Entre O Bem E O Mal
46 Pedras no Caminho
Notas iniciais
As coisas estavam começando a seguir seu rumo, e a família Mills Swan estava começando a se divertir de verdade em suas férias. Anna tinha aprendido a nadar bem rápido e Emma estava orgulhosa de ter conseguido fazer parte desse momento na vida da enteada, embora a menina ainda agisse com reservas e no fundo Emma achava que talvez ela sempre fosse ser dessa maneira.
Eles fizeram compras durante toda a tarde fora do resort. Voltaram a noitinha para o hotel, Regina e os filhos foram entrando com as coisas e Emma fora deixar o carro que eles tinham alugado com o manobrista, quando a loira estava caminhando de volta ao seu bangalô ela foi surpreendida com um encontrão.
_ Hey!
Quando Emma olhou eis que estava Mulan na sua frente.
_ Mulan!
_ Emma, que grata surpresa.
_ Está me seguindo?
A loira perguntou com a sombracelha arqueada.
_ Ei calma...
A morena levantou as mãos em rendição.
_ Nós acabamos de nos esbarrar.
Emma franziu o lábio. Então pôs as mãos nos bolsos e passou pela mulher na sua frente que segurou seu braço.
_ Emma o que houve? Porque está com raiva de mim?
A loira parou e tirou a mão da morena educadamente.
_ Eu não estou com raiva de você, mas como você sabe eu sou casada e eu amo minha esposa, então entre nós sem chance, entendeu.
Os olhos da morena se abaixaram por um segundo mas logo depois fitaram novamente os da loira.
_ Eu entendo mas...
_ Mas o que?
_ Se ama tanto assim sua esposa porque vai ao bar a noite se encher de tequila? Deveria estar com ela não?
Emma parou em um ponto e desviou os olhos, realmente Mulan tinha um pouco de razão as vezes que ela foi ao bar era porque ela queria ficar longe de Regina, porque tinha raiva. Sim ela tinha raiva de querer estar com sua esposa e vê-la distante o tempo todo.
_ Nós passamos por uma crise, mas já resolvemos.
_Será mesmo Emma?
_ Olhe é como eu disse. Desculpe, mas só há lugar pra Regina no meu coração e na minha vida.
E dizendo isso Emma saiu de perto de Mulan e seguiu seu caminho sem olhar pra trás.
_ Você que pensa que esse é o fim Emma Swan.
Os olhos de Mulan se apertaram em um brilho sádico.
Na manhã seguinte Emma acordou Regina bem cedo com beijos na nuca que subiam pelo pescoço e continuavam na orelha da morena. Regina acordou com um gemido leve e um suspiro.
_ Huummm, bom dia pra você também querida.
Emma sorriu e deu um selinho em Regina. A loira apoiou a cabeça no cotovelo e ficou olhando pra morena a sua frente , seus olhos eram cheios de amor e gratidão por ter o amor de sua vida a seu lado.
_ Um milhão por seus pensamentos.
Disse Regina levando um dedo ao queixo da loira e acariciando o local.
_ Muito fácil de adivinhar estou olhando pra eles agora.
Regina sorriu e se aproximou de Emma capturando a boca de sua amada em um beijo intenso, apaixonado, profundo de amor verdadeiro. Elas começaram a se entrelaçar, pernas com pernas, virilha com virilha, sexo com sexo que cada vez umedeciam mais com o contato. Elas se esfregavam e acariciavam cada parte dos corpos com um amor imenso, mais do que sexo , era amor no mais puro sentido da palavra o que ambas sentiam e seus corpos expressavam naquela manhã. Na hora do ápice das duas uma aura branca uniu seus corpos, e as levitou a alguns centímetros da cama elas nem perceberam, estavam ligadas, conectadas em um nível extra sensorial que as impedia de notar qualquer coisa que estivesse a seu redor. Só existiam as duas no mundo naquela hora e a única coisa que importava era seu amor. O amor verdadeiro, um amor tão puro que ainda não sabia a força que teria.
Anna e Henry tomavam café sozinhos na cozinha do bangalô, eles estranharam um pouco a demora das mães e o garoto já queria acordar as duas mas acabou sendo parado por Anna que disse nunca mais querer ver a cena que presenciou em Storybrooke e isso foi suficiente pra convencer o menino.
Foi então que Anna sentiu uma coisa estranha bater em sua nuca e uma força meio que rodear o ambiente.
_ Magia??
Ela sussurrou sem entender. Regina a havia proibido de fazer magia. Emma não conjuraria sua magia se não fosse estritamente necessário, na verdade Anna acreditava que ela fosse até mesmo incapaz disso. E ela mesma não estava fazendo nada, então de onde vinha essa magia primal tão densa e forte?
