Entre O Amor E A Guerra

16 Capítulo 16 - Recomeçar é possível?


Notas iniciais
Capítulo de Véspera de Natal...para os entediados de plantão, que como eu, estão quietinhos em casa de molho para recuperação. Feliz Natal meus amores!!

Santana entrou na sala e se sentou, quieta. Imaginava que seria destratada e depois mandada embora. Marcos iniciou a conversa:

- Antes de qualquer coisa acho que você conheceu minha filha da pior forma possível, por isso quero começar de novo essa história de vocês duas. Santana, esta é Brittany, minha filha única; ela tem 23 anos, e em alguns dias da semana vem a empresa acompanhar nosso trabalho, pois estuda administração e logo será ela quem tomará a frente dos nossos negócios na área de recursos humanos. Sendo assim você, em alguns dias da semana, será também secretária executiva de Brittany.

Santana ouvia atentamente o que Marcos falava, assustada e com medo daquilo ser muito pior do que ela imaginava. Brittany, por sua vez, olhava com cara de cachorro que caiu da mudança para a latina, pois a conversa com o pai tinha sido a mais dura possível.

- Brittany essa é Santana Lopez, a candidata que escolhi como nossa nova secretária executiva. Tem excelentes qualidades, embora seu currículo ainda esteja começando a ganhar novos cursos e experiências. É ainda muito nova, mas apresentou desejo de crescimento, honestidade na apresentação de seus atributos, assim como tem desenvolvido da melhor forma possível suas atribuições. Falou Marcos com toda delicadeza possível.

Santana deu um pequeno sorriso com os elogios do chefe e corou. Os olhos brilharam e Brittany pode ver o quão linda era a morena. Até então não tinha observado as covinhas que se formavam quando ela sorria, e por alguns segundos ficou perdida naquele sorriso, o que fez Santana mais uma vez corar.

- Brittany veio aqui hoje conversar sobre você. Contou tudo o que fez da última vez que esteve na empresa, coisas dignas de desprezo e nojo. Infelizmente foi uma atitude que reprovo de forma veemente, por isso depois que ela me falou eu disse que tinha a obrigação de chamá-la aqui e pedir desculpas. Ela nem sempre foi essa garota estúpida e preconceituosa, mas parece que a cada dia aprende mais aquilo que não é digno em um ser humano.

- Ela não precisa me pedir desculpas Sr Marcos, basta que possa me tratar com respeito quando nos encontrarmos na empresa, fora isso ela não precisa forçar a barra para me tratar bem ou gostar de mim. Disse Santana, já vitoriosa pela garota ter sentido que tinha errado.

- Santana eu preciso pedir desculpas sim. Nos últimos dias passei por situações que jamais pensei passar, e percebi o quanto tenho destratado meus amigos, as pessoas que me cercam e também as pessoas que cercam meu pai e que contribuem com nossa empresa. Uma dessas pessoas foi você, por isso resolvi vir aqui e conversar com meu pai sobre o que fiz. Eu não sei se consigo ser educada e menos preconceituosa com as coisas que não conheço, mas estou me propondo a tentar, começando por vir aqui e me desculpar pelas minhas babaquices.

Santana ouviu atenta a desculpa da garota, e foi quando também percebeu o quanto ela era linda quando não estava com aquela cara de superior. Aliás, aqueles olhos cor de mar eram hipnotizantes e perfeitos. Foi a primeira, de muitas vezes, que os sorrisos das meninas se encontraram verdadeiramente, e foi uma sensação que acalmou o coração de ambas, pois de formar diferentes, passavam por situações duras e tristes.

- Bom, como são as duas mulheres que mais vou conviver nos meus dias, espero que possam se entender, e sugiro que possam começar saindo para almoçar juntas, para se conhecerem melhor. O que vocês acham? T um restaurante próximo daqui que Brittany adora e ia muito com nossa antiga secretária executiva, o que acha Santana?

- Não vejo problema Sr Marcos, a questão é que usaria meu horário de almoço para visitar uma amiga no hospital, por isso creio que podemos deixar esse almoço para uma próxima ocasião.

- Muito pelo contrário, acho inclusive que, como você não tem carro, Brittany pode te levar até o hospital em que sua amiga esta, ai depois vocês almoçam. Acho importante minha filha conhecer um pouco do mundo real onde as pessoas vivem, e acho que você será a melhor pessoa para mostrar isso a ela. O que acha Brittany?

Brittany ainda não acreditava que o pai estava fazendo aquilo com ela. Tudo bem pedir desculpas a garota, mas daí a dar uma de taxista e levá-la em um hospital, justo na hora do almoço, isso era demais! Mas como prometeu para si mesma que tentaria de tudo para mudar, aceitou a quase imposição do pai.

