Entre O Amor E A Guerra

25 Capítulo 25 - Se não houver amanhã...


Notas iniciais
Boa madrugada amores...depois de um dia inteiro na cama, agora o corpo tá doendo e não consigo dormir. Cada dia acredito mais que o que não me mata, me fortalece!! Capítulo novo...e morno, como eu estou hoje!! Bjs

O carro parou e Quinn tirou Santana com cuidado, no colo; a vontade era nunca mais deixar alguém machucá-la, encostar, se aproximar. Não entendia muito bem aquele estranho sentimento de proteção, mas era algo que ia além dela, era mesmo sem medidas e sem explicação. Os meninos, assim como Rachel, observavam a interação das duas meninas, especialmente a forma como Quinn cuidava da latina depois que a colocou na cama: limpava os ferimentos do joelho e da face, ao mesmo tempo em que tentava ser carinhosa e acolhedora, acariciando levemente seus cabelos negros.

Depois levou a morena ao banheiro e ajudou a menina a tirar a roupa e tomar banho, para depois ir para o quarto e desabar na cama. Berry, por mais que não entendesse seus sentimentos por Quinn, e soubesse que a latina estava fragilizada e em choque, sentiu-se extremamente enciumada e preterida...o hobbit, mesmo sem entender porque, era ciumenta e possessiva!!

— Impressão minha ou o nosso “re-seqüestro” não deu certo? Posso estar machucada, mas não louca; o que a Rachel faz solta, sem capuz e de bico? Falou Santana, tentando esboçar um pequeno sorriso quando viu Rachel e os meninos entrarem no quarto para vê-la.

- Muitas coisas não foram como planejamos meu anjo. Mas pode ficar tranqüila que ela vai nos ajudar com essa história do seqüestro. Por agora não pense nisso, apenas tente relaxar o corpo e descansar, pois amanhã será mais um dia difícil na sua vida.

- Sei que passou por um momento muito difícil agora pouco Santana, mas quero que saiba que eu já estou por dentro de tudo o que aconteceu. Na verdade me lembro da sua voz, da sua preocupação quando viu a menina japonesa ferida e que foi você que a levou para o hospital. Lembro claramente do esporro que você deu na sua namorada e sei que você não sabia de nada do meu seqüestro. Quero que saiba que amanhã daremos um jeito de resolver tudo isso sem envolver seu nome, e Marcos e Britt nem sonharão que o mundo deu tantas voltas e eu vim parar na sua casa. Falou Rachel, em mais um de seus muitos monólogos.

A verdade era que Santana demorou quase uma hora para se dar conta da presença da menina na casa, entrou nos braços de Quinn com a cabeça afundada em seu pescoço, e não quis falar com nenhum dos meninos; mais do que a dor da surra, doía o coração. Quinn e Finn prepararam compressas e trataram de cobrir a latina de mimos, evitando tocar no assunto.

- É pedir muito se quiser que você durma comigo esse resto de madrugada? Sei que amanhã terei que encarar toda essa realidade, mas hoje eu só preciso me transportar desse mundo para outra dimensão. Sussurrou Santana, pedindo a Quinn que ficasse com ela aquela noite.

- Eu dormiria aqui contigo mesmo se você tentasse me expulsar a tiros do quarto. Nunca te deixaria sozinha em uma situação dessas, minha primeira dama. Falou Quinn, que se aconchegou na latina, abraçando-a e fazendo carinho para que ela relaxasse.

- Se for assim eu também quero dormir aqui poxa! Falou Finn, se jogando na cama e abraçando as meninas, seguido de Puck e Blaine.

Rachel assistia ao grupo tentando de alguma forma proteger a latina do sofrimento, e se apaixonava aos poucos por todos; cada um, ao seu jeito, era engraçado e atrapalhado, mas também acolhedor e protetor. Finn massageava os pés da latina, Puck segurava uma de suas mãos enquanto Blaine acariciava seus cabelos. Quinn....hum...Quinn ficava agarrada nela, como um cão de guarda...aff!! Berry sentia que ali tinha mais afeto do que ela acumulou por dezessete anos, desde que tinha cinco anos, quando perdeu os pais e ficou a mercê de outros familiares. Será que algum dia teria uma família assim? Pensava a garota, em seus devaneios. Sabia que eles tinham enormes defeitos, e que talvez precisassem pagar por alguns grandes erros, mas sentia que eles eram pessoas doces, que talvez precisassem de oportunidades, só oportunidades.

