Entre O Amor E A Guerra
73 Capítulo 73 - Um amigo nunca abandona o outro.
Notas iniciais
Ficariam ali até a transferência de Quinn, não arredariam o pé nem que a tropa nacional aparecesse...aprenderam que um amigo nunca abandona o outro, nunca mesmo. Quinn ouvia a conversa das meninas fingindo estar alheia, mas tinha certeza que ainda retribuiria o carinho de Santana para com ela...mataria Emily a qualquer custo!
Já era noite e a transferência ainda não havia sido autorizada pelo poder judiciário; por mais que Rodrigo e Marcos tivessem usado todo os seus conhecimentos, tanto profissionais quanto pessoais, parecia que algo conspirava contra...primeiro um dos juízes procurados aceitou ler o processo de Quinn, mas misteriosamente depois disse que demoraria pelo menos 24 horas para dar um parecer; depois Rodrigo conseguiu que o processo fosse encaminhado para outra vara criminal naquela mesma tarde, mas mais uma vez misteriosamente não chegou ao local determinado, tendo ficado “perdido” junto a processos do Fórum que o receberia em caráter de urgência. O fato era que anoitecia e Quinn permanecia na enfermaria da unidade policial, com muita dor e o rosto desfigurado. Já quase não falava e apresentava febre muito alta, delirando em alguns momentos. A enfermeira Sue, mesmo tendo terminado seu plantão, permaneceu na unidade, temerosa de algo pior pudesse acontecer.
– Ela precisa ser transferida, essa febre não é normal em casos de espancamento; a impressão que tenho é que algum órgão interno deve ter sido afetado, por isso a necessidade urgente de exames mais completos que possam nos dar uma idéia mais clara do quadro clínico dela. Dizia Sue a Rachel, que se desesperava com o passar das horas. A cada meia hora fazia contato com Rodrigo e Marcos, mas ambos achavam que atravessariam a noite insistindo junto ao plantão judiciário para que Quinn fosse liberada para ser encaminhada a um hospital.
Santana estava da porta da enfermaria olhando Rachel ao lado da cama de Quinn...a Hobbit chorava baixinho para não preocupar ainda mais a namorada, o rosto estava banhado por lágrimas mas ela não largava a mão da loira, que tinha alguns espasmos e já não a reconhecia. Aquela cena cortava o coração da latina, pois sabia o quanto o amor daquelas duas era verdadeiro e o quanto sabia que lutariam para ficar juntas. Lembrou-se de tudo que Quinn havia feito por ela, todas as vezes que se arriscou para tirá-la de situações de perigo, especialmente na noite em que Emily lhe fez tanto mal; sabia que a loira daria sua vida por ela sem pensar duas vezes...era hora de retribuir todo aquele amor incondicional de irmã. Para isso precisava arriscar sua própria integridade...foi pensando nisso que saiu e reuniu o bando do São Jorge, que permanecia em vigília fora da unidade.
– A liberação da Quinn não vai sair antes que ela morra de uma hemorragia interna. Temos duas possibilidades, ou a deixamos morrer ou a tiramos daqui do jeito que aprendemos no São Jorge, tomando o que é nosso. Sei que é errado o que vou propor a vocês, mas prefiro pagar por um erro que ver a minha melhor amiga morrer sem ter tentado salvá-la. Disse Santana ao grupo, que conversava afastado da multidão.
– Santana é você?! A impressão que tenho é que te abduziram e invadiram seu corpo...está nos convocando para invadir aquela unidade e tirar a Quinn de lá na base da bala ? Disse Blaine, ainda assustado com a postura bitch da latina.
– Não exatamente Blaine; não fui abduzida, mas entre a vida e a morte da Quinn eu optei pela vida. Não vamos invadir na base da bala, mas vamos invadir de peito aberto, esperando o que der e vier da polícia, vocês estão comigo?! Não temos mais tempo para esperar, é agora ou nunca. Disse Santana, olhando para todos, que prontamente concordaram em invadir aquela masmorra de maus tratos e tirar Quinn de lá; logo Finn, Puck e Blaine reuniram mais pessoas dispostas a colocar o terror naquela unidade, trataram de proteger as crianças e os adolescentes que estavam lá, e partiram para o ataque.
Eram quase 22 horas quando o movimento estava todo aposto, agora bem mais próximo da entrada da unidade. Santana com o megafone deu o ultimato, avisando que aquela unidade seria invadida caso Quinn não fosse encaminhada imediatamente para um hospital para receber atendimento digno. Á distância, Finn fez alguns disparos para cima, como havia combinado com o grupo. A intenção era assustar os policiais dali, que eram poucos àquela hora da noite. Rory tremia igual uma vara verde, nunca enfrentara uma situação daquelas, e quando ouviu os tiros, queria sair atirando contra a população.