_ O que foi maninha?
Henry perguntou tirando Anna de seu questionamento interno.
_ Ãh ? Nada Henry.
_ Você ficou com uma cara.
_ Não foi nada só pensei em algumas coisas.
_ Pra uma garota você pensa demais.
_ E pra um garotinho você pergunta demais também irmãozinho.
Henry respondeu com uma careta que provocou uma risada curta na irmã.
Nessa hora Regina e Emma apareceram na cozinha de mãos dadas e com os rostos de felicidade plena.
_ Bom dia crianças, acordaram cedo !
Regina cumprimentou os filhos com um beijo na cabeça de cada de um e recebendo sorrisos de ambos. Já Emma bagunçou o cabelo do filho sorrindo e deu um suave bom dia à Anna que foi retribuído com cordialidade.
_ Vocês dormiram mais que a cama.
Henry questionou interessado. As duas apenas sorriam com caras de bobas. Anna observava desconfiada mas quieta.
_ Eu já ia lá acordar vocês. Anna que não deixou.
Disse Henry fazendo um biquinho.
_ Então temos que agradecer a Anna por nos deixar descansar um pouco mais não?
Emma falou piscando maliciosamente pra Regina que retribuiu com um sorrisinho sem graça. Anna não disse nada apenas balançou a cabeça, fazendo Regina e Emma rirem.
Mais tarde todos juntos jantavam em um restaurante vendo um show típico de malabarismo de locais com tochas.
_ Bem, eu preciso ir ao banheiro.
_ Eu vou com você filha.
_ Deixe Regina, também tenho que ir, eu acompanho a Anna.
E Emma e Anna se dirigiram ao banheiro. No caminho uma mulher vem e segura o braço de Emma.
_ Precisamos conversar.
Anna olha pra aquilo intrigada e depois olha pra Emma.
_ Anna vai indo que eu já vou.
A garota não discutiu, apenas olhou Mulan de cima abaixo e depois deu outro olhar pra Emma, saindo dali e entrando no banheiro.
_ Eu pedi pra me deixar em paz. Estou aqui com minha família.
_ Emma eu só preciso de uma chance.
Nessa hora Mulan invadiu o espaço pessoal de Emma .
Na mesa Regina e Henry esperavam quando a morena resolveu ir ao banheiro também.
_ Filho aguarde aqui eu não demoro, não saia daqui okay?
_ Tá bom mãe, tá bom.
Disse o menino em um revirar de olhos claramente insatisfeito com o excesso de zelo materno. Regina assentiu e saiu em direção ao banheiro.
Mulan no espaço pessoal da Salvadora, os lábios quase se tocando e Emma um tanto enfeitiçada pelo movimento rápido e também dominada pelo aperto da outra em sua cintura. Então Mulan a beijou e nessa hora ambas viram Rainha e Conquistadora, uma saindo e outra se encaminhando ao banheiro.
_ Emma...!
A Rainha disse em um tom baixo demais para a ocasião , mas alto o suficiente para ser ouvido pelas duas mulheres e sentido por Emma.
_ Gina... espera!
Regina pegou Anna pela mão e saiu feito um foguete dali. Elas voltaram depressa pra mesa e quando iam pegar Henry. Emma as alcançou e segurou o braço de Regina.
_ O que está acontecendo mães?
Henry perguntou confuso. Anna segurou os ombros do menino, ela não sabia o que pensar nem o que fazer.
_ Regina eu só quero falar com você , me deixe explicar.
Regina olhou fundo nos olhos de Emma , nos olhos da morena havia um brilho triste e raivoso ao mesmo tempo.
_ Vc srta. Swan me deixe em paz. Vamos os dois.
_ Mas mãe o que houve?
Henry perguntava assustado.
_ Anna o que houve?
_ Calma Henry, vamos com Regina.
O três saíam quando Regina parou e olhou pra tras bem dentro dos olhos de Emma.
_ Não ouse nos seguir.
Saindo rapidamente com os filhos dali.
A Salvadora ficou atônita e abaixando olhos murmurou.
_ Regina...
Os três mãe e filhos chegaram rápido ao bangalô. Regina não dissera nada durante a pequena caminhada e Henry estava nervoso mas Anna dizia o tempo todo em seu ouvido pra ele ficar calmo que ela explicaria depois. Adentrando a casa Regina foi logo dizendo em tom firme.
_ Os dois direto pro banho e cama.
_ Mas mãe.. o que está acontecendo porque a Emma não veio conosco?
Regina levou a mão ao cabelo puxando a franja pra tras em um claro desconforto por ouvir o nome da loira.
