Notas iniciais
Demorei mas voltei! Estamos na fase final da fic. Agradeço quem vem me acompanhando e peço que continuem comentando e dando suas opiniões sinceras ♥ Gostaria de fazer agradecimentos especiais a Serleena Xath, que deixou uma recomendação maravilhosa na fic, assim como Stella Tenebrae e Larissa Hyuuga. Vocês me deixaram encantada ♥ Beijinhos e boa leitura

Naquela semana, Hanoon silenciou. A sombra da Primeira Ordem já havia dissipado por quatorze dias consecutivos, intrigando os moradores que murmuravam aos sussurros em suas casas. Nada de sirenes ligadas, de discursos ao meio-dia, de toque de recolher. Sem os comandos liderados por Hux, os exércitos de soldados mantiveram-se em descanso longe das bases. As TIE Fighters jaziam silenciosas sobre os hangares, como aves de rapina escondidas em suas tocas. Não houve notícias do general ou de sua temida capitã de armadura cromada, Phasma. O Supremo Líder se ausentou e não fez qualquer pronunciamento oficial. Rumores sobre a guerra se espalhavam como um incêndio na floresta, se alastrando pelas mais diversas ramificações de palpites.

Mas Kylo sabia a verdade. A atmosfera se tornou carregada como se houvesse energia estática no ar. Uma tempestade estava por vir. O silêncio de Snoke os pressionava de maneira invisível, sufocando-os em um mar de expectativas. Ele e Rey mantinham vigilância enquanto construíam o sabre negro, alternando o projeto entre treinos e muito estudo – basicamente liam tudo que podiam a respeito de midi-chlorians, cristais Kyber e manipulação da Força. O tempo era precioso, cada segundo os colocava em uma posição maior de perigo e urgência. Eles só tinham uma chance e não podiam desperdiçá-la.

Ainda assim, nenhum medo conseguia camuflar aquela sensação. A onda quente crescendo no peito e dando um nó na garganta, agitando seus nervos ao ponto de cortar o apetite e deixa-lo eufórico. Era bom como andar em nuvens, mas assustador ao mesmo tempo, porque havia a possibilidade de cair e se espatifar no chão. Por mais que temesse o futuro, o presente se mostrava irresistivelmente agradável na forma de uma garota de pernas entrelaçadas no chão, apoiada contra a poltrona, concentrada em parafusar uma empunhadura de sabre. Ela caçava as pecinhas distribuídas a sua frente e as encaixava no lugar certo com um cuidado meticuloso.

Parecia focada e insciente do olhar de Ben sobre si. O cavaleiro estava na ponta do sofá, inclinado sobre o diário de Darth Plagueis na mesinha de centro, distraído pela forma como ela mordia os lábios durante a tarefa. A garota vestia uma espécie de shorts de algodão e regata de alças, os cabelos ainda úmidos do banho caíam nos ombros e molhavam o tecido sobre os seios.

Ele sempre detestou distrações. Mas descobriu que ela era a exceção.

Rey sentia-se mais segura usando as próprias mãos ao invés da Força. Recebeu ajuda para montar o esqueleto da peça e agora fazia os retoques finais, certificando-se de que tudo estava no lugar. Enquanto trabalhava, permitiu que sua mente divagasse com as lembranças dos últimos dias e um mínimo sorriso brilhou em seu rosto.

A vida parecia mais colorida. O sol que se espremia entre as persianas da suíte adquiriu tons magníficos de dourado, o crepúsculo pontilhado de estrelas se exibia como em uma tela pintada a óleo. Começou a reparar no roxo vibrante das Centáureas no jardim e do perfume silvestre das Gardênias sob a janela da biblioteca. E mais importante — Kylo Ren parecia nunca ter existido. O homem sentado na poltrona não refletia nem mesmo a sombra do cavaleiro mascarado que a aprisionou alguns meses atrás. Ele se mostrou gentil, humano, surpreendentemente agradável. Um pouco reservado e carregado de humor ácido, também. Era fascinante conhecer a pessoa que Ben Solo seria sem a presença maligna de Snoke o atormentando desde bebê: Um estudioso, alguém apaixonado por caligrafia, história, livros e runas antigas; um filho que ama profundamente sua mãe, um homem um tanto tímido e antiquado em público mas completamente selvagem na cama... Dava para fazer uma lista com suas características.

Ben, por outro lado, também se sentia diferente. Pela primeira vez na vida, o peso esmagador que o atormentava desde a infância parecia se atenuar na presença da garota. Rey estava colando os cacos de vidro despedaçados de sua alma, tornando-o inteiro mais uma vez, ajudando-o a emergir do poço escuro que Snoke o encarcerou. A luz o acalentava como um manto protegendo do frio no inverno, lembrando-o que a raiva não o tornava mais forte, como fora ensinado. Ela era sua salvação, disso não havia dúvidas.

