Entre erros e escolhas
55 54 - Rolling in the deep
Notas iniciais
Não demorou nem quinze minutos depois do sinal indicando o fim da aula que Rachel havia perdido tocar para Quinn aparecer no auditório procurando pela judia.
– Rae? – chamou subindo no palco e Rachel suspirou – Você não estava na sala. Aconteceu alguma coisa?
– Não estava com cabeça pra assistir aquela aula. – a judia murmurou sem desviar o olhar do piano.
– Algo que queira me contar? – Quinn sentou ao lado da namorada e Rachel suspirou, olhando para ela – O que... Seu olho... Quem fez isso?
– Não foi nada.
– Nada não. Seu olho tá roxo, Rachel! – Quinn tentou tocar o rosto da namorada, mas Rachel se afastou – Deixa eu ver.
A judia suspirou, mas deixou que Quinn tocasse de leve o olho machucado.
– Quem fez isso?
– Sua ex.
– Elizabeth?
– Pois é. Ela apareceu por aqui e...
– Vocês brigaram.
– Discutimos. E ai ela simplesmente resolveu me dar um murro e sair.
– Eu vou...
– Não vai nada. Eu quero você longe daquela garota.
– Mas...
– Q, só fica longe dela.
– Por que?
– Por que eu não respondo por mim se te ver perto daquela... Coisa. – Rachel resmungou e Quinn sorriu.
– Eu fico longe dela. Depois de resolver isso.
– Quinn…
– Ela não vai te dar um soco e ficar por isso mesmo, Rae.
– Não quero que se meta em confusão.
– Não se preocupe. – Quinn se inclinou e deu um selinho na judia – Eu me entendo com a Elizabeth.
Quinn pegou o celular e digitou alguma coisa, guardando o aparelho logo depois.
– Vem. Vou te levar pra casa. – Quinn disse levantando.
– Não precisa. Eu vou... Assistir as próximas aulas.
– Não vai não. Nós vamos pra minha casa colocar um pouco de gelo nesse olho.
O celular de Quinn tocou e a loira atendeu suspirando.
– Oi. – Rachel observou Quinn franzir a testa – Não. Eu vou levar Rachel para casa, e... Cala a boca, Lopez. Não, Santana. O que? Como você...? Vocês o que? E...? Vocês são loucas ou só se fazem? Eu sei que é minha namorada e é obvio que eu vou defender ela, mas... Não Lopez. Onde você está? Certo. Estamos indo. Ok.
– O que houve? – Rachel perguntou vendo Quinn guardar o celular e pegar a sua bolsa e a dela.
– Dani e Santana estão com a Elizabeth.
– Como é?
– Longa história. Vem. Vamos resolver esse assunto.
Quinn guiou Rachel até a sala do coral e entrou trancando a porta atrás das duas.
Santana e Dani estavam cada uma de um lado da garota, mesmo que a uma distância... Segura.
Elizabeth parecia apavorada, sentada em uma das cadeiras e mal respirando.
– Quinn! – Liz praticamente pulou da cadeira e correu até a loira assim que a viu, claramente aliviada.
O que ela não esperava era que Quinn a segurasse pelo gola da camiseta e a empurrasse até a parede mais próxima.
– Você é louca? – a loira rosnou.
– Quinn...
– Cala a boca, Elizabeth! Eu te disse que se você ousasse tentar ofender minha namorada de novo eu ia te fazer se arrepender. O que você acha que eu quero fazer com você agora, sua puta dos infernos?
– Eu...
– Eu não deixei abrir a porra da boca! – Quinn gritou batendo a garota contra a parede.
– Quinn. – Rachel chamou colocando a mão no ombro da namorada.
– Não adianta me falar pra não fazer isso, Rae. Ela acha que me conhece, mas ela só viu um lado meu até hoje.
– Você...
– Cala a boca! – Quinn voltou a gritar quando Liz tentou falar.
– Quinn, para de gritar. Você vai acabar chamando a atenção. – Santana avisou.
– Você pode, pelo menos, me ouvir? – Liz pediu.
– Não. – Quinn disse fechando ainda mais a mão na roupa da menina.
– Mas...
– Cala a boca antes que eu arranque sua língua fora.
– Quinn, já chega.
– Rae...
– Lucy Quinn Fabray, solta ela e vamos conversar como pessoas civilizadas, por favor. – Rachel disse e Quinn suspirou antes de soltar a ex.
– Feliz?
– Está melhor. – Rachel abraçou a namorada e Quinn deu um sorriso malicioso – Ela não vale a pena, Q.
A loira beijou Rachel de um jeito que nunca tinha beijado alguém antes, tendo certeza de que Liz as olhava.
– Arrumem um quarto. – Santana resmungou recebendo uma cotovelada de Dani como resposta – O que? Eu não to afim de ver essas duas...