_ Emma fez uma coisa que não deveria ter feito nunca Henry e por isso ela não ficará aqui esta noite. Amanhã nós arrumaremos as malas e voltaremos pra Storybrooke.
Henry arregalou os olhos e Anna pôs a mão no ombro do irmão dando um leve aperto em sinal de que ele deveria deixar por enquanto e os dois sumiram juntos pelo corredor. Assim que os filhos estavam fora de vista Regina desabou, ela já havia prendido a tristeza, o choro, a raiva inúmeras vezes mas aquela cena que ela presenciou era demais pra ela, ela amava demais Emma pra não sofrer por aquilo, pra não se tornar um mar de tristeza naquela hora. A Rainha deixou se cair de joelhos no chão e seu coração voltou no tempo. A dor que ela sentia era intensa enorme e de novo se assemelhava a dor que sentiu por perder seu primeiro amor.
Emma estava confusa, com ódio de Mulan e sem saber como se explicaria com Regina ou mesmo se a morena lhe daria chance para explicação. Emma conhecia a mulher por quem se apaixonou e sabia que não seria nada fácil se fosse realmente possível. A loira sentou em uma pedra do caminho e abaixou a cabeça, seus olhos ardiam pelas lágrimas que teimavam em cair.
No quarto Henry estava confuso e Anna por mais que não entendesse direito porque a loira estava beijando outra mulher tentou acalmar o irmão.
_ Porque elas estão assim? Porque minha mãe Emma não está aqui Anna?
Anna ponderou um pouco antes de responder, ela não sabia o que dizer, mas achou que dizer a verdade não fosse o melhor naquela hora.
_ Elas brigaram eu acho. Mas elas vão se entender Henry. Vai se deitar eu fico com você aqui.
_ Mas Anna...
_ Não discuta com sua irmã mais velha mocinho.
Sorriu dando um beijo na testa do irmão. Se fosse em outros tempos teria achado até bom a loira desgrenhada estar longe. Mas elas estavam começando a se dar bem e Anna tinha visto um lado bom em Emma nunca visto antes. Depois que Henry adormeceu. Anna passou no quarto de Regina ela estava deitada de lado na cama. Parecia estar dormindo mas os soluços baixos fizeram a Conquistadora saber que não. Anna bateu na porta devagar.
_ Regina, posso entrar?
Ela disse colocando só a cabeça pro lado de dentro da suíte principal. Regina não se mexeu muito e tentando disfarçar o choro disse.
_ Vá pra cama filha já passou da hora.
Foi firme , mas com um amargura na voz impossível de não detectar. Anna pensou em deixa- la sozinha , mas ao ouvir os soluços aumentando com o barulhinho da porta ao se fechar, fez com que a menina retornasse. Dessa vez sem pedir Anna se aproximou de Regina e deitou abraçando suas costas. O abraço pequeno e inesperado da filha fez Regina se espantar um pouco. Anna não era muito dada a essas demonstrações de carinho, por mais que estivesse aceitando sempre e retribuindo, poucas eram as vezes que isso partia da menina e isso tornava esses momentos especiais. E por mais que Regina estivesse devastada, ela segurou o abraço da filha no seu e fechou os olhos, deixando as lágrimas caírem. A Rainha sempre protegia seus filhos de tudo mas era ela quem necessitava de proteção naquela hora e Anna sabia disso . E por mais que não soubesse direito o que fazer, ela ficaria ali com a mãe.
Emma passou a noite andando praticamente. Ela voltou pro bangalô já era quase dia e Anna era a única acordada não tinha pregado o olho depois que Regina adormeceu cansada de tanto chorar. A garota levantou e ficou sentada na sala pensando, tentando descobrir o que fazer. Matar a loira desgrenhada e a outra que ela estava beijando. Bem, era uma opção até relevante, mas Regina sofreria mais ainda. Quando Anna teve esse pensamento ela se viu diferente , viu o quanto mudara desde que saiu do coma, desde a morte de Cora, desde que Regina, Emma , Henry e ela se tornaram uma família. Pois era isso que eles eram uma família agora. Anna sorria boba no calor que sentia em seu próprio coraçãozinho ao pensar nisso ao sentir se tão mudada e preenchida com os três e que mesmo que não dissesse muito e não fosse muito carinhosa , ela estava aprendendo a ser e não porque era a coisa certa a se fazer, ou porque Regina era sua mãe e Emma sua ... bem ela ainda não tinha uma definição sobre o que Emma era, só sabia que tinha se tornado uma boa amiga, a primeira que Anna havia tido. O fato é que dentro da Conquistadora, ela nem gostava mais de se denominar assim, nascia a cada dia junto com aquelas três pessoas um sentimento enorme e cheio de vida, algo que ela nunca teve com nenhuma conquista que nenhum poder pode dar a ela em toda sua vida. Anna estava AMANDO sua família.