Eles não necessariamente falavam sobre isso, entretanto. O cavaleiro nunca foi muito bom com as palavras. De qualquer maneira, dava para ver a reciprocidade no modo como ela sorria quando ele lhe abraçava na cama, ou como seu rosto se iluminava quando o ouvia falar sobre a Força, ou como seu coração disparava quando seus lábios se encontravam. O jeito teimoso e persistente dela faziam parte do seu charme. E o sexo... Ah, o sexo era um fenômeno astronômico totalmente a parte desse universo...

Piscou algumas vezes, movendo-se inquieto na poltrona. Pensar nisso fazia seu corpo esquentar, e agora não era uma boa hora. Rey entrou no foco de sua visão novamente, sentada a poucos metros dali, exalando um sutil perfume floral de quem acaba de sair do banho.

— Acho que está pronta!

O júbilo interrompeu seus devaneios. Largou a chave de fenda em cima da mesa de centro e girou o objeto a frente dos olhos, estudando-o com cuidado. O cilindro de puro aço Mandaloriano possuía 30 centímetros de comprimento e sua guarda ajudava a balancear o peso da empunhadura, que era evidentemente acima da média. Não havia botão para ajuste do tamanho da lâmina, apenas o de ligar e desligar. Ben estendeu a mão e pediu para olhar mais de perto.

— Parece que está tudo no lugar. Célula de Diatium, anel vortex, a câmara do cristal....

— Será que ela vai aguentar?

— Tem que dar. – ele se levantou, adquirindo um tom sério. – Vamos fazer o teste final.

Todo o seu corpo tencionou quando o viu se dirigir até as prateleiras da estante e apanhar o holocron Sith em uma das mãos. Afastou suas anotações, colocou no centro da mesinha e voltou a se sentar no sofá. O pequeno cubo de linhas douradas como ouro repousava quase inocente na superfície da madeira. O que o denunciava era seu brilho pungente, intensificando e esvanecendo em um ritmo constante, como se respirasse. Isso seria perturbador o suficiente se Rey não sentisse como se houvesse realmente vida ali dentro.

— Está tudo bem?

Ela ouviu o homem a sua frente perguntar. Ergueu seus olhos e se deparou com uma expressão cautelosa em sua direção. O que seria “estar bem”? Certamente não era a palavra que a definia no momento. Talvez alerta. Saber a reação que a pedra lhe causava a deixou mais preparada dessa vez, mais resistente. Rey assentiu de maneira breve e se ajoelhou em frente ao objeto, pronta para continuar.

— Só vamos terminar isso de uma vez.

Os dois espalmaram as mãos no ar, quase tocando o cubo, e se concentraram. Sentimentos de amargura deslizaram propositalmente para o coração da Jedi, o combustível para o lado negro e consequentemente a chave para abrir o holocron. Ben – ou talvez Kylo, no momento – fez o mesmo com uma incrível facilidade. O objeto estremeceu e o som de ar expeliu de suas frestas, abrindo-se como uma flor sobre a superfície de mogno. O cristal, tão pequenino quanto um ovo de Porg, levitou devagar e permaneceu flutuando na altura dos seus rostos. Rey abriu os olhos e se encantou, mais uma vez, com a beleza daquela joia singular.

O cristal parecia chamar seu nome. Sentiu vontade de tocá-lo. Algo em seu subconsciente a alertou que não o fizesse, no entanto. Não conseguia lembrar o motivo no momento, mas tentou confiar nos seus instintos. De repente, era como se sua mente fosse sugada para um labirinto escuro e sem saída, e alguém estivesse empurrando ideias ruins em sua psique. A ideia de que Kylo poderia estar mentindo para ela se apoderou do seu peito, emergindo de algum ponto profundo da sua consciência como uma âncora em alto mar. Talvez a estivesse usando para tomar o lugar de Snoke na Primeira Ordem e, por fim, destruir o que restou dos rebeldes. Talvez estivesse fingindo sentir algo apenas para se aproveitar de sua força. Mas se ela tomasse o cristal para si, se tornaria mais forte que qualquer Jedi e não deixaria nenhum de seus amigos morrerem...

Ren parecia lutar contra seus próprios demônios por aqueles breves segundos, e engoliu em seco quando finalmente desviou a atenção da pedra para Rey.

A sua Rey.

Sua e de mais ninguém.

Seus pensamentos tomaram um rumo descontrolado com rapidez alarmante. Deveriam estar conduzindo o cristal para a empunhadura, mas os dois congelaram, confusos e esquecidos e seus objetivos. Ren reparou que a garota olhava para o cristal com paixão devota, os lábios entreabertos, as pupilas dilatas. E isso o encolerizou. Ela deveria dirigir seu fervor somente a ele e a mais nada nem ninguém no universo. Sussurros ecoaram em sua cabeça, alertando a intenção maliciosa da sucateira. Roubaria a joia para si, o abandonaria e correria para os braços daquele traidor. A imagem do stormtrooper tomando sua amada correu perante seus olhos como se estivesse acontecendo ali, na sua frente. Os dois riam de maneira perversa, debochando de sua feição atônita. O sangue bombeou nos ouvidos, ele estava prestes a perder o controle. Isso talvez tivesse acontecido se a voz distante da garota não o trouxesse a realidade.

