Equilibrium

25 A Guerra - Parte 1


Notas iniciais
Estive em hiatus, peço desculpas pela demora absurda, mas quero terminar a fic antes do último filme e espero que vocês gostem do final

Uma a uma, sete naves se materializaram no manto infinito de estrelas com imponência. Entre caças e destroyers, um colossal cruzador encabeçava a frota, deslizando em silêncio rumo ao seu alvo. General Hux trocava algumas informações táticas com Phasma na cabine enquanto Kylo Ren observava o planeta de cores terrosas se aproximar através do capacete remendado. Lok era mais um lugar esquecido nas fronteiras da Orla Exterior, outrora movimentado pelo mercado negro e agora tecnicamente inabitado após o controle rigoroso da Primera Ordem. De acordo com as coordenadas fornecidas no painel, era ali que a Resistência se escondia. Se estivessem certos, o ataque seria rápido e certeiro, e logo poderiam voltar para casa.
E era isso o que Ren mais queria.
As últimas palavras de Rey ecoavam em sua cabeça e perfuravam seu coração como agulhas em brasa. O olhar vazio da Jedi sobre si doeu muito mais do que ser atingido por um de seus golpes de sabre. Sentia-se injustiçado e desesperadamente ansioso para voltar e explicar que fora obrigado a tomar aquela atitude de última hora. O que mais poderia fazer? Jamais imaginou que o trooper exilado fosse surgir dessa forma em Hanoon. Por mais que tentasse refrear a raiva, ela se alastrava por suas veias como veneno, trazendo toda aquela escuridão de volta e lhe dando a certeza de algo que o perseguia por toda a vida: Por mais que tentasse fazer a coisa certa, nada de bom voltava para si. Toda e qualquer fagulha de alegria sempre lhe era tomada á força. Parecia não ter direito à paz.
Sua autopiedade também o irritava, e isso se transformava em um clico vicioso quase impossível de sair.
E ainda havia a hipótese de traição. Ele precisava averiguar se Lyra tinha dito a verdade. Se Rey estava realmente cogitando ir embora com Finn. A mera hipótese fez seu peito apertar. Depois de tudo que viveram juntos, será que a garota ainda poderia trai-lo? Por mais que tentasse convencer a si mesmo de que isso não era possível, parte de si ainda desconfiava.
Tinham que terminar logo com essa missão.
— Vamos atacar com força total. Sem prisioneiros. – a voz autoritária de Hux cortou seus pensamentos. Kylo nada disse, então o General continuou, com uma centelha de impaciência. – Há algo errado?
Ele não se referia aos sentimentos do cavaleiro, obviamente, mas sim à missão.
— Não estou sentindo a presença de nada vivo lá em baixo. – Nem de Leia, ele pensou, mas não disse a última parte.
— Talvez seus poderes estejam falhando...
— A Força não falha. – Kylo o cortou com frieza. – Deve ser uma armadilha.
O homem de cabelos ruivos impecavelmente penteados para trás suspirou incomodado e se virou para uma das tripulantes fardadas.
— Comandante Liz, envie um droid de reconhecimento até lá em baixo. Aguardem meu comando para avançar.
— Sim, General.
Enquanto o pequeno robô era expelido pelo cruzador e adentrava com velocidade o campo magnético do planeta, Hux olhou de esguelha para o cavaleiro imóvel, pronto para provocá-lo um pouco mais.
— Eu espero que seus laços sanguíneos não o impeçam de cumprir seu dever.
— Eu farei a missão conforme ordenado pelo Supremo Líder. – respondeu sem nenhuma emoção na voz.
— Mesmo que isso vá de encontro aos interesses da sucateira?
— Sim.
O general franziu as sobrancelhas. Estava pronto para receber uma resposta ácida, ou uma ameaça, mas ela não veio. Hux já havia presenciado muitas atitudes e posturas vindas do pupilo de Snoke, mas era a primeira vez que presenciava desinteresse e uma certa submissão. Por mais que quisesse lhe fazer mais perguntas, desistiu disso por enquanto e foi até o painel para conferir os dados do droid.
Aparentemente, não havia formas de vida. Apenas uma energia quente, provavelmente originária dos vulcões ativos. O general esperou mais alguns minutos e, pelas expressões do seu rosto, o resultado continuava o mesmo. Irritado, virou-se para a tripulação e começou a dar novas ordens.
