Entre erros e escolhas
56 55 - The scientist
Notas iniciais
A campainha na casa das Fabrays tocava insistentemente.
Frannie subiu do porão xingando enquanto Quinn continuou organizando o que seria a nova academia das duas – se é que podiam chamar de academia – rindo da irmã.
A Fabray mais velha abriu a porta e franziu a testa ao encarar a garota parada do outro lado.
– Rachel? Está tudo bem?
– Quinn... Cadê a Quinn?
– Ela tá no porão. Você...?
Antes que Frannie terminasse a frase, Rachel entrou correndo na casa, descendo para o porão.
Frannie fechou a porta e foi procurar outra coisa para fazer. Algo lhe dizia que a última coisa que ia querer era estar naquele porão.
Quinn ouviu os passos na escada e levantou, sorrindo para o último tatame de EVA encaixado, terminando de cobrir o chão do cômodo.
– Quem era, Frannie? – perguntou indo em direção a uma das várias caixas espalhadas por ali.
– Desculpa. – Quinn sentiu os braços de Rachel em volta de si e virou de frente para a judia.
– Rae? O que foi?
– Desculpa. Por favor, me desculpa. Eu...
– Hey. Calma. – Quinn abraçou a garota que chorava compulsivamente – Elizabeth foi atrás de você? O que ela fez?
– Não. Ela... Elizabeth não tem nada a ver com isso. – soluçou.
– Então o que houve?
– Ontem... Eu sai. Fui para a boate onde... Onde demos nosso primeiro beijo. Eu precisava beber alguma coisa e... – Rachel suspirou, tentando se controlar – Eu tomei uma bebida, e Finn apareceu. – Quinn ficou tensa e Rachel a apertou ainda mais contra si – Ele ficou me enchendo o saco e... Eu pedi outra bebida e esperei que ele saísse, já que eu o estava ignorando.
– Ele saiu?
– Não. Ele... Quando eu estava indo embora, ele disse que queria pedir desculpas. Eu sentei novamente para falar com ele, e...
– Rachel?
– A próxima coisa da qual me lembro é de acordar ao lado dele. – murmurou e Quinn automaticamente se afastou da judia – Eu sinto muito Quinn. Eu...
– Sai da minha casa.
– Quinn, por favor...
– Sai da minha casa, Berry! – gritou.
– Quinn...
– Eu disse tanto que você é diferente dela. Tanto. E você vai lá e faz a mesma coisa. Mas só eu sei como era ir deitar pensando em com quem Elizabeth ia estar aquela noite, Rachel. Só eu sei o quanto era difícil. E quando terminamos, eu prometi pra mim que nunca mais ia passar por isso. E eu não vou.
– Quinn, eu não quis...
– Eu fui sua, Berry, de um jeito que nunca tinha sido de ninguém antes. E eu não estou falando só de sexo. E você acabou com tudo.
– Por favor...
– Eu não quero ouvir, Berry. Sai daqui.
– Mas...
– Você vai sair ou vai me obrigar a te tirar?
Rachel encarou a namorada... Aparentemente ex, e Quinn suspirou.
– Não quero te ver de novo, Berry. Acabamos.
– Não. Por favor, vamos conversar. Eu...
– Eu já disse tudo o que tinha pra dizer, e não estou mais disposta a ouvir mais nada. Então, por favor, saia.
Quinn não soube dizer exatamente quanto tempo Rachel ainda ficou parada a encarando, mas ela sabia que se sentiu em um daqueles filmes de romance barato enquanto observava a judia sair do porão chorando e tudo parecia em câmera lenta.
E Quinn não conseguia se mover para sair dali, ou simplesmente continuar o que fazia antes enquanto sentia o coração afundar no peito.
– Quinn? O que aconteceu? – somente quando Frannie parou em frente a irmã, foi que Quinn deixou as lagrimas correrem livremente por seu rosto, se jogando contra a mais velha.
– Dói tanto, Fran. – murmurou contra o pescoço da irmã, que simplesmente a abraçou.
Elas conversariam depois. No momento, Frannie só queria fazer sua irmãzinha parar de chorar. De novo.
***
– Quinn? O que faz aqui?
– Eu... Posso entrar?
A garota fechou a cara instantaneamente.
– Não. – respondeu fechando a porta. Quinn colocou o pé no meio e a segurou antes que ela conseguisse – Larga a porta. Você não me mandou ir embora? É o que vou fazer. Não se preocupe.
– Eu quero conversar com você Liz.
– Eu só queria conversar também.
– Não se faz de inocente. Nós duas sabemos que você provocou. Vai me deixar entrar ou eu vou entrar à força?
A morena revirou os olhos e abriu a porta, deixando que Quinn entrasse.
– Obrigada.
– Diz logo o que quer e cai fora.
– Desculpa.
– O que?
– Eu estou pedindo desculpa. Por... Ter te batido. Eu só... – Quinn suspirou e se aproximou da garota, passando a mão delicadamente pelo rosto machucado – Eu sinto muito.
– Por que não vai dizer a sua namoradinha que sente muito? Ou ao pai dela? Você não tem ideia de como aquele homem pode ser assustador!
– Hiram veio atrás de você? – Quinn franziu a testa.
– Sei lá como é nome daquele cara. Só sei que ele ameaçou me fazer de comida de peixe se eu chegasse perto da filhinha dele de novo. Ou de você.
– Com certeza foi Hiram. – Quinn sorriu – Não se preocupe, ele não vai mais vir atrás de você.
– Como você tem tanta certeza?
– Por que você tinha razão.
– O que?
– Só importa que você tinha razão.