– Você é louco seu retardado? Não vamos atirar em ninguém, eles são muitos e acertaríamos apenas alguns, causando um problema de dimensões assustadoras para a corporação. Alem de não resolvermos o problema seríamos tratados como matadores de inocentes manifestantes em busca de paz...seríamos massacrados pela mídia, que adora um sensacionalismo barato. Você é um idiota que primeiro deixou a loirinha ser surrada, depois uma mandachuva da favela apanhar mesmo estando sozinha em uma cela...você é um ridículo Rory!! Disse o delegado dando um murro na mesa e chamando Sue em sua sala. Lá fora os manifestantes começavam a forçar as grades de entrada da unidade, não demoraria muito para derrubarem uma delas e invadir o local.
– Enfermeira Sue, qual é a situação de Quinn Fabray?! Perguntou Michel, meio impaciente.
– Nada boa delegado, pelos meus conhecimentos posso apostar que ela teve rompimento de baço com a surra que levou. Embora não seja médica posso dizer que a febre de quase quarenta graus é resultado de algum órgão interno afetado, sendo que a região onde ela vem sentindo mais dor é a região do baço. Disse Sue, preocupada com o quadro clínico de Quinn, que se agravava.
– Vá lá fora e converse com aquela morena pilantra que está liderando esse motim. Diga que iremos transferir a presa mesmo sem a autorização do poder judiciário. Como é um caso de risco de vida vamos atender ao pedido deles, pois sou um bom homem e prezo pela vida humana. Disse Michel, com certa ironia na voz, o que foi percebido rapidamente por Sue, que correu para falar com Santana e toda a multidão que se aglomerava forçando a entrada da unidade.
– Latina malcriada peça ao seu povo do submundo que pare de vandalismo!! Venha cá para me ajudar a salvar a favelada loira!! Disse Sue, zuando um pouco com a cara de Santana.
– Essa série de insultos é para dizer que poderemos levá-la ao hospital? Arregaram enfermeira Sue? Tô achando que está assim tão carinhosa pois está apaixonada por essa morena gostosa aqui!! Disse Santana, colocando a cabeça dentro de um buraco feito em uma das vidraças quebradas por uma pedra atirada por Puck.
– Até pego menininhas, mas prefiro as forrozeiras e as que curtem arrocha, funkeiras dão muito trabalho, são barraqueiras demais!! Entre logo antes que eu desista de salvar sua amiga senhorita Santana. Falando isso Sue deu um sorriso amigo para Santana, que entrou correndo e foi direto a enfermaria, onde Quinn já respirava com dificuldades. Arrumaram a garota rapidamente na maca e foram direto para a parte de trás da unidade, onde ficava uma ambulância velha e pouco utilizada, afinal os presos sempre morriam antes de receberem socorro. Sue precisava ir na parte de trás mantendo Quinn viva, assim Rachel chamou Puck e os meninos, que ajudariam na remoção.
No volante da ambulância ninguém melhor que Puck, considerado o “piloto de fuga” do morrão nas situações de emergência; no carro da frente Finn e Blaine saíram abrindo caminho, furando sinais e guiando o caminho até o hospital escolhido por Rachel, que estava na parte traseira da ambulância, segurando a mão da namorada, que delirava e a chamava o tempo todo. Santana sentada do lado de Puck gritava a cada curva, morrendo de medo de morrer antes de chegar ao hospital.
Em menos de dez minutos chegaram a um grande hospital, luxuoso não só no tamanho, mas também no atendimento; Rachel entrou correndo na frente e se apresentou dizendo em alto e bom som seu sobrenome, sendo prontamente atendida por enfermeiros e médicos, que tiraram Quinn da ambulância e a levaram imediatamente a sala de emergências. Em menos de meia hora já haviam feito todos os exames necessários e constatado a necessidade de retirar o baço de Quinn, que como Sue havia pensado, tinha sido atingido e provocado uma hemorragia interna na loira. Puck, por ser o parente mais próximo rapidamente autorizou o procedimento, afinal era a única forma de conter a hemorragia. Segundo os médicos depois da cirurgia Quinn ficaria novinha em folha, ai sim se dedicariam ao rosto da loira, que também estava muito feio.
Agora era esperar aquela cirurgia que duraria algumas horas...recostados uns nos outros, o grupo dormiu como criança na recepção do luxuoso hospital, esperando que tudo corresse bem e a loira saísse de mais aquela enrascada!!
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