— Preparem uma nave. Vou até lá para me certificar de que –
Mas a frase nunca foi terminada. Aconteceu em menos de um segundo. Uma luz ofuscante iluminou a cabine, inundando tudo de branco e veremelho, fazendo com que um silêncio sepulcral acometessem a todos. Logo em seguida, veio um impacto. Tão forte e repentino que nem mesmo Kylo teve tempo de usar a Força para se segurar. Pessoas foram arremessadas umas às outras junto a pedaços do interior da nave, o cavaleiro sentiu impacto objetos contra seu corpo e não tinha mais noção do que era cima ou baixo. O mundo pareceu girar em um apocalipse confuso pelo que pareceu uma eternidade até que finalmente parou . O baque o fez perder o fôlego e, logo após perceber algo quente escorrendo pelo rosto e uma dor aguda no topo da cabeça, tudo se apagou.
Seu subconsciente, entretanto, continuou completamente desperto. E alguma parte de si sabia que não estava morto por causa disso, mas não o suficiente para fazê-lo distinguir realidade de sonho. Viu-se sentado em uma grande raíz de castanheira, olhano para as próprias mãos trêmulas. O sentimento de incredulidade e horror que havia em seu peito parecia estar instalado ali a algum tempo, mesmo não se lembrando a primeira instância o motivo. Uma dor aguda em sua cabeça o atrapalhava de pensar. Sentia o cheiro do capim molhado, da madeira, do salgado das lágrimas sobre o rosto.
E de repente, a lembrança do motivo de estar ali, angustiado, o assolou como uma avalanche: Luke tinha tentado matá-lo.
Será que ele havia sonhado?! Porque parecia mentira. Um pesadelo muito ruim, algo surreal. Mas sua negação não era forte o suficiente para plantar memórias falsas. Infelizmente aconteceu. O tio tentou pedir desculpas, tentou chamá-lo para conversar, mas Ben o confrontou, depois fugiu e correu por alguns minutos até chegar ali. Sentou-se, em choque, até entender o que tinha acontecido, ou até desobrir o que faria a seguir, e suas pernas chegaram a adormecer.
Aquela tinha sido sua casa desde sempre. Por mais que tivesse apenas um ou dois amigos, por mais que odiasse seus pais por tê-lo abandonado ali, ainda sim era um lar. Gostava do treinamento e de descobrir seus poderes. Gostava da rotina. Dos livros. Da natureza. E, de uma forma bizarra, gostava de Luke.
A fúria aqueceu seu corpo e o fez morder os lábios. Como pôde gostar e se deixar levar por um assassino, um traidor?! Era isso que significava ser um Jedi, pregar o bem e fazer o mal?! O que faria agora?
Sentia-se confuso, triste, sozinho e furioso. Apesar de tudo ao seu redor não parecer tão nítido, suas sensações eram bem vívidas. Continuaria em seu duelo interno até que algo tirou sua atenção. Ouviu algo indistinto tomar forma com o tempo, até se tonrar uma voz distante, uma voz feminina, ecoando em seus ouvidos. Chamava por seu nome.
— Ben! Ben!
Ele olhou confuso para a origem da voz e viu uma garota loura, com o rosto e roupas sujas de fuligem, correndo em sua direção pelo declive que separava a academia de Luke da clareira onde ele estava. Atrás dela, a muitos metros de distância, havia fumaça escura subindo até as estrelas. Ele imediatamente se pôs de pé e franziu as sobrancelhas.
Agitava os braços como se sua vida dependesse disso. Ele continuou paralisado, tentando entender. Quando ela o alcançou, agarrou seu braço e tentou puxá-lo em direção á floresta.
— Lyra, pára! O que está acontecendo?!
— A academia do Luke! Estão atacando ela, precisamos fugir!
— O que... ? Quem?!
— Não sei! Por favor, temos que ir embora! Por favor, Ben, vem comigo!
Ele olhou para a fumaça e não pensou duas vezes. Saiu correndo em direção a academia. Não conseguia acreditar que era verdade. Ignorou os gritos desesperados de protesto da amiga e avançou intrépido até alcançar os muros que cercavam as instalações de Luke. Parou abruptamente e arregalou os olhos, em choque.