- Você tem razão papai, vou ao RH e depois telefono de lá para “Satan” descer. Falou Brittany, já cheia de gracinhas no tom de voz.

- Nem comece Brittany. Já basta Madelaine chamando a menina de Selena. Não crie mais apelidinhos, por favor. Falou Marcos, doido para rir da forma como as meninas se encaravam.

Enquanto isso, no alto do morro, Kitty perdia a paciência com Berry depois de uma pequena malcriação e dela ter se negado a ser amordaçada. Acabou batendo muito na menina, fazendo sua boca e seu nariz sangrarem bastante. Berry chorou como uma criança, e pela primeira vez pensou na morte. Sabia que não sairia viva dali se dependesse das duas garotas, afinal já tinha ouvido uma delas falar que deveriam matá-la logo, antes que as coisas piorassem. E sabia que o fato de ter visto o rosto de todas as garotas a transformava em um arquivo que precisava ser apagado.

Na Selecta, as meninas saíram da sala de Marcos juntas, Brittany desceu até o RH para ver alguns contratos, enquanto Santana arrumou suas coisas para o tal almoço. Contou rapidamente a Madelaine o que havia acontecido e pediu algum dinheiro emprestado, pois o que tinha mal dava para o marmitex. Alguns minutos depois Brittany ligou e pediu que a latina descesse, pois iria esperá-la no carro.

Foi à viagem até o hospital mais silenciosa que Santana poderia vivenciar. Brittany até tentou puxar assunto, perguntando o que aconteceu com a amiga, mas Santana ficou receosa de contar toda a verdade, assim mentiu dizendo que a amiga havia sido atingida por um bala perdida na favela. Brittany ficou assustada com o ocorrido depois da pergunta permaneceu o resto do percurso calada, afinal não tinha muito que perguntar a garota. Volta e meia seus olhos se cruzavam, mas logo evitavam contato visual, o medo maior era dar o braço a torcer que uma queria saber um pouco mais da outra.

Já na porta do hospital Brittany pode perceber que o mundo real realmente era muito diferente do que ela se acostumou a viver. Pessoas baleadas, esfaqueadas, espancadas chegavam a todo minuto; os enfermeiros estavam em uma correria atrás da outra, e pouco tinham como prestar informações a quem chegava à recepção.

- Não é possível que eles não possam parar para falar com você como está sua amiga. Tem que ter alguém que pare aqui e nos atenda. Falou Brittany, indignada com o atendimento.

- Bem vinda ao mundo real loirinha. É assim que acontece nos hospitais públicos do Brasil todo! Resmungou Santana, irônica com o ar de surpresa de Brittany.

- Ei, você pode nos atender? Disse Brittany a um rapaz que passava próximo.

- Minha linda, agora é impossível. Tenho mais dois pacientes lá fora que preciso trazer para dentro do hospital. Espere mais alguns minutos que voltarei e lhe atenderei. Respondeu o atendente, já saindo em direção a uma ambulância que estava parada em frente à portaria.

- Não tenho tempo para esperar meu querido. Você sabe com quem está falando? Esbravejou Brittany.

- Não faço a mínima idéia minha querida. Mas provavelmente alguém que está tendo um surto de superioridade extraterrestre, pois para querer dar chilique de bacana na porta de um hospital público, só estando doida ou sendo demente. Sorriu o enfermeiro, e logo depois se retirou.

Santana teve um acesso de risos, e logo depois conseguiu informações com uma enfermeira amiga da mãe de Lauren. Tina ainda apresentava o mesmo quadro grave, e ainda precisa de doações de sangue urgente. A latina sentia que precisava faze alguma coisa, mas não sabia exatamente o que.

Brittany, depois do chilique, começou a entender como a vida podia ser dura com quem não tinha dinheiro como ela. Ouvia a enfermeira falar da situação de Tina e sentia-se mal por não saber como ajudar, assim como com a feição de tristeza de Santana. Não conhecia a menina internada, mas percebia que sem a doação de sangue ela poderia morrer a qualquer momento. Naquele instante lembrou-se de Rachel, e pensou o quanto a amiga poderia estar sofrendo nas mãos dos seqüestradores, sentia que o tempo de vida dela estava se acabando...uma lágrima sem querer desceu pelo seu rosto.

Notas finais
Não me matem, por favor, é Natal!! Sei que a situação de Rachel chegou no limite, mas prometo melhorar as coisas,assim como estou começando a fazer com Brittany.