Notas iniciais
Olá meus queridos, como estão? Primeiro de tudo: muito obrigadas à todos que mandaram mensagem e postaram no dia do meu aniversário, vocês são tudo de bom! Toda hora tinha comentário chegando, me senti importante hahahahaha! Foi um dia fantástico, um dos melhores! Muita festa (sim, sou festeira! XD), muitos presentes mesmo! Ganhei até coisas pervertidas dos meus "amigas", coisas para colocar na fic segundo eles. Aham, sei... ¬_¬ kkkkkkk Fora que ganhei um livro com receitas feitas só com tomates para o paladar do Sasuke e chaveirinhos Sasunaru. Awwwwww Tão fofos!!! X3 Fatalmente quando largo minhas chaves sobre a mesa o Sasuke cai por cima do Naruto, é a lei da natureza gente! Eles tem vontade própria, é assustador! XD Ganhei também milhares de coisas do Frozen, que não é novidade para ninguém que amo né? Assisti mil vezes no cinema. Nem liguei pra cinderella, queria mesmo ver a Elsa! *____* Peguei sessões próximas e saltei de uma sala de cinema para outra só para assistir o Frozen fever mais vezes XD Malki adverte: Não façam isso em casa! Falando em ganhar recebi ingressos para assistir a estréia do filme Naruto the Last no cinema, cortesia de um site de cultura geek. Fiquei feliz, mesmo sendo um filme que não curto muito, mas Naruto me dá um bocado de trabalho e é legal vê-lo gigante na tela do cinema rs Agora falando sobre a fic fiquei em êxtase ao receber comentários muito eufóricos de fãs! Quando nessa vida imaginei que teria fãs??? Que tudo! Obrigada a quem lê e comenta, sem isso eu nunca saberia o que vocês pensam. Minha forma de agradecer??? Lemon! Nesse capítulo é o que não falta! Momentos deliciosos dos três ukes fofos que amamos. Por sinal chamei o capítulos de "sozinho" porque é a forma como cada um se sente ao longo desse capítulo que é bem tenso, fofo e caliente ao mesmo tempo! Sei que ficou gigantesco, mas aceitem como um presente pois não sei quando poderei postar de novo. Sejam pacientes pois estou passando um bom momento, mas delicado ok? E se liga no avatar que estou usando agora. Eu tive uma crise de riso histérico quando vi esse Sasuke assassinar o tomate até babar!!! Meodeos que coisa fofa! ●ω● Lembrando que essa história possui registro autoral, então evite problemas com plágio e não copie sem permissão. Se quiser postar em algum lugar entre em contato comigo. Caso alguém veja essa fic publicada por aí denuncie! Muitas contas andam sendo deletas por isso, não copie o trabalho dos outros, seja autêntico, não se iluda ganhando comentários por algo que você sabe que não fez! Enfim, vocês querem ler, certo? Boa leitura!

O suor brotava em sua testa, acompanhado de um calafrio que percorreu as costas.

Era possível ver uma arma na cintura daquele homem, por baixo do jaleco escuro que vestia.

– Acho que entendeu que é melhor me seguir, raposinho. Se não fizer isso algum inocente pode acabar pagando por você – Obito desceu o olhar à barriga do loiro que recuou um passo, cobrindo-a com as mãos por instinto.

Estava sem saída, não havia o que fazer. Se relutasse ou fugisse aquele homem podia machucá-lo ou tentar algo contra seu bebê.

Encurralado acabou assentindo, pegando uma blusa fina de moletom sobre o sofá e vestindo-a apressadamente. Não teve tempo sequer de trancar as portas ou apagar as luzes, foi puxado para fora.

O frio o castigou. As pernas estavam à mostra por trajar um shortinho curto e chinelos nos pés. Adoraria ter vestido o pijama naquela noite, de preferência o de soft bem quentinho.

– Ah sim e antes que eu me esqueça... – o Uchiha estendeu a mão – Seu celular fica comigo, para o caso de querer fazer alguma besteira e atrapalhar nossa diversão.

– Diversão? – indagou, tentando parecer o mais calmo possível. Uma missão quase impossível.

– Isso, nós vamos dar um passeio – sorriu, friamente. Enfiou a mão no bolso do loirinho e tirou o celular, jogando-o de volta dentro do apartamento. O aparelho caiu ao chão e se abriu, a bateria voando longe.

Um calafrio subiu a espinha do loiro.

Não tinha conhecimento de quem era o homem à sua frente, mas sabia que ele era bastante perigoso, a julgar pela imensa cicatriz em sua face direita. Era fácil de entender apenas por seu olhar que ele não possuía um traço sequer de compaixão.

E pelo fato de ser um Uchiha. Até aquele momento o loirinho só tivera péssimas experiências com Uchihas, tirando Sasuke e seu irmão. Seguir Obito sabe-se lá para onde era arriscado demais.

–... Se me obrigar a sair... Eu vou gritar – interveio, tentando ganhar tempo.

– Se fizer isso não terá nem tempo de se arrepender – o sorriso sarcástico morreu em seu rosto, substituído por um olhar tão frio que penetrou o fundo da alma do loiro, como uma farpa de gelo –... Eu não sou paciente, e vai descobrir isso da pior maneira – empurrou-o em direção às escadas.

Sem saída, Naruto se põe a caminhar pelo corredor completamente vazio. As pessoas que outrora saíam dos apartamentos para ver a comoção e fofocar haviam desaparecido, bem agora que mais precisava delas!

Talvez culpa da influência que os Uchiha exerciam? Essa desagradável capacidade de controlar tudo, de quebrar regras, de burlar leis. Até então Naruto nunca conviveu com uma situação de desigualdade social, mas percebeu-se no ponto mais baixo ao lidar diretamente com aquela família.

Uchihas tinham dinheiro, e isso lhes dava poder absoluto, a sensação de que nada lhes era impossível.

Ao menos tanto poder não havia feito a cabeça de Sasuke. Talvez por causa disso ele ainda conseguisse ser feliz.

Parou diante do elevador, mas foi puxado com rudeza para as escadas.

– É mais rápido pelas escadas. Desça.

– Não posso, vou passar mal – adiantou, já sabendo que o estresse que estava sentindo não faria bem ao bebê, quanto mais aliado a um esforço muito grande. Eram três lances de escadas até o térreo!

–... Eu acho bom começar a descer.

Naruto se virou para tentar argumentar, mas seu pescoço foi segurado. Como se não pesasse nada, Obito o imprensou violentamente contra a parede. Naruto tossiu quando as costas bateram no concreto, seus pés estavam fora do chão.

Não conseguia respirar. Sua garganta era apertada com tanta força que um pouco mais e seria estrangulado.

Abriu os olhos, assustado, quase sufocando. Algo gelado encostou-se a seu rosto, soltou uma exclamação de susto ao perceber a lâmina fina de uma adaga pressionar sua pele. Um pequeno filete de sangue escorreu.

– Não me custa muito acabar com isso aqui e dar uma desculpa qualquer ao patriarca – passou a lâmina devagar ao longo da bochecha pálida, formando um vergão longo que abria a pele. O corte ardia conforme a carne era rasgada, o sangue brotava em bolhas que escorreram para o queixo.

Não era um blefe comum ou uma simples ameaça. Havia uma crueldade nítida nele, como se sua humanidade já tivesse se esvaído há muito tempo, como se não hesitasse em fazer exatamente o que havia dito. Naruto teve a certeza de que ele o mataria ali mesmo sem hesitar. Seu estômago embrulhou e caso não estivesse quase sem ar teria vomitado, de puro pânico.

Apertou os olhos, estava começando a perder o ar, precisava respirar! As mãos trêmulas subiram à que segurava seu pescoço, tentando se soltar.

Foi então jogado ao chão com um golpe, esbarrando no piso. Tossiu, engolindo o máximo de ar que conseguiu, puxando-o de volta aos pulmões com tanta ênfase que engasgava. A sensação de sufocar era terrível! Percebeu os pés dele pararem próximo a seu corpo.

– Desça – a ordem veio outra vez, em tom impaciente.

O menor assentiu assustado e não demorou a ficar de pé. Suas pernas não tinham firmeza alguma, estava com tanto medo que seu corpo não lhe obedecia. O corte em seu rosto pingava pela blusa de moletom escuro, ardendo quando o vento frio batia.

A dor não demorou a vir, aguda e funda no interior do útero. Com uma das mãos segurou sua barriga, a outra agarrada ao corrimão, tinha medo de ser empurrado e rolar pelas escadas.

“Desculpe meu bem. Aguente mais um pouco” – mentalmente tentava acalmar seu bebê, mas ele próprio estava em pânico. Tudo que conseguia pensar era que queria ver Sasuke! Lamentou horrivelmente ter permitido que saísse de casa! Devia imaginar que não o deixariam em paz, que estavam armando alguma coisa. Em se tratando de Karin envolvida nada de bom vinha disso.

Doía, era difícil caminhar, difícil respirar. Deteve-se um segundo apenas para tomar ar, tinha medo do que aquele Uchiha pudesse fazer. Seu corpo inteiro tremia, a vista falhava diante dos olhos.

“Não posso desmaiar aqui... Preciso chegar à recepção” – arfava, cerrando os dentes quando as pontadas surgiam. O suor facilmente brotava na testa.

Como isso foi acontecer? Onde estavam os seguranças que Sasuke havia contratado? Não havia uma única pessoa naquele prédio disposta a ajudá-lo?

Baixou-se de joelhos no chão, sem força alguma para prosseguir.

– Acho bom se levantar.

–... Não consigo – fechou os olhos bem forte. Estava doendo bastante.

Seus cabelos foram puxados, até que endireitasse o corpo.

– Não teste minha paciência – colocou-o de pé e ele assentiu nervosamente, respirando fundo, tornando a caminhar. Passos lentos e mal calculados.

Muito tempo depois, o que para o loiro foi uma eternidade, chegaram ao térreo. Quase não podia acreditar.

Não tinha ninguém ali! Todos os funcionários desapareceram como que por puro encanto!

Vendo que não tinha como ou a quem pedir socorro, não teve escolha a não ser se deixar guiar pelo mais velho. Este colocou um braço ao redor dos ombros pálidos, levando-o bem junto a si em direção ao estacionamento do condomínio. Por Deus, como ele conseguiu entrar em um condomínio fechado sem identificação? Como conseguiu subir ao seu apartamento sem ser visto? Era óbvio que alguma coisa estava errada.

– Para onde... Está me levando? – perguntou baixinho, fitando o chão.

– Madara quer te ver – respondeu simplesmente, sem inserir qualquer detalhe.

Naruto engoliu em seco.

O patriarca queria lhe ver? O mesmo que ordenou a morte de Sasori forjando um acidente tão cruel? O mesmo que brincava com a vida de Itachi da maneira que achava mais conveniente?

Engoliu forte, sabendo estar encrencado.

Havia um casal chegando de carro, estacionando próximo de onde estava o veículo de Obito. O Uchiha sorriu displicente ao casal, passando-se por uma pessoa normal. A mulher chegou a olhar para o rosto do loiro e estranhou, percebendo algo diferente e por um segundo, percebeu-o murmurar algo, sem nenhum som. Antes que ela pudesse perguntar qualquer coisa o loiro voltou o rosto para baixo.

Saíram das vistas do jovem casal. O namorado da jovem, que não percebeu nada, estranhou que ela continuasse parada olhando o local por onde os dois homens haviam seguido.

– O que foi? – tocou-lhe o ombro e ela franziu a testa.

– Aquele não é o rapaz que vive com Sasuke Uchiha?

– Ei, a vida dos outros não nos interessa! – falou baixo — Se o garoto tem um caso então é prudente fingir que não vimos nada!

Ela não prestou atenção ao que o namorado dizia, ainda intrigada.

– Yahiko, você não reparou nada?

– Do que está falando?

– Tinha sangue no rosto daquele garoto. Ele parecia apavorado! – ela pareceu pensativa, e incomodada. Passou a mão pela franja longa de cabelos purpúreos, colocando-os detrás da orelha –... Quando nossos olhos se chocaram ele moveu os lábios, parecia querer me dizer alguma coisa.

O homem rolou os olhos de descrença e impaciência.

– Só o que penso é que você anda vendo novelas e dramas policiais em excesso, Konan!

A mulher não se incomodou com as palavras do estúpido namorado. Algo estava estranho e queria descobrir o que era.

–-

Desconhecia o número exibido na tela de seu celular, sobretudo porque a ligação era em seu chip casual. Pessoas mais próximas ou do trabalho não ligavam no chip daquela operadora, uma vez que era destinado somente a serviços informais.

Estava nervoso por não conseguir contato com o loiro, achou melhor atender. Uma voz baixa e calma soou.