— Ben.

Kylo piscou com força, inspirou o ar para dentro dos pulmões, exalou devagar. A sala voltou a entrar em foco e Rey o encarava com um misto de cautela e temor.

— O que?

— Precisamos continuar. – sua voz tremeu.

Levou alguns segundos para ele entender o que aquela sentença significava. Por um momento, foi obrigado a buscar na memória o que realmente estavam fazendo ali. Quando finalmente se lembrou, apertou os lábios de maneira nervosa e assentiu. Devagar, os dois guiaram a pedra para dentro da empunhadura recém construída e a encaixaram na câmara interna. Uma vez ali dentro, ouviu-se um “click” das engrenagens selando e então os pensamentos ruins cessaram.

Entretanto, ainda havia aquela sensação de um punho pressionando suas costas. A energia escura do cristal era muito forte.

— Bom... Teste-a. – a Jedi incentivou, levantando do chão e cruzando os braços a frente do peito. Parecia um pouco desconcertada.

Ele ergueu a longa empunhadura, apontou-a para o lado e a ativou. Uma lâmina meio chata, no formato de uma katana, surgiu de sua base e brilhou no ar com um chiado ininterrupto. Era escura como o céu sem estrelas e emanava uma energia quase elétrica pelo local.

— Nós conseguimos. – ele murmurou com fascínio, como se pensassem em voz alta. Fez alguns movimentos com o sabre e o desativou em seguida, oferecendo a garota. – Experimente.

Rey hesitou um instante. Não gostava daquela arma. Ainda assim, continuava sendo a chave para libertá-los do domínio da Primeira Ordem. A apanhou, deu alguns passos para trás, ativou e a girou ao redor do corpo. Apesar do peso reforçado no punho, era incrivelmente leve e cortava o ar com rapidez. Seu equilíbrio era perfeito, a aerodinâmica do feixe de luz tornava o manuseio mortal. A Jedi o desligou e devolveu cuidadosamente à mesa, como se pudesse explodir a qualquer instante. Voltou a atenção ao cavaleiro.

— Certo. E agora?

— Precisamos aguardar que Hux seja enviado para uma missão com as tropas. – ele fitou a arma, pensativo. — Tem de ser no momento certo, quando estivermos sozinhos com ele na sala do trono.

— Estou com um mau pressentimento. Esse silêncio... Tenho a sensação de que ele sabe o que estamos fazendo.

— Não se preocupe. Ele não sabe.

— Como pode ter tanta certeza?

Ele se aproximou devagar e pousou sua mão no lado esquerdo de seu rosto, deslizando o polegar pela têmpora em um carinho delicado. Ela suspirou com o toque.

— Porque eu sinto isso. E sei que vamos conseguir. É o nosso destino, Rey.

A garota lhe ofereceu um sorriso fraco, mas mil coisas passavam em sua mente naquele momento. De repente, sentiu medo de fracassar. Forte e pungente como o pulsar daquele cristal. Afinal de contas, eram apenas os dois contra Snoke. A chance de falhar pareceu muito maior que qualquer sombra de sucesso. Antes que pudesse externar seus receios, entretanto, Ben se curvou e tomou seus lábios com ternura. A textura macia deles fez suas pernas amolecerem. Rey o retribuiu acariciando sua nuca e os cabelos espessos, enchendo-os entre os dedos. Sua cabeça foi tomada por uma névoa densa, soprando os pensamentos para longe e trouxe lugar a um formigamento no ventre. Sentir as mãos grandes dele acariciarem gentilmente suas costas enquanto sua língua se enroscava à sua a fez esquecer dos problemas por alguns segundos. A Jedi se afastou um pouco para tomar ar mas Ben parecia disposto a ir adiante, beijando seu pescoço e colo com uma lentidão prazerosa. Apesar da maravilhosa sensação, Rey ainda precisava colocar para fora o que a preocupava.

— Quando conseguirmos mata-lo, vamos ter a Primeira Ordem inteira contra nós. – disse quase sem voz, sentindo o calor dele engolfá-la. Ele parecia mais urgente agora. — Você será taxado de traidor. Hux ainda vai... Vai querer liderar as tropas e continuar.... O que começaram.

— Por isso é importante seguir o plano. – ele falou com rouquidão na curva da sua clavícula, sem dar muita atenção para o diálogo. Apertou-a contra seu corpo, fazendo questão que ela sentisse seu volume sob as calças, e mordiscou o lóbulo da orelha. Rey suspirou. Seu cérebro lutava para focar no problema ao invés das carícias cada vez mais lascivas do cavaleiro. O corpo inteiro reagia como se entrasse em combustão.

— Sobre o plano... – ela começou, mas Ben de repente se ajoelhou a sua frente e começou a depositar selinhos úmidos na parte interna das coxas até sua virilha. Os dedos continuavam a apalpá-la. O shorts pequeno de algodão permitiu que sua sensibilidade não fosse afetada no momento em que Ben encostou os lábios ali, fazendo um pouco de cócegas. – Não sei... — engasgou um pouco- ...Não sei se eu gosto dele....

