Entre anjos
10 Duas caras.
Notas iniciais
Eu e Demon já estávamos indo para perto da cachoeira. Ele não falou uma palavra no nosso percurso.
–Esta pronto para atravessar comigo a cachoeira comigo? Acho que eu sou bem pesada. Falei enquanto arruma o arco em minhas costas.
Demon me olhou de cima abaixo e falou:
–Já carreguei coisas mais pesadas.
“Não tenho nada a declarar sobre isso...” pensei.
–Como você vai me levar? Perguntei tentando entender.
–Só você me abraçar, o resto é comigo. Ele tirou sua camiseta e me deu para segurar, em questão de segundos suas asas “saltaram” para fora. Eu sempre me impressiono. Acho que nunca vou me acostumar com as asas dele.
–Coloque seu pé sobre o meu. Falou ele estendendo uma mão para me ajudar. Então pisei em cima dos pés dele e coloquei meus braços ao redor do seu pescoço. Ele sorriu educadamente e eu pude me sentir ficando vermelha.
Suas asas começaram a bater e uma brisa gelada me pegou. Se eu não tivesse ficado com a capa que Beth me deu eu estaria congelada.
“Será que anjos sentem frio?” Perguntei a mim mesma. Daqui de cima da pra ver o acampamento todo, os guardas de vigia. E inclusive a casa de Vicenza.
–Bela vista, não acha? Perguntou Demon enquanto colocava as mãos em minha cintura. Eu concordei com a cabeça.
–Você tem sorte de ter asas. Falei e sorri. Ele só riu.
Senti as asas dele desacelerando, ele estava descendo bem devagar.
–Escuta Luna. Falou ele baixinho. Quando eu te colocar no chão, eu vou subir para algumas árvores. Assim qualquer coisa que acontecer eu vou ver. Só toma cuidado. Eu concordei com a cabeça e senti os pés dele parando no chão. Ele encolheu suas asas e eu sai de cima dele.
–Obrigada. Falei educadamente.
–Não foi nada. Ele falou e então levantou voo tão rápido que o vento quase me joga pra trás.
Me sentei em baixo de uma árvore, alta e bem velha pelo jeito. Eu estava nervosa. Minha mão estava soando.
Até que uma neblina começou a tomar conta do lugar. Eu me levantei rapidamente, peguei meu arco e minha flecha e mirei... mirei pro nada. Exatamente nada.
“Droga” Sussurrei. Olhei para cima para ver Demon, mais não consegui avistar ele em nenhuma árvore.
–Luna? Uma voz rouca e grossa falou. De repente uma pessoa com uma capa quase igual a minha saiu da neblina. Estava com a toca, isso me complicou de ver seu rosto.
–Quem é você? Falei mirando a flecha em direção ao seu peito.
–Me chamo Christopher, e sugiro que abaixe esse arco. Então ele deu dois passos mais a frente e parou.
–O que você quer comigo? Desculpa, mais você já me ameaçou de morte antes. Mesmo que eu queira eu não vou abaixar meu arco.
Ele deu uma risada alta e forte.
–Você é esperta, decifra meus enigmas. Então decifre só mais um.
– “Tic tac. O relógio faz tic tac.
Se você correr, irá morrer.
Se você pular, não irá escapar.”
–Realmente você se superou. Falei pra ele e bati uma palma.
“Tic tac” ouvi o barulho do relógio.
Eu olhei pro chão e eu estava sobre uma camada de folhas verdes, tudo do mesmo tom. Me ajoelhei e passei minha mão para ver o que tinha embaixo.
–Agora já sei porque devo abaixar meu arco. Tem uma bomba relógio embaixo de mim. Coloquei meu arco sobre as costas sem fazer muito movimento. –Agora você tem minha atenção. Mais para mim confiar em você me mostre seu rosto.
Ele chegou mais perto de mim e abaixou a toca.
–BETH? Perguntei indignada. Então seu rosto começou a tomar a forma de Crisaor, depois do Demon, John, Nick e assim foi...
–Você nunca saberá quem eu sou. Não deixe seus olhos te enganar, posso me passar por quem eu quiser. Até você.- Então seu rosto tomou minha forma.
–Me fala logo o que você quer, estou começando a me cansar desse jogo.