Era verdade. O local estava o mais puro caos. O fogo havia se alastrado por todo o interior da academia e alguns alunos corriam em desespero por todos os lados. Alguns colegas já mortos no chão, chamuscados ou inertes sobre poças de sangue. Sentiu vontade de vomitar. Seu coração torceu dentro do peito com uma cena que jamais desapareceria de sua memória. E, em meio a toda aquela fumaça, viu seu tio lutando com alguém que parecia o dobro do tamanho e carregava um bastão resistente à lâmina do sabre jedi. Reconheceu outros iguais, com armaduras e capacetes de diferentes formatos, como cavaleiros da idade média. Quando um deles o avistou e se precipitou em sua direção, viu o feiche de luz verde de Luke atravessá-lo e o corpo sem vida do invasor cair com um baque no chão. Os olhos azuis do seu antigo mestre lhe fitaram cheios de culpa e pesar. Não ouviu o que ele disse, mas leu seus lábios: corra.
Ben só conseguiu se mover porque Lyra voltou para lhe puxar de volta à floresta, implorando para que ele lhe acompanhasse. Não havia como ajudar. Deu as costas uma última vez para a escola do tio e correu junto à Lyra pelos campos verdejantes sob uma noite que, não fosse pelos recentes acontecimentos, seria bonita e estrelada.
Suas pernas começaram a ficar dormentes. Alguns pontos da paisagem eram completamente escuros – não por causa da ausência do sol, mas simplesmente pela ausência de coisas, como se um buraco negro tivesse sugado a grama, o céu e as árvores daquele local. Ou como se fossem furos de sua memória. Ele disse algo para Lyra, mas sua voz saiu como um ruído sem sentido, apesar de ela assentir como se entendesse. Os sons, cheiros e toques foram ficando distantes. Mas a dor em sua cabeça foi aumentando até um ponto em que teve vontade de vomitar. Tudo ficou escuro e seu corpo, agora adulto e machucado, ficou evidente em sua consciência.
Ele não conseguia se mover. Abriu os olhos, mas estava em completa escuridão. Levou alguns minutos para entender que estava preso entre as ferragens da nave. Sentiu um fio quente e denso escorrer até o queixo, o cheiro de ferro invadindo suas narinas. A adrenalina jorrou forte através das suas veias e Kylo se viu finalmente alerta. Cada músculo do corpo doía e protestava, mas ainda não dava para saber se havia algum ferimento muito grave. Primeiro precisava sair dali.
Ouviu uma sirene de emergência ao longe e foi isso que o motivou a se concentrar. Respirou fundo, condensou o poder para as pontas dos dedos. As ferragens estremeceram, rangeram e subitamente foram arremessadas para longe, trazendo finalmente luz para seus olhos. Seu primeiro instinto foi tirar o capacete, rachado em vários pontos, para respirar melhor. Viu o teto da nave, fuligem e pó flutuando pelos ares. Levou mais tempo que o planejado para se sentar e olhar ao redor.
Havia corpos e destruição por todos os lados. Todos os oficiais que outrora estiveram nos bancos de comando estavam mortos. O bico de um dos caças havia perfurado a cabine e lançado tudo pelos ares, mas ainda assim bloqueava o buraco na carcaça e impedia que quem estivesse dentro fosse expelido para o universo congelante.
A sirene lançava luzes vermelhas na escuridão do cruzador, lançando um ar fantasmagórico para as figuras sem vida pelo chão. O cavaleiro finalmente se levantou, cambaleante, e caminhou entre as ferragens para tentar encontrar alguém com vida. Viu alguém tão alto quanto ele surgindo da fumaça e vindo ao seu encontro. A armadura cromada e coberta de pó revelou ser da Capitã Phasma.
— Alguma ideia do que possa ter sido isso? – Ren perguntou, atordoado, afastando o sangue de um dos olhos.
— Pela força do impacto, uma bomba muito grande. – ela parecia ofegante.
— Aonde está o General?
Ela virou o rosto coberto pelo capacete para a esquerda, na altura do chão. Kylo acompanhou o movimento e então o viu sentado, apoiando as costas contra uma das mesas de reunião, os olhos vidrados e fixos em um ponto qualquer da nave. Uma das ferragens do painel de controle estava atravessada no coração de Hux, cuja palidez agora provinha da falta de vida. O cavaleiro lhe deu as costas, inabalável, e tentou utilizar o comunicador – apenas chiados, como previsto. Nada restou do painel de controle. Ele soou costumeiramente frio quando se virou para a capitã novamente.
