Entre Bruxos e Semideuses
1 Capítulo 1 - Josh
Notas iniciais
Eu observava o orvalho caindo das folhas das plantas mais próximas a mim. Era agradável. Me fazia esquecer um pouco os meus problemas. A escola, minha irmã perdida aos 5 anos. Nunca consegui encarar isso...
Algumas moscas voavam acima de minha cabeça. Droga, será que estou fedido? Me levantei e comecei a andar em direção a minha casa de campo. Era simples, mas muito bonita. Para ir até lá, era necessário atravessar um vasto campo de trigo, um dos maiores orgulhos de meu pai.
Havia um leve cheiro de café no ar quando entrei na casa, e meu pai estava na cozinha, com sua blusa xadrez vermelha e seus jeans velhos e largos. Ele olhou para mim e sorriu de um jeito doce e amigável.
– Bom dia filhão! — disse meu pai me entregando uma xícara de café com leite.
– Bom dia pai!
– Onde você ficou essa noite inteira? — Disse ele se apoiando na ponta da mesa de madeira,com uma expressão séria.
– Conversando com plantas. — Eu disse.
– O Quê? — Meu pai começa a rir — Como assim?
– Me faz sentir melhor. Faço isso desde o desaparecimento de minha irmã. Meu pai fica sério. Ele não gosta que toque neste assunto. Nem eu nem ele. É algo muito sensível.
– Ah claro... Bem, já vou indo trabalhar nas hortas.
– Eu vou ali no meu quarto.
É claro que eu não iria no meu quarto. Quando meu pai saiu da sala, corri pelo corredor estreito de madeira da casa e abri a porta de madeira velha com um rangido. É lá onde guardamos nossas memórias, fotos e lembranças antigas. Remexi em um grande baú velho e no fundo encontrei um álbum de fotos. Tiro de dentro uma foto de uma pequena garota de cabelos loiros e olhos verdes como a grama. Minha irmã, como eu sinto saudades dela. Quando percebo, lágrimas escorrem pelo meu rosto, pisco para prevenir, mas, não gosto de chorar. Nessa hora é aceitável. Me levanto com dificuldade, e guardo a foto com cuidado no fundo do baú, e saio pela janela. A escada para meu quarto fica fora da casa, e é de metal. Subo bem rápido, e abro a porta e entro. Está tudo bagunçado, como sempre. Me jogo na cama e coloco o travesseiro na cara. Mas de repente tenho a impressão de ser observado. Olho para trás esperando ser meu pai, mas quando vejo uma sombra se mover rapidamente pela minha janela. Dou um pulo com um susto, e grito:
– Quem está ai? — Puxo a primeira coisa para usar como arma, incrivelmente sendo meu travesseiro, e o jogo na direção da sombra, mas ela não está mais ali. Meu pai abre a porta e fala:
– Filho? O que aconteceu? Viu algo?
– U-ma s-sombra — falo, tremendo.
– Está tudo bem, não precisa se preocupar, deve ser impressão. Mas eu sei que não é. Meu pai fecha a porta com cuidado, e ouço seus passos diminuindo na escada de metal à medida que ele vai se afastando. Ouço mais passos mancos perto da varanda, abro a cortina de couro para ver. Nada. Estou ficando louco? Preciso descansar. Depois irei conferir isso. Agora irei dormir.
Acordo por volta do meio dia. Desço as escadas, que estavam mais podres que o dia anterior, circulo a casa e entro pela porta da frente.
– Filho, você perdeu o almoço. — Disse meu pai um pouco bravo — Está muito magro para sua idade. Precisa comer.
– Eu não estou a fim.Vou ir lá fora.
Corro casa afora e entro na floresta a leste da casa e das plantações. Eu vi a sombra correr até lá. Irei tentar ver o que é e revelar isto. Não gosto de ser perseguido.
E entro escuridão adentro.
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