Entre erros e escolhas
11 10 - First cut is the deepest
Notas iniciais
– Meu Deus, Rachel! Eu desisto. – Quinn riu, se jogando no sofá.
– O que aconteceu? – Frannie perguntou aparecendo sabe-se lá de onde.
– Sua irmã não tem paciência. – Rachel reclamou cruzando os braços e sentando ao lado de Quinn.
– Já desistiu de ajudar ela? – Frannie riu.
– Eu já dei pelo menos trinta ideias diferentes e a resposta para todas foi não.
– Mentira. Pra ultima foi nem pensar. – Rachel corrigiu.
– Como você gosta de se expressar, Rachel? – Frannie perguntou rindo.
– Em cima de um palco. Seja atuando, dançando, cantando.
– Faça isso.
– Fazer o que? – Quinn encarou a irmã.
– Bem, eu diria atuar, mas seria meio complicado pra situação. Dançar nos levaria para um lado muito... Sexual da coisa.
– É. Se ela dançar se esfregando nele. – Quinn resmungou.
– Sobra a ultima opção.
– Eu já cantei para ele. – Rachel disse.
– E qual foi à reação dele?
– Ele é burro, Frannie. Acha que ele percebeu a intenção dela? – Quinn disse e recebeu um tapa na cabeça, como resposta – Hey! – reclamou.
– Ele... Disse que minha voz estava linda, e que eu estava pronta para a tarefa da semana, apesar de ele não entender o que I love you like a love song tinha a ver com a tarefa.
– Traduzindo: ele não entendeu. – Quinn sorriu.
– É, Fabray. Ele não entendeu. – Rachel revirou os olhos.
– Nesse caso, só o mais direto vai resolver. – Frannie disse – Já tentou chamar ele para sair?
No dia seguinte, pouco mais de uma hora depois da escola, Quinn estava sentada na ponta da cama da judia, enquanto ela chorava deitada em seu colo.
– Não fica assim, Rachel. Ele é um idiota.
– Mas... Eu realmente gosto dele, Quinn.
– Ele não vale a pena Rachel. – Quinn murmurou, fazendo carinho de leve no cabelo da outra – Não vale nem a primeira lagrima.
– Não foi o não em si, sabe. Se ele tivesse dito só não...
– Shiu. Tá tudo bem. Eu sei. – a loira deu um leve sorriso – Também tenho a infeliz mania de me apaixonar pela pessoa errada. Liz foi... Uma exceção. A única.
– Você pelo menos teve alguma. – Rachel murmurou limpando as lagrimas que ainda teimavam em cair.
– Tá me dizendo que nunca namorou?
– Bem...
– Rachel, você ao menos já tinha beijado alguém?
– Isso não vem ao caso, Quinn.
– Puta merda. – Quinn praticamente gritou, enquanto forçava a judia a sentar – Tá me dizendo que eu fui a primeira pessoa que você beijou? E que fez isso bêbada?
– Grita mais alto. Meus pais ainda não te ouviram. – Rachel revirou os olhos.
– Tudo bem. – Quinn respirou fundo – Foi só um beijo. Nós não dormimos juntas. Um beijo é só... Droga! Foi seu primeiro beijo.
– Quinn, nem eu estou fazendo tanto caso com isso, por favor...
– Eu posso lidar com o fato de que fui a primeira pessoa que você beijou. Somos amigas. É melhor do que se fosse um idiota qualquer.
– Ótimo. Por que eu ainda to precisando de alguém que me console por causa do Finn.
Quinn suspirou e abriu os braços.
No segundo seguinte, Rachel chorava novamente, dessa vez, contra o pescoço da loira.
***
– Eu fui a primeira pessoa que ela beijou e fizemos isso quando ambas estavam bêbadas. – Quinn disse para Frannie, que estava deitada no sofá assistindo, assim que pisou dentro de casa.
– Espera, o que? – a mais velha perguntou, sentando.
– Sábado... Eu e Rachel nos beijamos.
– E agora você tá ajudando ela com outro? – Frannie franziu a testa.
– Só fizemos isso por que estávamos bêbadas. E... Ela nunca tinha beijado ninguém antes.
– Tá. E daí?
– E daí o que?
– Foi só um beijo, não foi?
– Foi o primeiro dela.
– Quinnie. – Frannie riu, puxando a irmã para sentar do seu lado – Ela continua falando com você, não continua? Quero dizer, ela não está estranha, nem nada.
– Ela está igual. Mas...