Ben a ignorou. Abaixou a peça de pijama junto com a calcinha e a fez caminhar de costas até o sofá. A garota caiu sentada e ele jogou as roupas dela em um canto, posicionando-se entre as pernas de Rey. Ela imaginou o que viria a seguir, mas não conseguia acreditar. Era algo ainda mais íntimo que todo o sexo dos últimos dias. Assim, permaneceu inerte, o coração acelerado contra as costelas.

— É um bom plano. – ele respondeu com suavidade, mas sua feição parecia quase predatória. Havia fogo nos olhos, uma antecipação libertina do que faria a seguir. Encaixou os braços sob as coxas dela e apertou seus quadris novamente. O peito dela subia a descia a uma velocidade alarmante.

— Ben, eu...

A Jedi estremeceu quando os lábios dele alcançaram seu objetivo principal. Suas palavras se perderam na garganta. O cavaleiro distribuiu beijos por toda a sua intimidade úmida, provocando arrepios pelo corpo, deliberadamente a provocando. Em seguida se atentou ao ponto mais sensível com uma delicadeza proposital, circulando-a com a língua, lambendo e sugando. Logo a sala se encheu dos gemidos desconexos de Rey. Ela agarrou seus cabelos com uma das mãos e usou os pés para elevar o quadril em direção a sua boca, apreciando o calor molhado que a enlouquecia. Ela não sabia como, mas aquele homem sabia exatamente como lhe deixar a beira do orgasmo em menos de três minutos. Quando o avisou que não aguentaria muito tempo, ele introduziu dois dedos dentro dela enquanto passeava a língua em seu clitóris, e a partir de então não demorou mais do que alguns segundos para que atingisse o ápice do prazer. Os músculos internos apertara os dedos de Ben, que ergueu os olhos para admirá-la morder os lábios e gemer seu nome. Finalmente desmoronou por completo, avistando o que parecia ser uma constelação inteira de estrelas sob as pálpebras fechadas. Naqueles breves instantes, absolutamente nada passou em sua cabeça, e isso foi um alivio para a pressão que vinha testemunhando nas últimas horas.

O cavaleiro se levantou, sentou ao seu lado e beijou sua bochecha. Ela virou o rosto, ainda ofegante, e sorriu para ele. Ao invés de encontrar malícia em sua expressão, viu algo mais complexo, quase reverente. Apaixonado? Talvez. De qualquer forma, a única necessidade que tinha agora era a de retribuir o favor. Tomou seus lábios em um beijo breve, se inclinou para tirar suas calças. Quando ameaçou experimentá-lo, Ben a impediu.

— Quero que sente no meu colo.

Havia certa urgência no olhar dele. Quase como uma necessidade. A garota assentiu e, quando se encaixou por cima do cavaleiro, absorvendo a sensação de ser preenchida até o limite, começou a se mover. Seu baixo ventre queimou, os pelos do corpo se arrepiaram. Mas não havia pressa. Não havia aquela necessidade louca da primeira vez que transaram, um desejo contido de sabe lá quanto tempo. Havia ternura, languidez, paixão. Rey subia e descia morosamente enquanto as mãos de Ben brincavam com seus seios, apertando-os e sugando com a boca. Enquanto comandava o ritmo, ela conseguiu pensar em algo que flutuou até sua mente como uma bolha de sabão. Aquela expressão de prazer e afeto no rosto daquele homem era sua maior satisfação, o bálsamo para suas feridas. Percebeu que unidos eram mais do que fortes; que tornavam-se um só, o equilíbrio perfeito para a galáxia e para si própria também. Rey não estava mais só, e Ben possuía um propósito maior em sua vida de escuridão. Quando o cavaleiro apertou seus quadris para aumentar o ritmo e não se conteve em chegar ao ápice dentro dela, a Jedi pôde apreciar sua reação de forma consciente e deslumbrante. Seu peito aqueceu quando ele estremeceu por inteiro e a abraçou com força, escondendo o rosto em seu abdômen com uma espécie de gemido rouco que escapava do fundo da garganta. Algo quente e denso inundou seu interior, causando-lhe calafrios bons, e aquilo nunca pareceu tão certo. Os dois permaneceram ali, imóveis, abraçados um ao outro enquanto recuperavam o fôlego. A garota acompanhou uma gota de suor deslizar do seu pescoço até a coluna marcada por cicatrizes, exibindo um sorriso bobo no rosto, acariciando seus cabelos escuros entre os dedos. Então isso era fazer amor? Ela tinha certeza que sim. Era diferente do que vinham experimentando nos últimos dias; mais íntimo, mais acalentador, mais profundo. De repente, ouviu a voz abafada do cavaleiro vibrar contra sua pele.

— Eu te amo.

