ETHAN

Dois dias atrás, James, meu irmão mais velho e sócio, me chutou para fora do prédio onde fica nosso escritório, alegando que eu precisava tirar férias antes que todos os funcionários pedissem demissão. Especialmente as assistentes.

Preciso admitir que tenho estado mais irritado e estressado do que o normal. Estava atolado de trabalho, e minha assistente pessoal estava de licença-maternidade. Mas, convenhamos, não foi culpa minha que os nove assistentes temporários que contratei nas últimas duas semanas não soubessem fazer absolutamente nada.

Então, cheio de trabalho e sem uma assistente decente que facilitasse a minha vida, quando meu irmão invadiu minha sala sem ser anunciado dizendo as palavras “você”, “quinze dias de férias”, “bem longe daqui” e “sem trabalhar” todas juntas na mesma frase, minha reação mais sincera foi rir da cara dele.

Infelizmente, logo em seguida percebi que ele estava falando muito sério.

Eu tentei resistir, negar, bater o pé e dizer que não. Um homem adulto não precisa que alguém tome esse tipo de decisão por ele, certo? Errado. Quanto mais eu discutia, pior ficava a minha situação. Eu estava exausto e, a cada palavra, soava mais grosseiro — o que só aumentava a razão do meu irmão.

E, para completar, meus pais saíram de Chicago e vieram até Nova Iorque especialmente para apoiar meu irmão, porque estavam muito preocupados comigo.

Para que eu pudesse aproveitar minhas férias e relaxar, meu pai decidiu ignorar temporariamente a própria aposentadoria e cuidar da minha parte do trabalho no escritório. Ele também fez questão de ter uma daquelas conversas sobre como o trabalho não deve ser tudo na vida, que meu bem-estar e a família devem vir sempre em primeiro lugar.

Minha mãe o acompanhou com uma lista detalhada de todos os motivos pelos quais eu deveria trabalhar menos. Um dos seus principais argumentos foi que eu sou um homem de vinte e nove anos, solteiro e, embora bem-sucedido, ela não consegue imaginar filhos no meu futuro — o que tenho quase certeza de que ela considera uma ofensa pessoal. Ela ama o meu sobrinho e não vê a hora que eu dê primos a ele.

Enquanto isso, meu irmão aproveitava todas as oportunidades para jogar na minha cara o quanto o meu humor estava insuportável e que ele era quem vinha aguentando isso há duas semanas.

Por fim, para encerrar esse dia espetacular, a minha décima assistente temporária começou a chorar e pediu demissão, dizendo que eu era um “imbecil arrogante, grosso e insensível”.

Acho que isso não ajudou.

E foi com tudo isso em mente que, pouco após sair do avião, cheguei ao hotel e a primeira coisa que fiz, contrariando tudo que me disseram sobre férias, foi ligar para o James e perguntar como estava indo o contrato com os Ford. E, obviamente, o idiota não disse nada além de que eu deveria me preocupar apenas em descansar e aproveitar os próximos dias. Também comentou que avisou o Luca que eu estaria por aqui e que eu devia ligar para ele para sairmos juntos.

Luca e eu nos conhecemos no primeiro dia de faculdade. Dividimos o dormitório e moramos juntos durante os quatro anos. Ele estudava Direito, e eu, Arquitetura. Fizemos tudo juntos nesse período — férias, viagens, noites de bebidas e festas. Ele conheceu minha família em Chicago, e eu conheci o tio dele em Nova Iorque.

Nossa amizade permaneceu mesmo após nos formarmos, e nos víamos com frequência. Mas, há cerca de um ano atrás, ele acabou se mudando para Las Vegas por causa do trabalho. Apesar de mantermos contato, passamos a nos ver com menos, principalmente por minha causa.

Eu não via meu melhor amigo há meses. Ambos estávamos trabalhando muito e, embora eu tenha certeza de que ele estava num ritmo muito mais normal e saudável que o meu, nenhum de nós teve tempo de atravessar o país para nos encontrarmos, tomar uma bebida e jogar pôquer como fazíamos quando morávamos na mesma cidade. Talvez seja uma boa ideia ligar para ele e ver se tem uma noite livre enquanto estou em Vegas.