Assim que Emma entrou pela cozinha se deparou com Anna sentada em um banco tomando café. A garota olhou pra loira com um olhar desafiador e a xerife engoliu em seco.
_ Bom dia Anna, onde está a sua mãe?
_ Dormindo.
Emma estava tão sem graça que nem conseguia olhar pra Anna direito mesmo não tendo culpa. Ela sentou e apoiando os cotovelos na bancada pôs as mãos na cabeça.
_ Eu não tive culpa ela simplesmente me agarrou, aquela maluca. Eu não sei como aquilo aconteceu...
Emma simplesmente falava esquecendo de quem estava na sua frente. Ela falava e chorava e Anna apenas a olhava examinando minunciosamente a loira, queria ter certeza de que Emma dizia a verdade. Com os olhos encharcados de lágrimas Emma levantou a cabeça, olhou nos olhos azuis a sua frente que só a olhavam como se atravessassem seu corpo e tentassem ler a sua alma.
_ Eu não estou mentindo Anna. Eu não tenho porque mentir eu amo a Regina.
Mais uma vez a Conquistadora ficou em silencio, seu olhar era de um felino que examinava a presa, estudando cada expressão corporal , cada nuance de voz. Então finalmente a garota levantou. Caminhou até a jarra de café no balcão , pegou uma caneca que ficava num dispenser ao lado da máquina e a encheu, caminhou de volta em direção a Emma. A loira observava os movimentos da pequena um pouco ressabiada , Anna podia estar sem o Jaguadarte dentro de si mas ela ainda era poderosa demais pra se subestimar. Então Anna parou de frente pra Emma e colocou a caneca na bancada na frente da loira.
_ Beba, se acalme. Tome um banho e se recomponha, vai precisar de mais do que choro e um” eu não tive culpa” pra convencer Regina da verdade.
E a garota se afastou voltando pra sua própria caneca e sentando no banco de onde saíra.
_ Você acredita em mim Anna?
_ Não preciso acreditar eu sei que é verdade. Seus olhos são um livro aberto loira não sei se isso é uma qualidade ou defeito...
Anna fora sarcástica nessa hora.
_ ... mas não espere a mesma racionalidade de Regina. Pelo menos eu não esperaria.
E levantou deixando a xícara na pia e saindo da cozinha.
_ O que eu faço Anna?
Emma falou com os olhos tristes e suplicantes. Anna parou um instante e ainda de costas pensou, por mais que ela estivesse gostando de Emma agora ela não sabia o que dizer e nem sabia demonstrar direito isso pra loira, ela estava tentando o melhor que podia. A garota disse sem se virar.
_ Diga a verdade como disse pra mim se ela a ama tanto quanto parece ela vai entender mesmo que não agora.
E saiu da presença de Emma.
Regina acordou com um barulho de chuveiro, era Emma que tinha acabado de sair do banho. Com um roupão branco e secando os cachos loiros com uma toalha da mesma cor. Regina piscou os olhos e sentou rapidamente na cama ao ver sua mulher a sua frente. Emma parou ficando imóvel e deixou a toalha em uma cadeira. Regina estava com os olhos vermelhos e seu rosto deixava claro que ela tinha chorado a noite toda. Mas ela era Regina Mills e ser estóica estava no seu DNA. Ela se ajeitou levantando e passando a mão no rosto que no mesmo movimento se estendeu aos cabelos.
_ O que você faz aqui srta. Swan?
Perguntou em um tom gélido que percorreu a espinha de Emma dando a ela o claro tom da conversa a seguir.
_ Gina eu...
_ Não me chame assim por favor.
Emma abaixou os olhos.
_ Tudo bem. Regina eu preciso te explicar o que houve.
Regina não disse nada apenas foi até o banheiro e com a porta aberta foi até a pia lavando seu rosto e escovando seus dentes. Aqueles minutos que pausaram a conversa levaram Emma a um inferno particular de espera.
Voltando ao dormitório. Regina estava mais refeita e sua máscara de prefeita começava a emoldurar mais ainda seu rosto.
_ Eu não quero ouvir desculpas srta. Swan. Eu sei o que eu vi. Você beijando aquela mulher, ninguém me disse eu vi, eu e minha filha que não precisava presenciar tal cena tão degradante.
Emma estava arrasada com o tom de Regina, ela a amava tanto e ver aquele olhar sendo direcionado a ela por parte da Rainha a deixava em pedaços.
_ Regina ela me beijou, eu sei que é idiota ouvindo assim, mas foi o que aconteceu. Eu a conheci no dia que fui a um bar aqui do hotel. O dia em que discutimos por você não estar me dando atenção.