Houve uma pausa. Seu queixo caiu um pouco. Ela tentava medir o peso daquelas palavras, mas parecia impossível. Era forte demais, profundo demais, inesperado demais. Antes que pudesse refrear as palavras, elas saíram de seus lábios.

— Eu sei.

XXX

Snoke dispensou os cavaleiros convocados até sua sala e chamou por Hux. O oficial de cabelos perfeitamente penteados para trás franziu as sobrancelhas quando aquelas duas pessoas em particular passaram por ele no corredor, cochichando entre si e sumindo no elevador. Atípico, mas curioso. Passou pelos guardas, parou no centro do saguão e aguardou com as mãos para trás, tomando sua postura formal. O ancião tamborilou os dedos sobre o braço de seu assento, pensativo, e por fim falou.

— Está na hora de agir. — Houve uma pausa. O general assentiu, embora as dúvidas se engalfinhassem em sua cabeça como fios sem ponta. Sentindo sua dualidade, o líder supremo complementou. – Mas antes diga o que o perturba, general.

Ele engoliu em seco.

— Não entendi muito bem o motivo dessa inércia. Nossas tropas estão a quase quinze dias sem missões. Os rebeldes devem ter aproveitado esse tempo para se reerguer, quando na verdade poderíamos ter partido em busca deles e exterminado o que havia restado da batalha.

— Ah, sim. Eles com certeza estão se reerguendo. Mas a guerra, general, é como uma partida de xadrez. Às vezes você precisa sacrificar uma peça para ganhar o jogo.

— Compreendo, mas...

— Não vou lhe fornecer detalhes das minhas atitudes. — o cortou com rispidez. — Só quero que saiba que esse período de calmaria me serviu muito bem. Hoje, finalmente, aconteceu o que eu estava ansiosamente esperando, e bem antes que o previsto. – o ser abriu um sorriso dissimulado, aumentando o vinco entre as sobrancelhas do ruivo. – Não se preocupe com a resistência. A destruiremos em pouco tempo. O que eu quero de você agora é que reúna uma tropa e vá até Dorlo, na Orla Exterior. Alguns espiões me contaram que estão recrutando pessoas de lá para se juntar a causa dos rebeldes, então eu quero que acabe com isso. Desencoraje aqueles moribundos, nem que seja preciso destruir metade do planeta para tal. Leve Phasma com você. Farei um pronunciamento oficial ao meio-dia, preciso que compareça e parta logo em seguida.

— Sim, senhor.

Hux marchou para fora da sala do trono bastante satisfeito. Finalmente voltaria ao campo de batalha e, aparentemente, Kylo estava fora dos planos. Um pressentimento bom lhe arrepiou a espinha. Sua sorte parecia prestes a mudar.

XXX

— O que você quer fazer quando tudo isso acabar?

Rey cortou o silêncio com uma voz distante, quase sonhadora. Ben, que estava prestes a cochilar com a cabeça no seu colo, abriu os olhos. Piscou algumas vezes e a respondeu.

— Como assim?

— Quando a guerra acabar. Quando vencermos. – continuou sem fita-lo, ainda acariciando o couro cabeludo com os dedos. O sofá parecia pequeno demais para o cavaleiro deitado nele, suas pernas longas pendiam para fora, suspensas no ar. – Você tem algum plano em mente?

Ele refletiu por alguns instantes. Para sua surpresa, a resposta era não. A única coisa da qual ele tinha obsessão era no presente, em se vingar de Snoke e se tornar o líder da Confederação Galáctica. Então, pela primeira vez, permitiu que sua mente divagasse. Deixou que o coração falasse mais alto que a consciência e viu com clareza o que desejava, bem no fundo de sua alma. Suas palavras saíram naturalmente, sem qualquer grau de receio ou hesitação.

— Primeiro, pretendo pedir sua mão. — A Jedi interrompeu o afago. De repente, seu corpo inteiro endureceu, um balão pareceu crescer no estômago. – Depois vamos pedir a benção de Leia. Tenho certeza de que ela vai adorar isso.

Rey se permitiu sorrir, apesar da paralisia momentânea. Aquilo soava surreal aos seus ouvidos. Não sabia ao certo o que pensar, mas permitiu se livrar das correntes do bom senso por alguns instantes. Seus olhos queimaram, ela relaxou e voltou a acariciar os fios escuros dele. A imagem da General atônita e em seguida resplandecente de alegria se formou em sua mente. Parecia loucura, mas não era exatamente uma má ideia.

— Se você aceitar... – ele continuou, a voz suave como o quebrar das ondas na praia. – Vamos celebrar em Coruscant.

— Por que em Coruscant?

— Foi onde Leia e Han Solo se casaram.

Um nó se formou em sua garganta. Pensou em dizer algo, mas temeu que pudesse chorar se tentasse. Era difícil entender o que sentia naquele momento – alegria, tristeza, surpresa, incredulidade... Talvez tudo ao mesmo tempo. Recebendo seu silêncio, ele continuou.

— Podemos enfeitar o altar com rosas....