– Sasuke Uchiha? – era uma mulher e o moreno ficou intrigado. Seria novamente um trote? Como o que pregaram em Naruto?

– Sim, em que posso ajudá-la?

– Me chamo Konan, moro no mesmo condomínio que você, no primeiro andar. Obtive seu número de celular na recepção. Talvez ache o que vou dizer uma bobagem, ou que estou me intrometendo em sua vida, mas... Há poucos minutos vi o garoto que vive com você saindo com um homem muito estranho. Ele parecia desconfortável, como se alguma coisa estivesse errada.

Os olhos negros se arregalaram de susto.

– Um homem estranho? Como era essa pessoa?

– Alto, magro, de cabelos curtos e escuros. Tinha uma cicatriz grande na face.

O sangue de Sasuke gelou. Era fácil compreender apenas pela descrição.

Obito Uchiha estava com Naruto! Aproveitou o momento de distração para levá-lo consigo!

– Para onde eles foram? – sua voz soava afoita ao telefone, era possível ouvir sua respiração abafada.

– Vi que eles seguiram até o carro desse homem e depois partiram bem depressa. Senti que havia algo errado porque o garoto loiro parecia muito assustado... E estava pálido. Ah sim e tenho certeza que vi um corte em seu rosto.

Sasuke quase não conseguia respirar ou pensar direito.

Obito havia sequestrado Naruto? O havia machucado? E o mais terrível: para onde o estava levando?

Odiou-se por cair novamente na armadilha de sua família. Karin o distraiu com uma estúpida cilada, armou aquele circo apenas para afastá-lo do loiro por tempo suficiente para Obito levá-lo consigo. Sozinho, grávido, era tão indefeso que qualquer um poderia fazer o que quisesse com ele!

Devia ter insistido, Naruto não podia ficar sozinho!

Seu estômago doeu de angústia, um pavor súbito fazendo-o pensar somente no pior.

Aconteceu o mesmo com Sasori... E naquele fatídico incidente ele perdeu o bebê que trazia no ventre. A ideia de perder a criança a quem tanto amava lhe pareceu terrível.

E perder o loiro então era algo que não suportaria...

– Sabe me dizer para onde o levaram, senhorita? Esse homem é perigoso, ele pode fazer algum mal ao Naruto!

A jovem mordeu o lábio, estava certa afinal! Sorte a intuição feminina não falhar para tais coisas.

– Imaginei que tivesse algo errado, quando nossos olhos se cruzaram ele praticamente me pediu socorro. Moveu os lábios, mas eu só consegui entender uma palavra.

– O que era?

– Patriarca. Não sei se essa palavra faz algum sentido para você.

–-

Naruto estava imóvel, sentado no banco de passageiro ao lado do moreno. Mal conseguia respirar ou se mover, as portas estavam travadas, os vidros eram muito escuros para que alguém na rua os visse.

Foi alertado a não fazer nenhum movimento estranho. Suas mãos deviam ficar paradas entre as pernas e não podia falar nada até chegarem ao local indicado. Naruto achou prudente fazer o que ele dizia. Obito aparentemente não tinha o que perder, mas Naruto ao contrário o tinha e muito!

As ruas pertenciam a um bairro residencial chiquérrimo, arborizado, fechado e reservado. Havia vigias em cada esquina, somente pessoas anunciadas podiam entrar.

Uma imensa mansão surgiu ao longe e Naruto soube na mesma hora que era aquele o local onde vivia o patriarca dos Uchiha. Era uma mansão antiga, sombria. Uma aura hostil emanava dela.

– Só para você saber, raposinho – a voz o assustou, fazendo-o dar um solavanco – Esse condomínio é todo habitado por integrantes da família Uchiha. Uma pessoa de fora não pode entrar a menos que seja convidada.

O loiro ficou estupefato. Era um condomínio inteiro, como um pequeno bairro só de Uchihas! As casas eram imponentes, belíssimas. Obviamente de pessoas muito ricas.

– Espero que entenda no que está se metendo, moleque. Sasuke não é um homem comum.

O loiro compreendia perfeitamente desde o princípio que Sasuke era alguém fora de sua realidade. Um homem poderoso, herdeiro de um império milionário.

Mas, mais importante que isso: era o homem a quem amava, e pai de seu filho!

O veículo avançou até os portões de ferro da casa sede, cercada por grades e muros muito altos. Ao perceberem o veículo parado, os imensos portões lhe foram abertos, revelando a via que atravessava o jardim sombrio em direção à entrada da mansão.

Era gigantesco! Só o caminho dos portões até a entrada gastou mais de vinte minutos de carro. Árvores secas se erguiam ao redor, dando a impressão nítida de um conto de terror. A lua no céu estava encoberta, propiciando uma noite ainda mais escura.

Estacionaram, por fim e Obito destravou a porta do loiro.

– Saia – ordenou e ele assim o fez. Abriu a porta desejando o quanto antes sair de perto daquele homem que o deixava nervoso.

Tão logo pisou fora do carro recebeu olhares de desagradado dos empregados, sobretudo do mordomo. Bem, ele vestia um shortinho preto curto e uma blusa larga de moletom, além de chinelos nos pés, sua aparência não o ajudava em nada. Mas isso porque foi tirado à força de sua casa!

–... Me acompanhe – o mordomo torceu os lábios e deu-lhe as costas. Naruto não queria segui-lo, não queria entrar naquela casa, pois não sabia o que poderia acontecer. Estava sozinho em um antro de Uchihas, sua desvantagem era óbvia naquele lugar. Mas não tinha escolha, e acabou subindo os poucos degraus de escada da entrada principal, ainda desacreditado da imponência daquele lugar. Mesmo com aspecto antigo, a mansão mais parecia um castelo.

As portas de mogno se abriram, permitindo-lhe a visão do interior do casarão. A decoração era clássica, os móveis escuros, com cheiro forte de madeira antiga. As paredes e estofados das cadeiras coloniais eram brancos, contrastando com a escuridão dos móveis. Várias estátuas de bronze se espalhavam pela casa. Estátuas grotescas na opinião do loiro. Cada uma delas representava um animal com um número de caudas, a última delas, uma raposa com nove caudas saindo do final da coluna.

“Que treco bizarro!” – pensou, desgostoso. Jamais teria algo parecido dentro de sua casa!

O mais abominável eram as cabeças empalhadas de cervos, felinos e marsupiais penduradas nas paredes, como prêmios de caçadas. Tudo naquela casa era de um mau gosto perturbador.

Foi guiado a um escritório, onde havia uma clarabóia de vidro com detalhes em cores vivas, formando um desenho espiralado no teto.

O que mais chamou a atenção do loiro foi o imenso quadro pendurado na parede. Muito parecido com o que vira na sala de Sasuke na Uchiha Co. A pintura em estilo Impressionista estampava as quatro gerações de Uchihas, começando por Madara, passando por Fugaku, Itachi e terminando em Sasuke.

Era assustador vê-lo retratado tão sério, as pinceladas grosseiras sobre seu rosto o fazendo parecer mais velho e austero.

Era um Sasuke que não conhecia.

Para onde se olhasse naquela saleta, entre as estantes repletas de livros, as janelas de vidro fechadas, os vasos de plantas, em cada detalhe havia o símbolo dos Uchiha: um leque de cor vermelho e branco contornado de preto. O símbolo Uchiha estava esculpido e adornado em cada canto, óbvio sinal do orgulho do clã.

Não pôde observar mais quando ouviu passos detrás de si. Virou-se devagar, temeroso.

Um homem alto, de tez assustadora o fitava, irritado. Era muito pálido, ainda mais do que Sasuke, se é que isso era possível. As veias visíveis na pele absurdamente clara. Naruto imaginou que isso era o que chamavam no passado de “sangue azul”, os contornos azulados das intravenosas mostrados na pele alva. Seus olhos eram de um negro profundo, mas estavam tão irados que pareciam avermelhados.

Impressão sua ou todos os Uchiha quando nervosos pareciam mudar a cor de seus olhos para um vermelho-sangue intenso e vívido?

Os cabelos eram longos, descendo como uma extensa cortina de veludo negro pelas costas. Ele vestia roupas informais, mas o ar de superioridade ao seu redor esmagava o loiro. A beleza da família Uchiha exibia-se em cada contorno de seu rosto.

Madara olhou o pequeno garoto caucasiano de cima a baixo, achando-o vulgar e maltrapilho.

Sasuke só podia ter ficado louco ou o estava desafiando, o que era muito mais provável. Já havia proibido outros relacionamentos do neto, mas ao menos as pessoas se mostravam cultas, elegantes, de boas origens. Aquele moleque magrelo era uma ofensa ao estilo de vida Uchiha!

Um empregado preparou a mesa, colocando as cadeiras uma diante da outra e estendendo uma toalha branca, sobre ela foi posto um jogo de chá de porcelana antiga e pesada. Era possível perceber que estava na família há gerações, o irritante símbolo Uchiha estampado nelas.

– Sente-se – disse com impaciência na voz. O menor assentiu, afundando no assento da cadeira, diante daquele homem tão intimidador. Chá foi servido aos dois por uma criada, mas o loiro sequer tocou na xícara. Não estava louco de tocar naquele chá! Se Karin envenenara seu café em sua própria casa quem dirá estando em um covil?

– O senhor deseja mais alguma coisa, patriarca? – a jovem serviçal em seu uniforme sóbrio e recatado encurvou-se como quem reverencia uma divindade.

– Deixe-nos a sós – fez um gesto grosseiro para que ela saísse de uma vez e a mulher assim obedeceu, emudecida.

Quando se viu sozinho com aquele homem uma pressão esmagadora tomou conta do recinto. A saleta pareceu muito menor do que realmente era. O som da respiração assustada do loiro erguia-se no ar e ele tentou se controlar, para não denotar o quão nervoso estava.

– Vou lhe perguntar apenas uma vez garoto, e acho bom que defina muito bem o que quer. Não poderá voltar atrás no que for combinado aqui – tomou um longo gole de chá, pousando ruidosamente a xícara no pires, ferindo as íris azuis com as suas quando o encarou – Quanto você quer para se afastar de vez de meu neto?

Naruto piscou algumas vezes, desejando ter ouvido errado.

– Como disse?

– Não se faça de desentendido. Eu posso compreender tudo apenas olhando para você. É um moleque vulgar, sem raízes, um oportunista à procura de uma pensão milionária para o bastardo que traz na barriga. E Sasuke foi tolo o bastante para não se cuidar e cair em uma armadilha tão óbvia!

– Não me ofenda! Eu não armei armadilha alguma!

– Poupe-me de todo esse teatro – colocou a xícara e o pires sobre a mesa – Basta me dizer seu preço e providenciarei imediatamente a quantia solicitada. Pode ser em moeda nacional ou a que lhe for mais conveniente, mas assinará um contrato para não tentar nos tirar dinheiro novamente no futuro. E claro, terá de dar à luz em outro país, bem longe de Sasuke.

– Eu não quero a droga do seu dinheiro! – vociferou, irritado, o sangue borbulhando nas veias de tanto ódio – Eu não estou com Sasuke para tirar um centavo sequer dele, eu o amo de verdade!

– Besteiras! – disse ainda mais alto que o loiro, a voz grave como um trovão – Essa bobagem que você chama de amor eu chamo de oportunismo! Você encontrou em Sasuke a chance perfeita de obter vantagem, de ganhar de uma hora para outra uma vida plena e confortável. Não permitirei isso jamais! Todo o clã está sendo prejudicado por sua causa, garoto! O nome Uchiha não será manchado pelo sangue sem valor dessa criança.

Os olhos do loiro arderam de raiva.

– É uma criança fruto de pais que se amam de verdade! Enquanto vocês brincam de marionete com Sasuke eu sou o único que compreende a imensidão da dor dele, dor essa provocada justamente por vocês!

– Sasuke é meu herdeiro legítimo! É um jovem gênio, todos esperam muito dele! Seus genes são imaculados! Ele é o representante máximo da maestria do clã Uchiha! Não vou permitir que você estrague o futuro de meu neto por um mero capricho!

– Não é um capricho! Uma pessoa como você jamais seria capaz de compreender o que sinto por seu neto. Sasuke é único para mim!

– Pois muito bem, se Sasuke é tão importante assim para você eu lhe pergunto: Não sente remorso algum em destruir a vida dele?

O loiro não compreendeu.

– Não estou destruindo a vida de ninguém.

– Ah não? – desdenhou, sarcástico – Sasuke é um jovem cuja vida foi escrita desde o berço. Foi treinado e ensinado para herdar o legado dos Uchiha, tem a vida feita aos 24 anos de idade. Quantos jovens nessa faixa etária você conhece que já se estabeleceram por completo?

– Isso não tem relação comigo...

