Entre O Amor E A Guerra
32 Capítulo 32 - Tropa do terror
Notas iniciais
- É matar ou morrer! Se uma mãe tem que chorar, esta será a mãe de cada um dos seqüestradores, não as mães de vocês! Por isso não poupem balas de suas armas assim como não poupem as vidas desses filhos da puta...
Aquela frase ecoava nos ouvidos, na cabeça mas principalmente no coração de Brittany. Embora precisasse de explicações de Santana sobre toda aquela loucura, precisava antes de mais nada salvar a vida da latina. Não lhe importava naquele momento se ela era seqüestradora, cúmplice ou qualquer outra coisa, importava que não queria que nada lhe acontecesse. Pensava também em Rachel...como estaria a baixinha? Resolveu que precisava chegar a Santana antes da equipe de policiais, e para isso deixou o pai na sala de apresentação das estratégias de resgate e foi ao banheiro, a intenção era ligar para a latina.
No alto do morro a zuação era uma só...Catra corria pela varandinha e o bonde corria junto, enquanto Rachel e Quinn estavam no quarto em um longo e caloroso amasso. O celular de Santana na sala tocou uma, duas, três vezes, mas a latina estava muito longe para ouvir as chamadas, brincava com os meninos e o pequeno cachorro. Brittany ficava cada vez mais desesperada, quando resolveu que iria pessoalmente tentar impedir que o pior acontecesse.
- Pai, vou para casa. Quero organizar algumas coisas para receber Rachel quando ela voltar. Não quero que ela vá para a casa dela e fique sozinha, quero levá-la para nossa casa, pelo menos nos primeiros dias.
- Ok meu bebê. Prepare tudo para recebermos nossa pequena cantora, quero que Rachel se sinta como nossa família, pois afinal eu a tenho como minha filha também. Falou Marcos, dando um abraço apertado na filha.
Brittany saiu em disparada, afinal a equipe anti-sequestro já se preparava para também seguir rumo ao São Jorge. Pelo caminho pegou um pequeno trânsito por causa de um acidente automobilístico, mas o foco era subir aquele morro antes da polícia. No caminho sua cabeça fazia mil voltas, pensava mil possibilidades...será que a entrada de Santana na empresa, a aproximação afetiva da loira, tudo não passava de um golpe da morena? Ou tudo não passava de um grande engano da polícia, e o grupo de meninos não tinha nada haver com o seqüestro de Rachel? Não havia convivido quase nada com eles ou com a própria Santana, mas a sensação que tinha era que, embora tivessem sim envolvimento com tráfico e pequenos delitos, não tinham perfil de seqüestradores ou homicidas, como relatou o delegado responsável pelo caso.
Lembrou da noite que teve com Santana. Da paixão que via nos olhos da latina, do corpo quente e macio da garota, assim como dos beijos ternos e apaixonados que trocaram antes de dormir; seus olhos se encheram de lágrimas ao pensar que poderia perder a garota ou mesmo estar enganada em relação ao seu caráter. Chegando ao pé do morro Brittany foi categórica com um dos meninos que tomavam conta da entrada da favela:
- Eu preciso subir agora, a comunidade está correndo perigo e eu preciso falar com Quinn, Santana e Puck. Não tenho tempo de te explicar agora o que esta acontecendo, mas preciso que me leve até eles sem perder um minuto de tempo.
O menino, que se lembrava da loira da noite anterior, entrou no carro, no banco do carona e fez o procedimento de praxe...subiu a comunidade com ela, para segurança do grupo. Em menos de cinco minutos já estavam na parte mais alta da favela, na porta da casa de Quinn. Nesse momento o primeiro carro da polícia passava pela entrada da favela, sem pena de quem estava no caminho. Como era uma comunidade considerada dominada pelo tráfico e campeã criminalidade, a ação foi pautada no “atire primeiro e pergunte depois”, assim a polícia, à medida que ia subindo as vielas estreitas, tomadas pelo lixo e pelas valas a céu aberto, atirava em quem oferecesse o mínimo de resistência, ou mesmo fosse considerado “suspeito”; a ausência de políticas públicas e de um Estado presente só era sanada com ações policialescas e cercadas de violência e mortes...assim era a vida daquela favela.
No alto do morro, Brittany esmurrava a porta da casa de Quinn. não podia perder tempo pois sabia que a vida daquelas pessoas dependia do tempo, ou da falta de tempo.
- Que porra é essa loirinha? Fumou alguma coisa e resolveu vir atrás da mulher chumbinho? Resmungou Puck, abrindo a porta para Brittany. A menina estava pálida, mais branca do que já era normalmente, e entrou como um foguete pela casa indo até a varanda, onde Santana estava.
- Eu não quero explicações, não tenho tempo para ouvir o que quer que seja que você tenha a dizer. Só preciso que me responda a verdade, de forma rápida e objetiva: Rachel está ou esteve aqui como refém de vocês?
Santana ficou pálida, depois amarelada e por último levemente vermelha. O que poderia dizer para a loira que não fosse a verdade? Foram dois segundos de silêncio...os mais longos da vida dela, mas também da vida de Brittany.
- Responda Santana!! Gritou Brittany, com os olhos marejados de lágrimas, já perdendo a paciência e sacudindo a latina pelos braços. Santana só balançou a cabeça afirmativamente, afinal sabia que aquela resposta afastaria para sempre a loira de sua vida. A verdade era que estava perdidamente envolvida com aquela patricinha e a única coisa que não queria era perdê-la.