– É melhor calar a boca.
– Tá.
– Vamos pra casa colocar um gelo nesse seu olho. E passar um pouco do remédio Fabray. – Quinn piscou e Rachel riu.
– Vocês são... Urgh. – Santana balançou a cabeça negativamente.
– Dessa vez eu vou ter que concordar. – Dani resmungou.
– Você vai simplesmente ir embora e me deixar aqui com essas duas... Loucas?
– ¿Quién esta perra está llamando loca? – Santana gritou, avançando em direção a garota, e Dani a segurou.
– Você tem razão. – Quinn virou para Liz e andou até ela, que sorriu.
– Obrig... – a garota foi interrompida por um murro.
A garota mal encostou no chão, Quinn a puxou para cima pela gola da camisa.
– Fica longe de mim, da minha namorada, e das minhas amigas. Vá embora e pegue o prim...
E Liz a beijou.
Quinn levou alguns segundos para entender o que estava acontecendo, e, assim que o susto passou, Liz foi empurrada para longe, e no segundo seguinte, Rachel estava sentada sobre a cintura da garota, socando qualquer parte do corpo de Liz que ela pudesse acertar.
Santana riu, enquanto Dani arregalava os olhos e Quinn encarava a cena sem saber exatamente o que fazer.
Liz tentava se defender, enquanto a judia simplesmente batia nela, sem parar para pensar no que fazia.
De repente Liz empurrou Rachel, conseguindo inverter a situação, e acertou um soco no rosto da judia. Foi o suficiente para Quinn correr até as duas e arrastar Liz para longe da namorada.
– Eu te mandei ficar longe dela, sua vadia! – Quinn tinha certeza que se o nariz de Liz ainda estivesse inteiro, com o soco que ela tinha dado agora não estava mais.
Quinn correu de volta até onde Rachel estava, já em pé, e a abraçou.
– Vamos embora? – murmurou e Rachel suspirou.
– Tá bem.
Quinn se afastou da judia, foi até sua bolsa, pegou um lenço e foi até Liz, sentada em um canto da sala resmungando de dor e jogou em cima dela.
– Limpa esse sangue e some daqui. – disse antes de virar para Dani e Santana.
– Pode deixar. – Santana sorriu, sem precisar que Quinn dissesse nada.
– Obrigada.
A loira pegou as bolsas e esticou a mão para Rachel, que a segurou sem hesitar.
***
– Calma. Deixa que eu arrumo. – Quinn disse colocando uma bolsa com gelo no olho de Rachel que gemeu de dor, deitada no sofá da casa da Fabray.
– Tá muito feio?
– Poderia estar pior. Mas não vai dar pra esconder dos seus pais.
– Hiram vai me matar. – Rachel resmungou.
– Não vai não. – Quinn suspirou passando a mão pelo cabelo da judia – Eu falo com eles e...
– Não.
– É culpa minha, Rae. Eu...
– Culpa sua? Como, exatamente, isso é culpa sua? Não foi você quem me bateu, Quinn. Não é sua culpa.
– Rae...
– Não. Só... – Rachel suspirou – Eu me entendo com eles. Não é como se alguém tivesse visto e eu fosse ser suspensa por isso.
– É claro que não. Você só ganhou um olho roxo. – Quinn revirou os olhos.
Rachel sentou, tirando a bolsa de gelo do olho e suspirou.
– É melhor do que a suspensão e o olho roxo. – resmungou – Que horas Frannie volta?
– Só chega lá pelas sete. Por que?
Rachel se inclinou para frente, beijando a loira lentamente.
– Rae...
– Eu amo você, Q.
– Eu amo você também. – Quinn sorriu – Muito.
***
Quinn estacionou em frente à casa dos Berry e suspirou, olhando para a namorada que dormia no banco ao seu lado.
Antes de saírem da sua casa, Frannie havia dado um remédio para a morena, que ainda sentia o olho latejar um pouco, e avisou que ele poderia lhe dar um pouco de sono. Quinn só não achava que Rachel ia apagar daquele jeito.
A loira deu a volta no carro e tirou Rachel do banco, empurrando a porta do carro com o corpo e levando a judia para casa no colo.
Como um pouco de esforço, tocou a campainha e não demorou para que Leroy abrisse a porta.
– Hey. Ela estava tão cansada assim? – riu.
– Não tive coragem de acordar ela. – Quinn respondeu entrando e colocando a judia deitada no sofá – Dormiu por causa do remédio.
– Remédio?
Quinn suspirou, vendo o rosto marcado da judia e assim que Leroy parou do lado dela, abriu a boca em um perfeito “O”.
– O que... Que merda é essa?
– Hey, tá tudo bem? – Hiram perguntou se aproximando dos três – Olá Quinn.
