Entre O Amor E A Guerra

24 Capítulo 24 - Vivendo no limite II.


Notas iniciais
Capítulo extra, porque fico fazendo as vontades de vocês e adorooooo!!!! Obrigado pela recomendação minha linda Saaaareeeenaaaa!!!
Esse capítulo tem relatos de morte, assim como um pouco mais de violência. Sendo assim alerto para aqueles que não gostariam de lê-lo. Lu

Quando já engatilhava a arma na cabeça de Santana, Kitty sentiu os olhos arderem, o corpo queimar. Tombou lentamente atingida por dois tiros, um na cabeça e outro na altura do pescoço. A proximidade de Santana fez com que a loira caísse praticamente em seus braços...era o fim de uma história de sucessivos erros, grandes equívocos no que diz respeito à vida, o poder, e até mesmo o significado do amor. Kitty tombou ainda com um fio de vida, que Santana tentou em vão prolongar, comprimindo o lugar do pescoço onde o tiro acertou. Em alguns segundos estava encerrada a história de uma jovem que acreditava em uma felicidade que só viria cercada pelo luxo e pelo dinheiro, acima de qualquer coisa.

Chegavam cada vez mais e mais curiosos, que cercavam a latina, que em vão pedia socorro para a ex-namorada. A verdade é que Kitty já estava morta, mas Santana não queria e não se permitia acreditar. Por mais que soubesse que poderia ser ela ali, estirada na calçada, ainda assim sentia algo especial pela loira, afinal foram dois anos de convivência diária. Brittany assistia a tudo petrificada, e por alguns segundos, no meio da confusão, achara que os tiros tinham sido destinados a Santana; os olhos estavam marejados, a roupa suja com o sangue do rosto machucado de Sam, e o espírito extremamente massacrado por toda aquela cena. Apesar de tudo isso, sua preocupação era Santana, só Santana. Por isso largou Sam no banco imediatamente depois dos tiros e foi em direção a latina, que chorava compulsivamente enquanto uma multidão se aglomerava.

– Por favor, deixa eu te tirar daqui, ela infelizmente já está morta Santana. Deixa eu te levar para algum lugar longe dessa multidão para que você possa sair desse choque. Sussurrava Birttany no ouvido de Santana, que simplesmente se mantinha imóvel, com Kitty nos braços.

– Eu não posso sair daqui. Tenho certeza que alguém vai chegar com uma ambulância e vai salvá-la. Eu sei que ela não é uma das pessoas mais corretas, mas ela não precisa morrer para pagar o preço pelas coisas que fez até agora. Ela pode mudar, ela vai mudar, só preciso ficar mais perto dela, cuidar mais dela, vigiar mais ela. Eu não posso mais ficar com você, preciso cuidar dela. Repetia Santana, com os olhos vidrados em Kitty.

Santana delirava em choque. Brittany, por mais imatura que fosse, entendia e simplesmente ficou ao seu lado, sentada no meio fio onde o corpo de Kitty estava. Alguns minutos depois Quinn, Puck e Blaine chegaram ao local e foram imediatamente ao encontro de Santana; Quinn a pegou no colo e levou até um dos carros do grupo, enquanto Blaine investigava junto a Brittany o que havia de fato acontecido. Um carro da polícia chegava ao local, e logo o grupo se esquivou e voltou à casa de Quinn, onde Berry e Finn haviam ficado. Blaine conseguiu colher algumas informações de Brittany, depois colocou a menina e Sam Evans, ainda cambaleante, no carro da loira, e desceu com eles até o pé do morro para garantir sua segurança; de lá voltou direto para a casa de Quinn...depois de tudo que havia acontecido em uma só noite o grupo precisava estar junto e se fortalecer um no outro, mas principalmente fortalecer Santana, que fatalmente levaria em sua memória as marcas e lembranças daquele trágico baile.

Brittany dirigia ainda sem acreditar em tudo que havia acontecido. Sam estava deitado no banco de trás do carro e ensaiou perguntar qual tinha sido o desfecho daquela confusão, mas o silêncio da loira intimidou qualquer tentativa de contato ou explicação. A verdade era que Brittany parecia ter sido atropelada por um rolo compressor, e não sabia sequer como entender aquilo tudo. Naquele momento desejava mais que tudo sua amiga Rachel: ela a ouviria, a compreenderia e diria que tudo não passara de um pesadelo ruim, que no dia seguinte ligaria para Santana chamando-a para um passeio e que aquela trágica noite nunca teria feito parte da sua vida.

Santana...Brittany insistia em pensar em como estava a morena. Lembrou que a loira havia pego a latina no colo com todo cuidado e a levado embora. Seria Santana namorada da morta, amante da loira e ainda estava cheia de graça com ela? Ou aquilo tudo não passava de sucessivas confusões, que acarretaram naquela tragédia toda? A cabeça de Brittany dava um nó, mas a única certeza que tinha era que precisava de notícias da latina, precisava saber se ela estava bem, queria mesmo era ter colocado ela em seus braços e a protegido. Mas como a garota morta mesmo havia dito, ela era uma covarde, e fugira de lá com medo de morrer. Não tivera a decência de defender a garota que agora permeava seus pensamentos...que tipo de gente ela era se nem isso fizera?

