Notas iniciais
Inspirado nas danças ciganas e na dança do ventre, aí está o capítulo: AAH, A FOTO DO CAPÍTULO É DO EVAN OK?

A fila de garotas caminha pela trilha em direção à praça principal do vilarejo. Algumas riem de forma nervosa, outras conversam sussurrando. Abraço meu próprio corpo, sentindo um pouco de frio.

— Boa sorte, Susana. Talvez o velho Willow se interesse por você. – Sophie me encara de forma superior, ajeitando sua peça de cima para deixar seus seios mais protuberantes. Algumas garotas riem, já que nenhuma de nós quer ter que se casar com o velho viúvo fogoso, Willow. — Ou talvez não, já que ele não precisa se dar ao trabalho de casar com você para ter as roupas de baixo sempre limpas. Afinal, você vive disso, não é?

Solto meus braços envoltos em meu corpo e a encaro com ódio. Sophie vai me pagar por toda humilhação que sofri por servir à sua família. Não esqueço das vezes que fez da minha vida um inferno, aproveitando-se da minha miséria para me levar ao limite. Não vou permitir que tenha o que deseja: os holofotes da noite. O que eu terei hoje será algo que ela não terá, os olhos do seu prometido.

As árvores do vilarejo estão enfeitadas com flores e há algumas fogueiras bem posicionadas para iluminar o ambiente com um toque sombrio. Os homens nos encaram com curiosidade e malícia, as esposas e mães sorriem para nós, lembrando-se de quando já estiveram em nosso lugar. Meu vilarejo tem uma cultura muito peculiar, pelo fato de sermos uma mistura de diversas culturas diferentes que fundidas formaram nossos ritos e danças. Apesar do apelo sensual de nossa dança, o evento é uma brincadeira e a celebração pelo nosso crescimento. Crianças correm por entre as árvores, animadas. Flin para ao meu lado, ofegante, enquanto Danille faz sua longa apresentação. Os músicos começam a tocar e ela dança com um lenço, movimentando o objeto em sintonia ao seu corpo.

— Você está linda, tia Su.

— Obrigada, Fliny. – Acaricio seu cabelo loiro e ele brinca com uma pedrinha em minha saia. Um outro garotinho passa por nós e toca o ombro de Flin, fazendo com ele corra atrás do amigo. Danille e Fiorence terminam suas apresentações individuais e chega a vez de eu e as outras meninas roubarmos a cena.

Endireito meus ombros e moldo uma expressão de confiança. Meus olhos encontram os de Evan e percebo que ele já estava me encarando. Não desvio o olhar, muito pelo contrário. Se é uma dança que ele quer, a terá. As batidas de tambor começam a soar e eu balanço meus quadris conforme a música. Evan cruza os braços e trava a mandíbula. Abro um sorriso provocante em sua direção e ele engole em seco. Ah, Evan. Eu sequer comecei.

A música acelera e os passos ficam mais rápidos. Minhas pernas são exibidas pelas fendas laterais da saia e meu cabelo se move conforme me movimento. Evan parece incapaz de tirar os olhos de mim e quando o som acaba, percebo que ele não é o único. Minha mãe sorri, contente com meu desempenho e futuros pretendentes. Ao término das danças, algumas pessoas se encaminham para os comes e bebes enquanto outros dançam em duplas ou trios.

Evan caminha em minha direção sem ao menos tentar disfarçar. Sophie nota e tenta impedi-lo, mas ele lhe sussurra algo que a faz arregalar os olhos repletos de lágrimas. Lágrimas de cobra.

Eu não evito um sorriso, que morre ao sentir Evan puxar meu braço, arrastando-me para o oculto das árvores, longe do fluxo de pessoas que se dirigem as mesas de banquete.

— O que está fazendo? – Questiono, tentando livrar-me dele sem muito sucesso. Minha respiração ofegante parece um grito agora que estamos distantes da multidão. Evan continua apertando meu braço e sua boca se aproxima de meu ouvido. Sinto seus lábios roçarem meu lóbulo e estremeço.

— Quer me deixar louco ao se insinuar a mim daquela forma? – Ele questiona com sua voz rouca enquanto aproxima nossos corpos cada vez mais.

— Você me desafiou ao dar-me estes trajes. — Digo com dificuldade, um pouco zonza com sua proximidade — Não me desafie, Evan. Eu sempre venço.

— Tão bela... – Ele sussurra, seus lábios acariciando meu pescoço. Sinto minhas pernas fraquejarem. Quando tudo ficou tão quente? — ...mas tão orgulhosa.

Minha mente diz o quanto tudo isto é errado, o quanto nós somos errados, mas meu corpo anseia pelo prazer que ele pode me proporcionar. Suas mãos acariciam minha cintura e brincam com o fecho da roupa. Seus beijos descem e descem, atordoando-me com suas carícias.

— Diga pra mim o quanto você também quer isso. – Eu o ignoro, pressionando seus lábios contra os meus. Evan me beija com ardor enquanto acaricia meus cabelos. – Você sempre faz com que as coisas saiam do seu jeito, não é?

Ele me questiona entre os beijos e eu me irrito. Pode não ser o momento propício, mas eu e Evan não conseguimos parar de competir. Sempre vamos querer que o outro dê o braço a torcer. Mas agora isso não importa porque não penso no amanhã. Não penso na briga entre mim e Evan. Não esta noite. Não hoje que tudo é mágico e não quero preocupar-me com nada. Seguro o feixe da parte de cima do meu traje e o solto. Apesar do escuro consigo ver o brilho de choque nos olhos de Evan. O escuro ajuda a me deixar mais ousada. Aproximo-me de seu ouvido.

— Eu nunca imploro – Graças ao feixe aberto, não é difícil livrar-me da roupa. Evan sorri com malícia, os dentes grudados em minha pele.

Com os pensamentos turvos, eu me entrego a ele por completo, sentindo dor e prazer se mesclarem de forma mágica e deliciosa. O resto da nossa noite termina com nós dois emaranhados no chão sobre nossas roupas. Eu o abraço e desejo que jamais saia de perto de mim, fingindo que a paz entre nós pode durar mais que um piscar.

Notas finais
Oi Leitores queridos ♥ Desculpem a demora pra postar e os possíveis errinhos. Ñ estava muito inspirada. Comentem o que acharam do capítulo e os rumos da estória. Obrigada por lerem.