Desliguei o telefone e fui desfazer minha mala, com a intenção de pegar meu notebook e analisar alguns projetos em que eu estava trabalhando. Mas, para minha surpresa, não o encontrei. Peguei o celular novamente e abri o aplicativo de mensagens:

Você pegou meu computador da minha mala quando passei no escritório antes de ir ao aeroporto?” — enviei para o meu irmão.

Poucos segundos depois, recebi a resposta:

“Você está de férias, Ethan. Não vi motivos para levar seu computador de trabalho até Las Vegas com você. Eu te fiz um favor. Seja mais agradecido.”

Filho da mãe.

“Agora faça um favor a todos nós e vá perder um pouco de dinheiro no cassino, beber e conhecer alguma garota bonita. Quem sabe assim você volta mais relaxado.”

Eu respirei fundo e me joguei na cama, ficando alguns minutos apenas olhando para o teto, sem saber direito o que fazer. Havia meses que eu não tinha tanto tempo livre assim. O que eu deveria fazer? Dormir? Ler? Ir ao cassino, beber, perder dinheiro e conhecer mulheres, como meu irmão havia sugerido?

Desde que me formei e comecei a trabalhar na empresa que meu pai construiu, esse tem sido meu foco principal. Com muito esforço, ele começou o negócio sozinho quando eu ainda era pequeno. Sempre trabalhou duro, e, com o tempo, percebi o quanto ele ficava exausto por ter que se desdobrar entre o trabalho e o papel de ótimo pai e marido. Nunca importava o quanto estivesse cansado, ele estava sempre presente.

Anos depois, quando meu irmão se formou em engenharia e passou a trabalhar com ele, os dois conseguiram melhorar e aumentar exponencialmente os negócios. Reconhecida como o melhor escritório de arquitetura e engenharia do país. A sede mudou para Nova Iorque e os maiores empreendimentos imobiliários passaram a procurar por nosso trabalho. Todos querem ter seus imóveis projetados por nós — seja uma casa, um condomínio ou um edifício comercial.

No começo tudo era mais tranquilo, mas há três anos, quando meu pai decidiu que estava na hora de se aposentar e aproveitar mais o tempo com minha mãe, eu senti que era minha obrigação manter tudo funcionando. Ele merecia descansar. E meu irmão, com um filho pequeno e seus próprios problemas pessoais, já tinha preocupações o suficiente. Agora era a minha vez de cuidar de tudo.

Enquanto eles faziam todo o trabalho duro, eu apenas observava. Mas agora sou eu quem deve isso a eles. Eles merecem muito mais paz e calma do que eu neste momento.

Meu telefone começou a tocar ao meu lado, trazendo-me de volta dos pensamentos. Olhei o nome na tela antes de atender e sorri, um pouco mais animado.

— Quer dizer que seu irmão realmente conseguiu te chutar do trabalho? — a voz veio divertida do outro lado da linha. — Quando ele me ligou dizendo que faria isso, eu apostei cem dólares que ele não conseguiria. Acho que estou devendo uma grana pra ele.

— Ele levou reforços — respondi, rindo de leve. — Só conseguiu me tirar de lá porque chamou artilharia pesada: meus pais. Acho que você pode pagar só metade do que apostou, já que ele não conseguiu sozinho.

— Nesse caso, acho metade um valor mais que justo — ouvi a risada do outro lado da linha. — Então, como pretende aproveitar seus dias aqui? Podemos sair, vou adorar tirar uma grana de você no pôquer. Seu irmão também disse que eu tenho que te levar pra conhecer umas garotas. Segundo ele, a falta de sexo está te deixando cada dia mais insuportável. Tô livre essa noite, podemos sair se você quiser.