– Um Uchiha que contraria as regras do clã é deserdado automaticamente. Isso significa que você vai tirar de Sasuke tudo que ele possui.

O loiro engoliu forte, um breve tremor passou por seu corpo, logo percebido pelo mais velho.

– Percebe o que está fazendo Naruto Uzumaki? Por sua causa, para ficar com você, Sasuke vai abrir mão do nome Uchiha, da presidência da empresa, de sua parte em uma herança milionária! Ele ficará na ruína, perderá tudo que tem, apenas para prosseguir nessa bobagem!

Um aperto desagradável tomou conta do coração do loiro, fazendo sua barriga doer de repente.

Colocado dessa forma, com essas palavras tão duras, a realidade parecia terrível.

O mais desagradável era que tudo o que Madara dizia era a mais pura verdade. Estava privando Sasuke de viver confortavelmente, obrigando-o a renunciar tudo que possuía se quisessem ficar juntos.

– Vejo que compreende o que estou dizendo – estreitou os olhos – Até onde vai o seu egoísmo? A ponto de obrigar meu neto a recomeçar do zero? É esse o amor que você diz sentir por ele?

Naruto apertou com força os punhos fechados sobre os joelhos.

Não, não era! Amava Sasuke da maneira mais pura e sublime que poderia existir. Seria capaz de tudo para fazê-lo feliz, para ver um sorriso em seu rosto, para aliviar a tristeza de seu coração.

Daria sua própria vida para salvá-lo do inferno em que vivia. Sasuke era tão precioso para ele que não era capaz de descrever, não encontraria as palavras certas jamais.

– Não é egoísmo. Nós dois... Nos amamos de verdade – encarou o Uchiha mais velho diante dele com firmeza e certeza, mesmo que seus olhos estivessem a ponto de transbordar – Não é natural desejar ficar com quem se ama?

– São palavras típicas de um jovem tolo e imaturo! Não estamos falando sobre sentimentalismos, e sim sobre o futuro dele! Já tive esse problema tão desagradável com Itachi no passado, o clã perdeu o primogênito por conta de uma estupidez semelhante! Não o permitirei acontecer novamente!

O queixo de Naruto tremeu e teve de morder bem forte para não ceder às lágrimas.

– Itachi não tem culpa de ter se apaixonado por alguém de fora do clã. Além do mais Sasori é uma pessoa excelente, que o ama e cuida bem dele!

Madara fez um gesto de impaciência.

– Isso não lhe diz respeito! Uma vez que Mikoto me deu netos defeituosos não há nada que eu possa fazer além de ensiná-los o caminho correto e direito de um homem, para recolocá-los na linha! É inconcebível a ideia de um homem casar-se com outro homem!

– E por quê? O que diferencia se é um homem ou uma mulher? Desde que haja cumplicidade e companheirismo isso não é tudo que importa?

– Não seja ridículo, garoto! – bateu o punho contra a mesa com tamanha violência que a xícara sobre ele caiu ao chão, espatifando-se – Vivemos em sociedade! Regras foram estabelecidas para que haja paz e ordem! O clã Uchiha tem sobrevivido soberano por tantas gerações justamente por não quebrarmos os padrões! Olhe para si mesmo! Seus genes impuros jamais se igualariam aos de um Uchiha! – um ódio incomum tomava conta do patriarca.

Jamais permitiria que alguém sujasse o puro sangue sem misturas dos Uchiha. Quando prometeu Karin à Sasuke a jovem foi submetida a todo tipo de teste genético, para garantir que o padrão de linhagem não seria afetado. Caso ela apresentasse resultados aquém do esperado ele mesmo impediria que se casasse com seu neto. Era a forma como mantinha o controle sobre o clã, uma garantia da saúde, vitalidade, beleza e inteligência da raça.

Mas olhe só aquele garoto diante dele! Pele marcada pelo sol, olhos claros, cabelos loiros! O que seria de uma criança gerada por ele?

Naruto estreitou os olhos, as sobrancelhas quase se fundindo. Aquela conversa o enojava.

– Não existe uma raça absoluta, senhor – fitou-o nos olhos – Todos somos seres humanos, rimos e choramos igualmente. O que nos torna diferentes é a forma como vemos a nós mesmos e o mundo ao redor. Quem apenas deseja superioridade e poder vai tentar controlar os outros, subjugá-los aos seus pés, para se sentir soberano e absoluto. E por esse motivo humilha os demais, os diminui, encontra razões para crer que não valem tanto quanto si próprio. Mas valem igualmente! Todas as pessoas que lutam para viver nesse mundo de dor e sofrimento têm seu valor, não é maior e nem menor que o de ninguém.

Madara soltou um risinho de desdém.

– Suas palavras podem ser bonitas, mas não se aplicam à lógica deste mundo, Naruto.

O loiro suspirou, cansado e ofendido. Antes que pudesse dizer qualquer coisa ouviram batidas junto à porta. Com o consentimento do patriarca, um homem alto e de face assustadora apareceu.

Era o mesmo homem que estampava a ilustração dos Uchiha, o pai de Sasuke.

Ao postar os olhos em Naruto, Fugaku fez uma carranca de desagrado.

– Patriarca, o que esse rapaz está fazendo aqui?

– Eu queria apenas dar-lhe um aviso, Fugaku. Mas acho que nada como o próprio pai de Sasuke para dizer-lhe toda a verdade – levantou-se, dando as costas ao loiro – Esse tipo de coisa não é meu trabalho afinal.

Ao passar pelo filho este o reverenciou demoradamente até que tivesse deixado o recinto. Em seguida Fugaku volveu o olhar ao odioso garoto.

Naruto não sabia o que pensar, fazer ou dizer. Não queria que as coisas fossem daquela maneira. Queria conhecer o sogro em um momento oportuno, para lhe explicar o quanto amava seu filho.

– Senhor, eu...

– É muita coragem de sua parte vir até a casa sede! – cortou-o, ríspido – Ainda mais vestindo esses trapos que deixam as pernas expostas como se fosse uma garota!

Suspirou de impaciência.

– Fui trazido contra a vontade e ameaçado. Me arrastaram de minha casa até aqui!

– Da casa de Sasuke você quer dizer – corrigiu-o – Pelo que soube você está apenas vivendo lá como um parasita.

Oh céus, que exaustivo!

– Recebi o convite dele diretamente, e dividimos as despesas.

– Em que você e seu salário ridículo podem ajudar para manter um apartamento de luxo como o dele?

O orgulho de homem do loiro foi ferido com isso.

– Eu trabalho, sou bom no que faço, ganho dinheiro honestamente! Posso sim ajudar o Sasuke a pagar as contas de casa!

– Meu problema com você não se resume a quanto ganha, você está destruindo uma família inteira! Por sua culpa Sasuke está se rebelando contra os Uchiha!

– Tudo que eu quero é ficar com ele porque o amo! – sentiu quando as lágrimas escorreram pelo rosto. O que precisava fazer para que eles entendessem? – O senhor é pai dele, será que não deseja vê-lo feliz? Sasuke precisa ser tratado como uma pessoa normal!

– Sasuke não é e nunca será uma pessoa normal, só você não entendeu isso ainda garoto.

Mas que droga! Ninguém parecia compreender que tudo que o loiro desejava era ficar com Sasuke! Nem mesmo seu próprio pai parecia disposto a lutar pela felicidade do filho

– Senhor, eu lhe peço... Não deixe que aconteça a Sasuke o mesmo que aconteceu a Itachi... Seus filhos são boas pessoas, eles só estão buscando a própria felicidade.

– Cale-se! Quem é você para opinar sobre meus filhos? O que você entende sobre nossa família?

O loiro sentiu-se vencido. Não tinha energia sobrando para prosseguir naquela discussão inútil. Estava realmente dolorido, triste e magoado. Precisava descansar, o estresse logo o venceria.

–... Eu não vou ficar aqui tentando lhe convencer de nada, eu quero ir para casa! Deixe-me sair daqui.

– Não vai voltar para importunar meu filho. Ele está com Karin agora, sua verdadeira esposa! E já está na hora dele cumprir seu papel como homem e fazer um filho com ela!

Aquilo doía no loiro, saber que seu namorado estava na casa daquela mulher perturbada, e que ela não pouparia esforços para se deitar com ele. A simples ideia o enojava, o enchia de pesar e desespero.

Sasuke era só dele, ninguém mais poderia tocá-lo!

– Eu não vou até eles, só quero ir embora – murmurou, a voz embargada de dor, envergando o corpo para frente. O ódio de Fugaku ferveu quando percebeu o loiro apertar a barriga. Expressou um profundo asco ao ver a cena.

–... Ao menos Mikoto me privou de ter filhos compatíveis. Seria uma desonra que não poderia suportar. Para um pai ver seu filho homem grávido é perturbador!

Naruto não conseguia mais argumentar, nem pensar. Sua vista estava dilatando e o foco se perdia, sem falar nas dores terríveis que sentia. Gemeu baixinho, prendendo o ar.

Precisava sair dali, a atmosfera tóxica do ódio dos Uchiha roubava suas forças.

– Senhor... Eu preciso mesmo sair daqui.

– E vai mesmo — tendo dito isso foi até a porta, chamando por Obito que tornou a entrar na sala. O sangue do loirinho gelou nas veias.

Não ele de novo!

– Me deixem voltar, por favor. Eu não vou incomodar o Sasuke, só quero ir para casa!

O mais velho encrespou os lábios, as rugas salientes ao redor da boca. Ignorou o loirinho por completo.

– Já sabe o que fazer, Obito – girou nos calcanhares, tomando caminho rumo à saída.

– Claro, senhor. Tem preferência do local?

– Apenas longe o bastante para ele sumir das vistas! – dizendo isso deixou a sala. Naruto se viu sozinho com aquele Uchiha detestável. Curvou o corpo para frente.

Não agora! Não podia perder os sentidos logo agora!

Começou a passar realmente mal, podia sentir o suco gástrico arder subindo pelo esôfago, uma ânsia lenta chacoalhando o corpo. A cabeça rodava, o corpo estava dormente.

Obito caminhou até ele e Naruto sentiu a visão escurecendo, mesmo contra sua vontade. A cabeça tombou para frente, batendo na mesa quando tudo apagou.

–-

Não sabia quem era a pessoa parada junto a sua porta, mas imaginou ser o jovem que falara com ela por telefone.

– Você é Sasori? – Kushina logo quis saber e o ruivo assentiu com a cabeça.

– Desculpe vir tão tarde

– Não tem problema, entre. Acharam meu filho? – perguntou aflita, segurando as mãos pálidas e frias do ruivo.

– Ele está na casa sede dos Uchiha. Sasuke foi até lá buscá-lo.

– E por que o levaram para esse lugar? – Minato não conseguia entender coisa alguma

– A família de Sasuke é radicalmente contra a união dele com seu filho – Sasori aceitou sentar-se no sofá, diante do olhar preocupado dos dois – Aquela família rejeita qualquer pessoa que não for um “deles”. Sei disso porque sou esposo do irmão mais velho de Sasuke.

– Ah, o rapaz inconsciente não é? – a ruiva compadeceu-se, sobretudo diante da afirmativa sem emoção dele – Sinto muito.

Sasori assentiu, educadamente.

– Sasuke pediu para tranqüilizar vocês, achei melhor vir pessoalmente. Se ele está indo para a casa sede logo trará Naruto de volta. Nada no mundo vai impedir Sasuke de trazê-lo a salvo.

– Acha que fizeram algo ao Naruto? – Minato sentia as pernas tremerem. Seu filho andava passando muitos perigos, não desejava isso. Apenas queria que Naruto vivesse em paz, que fosse feliz.

– Ao que parece não. Se Sasuke conseguir buscá-lo não poderão fazer nada com Naruto. Vamos torcer para que ele o encontre o quanto antes.

–-

Sasuke bateu o pé contra a porta, abrindo-a com violência. Madara levou a mão à têmpora, irritado com o barulho.

– Onde ele está??? – gritou ao patriarca que bufou, impaciente.

– Tanto tempo sem vir a casa sede e quando vem já começa com um escândalo, Sasuke?

– Onde está o Naruto? O que fizeram com ele? – perguntou com um ódio crescente, a ponto dos criados saírem de perto. Para surpresa de todos Sasuke segura a gola do avô, encarando-o com ódio.

– Senhor patriarca! – uma das criadas assustou-se, achando por bem procurar ajuda, mas Madara impediu.

– Deixem-nos a sós. Sasuke não é tolo o bastante para erguer a mão contra mim.

– Mas...

– Se me desacatar outra vez estará despedida – rolou os olhos à mulher que se encolheu, assentindo. Os demais empregados seguiram seu exemplo e deixaram a sala.

Impaciente, Madara solta as mãos de suas roupas com um tapa.

– Pare de agir como um vândalo em minha casa.