Do outro lado do mundo, no lado rico, Brittany levava Sam para casa. O menino parecia ainda meio lerdo com tudo que aconteceu, mas aparentemente bem. Britt pediu desculpas e explicou ao menino bocudo tudo o que tinha acontecido, desde a idéia de subir o morro de surpresa até o que tinha acontecido enquanto ele ficou desmaiado. O menino mesmo surpreso, percebeu que Brittany era uma menina legal, e que talvez poderiam ser bons amigos, afinal a garota havia deixado claro que não ficaria com ele. Era o início de uma amizade que faria Britt ajudar o garoto a ver um outro lado da vida, afastado talvez das drogas.

Já voltando para casa, Britt não conseguia parar de pensar em tudo o que aconteceu naquela madrugada. A morena linda dançando e descendo até o chão, o beijo de tirar o fôlego e os corpos mais próximos que tudo, a confusão e a morte daquela garota louca que ela nunca tinha visto na vida. Os pensamentos iam e voltavam, mas mesmo circulares, sempre repousavam na latina; no jeito, na boca, no cheiro, que por ironia do destino Brittany agora já achava o mais delicioso do planeta. Tudo levava a cabeça de Brittany até ela, e insensatamente, também seu corpo...parecia brincadeira, mas sentiu vontade de ligar o rádio e ouvir um funk...isso mesmo, um funk!! Tudo levava a cabeça de Brittany até ela, e insensatamente, também seu corpo...no rádio, já ligado, até a música lembrava a latina linda...

(...)

Na favela tem uma mina que tem uma presença linda, ela é de mais me faz viajar, ela me domina. Quando eu vejo ela coração dispara, por que ela abala; ela é do jeito que um homem quer, eu adoro essa mulher. Ah se eu pudesse ficar com ela uma noite se não um dia, ia ser uma grande alegria ela é tão bela, que pra mim ela é a rainha da favela, pra mim ela é a rainha da favela, pra mim ela é a rainha da favela, pra mim ela é a rainha da favela..."

Eram quase 03 da manhã quando a garota chegou de volta no pé do morro; não sabia porque cometia aquela insanidade, mas havia deixado Sam em casa e voltado onde a poucas horas tinha quase morrido. De longe, dois meninos observavam a aproximação do carro.

- E ai loirinha, vai querer do preto ou do branco?

- Desculpa, não estou procurando rapazes para programa, nem brancos e nem negros. Falou a menina inocentemente.

- Oh loirinha, do preto ou do branco? Você é linda, mas não brinca não gata, ta frio e já é madrugada, hora da princesa já estar na cama.

- Sei que parece loucura mano, mas to precisando dar uma “chegada” lá no alto da “quebrada”, e não sei muito bem onde a mina que eu quero ver mora. Tem como tu quebrar essa para mim? Falava Brittany, tentando gesticular e usar as gírias dos meninos.

- Nossa loirinha, se depender dessas suas gírias para chegar ao alto da quebrada você está ferrada. Resmungou um dos meninos, rindo da cara da garota.

- Tipo assim gata, se você não estiver de caô, por cem conto a gente te leva até no céu. Quem é a mina que tu ta procurando?

- Vou ser sincera com vocês. Brittany então explicou toda a situação aos meninos que faziam a segurança da favela e também traficavam, e logo chegou ao topo do morro, na porta da casa de Quinn. Bateu uma, duas vezes...

- Porra vey, quem é que ta batendo a essa hora porra? Resmungou Puck, já com a arma em punho, chegando próximo a porta.

- Ai “chegado”, abre aê que tem uma mina aqui fora dizendo que precisa trocar umas idéias com a Santana, disse que é urgente. Falou um dos garotos que subiu com Brittany, fazendo uma espécie de escolta preventiva, caso a loira fosse uma inimiga.

Puck abriu a porta achando que era algo ainda ligado a morte de Kitty, afinal Santana era a pessoa mais próxima da “finada do mal”. Quando viu Brittany não entendeu nada, mas ainda assim convidou a garota para entrar. Nessa altura Quinn já estava em pé, na porta do quarto onde Santana dormia, olhando com ar de irritação para a loira.

- Não to entendendo o que você está fazendo aqui patricinha. Indagou Quinn, fazendo cara de má par intimidar a garota. só faltava coçar o saco para intimidar mais Brittany, que se irritou com a postura da loira marrenta.

- Desculpa, nem mesmo eu sei o que estou fazendo aqui. Estava indo para casa, mas não conseguia parar de pensar em tudo o que aconteceu e no que a Santana passou. Eu sou Brittany, e a San...Brittany começava a tentar explicar quando Quinn a cortou.