— Plumérias. – Rey a cortou, de repente, com a voz tremida. Ele ergueu os olhos para fita-la, a sombra de um sorriso brincando nos lábios. A Jedi se explicou em seguida. – Eu gosto mais de Plumérias. Tem algumas no seu jardim, Arista me ensinou o nome delas.

— Certo... Plumérias. E depois podemos passar a lua-de-mel em Hoth. Sei que você gosta de paisagens naturais. Lá tem cachoeiras e todo tipo de plantas e animais...

— Nenhum muito perigoso, eu espero.

— Acredito que não. Mas só indo até lá pra saber.

Os dois riram. O sorriso da garota esvaneceu com certa rapidez, o que não passou despercebido por Ben.

— Algum problema?

— Isso parece perfeito. Como um conto de fadas que as mães leem para os filhos, com aqueles finais felizes.

— E você acha que não é possível. – não foi uma pergunta.

— Fico tentando me convencer que sim. Mas as vezes eu.... Sei lá, parece uma utopia. Agora tudo está bem, mas amanhã pode dar tudo errado. A probabilidade de acabar mal é bem grande, na verdade.

Ele suspirou. Sentou ao seu lado, pousou a mão na dela e a fitou no fundo dos olhos.

— Está tudo planejado. Nada vai dar errado. E se você não tem certeza de que o que está fazendo é certo, analise seu coração. O que você sente?

A garota hesitou um momento. Respirou fundo e não conseguiu controlar o timbre trêmulo da voz quando falou.

— Sinto que estou me apaixonando por você. Profunda e irreversivelmente. E isso me assusta, muito...

Aquela resposta pareceu aliviar um pouco a tensão nos ombros dele. Ben sorriu por um momento, satisfeito.

— Assusta a mim também. Mas isso é uma coisa boa. Estamos felizes, temos um futuro inteiro pela frente.

— As pessoas vão saber que somos a fraqueza um do outro.

— E daí? Você e eu sabemos muito bem nos defender. Além disso, eu mato a pessoa que tentar te machucar.

— Ben!

— É a verdade. Sabe que sou sincero. Snoke logo irá pagar pelo que fez, também.

Por um momento, uma aura escura surgiu ao seu redor, como uma nuvem tempestuosa que obliqua a luz do sol. Ela podia sentir sua cólera afligindo-lhe os nervos.

— Então me ajude a parar de duvidar, Ben Solo. Por favor. – a garota se inclinou em sua direção, súplice; olhos marejados. – Me diga não vai me trair quando matarmos Snoke. Que não vai decidir se rebelar no momento decisivo, destruindo tudo que conhecemos. Que vai ficar do lado da resistência. Diga isso olhando nos meus olhos.

Houve um momento de silêncio. Ben se remexeu no sofá, desconfortável, recebendo o brilho esperançoso das íris cor de avelã de Rey como se pudessem ler sua alma e segredos mais ocultos. Uma turbulência de sentimentos se atropelou em seu peito, apesar da máscara de neutralidade no rosto. Por fim, ele apertou mão com gentileza.

— Eu prometo. Prometo, Rey, que vamos sair desse lugar, que vamos trazer a paz de volta a galáxia, que eu não vou trai-la. Tem a minha palavra.

Ela o analisou um momento. Perscrutou cada micro expressão facial, as pupilas dilatadas, a respiração tranquila; ele parecia estar sendo sincero. Apesar daquele medo ainda estar presente em seu coração, foi atenuado o suficiente para deixar essa questão de lado. Ela encolheu os ombros com um suspiro e aquiesceu.

— Talvez possamos escolher um lugar com mais civilização que Hoth. Um hotel com banheira de hidromassagem não me faria mal.

Ele riu, se inclinou e beijo sua testa. Parecia loucura concordar com aquilo – se conheciam a meses, mas aprenderam a ser um casal em menos de duas semanas. Mesmo assim, pareceu algo certo, quase predestinado. Pensar em um final feliz trazia uma sensação boa de controle e esperança.

Mas a sensação boa não durou muito tempo. Seus pensamentos foram cortados por uma sirene ecoando ao lado de fora. Um alerta para anunciar algo nas caixas de som espalhadas pelos postes de luz da cidade. Os dois imediatamente entraram em estado de alerta e apuraram os ouvidos.

“Atenção, cidadãos de Hanoon. Supremo Líder Snoke os convida para uma conferência que trará notícias externas e comunicados importantes. Caso estejam impossibilitados de comparecer à praça principal, todas as frequências estarão transmitindo ao vivo em trinta minutos. Agradecemos a atenção.”

Eles trocaram olhares suspeitos. Rey perguntou algo que já sabia a resposta.

— Você sabia de alguma coisa a respeito?

— Não.

— Então é mau sinal.

— Talvez. Vamos ligar o rádio.