– Do que você tá falando?
Quinn se aproximou da garota, segurando seu rosto delicadamente.
– Posso te beijar? – murmurou.
– E sua namorada? – Liz perguntou com a voz pesada, fechando os olhos.
– Ela que se dane. – murmurou antes de beijar a garota a sua frente.
***
Quinn entrou em casa tentando não fazer barulho.
Sabia que Frannie ia estar uma fera com ela, e não estava com cabeça para aturar a irmã naquele momento.
Mas, para seu desespero, Frannie tinha outros planos.
– Uma da manhã Lucy? – a voz da garota fez Quinn pular de susto.
– Oi, Fran.
– Onde você estava?
– Fui... Esfriar a cabeça.
– Esfriar a cabeça? – perguntou andando em volta da irmã, que estava tensa.
A mais velha parou em frente a Quinn, que estava nervosa de mais pra quem havia saído apenas pra “esfriar a cabeça”, e inclinou um pouco o pescoço, sem desviar os olhos do rosto da irmã.
– Estou decepcionada com você.
– O que?
– Eu sei exatamente o que estava fazendo, Quinn, e tenho uma ideia de com quem. E, sinceramente, estou decepcionada com você.
– Mas... Eu só... Foi ela quem me traiu!
– Nesse momento não me interessa se ela te traiu com um ou um milhão. Não me interessa nada relacionado a ela. O problema aqui é você.
– Eu? – Quinn deu uma risada forçada.
– Você e o fato de que você foi pra cama com qualquer uma.
– Mas...
– Estou decepcionada, Quinn, por que não é atingindo ela da mesma forma como ela te atingiu que você vai resolver, esquecer ou superar isso. Estou decepcionada pelo que você fez, não pelas circunstâncias que você fez. Não. Eu estou realmente decepcionada com o porquê de você ter feito. Agora, vai dormir, e conversamos sobre isso amanhã.
Frannie saiu em direção ao quarto e Quinn suspirou.
– Eu não consegui. – Quinn disse fazendo a mais velha parar – Eu fui atrás da Liz, nos beijamos, mas... Eu não consegui ir até fim.
– E onde você estava até agora?
– Eu... Sai de lá e fui para a casa... Dela.
– Você... O que?
– Fiquei parada dentro do carro por algum tempo. Queria descer e exigir explicações. Queria gritar que eu a odiava até ela me abraçar e me pedir desculpas. Eu queria... Queria perdoar ela. Mas não consegui nem descer do carro.
– Você ficou parada na frente da casa dos Berry até agora?
– Eu sei que parece paranoia, mas... Eu nem sabia pra onde estava indo até chegar lá. Eu só... Dirigi.
– Q... – Frannie suspirou e abraçou a irmã, que suspirou, se apertando contra ela – Vai ficar tudo bem. Você vai ver.
– Eu só... Eu queria que ela tivesse decido. Queria que ela tivesse entrado no carro e me obrigado a ouvir ela, Frannie. Eu queria ela. Eu...
– Você a ama.
– Amo. – Quinn suspirou, prendendo o choro – Não doía tanto quando era Liz quem me traia. Droga! Eu devo ser uma namorada horrível mesmo.
– Não, Quinn. O problema é que você só namorou duas idiotas até hoje.
– Não... – Quinn respirou fundo – Eu não consigo acreditar que Rachel tenha feito isso. Tem alguma coisa errada nessa história. – disse se afastando – Rachel não bebe a ponto de esquecer o que acontece. Isso não está certo.
– Quinn?
– Eu conheço ela, Frannie. Isso não me parece uma coisa que Rachel faria.
– Sabe... Eu vou ser realista Quinn. Trair e aparecer chorando no dia seguinte, pedindo desculpas e contar o que aconteceu... Isso não parece coisa que ninguém normal faria.
– Você acha que eu deveria falar com ela?
– Eu não disse isso. Traição é traição e ponto.
Quinn passou a mão pelo cabelo, jogando a cabeça para trás e a balançando negativamente.
– Eu não sei o que fazer. Não sei o que pensar ou como agir. Droga! Eu queria mesmo era arrebentar a cara do Hudson!
– Não foi ele quem traiu, Quinn.
– Eu sei. – a loira suspirou – Eu vou dormir. Boa noite, Frannie. E... Desculpa ter feito você ficar acordada até tarde.
– A gente fala sobre isso depois. – sorriu – Boa noite, Quinn. Qualquer coisa, você sabe onde é o meu quarto.
– Boa noite, Fran.
Quinn foi para o quarto e trancou a porta, respirando fundo. Ela teria que se controlar para não matar Finn na segunda.
***
Rachel olhava pela janela do seu quarto, encarando a rua vazia.
Seu corpo estava dolorido, e ela podia apostar que aquilo era culpa de Finn. Mas a dor que realmente a incomodava não podia ser curada por medico nenhum. A não ser que Quinn se formasse em medicina, medico nenhum nunca poderia cura-la. Nunca.
A judia já não tinha mais lagrimas. Estava exausta. Ela queria correr até a casa de Quinn e implorar por perdão. Ela faria qualquer coisa para que a loira a perdoasse. Mas sabia que não tinha esse direito.
Pegou o celular pela milésima vez aquela noite, pensando novamente em ligar para a namorada. Mas desistiu novamente quando sua mente fez questão de lhe lembrar que agora Quinn era sua ex. E que a culpa era sua.
Jogou o celular em cima da cama e se encolheu na cadeira, abraçando os joelhos e sentindo os olhos marejarem novamente.
Naquele momento, ela se odiava.
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