– Não se estresse com isso. – Frannie suspirou – As pessoas dão muita importância para essas coisas. Eu, por exemplo, nem lembro mais quem foi meu primeiro beijo. Quero dizer, eu lembro onde foi e que foi horrível, mas, não me pergunte o nome dele. – a mais velha sorriu – Pelo menos ela provavelmente vai lembrar seu nome.
– Era pra ter ajudado? Por que não deu muito certo. – Quinn disse.
– Só relaxa, tá bem? Foi só um beijo. Foi só um beijo?
– Foi o que me disseram.
– Você estava tão bêbada que não lembra da noite de sábado?
– Bem...
– Agora eu entendi por que você não veio pra casa. – Frannie brigou dando um tapa na cabeça da irmã – Eu deveria te por de castigo, Lucy. Você não tem idade para isso.
– Falando em idade... Frannie, você não acha que eu já deveria ter tirado carteira?
– Depois de ter ficado bêbada desse jeito sábado? Não mesmo.
– Ah! Eu fiquei bêbada, mas não estava no volante.
– Por que não tem carteira.
– Eu sou responsável Frannie. Você sabe disso.
– Vou pensar no assunto. – a mais velha disse – Daqui um mês.
– O que? Por quê?
– Considere seu castigo por encher a cara sábado.
– Fran... – a mais nova fez bico e Frannie riu.
– Tudo bem, me dá um motivo pra te dar à carteira agora. E um melhor ainda pra não te deixar de castigo.
– Você não gostaria de ter tirado carteira antes de ser maior de idade? Poder sair sem ter que pedir pro Russel e pra Judy ir te buscar? Além disso, não temos os dois aqui, então, sobra você com carteira...
– Convincente. E pra não te deixar de castigo?
– Você nunca fez besteira?
– Fiz. Mas isso não significa que você tenha que fazer.
– Você me conhece, Fran. Eu só...
– Eu não quero que você vire uma dessas pessoas que desconta as coisas no álcool, Quinn. – Frannie a interrompeu – Escuta, se você me der sua palavra se que, daqui pra frente, só vai beber quando estiver comigo, e que vai parar quando eu mandar, eu penso na carteira.
– Prometo só beber quando estiver com você, e se não estiver no volante maneirar.
– Quinn...
– Só beber socialmente quando você não estiver por perto, e uma gota de álcool já me impede de chegar perto de um volante?
– Um problema, e você vai perder carteira, carro e vida social.
– Isso é um sim?
– Isso é um voto de confiança, Quinn. – Frannie respondeu e Quinn pulou em cima da irmã, a abraçando.
– Obrigada. Obrigada. Obrigada.
– Tá. Sai de cima. – Frannie riu – Estou confiando em você. Espero que não me decepcione.
– Não vou.
– Ótimo.
As duas voltaram sua atenção para a televisão por alguns minutos.
– E se os pais dela souberem?
– Não vão acreditar. Você acreditaria se fosse a sua filha?
– Por que não? Ela foi para a casa e também estava bêbada.
– Do que você tá falando? A garota está desaparecida.
– O que? Não o filme! Eu to falando da Rachel.
– Foi só um beijo!
– Você tem razão. – Quinn suspirou – Eu preciso parar de me preocupar tanto. – Quinn encostou no sofá e respirou fundo um segundo antes da campainha tocar – São eles. – disse sentando do mesmo jeito que estava antes.
– Deve ser o Cooper. – Frannie riu, indo abrir a porta.
– Devo ir pro quarto?
– Cala a boca. – a mais velha abriu a porta sorrindo – Hey.
– Hey. – a voz do rapaz preencheu a sala – Então... A apresentação que eu te prometi. – Quinn ouvia a conversa do sofá, sorrindo – Qualquer coisa... Me avisa que eu arrumo.
– Tudo bem. Você... Hum... Não quer entrar?
– Eu adoraria, mas, tenho compromisso. A família do namorado do meu irmão vai jantar lá em casa, e eu tenho que fazer meu papel de irmão mais velho e envergonhar ele. – disse fazendo Frannie rir – A gente se vê amanha?
– Claro. – Quinn podia apostar que a irmã sorria – Eu... Já vou dar uma olhada nisso.
– Tudo bem. Até amanha.
– Até.
Alguns minutos depois Frannie voltou para a sala e encontrou Quinn gargalhando.
– O que aconteceu?
– Já ouviu falar que misturar trabalho e namoro não dá certo, Fran?
– Deixe de besteiras. – a mais velha revirou os olhos.
– Você não quer entrar? – Quinn tentou imitar a voz da irmã.
– Eu só fui educada.
– É claro que foi.
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