— A nave parece estar à deriva. Vou tentar ver o que houve com a frota. Enquanto isso, verifique se há sobreviventes por aqui e os reúna na sala de reuniões.
— Sim, senhor.
Ela saiu por uma porta de metal em busca dos soldados. Kylo Ren espiou por uma das pequenas janelas trincadas do cruzador. Viu apenas resquícios das outras naves futuando como lixo intergaláctico congelado. Estavam girando devagar, sem rumo pelo espaço. O que quer que fosse a bomba, era forte o suficiente para acabar com uma frota inteira, e agora deveria agir rápido antes que alguém da Resistência viesse recolher os espólios. Voltou sua atenção para o interior do cruzador e, ignorando as dores que o assolavam, caminhou em direção à base de escotilhas para verificar o prejuízo. Se os pequenos transportadores de emergência estivessem danificados, teriam um grande problema.
Encontrou algumas poucas pessoas vivas pelos corredores e salas – alguns muito feridos, outros nem tanto. Deu a ordem de reagrupamento e continuou analisando os estragos. Fios estavam caídos pelo caminho, estalando e lançando faíscas. Quando finalmente chegou à ala de escotilhas, verificou se ainda estavam em bom estado – para sua sorte, oito delas ainda funcionavam. Ao menos não morreriam à deriva. Pronto para voltar e avisar os sobreviventes, algo fez a nave estremecer e ser lentamente puxada.
Kylo correu o caminho de volta, desviando dos destroços e encolerizado pela enxaqueca que agora o assolava. Quando chegou à sala de reuniões, havia umas doze pessoas ali, reunidas em frente ás amplas janelas que davam vista para o céu estrelado, começando uma especie de burburinho urgente.
— O que está havendo lá fora?
— Você precisa ver isso. – A voz da capitã Phasma pareceu pela primeira vez estremecer sob a armadura. – Lek era a bomba...
Ela apontou para o motivo de estarem se movendo novamente. No primeiro momento não conseguiu ver nada de diferente. Mas então, no ponto em que outrora estivera o planeta, enxergou aquela mesma escuridão pontual dos seus sonhos. Não algo normal pontilhado de estrelas, mas sim uma ausência de luz, de vida, de matéria. Um buraco negro. E estavam sendo puxados direto para lá.
— Todos para as escotilhas –
O cavaleiro terminaria a sentença com “atrás de mim e da Capitã Phasma”, mas as pessoas não esperaram nem mais um segundo. Correram em debandada, já que o medo de serem puxadas para o vazio do desconhecido era ainda maior que enfrentar a cólera de Kylo Ren. O cavaleiro bufou e os seguiu depressa ao lado de Phasma, que a passos largos já era veloz o suficiente. Os sobreviventes se atropelavam para embarcar nas pequenas naves de fuga, que comportavam duas pessoas por vez, e com um grito furioso do cavaleiro elas se acalmaram para se acomodar com decência. Mais do que depressa, tomou seu lugar, atrelou o cinto e acionou os comandos automáticos do transporte apertado. Viu Phasma sofrer para caber na cabine e se lançar para fora do cruzador junto aos poucos soldados que restaram.
O cavaleiro fez o mesmo. Viu as estrelas girarem por um momento até que a escotilha se estabilizasse e partisse em direção a Hanoon. A força do buraco negro fazia com que avançassem em uma lentidão perigosa e angustiante – por um momento, pensou que estava completamente parado no ar. Apesar disso, o tamanho reduzido os impulsionou para a frente e cada vez mais longe da ameaça. Quanto ao cruzador, este foi engolido para o vazio infinito.
Antes de entrar na velocidade da luz e cochilar com o cansaço físico, Kylo pensou uma última vez em Rey. Não sabia o que iria encontrar quando chegasse em Hanoon, mas com certeza a Resistência não dava pontos sem nós. A armadilha havia acabado com quase todos os melhores soldados da Primeira Ordem e agora a cidade estava vulnerável. Seria o melhor momento para atacar. A Jedi estaria segura, mas e se decidisse partir e deixá-lo para trás?