- Você é Brittany, a garota que lascou um beijo na San e passou a mão nela toda em segundos, e com isso provocou toda a confusão que acabou com a morte da Kitty. Quinn foi dura e implacável com a menina, enquanto do quarto Rachel ouvia tudo, louca para sair e falar com a amiga, embora soubesse que não podia.

- Eu não sabia que ela tinha namorada, assim como não sei o que você é dela. Só vim aqui de novo, arriscando minha vida, porque queria ver como ela está, mas pelo jeito está bem porque você está cuidando dela né?! Falou a loira, meio irritada e irônica com as intimidações de Quinn. Quando virava as costas para sair, derrotada por não ter visto Santana, Brittany ouviu a voz doce da morena:

- Veio até aqui às três da manhã e desistiu tão fácil de me ver...pensei que queria saber como eu estava. Resmungou Santana, fazendo um biquinho lindo. O rosto estava inchado por causa dos tapas e socos de Kitty, mas a latina ainda assim parecia ter o rosto iluminado.

- Estava começando a achar que outra guerra mundial iria começar em uma só noite, por isso já estava me retirando. Acho que o Pitt Bull que colocaram na porta do quarto está louco para morder alguém.

- É impressão minha ou você está tirando onda com a minha cara garota? Acho que você não ficou satisfeita com a confusão que armou aqui na minha área, e voltou para tomar uns pipocos. Quinn falou nervosa, já querendo partir para a ignorância.

- Menos Quinn, bem menos. Relaxa e vai dormir lá no quarto da...da sua peguete, que eu vou conversar com a Brittany.

- Peguete, que peguete? Quem está lá é o pônei...Quinn já ia soltar o segredo quando Santana interrompeu a menina e saiu arrastando Brittany para o quarto. Convidou a garota a sentar na cama e depois voltou para debaixo das cobertas, afinal estava frio e era madrugada.

- Pode falar Brittany, você disse que veio aqui porque queria saber como eu estava e conversar.

- Não deveria ter vindo, mas precisava saber como você estava depois de tudo que aconteceu. Sei que é madrugada, está frio e quando amanhecer você terá muita coisa a enfrentar, por isso vou embora, já te vi e isso já me deixa mais calma. Na verdade eu pensei que...

Quando a loira ia continuar as lamúrias, Santana aproximou-se da menina e a abraçou, deixando o calor dos corpos se misturarem. A sensação para Brittany era de que o mundo havia parado de girar naquele instante, como se ela só enxergasse Santana, só pensasse em Santana, como se seu corpo só necessitasse de Santana para sobreviver. Em um impulso aproximou sua boca da boca da morena, que imediatamente se esquivou.

- Eu não posso fazer isso agora Brittany. Sei que você não teve culpa de nada, mas não consigo pensar em outra coisa a não ser na morte de Kitty. Quando fecho os olhos é como se ela estivesse aqui perto de mim, como se me assombrasse.

- Desculpa, eu não queria avançar o sinal nesse momento tão delicado. Eu sou uma estúpida mesmo, não faço nada direito e ainda sou uma monstra insensível.

- Ei patricinha chata, para de drama. Disse a latina, soltando um pequeno sorriso. Vem cá que está frio e já são quase quatro da matina. Deita aqui e dorme um pouco, amanhã você vai para casa cedo.

- Tem certeza que posso ficar por aqui e ir embora amanhã? Falou Brittany, com um sorriso de orelha a orelha por imaginar que dormiria algumas horas ali, ao lado da latina.

- Vem, tira essa calça e essa blusa suja e dorme de calcinha e sutiã, prometo que nem vou olhar para seu corpinho de girafinha.

Brittany obedeceu; tirou a roupa imunda e deitou ao lado da morena. No começo os corpos não estabeleceram nenhum tipo de contato, mas aos poucos Santana permitiu a aproximação, primeiro deixando a loira encostar-se, depois se encaixar, acopladas como se fosse uma só pessoa. Foi assim que as meninas acabaram adormecendo...em posição de conchinha, com a loira acariciando os cabelos da morena e desejando que aquele momento nunca mais acabasse.

Enquanto isso, no outro quarto, Berry fingia dormir enquanto Quinn acariciava de leve suas costas, sua cintura, descendo até a região da bunda e das coxas...parecia que naquele lugar quando a tensão da violência dava uma trégua, a tensão sexual tomava conta dos corpinhos das garotas...

Notas finais
música postada acima...
http://www.vagalume.com.br/dennis-dj/rainha-da-favela.html#ixzz2GP8bOQJQ