Entre duas paixões (Pausado)
17 Capítulo 17
Notas iniciais
— Boa noite bela donzela, poderia me conceder a honra de me presentear com a sua bela companhia? — sorrio ao ver Dante em minha porta fazendo uma reverência desajeitada enquanto carrega uma rosa vermelha. Ele levanta a cabeça para me olhar e eu pego a flor.
— Bela entrada! — comento e ele se levanta vindo em minha direção, mas antes não deixo de notar seus trajes — Olha só, essa arrumação toda..
— Tudo isso pra você — ele me interrompe passando a mão pelo corpo, numa cena ridícula e eu desato a rir. Ele franze a testa e me agarra pela cintura me capturando a boca em um beijo e eu claro, me derreto em seus braços. Depois de vinte minutos, Dante finalmente se despede de Fred, que parece chorar com sua partida. Sério? Fomos para um restaurante mais afastado e conversamos sobre tudo, inclusive sobre minha conversa com Jorge e Dante manteve a mesma opinião dele, o que fortaleceu minhas ideias.
— Dorme comigo hoje — ele me pergunta quando estou já para descer do carro — Por favor.
— Isso é uma tentativa de parecer fofo? Porque esse seu beicinho tá uma graça — rio e ele faz careta.
— Não pode me acusar de não ter tentado — me aproximo e o beijo. — Fica comigo hoje — diz contra a minha boca e eu não resisto a esse pedido. Incrível, sempre que estou em seus braços o mundo parece menos cruel e confuso, é como se ele tivesse sido feito pra mim, como se finalmente eu tivesse me encontrado e me encontrado nele, porque sinto como ele sente o mesmo. Adormeço com esse pensamento. Nesses dias, continuo tentando descobrir ou encaixar tudo o que se passa, mas nada parece fazer sentido, isso me parece um tanto dramaturgo.
— Com licença — ouço batidas na porta e Alice surge com uns papéis na mão — Maya, tem umas pessoas aí querendo falar — olho para seu rosto e noto o quanto está pálida.
— Tudo bem Alice? — ela assente — Bom, diga que não posso atender ninguém agora, tenho prazos para concluir isso.
— Disseram que é urgente. — ela diz baixo e eu estranho.
— Não lembro de marcar nenhuma reunião... — penso um pouco e nada me vem a mente. — Quem está aí Alice?
— Acho que... Acho não, tenho certeza, Parecem ser da Polícia Federal — arregalo meus olhos e agora compreendo sua palidez, posso não saber muito sobre minha secretária, mas sei que ela morre de medo da polícia. Peço que ela se sente enquanto lhe entrego um copo com água e tento reformular meus pensamentos, para eles estarem querendo falar comigo é porque as minhas ideias, aquelas que eu guardei a sete chaves, estavam corretas.
— Tudo bem, vamos para fora. Vou conversar com eles, está bem? — ela assente e eu tento não parecer nervosa quando abro a porta e vejo dois homens distintos sentados nas poltronas a minha espera. Eles se levantam quando notam a nossa presença e caminham até mim, já que Alice já foi para a sua mesa a fim de evitá-los.
— Posso ajudar? — indago formalmente e um deles me estende a mão, que aperto levemente.
— Bom dia, me chamo Carlos — mostra do distintivo e eu confirmo a fala de Alice — esse é o meu parceiro — aponta para o homem do lado, que parece ter uns 40 anos, na verdade, os dois parecem ter a mesma idade e ser irmãos. O tal parceiro me estende a mão, repetindo o gesto do amigo.
— Sou o Fernando. Precisamos falar com o representante da empresa? O presidente, preferencialmente — assinto.
— Sou Maya. Maya Nóbrega. Me acompanhem, por favor — aponto a porta e sigo a caminhar, apertando meus dedos para afastar o nervosismo, fecho a porta e aponto as cadeiras — Sentem-se. — dou a volta na mesa e faço o mesmo na minha poltrona. — Então — ponho as mãos sobre a mesa — Em que posso ajudá-los?
— Na verdade senhorita Nóbrega, dependendo da situação, a senhora..
— Senhorita. — o corrijo.
— A senhorita que vai precisar da nossa ajuda. — acabo por franzir a testa e eles se olham, Carlos e põe a falar — Sua empresa é bastante influente e não só no Brasil, a senhorita deve saber disso — assinto — Tem uma porção grande de colaboradores estrangeiros. — sei onde eles querem chegar e toda essa formalidade me irrita um pouco.
— Entendo que mantemos relações internacionais, mas creio que esse não seja o foco da conversa. Ou é? Afinal, a polícia federal não me procuraria por esse motivo. Estou errada? — Fernando sorri um pouco mas concorda comigo.
— Tem razão — ele se aproxima e me encara — O que pode nos dizer sobre Oscar Swarosky? — meu coração gela quando ouço esse nome e eu perco um pouco a fala. Suspiro e me preparo para falar tudo que sei, não sei se estou fazendo o correto mas não consigo me imaginar indo presa por algo que eu não estou envolvida, e o pior, nem a minha faculdade eu consegui completar.
— O que sei sobre ele é que foi preso a algum tempo por tráfico de mulheres, vi a notícia na televisão e me chamou atenção.
