Entre O Amor E A Guerra
17 Capítulo 17 - Ela me faz tão bem...
Notas iniciais
Enfim...como diz a letra, vai ficar tudo bem!!! Pelo menos é o que espero!!
http://www.youtube.com/watch?v=XghTprNAiWU
Santana, percebendo que Brittany estava chorando chamou a loira para sair do hospital, de onde seguiram caladas até o carro. Já a caminho do restaurante Santana não se agüentou e começou o diálogo:
- Posso te ajudar em alguma coisa Brittany? Vi que estava chorando no hospital.
- Desculpa por estar tão calada. Lembrei de minha amiga, a Rachel. Sinto que a estou perdendo e nunca disse o quanto a amava, o quanto ela era importante para minha vida. Cada minuto que passa sei que temos menos chance de encontrá-la com vida.
- Não pense assim. Madelaine me contou toda a situação e tenho certeza que a polícia encontrará sua amiga bem. Não a conheço direito, mas o pouco que a vi tive certeza que é uma boa pessoa, assim a coloquei em minhas orações, assim como a Tina.
- A situação de sua amiga também não está nada bem, sinto muito por ela. Nunca pensei que alguém poderia morrer por falta de sangue em um hospital. Sempre pensei que a vida era o que estava entre as quatro paredes do meu mundo, mas acho que a vida de verdade está exatamente fora do meu mundo...e me sinto triste e assustada com tudo isso também.
Brittany e Santana foram conversando até o restaurante sugerido por Marcos. Santana contava um pouco de sua vida, de sua família, e Brittany ouvia atenta e assustada. Não entendia como a vida podia ser tão dura, tão sofrida e arriscada para as pessoas mais pobres. Mas Santana logo começou a mostrar também todo um lado politizado, divertido e engraçado da favela, falava dos bailes, dos campeonatos de passinhos, do seu grupo de dança, das lutas diárias do movimento comunitário, e até dos amigos meio tortos que se reaproximara depois da invasão da favela.
Brittany viajava não só nas histórias, mas também na beleza e delicadeza da latina. Santana tinha um misto de fragilidade e força que a atravessavam, fazendo dela encantadora. Brittany simplesmente poderia ficar o dia todo ouvindo a garota e não cansaria. E Santana falava sem parar, como uma metralhadora portátil. Ao fim do almoço, que durou muito mais do que o esperado, voltaram à empresa e encontraram Marcos na recepção, passando algumas atribuições a Madelaine.
- Das duas uma: ou se mataram ou se amaram! Falou o senhor, rindo das meninas.
- Creio que estamos começando a nos entender papai malvado! Santana me abduziu, me levou em outro planeta e agora está me devolvendo a você...ainda me aceita como filha?
- Claro meu único amor. Venha, vamos conversar sobre essa abdução. Preciso te contar algumas informações que a polícia conseguiu sobre Rachel, acho que podemos ter esperanças de encontrar a nossa gnominha viva. A polícia tem algumas pistas, e com minha influência creio que possamos estourar o cativeiro onde ela está sendo mantida.
Santana foi até Madelaine, contou como foi o almoço e como tinha gostado de se aproximar da garota. Mesmo sendo uma patricinha, Santana sentia que era daquela forma por conta de algumas coisas que a ensinaram desde pequena, e isso a loira tinha levado como verdade durante sua vida. Nada que não poderia mudar se começasse a conhecer alguém que lhe mostrasse o outro lado da vida. Já Brittany entrou tagarelando na sala do pai, contado a experiência do hospital, das conversas do almoço, e perguntando das novidades sobre Rachel. Ficou animada em saber que o carro da morena havia sido encontrado em uma estrada mais afastada da cidade próximo a parte mais pobre da cidade, sem sinais de luta ou violência; havia sangue, mas que foi comprovado após exames, de que não se tratava do sangue de Rachel. Se não havia sangue ou o corpo da amiga, significava que ainda estava viva, e a qualquer momento poderiam pedir resgate. Conseguiram também rastrear algumas ligações feitas do celular de Berry, e essa era a parte importante e que Marcos ainda não sabia — elas tinham um ponto de saída, o Morro do São Jorge. Marcos tinha como certeza principal de que pagaria qualquer coisa para ter a anã de volta. Eles eram a família de Rachel, e a tirariam daquela situação de qualquer forma.
