Entre O Amor E A Guerra
33 Capítulo 33 - Fugindo de si e dos outros.
Notas iniciais
Santana olhou por alguns segundos dentro dos olhos de Quinn e finalmente pode entender todo o amor que a loira tinha por ela. Não era um amor que se fixava na atração sexual das duas, mas sim um amor que ia muito além do físico, do sexual...era um amor de quase irmãs. Não deixaria Quinn ser presa por causa de uma convicção dela, não deixaria a loira sofrer, mesmo sabendo que ela ainda teria que ser responsabilizada por suas infrações. Entendia finalmente quando Quinn falava que nunca a deixaria sofrer ou passar por privações, e precisava tirar a loira dali imediatamente.
– Tá esperando o que para colocar o Boladão na mochila e pular loira safada? Falou Santana, levantando do sofá e já se dirigindo para a varandinha com o cachorro nos braços.
–Boraaaa lá minha latina chumbinho!! É assim que eu gosto de te ver, desafiando o perigo para ver o sol nascer amanhã!!
As meninas se apressaram e pularam a varanda poucos segundos antes da polícia quebrar a porta de entrada da casa. Blaine e Finn haviam colocado os sofás na direção da porta, o que atrasou a equipe por segundos essenciais para a fuga das meninas, que conseguiram se embrenhar no matagal sem ser notadas. Um pouco mais a frente ia o restante do grupo, preocupado com Santana e Quinn, mas convictos de que elas tomariam a decisão mais coerente. Rachel imaginava como faria para inocentar o grupo, enquanto Brittany tentava entender como, em tão poucos dias, se metera em tantas confusões ao mesmo tempo; sua vida virara uma bola de neve, ou melhor, uma avalanche de acontecimentos estranhos e no limite da sanidade. Por mais que na fuga Rachel tivesse contado rapidamente todos os acontecimentos dos últimos dias, a loira ainda não conseguia internalizar tudo.
– A uma semana nós estávamos fazendo planos para uma viagem de férias aos EUA e Canadá, agora estamos aqui, no meio de um mato estranho, com pessoas estranhas, no alto de um morro estranho. Você iria dar mais um passo em sua carreira promissora, eu iria me divertir com compras e baladas e voltaríamos com nossas malas cheias de experiências fascinantes. Falou Brittany, assim que o grupo deu a primeira parada para descansar e esperar para ver se Santana e Quinn os alcançaria.
– É Britt britt...fizemos mil planos mas esquecemos de contar com as interferências que a vida insiste em fazer em nossas histórias. Quando pensaríamos que tanta coisa aconteceria desde o momento em que saímos daquela agência de turismo até agora? E mais do que isso, quem diria que estaríamos envolvidas afetivamente com pessoas que até semanas atrás considerávamos apenas seres distantes da nossa realidade, do nosso mundinho hipócrita e ilusório?
Brittany ouvindo aquilo se lembrou que Santana havia ficado para trás, e mais uma vez Quinn que havia tido a coragem de ficar ao seu lado. Um aperto no coração tomou conta da loira, que não se conteve e abraçou a amiga, chorando muito.
– Rachel eu não sei o que fazer, o que sentir. Não consigo entender o que se passa dentro do meu coração, não sei nem ao certo o que pensar disso tudo. Até ontem a vida era clara e objetiva para mim, hoje eu estou fugindo da polícia no meio de um mato cheio de mosquitos, chorando com medo de perder uma latina malcriada e que usa um péssimo perfume. O que eu faço minha amiga?Rachel não agüentou a situação, simplesmente sorriu da amiga e de como ela achava natural criticar o perfume da latina.
– Não quero me meter na conversa de vocês não, mas o perfume dela nem é ruim ta, você que é muito Zé ruela, garota antipática e arrogante. Eu se fosse a latina chumbinho nunca mais te dava mole loira azeda! Resmungou Finn, torcendo para que suas amigas aparecessem logo e tirassem a angústia que ele sentia.
– Sem brigas ok? Já estamos distantes o suficiente da casa, mais quanto mais nos afastamos de lá mais nos aproximamos do território do bonde dos Kbeças.Vamos esperar um pouco mais por aqui, sei que Quinn conseguiu convencer a Santana, e logo as duas estarão aqui, sem antes dar umazinha no meio do mato, é claro!! Falou Puck, querendo irritar as patricinhas, que só não o socaram porque viram que ele ria do próprio comentário.
Mais quinze minutos de angústia se passaram, até que Quinn e Santana aparecerem, carregando Catra e uma mochila. Santana correu de encontro a Finn para abraçá-lo e ser acolhida, enquanto Quinn foi direto para os braços de Rachel, que a abraçou e murmurou em seu ouvido:
– Tô te abraçando mas não é por felicidade em te ver não, mas sim para ver se sinto o cheiro da Santana em você sua cachorra! Você transou com ela no meio do mato antes de chegar aqui?! Sussurrava Rachel, de forma que o grupo não ouvisse o ataque de ciúme e começasse a zuar com sua cara.
– Eii minha maluquinha anã, eu não sou louca não. Corremos o máximo que conseguimos para alcançar vocês antes do anoitecer completo. Precisamos ficar aqui pelo menos essa noite, ai amanhã cedo você volta para casa e se tudo der certo, livra a gente dessas acusações.
A idéia era essa. Passar a noite escondidos no meio daquele pequeno matagal que dava em uma ribanceira, para no dia seguinte terminar a descida com Rachel, para que ela pudesse sair da favela e chegar em sua casa. Finn, Puck e Blaine choramingavam por causa do baile que iriam perder, assim como o prêmio e cinco mil reais; Santana os acalmava, dizendo que outras possibilidades viriam. Já Brittany se encolhia em um canto, olhando para Santana e imaginando como seria difícil convencer a latina a perdoá-la por todas as palavras duras; enquanto isso Quinn e Rachel já começavam a se agarrar e procuravam um cantinho mais escondido para suas putarias noturnas...
No alto da favela a polícia depois de revirar toda a casa dos meninos, quebrar móveis, jogar tudo pelo chão, saia da casa atrás de possíveis culpados pela operação ter vazado e a refém não ter sido encontrada. Causaram terror e pânico na população da comunidade, invadindo casas sem mandado de busca e apreensão, atiraram em pessoas inocentes e depois forjaram situações de “autos de resistência”, assim como prenderam vários moradores para “averiguação”...o terror e o “toque de recolher” estava instaurado no bairro enquanto não encontrassem a refém e não pegassem os seqüestradores. A comunidade sofria mais uma vez com a falta de senso e a truculência daqueles que deveriam ser pagos para manter a segurança dos cidadãos e não causar insegurança.
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