_ Então eu não te dou atenção e você vai procurar nos braços de uma bartender? Isso só melhora Emma.
_ Não foi isso Regina. Ela me serviu umas bebidas, apenas conversamos um pouco, mas eu sempre deixei claro que era uma mulher casada só que ela cismou comigo, eu não tive culpa sempre cortei a dela , inclusive naquele dia.
Regina não estava com cabeça pra nada, sentia raiva e apenas isso e não queria saber. Ela tinha ódio de Mulan e estava tão triste com Emma que não poderia raciocinar direito nem que quisesse. Depois de uma pausa longa e um suspiro profundo ela voltou.
_ Emma , meus filhos e eu voltaremos pra casa hoje a noite e você pode ficar se quiser o resort está pago mesmo até o fim da semana.
_ Regina não seja assim. Será que eu não mereço um voto de confiança ? Eu sempre fui fiel a você que motivos eu dei pra você desconfiar de mim?
Regina se virou e sem conseguir olhar pra Emma ela disse.
_ Ontem a noite você me deu todos.
Aquela frase foi uma facada no coração de Emma. Aquela na sua frente não era sua mulher, não era a Regina que ela defendeu dos cidadãos depois da maldição ser quebrada. O coração de Emma doía, ela tinha dado um voto de confiança a Regina naquela época então porque não podia receber o mesmo agora? Porque? A loira perguntava a si mesma. Então com o coração sangrando e os olhos ardendo com as lágrimas que teimavam em tentar cair ela disse.
_ Eu amo você Regina mesmo que não acredite, mesmo que não entenda. Mas você não confiar em mim dessa forma me diz que talvez eu tenha amado demais a pessoa errada.
E recolhendo a roupa que vestiria na mão e suas botas Emma saiu do quarto. Ela se trocaria em outro banheiro e depois sairia dali. Regina não se virou nem um momento nem antes nem depois que Emma saiu e com os braços cruzados sobre o próprio peito, ela chorou o choro mais triste que já chorara desde de Daniel e desde que achou que tinha perdido sua Anna.
Já era noite quando os três . Henry, Regina e Anna estavam prontos pra voltarem pra Storybrooke. Regina tinha falado mais ou menos com o filho que tinha ficado muito triste e preocupado com Emma. Mas a loira havia ligado pro menino e o tranquilizado que estava bem e que logo voltaria também pra cidade. No caminho pro aeroporto e no avião , os três estavam demasiadamente calados. Anna já era assim mesmo, mas não ouvir nenhuma das brincadeiras de Henry e ver os olhos triste do menino deixavam Regina mais amargurada ainda. E mesmo em sua filha com sua aparência séria , ela sentira um pouco de pesar principalmente quando a menina olhava pro irmão.
Assim que chegaram na cidade ,Regina não havia avisado a ninguém que voltariam, eles foram direto pra mansão e foram recebidos por Málica. A serva já ia perguntar por Emma , quando Anna com apenas um olhar disse que ela deveria se calar e a mulher começou a levar as malas pra cima. Henry tinha ido correndo direto pra seu quarto e Regina sabia que ele estaria chorando. Ela já ia consolar o filho quando sentiu a mão da filha em seu braço.
_ Deixe Regina , eu falo com ele. Vá descansar você também precisa disso.
Anna deu o olhar mais doce que podia e Regina retribuiu fazendo um carinho no rosto da filha. Depois as duas subiram as escadas indo em direções opostas. Regina pra seu quarto e Anna para o de Henry.
Anna bateu na porta e entrou. O menino estava deitado na cama de bruços o choro podia ser ouvido da porta. Anna não sabia porque tinha tanto jeito com o irmão, mas ela tinha. Ela sentou na ponta da cama e afagou as costas do garoto.
_ Hey garoto. Tá tudo bem, elas vão se entender.
_ Como você sabe?
Henry falou ainda com a cara enterrada no travesseiro.
_ Porque elas se amam, eu acho. E a loira está dizendo a verdade.
Anna dizer aquilo era tão estranho que ela meio que travou ao dizer e mais ainda pra Henry que parou até de chorar pra olhar pra irmã. Depois levantando o corpo e sentando na cama espantado.
_ Eu pensei que você não gostasse da minha mãe.
Anna parou por um tempo e fitou algo na parede só pra desviar o olhar do irmão. Pensou um pouco procurando as palavras a dizer e começou.
_ Eu não gostava, ela... bem isso não vem ao caso agora. O que importa é que eu sei que elas vão acabar se entendendo.
Disse da melhor maneira que pode.
_ Você não conhece a nossa mãe Anna, ela é muito teimosa. Ela pode nunca acreditar na Emma. Seja lá o que ela tenha feito que ninguém me conta.
