Entre o olhar e o desejo
1 PRÓLOGO
SOFIA
Nunca me esquecerei da primeira vez que vi Ethan Grayson. Foi em nossa casa de praia na Califórnia, durante as férias de verão, e eu tinha quinze anos. Ele e meu irmão mais velho estavam em suas primeiras férias da faculdade e passariam duas semanas lá. Meu tio e eu estávamos saindo para voltar a Nova Iorque quando eles chegaram. Eu já estava no carro, mas consegui vê-lo de longe enquanto cumprimentava meu tio. E ele, mesmo sem me olhar, conseguiu acender algo dentro de mim. Era como uma corrente elétrica atravessando meu corpo. Passei o voo inteiro pensando nele e, ao chegar em casa, demorei mais do que o normal para pegar no sono.
No mês seguinte, lá estava ele de novo. Ao chegar no escritório do meu tio para almoçarmos juntos, vi Ethan saindo da sala de reuniões com meu irmão. Os dois dividiam o dormitório na faculdade e haviam se tornado melhores amigos. Soube mais tarde que estavam ali para pedir ajuda do meu tio para encontrarem um estágio. Eu estava sentada na sala de espera, vendo algumas opções de lugares que minha amiga Lena havia me enviado para decidirmos onde iríamos comemorar meu aniversário de dezesseis anos. Quando ele passou por mim — mais uma vez sem notar minha presença, sem olhar para trás e deixando apenas o rastro do perfume —, a corrente elétrica atravessou meu estômago, me fazendo perder o ar e a fome.
A terceira vez foi apenas dois anos depois. Meu tio estava oferecendo um coquetel para amigos, sócios e outras pessoas importantes em nossa casa. Eu havia acabado de passar na faculdade e não estava me sentindo muito bem — estava muito ansiosa com a mudança — e, por isso, resolvi ficar no quarto naquela noite. Enquanto isso, meu irmão e Ethan, que haviam acabado de se formar, estavam animados participando do jantar, conhecendo pessoas e fazendo contatos que seriam importantes para o futuro. No meio da noite, ouvi um barulho vindo do quarto do meu irmão. Fui até lá, achando que era ele, mas acabei vendo, pela fresta da porta entreaberta, Ethan trocando de camisa. Parece que alguém havia derramado vinho nele. Eu senti vontade de descobrir quem fez isso e agradecer.
Foi nesse momento que eu finalmente entendi. A faísca que começou quando eu era uma adolescente, e que acendia novamente sempre que eu o via, era mais do que isso. Aos dezoito anos, percebi que ele não era apenas um cara bonito que chamava minha atenção toda vez que passava. Não era só a presença imponente ou o cheiro bom que exalava dele que me faziam olhar. Era o desejo. Desejo de observar cada detalhe, de tocar, sentir, beijar…
A última vez que o vi foi em um hotel, durante uma viagem de férias com meu tio no meu último ano de faculdade. Descobri que estávamos hospedados no mesmo lugar enquanto tomava sol à beira da piscina. De longe, o vi chegar sem camisa, vestindo apenas um calção de banho. Sem dúvidas, ele era o homem mais lindo que eu já tinha visto na vida. Coloquei meus óculos escuros e passei a tarde inteira observando-o nadar. Era como ter a visão do paraíso. Passei uma semana sonhando com ele depois disso.
Naquela tarde, enquanto estava na piscina — mais uma vez sem ser notada —, observei seu corpo molhado enquanto ele caminhava até a toalha, após duas horas nadando. Vi as gotas d’água escorrendo por seu peito, e aquela faísca reacendeu dentro de mim, agora queimando cada parte do meu corpo. Foi ali que eu prometi a mim mesma: eu teria Ethan. Tocaria, beijaria, sentiria seu cheiro em mim e faria tudo o que eu desejasse.
Hoje, pouco mais de um ano após o episódio da piscina, minha chance caiu do céu direto no meu colo depois de ouvir meu irmão falando ao telefone. Parece que, em breve, Ethan estará de férias por alguns dias em nosso hotel, onde eu tenho trabalhado nos últimos meses. É a oportunidade que eu precisava.
“Perfeito.”
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