indo, não quero mais problemas.
Rey o puxou pela manga do paletó antes que desse as costas. Recuperou um pouco de sua consciência naquele momento, apesar da tontura.
—Pare com essa cena! Você é meu único amigo nesse lugar, eu não faria nada para te afastar. O que houve?
Ele suspirou. Leu suas feições por um tempo, refletindo se iria acreditar em suas palavras. Por fim a puxou para um canto mais afastado, onde só havia alguns arbustos e pouca iluminação. Olhou para os lados antes de falar em voz baixa.
— Deveria ter me contado o que há entre você e Kylo. Pelo menos eu teria me preparado melhor.
— O que?!
— Você me ouviu.
— Mas não há nada entre mim e Kylo! – mais uma vez sentiu o rosto esquentar de raiva. – Por que as pessoas insistem nisso?!
— Bom, talvez você ache que não exista nada. Mas ele pensa o contrario.
Levou alguns segundos para que Rey assimilasse aquelas palavras. Arregalou os olhos quando algo lhe ocorreu.
— O que ele fez com você...? — Fenrir balançou a cabeça, negando-se a ter aquela conversa. Seu orgulho o impedia. – Te machucou? Ameaçou? Me conta, droga!
— Não interessa o que ele fez! A questão é que você deveria ter sido honesta comigo. Seja lá qual for a relação dos dois, o mínimo que deveria ter feito era me dizer. Assim eu não me aproximaria de você. Ou então seria mais discreto. – acrescentou quando a viu arquear as sobrancelhas.
— Olha, Fenrir, eu não sei o que ele te disse. Não sei o que ele te fez. Mas eu e ele... – forçou uma careta desgostosa. – nós... Isso é absurdo. Kylo Ren é um assassino, um monstro. Sou sua prisioneira, e isso nunca vai mudar. Ele tem essa... Mania possessiva, e não tenho culpa disso.
Silêncio. Mais uma vez, Fenrir parecia tentar decifrar sua alma. Um brilho rápido traspassou os olhos azuis, como se tivesse captado algo que Rey não percebia. Deu de ombros e pareceu mais calmo quando a respondeu.
— Tudo bem. Eu acredito em você. – colou as mãos na cintura e o sorriso egocêntrico voltou ao belo rosto. – Nunca imaginei ver uma Jedi bêbada.
— Cale a boca. – ela riu, ficando repentinamente envergonhada. – Fiquei sozinha na festa, rodeada dessa gente...
— Venha, vou te ajudar a voltar pra casa.
Rey engatou seu braço no de Fenrir, cuidando em cada passo que dava até o speeder. Não estava fora de si, mas sentia-se amolecida e pensava coisas que não eram de seu costume – como o perfume cítrico que o cavaleiro exalava, e em como seus músculos se sobressaltavam sob a camisa de algodão.
Provavelmente era culpa do vinho.
Quando chegaram aos portões da mansão, trocaram as primeiras palavras desde que entraram no veículo.
— Obrigada. – Sorriu meio sem jeito. — Tem sido um bom amigo.
— Não tem de que. Sempre que precisar, pode contar comigo. Sempre.
Rey tomou sua mão e a apertou de leve, feliz por terem feito as pazes. Talvez fosse um erro confiar em um cavaleiro de Ren, mas algo em seu interior lhe dizia que estava segura.
Fenrir de repente tomou fôlego para dizer algo, mas hesitou. Ela percebeu.
— O que foi?
— As coisas poderiam ser diferentes entre a gente. – sua voz saiu baixa e tenra. Continuou segurando a palma pequena da Jedi, acariciando-a com o polegar. – É uma pena que estejamos em lados opostos dessa guerra.
Seu coração descompassou uma batida. Ele estava realmente dizendo aquilo...? O que ele realmente queria dizer com isso? Pensou em rir e dizer que ele era um bobo, mas as palavras saíram antes que pudesse controlar.
— Você está do lado da Primeira Ordem por escolha própria?
— Sim e não. É uma longa história.
— Quero ouvi-la qualquer dia desses.
Não sabia por que tinha dito aquilo. Não era exatamente o que queria, mas sentiu que era o certo a se dizer naquele momento, por alguma razão. Ele abriu um de seus sorrisos sinceros e a fitou em silêncio, algo que costumava fazer bastante. Rey pigarreou e soltou sua mão da dele, decidindo que era hora de voltar.
— Obrigada mais uma vez. Nos vemos por aí.
— Boa noite, Rey.
Deu-lhe um beijo no lado do rosto e abriu a porta do speeder com um aceno de despedida. A breve caminhada até o hall de entrada da mansão fez a mente da Jedi trabalhar. O que havia sido aquilo? Certamente existia uma tensão esquisita entre os dois, e a culpa era de Fenrir. Ele parecia interessado nela – e talvez, não fossem as circunstâncias, Rey poderia ter se interessado por ele também.
Mas isso era impossível. A mera possibilidade a fez rir sem graça. Rey o achava bonito e gentil, mas até que ponto aquela era realmente sua personalidade, e não um personagem criado para encanta-la? Pensou no que Kylo Ren poderia ter feito ao pobre coitado.
Estava tão empertigada remoendo os últimos acontecimentos que passou reto por uma porta entreaberta do andar superior. Era apenas mais uma sala de estar dentre tantos outros cômodos, mas parecia estar sendo ocupada. Rey parou e deu meia volta, estranhando a luz fraca que invadia o corredor. Terminou de abri-la com cuidado e avistou o que não esperava naquela noite.
Kylo Ren estava sentado em uma grande poltrona, as pernas esticadas sem muito aprumo e a camisa aberta até metade do peito. A gravata estava pendurada em volta do pescoço, uma mão segurava um copo de whiskey enquanto a outra descansava confortável no braço do sofá. Ergueu os olhos sem pressa quando Rey adentrou o aposento – seu cabelo sempre muito asseado parecia rebelde, com alguns cachos lhe caindo sobre a face.
A voz grave e baixa foi a primeira coisa a ser ouvida após o breve silêncio entre os dois.
— Precisamos conversar.
Fale com o autor