XXX

A legião de stormtroopers enfeitava a praça principal da cidade como flocos de neve. Deathtroopers de armadura negra se posicionavam com blasters um pouco atrás. O sol fazia reflexo na armadura cromada de Phasma enquanto Hux mantinha sua postura inabalável no palanque principal, em frente a bandeira vermelha da Primeira Ordem. Quem ouvia de casa não poderia ver o cenário, mas dava para imaginar com precisão a posição de cada um. Primeiro, o General leu alguns relatórios sobre a situação atual das confederações mais próximas, incluindo números de planetas conquistados e de cidades convertidas ao governo da Primeira Ordem. Ouvir aqueles dados alarmantes fez o estômago de Rey afundar como uma rocha no mar – a sensação de ser um camundongo preso em uma ratoeira voltou a assolá-la. Ben não denotou reação alguma, mas estava bastante sério. A voz de Snoke surgiu logo em seguida, fria como de costume.

“Boa tarde a todos. É um prazer finalmente revê-los após essas duas semanas de reclusão. Imagino que tenham se perguntado, nesses quinze dias, o que nosso silêncio significa, e eu vou ser bastante direto com vocês, meus leais súditos.” Fez uma pausa que Rey considerou dramática e então continuou. “Não há motivos para alarde ou temor. A verdade é que todos precisamos de descanso em algum momento. Principalmente em meio a uma guerra, onde é muito importante retomar as forças e nos reagrupar para que vidas sejam poupadas. E foi exatamente isso que fizemos – nossos soldados recarregaram sua energia, nossos oficiais clarearam a mente e agora estamos prontos para voltar ao campo de batalha.” Mais um momento de silêncio. “Nossos dados não mentem. A Primeira Ordem já estabeleceu raízes bem firmes por toda a galáxia, e resta apenas algumas semanas para que essa expansão termine. Tenho orgulho de afirmar para todos que nunca houve tamanha paz no universo.”

Rey soltou uma espécie de muxoxo debochado. Ben não movia um músculo sequer, perdido em seus próprios pensamentos, olhos vidrados no aparelho da sala. Por toda a galáxia, a mesma transmissão passava nas casas e hologramas das cidades, paralisando as pessoas de seus afazeres.

“A guerra, infelizmente, é um mal necessário. Precisamos ter em mente que é tudo para um bem maior, e me alegra informar que os rebeles estão quase inexistentes. A Resistência se tornou uma porção de meia dúzia de almas sem qualquer força ou sombra de ameaça. Fracassaram junto com seus falsos ideais.” Um chiado estranho estalou no rádio. Ben deu um tapa na caixa de madeira e ela pareceu voltar ao normal. “Ainda assim, meus amigos, é de meu conhecimento que ainda existam algumas pessoas solidárias à causa. Seres dispersos que ignoram a queda incontestável da república, que cochicham pelos cantos para, ingenuamente, duvidar desse período glorioso. E eu não as culpo. Tememos aquilo que não conhecemos; é de nossa natureza. Mas para essas pessoas, eu vos digo: pensem em seus futuros. Em seus pais, seus filhos, seus maridos e esposas. Reflitam sobre sua qualidade de vida, sua segurança. Os índices de criminalidade continuam despencando,” Mais um ruído. Desta vez se prolongou por uns três segundos e parou soziho. “...Suas crianças podem ir para a escola sem medo, o mercado negro está deixando de existir. Finalmente temos uma fundação sólida que trouxe ordem e paz a galáxia. Pensem nisso antes de...” Mais uma vez as palavras se perderam numa espécie de estática incômoda. Rey bufou impaciente e se virou para Ben.

— A Primeira Ordem não é capaz nem de dar pra você um rádio que presta?!

— O problema não está no aparelho. – um vinco havia se formado entre suas sobrancelhas, ele parecia alerta. Rey começou a sentir uma tensão esquisita no ar.

“...E agora o General Hux irá realizar uma excursão a alguns planetas da Orla Exterior para me passar pessoalmente relatórios e tomar medidas cabíveis. Mas vo -, ci — dãos de b-, nada tem-” As sílabas começaram a ser cortadas, o ruído se intensificou, estava difícil entender o que se dizia. “O futuro nos –guar- de b-os abertos” Com um estralo final, a estação pareceu ser completamente cortada e levou cinco segundos para estabilizar. Por fim, quando retornou, não foi a voz de Snoke que surgiu no rádio.

“Boa tarde. Aqui é a General Leia Organa, falando diretamente da base principal da Resistência.”

A Jedi deu um pulo no sofá, seus olhos quase saltando das orbes. O coração de repente sentiu a necessidade de bombear mais sangue em suas veias, acelerando no peito. Ben enrijeceu, atônito, sentindo a boca secar.