O menino fez beicinho e cruzou os braços. Anna revirou os olhos ao comportamento do irmão, mas no fundo ela achava até engraçada a forma dele se expressar.
_ Eu já percebi a teimosia de Regina pra algumas coisas..
Anna não estava mentindo havia mesmo percebido e até mesmo reconhecido esse traço em si própria como algo herdado da mãe.
_ ...mas pelo o que conheço da loira desgrenhada ela também não desiste fácil . Então elas vão se entender. E talvez nós possamos até ajudar de alguma forma.
Deu um sorriso genuíno ao irmão recebendo outro de volta. Nesse momento o rosto do menino se iluminou.
_ Ajudar como? Como em um plano? Uma operação cobra?
Anna olhou pro irmão confusa.
_ Uma o que?
Henry revirou os olhos ao desconhecimento da irmã. Mesmo ele sabendo que ela não era obrigada a saber sobre aquilo.
_ Operação cobra Anna. Eu vou te explicar.
E o garoto contou tudo a Anna sobre no que consistia um plano como esse. A garota ouvia a tudo meio incrédula, mas se aquilo fazia o irmão se sentir feliz , ela faria.
_ Podemos chamar assim então.
_ E quando começamos?
_ Você tem o telefone da loira não tem?
_ Tenho sim.
Henry sorriu.
_ Então começaremos assim que ela voltar pra cidade.
Anna sorriu determinada. Enfim uma missão , uma conquista, ela pensou. Mesmo que essa fosse deu uma natureza totalmente desconhecida a ela Mas foi desperta de seu momento pelo irmão.
_ Anna porque você a chama assim de loira desgrenhada?
Henry perguntou rindo um pouco.
_ Ãh não sei, me pareceu apropriado a ela na época.
_ E não é mais?
Henry perguntou meio confuso.
_ Na verdade não, mas na falta de algo melhor continuo com o loira. E você faz tanta pergunta menino.
Bagunçou o cabelo do irmão que sorriu.
_Vou descansar agora , faça o mesmo.
E levantou da cama do garoto indo em direção a porta.
_ Precisamos descansar pra operação cobra né Anna?
Sorriu o menino e Anna ainda sem se virar já com a mão na maçaneta respondeu.
_ Isso garoto. Agora durma.
E saiu do quarto do irmão.
Na ilha Emma estava desolada , ela havia ficado apenas pra resolver um assunto Mulan e depois ela voltaria pra Storybrooke. Era noite e a loira foi ao bar onde tinha visto a morena pela primeira vez e certo como Emma pensava ela estava lá.
_ Emma!
Mulan sorriu com um brilho nos olhos que apenas as perseguidoras tem. Emma fechou seu semblante e falou duramente com a mulher.
_ Você , quero falar com você lá fora!!
Quase gritou e Mulan não teve escolha a não ser seguir a loira. Assim que saíram do bar Emma foi logo falando colocando o dedo bem na cara de Mulan.
_VOCÊ... VOCÊ SABE O QUE VOCÊ FEZ? COM SUA INSISTENCIA E AQUELE BEIJO IDIOTA? MINHA MULHER, MINHA FAMÍLIA, VOCÊ ARRUINOU TUDO!!!!
A loira gritava com ódio nos olhos e Mulan se encolhia a seu avanço.
_ Emma eu só queria uma chance, uma chance de te provar que posso te dar mais amor e atenção que ela.
_ Você só pode ser louca eu nem te conheço e eu sempre deixei claro que amo minha esposa.
_ A ama tanto e mesmo assim passava a noite na tequila.
_Isso não é da sua conta.
Mulan colocou um sorriso maquiavélico no rosto e segurou a mão de Emma.
_ Você só precisa me dar uma chance Emma . Só uma chance e eu te faço muito mais feliz do que aquela sem graça da sua mulher.
Nessa hora os olhos de Emma sem encheram de ódio. Como aquela vadia teve coragem de falar de Regina. Sem pensar Emma encheu a mão e deu um tapa bem dado no meio da cara de Mulan que deu dois passos pra trás com o impacto. Mulan olhou com os olhos vermelhos de raiva levando a mão ao rosto que tinha a marca dos quatro dedos da loira tamanha foi a força do tapa. E antes que a morena pudesse dizer alguma coisa Emma começou.
_ Nunca mais me procure , olhe pra mim , sequer respire o mesmo ar que eu. Ainda bem que eu vou embora dessa ilha assim não preciso olhar nunca mais pra essa sua cara de pau.
E sem dar chance pra resposta saiu dali. Mulan observava com um olhar de ódio e sadismo que davam medo.
_ Você vai me pagar Emma Swan , você vai me pagar muito caro.