— Aquele idiota devia cuidar da própria vida. Vocês dois parecem duas velhas fofoqueiras — resmunguei. — Claro, vamos sair hoje à noite. Eu preciso de algo pra me distrair e não morrer de tédio. Vai ser bom sairmos juntos de novo. Já faz o quê? Uns seis ou sete meses que não nos vemos?

— Oito meses, cara. Foi a última vez que eu fui pra Nova Iorque. Vai ser bom sair um pouco. Eu não fiz dez assistentes chorarem e pedirem demissão igual você, mas também tenho trabalhado muito. Agora as coisas estão começando a ficar mais calmas.

— Minha vida é uma piada pra vocês, não é? E apenas seis delas choraram — suspirei, apertando a ponte do nariz. Era assim que as pessoas me viam agora? — Onde vamos nos encontrar?

— Não precisa se irritar, cara! Prometo que depois de hoje, quando eu falar com seu irmão, a gente não vai mais comentar sobre o quanto você tá precisando transar — ele riu mais uma vez. — Vou te mandar o endereço por mensagem e nos encontramos lá às nove. Melhor você descansar e jantar antes de ir. Preciso desligar e voltar ao trabalho agora. Até mais tarde, Ethan.

Desliguei o telefone e fiquei por alguns instantes encarando o quarto silencioso. Se até o Luca estava fazendo piada com a minha vida amorosa, talvez meu humor estivesse mesmo insuportável. Tomei um banho rápido, pedi o jantar no serviço de quarto enquanto tentava ignorar a ausência do meu notebook sobre a mesa. Às 20h, recebi a mensagem com o endereço e dizendo que poderia entrar assim que chegasse, meu nome já estava na lista. Um clube no centro, daqueles que parecem caros demais e escuros o suficiente pra ninguém lembrar do que fez no dia seguinte. Me vesti, respirei fundo e saí.

Chegando no endereço, notei que a fachada do clube era discreta, sem grandes letreiros, mas com uma fila considerável de pessoas bem vestidas aguardando a entrada. Eu caminhei direto até o segurança, disse meu nome, e ele apenas assentiu, liberando minha passagem com um gesto de cabeça.

A iluminação baixa e as garotas vestidas com roupas chamativas indicavam o tipo de lugar onde se vai para conhecer pessoas e voltar acompanhado para casa. O tipo de lugar que eu não frequentava a meses, talvez a mais de um ano, não me lembro ao certo.

O som grave da música vibrava no chão. O cheiro de perfume caro e bebida doce preenchia o ar. Não demorou muito até que eu avistasse Luca no bar, com dois copos já na mão e um sorriso cínico no rosto.

— Você está atrasado — disse ele, me entregando um dos copos. — Mas, tudo bem. Com essa cara de acabado, você precisava de mais tempo mesmo. Talvez você deva aproveitar o SPA do hotel também, quem sabe ajuda a melhorar essas rugas na sua cara.

Sorri de canto e aceitei o copo, decidindo que essa noite eu iria aproveitar minha folga e relaxar um pouco.

— Tenho certeza que você e James adorariam isso, daria mais assunto pras fofoquinhas de vocês — dei um gole na minha bebida e ri de leve.

Luca riu alto. Eu realmente estava me tornando uma piada para eles.

— O James é quem mais se diverte com essas conversas, você sabe. É como se sua vida fosse um reality show e ele o comentarista oficial.

— Ótimo. Exatamente o que eu queria — murmurei, virando o resto do drink.

Olhei ao redor. O clube estava começando a encher, e a pista de dança vibrava com gente bonita demais para parecer real. Um grupo de garotas dançava perto do bar, rindo alto, despreocupadas. Uma delas me lançou um olhar rápido antes de voltar para a dança.

— Está vendo? — Luca apontou discretamente com o queixo. — Você ficou dois minutos aqui e já chamou atenção. Imagina se não estivesse com essa cara de quem perdeu uma reunião. Estou dizendo, cara, um dia no SPA do hotel vai mudar sua vida!

Revirei os olhos.