- Eu não tenho tempo para perguntar o por que, como ou qual foi a trama disso tudo, só quero que você saiba que a polícia esta subindo a comunidade para resgatar minha amiga...você lembra disso né Santana, a Rachel é minha amigaaa!!! Dentro de alguns minutos eles vão estar aqui, e não querem só resgatar a Rachel, querem sim acabar com todos vocês. Por isso peço que me diga onde ela está e saiam daqui agora. Sei que vou me arrepender disso, mas não me perdoaria se alguma coisa acontecesse com você.
Puck, Santana, Finn e Blaine ouviam aquilo sem conseguir ter reação alguma às palavras de Brittany, estavam petrificados com aquelas palavras, e Santana chorava compulsivamente. Ouvindo a gritaria, Quinn saiu do quarto, ainda fechando o short. Antes de perguntar qualquer coisa já partiu para cima de Brittany.
- O que você fez com ela sua patricinha filha da mãe? Eu vou te matar se você fez alguma maldade com ela. Resmungava Quinn, já tentando esmurrar Brittany, mas sendo contida por Blaine e Finn.
- Eu que te pergunto o que você fez com a Rachel sua escrota favelada. Eu sabia que não deveria ter confiado em vocês, Santana, você e esse bando de mortos de fome se aproximaram da gente para se aproveitar da situação para seqüestrar uma de nós. Sabia que era bom demais para ser verdade alguém legal, simpática e honesta morando nesse fim de mundo...eu odeio vocês!! Gritou Brittany, colocando para fora toda a sua raiva e preconceito, misturados ao desespero pela situação estar saindo dos limites.
- Parem com essa discussão agora! Gritou Rachel, saindo do quarto. Eu não fui seqüestrada por eles Britt, na verdade foi feita toda uma confusão, mas que eu posso te explicar se você parar de gritar esse monte de asneiras ridículas. Vamos sentar e, com calma, eu vou te contar tudo o que aconteceu.
- Pelo que eu entendi nós não temos tempo para isso Rachel. Pelo que essa patricinha escrota está falando a polícia esta aqui no morro atrás de você. Ou a gente pensa rápido em alguma coisa ou vamos ser mortos como seqüestradores, sem nem mesmo termos participado dessa droga de seqüestro. Falou Puck, meio desesperado, mas irritado com a fala de Brittany.
Brittany estava petrificada com a imagem de Rachel saindo do quarto. Agora que não entendia mais nada mesmo; a única certeza que tinha era que tinha dito palavras muito duras, e que naquele momento Santana deveria estar odiando ela mais que tudo. Seu rosto ardia de nervosismo, mas não sabia exatamente o que fazer.
- Ok, vamos pensar. Não podemos nos desesperar. Precisamos achar uma forma de sair daqui, eu não quero morrer por uma coisa que eu nem fiz. Disse Blaine, o mais sensato.
A polícia, naquele momento, já tinha invadido a casa de Kitty, não encontrando muita coisa além de alguns restos de comida, cordas que foram usadas para amordaçar Rachel, um suéter sujo de sangue que parecia ser da refém, assim como alguns pertences de Kitty e Lauren.
- A única forma de sairmos daqui sem passarmos pelas entradas principais da comunidade é pela parte de mato do barranco, na parte de trás da favela. Vamos correr o risco de encontrar com o grupo do bonde dos Kbeças, mas é a única forma da gente ganhar tempo para Rachel reaparecer na casa dela e a polícia sair do morro. Falou nervosa Quinn, já pegando algumas coisas e colocando na mochila.
- Eu não vou a lugar algum. Eu não fiz nada de errado, não seqüestrei ninguém e não vou fugir por conta de um crime que não cometi. Sou uma pessoa que nasci e cresci aqui, acredito na honestidade das pessoas de bem, independente da sua origem ou da sua condição social. Não vou fugir e assumir um erro que foi da Kitty e das meninas. Gritou Santana, chorando e olhando dentro dos olhos de Brittany.
- Eu não sou a melhor pessoa para te pedir isso Santana, mas pelo amor de Deus, saia daqui com o grupo. A polícia não quer só prender vocês, ficou claro na fala do delegado que era para atirar em todos vocês e resgatar Rachel. Se acontecer qualquer coisa com você eu não vou conseguir conviver com isso. Por favor, me ouça pelo menos uma vez, mesmo que depois nunca mais olhe na minha cara. Pediu Brittany, chorando.
O barulho de carros chegando ao portão alardeou a chegada da polícia na residência. Finn, Blaine e Puck juntaram algumas poucas coisas, colocaram em suas mochilas e pelo puxadinho, que ficava na parte de trás da casa, pularam no barranco que daria fuga ao grupo. Em seguida pularam Rachel e Brittany, que não poderia ficar na casa senão levantaria grandes suspeitas. Quinn, vendo que Santana não se movia para a fuga, que permanecia sentada no sofá com Catra no colo, fazendo carinho no cachorro e chorando, tentou sua última cartada:
- San, nós crescemos juntas, você viu tudo que eu passei até me envolver no tráfico, no caminho errado dessa vida. Você melhor do que ninguém sabe que eu tive que aprender a viver em meio a muitos bandidos, muitos homicidas e pessoas sem amor algum pela vida humana para conseguir ser livre. Eu não posso ser presa, cresci livre e aprendi a me cuidar sozinha, mas engaiolada eu sei que me mataria na primeira semana. Se você não for comigo eu também não vou e serei presa, não só pelo seqüestro da Rachel, mas por tudo que me envolvi nesses anos. Você resolve o que vai ser da nossa vida agora minha latina...
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