E passou a língua no corte que o anel de Emma fizera em seu lábio.
Emma estava terminando de arrumar suas coisas no bangalô pra ir embora. O que ela não sabia é que por trabalhar no resort Mulan já tinha recolhido muitas informações sobre a família e facilmente descobriu quando a loira embarcava e pra onde. Ela seguiria Emma de volta e se vingaria da loira. Já que Emma não seria dela não seria de mais ninguém.
A xerife chegou ao aeroporto e enquanto esperava seu voo seu celular tocou era o numero da mansão. Seu coração batia acelerado nessa hora “Regina” ela pensou , mas ficou surpresa ao ouvir a voz de Anna.
_ Xerife swan!
_ Anna ??
_ Sim. Quando volta pra cidade?
Anna não era de muitos rodeios.
_ Estou no aeroporto , embarco em uma hora mais ou menos.
_ Ótimo. Assim que estiver em Storybrooke entre em contato comigo.
Anna mais mandava do que pedia e Emma riu um pouco com o tom da enteada. Emma estava começando a perceber a boa vontade de Anna com ela, mesmo que isso ainda fosse bem mascarado pelo comportamento sério da menina.
_ Sua mãe...
Anna nem deixou a loira terminar.
_ Não, isso é entre eu e você... e o Henry.
A garota mencionou o irmão que a cutucava pedindo pra falar e ela com um olhar pediu pra esperar.
Emma arqueou a sombracelha.
_ O que vocês estão aprontando ?
Anna revirou os olhos.
_ Eu não apronto xerife swan, tudo o que faço é estritamente necessário de uma forma ou de outra.
Anna sabia que não era verdade, ela já fez muita coisa que não deveria ter feito, mas ela morria e não admitia isso pra Emma. Pra Regina, talvez um dia, mas isso não vinha ao caso.
_ Então o que é? Como está Regina?
_ Ela está bem, meio estranha e anda enjoada, sei lá porque. Mas está bem.
Enjoada?? Emma se perguntou, o que Anna queria dizer com enjoada.
_ O que você quer dizer com enjoada pequena?
Emma perguntou num tom maternal que Anna nunca tinha visto ela oferecer a ela e isso meio que travou a Conquistadora. Ela ficou uns segundos calada.
_ Anna...Anna...Anna...
Emma chamava e Henry do lado de Anna a olhava confuso.
_ Eu.. estou aqui Em.... quer dizer xerife swan.
Emma sorriu ao ouvir seu quase nome ser pronunciado pela menina em vez do loira, ou loira desgrenhada habituais. Mas logo Anna sacudiu sua mente e voltou a seu tom sério.
_ Então é isso, assim que chegar contacte me.
_ Tudo bem pequena.
Anna pensou em retrucar aquele pequena de Emma, mas no fundo, talvez nem tão fundo assim que ela não admitia nem pra si mesma ela tinha gostado do tratamento de loira com ela.
_ Okay boa viagem.
_ Obrigada Anna.
E desligaram.
_ O que te deu?
Henry perguntou com um olhar confuso.
_ Do que está falando?
_ Dessa cara que você ficou agora pouco, parecia que estava sei lá em outro lugar.
_ Impressão sua irmãozinho.
Anna remexeu o cabelo do irmão e ele sorriu.
_ O que ela disse Anna?
_ Embarca em uma hora. Logo estará aqui e vai avisar quando chegar.
_ Aí começamos a operação cobra?
_ Sim Henry. Aí começamos
Anna disse ainda incrédula em que aquilo funcionaria.
Horas e horas naquele avião. Emma não dormira e nem pensara em nada a não ser Regina. Ela estava intrigada com o estado da Rainha que Anna havia descrito, aquelas palavras podiam dizer muita coisa principalmente vindas de Anna. Mas a loira sacudiu sua mente e tentou se centrar. “ Fique calma e se concentre Emma, você tem muita coisa o que resolver quando voltar. Ficando ou não com Regina novamente.” Emma disse pra si mesma.
Em Storybrooke Regina estava tentando se manter normal, principalmente á vista dos filhos. Mas tanto Anna quanto Henry estavam percebendo as mudanças em seu comportamento. Os três tomavam café quando Regina começou a se sentir não muito bem assim que tomou um gole de seu café favorito. A morena colocou a mão na boca e saiu correndo. Anna e Henry ficaram se olhando estranho.
_ O que ela tem Anna?
A garota faz uma pausa e depois uma sinal com a cabeça de “Não tenho idéia “ Embora estivesse desconfiada de algo. No banheiro Regina estava mal, ela tinha vomitado o que comera e o que não comera. Ela apoiou uma mão na parede e com a outra apertou o botão da descarrega do sanitário. Passando a mão pelo cabelo Regina rumou até a pia lavando as mãos e passando água no rosto. Apenas pra depois fitar seu próprio reflexo no espelho. Estava pálida, um tanto gelada.