— Você sempre foi implicante assim?

— Sim, mas antes você era mais bem humorado — Ele ergueu o copo em um brinde e tomou tudo em um único gole.

Luca pediu mais bebidas no bar e seguimos a noite, rindo, conversando e bebendo. Eu tentei relaxar o máximo possível, mas diferente de Luca, não estava afim de chegar em nenhuma mulher naquela noite. Por maior que fosse meu esforço para me distrair, vez ou outra minha mente vagava e os pensamentos se voltavam para o trabalho.

Em certo momento em que eu me afastei para ir ao bar, voltei e encontrei Luca se agarrando com uma garota em um canto escuro, então fui até o sofá da área VIP e fiquei lá um pouco. Pouco tempo depois uma ruiva se aproximou.

— Oi, tudo bem? Você é o Ethan? — seus olhos azuis me encaravam, parecia um pouco nervosa, mas sorria. — Sou Emily, amiga do Luca. Ele me pediu para te buscar.

Instintivamente olhei para o lugar onde Luca estava antes e não o encontrei. Olhei de volta para a garota, ela era bonita, mas eu não estava interessado hoje.

— Oi, Emily. O Luca foi embora com aquela garota? Não precisa se preocupar comigo, vou voltar para casa, já estou um pouco cansado mesmo — comecei a me levantar quando senti mãos agarrando meus braços.

— Não! — os olhos verdes estavam um pouco arregalados como se ela não soubesse ao certo o que fazer. — Desculpe, não quis te assustar. Luca não foi embora, ele apenas planejou uma surpresa pra você e me pediu para te levar até lá. Eu não queria estragar tudo.

Fiquei parado por um segundo, se ela estava falando sério, mas sua expressão parecia sincera.

— Uma surpresa? — arqueei uma sobrancelha, desconfiado. — As surpresas dele nunca são algo bom, sempre nos meteram em problemas…

Emily riu, relaxando um pouco.

— Eu prometo que você não vai se meter em problemas dessa vez.

— Tudo bem, me leve até essa surpresa então. Mas dependendo do que for vou fugir pela janela — murmurei, mas acabei cedendo com um suspiro.

Ela sorriu e me fez sinal para segui-la, virando-se de volta para o corredor mais reservado do clube. Enquanto andávamos, tentei não parecer tão tenso quanto me sentia. Eu odiava surpresas — especialmente quando envolviam o Luca e garotas que apareciam do nada.

— Você sempre ajuda ele com esse tipo de coisa? — perguntei, mais para distrair minha mente do que por curiosidade real.

— Não — ela respondeu parecendo resignada, virando o rosto por cima do ombro. — Mas eu sou péssima em dizer "não" aos meus amigos.

Talvez eu também fosse. Talvez por isso estivesse seguindo uma desconhecida ruiva para uma suposta surpresa numa boate que cheirava a vodca de baunilha e decisões ruins.

Andamos quase até o fim do corredor e paramos em frente a uma porta de madeira simples, com acabamento escuro. Não parecia haver nada indicando o que encontraria lá dentro.

— Você pode entrar. Tem uma caixa em cima da mesa com instruções para você seguir. Boa sorte, Ethan — ela me ofereceu um sorriso e seguiu pelo corredor à esquerda, sem olhar para trás.

Girei a maçaneta e entrei no quarto, fechando a porta atrás de mim.

O ambiente me envolveu de imediato. As luzes suaves, em tom âmbar, criavam sombras delicadas pelas paredes cor creme, aquecendo o espaço com um ar de intimidade. A temperatura estava agradável, e o leve aroma de canela e algo amadeirado preenchia o ar com discrição.

O sofá dominava o centro do cômodo — grande, profundo, de tecido macio num tom de grafite. Estava repleto de almofadas que convidavam a se afundar e esquecer do mundo lá fora. Sobre o assento, repousava uma caixa preta cuidadosamente amarrada com um laço branco, contrastando com o tecido.