– Eu não vou perguntar de novo!

– Pode checar por si mesmo se quiser, não encontrará nada.

– Mas o trouxeram para cá, e não tente negar isso Madara! – havia um brilho feroz, um ódio profundo nas íris negras. O mais velho bem conhecia aquele brilho.

Era o mesmo que estampava os olhos de Itachi quando o desafiou para casar-se com aquele jovem ruivo.

Malditos sejam os filhos de Mikoto!

– Me diga onde ele está!

– Já chega! – afastou-o de si – Vá procurar sua pequena diversão em outro lugar porque ele não está mais aqui, Sasuke.

Percebeu que seria inútil tentar conversar com ele, não tinha tempo a perder se quisesse salvar Naruto.

–... Se alguma coisa acontecer ao Naruto esse maldito clã vai me pagar! Esteja certo disso!

Madara estreitou os olhos. Sasuke era uma peça delicada de seu jogo, perdê-lo significava traçar uma nova estratégia. O clã confiava no herdeiro, ele lhes passava uma falsa sensação de segurança. Se ele se rebelasse agora seria um grande problema.

Observou as costas largas do neto quando este deixou seu quarto, ouviu os passos impacientes dele ecoando pelo corredor. A mesma jovem serviçal que se preocupava com o estado do patriarca não demorou a voltar, para saber se ele estava bem.

–... Peça ao Fugaku que telefone à Obito. Diga-lhe que se livre do garoto loiro o quanto antes.

Sasuke por sua vez vasculhava os cômodos um por um, sem se importar em pedir licença, quase derrubando quem estava em seu caminho. O celular tocava sem parar, com certeza Karin à procura dele.

Estava tão afoito, tão nervoso que não enxergava coisa alguma.

Ele não estava em canto algum, para onde o haviam levado?

Derrubou a ligação de Karin liberando o sinal do celular. Imediatamente acionou os advogados.

– Alguma novidade? – indagava nervoso, saindo pelo portão dos fundos da casa sede. O mesmo portão que usava para fugir quando criança.

Juugo, um dos advogados de Sasuke tentava acalmá-lo ao telefone.

– Fique calmo, Sasuke. Suigetsu disse que pode rastrear o veículo de seu tio Obito, não deve demorar a localizá-lo.

– Não sei para onde podem tê-lo levado! – passou a mão pelo rosto, muito nervoso – Por favor, Juugo. Eu preciso encontrá-lo! Ele deve estar apavorado! Não quero que aconteça nada a ele ou ao meu filho.

– Vamos tentar traçar uma rota segura para você. Nós o encontraremos, esteja certo disso.

– Conto com vocês.

–-

Chacoalhava enquanto o carro viajava em alta velocidade. Tentou abrir os olhos, mas só então percebeu que estavam vendados. Intentou se mexer, mas suas mãos estavam atadas às costas, de tal forma que quanto mais tentava se soltar, mais apertado o nó se tornava. Tencionou dizer algo, mas sua boca estava selada por algum tipo de fita adesiva.

A sensação de desamparo e impotência era terrível. Respirava depressa, indefeso, sem saber para onde ia, ou o que aconteceria a seguir. A história trágica de Sasori ecoando em sua cabeça.

O que fariam com ele? Para onde estava indo?

Seria torturado? Ou pior: seria morto?

A venda sobre os olhos se tornou úmida e ele soluçou, abafado. Ninguém dizia nada, não ouvia nenhum som exceto o do motor do carro.

Precisava pedir ajuda, fugir, tentar se salvar. Um desespero tão grande tomou seu peito que tossiu, sem ar, desejando poder respirar pela boca porque arfava pesadamente pelo nariz.

Queria viver, queria proteger seu bebê, queria voltar aos braços de Sasuke!

Não importava o que dissessem, ou qual o perigo que teria de enfrentar para ficar com ele, faria isso certamente! Amava Sasuke, estava certo disso!

Ouviu o som de toque de celular e assustou-se. A voz já conhecida de Obito soou, para confirmar o que já imaginava.

– Como assim me livrar dele? Estou no meio do nada! – o Uchiha exclamou alto, irritadíssimo junto ao celular.

O estômago do loiro revirou.

– Mande o Sasuke se danar! – exclamou novamente. O nome alarmou o loirinho, em seu coração surgiu apenas a esperança que o moreno estivesse a procurá-lo, que o encontrasse a tempo.

Obito estalou a língua, impaciente. Jogou o celular contra o chão do carro em seguida virando a direção do carro, balançando o corpo pequeno do Uzumaki até quase derrubá-lo do banco.

O carro então parou, para horror do loiro. Onde estava? O que fariam? Sentiu as mãos do homem levantarem seu corpo sem o menor cuidado.

A venda foi retirada e a luz do interior do carro cegou seus olhos. Ele tremia, estava apavorado. Era mesmo Obito que estava diante dele, impaciente e irritado. Ele pegou a adaga que estava em seu bolso, a mesma que usara para fazer o corte no rosto do loiro. Este prendeu a respiração, assustado.

Mas foi virado rudemente, a corda que prendia suas mãos foi cortada, para alívio do loiro que já sentia as mãos formigarem tão apertada estava em torno dos pulsos.

Olhava Naruto friamente. Um desapontamento óbvio estampava seu rosto. Seja lá o que estivesse prestes a fazer foi interrompido bruscamente, e isso não o deixou nada satisfeito.

– Você vai sumir da minha frente, sem gritar nem olhar para trás até estar bem longe daqui. Se tentar bancar o engraçadinho vou disparar, você entendeu?

Naruto assentiu nervosamente. Arfava, o rosto vermelho e lavado de lágrimas.

Óbito puxou a fita adesiva de seus lábios com rispidez. O loiro exclamou de dor quando o lábio seco foi puxado e ferido, sangrando de leve.

Foi então jogado para fora do carro, caindo ao chão do que pareceu asfalto. A noite estava escura e fria. Ele nem quis entender onde estava, ou o que estava acontecendo. Levantou-se depressa, aos tropeços e se pôs a correr para longe, exatamente como fora instruído a fazer.

Se era a coisa certa a fazer não sabia dizer, apenas agradecia estar livre. Corria o quanto os pés permitiam, criando forças de onde não sabia existir. Temia que Obito faltasse com sua palavra, que realmente atirasse. Sua única chance era correr para longe.

Ouviu detrás de si o som de pneus em atrito com a pista e o som do motor do carro em alta velocidade se afastando.

Não se deteve, apenas diminuiu o ritmo. Tinha medo de olhar para trás então apenas implorava mentalmente que ele estivesse mesmo indo embora, que o deixasse em paz.

O som desapareceu, para alívio do loiro que inspirou e soltou o ar preso de uma vez pela boca, livrando-se da tensão. Só então sua mente trabalhou um pouco mais devagar, seus sentidos tornaram-se nítidos e compreendeu pela primeira vez onde estava.

Percebeu-se completamente sozinho no alto de uma estrada deserta e isolada. O som forte de água não deixava dúvidas. Abaixo dele havia uma encosta rochosa onde o mar revolto batia contra as pedras imensas, formando uma cascata de água salgada. O vento de maresia veio até ele, gelado e úmido.

Olhou em volta, mas estava tudo escuro. Não havia sinal de pessoas ou habitação. O único som presente era do quebrar das ondas e o ressoar forte do vento gélido.

Inevitavelmente se colocou a pensar no que Obito planejava levando-o para um lugar tão inóspito. Se lhe fizesse alguma coisa, se o jogasse naquele mar revolto, era capaz de ninguém jamais encontrar seu corpo...

E aparentemente a única coisa que o fizera mudar de ideia foi aquele telefonema. Seja lá o que lhe disseram fez com que Obito o largasse sozinho naquele lugar.

Balançou a cabeça, afastando os terríveis pensamentos. Não era hora de especular nada, ainda não estava a salvo. Teria de encontrar um meio de se comunicar com alguém, mas não tinha a menor ideia de onde estava.

Tremeu de frio até bater os dentes, cruzando os braços junto ao corpo. Ventava muito forte. Precisava de um lugar para se abrigar, mas aquela praia parecia deserta.

Foi quando percebeu mais adiante, no alto da colina um velho farol desativado, uma grande torre em meio à escuridão.

Sem muita opção apressou-se a caminhar para tentar aquecer o corpo, torcendo para encontrar alguém ou ao menos um pouco de comida e um abrigo. Era um tanto distante dali, mas não tinha muita escolha. Se quisesse se abrigar aquele seria o melhor lugar.

Inevitavelmente se pegou a pensar por que estava passando por tudo isso? Ele não fizera nada de mal. Amar Sasuke era um pecado tão grande assim?

Caminhou pela encosta, o vento soprava cada vez mais frio, fazendo o tremer. Não soube dizer por quanto tempo seguiu pela estrada, até que desceu por um caminho na encosta, a areia fina afundando debaixo dos pés conforme caminhava, os pedregulhos machucando os pés.

O caminho não era tão íngreme, apenas cansativo, vez ou outra escorregava na areia que cobria o caminho pedregoso. Com certo esforço conseguiu chegar ao topo do monte onde estava a grande torre branca do farol.

Empurrou as portas, percebendo-as destrancadas, mas emperradas. Precisou forçar para abri-las, o som seco de ferrugem em atrito soando assustadoramente em meio ao silêncio.

Tentou enxergar o interior da torre. Era oco e vazio, sem móveis. Havia lixo, areia e sujeira no chão, logo à frente uma grande escadaria espiralada ascendendo até o maquinário, outrora responsável pela iluminação.

Temeu que houvesse alguém estranho ali, ou até animais. Entrou com cuidado, fechando as portas detrás de si. Os olhos se acostumaram à escuridão, as íris ficando enormes como olhos de um gato em meio ao escuro.

– Tem alguém aí? – olhava os lados, assustado.

Nenhum ruído, nenhum sinal.

Caminhou até as escadas. Talvez se subisse até o topo a vista o ajudasse a descobrir onde estava. Estava exausto e as dores que sentia eram um sinal óbvio de que precisava de repouso. Ao invés segurou com força o corrimão, passando a subir devagar pela escada espiralada. Era muito cansativo. Precisou parar várias vezes para tomar fôlego antes de prosseguir.

Ao chegar ao topo percebeu-se sozinho na sala de máquinas. A luz da lua alcançava o alto da torre, espelhando pelas imensas janelas que a rodeavam, assemelhando a uma gaiola de vidro.

A vista era incrível! Era possível ver o mar distante, até o horizonte. As ondas revoltas quebravam e desaguavam rumo à margem. Não imaginava que o mar pudesse ser tão sombrio e assustador durante a noite, mas de certa forma observá-lo acalmou seu coração de imediato. Sem que percebesse tocou de leve a aliança que estava no dedo anelar direito, girando-a devagar.

A única certeza que possuía naquele momento, era a de que não importava quanto tempo passasse, o que aconteceria a seguir, tão imenso e vasto como o mar negro diante de si era a certeza do amor crescente que nutria por Sasuke.

Recostou a testa no vidro, observando calmamente as ondas. Se pudesse fazer um desejo naquele momento seria que pudesse sentir os braços do moreno ao seu redor, ouvir que tudo que sua família dissera era mentira. Que não se importava em lutar para estar com ele...

Baixou-se, trêmulo de frio. Olhou ao redor, procurando algo que pudesse usar para se aquecer. Havia uma lona largada e enrolada. Foi até ela, percebendo que estava empoeirada, sinal de que há muito não usavam aquele farol. Sacudiu como pôde, sentando-se num canto, cobrindo o corpo.

Considerava como um tipo de sorte ter escapado do ataque certeiro de Obito. Sasori não a tivera, no caso dele a intervenção dos Uchiha foi tão terrível que devastou sua vida. Mas pela graça do destino ainda estava vivo, estava bem, seu bebê dormia a salvo dentro dele.

Encolheu-se, desejando adormecer de vez para que logo amanhecesse e ele pudesse procurar por ajuda.

Para voltar para casa, para os braços dele.

–-

Sentiu o corpo chacoalhado, mas estava sonolento demais para entender o que acontecia. Demorou longos segundos até raciocinar devidamente. Seu corpo foi apertado até o ar lhe faltar, era sufocante!

Sem conseguir respirar direito abre os olhos, sonolento, não compreendendo coisa alguma. As janelas de vidro se abriram? Por que sentia a garoa cair em seu ombro? Um cheiro gostoso invadiu suas narinas, um cheiro tão familiar...

Arregalou os olhos, no exato instante em que a lua brilhava alta no céu, iluminando tudo no interior da torre.

Exclamou de susto, sem conseguir acreditar.

Sasuke o abraçava apertado junto ao peito, a cabeça deitada em seu ombro, molhando-o com suas lágrimas.