_ O que está acontecendo comigo?
A morena se perguntava sem imaginar que uma vida estava se desenvolvendo dentro dela naquela hora.
Todo o tempo que esteve no avião, ela pensava em Regina e em como falaria com a morena. Como se explicaria, como falaria não só com ela mas com a família inteira. A viagem que deveria ser um sonho em família se tornou um pesadelo onde as duas mulheres agora se encontravam separadas. Assim que Emma pisou em Storybrooke , antes mesmo de chegar em casa. Ela pegou o telefone e ligou pra mansão. Já caía a noite na cidade mais ou menos lá pela hora do jantar e a loira tinha esperança de que os pequenos atendessem.
Na mansão branca da Rua Mifflin Regina estava com tantos pensamentos na cabeça que pos se a cozinhar. Ela havia começado com um simples lanche para os filhos e não havia parado até a hora do jantar. A quantidade de comida era tanta que daria pra alimenta-los por quase uma semana. Anna e Henry observavam a mãe andar de um lado pra outro da cozinha misturando ingredientes, assando, fervendo e cozinhando como se não houvesse amanhã, totalmente atônitos. Anna até tinha pensado em parar a Rainha com um bloqueio mágico, mas resolveu não se meter, apenas observar. Henry até que estava gostando de ver bolinhos, tortas e outros doces sendo produzidos pela Rainha em escala quase interminável, e não parava de experimentar. As bochechas cheias do menino denunciavam isso.
_ Filha e você não vai comer nada?
Regina perguntou limpando as mãos no avental e colocando uma mecha de cabelo para tras da orelha. Anna não era de comer muito e tinha experimentado um ou outro bolinho o que já era suficiente pra ela.
_ Eu comi Regina. Só não estou tentando estocar comida pra todo o inverno no meu estomago.
A garota disse em claro tom de sarcasmo que a Rainha não aprovou nem um pouco, dando um olhar um tanto rígido. Anna não se importou com o olhar da mãe e deu de ombros. Henry observava as duas sem parar de mastigar. Nessa hora o telefone tocou e Regina se adiantou para atender, sendo parada por Henry que pulou do banco e saiu em direção a telefone falando de boca cheia pelo caminho.
_ Deixe que eu atendo mãeeeee !!
Assim que o garoto atendeu e ouviu a voz de sua mãe loira , abriu um grande sorriso e deu um grito chamando sua irmã. Anna na cozinha, levou um susto e Regina também. Mas fazendo um sinal de pare com a mão a garota tranquilizou a mãe.
_ Eu vou ver o que ele quer se você sair daqui algo pode queimar.
Deu um leve sorriso antes de deixar o comodo e se dirigir ao corredor onde Henry estava no telefone. Do outro lado da linha Emma falava.
_ Eu acabei de chegar filho. Nem fui pra casa ainda. Como estão as coisas aí?
_ Tudo bem mãe. A mãe não para de cozinhar.
Anna olhou pra Henry e perguntou falando bem baixo.
_ É a Emma?
Henry assentiu dizendo que sim. Do outro lado da linha Emma sabia que Regina não estava bem, a morena desatava a cozinhar sempre que estava preocupada.
_ Onde a Anna está?
_ Ela está aqui mãe do meu lado.
_ Passe pra ela filho por favor.
Henry imediatamente passou o telefone pra Anna.
_ Ela quer falar com você.
A menina pegou o telefone e falou.
_ Xerife já chegou á cidade?
_ Sim Anna, ainda nem me instalei. Liguei logo pra vocês. Como está Regina?
_ Ela está ...
Anna fez uma longa pausa pra pensar em como pôr em palavras o estado da Rainha.
_ Ela só está um pouco estranha. Acho que é devido a situação de vocês...
Outra pausa feita pela garota. Um pouco menor dessa vez.
_ Mas ela está bem no geral.
Emma ficou com uma expressão séria difícil de decifrar. Enquanto isso na linha da cidade , uma estranha vem caminhando. Ela não tinha conseguido explicar ao taxista onde ficava a cidade chamada Storybrooke. Ele nunca tinha ouvido falar em tal lugar. Então a deixou na estrada principal. Ela teve que andar muito até chegar aos limites da cidade e já estava perdendo as esperanças de encontra-la , quando viu a placa Bem Vindo a Storybrooke. Os olhos da morena brilharam de uma forma sádica, ela finalmente tinha chegado a seu destino e a sua vingança contra Emma Swan estava finalmente começando.
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