— E conseguiria lembrar desse nome apenas por uma notícia que viu na TV? Todos os dias aparecem milhares de criminosos, por que prestar atenção logo nesse? — dessa vez Fernando me interrompe e eu encaro os dois homens a minha frente.
— Porque eu havia visto seu nome antes — vejo ele arquear a sobrancelha — Em uma lista, uma lista de nomes desconhecidos.
— Como assim? Acho melhor explicar direito, a situação está muito complicada e isso vai acabar sobrando pra você. — Carlos comenta e eu suspiro, encostando as costas na cadeira, me preparando para o segundo round.
— Antes eu preciso saber porque exatamente vocês estão aqui.
— Tudo bem — vejo Carlos olhar com reprovação para Fernando, mas ele o ignora — Oscar Swarosky é um dos principais responsáveis por tráfico de mulheres e é um negócio mundial. Mas ele não está sozinho nessa, varias organizações e empresas importantes dão base a ele e apoiam os lucros vindos desse investimento, a questão é que a maioria são pessoas importantes, já conseguimos nos conectar com algumas. E a Nóbrega está no meio disso, então, senhorita Nóbrega, a pergunta que custa milhões: O que pode falar sobre isso? O seu sapato caríssimo foi bancado pela prática criminosa? — me espanto com sua sinceridade e sua forma de falar, não posso ser acusada disso e o pior que não tenho provas alguma. Sinto como sua frase me ofende e seu olhar belicoso me desconcerta.
— É melhor se acalmar — tateio com as palavras — Pretendo contar tudo o que sei, mesmo que não seja nada. — termino a última parte um pouco mais baixo, as mesmo assim eles ouvem — Faz um tempo que encontrei uma lista de nomes no computador da empresa, em uma pasta nunca antes aberta, tanto que estava bloqueada. Depois de algum esforço, consegui abrir e lá encontrei alguns nomes, inclusive o de Oscar. — eles se olham e assentem, me dando impulso para continuar — Não faço ideia do que eram aqueles nomes ou porque estavam no computador da empresa, até falei com o Ramírez, mas ele também me confirmou que nunca havia visto e ele saberia se fosse assunto do meu pai. E sua honra é algo que não discuto.
— Desculpe, quem é Ramírez? — Fernando indaga enquanto anota algo em seu bloco de notas.
— Foi o braço direito do meu pai e é o meu agora.
— Onde podemos encontrá-lo? — passo o endereço da casa do meu tio para eles e continuo com meu depoimento. — Podemos ver a lista? — nego com a cabeça.
— Impossível. A lista foi apagada.
— Como assim? Fez isso?
— Claro que não! Eu, mais do que qualquer pessoa, queria saber o motivo da existência daqueles nomes e qual o envolvimento da empresa com aquele homem asqueroso. Mas enquanto eu ainda tentava entender, a lista sumiu do computador. Não sei quem apagou ou como isso foi acontecer, simplesmente não consigo mais achar a lista. — conto de uma vez e eles se olham parecendo me entender e eu espero que estejam mesmo.
— Então, esse seu braço direito não sabe mesmo de nada? Tem total certeza disso que está nos contando? — dessa vez ele pega no meu ponto fraco. Não é de hoje que venho notando atitudes estranhas de Ramírez para com esse assunto e mesmo que eu não queira, é inevitável não pensar que ele talvez saiba de algo.
— O que sei é que tudo o que passa pela empresa desde a morte do meu pai, é de meu conhecimento, inclusive a vida profissional de Ramírez.
— Isso não me pareceu uma resposta muito convincente — Carlos comenta e eu o fuzilo com meus olhos. — De qualquer forma, antes de assumir a empresa, sabia exatamente o que acontecia aqui?
— Não, eu não vivia no Brasil nessa época — respondo secamente.
— Sendo assim, também não sabia das ações do seu pai nessa época.
— Senhor..
— Senhorita Nóbrega, quando assumiu a empresa investigou tudo o que se passava sobre ela?
— Eu não era totalmente leiga nesse assunto e mesmo sabendo que não era a minha intenção, meu pai me deixava informada sobre a maioria das coisas.
— Maioria não é tudo. — Carlos continua.
— O que quer dizer? — aquele jogo de palavras estava me faltando a paciência e Fernando só anotava coisas em seu bloco, o que me deixava mais irritada ainda.
— Quero dizer que faltaram coisas nessas suas fontes e o que você tinha não era suficiente para assumir esses negócios, o que faz muito bem, por sinal. — arqueio a sobrancelha e ele sorri — Quem lhe passou as informações que cogitou ser necessárias para a sua posse? — o encaro e sei onde ele quer chegar, no meu tio.
— Ramírez. — me mantenho firme — Era o que queria ouvir policial?
— Senhorita Maya — Fernando nos interrompe — Não estamos aqui para brincarmos ou fazer jogos, a verdade é que a sua empresa está envolvida nisso e estamos tentando trabalhar da melhor forma. Se o seu braço direito estiver envolvido nisso, nós iremos saber, mas também, se não estiver, nada irá acontecer com ele e com você. Confie em nós, tudo bem? — meio complicado ele falar isso agora que eu realmente não faço a mínima ideia de em quem confiar realmente.
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