–... Eu te encontrei, Naruto!

Tremeu, incapaz de sustentar o alívio. Tocou de leve os cabelos negros, imaginando que tratava-se de uma miragem.

Mas o rosto se ergueu, revelando aqueles lindos olhos que brilhavam mesmo na escuridão completa. Os mesmos olhos negros que o fitavam com devoção desde o primeiro instante em que se viram.

Seus lábios se contorceram, os olhos transbordaram.

Queria dizer alguma coisa, tinha tantas a dizer, mas sua voz transformou-se em soluços que não faziam o menor sentido. Suas mãos alcançaram as costas largas, trazendo-o para si enquanto desabava em um choro convulsivo.

– Sasuke!!! – abraçou-o tão forte que sentia que se o soltasse o perderia para sempre, deixando esvaziar toda a angústia, o medo e solidão que sentia nas horas terríveis anteriores.

Foi apertado de volta, as mãos largas e quentes subindo e descendo pelas costas esguias, numa longa e calmante carícia.

O frio desapareceu e de repente tudo pareceu certo, suas forças voltaram ao corpo como que por mágica, seu coração batia em uníssono com o de Sasuke.

Quando ele se afastou teve vontade de impedir, de reivindicá-lo de novo, mas o moreno segurou seu rosto para beijá-lo. Apertou os lábios frios do loiro entre os seus.

– Quase me matou de susto – ele suspirou forte. Naruto podia notar as mãos em seu rosto suadas e trêmulas. A face dele estava corada, os cabelos amarrados no alto da cabeça em um gracioso rabo de cavalo, a franja bagunçada e a testa suada, sinal que havia corrido muito até encontrá-lo.

Acariciou seu rosto, redesenhando-o com as pontas dos dedos.

– Você está bem? – olhava-o com atenção, procurando algo errado. Percebeu o corte ainda aberto no rosto -... Está ferido!

– Não é nada, só um arranhão... – antes que pudesse protestar sentiu a língua do moreno lamber seu rosto, sobre o ferimento.

–A culpa é minha que tenham feito você sofrer. Você ficou aqui sozinho, com frio e com medo – havia uma angústia nítida em seu rosto, sinal que não conseguia perdoar a si mesmo – Não sabe o medo que senti de perder você, Naruto.

–... Como me encontrou?

Sasuke soprava ar quente nas palmas frias dele para aquecê-las.

– Uma pessoa te viu sair do apartamento e me avisou por telefone. Pela descrição logo imaginei que fosse Obito e pedi que rastreassem o veículo dele.

– A jovem para quem pedir socorro! – alarmou-se, sem acreditar. Seria eternamente grato àquela mulher por salvar-lhe a vida.

– Quem te trouxe até aqui? O que fizeram com você?

Ele apertou as mãos nos braços do moreno.

– Eu desmaiei na casa sede depois de falar com Madara, e com seu pai... – percebeu a surpresa nítida no rosto do moreno – Quando acordei estava amarrado e vendado em um carro, não sabia para onde estava indo... Ouvi quando Obito disse ao celular que precisava se livrar de mim – tremeu, os olhos transbordando sem controle – Senti tanto medo, achei que ele fosse me matar, ele parecia disposto a isso! Mas daí ele disse seu nome, acho que o avisaram que você estava vindo – ergueu os olhos molhados ao morno – Se não fosse por você eu não sei o que teria acontecido.

Sasuke mordeu o lábio, num misto de remorso e indignação.

– Nunca mais vou sair de perto de você, Naruto. Nunca deixarei que passe por isso de novo.

Ele assentiu, secando o rosto.

– Não quero me separar de você, Sasuke. Mas também não quero que perca tudo que tem de valoroso por minha causa.

– As únicas coisas que tenho de valor são você, nosso filho, Itachi e Sasori. Nada que venha dos Uchiha me importa. Já abdiquei de tudo isso faz tempo, não deve ligar para o que minha família diz. Quero ficar com você – enroscava os dedos nos cabelos loiros – Se ainda quiser ficar comigo.

– Claro que quero – puxou-o pelo colarinho para colar a testa à dele, observando o rosto perfeito. Seu queixo tremia, a ponto de desabar em lágrimas novamente.

– Não chore. Não gosto de te ver chorar – afagou-lhe o rosto gentilmente – Não precisa mais sentir medo, estou aqui com você agora – tornou a unir seus lábios, abrindo a boca, provando a maciez e o sabor típicos do loiro. Alisava a língua em círculos contra a dele, esbarrando em seus dentes.

Naruto foi segurado fortemente, o calor passando pela pele de Sasuke até atingir seu corpo, aquecendo-o completamente. Giravam os rostos conforme suas bocas se atritavam em um beijo intenso, seus lábios se movendo numa dança ritmada. O fervor começou a tomar conta, as mãos se tateavam em desespero, enroscavam nos cabelos, tocando o corpo, buscando a pele quente debaixo das roupas. Suas respirações afobadas à medida que o desejo tomava-lhes o lugar da razão.

Naruto soltou-se do beijo ou não conseguiria respirar. Puxou o ar depressa aos pulmões, afoito. Estremeceu de prazer quando os braços de Sasuke se puseram ao redor de sua cintura e os lábios molhados dele beijaram devagar seu pescoço, provocando um arrepio. Ele mordiscava sua pele devagar, eriçando-a. Naruto não sabia se permitia o contato ou se o afastava, preso em agonia.

–... Sasuke... – ergueu os braços para ajudar a tirar de uma só vez a blusa de moletom e a regata que vestia, revelando o peito magro que subia e descia depressa.

– Não vai me dizer que não quer? – riu provocativo, afundando a boca no peito liso, beijando e lambendo, sem parar de olhar para ele.

– Não é isso... É só...

– Aqui é deserto, não tem ninguém em quilômetros – descia os beijos pelo abdômen saltado, em direção à virilha, já baixando aquele shortinho minúsculo que deixava à mostra as coxas grossas e deliciosas – Mesmo que eu te faça gritar ninguém vai ouvir.

Naruto já não ouvia, completamente excitado. A cabeça do moreno entre suas pernas o estava deixando louco. Ele mordiscava sua ereção sobre o tecido, umedecendo devagar com a língua, uma das mãos apertando o bumbum macio.

Impaciente o loiro o ergue pelos cabelos, tirando a blusa de manga comprida que ele vestia, para surpresa do moreno que apenas riu, se deixando ser despido, observando com prazer as mãos pequenas circularem seu tórax. A boca rosada beijou o corpo esguio, brincava com os mamilos.

Sasuke entreabriu os lábios, os olhos turvos de prazer. Naruto debruçava sobre seu corpo como um felino, o bumbum empinado para trás, a franja loira encobrindo seus olhos. Parecia saber exatamente o que fazer, onde tocar, tudo que fazia deixava o moreno louco. Tocou a ereção que despontava na calça dele, apertando-a sem dó entre os dedos e o tecido, arrancando um gemido rouco em resposta.

O moreno segurou seu rosto, erguendo o corpo e tornando a beijá-lo com fervor, colocando-o entre suas pernas. Naruto rebolou sobre o falo têso, desejando que ele se enterrasse até o fundo, que o fizesse mergulhar em tamanho prazer até que tivesse esquecido tudo que acontecera.

Até que o pesadelo terrível que vivenciou não passasse de uma memória distante.

Sasuke então o colocou de pé, de costas para si, as mãos do loiro postas sobre o vidro do farol. Corou violentamente ao perceber que este refletia tudo como um espelho. Pôde ver perfeitamente seu corpo nu refletido no espelho, o membro ereto e pulsante apontado para frente. Detrás de si o corpo forte de Sasuke, aquela expressão arrebatadora em sua face.

Ele sorriu de lado, apreciando a vista. Esfregou sua ereção contra a entrada do loiro, fazendo-o se contorcer, arrancando arfadas pesadas dele, e expressões cada vez mais luxuriosas.

– Abra os olhos – pediu, beijando seu ombro. Um arrepio de prazer trespassou o loiro que fez exatamente o que ele pediu, deparando-se com o próprio reflexo.

Era ele mesmo refletido ali? Com aquela expressão de prazer intenso, os olhos semi abertos a boca aberta por onde escorria um fio de saliva, as faces vermelhas? Achou-se imoral, era como ver a expressão de um ator em um filme erótico, a diferença era que estava realmente imerso em prazer.

– Você fica lindo quando está excitado...

–... Não diga essas coisas.

– Você parece mais duro do que nunca. É porque está olhando seu próprio reflexo? – beijou-lhe os ombros nus. Desceu as mãos para o membro ereto do loiro, sendo seguido pelos olhos deste, atento ao reflexo do vidro. Por antecipação sua ereção tremeu, pulsando desejosa, ansiando ser tocada. Sasuke fez exatamente o que ele queria apertando-a entre os dedos com força e Naruto abriu os lábios em um grito mudo, jogando a cabeça para trás, a boca bem aberta. Espalmou as mãos sobre o vidro, sem poder evitar entreabrir os olhos e fitar a si mesmo.

Então era isso que Sasuke fazia com ele? Era assim que seu corpo reagia ao desejo que ele provocava? Era essa a expressão que mantinha no rosto toda vez que experimentavam longas noites de amor intenso?

Sasuke estava enlouquecendo assistindo-o se remexer. Aquele corpo era um delírio, era perfeito! Naruto era tão sexy que o incendiava apenas por olhar para ele.

Sem conseguir se conter mais força a cabeça do pênis contra a abertura já molhadinha do loiro. Este chupou o ar entre os dentes, provocando um barulho imoral, lascivo, delicioso. Levou as próprias mãos às nádegas, separando-as bem para permitir a passagem daquela tora quente para dentro dele. Sasuke enfiou a cabeça, para então tirá-la, percebendo extasiado o buraquinho se fechar conforme saía de dentro dele. Os sons que vinham do loiro o faziam endurecer cada vez mais. Tornou a se enfiar, dessa vez até a metade. Ouviu um longo gemido em resposta, e tornou a sair de dentro dele.

Fitou o loiro pelo reflexo em sua expressão de sofrimento, e este lhe implorou.

– Até o fundo... Por favor... – havia pequenas lágrimas nos cantos dos olhos. Ele levou uma das mãos ao próprio membro, bombeando-o – Rápido Sasuke...

O moreno riu, ter seu pequeno amante implorando por ele tornava em uma ordem absoluta. Segurou-lhe pelas ancas, enfiando todo o membro ereto para dentro do loiro, na cavidade molhada e muito quente, sua cabeça abrindo passagem.

Naruto gemeu alto, espalmando as mãos no vidro, contorcendo-se de prazer. A gama de expressões que ele exibia gravava-se na mente do Uchiha como um filme.

Ele era lindo demais...

Começou a estocá-lo, entrando e saindo pelo canal apertado que dilatava a cada ida e vinda. Naruto baixou mais o corpo, os ombros arqueados, as mãos coladas ao vidro, olhando seu amante pelo espelho. Este correspondia, ambos fazendo expressões de puro prazer um ao outro enquanto seus corpos se fundiam, enchendo-os de prazer.

Os movimentos se tornavam mais impacientes, mais certeiros. Sasuke o estocava cada vez com mais força, penetrando-o com vigor. Era viciante, irresistível.

O loirinho gemia sem reservas, se contorcendo, lambendo os lábios vermelhos. Percebeu quando os olhos do Uchiha desceram ao membro que balançava rígido ao ar a cada estocada que recebia. Desceu a mão a ele, começando a se masturbar ao passo que era penetrado.

Isso enlouqueceu o moreno.

–... Naruto... Eu não vou agüentar muito tempo...

Em resposta às palavras dele Naruto ergue um pouco o corpo e se vira levemente, ainda sentindo as investidas fundas em seu canal. Puxou o rosto do Uchiha para beijá-lo, suas línguas se entrelaçando sem o menor pudor, os olhos entreabertos, enquanto desfrutavam daquele beijo indecente, encarando um ao outro.

Sasuke virou-o de frente para si, apoiando as costas dele no vidro, sem parar de penetrá-lo. O movimento fundo fez o Uzumaki morder os lábios e passar as pernas ao redor do tronco largo, segurando em seus ombros, subindo e descendo sobre aquele pedaço de carne rija que o enlouquecia. As estocadas ganharam força e vigor. Gemeu mais forte ao sentir o próprio membro ser massageado entre as barrigas dos dois, estrangulado pela velocidade dos movimentos.

– Aaaaah... Sasuke...

– Te amo... – estocava-o bem fundo – Te amo, Naruto... – repetia várias vezes, cada vez o ar sumia mais da garganta.

Sasuke abriu a boca num longo gemido de prazer, os dentes brancos à mostra. No mesmo instante Naruto tremeu, segurando-se às costas largas.