Longe da casa de Quinn, do carro e dos pensamentos de Brittany, do corpo de Kitty (que foi levado para o Instituto Médico legal somente duas horas depois do tiroteio), sentada no escuro e abraçada a sua cachorra Marley, estava Lauren. Chorava compulsivamente e se lembrava dos dois tiros que havia dado em na sua melhor amiga. Não sabia ao certo quando conhecera Kitty, sabia apenas que defendia a loira na escola quando ainda eram pequenas e arranjavam confusões, e que aquela amizade tinha amadurecido com o tempo e com o envolvimento das duas com a criminalidade. Embora Lauren e Kitty fossem parceiras de crime, a primeira ainda tinha muitos receios, muitos medos e por vezes desistia das ações ,enquanto Kitty sempre ia até o fim. No fundo Lauren sabia que por vezes era usada por Kitty, mas ainda assim aquela era, junto com Tina, seu único grupo de amigas.

Ainda não entendia a reação de atirar na garota para defender Santana da morte; não se sentia arrependida propriamente, essa não era a sensação. A verdade era que há tempos queria parar com a vida de atos infracionais, mas Kitty sempre criava uma história, uma situação ou mesmo um tipo de ameaça que a fazia permanecer. Não justificava nos atos da loira seu envolvimento no crime, muito menos alegava que atirou porque se sentia ameaçada; atirou pois, por alguns minutos viu no rosto de Santana toda uma história de lutas, de guerras para sobreviver dignamente na favela, e não seria Kitty que tiraria a vida de uma pessoa inocente mais uma vez.

Já havia compactuado com aquilo uma vez, quando ajudou a loira a matar sem piedade o ex-namorado da latina, não faria de novo e não permitiria que a loira fizesse, por isso atirou duas vezes, sem dó ou piedade; atirou de forma certeira, pois a verdade era que a intenção era matar, e não só ferir. Sabia que mais cedo ou mais tarde pagaria por aquele crime, mas entre Santana e Kitty, quem deveria ter uma chance de sobreviver era a latina, mesmo que a história de afeto e amizade construída com a loira tivesse sido uma das histórias mais bonitas de sua vida, como a música que tocava sempre no baile e que Kitty dizia ser a música delas, da amizade delas...

(...)

Eu me pego aqui sozinho a lembrar do passado, a gente era amigo sempre lado a lado. Nas horas mais difíceis a gente estava junto, molecagem e traquinagem já fizemos muito. Sempre...as nossas brincadeiras e nossos roles não saem da minha mente onde esta você? De repente meu amigo você mudou, das brincadeiras de criança você se cansou; você mudou a sua vida da água pro vinho, era só um moleque agora é um bandido. A brincadeira predileta agora é fugir da polícia, roubar a vizinhança e cheirar cocaína. E bate uma saudade dos amigos meus que não estão aqui, estão junto de Deus; eles estão guardados no meu coração...orei pra estar no céu e não na escuridão. Ai que saudade dos amigos meus que não estão aqui, estão junto de Deus. Eles estão guardados no meu coração, orei pra estar no céu e não na escuridão. Amigo quem te viu, agora quem te vê sua vida esta perdida, pare de sofrer; sua mãe, coitada, já não sabe o que faz, vive triste pelos cantos já não têm mais paz. Se conselho fosse bom a gente nunca dava, a vida nesse lugar não vale mais nada; aqui o que impera é a lei do silêncio: ninguém sabe, ninguém viu a cara dosuspeito. Já tem gente de olho na sua ação, querendo te mandar pra dentro do caixão, neste mundo cruel nos somos só mais um, não quero ver você furado com bala de "dum dum". Me bate uma saudade dos amigos meus que não estão aqui, estão junto de Deus. Eles estão guardados no meu coração, orei pra estar no céu e não na escuridão. Ai que saudade dos amigos meus, que não estão aqui, estão junto de Deus; eles estão guardados no meu coração, orei pra estar no céu e não na escuridão. O que menos esperávamos aconteceu...boatos na favela que mais um morreu com o corpo estirado dentro do valão. Foi triste o seu fim doeu no coração; a saudade fica já não da pra agüentar, família e amigos ficam a chorar. Os tempos de colégio estão na minha lembrança, das brincadeiras boas do tempo de nossa infância. Na favela até hoje todo mundo chora...” Lembranças – Tottô e Kbeça


Notas finais
(http://www.vagalume.com.br/totto-e kbca/lembrancas.html#ixzz2GDERCKvi)
Essa música tem batida de funk, mas acho que é um hip hop nacional...acho a letra muito phoda!!!
Espero que gostem...devo ficar sem postar amanhã pois tenho sessão no hospital e não fico muito boa depois, ai prefiro não ficar muito no note para escrever. Mas prometo que se chegar bem dou uma passada por aqui, pelo menos para responder aos comentários...bjs