A loira reforçou com o pai a história do hospital e pediu que ele ajudasse de alguma forma. A princípio pensaram em tentar tirar a amiga de Santana de lá, mas Brittany explicou que a condição da menina não permitira uma remoção. Assim, chegaram a uma solução possível e chamaram Santana para entrar na sala.
- Brittany me contou da situação do hospital em que sua amiga está internada, e do quadro da menina, que inspira cuidados em UTI.
- Sim, ela está em estado grave e precisa de doações de sangue. Respondeu Santana, sem explicar muita coisa do porque de Tina estar naquela situação.
- Pensei em algumas formas de ajuda, e a única que vejo possibilidade envolve um trabalho árduo para você e Madelaine. Penso que podemos formar um grupo de funcionários e colaboradores, fazer contato com todos pendido que compareçam amanhã cedo ao hospital e que realizem a doação. Sei que não é muito, mas como o hospital é público não posso injetar nenhum tipo de recurso sem antes haver todo um contato com o governo. Isso leva tempo, então por agora é o que consigo.
- Santana deu um sorriso sincero e agradeceu a ajuda de Marcos e o empenho de Brittany ao contar ao pai a situação de Tina e do banco de sangue. Brittany ficou mais um pouco com o pai, e quando saiu para voltar para casa se dirigiu a Santana e fez um convite:
- Amanhã não é dia de vir à empresa, mas faço questão de ir ao hospital e doar sangue junto aos colaboradores da empresa. Sou meio medrosa com agulhas, mas se quiser posso te buscar onde você mora e irmos juntas, o que acha?
- Não acho que seja uma boa idéia ir me buscar, você iria se perder antes de chegar a minha casa. Mas posso te esperar no pé do morro e vamos juntas sim. Disse a morena, meio envergonhada. Santana escreveu o endereço e passou para a loira, que guardou com todo carinho na bolsa.
Madelaine via no rosto da loira que aquela história iria além de uma relação de trabalho, poderia se estender para uma amizade, ou até algo mais. Dependeria de como saberiam lidar com tantas diferenças. A amizade e o amor podem superar essas diferenças?
Enquanto isso, no alto do morro Rachel recebia comida e refrigerante das mãos de Lauren. A garota era mal humorada e estranha, tinha o cabelo pintado de três cores, usava um baton preto e vivia de roupas também pretas. Rachel pegou a comida e o refrigerante, mas machucada, cansada e em surto, disparou a gritar ensandecida:
- Coca cola?! Você acha mesmo que sou louca de tomar isso?! A fórmula da coca cola tem nada menos que 28,350 gramas de citrato de cafeína, extrato de baunilha, saborizantes com óleo de laranja, óleo de limão, óleo de canela e óleo de coentro. Além disso, possui ácido cítrico, suco de lima, e o inimigo número um dos humanos...açucar!!! Se quer me matar tudo bem, mas não me obrigue a tomar isso! Aposto que você cuspiu aqui dentro para depois rir de mim também!
Lauren olhava incrédula para a garota hobbit. Realmente era mais louca do que imaginava, quase um perigo ambulante. Falava como uma gralha louca, cuspia enquanto desenvolvia seus monólogos, e o pior, não falava nada com nada. Era melhor Kitty resolver logo o que faria com aquele gnomo, pois Lauren já se cansava de tomar cusparadas e ter que ouvir a garota o falando ou cantando músicas estranhas do tempo da sua avó. Nunca espancaria a menina, como Kitty fez, mas a vontade era de amordaçar ela.
Berry entrara em um triste processo de sofrimento. Machucada, com dor e desesperada, a menina resmungava, gritava, chorava e acabava por despertar ainda mais a ira de Kitty. Por mais que soubesse do risco que corria ao reagir, começava a perder o senso e o desespero abatia aquela que conseguira ser guerreira nos primeiros dias. Parecia que o sonho de ser uma cantora famosa, de sair pelo mundo ajudando pessoas através da música, tudo começava a ruir, a perder força e se resumir a aproximação da morte lenta e dolorida.
De longe, Quinn, que passava pela rua, ouviu gritos estranhos e uma música alta que não era nem um pouco a cara de Kitty ou Lauren, mas como o muro era ligeiramente alto, não conseguiu identificar o que acontecia na casa. Pensou um pouco, lembrou que não havia visto Santana sair de casa e, por precaução, resolveu investigar...
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