O calor tornou-se insuportável e um tremor correu os dois corpos quando atingiram juntos o ápice, suas vozes unidas em gritos de prazer. Gozaram ao mesmo tempo, rolando os olhos. As jorradas intensas subiam pelo canal do loiro, até bem lá no fundo, aquecendo suas paredes com o gozo quente e espesso. Seu membro por sua vez jorrava entre as barrigas dos dois, estrangulado entre os corpos suados, derramando até a última gota.

Sasuke sentou-se de uma vez, sem poder segurar o peso dos dois corpos. Naruto abraçava seus ombros, a testa em seu ombro, respirando depressa, a ponto de engasgar, ainda sentado no colo dele, sentindo a ereção murchar dentro de si.

Ergueu os olhos cansados para se deparar com o rosto perfeito, cansado e suado.

Como era possível amar tanto alguém?

– Sasuke...?

–... Oi? – piscava devagar, admirando-o.

– Fica comigo para sempre? – havia um temor óbvio em seu rosto – Mesmo que queiram nos separar, promete que vai ficar comigo?

Ele assentiu, vagaroso.

– Prometo – beijou seus lábios de leve, ainda ofegante — Ninguém vai nos separar, Naruto.

O loiro concordou, tentando convencer a si mesmo.

Estava tudo bem, ficaria tudo bem.

–-

Abriu os olhos pesados, meio confuso. Sentia o corpo chacoalhar. Percebeu-se longe do chão, carregado entre os braços de Sasuke. Estava vestido com a blusa de frio dele.

Olhou ao redor e agradeceu. Não soube por quanto tempo dormiu, mas estava em um lugar familiar, parecia a entrada de um prédio.

– Onde estamos? – recostou o rosto no peito quente, o coração do moreno batendo contra sua bochecha.

– Vou levar você para junto de seus pais, e te dar uma refeição decente – sorriu de lado, beijando-lhe a testa e ajeitando-o no colo. Apertou o botão do elevador com o cotovelo, do modo como conseguiu.

Mantinham a cabeça próxima um do outro, sem dizer coisa alguma enquanto esperavam o elevador, gratos apenas de estar juntos de novo. O apito soou e o moreno adentrou, levando-o consigo.

Tão logo abriu a porta do apartamento Kushina correu até eles. O loiro desceu ao chão para abraçar a ruiva baixinha que se chocou contra ele.

– Você quer matar sua mãe de susto??? – brigava irritada enquanto o apertava contra si, chorando ruidosamente. Ficava terrível quando chorava, mas não se importou – Seu filho desnaturado e idiota!!!

Naruto apertou-a firmemente entre os braços, sentindo as lágrimas escorrerem livremente pelo rosto.

– Desculpa mãe... – entrelaçou as mãos nos cabelos vermelhos e sedosos — Eu queria tanto sentir seu cheiro de novo...

Minato foi até eles, já com a face lavada de tanto chorar. Era muito fraco para essas coisas, sempre foi. Abraçou os dois juntos, aliviado que sua família estivesse junta e feliz outra vez.

Agradecia por ter ouvido a esposa e ter permanecido na capital. Não imaginava o desespero se estivesse longe do filho quando todas essas coisas terríveis acontecessem.

– Nunca mais passe a noite sozinho, está entendendo? – havia um tom nítido de ordem na voz dele – Devia ter nos avisado que Sasuke foi ameaçado e teríamos ido buscar você!

– Eu não tive tempo, foi tudo muito rápido – separou-se devagar dos pais — Quando dei por mim aquele homem tinha entrado no apartamento, ele tinha uma chave mestra. Eu não sabia o que fazer...

Kushina pôs a mão em seu ombro.

– Terá tempo de nos contar tudo amanhã, querido. Você precisa de um banho quente e de comida! – dirigiu-se à cozinha para esquentar a refeição que havia feito para quando ele chegasse. Naruto apenas se sentou no sofá, exausto. Minato encarou Sasuke parado junto à porta.

– Obrigado por trazer meu filho a salvo.

– Não me agradeça, é minha obrigação. Eu deveria lhe pedir desculpas por não protegê-lo devidamente, senhor.

– Não pode protegê-lo sozinho, não de tantas pessoas. Você é um só. Vamos cuidar dele daqui por diante, somos uma família para isso.

O coração do moreno se encheu de contentamento com a frase.

Uma família era tudo que sempre desejou a vida toda.

– Tenha a certeza de que estou resolvendo tudo isso. Naruto não vai mais sofrer nas mãos dos Uchiha desse jeito.

Ao dizer isso Minato assentiu.

– Coma conosco, você deve estar exausto.

– Desculpe, preciso voltar ou terei de me entender com os advogados de minha esposa – disse pesaroso, roubando a atenção de Naruto que se embrulhava numa coberta no sofá.

– Você não vai ficar?

Um sorriso de pesar se instalou no rosto do moreno.

– Eu preciso passar a noite na casa daquela maldita mulher. Desculpe meu bem – segurou seu rosto para colar a testa à dele – Não existe nada que eu quisesse mais do que ficar com você agora.

Naruto baixou os olhos, triste, segurou as mãos sobre seu rosto, encarando-o.

– Se não tem outro jeito é melhor você ir – concordou – Mas tome cuidado.

– Pode deixar – sorriu de leve, um sorriso inocente que guardava somente ao loiro.

Minato ficou meio sem jeito ao fitar os dois. Não era acostumado a ver demonstrações abertas de carinho entre garotos. Mas podia notar o olhar carinhoso do filho sobre o outro, a maneira como suas mãos se moviam pelos braços dele, a forma como sua face parecia tranquila. Mesmo que nenhum deles dissesse uma única palavra era possível compreender tudo.

Sorriu, aliviado, deixando-os a sós.

– Vai ficar bem? – Sasuke beijou seus lábios algumas vezes, em pequenos estalos. O loiro assentiu, com o costumeiro sorriso.

– Claro que vou.

– Amanhã cedo te levo ao médico, para saber se está tudo bem com a Aiko.

– Com o Daisuke!

– Já lhe disse que é menina.

– Já lhe disse que você não sabe de nada!

Riu, afastando-se.

– Cuide-se bem. Amo você.

– Eu também.

Sasuke passou as mãos pelo rosto cansado. Não tinha a menor condição de voltar dirigindo então esperava a pessoa que o levaria para casa. Não muito tempo depois a campainha soou. Sasuke foi até a porta, abrindo-a, revelando a silhueta esguia de Sasori.

Ao ver o loiro sentado no sofá, Sasori solta um suspiro longo de alívio, seus lábios tremeram e sentiu os olhos arderem, mas se controlou como pôde. Caminhou até ele sem se deter, para apertá-lo contra o peito em um abraço esmagador. Naruto apertou-o de volta.

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– Não sabe como estou feliz em ver que você está bem – passou as mãos pelos cabelos espetados.

Naruto retribuiu o abraço, sentindo-se sumir, esquecendo de tudo. O cheiro, a voz, a própria presença de Sasori era tão pacífica que se permanecesse muito tempo abraçado a ele fatalmente adormeceria, sem controle de si mesmo. Amava-o tanto que era como se ambos se conhecessem há décadas, como se fossem irmãos de sangue que cresceram juntos.

– Desculpe preocupar você – afastou o rosto, as mãos seguras nas costas, exibindo seu costumeiro sorriso de raposa. Era um sacrifício se afastar dele, Sasori lembrava sua mãe em tudo, era tão bom tê-lo por perto que nem podia explicar.

O ruivo sorriu amavelmente, penteando os fios loiros bagunçados com os dedos.

– Não tem problema, estou feliz que esteja bem. Você me deixou terrivelmente preocupado – baixou o olhar ao ventre do loiro – E seu bebê?

– Ah está bem, as dores já passaram faz tempo – segurou a barriga com as mãos – Daisuke é um menino forte igual ao pai.

– Só se tiver outro pai que desconheço porque tem uma menina aí dentro – Sasuke bocejou longamente, exausto. O ruivo achou melhor levá-lo para casa.

– De qualquer forma vou levar seu Uchiha teimoso para casa, ele precisa descansar.

O loiro assentiu, tornando a se enrolar nos cobertores

–-

A rotina prosseguiu sem nenhuma alteração. Mesmo após ter sido demitido Menma compareceu ao trabalho normalmente no dia seguinte, como se nada houvesse acontecido. Gaara parecia tão constrangido pelo que acontecera em sua sala que nem se deu ao trabalho de discutir. Ao contrário, evitou contato visual durante todo o dia. Sentia-se muito envergonhado por permitir que seu corpo se movesse sozinho daquela maneira!

E claro, esse não era o ponto principal.

Não pregara os olhos a noite toda, pensando no que aconteceu. A lembrança latejava em sua mente sem parar, deixando-o quente, tirando sua paz. Rolou pela cama em busca do sono perdido até tarde da madrugada, desistindo por completo e ligando a TV para se distrair.

O cheiro daquele Uzumaki atrevido parecia haver impregnado suas narinas, de tal maneira que não conseguia se livrar dele. A voz arrastada ainda ecoava em seus ouvidos, provocando-lhe arrepios súbitos.

Nunca se sentiu assim antes, não sabia explicar o que era. Aquelas sensações todas eram tão intensas! De repente o mundo de Gaara virou de ponta cabeça e não existia nada que prendesse tanto sua atenção quanto aquele rapaz. A cada segundo, a cada ação, tudo o fazia pensar em Menma, ele havia se encravado na mente do ruivo de uma maneira que, mesmo tentando bravamente, não conseguia apagar.

E claro que isso estava martirizando o ruivo.

No dia seguinte a empresa estava em polvorosa, claro, com a presença de Sasuke Uchiha a conversar diretamente com Gaara não havia quem não estivesse fazendo hora no setor de criação, apenas para dar uma olhada de relance quando ele passasse.

Gaara assentia ao Uchiha, calmamente.

– É compreensível, depois de passar por um grande susto é natural que Naruto não se sinta totalmente recuperado.

Sasuke mantinha uma das pernas cruzadas sobre o joelho, as mãos entrelaçadas sobre o colo. Omitiu parte dos acontecimentos, afinal sua vida não cabia a ninguém, mas fez questão de explicar o motivo das faltas constantes do namorado. Naruto precisava descansar.

– Meu namorado está em uma fase complicada, senhor Sabaaku. A consideração que nutre pelo senhor e a paixão pelo trabalho o tem feito negligenciar o próprio estado.

– Confesso que ainda há um tempo até que seja lançada sua licença maternidade, esse tempo é estipulado por lei. Peço que me mande um atestado de saúde sobre seu estado delicado para que possamos acelerar o processo.

O Uchiha assentiu.

– Agradeço a compreensão senhor Sabaaku. E estou feliz que esteja satisfeito com Menma, sei que ele poderá substituir Naruto nesse período difícil.

O ruivo corou de leve, desviando o olhar.

– De qualquer forma não havia necessidade de vir pessoalmente tratar desse assunto, senhor Uchiha. Sei que é um homem ocupado.

– Naruto é muito importante para mim, precisava resolver por mim mesmo ou não ficaria em paz.

Um discreto sorriso estampou os lábios do Sabaaku, tão discreto que Sasuke nem notou.

Era bonito ver um homem apaixonado, a relação deles era invejável.

Quando o Uchiha passava pelo setor criativo em direção à saída, ignorando por completo as cabeças que se viravam para assisti-lo, encontrou Menma concentrado, trabalhando.

Não podia evitar pasmar cada vez que o encontrava. Era uma cópia fiel de Naruto! Mas sempre que seus olhos se encontravam sentia falta da inocência contida nos olhos de seu loiro, e isso o fazia diferenciá-los na hora.

– Menma? – chamou-o baixo, colocando a mão em seu ombro. O Uzumaki se assustou de leve, estava concentrado.

– Ah bom dia Sasuke. Como o Naru está?

– Bem melhor, ele só precisa descansar.

– E deve estar odiando ter que ficar em casa não é? – sorriu malicioso e o Uchiha assentiu, suspirando.

– Nem faz ideia da guerra que travo para mantê-lo em casa – riu de lado – Se precisar de algo é só me dizer. Naruto precisa muito de sua ajuda.

– Sem problemas – riu como uma raposa, até nisso eram parecidos – Diga a ele que irei vê-lo mais tarde acompanhado de chocolates.

– Certamente vai deixá-lo feliz – riu – Obrigado.

Tendo dito isso deixa o setor, caminhando devagar, os sapatos quase não faziam barulho, os quadris gingavam a cada passo dado. Não havia uma única alma ali que não tivesse suspirado ao vê-lo passar.

Que homem de tirar o fôlego!

Uma cabeça surgiu diante da divisória e Menma já sabia quem era o dono.

– Ei, Naruto Negro é sério isso?

