Entre o rio
21 Revirando o passado
Notas iniciais
Investigar. Cavar. Revirar o passado de uma pessoa. Não tenho feito outra coisa há dias. Seja na delegacia ou em casa na companhia leal de Besante.
Registros antigos, o banco de dados da polícia local, recortes de jornais e ainda o bom e velho Google têm guiado minha crescente curiosidade por oras a fio. Muitas vezes, madrugada adentro.
Tudo me levou à descoberta de que há uma mancha na história de Boa Esperança. Um acontecimento trágico que causou muita comoção na época. O surpreendente é que a história de Angela está diretamente enleada ao acidente de quase vinte e cinco anos.
Muito me admira que ela ainda visite o rio, como fez na madrugada em que me encontrou. Muito me admira que ainda more aqui.
Qualquer um teria ido embora assim que possível, mas, fora o período em que cursou Veterinária na Universidade de São Paulo, Angela não abandonou sua cidade natal.
Acometido por uma incômoda dor de cabeça, abandono o notebook e me espalho no sofá. Pressiono as têmporas e fecho os olhos, lembrando que senti algo parecido antes de atropelar meu cachorro.
E assim como naquele dia, as águas revoltas me tragam para a memória aflitiva do acidente.
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