Ele riu mais uma vez. E continuou:
–Não vou te falar ainda, isso é mais um aviso para você ter cuidado nas pessoas que você confia. Eu estarei te vigiando. Então ele começou a se afastar, e entrou no meio da neblina novamente.
Olhei para a bomba ainda embaixo do meu pé. Seu tempo era de 00:05:25.
–Demon? Me ajuda. Preciso de você. Demon não estava aparecendo..
“Droga” sussurrei para mim mesma. Eu levantei um pé lentamente e a bomba começou a acelerar feito loca. Eu pisei com meu pé novamente e voltou a ficar na contagem normal. Só que agora estava 00:03:10. Não tenho muito o que fazer. E comecei a me dar as opções:
“Eu pulo, e morro”
“Eu tento correr o mais rápido”
“Eu grito pro Demon até ele me ouvir”
Nenhuma opção é boa. Pensei e então voltei a realidade.
– Luna. Sussurrou Demon.
–Onde você esta? Perguntei brava.
Então ele saiu da neblina e começou a falar:
–Tentei seguir ele, mais ele correu. E eu não sei o que fazer para te tirar dai. Falou Demon quase sem folego.
Eu não sabia se era realmente o Demon, não podia confiar nele este momento. Inclinei meu rosto para trás e vi que tinha uma árvore bem alta, larga e parecia ser forte. Se realmente fosse Demon ele iria sobreviver aquela explosão.
–Desculpa Demon.. Sussurrei e então sai correndo de cima daquela bomba. Me joguei para trás daquela árvore e então eu só pude ver a claridade e o barulho.
Algumas folhas em chamas começaram a cair sobre mim eu comecei a correr pro caminho da cachoeira. Quando eu cheguei na cachoeira vi Demon sentado sobre rocha.
–O que você esta fazendo aqui? Perguntei brava.
–Ué, você falou que não precisava da minha ajuda, e mandou eu te esperar aqui.
– Christopher... sussurrei e então Demon não escutou. – Você não ouviu o barulho da explosão? Perguntei estranhando.
–Que explosão? Falou Demon chegando perto de mim.
–Espera, não se mecha. Anunciei, e ele parou de andar. – O que você fez hoje a tarde?
–Procurei o garoto que te feriu na floresta, com Lucca, Lucco e o John veio por livre vontade. Luna você não parece bem.
–Fico feliz em ser você mesmo. Então corri para abraça-lo.
Ele estranhou e depois me abraçou também.
Ele abriu suas asas e me pegou no colo sem eu perceber.
–Vamos dar uma voltinha. Falou ele enquanto levantava voo.
“Ele pode fazer eu ver coisas, ouvir coisas, e acreditar no que ele diz.” Pensei indignada.
–Hei? Não esta me ouvindo? Perguntou Demon me cutucando.
–Desculpa, estava distraída admirando as estrelas. Ele sorriu.
Ele subiu no alto da cachoeira e se sentou comigo em uma rocha.
–Uau, fantástico. Falei enquanto olhava a cachoeira de cima. – Eu preciso te pedir uma coisa, sei que vai ser estranho, mais por favor... Quando eu disse Tommy, você me abraça, ok?
Ele riu e falou:
–Ok.
–Tommy. Falei.
Ele me abraçou bem forte e riu.
–Vamos embora, estou com sono. Ele concordou e se levantou.
Me pegou no colo novamente e foi me levar pro acampamento.
–Posso dormir com você novamente? Perguntei meia que sem graça.
–Claro. Ele falou e sorriu. Então ele abriu a barraca pra mim, e eu entrei.
Ele pegou uma camiseta branca dele e deu pra mim colocar.
–Fecha os olhos! Falei e ele riu e colocou um travesseiro em sua cara.
Tirei meu vestido e minha capa e coloquei ao lado das roupas dele. Coloquei meu arco e as flechas, embaixo no colchão.
–Pronto. Falei e então sorri.
–Minha vez. Ele falou me dando o travesseiro para mim cobrir meu rosto enquanto ele se trocava. Então fiz a mesma coisa..
Ele se deitou do meu lado e não falou uma palavra.
–Só que quando você resolver sair da barraca, me avise fiquei preocupado com você. Eu não falei nada, apenas ri.
Depois de alguns minutos em silêncio eu me virei para ele, e ele já estava dormindo.
“Acho que você esta fazendo meu coração se apaixonar” sussurrei e fui dormi.
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