“Temos pouco tempo de transmissão então serei breve. Temos sido taxados de criminosos, pessoas que desejam desestabilizar uma suposta ordem na galáxia. Mas não somos isso. Estamos lutando pelo povo. Lutando por você. Lembro-me de um tempo em que as coisas eram melhores. Quando não precisávamos enfrentar uma guerra que custa a vida de milhares de inocentes por dia, onde podíamos expressar nossas opiniões e não éramos subjugados por alguém que se julga superior.” Rey arriscou espiar a expressão de Ben ao seu lado. Parecia vazia, mas ela podia sentir a turbulência de emoções brigando em seu peito ao ouvir a voz de sua mãe depois de tanto tempo. “Parem para pensar em tudo que a Primeira Ordem causou a sua vida, a sua família, a sua liberdade. O pior ainda está por vir. A não ser que fiquemos de pé e lutemos contra isso. Não será fácil, haverá perdas, sacrifício, mas não podemos recuar porque estamos com medo. Esse é o momento de agirmos. Fiquem fortes, juntos. Como um só povo. Saibam que terão nosso apoio para o que precisarem, e no final, tudo isso terá valido a pena.”

Houve um pausa breve, então uma voz masculina e cansada surgiu em seguida.

“Luke Skywalker falando. Eu gostaria apenas de dizer que, para aqueles a quem eu feri ou decepcionei”, Ben de repente trincou o maxilar, consumido novamente pela aura obscura obstruindo sua luz. “Peço que me perdoe, por favor. Farei o sacrifício que for preciso para tentar me redimir e tornar as coisas certas novamente. E para os que aguardam por mim, saibam que estarei em seu auxílio quando menos esperarem. Que a Força esteja com cada um de vocês.”

Fim da transmissão.

Houve um silêncio sepulcral que recaiu sobre a cidade. Provavelmente, por todas as cidades das confederações também. Rey cobriu a boca com uma das mãos, uma única lágrima de alegria deslizando por seu rosto. Eles estavam bem e – pasmem! – tinham conseguido hackear uma das torres de rádio da Primeira Ordem! Isso só podia significar bons presságios. De alguma forma, haviam prevalecido. A fagulha de esperança quase apagada do peito da Jedi se ascendeu em uma chama tremeluzente, aquecendo-a por dentro. “Os que aguardam por mim”, isso com certeza também se referia a ela. Saltou do sofá em um pulo, passando as mãos pelos cabelos enquanto digeria aquilo tudo com uma euforia explodindo como fogos de artifício em seu peito.

— Eles conseguiram... – murmurou, agora atendando-se a Ben. Ele continuava imóvel, fitando um ponto qualquer do tapete de maneira reflexiva. – Ben, eles conseguiram! Vamos ganhar essa guerra! Por que você não está feliz?!

— A Resistência, de alguma forma, interferiu na transmissão de Snoke. Ótimo. – também se levantou, o semblante sério. – Conseguiram deixa-lo bastante irritado. Provavelmente estão escondidos em alguma toca no fim da Orla Exterior, sem forças para fazer algo além de hackear uma torre de transmissão, e agora ele provavalmente vai descobrir a origem do sinal.

— Que está dizendo?! Parece até que não percebe o que os rebeles conquistaram hoje! Sua mãe está fazendo o que faz de melhor! Levar esperança para o povo. Podemos ter o apoio de milhares de pessoas agora.

— Sim, isso é lindo, mas precisamos tomar cuidado e ver como isso vai se desenrolar. Sem comemorações precipitadas.

— Você é um pessimista de aura escura e triste. – a Jedi cuspiu com uma careta de rancor se que pudesse se controlar. Kylo não se abalou, já havia se habituado a sua impetuosidade.

— Eu sou apenas realista.

— Que seja. – espalmou as mãos, irritada, então algo surgiu em sua mente em meio ao redemoinho de pensamentos. – Com quem será que Luke estava falando, quando mencionou aquilo sobre ter desapontado alguém?

— Comigo. — Ela arqueou uma sobrancelha, confusa. Ben pareceu sadicamente surpreso. – Ah, ele nunca te contou, não é?

— Me contou o que?

— Quando eu era só um aluno em sua academia, ele – Mas se calou em seguida, um calafrio percorrendo sua espinha. Seu olhar se perdeu no horizonte e Rey soube do que se tratava. – Snoke me quer em sua sala agora. Parece furioso.

— Que bom.

— Guarde o sabre com você, fique preparada.

— Espera, vamos botar o plano em prática?

— Dependendo do que acontecer, sim. Não se preocupe, eu a avisarei.

Rey assentiu com a respiração acelerada e, antes de correr para se trocar no quarto, sentiu a mão do cavaleiro envolver seu pulso com delicadeza. Quando se virou, ele estava a um palmo de distância e sua expressão era terna.

— Tome cuidado.

— Você também.

Separar-se dela foi difícil. As duas semanas ao seu lado criaram uma espécie de vício – uma necessidade de estar sempre perto, ao alcance do toque. Especialmente porque, sob seus olhos, Rey não corria perigo. Apesar dessa estranha sensação de vazio, o dever o chamava. Kylo Ren calçou as botas e saiu apressado do Castelo-Forte, distraído em seus próprios problemas. Ele não reparou uma figura escondida entre os arbustos quando ligou o speeder e partiu em direção ao centro da cidade, tampouco sentiu sua presença. A cabeça do cavaleiro estava desajustada demais para reparar em algo tão sutil.

A tempestade havia acabado de começar.