XXX

Sete fragatas, três cruzadores, vinte e cinco caças, uma arma especial e mais ou menos três mil soldados. Este era o número do exército que sobrevoava próximo a Hanoon, prontos para o ataque. O plano estava traçado, aquele era o momento. Leia se posicionou em frente ao comunicador e sua imagem foi projetada em todas as outras naves.
— Este é o momento pelo qual nos preparamos. É o objetivo final da minha vida, e das suas também. Hoje lutaremos pela liberdade, pela esperança, pela vida. – sua postura denotava poder, alegria, quase obstinação. Parecia dez anos mais nova. — Derrotaremos essa ditadura e livraremos a galáxia desse mal, de uma vez por todas. Somos a Resistência!
Gritos de celebração e entusiamos percorreram todas as cabines como uma corrente elétrica. Estavam preparados. Leia se dirigiu até Rose e lhe deu tapinhas nas costas.
— Finn está bem, tenho certeza disso. Ele estará com a Rey, então estará seguro.
— É, eu sei, eu sei... – ela confirmou com um sorriso não tão convincente. – Vou me concentrar na missão.
— Ótimo. Agora preparem a arma.
Seu comando foi prontamente atendido. Pela janela do cruzador, viu a arma com a mesma tecnologia da Estrela da Morte sendo apontada para o escudo protetor de Hanoon. Sem as principais naves de defesa da Primeira Ordem, eles só possuíam defesa no interior do planeta.
— Me explica mais uma vez como você conseguiu essa arma, Skywalker? – Ahsoka Tano colocou as mãos na cintura, impressionada com o tamanho do cano.
— Tenho meus contatos na Orla Exterior. Gente que já trabalhou para o Império e conhece suas tecnologias.
— Isso não é anti ético? – Rose estremeceu ao ver os comandos serem ativados e a arma começar a reter sua energia letal para atirar contra o inimigo.
— Não se tem um objetivo honroso. – Luke deu de ombros, e em seus olhos azuis foi visto o reflexo do feixe de luz vermelho sendo lançado contra os satélites-escudo da Primeira Ordem. – Além do mais, só temos carga suficiente para um tiro, que vai servir para abrir esse escudo.
A movimentação nas naves era grande. Todos sentiam essa mesma carga de adrenalina, mas precisavam manter-se calmos na medida do possível.
— Podemos mesmo confiar nessas pessoas que foram recrutadas? – A togruta cortou o silêncio que antecipava o ataque, aparentemente com os nervos bem mais controlados que seus colegas. — Elas morreriam pela causa?
— Tenho certeza que sim. – Leia respondeu com fé e solenidade. Um buraco se abriu na proteção quase invisível do planeta, e foi nesse momento que ela deu a segunda ordem através do rádio. – Esquadrão Azul, é com vocês.
— Sim, General. – A voz de Poe Dameron se fez ouvir, excitada e firme.
Os caças mergulharam como aves de rapina para dentro do escudo e começaram a destruir o que restava dos escudos. Agiam em uma sincronia quase artística, lideramos pelo melhor piloto da Resistência. Levou quase dez minutos para que a Primeira Ordem conseguisse armar um contra ataque e enviasse suas naves de defesa. Leia e suas tropas estavam visivelmente com vantagem, e quando ela ordenou para que avançassem todas as naves, havia uma saraivada de tiros sendo trocados e caças caindo.
A vitória brilhava á frente.
XXX
O sabre-bastão de Rey cortou o ferro da masmorra como papel, emitindo um chiado alto. Os prisioneiros agradeceram e desapareceram pelo labirinto de corredores em direção a liberdade.
— E agora? – Finn perguntou, sentindo-se bastante vulnerável sem uma pistola.
— Agora vamos chutar bundas. – Foi Fenrir quem respondeu, entregando-lhe um blaster extra que carregava dentro da jaqueta e armando-se de outro. – Rey, estou ouvindo uma confusão lá em cima, seus amigos devem ter chegado.
— Então vamos lá ajudar! – um guarda surgiu em uma das entredas e mirou no trio, mas a garota rebateu com sua lâmina e ricocheteou o tiro, acertando-o na perna esquerda. – Por aqui.