– O que é sério? – indagou indiferente, conferindo suas pilhas de papéis.

– Naruto está mesmo namorando Sasuke Uchiha??? – havia um brilho de interesse em seus olhos. Bem diziam que homens podiam ser mais fofoqueiros que as mulheres.

– Claro, você não viu o jeito como ele fala do Naru? Sasuke é um gentleman, meu primo teve muita sorte – disse naturalmente.

– E essa coisa toda de licença de trabalho... Não vai me dizer que Naruto está grávido? É o que todos no setor andam comentando!

– Não acha melhor perguntar diretamente para ele?

– Eu o faria, mas Naruto quase não vem mais ao trabalho. Me conta, vai? Por favor!

Menma o fitou muito sério.

– E se estiver? Isso vai mudar alguma coisa entre vocês dois?

– Claro que não! – pareceu genuinamente ofendido — Naruto e eu somos amigos faz tempo! Ele namorar outro cara não muda isso! Não é como se ele fosse me agarrar só porque gosta de homens, até porque eu não devo fazer o tipo dele! – deu de ombros, um riso safado no rosto — Eu não curto essas coisas, mas se isso o faz feliz então não vejo problema algum.

Menma riu de volta.

– De repente você pode ser o meu tipo – piscou e Kiba recuou um pouco.

– Ei, ei!!! Nem vem que eu gosto de mulher!!!

– Estou brincando, já gosto de outra pessoa. Uma pessoa muito difícil por sinal! – suspirou e percebeu que o rapaz à sua frente iria enchê-lo de perguntas, era melhor desconversar — Vou visitar o Naru mais tarde com as meninas do RH. Você deveria vir conosco.

– Pode deixar, Naruto negro.

– E me faz um favor?

– Claro é só falar.

– Pare de me chamar assim!!!

–-

Se havia um sinônimo para “brincar com fogo” este poderia ser descrito com apenas uma palavra: Menma! Isso porque mesmo sabendo que não deveria testar a sorte não podia evitar!

Ergueu os olhos ao chefe que passava seu setor. Ele olhava para o chão, caminhando apressado, em direção ao almoxarifado da empresa.

Menma estava aflito. Desde o que acontecera na sala do ruivo eles não haviam trocado uma palavra sequer, Gaara nem mesmo olhava para ele. Isso não podia continuar, estava sofrendo horrores! Seu coração estava apertado dentro do peito.

Queria ouvir sua voz, ter aqueles maravilhosos olhos verdes postos sobre si, ver a face dele corar enquanto desviava a atenção. Gaara era tão lindo, tão doce e gentil, ao menos era o que pensava, convictamente. Estava tão fascinado por aquele ruivo que a ideia de que este pudesse lhe odiar causava pânico imediato.

Deu uma desculpa qualquer, seguindo-o de longe, sem perdê-lo de vista. Ouviu de Hinata que ele estava indo buscar material de escritório, era a oportunidade perfeita.

As costas esguias dele pareciam um convite mudo. Os cabelos vermelhos e revoltos lhe davam um ar rebelde que levava o moreno ao delírio. Como seria tomá-lo? Ele ficaria rendido ou tomaria o controle da situação? Suspiraria contido ou gemeria abandonado em seus braços?

Cada vez que se lembrava do ocorrido no banheiro da sala dele um arrepio gostoso subia por suas costas. Menma estava disposto a terminar o que havia começado.

Sorriu maroto ao vê-lo entrar distraidamente na sala, sem fazer ideia de estar sendo seguido. Menma ouvira muitas histórias sobre aquele lugar, e isso porque começara a trabalhar agora! Sabia que não havia câmeras dentro dela, o que normalmente levava os funcionários a furtarem objetos de trabalho normalmente racionalizados.

Mas essa era de longe sua intenção...

Gaara agrupava uma resma de papel em branco e retirava algumas canetas da caixa quando ouviu o som da porta fechar e trancar detrás de si. Ao se virar levou um susto tão grande que as folhas desabaram por todo lado.

– O que raios pensa que está fazendo? – ficou tenso de uma hora para outra ao ver o moreno lhe sorrir de lado, as costas na porta, a mão sobre o trinco.

– Precisávamos de um lugar sossegado para conversar, um em que não fôssemos interrompidos – sorriu maroto – Você tem me evitado como se nada houvesse acontecido, mas aconteceu Gaara. Negar isso não muda as coisas.

O ruivo recuou alguns passos, esbarrando ruidosamente sobre a prateleira que rangeu. Uma imensa e pesada caixa de papel ameaçou cair. O ruivo só teve tempo de olhar para cima, assustado, e fechar os olhos, aguardando o impacto.

Ouviu um som alto e abriu os olhos, sem entender nada.

Exclamou de susto ao ver o moreno com os braços um de cada lado de seu corpo, a cabeça acima da sua e a caixa rolando para o lado após atingir-lhe em cheio.

–... Ai...! – murmurou de dor, passando as mãos pela cabeça atingida – Cara, como isso dói!

– Você perdeu o juízo??? – não sabia dizer se estava com raiva, preocupado ou surpreso. Provavelmente uma mistura de tudo isso – Poderia ter se machucado!

– Muito melhor do que ver você se machucar – olhou-o sério e o ruivo estremeceu, percebendo que estavam bem próximos um do outro. Menma ergue a mão, passando-a pelo rosto pálido e assustado dele, indo em direção aos cabelos espetados e ruivos. Eram inacreditavelmente macios.

Gaara corou e baixou o rosto, empurrando-o de perto de si.

– Saia! Eu não pedi sua ajuda!

– Estou ficando louco por você, Gaara – sussurrou, baixando um pouco mais, para ficar bem de frente, olhos nos olhos. Percebeu o ruivinho acuado, muito vermelho, sem saber como reagir.

– N... Não diga bobagens! Somos ambos homens! Como pode se sentir atraído por alguém do mesmo gênero que você?

– Essas coisas não importam, é instintivo. Não dá para lutar contra – dobrou o joelho entre as pernas dele. Gaara se sentiu encurralado entre o corpo do moreno que grudou ao seu e a prateleira. Ao sentir o calor do peito largo se unir ao seu suspirou baixinho, fechando os olhos firmemente.

Maldição, a presença daquele moreno mexia com ele! O calor fez seu corpo vibrar de antecipação. Sentiu muita falta dele, queria senti-lo de novo. Um desejo insuportável de abraçá-lo bem forte, de sentir sua pele...

–... Você é tão lindo... – afagava os fios de fogo, inebriado com aquele rosto perfeito, os contornos negros sobre os olhos verdes, deixando-os ainda mais puxados, destacando-os na pele lisa.

– C... Cale essa boca! Saia de perto de mim!

– Não estou te prendendo, você pode escapar se quiser – subiu a coxa entre as pernas dele, até tocar na virilha.

Gaara soltou um gemido incontido ao ser tocado naquele ponto tão sensível. Quando percebeu o que havia feito, e a expressão de surpresa do moreno, levou as mãos à boca, quase morrendo de tanta vergonha!

O Uzumaki soltou um risinho, segurando em seu queixo fino, para então mordiscá-lo devagar. O menor tremia em seus braços, sem forças para se afastar.

O que estava fazendo? Aquilo não era certo!

Mas suas mãos não se moviam, mesmo sabendo ser errado não conseguia lutar contra. Quanto mais aquela perna atrevida roçava entre suas pernas, mais sentia o sangue circular para seu baixo ventre, formando uma ereção dolorosa. Quando os lábios abandonaram seu queixo para descer em beijos lentos e molhados pelo pescoço, segurou-se com força às prateleiras, ou não suportaria o próprio peso do corpo.

Estava ficando fraco, sua cabeça rodava, seu rosto ardia. Aquele maldito moreno exercia um poder indecifrável sobre si.

Arfou, muito corado, quase sem ar, a expressão muito sofrida. Menma precisava se controlar para não agarrá-lo com força, rasgar suas roupas e fazê-lo seu ali mesmo.

– Quem te deixou relutante assim? – descia as mãos pelo peito liso que arfava depressa, abrindo devagar os botões da camisa, beijando a pele que surgia sob o tecido – Eu nunca te faria sofrer dessa maneira.

A simples menção do que aconteceu fez o ruivo despertar, empurrando-o com força para longe de si. Ele olhava o chão enquanto respirava depressa.

–... Você não me conhece... Não sabe nada sobre mim... – sua voz parecia tremer.

– Sei que se me der uma chance posso provar que o sinto por você não é passageiro, que jamais te faria sofrer... – aproximou-se novamente, falando baixo, o ar quente batendo no rosto do chefe -... Quero te mostrar o quão sério estou com relação a você, Gaara.

Os lábios dele estavam tão próximos dos seus que sua cabeça travou de confusão. Sentiu quando os braços trespassaram seu corpo, colando-os. A cabeça do moreno se virou um pouco, ajustando o ângulo perfeito para que seus lábios se unissem. Ele o fitava com os olhos semi cerrados de desejo.

Odiava admitir mas queria ser beijado, queria sentir o gosto daqueles lábios. Sentiu um roçar e fechou os olhos, tão nervoso que seu coração parecia querer atravessar o peito e saltar para fora! Os lábios quentes e úmidos do moreno roçavam os seus devagar, um contato mínimo, como se testasse sua paciência e sanidade. Isso o estava deixando louco!

Que o beijasse de vez! Não estava oferecendo resistência alguma! Maldição!!!

Agarrou-se ao tecido das costas largas do moreno e entreabriu os olhos, quase implorando. Menma quase enfartou ante a visão, era adorável! Sem conseguir se conter mais cola os lábios aos dele, um estremecimento mútuo os atingindo quando sentiram o calor um do outro. Suas bocas se moviam testando a maciez, estalando em pequenos beijos descompassados. A língua do moreno escorrega sobre os lábios fechados, saboreando-os devagar, sentindo com prazer o gosto adocicado enquanto pedia passagem para que Gaara os abrisse.

Mas o ruivo se segurou mais forte às suas costas, ofegando apenas com um contato mínimo como aquele, sem entreabrir a boca. Impaciente e já fora de si Menma força a língua, passando-a pelos dentes brancos, uma das mãos descendo o peito pálido em direção ao mamilo eriçado de prazer do chefe. Ao tocá-lo o ruivo gemeu longamente, e aproveitando-se disso Menma invade sua boca com a língua, buscando a do ruivo.

A mente de Gaara rodou em câmera lenta. Todo o seu corpo se arrepiou com aquele contato, cada fibra vibrando com o beijo. A princípio mal sabia o que fazer, e se viu preso apenas correspondendo o contato morno e delicioso daquela língua que se enroscava à sua, deslizando no interior de sua boca, tirando-lhe o ar e provando cada canto. O corpo inteiro se retesou e ele gemeu quando o moreno esfregou as cadeiras contra as suas, suas ereções se encontrando, deslizando uma sobre a outra através do tecido.

Estavam igualmente duros, de forma que esfregavam suas ereções uma contra a outra, o roçar enchendo-os de desejo.

Respirar era difícil, estava ficando muito excitado! Antes que tivesse se dado conta abraçava o moreno com fervor, beijando-o igualmente, o som molhado do beijo ecoando pela sala, assim como suas respirações afoitas. Menma bagunçava seus cabelos, a outra mão descendo para apertar o bumbum firme e macio. Estavam a um passo de enlouquecer... Os corpos unidos, o atrito entre os membros rijos aumentando, junto com a sensação de que, se mantivessem aquele contato por muito fatalmente gozariam ali mesmo, por entre o tecido das roupas.

Não se importaram, travando uma batalha entre as línguas molhadas, enrolando-as uma contra a outra. Gaara gemeu dentro do beijo.

Ah céus, ele era adorável! Menma desceu as duas mãos ao traseiro fofinho, apertando sem parar de beijá-lo. Estocava sua virilha, criando uma falsa sensação de penetrá-lo. Gaara soltou seus lábios e cravou os dedos em seus ombros, rendido.

–... E... Espera...

–... Mas você já está tão perto...

– Não posso... Não aqui... – contorceu o rosto, sem se agüentar mais.

Impaciente, Menma abre o próprio zíper, tirando o membro grande e molhado para fora. O ruivo prendeu o ar por um segundo, assustado.

Achou que quando o visse sentiria repulsa. Mas o inverso aconteceu. A excitação subiu em um novo nível.

Desejou afundar a boca naquela tora quente para sugá-lo até que soltasse tudo em sua garganta...

Virou o rosto, muito envergonhado de si mesmo. Sem prévio aviso Menma busca seu zíper também, baixando-o.

– O que pensa que está fazendo??? – exclamou afoito, mas sua ereção pulsou mais forte. Foi incapaz de resistir quando sua cueca foi puxada para baixo o suficiente para que o membro arqueado saltasse para fora, livre do tecido, totalmente ereto.

