Entre Bruxos e Semideuses
2 Capítulo 2 - Alexia
Hoje é o último dia de aulas antes das férias do meio do ano. Eu, bem, estou ao lado das minhas colegas chatas e admito que estou bem feliz por ter que ficar sem vê-las por um bom tempo. Agora neste exato momento uma delas acaba de esbarrar propositalmente em mim e derramar suco de uva na minha roupa nova e branca, eu como sempre, finjo que nada aconteceu e tento não perceber as risadinhas que elas sempre dão.
Elas iam saindo dos bancos da cantina quando tropeçaram e caíram num enorme balde de tinta e se sujaram todas. Como ele foi parar lá? Eu não sei...
Depois de horas de aulas de português (ou foi o que me pareceu) o sinal tocou, isso significava que eu ia ficar um mês sem ver elas, e isso era a coisa que eu mais queria nesse momento. Então fui embora para o orfanato (até hoje desconheço o que aconteceu com os meus pais) e vi uma coruja marrom, o que é muito estranho, pois geralmente elas só aparecem de noite.
Então sem me dar conta, já estava no orfanato. Entrei, subi as escadas e fui para o meu quarto, e encontrei minha colega de quarto, Devonne. Ela é dois anos mais velha do que eu, estuda em outra escola (pois não tem oitavo ano na minha) e é minha melhor amiga, ou melhor, a única que eu tenho.
Coloquei a mochila em cima da mesa e disse:
– Oi, como foi seu último dia de aula?
– Como sempre – disse ela – me zoaram, pois eu passei a aula inteira tentando entender o que estava escrito no quadro – Ela sofria, pois tinha déficit de atenção – Acho que eles não sabem, e nunca saberão como a pessoa se sente em relação a problemas que muitas outras pessoas não têm – disse com uma cara triste – E você?
– Bem, — comecei – derramaram suco de uva na minha roupa e depois...
– Ola crianças – disse a senhorita Rosa entrando no quarto – estou atrapalhando alguma coisa?
– Não, não estávamos fazendo nada de mais – respondeu Devonne.
– Alexia, eu só vim avisar que acabou de chegar uma carta pra você – disse ela.
– Ahn – eu disse meio confusa – a senhora deve ter se enganado, não tem ninguém que me manda correspondência.
– Não, eu tenho certeza – disse ela com uma voz calma – está escrito: Para Alexia Kamperbell, 3° andar, quarto C.
– Ok, depois que eu terminar a minha conversa com a Devonne eu vou. Então contei a Devonne sobre o balde de tinta, e como eu, ela achou muito estranho. Fui ao banheiro e depois desci para o andar abaixo para verificar a correspondência. Quando cheguei fiquei realmente assustada, não era erro da senhora Rosa, a carta era realmente para mim.
Ainda chocada com o que tinha acontecido, minhas mãos tremendo, sem consegui abrir o envelope. Então de repente desmaiei. Talvez eu tenha desmaiado de surpresa, não sabia ao certo por que aconteceu isso comigo. Então estava tudo escuro e só ouvia vozes de pessoas.
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