À frente, uma mesa baixa de madeira, com pequenas velas aromáticas espalhadas e uma única flor branca em um vaso fino de vidro. Um espelho de corpo inteiro com moldura de madeira trabalhada ocupava uma das paredes laterais, refletindo as luzes suaves e duplicando a sensação de espaço.

Aquele lugar era um refúgio à parte do resto do mundo. Tudo havia sido cuidadosamente montado para provocar curiosidade, conforto e talvez algo mais.

Abri a caixa e, por cima do papel de seda branco cuidadosamente dobrado, havia um bilhete curto, escrito com uma caligrafia bonita e delicada:

“Coloque a venda, sente-se no sofá e relaxe.”

Olhei ao redor, imaginando o que aconteceria em seguida. Peguei a venda de seda preta de dentro da caixa e a coloquei, cobrindo os olhos. Me sentei no centro do sofá e me recostei, deixando o corpo relaxar enquanto respirava devagar.

Fiquei assim por alguns minutos, apenas respirando e me permitindo sentir tudo que aquele ambiente me oferecia. O aroma amadeirado com notas de canela continuava preenchendo o ar, acolhedor e reconfortante, fazendo meus ombros relaxarem mais a cada segundo.

Então, ouvi a porta abrir. Um novo cheiro invadiu o ambiente — doce, frutado, com um fundo floral. Meu corpo reagiu de imediato com um leve arrepio. Sem a visão, meus outros sentidos pareciam mais aguçados. Ouvi passos suaves sobre o piso e senti a presença de alguém se aproximando, devagar.

O perfume se intensificou conforme ela chegou mais perto — quente, envolvente, feminino. Mãos macias tocaram as minhas com delicadeza, guiando-as até sua cintura. Ela se sentou no meu colo, de frente para mim, com as pernas acomodadas uma de cada lado do meu corpo. Instintivamente, apertei sua cintura de leve e a ouvi suspirar baixinho.

Ela levou as mãos até meus ombros e se inclinou, encostando o corpo no meu. Senti seu nariz roçando meu pescoço e sentindo meu cheiro. Um novo arrepio percorreu minha espinha. Apertei sua cintura, puxando-a para mais perto, e ouvi sua risada baixa e provocante.

"O que eu estou fazendo?"

Ela se afastou ligeiramente, inclinando-se para o lado para pegar algo. Em seguida, uma música baixa e sensual começou a tocar. Ela jogou o controle de volta no sofá, envolveu meu pescoço com os braços e começou a se mover no meu colo rebolando lentamente. Aproximou-se ainda mais, nossos narizes se tocando, as bocas quase encostadas.

Suas mãos deslizaram pelo meu peito, começando a abrir os botões da minha camisa no ritmo da música. Seus dedos exploravam minha pele, e meu corpo reagia se arrepiando a cada toque.

Beijos suaves começaram no meu queixo, subiram pela minha mandíbula, até que uma mordida leve no lóbulo da minha orelha me arrancou um gemido involuntário. Apertei sua cintura com mais força, como se precisasse me segurar ali para não ser completamente levado pelo momento.

— Você não vai fazer nada, Ethan? Vai só ficar parado a noite toda? — perguntou com a voz baixa, suave, quase inocente.

— Geralmente os clientes não podem tocar nas dançarinas durante uma dança privada assim.

— Hum… você teria razão… se não fosse por um único detalhe — sua língua deslizou pelo meu pescoço, quente e úmida, me fazendo perder o fôlego. — Eu não sou uma dançarina. E você não é um cliente.

Suas mãos tomaram as minhas novamente, guiando-as para baixo, passando por sua cintura, contornando suas curvas até chegarem às coxas. A sensação da pele sob meus dedos era maravilhosa.

"Ela é tão macia…"

E então, como um estalo, minha mente voltou a raciocinar.

"Se ela não trabalha aqui… então o que exatamente ela está fazendo?"

— Espera… — minha respiração estava pesada e minha voz saiu mais baixa do que eu queria. — O que você quis dizer com isso?