– Hiram.
– Leroy, o que foi?
– Rachel... O que aconteceu, Quinn?
– É uma longa história. – a loira suspirou.
– O que foi? – Hiram parou encarando Rachel – O que você fez?
Quinn não soube dizer exatamente como aconteceu, mas no segundo seguinte Hiram a segurava pela blusa praticamente a tirando do chão.
– Hiram! – Leroy gritou.
– Que porra você fez com a minha filha, Fabray? – gritou.
– O que? Você acha que... Eu não faria isso, Hiram! Juro!
– É senhor Berry pra você. – rosnou – E eu só vou perguntar mais uma vez: o que você fez com ela?
– Não fui eu!
– E não vou ser eu que vou arrebentar você também!
– Pai? – Rachel resmungou, sentando no sofá – Que gritaria é... – a frase morreu na boca da judia quando viu a cena a sua frente – Pai! Larga ela.
Rachel levantou em um pulo, correndo até os dois.
– Isso não vai simplesmente ficar assim, Rachel! Como ela... Como você teve coragem de bater na minha filha? – gritou.
– O que? Quinn não fez nada, pai! Larga ela.
– Então quem foi? – rosnou – Por que eu vou atrás do desgraçado agora mesmo.
– Elizabeth. – Rachel respondeu – E fica tranquilo, a garota que você tá ameaçando de ter feito isso já quebrou o nariz dela por você.
Hiram soltou a loira, que respirou fundo e se virou para Rachel.
– Quem...?
– Você ficou louco? O que você ia fazer com Quinn? Você...?
– Hey! – Quinn segurou a judia antes que ela partisse para cima do pai, a virando para si e a abraçando – Ele só estava te protegendo.
– Ele não pode te tratar assim!
– Ele só estava te defendendo. Eu, no lugar dele, provavelmente faria a mesma coisa. Agora se acalma, tá bem? Você tá nervosa de mais hoje.
– E o que você esperava, Fabray? – Rachel se afastou da garota e sentou no sofá, cruzando os braços, e Quinn se segurou para não rir.
– Será que alguém vai me explicar o que aconteceu? – Leroy pediu.
– A ex da Quinn tá em Lima. – Rachel disse.
– Isso não explica muita coisa. – Hiram falou.
– E a vaca beijou ela na minha frente.
– Isso explica quase tudo. – Leroy disse.
– E o que você fez? – Hiram perguntou para Quinn.
– Depois do choque? Tirei ela de cima da Rachel.
– O que sua ex está fazendo aqui?
– Ah! Essa é a melhor parte. – Rachel disse, irônica – Nos encontramos ontem. Eu, ela e Quinn. A garota nem se preocupou com o fato de eu estar do lado para dizer que queria voltar com Quinn. Aquela...
– Olha a boca. – Hiram a interrompeu.
– Hoje eu estava no auditório e ela apareceu lá. Discutimos, obviamente, e ela resolveu simplesmente me dar um soco e sair.
– Daí é que vem o olho roxo. – Quinn murmurou.
– Quinn resolveu que ia tirar satisfação com ela, e sabe-se lá Deus como ou porque Dani e Santana estavam com a garota na sala do coral. Nós fomos até lá, e ela achou interessante beijar a Quinn ao invés de conversar.
– Depois da Rachel me impedir de dar uma surra nela, só pra deixar claro. – Quinn disse.
– Seja como for, eu não sou obrigada a engolir isso! – Rachel levantou de repente, e começou a distribuir tapas pelo braço de Quinn, que tentava se defender – E você nem se deu o trabalho de afastar ela.
– Eu entrei em choque! Hey! – Quinn segurou as mãos da judia e a obrigou a olha-la – Eu empurrei Liz assim que percebi o que estava acontecendo.
Quinn encarou a judia por alguns segundos e suspirou, a abraçando.
– Eu amo você.
– Eu sei.
– Dá pra terminarem de explicar? – Hiram mandou.
– Resumidamente, Rachel partiu pra cima da Elizabeth, mas ela é mais forte, então, não demorou muito pra situação se inverter e ela bater na Rae. Foi ai que eu afastei as duas. E quebrei o nariz daquela... Criatura.
– Você xingou ela de coisas piores hoje. – Rachel riu.
– E ela mereceu cada nome dito.
– Você sabe onde ela tá? – Hiram perguntou.
– Não. E não faço questão. – Quinn disse – Se eu ver a cara dela de novo, ninguém nunca mais vê.
– Eu acho que é melhor esquecermos isso. – Leroy disse.
– Nossa filha tá com o olho roxo e você quer esquecer isso?