O sabre negro estava bem guardado dentro de suas vestes. Ela decidiu não usá-lo até que fosse realmente necessário, quando enfrentasse Snoke ao lado de Ben – que a propósito deveria estar retornando a Hanoon nesse momento.
Quando finalmente acessaram as escadas, viram uma imensa confusão de stormtroopers fazendo formações ás pressas, blocos de cimento destruídos e caças decolando dos hangares. Os poucos civis restantes nas ruas correram para o abrigo de suas casas e espiava pelas janelas. Finn acertou mais dois soldados que vinham ao seu encontro com tiros certeiros, enquanto Fenrir apontava para o céu. A garota levantou os olhos e sentiu uma bolha de alegria crescer e estourar em seu coração.
— É um exército enorme!
— Eu avisei! – ele literalmente pulava de excitação, acenando para o cruzador.
— Esperem, tem algo errado...
Fenrir tinha ração. A felicidade não durou muito. Novos satélites surgiram dos bankers, sobrevoaram a cidade e iniciaram o processo para criar outro escudo, sua camada semi transparente impedindo o avanço da Resistência. Alguns caças que sobreavam rente aos telhados ficaram para o lado de dentro, mas se tornaram alvos fáceis para os soldados com torretas. Logo o desespero tomou conta dos nervos da Jedi e ela olhou ao redor, pensando rápido.
— Temos que destruir esses escudos daqui de dentro, e tem que ser agora!
— Só vamos conseguir isso se acessarmos as torres de controle. – Finn interpôs, empurrando os dois para um abrigo improvisado sob a sacada de um prédio. Apontou para a maior delas, a uns 800 metros de distância.
Fenrir analisou os soldados que tomavam conta de cada centímetro dos jardins que os separavam da torre de controle e limpou o suor da testa.
— Vamos ser alvejados no caminho. Não tem abrigo até lá.
— Podemos usar aquilo. – Finn apontou para um landspeeder estacionado sob a sombra de uma palmeira. Ao menos dez soldados se posiciaram próximo ao veículo.
Rey respirou fundo e acionou seu sabre.
— Então vamos. Me deem cobertura.
Não houve tempo para discussão. A garota saiu do esconderijo com os dois em seu encalço, protegendo suas costas. Ela girava o sabre-bastão como uma hélice, ricocheteando todos os tiros que vinham em sua direção. Finn e Fenrir acertavam tudo que se movia com uma precisão soberana, e só se distraíram quando um TIE em chamas caiu tão próximo que o chão sob seus pés estremeceu. Nestes segundos de confusão, Fenrir sentiu o braço em brasas quando um dos tiros o acertou. Ele conseguiu matar o atirador e finalmente entrou no landspeeder junto com os outros dois, agora segurando o membo debilitado com uma careta de dor.
— Você está bem?! – Rey perguntou, exasperada ao ver o furo na sua blusa e a mancha de sangue ao redor.
— Sim, dirige isso aí!
Ela ia protestar, mas os soldados começaram a alvejar o veículo e ela foi obrigada a acelerar. Ele tirou a jaqueta e Finn o ajudou a fazer um torniquete improvisado no seu bíceps, atrasando a perda de sangue. Era um pouco difícil já que Rey tentava atropelar o máximo de soldados pelo caminho e eles saltavam do banco com o solavanco.
— Eu vou te deixar em um lugar seguro! – Ela disse, pronta para virar a esquina e deixá-lo no que parecia ser uma verdureira.
— Nada disso! Se tentar me largar, eu vou atrás de vocês a pé. Eu to bem!
— Mas...
Ela não terminou a frase. Algo atingiu o capô do landspeeder quando faltavam apenas 200 metros para chegarem a torre. Perderam o controle e sentiram tudo girar quando o veículo capotou de ponta cabeça, amparado por um poste. Rey ouviu o barulho horríve de lataria amaçada e o cheiro de gasolina lhe deixou ainda mais tonta. Tudo zunia. Confusa, chamou por Finn, que apenas murmurou um gemido em resposta, e tentada desesperadamente se soltar do cinto de segurança, sem resultado. Parou quando ouviu o som de sabre de luz cortando carne próximo ao speeder – não conseguia ver nada, já que estavam de cabeça para baixo, mas ansiava por uma certa pessoa.
Alívrio e alegria se misturaram em seu âmago. Agora tinham ajuda.

Notas finais
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