Notas iniciais
Hello, A palavra de hoje é puxativo, que eu sempre entendi como algo exaustivo, mas que também significa estimulante, picante, que puxa etc. Esse capítulo é narrado pelo Erik, se passa dias depois do capítulo anterior que acabou de acabar, e tentei mostrar um pouquinho sobre o passado dele, a motivação para ter se mudado, tal e coisa, coisa e tal. Boa leitura.

Abandonei minha vida na pulsante São Paulo pouco depois que meu casamento terminou. De uma maneira que tento esquecer.

A oferta de trabalho numa cidadezinha no meio do nada veio na hora certa. Enxerguei nela um recomeço e a oportunidade de me distanciar. O cargo de delegado estava vago e eu necessitava de exílio.

Às pressas, providenciei minha mudança e peguei a estrada, deixando meu passado tumultuado para trás.

Não esperava sofrer o acidente. Tampouco conhecer alguém por causa dele. Muito menos que fosse me sentir tão diferente desde então.

O rio mexeu comigo. Angela mexe ainda mais. Sinto-me inexplicavelmente conectado aos dois, como se ambos significassem algo maior.

Sei que não faz sentido, mas essa sensação tem se intensificado a cada dia que esbarro com Angela pelas ruas de Boa Esperança. E a cada sonho maluco que tenho ora com ela, ora com o rio, ora com cenas confusas que não consigo enxergar claramente.

De repente, percebo que o jantar puxativo que preparei não tem o menor sabor em minha boca. Estou inquieto demais para conseguir saboreá-lo de verdade.

Deitado no tapete próximo da porta, Besante me encara com seus olhos castanhos.

— Você está certo, amigão. Eu preciso investigar.

Notas finais
Quem nunca conversou com um bichinho atire a primeira pedra XD Sempre imaginei Erik natural de Sampa e Boa Esperança como uma cidade no interior bem bucolicazinha. Oi? Agora o delegato está convencido que tem caroço nesse angu e vai usar os seus dotes investigativos para descobrir a verdade... Inté o próximo capítulo ♥