Ela ficou em silêncio por um momento, ainda sobre mim. Podia sentir sua respiração calma contra meu pescoço, e isso só tornava tudo mais estranho. Cada segundo de silêncio aumentava minha ansiedade.

— Só estou dizendo que essa noite não é sobre regras, Ethan — sussurrou enfim, como se a resposta fosse óbvia. — E sim sobre você esquecer um pouco o mundo lá fora e nós dois nos divertimos um pouco.

Levei as mãos até a venda, hesitante. Naquele momento, tudo que eu queria era ver. Ver quem ela era. Ver o que estava acontecendo. Queria voltar a ter controle sobre a situação.

— Quem te mandou aqui? Foi o Luca?

Ela segurou meus pulsos com delicadeza, impedindo que eu removesse a venda.

— Não... não foi o Luca que me mandou até aqui — respondeu num sussurro hesitante. — Por favor, confia em mim, Ethan. Eu prometo que você vai gostar do que vem a seguir.

— Me deixa ver você — pedi com a voz rouca, repousando minhas mãos em suas pernas novamente, dessa vez sem apertar.

Senti seus dedos segurando meu rosto com delicadeza. Ela suspirou e, então, começou a remover a venda dos meus olhos com calma.

A primeira coisa que vi foram seus olhos verdes, que me encaravam com um brilho ansioso. O cabelo curto destacava ainda mais o rosto bonito, com o nariz fino e os lábios carnudos, avermelhados. Meus olhos desceram por seu corpo: a lingerie preta de renda moldava suas curvas e deixava à mostra a pele clara, onde a cintura que eu havia apertado antes agora exibia uma leve marca avermelhada.

Ela era maravilhosa. Uma visão de tirar o fôlego.

— Se o Luca não te mandou, o que você está fazendo aqui? — perguntei, mantendo meus olhos nos dela.

Ela se mexeu um pouco no meu colo e baixou o olhar. O rosto ficou levemente corado, como se estivesse um pouco envergonhada.

— Eu estou aqui porque eu quero… — vi o exato momento em que a confiança retornou. Seus olhos voltaram aos meus e ela ergueu o queixo. — Queria te conhecer. E quando soube que você estaria aqui, achei que seria uma boa oportunidade.

— É assim que você costuma conhecer pessoas? Nunca pensou em um jantar ou tomar um café? — perguntei, voltando a relaxar. Era estranho, com certeza, mas não era a pior das situações.

Ela riu com a minha pergunta, e sua expressão pareceu mais tranquila. O tom leve e divertido voltou à sua voz.

— Eu juro que você é a primeira pessoa que eu conheço assim. Não faço esse tipo de coisa com frequência. E, em minha defesa, você parecia estar gostando.

Ela tinha razão. Eu estava gostando — e muito — daquela desconhecida se esfregando no meu colo.

Ela me olhou e sorriu antes de se inclinar novamente. Seu corpo encostou no meu, pressionando seus seios contra mim. Uma de suas mãos subiu até meu rosto, acariciando com calma, enquanto nossos narizes se encostaram e a sentia respirar devagar.

— Ethan, eu quero te beijar. Posso? — perguntou num sussurro, quase como uma súplica.

E então, eu não resisti. Apertei seu corpo contra o meu, levei a mão até sua nuca e a beijei com vontade.

Ignorei todos os alertas que se acenderam na minha mente e me permiti cometer uma loucura. Foi pra isso que me mandaram tirar férias, não foi? Relaxar, esquecer os problemas, me divertir.

Culpei os três meses sem sexo. Culpei os dias exaustivos em que tudo que fiz foi trabalhar como um louco. Talvez por isso eu não estivesse pensando com clareza. Talvez por isso tenha deixado a razão de lado e feito algo assim.

Mas, no fim das contas, apenas me entreguei. Me permiti passar a noite com uma desconhecida, sem questionar demais, sem entender completamente o que aquilo significava. Apenas aceitei o presente inesperado que o universo resolveu me entregar naquela noite.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.