– Eu concordo com o papai. – Rachel disse – Vamos deixar pra lá. Duvido que ela volte depois do que aconteceu. E ela disse que vai embora na segunda, então, só tenho que ficar de olho em você até lá. – disse abraçando Quinn.
– Ficar de olho em mim?
– Se ela chegar perto de você, eu vou estar junto.
– Não se preocupe. Se ela chegar perto de mim, volta pra Seattle sem precisar de avião.
– Quinn...
– Rae, se preocupe somente em não esbarrar com ela por ai, ok?
– Mas...
– Você confia em mim?
– É claro! Eu não confio é nela.
– Ela não vai mais incomodar. – Quinn sorriu e deu um selinho em Rachel.
***
– Pais, eu vou sair. – Rachel avisou, parando na sala, onde o casal assistia televisão.
– Aonde vai? – Leroy perguntou.
– Com quem vai? – Hiram quis saber.
– Vou sozinha, e... Eu não sei realmente, pra ser realista. Só preciso dar uma volta.
– Você não vai atrás daquela garota, certo? – Leroy a encarou.
– Não, papai. Pode ficar tranquilo.
– Volta que horas? – Hiram quis saber.
– Não sei. Provavelmente amanhã.
– Amanhã?
– Pretendo ir para a casa da Quinn depois. Não me importa que ela diga que eu posso ficar tranquila, aquela garota... Eu tenho medo que ela acabe com tudo, sabe?
– Rachel, Quinn te ama. Deixa de paranoia. – Leroy aconselhou.
– Seja como for, eu provavelmente vou direto pra lá.
– E como vamos saber se realmente foi pra lá ou se aconteceu alguma coisa?
– Se eu não chegar até as onze, é por que estou na Quinn.
– Rachel...
– Não se preocupem. Eu vou ficar bem.
A judia deu um beijo na bochecha de cada um e foi para o seu carro, sem se importar com o fato de não ter um destino certo.
Rachel ligou o carro e simplesmente dirigiu. Não sabia exatamente para onde, até parar em frente a um lugar não tão desconhecido assim.
Apertou os olhos, tirando o óculos escuro que usava por causa do olho roxo – afinal, por que mais alguém usaria um óculos escuro a noite? – para ler o que a placa dizia.
Riu ao reconhecer a boate onde ela e Quinn haviam dado o primeiro beijo e desceu do carro, o trancando e indo em direção ao estabelecimento.
Assim que entrou foi em direção ao bar, decidida a beber um drink ou dois e ir para a casa da namorada.
– Um... O drink com menos álcool que tiver, por favor. – pediu antes de virar para a pista de dança, encarando o lugar.
Assim que o barman colocou o copo no balcão a judia se virou e o pegou, virando o liquido de uma vez só.
– Ora, ora. Quem diria? Rachel Berry em um bar, bebendo, e sem a namorada. Me deixa adivinhar: vocês terminaram?
– Oi Finn. Tchau Finn. – a judia disse sem nem olhar para o garoto.
– Hey, calma Rach. Só quero conversar.
– Eu e Quinn estamos muito bem, só para constar.
– E por que ela não está aqui com você?
– Por que nossa vida não é da sua conta. – resmungou – Outro! – pediu ao barman, que não demorou a ir fazer o drink da judia.
– Tudo bem. Só... Conversa entre amigos, então.
Rachel virou para a pista de dança novamente, ignorando o garoto ao seu lado.
Diferente da primeira vez, Rachel continuou encarando a pista por um minuto após o seu drink ficar pronto, em silencio, esperando que Finn saísse dali. Mas o garoto não saiu.
Rachel acabou perdendo a paciência e virando novamente para o balcão, bebendo o drink e deixando uma nota em cima do balcão, ao lado do copo, sob os olhos atentos do rapaz.
– Tchau, Hudson.
– Aonde vai?
– Pra casa da minha namorada. – respondeu andando sem dar bola para o garoto.
– Rach, espera. Posso conversar com você por um minuto? Por favor?
– O que quer? – revirou os olhos quando o garoto entrou em seu caminho.
– Me desculpar. Eu fui um idiota com você e Quinn. E... Vocês são pessoas legais. Eu... Podemos sentar, por favor? Eu já não estou mais completamente sóbrio. – brincou.
– Você tem cinco minutos. – a judia disse voltando a sentar no mesmo banco que ocupava alguns segundos antes.
***
Rachel abriu os olhos devagar, tentando se acostumar a claridade do lugar.
Sentiu alguém se mexer ao seu lado e sorriu.
Não se lembrava como havia ido parar ali, mas, pela situação que se encontrava, sabia que só uma pessoa podia estar ao seu lado.
– Bom dia, linda. – a pessoa ao seu lado sussurrou e Rachel sentiu seu corpo ficar tenso.
– Não! – gritou, pulando da cama – O que...? Como...? Não!
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