Menma sorriu maravilhado. A cabeça rosada gotejava de antecipação, o membro levemente arqueado para a direita.

–... Vou fazê-lo se sentir ainda melhor... – beijou sua orelha, arrancando um novo gemido quando uniu ambas as ereções com sua mão, passando a manipulá-las juntas.

O arfar deles se tornou pesado, insuportável. Era tão bom que não demoraria nada. O ruivo jogou a cabeça para trás, apoiando-se nos ombros fortes, murmurando de raiva ao ter o pomo de Adão beijado e sugado por aquele moreno indecente.

Tremeu e fechou a boca com a mão quando seu corpo se contraiu várias vezes, ao passo que atingia o clímax, expelindo seu sêmen transparente que jorrava sem controle, saindo um monte, tudo que estava acumulado. Agarrou-se às prateleiras, os olhos fechados, a boca aberta respirando desesperado enquanto derramava seu gozo na mão do moreno que assistia a cena extasiado, gozando em seguida. Seus jatos eram muito mais espessos e esbranquiçados. Não parou se esfregar suas ereções até que ambos tivessem soltado até a última gota.

Abriram os olhos, cansados, sem saber o que dizer. Apenas se encaram por longos segundos.

E então de repente batidas soaram junto à porta. Gaara por instinto cravou as unhas dolorosamente no pescoço do moreno que mordeu forte para não exclamar de dor. O chefe olhava-o tão assustado que era como se a morte o tivesse visitado.

– Tem alguém aí? – a voz de um funcionário qualquer soava do outro lado da porta.

– Parece que está trancada ou emperrou – outro funcionário falava com voz de tédio.

– Melhor avisar para consertarem – tendo dito isso as vozes se afastaram conversando trivialmente, o som de passos se distanciando cada vez mais.

Gaara colocou uma das mãos sobre o próprio coração, ainda trêmulo de susto.

O que estava fazendo? Como se permitiu ir tão longe? Estava em seu local de trabalho!

Virou-se irritado para o moreno, mas este lhe roubou um selinho, rindo em seguida.

– Tome — alcançou uma caixa de lenços de papel ainda fechada sobre a prateleira, abrindo-a com um puxão, destruindo a tampa. Cada um pegou tantos lenços quanto possível, limpando a si próprios. O ruivo sentia-se sumir de tanta vergonha! Virou-se de costas, retirando o próprio sêmen e o do moreno que grudava nele, feito cola. Limpou-se e quando virou percebeu que Menma já estava recomposto, tirando as evidências do chão.

– Vou sair primeiro e distrair quem estiver no caminho, você não pode sair nesse estado – referia-se à face corada e suada do ruivo que mordeu forte, irritadíssimo. Ouviu a risada do moreno e isso apenas aumentou ainda mais sua ira.

– Conversamos depois – beijou carinhosamente os cabelos ruivos antes de dar as costas, ajeitando as roupas e destrancando a porta, deixando o ruivo sozinho no almoxarifado. Este desabou ao chão, passando as mãos pelo rosto.

Estava muito encrencado, mais do que poderia imaginar.

Seus lábios ainda formigavam, seu corpo ainda estava quente e eriçado e seu coração batia tão depressa que poderia entrar em colapso. Levou a mão à boca, secando a saliva que trocara com o moreno enquanto o beijara.

Um rubor excessivo esquentou suas bochechas e ele se viu perdido em pensamentos confusos, enquanto seu coração não dava trégua alguma, batendo desesperado. Um arrepio estranho subindo e descendo pelo corpo, uma sensação gostosa, mas ao mesmo tempo sofrida.

Péssimo sinal... Aquela troca de carícias mexeu com ele de verdade. Mesmo que tentasse se convencer de que era errado, no fundo ele sabia que estava fazendo o que julgava ser certo.

Ele queria beijá-lo, queria senti-lo, queria ter ido muito mais longe...

Irritado consigo mesmo levanta-se e endireita as roupas, fechando os botões da camisa, alinhando os cabelos. Tinha de parecer normal ou levantaria suspeitas. Respirou bem fundo até se acalmar e esfriar um pouco o corpo. Caminhou a passadas duras para fora da sala, em direção ao setor de trabalho, sem falar com ninguém. Queria usar o banheiro mais próximo!

Hinata o aguardava já há um bom tempo. Ao olhar suas mãos vazias estranhou.

– Senhor, onde estão as folhas que pedi? – ela parecia não entender.

O ruivo até havia esquecido o motivo que o levou ao almoxarifado! Nervoso e sem graça ele passa por ela, apressado.

– Estava trancado, peça à outra pessoa! – disse simplesmente, seguindo para longe.

Precisava ficar sozinho e organizar seus pensamentos!

Avistou o banheiro de funcionários e sem pensar duas vezes entra, lavando as mãos até livrá-las de qualquer vestígio que tivesse sobrado. Jogou água no rosto várias vezes, a água fria ajudando-o a se acalmar. Quando ergueu o rosto para se olhar no espelho levou um baita susto.

Menma estava na pia ao lado, secando as mãos igualmente. Ao encará-lo Gaara teve vontade de chorar de tamanho constrangimento.

Não conseguiu argumentar coisa alguma e simplesmente deixou o banheiro, correndo para sua sala, surpreendendo a todos pelo súbito ataque e não saiu por um segundo sequer até o fim do expediente.

–-

Voltava para casa, cansado. Carregava consigo uma sacola de supermercado com alguns ingredientes para o jantar e uma garrafa pequena de vinho.

Sasori precisava beber alguma coisa, mesmo que não tivesse afinidade com bebidas fortes. Ainda se sentia mal pelo caso não resolvido.

Aquele beijo que trocou com Pain havia mexido com ele, e a culpa crescia descontrolada em seu peito. Depois de ver o que se passou com Naruto, a mesma luta incessante contra o clã Uchiha, sentiu-se cansado e farto.

Não era momento de ser traído por seu corpo, mas sim de se controlar. Sabia que era algo mais forte que ele próprio, que estava chegando ao limite da exaustão, mas devia agüentar um pouco mais.

Por Itachi. Afinal o esposo se acidentara para lhe salvar.

Fechou a gola do casaco que vestia, suspirando e percebendo o vapor sair esbranquiçado diante do rosto, entre os dentes brancos. Fazia muito frio. Virou a esquina, as ruas estavam desertas, não havia uma única alma do lado de fora. Os postes iluminavam fracamente a escuridão total.

E então foi puxado para o lado, sem tempo de argumentar. Viu seu corpo colar a um dorso forte. Ergueu os olhos, assustado para encontrar a face solene de Pain.

Ele não! Não agora!

– Me solte – virou o rosto, para não se demorar admirando os piercings no rosto másculo e bonito. Sentiu-se corar e se odiou por isso.

– Só quero conversar, Sasori.

– Não temos nada a conversar – tentou manter a calma, mas esta foi jogada para o alto quando os lábios dele se forçaram sobre os seus. O ruivo prendeu o ar um segundo, tentado a prosseguir.

Era tão difícil, tão doloroso...

Empurrou-o com violência, deixando a sacola cair ao chão. A garrafa de bebida se espatifando e espirrando as roupas dos dois.

– Pare de brincar comigo! – tornou-se sério, irritado – Pare com isso Pain!

– Não é brincadeira. Eu te amo, te desejo.

Odiava tanto aquela face inexpressiva! Mesmo quando estavam juntos, quando se achou a pessoa mais feliz do mundo, nem assim Pain lhe sorria. Sempre o presenteava com aquela face fria como gelo.

– Já lhe disse que não me sinto da mesma forma.

– Mas correspondeu meu beijo, se entregou em meus braços.

– Você só se aproveitou de um momento de fraqueza... Está atacando minhas defesas, mas não vai conseguir o que quer.

Foi novamente puxado contra o peito do alaranjado.

– Volta pra mim, Sasori. Vem para casa comigo, deixe-me amar você... – passava as mãos pelo corpo magro, lindo, delicioso...

O ruivo cerrou os olhos e desvencilhou-se com rudeza do toque. Correu para longe, largando as compras no chão.

Era melhor fugir do que fazer alguma besteira!

–-

Entrou em casa aos tropeços, a indignação latejando em seu peito.

Ficaria louco, não suportava mais.

Queria Itachi ou entraria em colapso! Sentia falta de conversar com ele, de abraçá-lo, de aspirar seu cheiro.

E se depois de todos esses anos ele sofresse alguma seqüela? Se não se lembrasse mais dele, ou do amor que nutriam um pelo outro?

Balançou a cabeça, segurando-a com força.

Mal se lembrava do rosto dele antes do acidente. Suas lembranças se resumiam a fotografias.

Isso tinha que acabar.!

Secou o rosto e fungou bem forte, estava destroçado. Vasculhou as gavetas em busca de um molho de chaves, encontrando uma pequena e prateada.

Respirou fundo, seguindo pelo corredor de casa em direção a um quarto fechado. Girou a chave na fechadura segurando a maçaneta, longos segundos antes de decidir por fim abri-la.

Pela primeira vez em três anos entrava no escritório de Itachi. O cômodo permanecera fechado desde o acidente. Dentro dele estavam guardados todos os pertences, todas as roupas, fotos e documentos do esposo.

Porque o ruivo não podia suportar ter objetos pessoais dele tão perto de si. Era como se a saudade pudesse esmagá-lo. Trancafiou tudo naquela sala, mantendo apenas algumas fotos em seu quarto. Elas o consolavam nas noites de tristeza.

Olhou ao redor, percebendo o amontoado de caixas, roupas e móveis. Abriu o guarda roupas nervosamente, vasculhando os cabides.

As camisas que o esposo usava ainda estavam lá, da mesma maneira que as deixara. Temeroso ele arranca uma do cabide, derrubando todas ao chão. Leva o tecido ao nariz e aspira de uma vez.

Ainda estava lá... O cheiro dele ainda estava no tecido, a lembrança vívida do homem que tanto amava invadiu sua mente. Pela primeira vez em muito tempo sentiu-se relaxar. As faces arderam de desejo, a ereção despontou nas calças. Caiu de joelhos, uma das mãos abrindo nervosamente o cinto e o zíper da calça, a outra segurando o tecido de encontro ao nariz, para que a lembrança não desaparecesse.

Ainda lembrava-se de cada toque, de cada investida, de cada palavra dita com aquele timbre enlouquecedor.

Das noites de amor incontrolável que tiveram juntos.

Masturbava-se depressa, respirando sobre a camisa azulada, os olhos fechados, a mente divagando em todo tipo de fantasia. Estava tão excitado como não se sentia há séculos.

Em questão de minutos alcançou o ápice, esporrando a camisa azul, lançando jatos fortes enquanto a sujava, deleitado. Apertou a cabeça da ereção para que saísse tudo de dentro dele. Tremeu, satisfeito.

Respirava depressa, cansado. As forças sumiram de dentro dele. O cheio de Itachi estava em todo lugar dentro daquele quarto, para onde quer que olhasse podia encontrar seus pertences, suas fotos, o rosto sereno e bonito que sorria imortalizado nas fotografias.

O coração do ruivo se acalmou ali dentro. Caiu deitado de lado sobre a pilha de camisas, amassando o tecido. Olhava para o nada, as mãos sujas de sêmen estavam pendidas ao lado da cabeça.

Pela primeira vez em longos três anos sentiu que não estava só. Fechou os olhos devagar, o sono invadindo-o. Adormeceu em pouco tempo.

–-

Onde estava... Que lugar era aquele?

Estava no escuro, em algum lugar gélido. Não sentia as próprias pernas ou braços, era como se não pudesse se mexer, como se estivesse acorrentado.

Havia uma dor latente pelo corpo todo, sobretudo em sua garganta. Quis tossir, mas a sentia cheia e carregada.

Sentia-se péssimo, uma ânsia subia, o estômago remexendo. Não raciocinava devidamente.

Tencionou abriu os olhos, mas estavam muito pesados. Precisou piscar inúmeras vezes, pois não enxergava coisa alguma. Ouvia uma voz ao longe, afobada, mas não compreendia nada.

O que estava acontecendo? Onde estava?

Um pequeno feixe de luz foi colocado em seus olhos e fechou-os, sentindo-os secos e doloridos. Antes que pudesse realmente entender o que estava acontecendo a já conhecida dor no braço ardeu, espalhando-se pelo corpo todo, pela corrente sanguínea, feito fogo líquido.

Contra sua vontade adormeceu, apagando completamente quando o medicamento tão forte, tão doloroso, correu através da veia para todo o seu corpo.

A enfermeira respirava depressa, afoita, observando-o com medo. A mão que segurava a seringa tremia.

Sempre se assustava quando isso acontecia, mas ultimamente se tornava cada vez mais freqüente. Caso a medicação não fosse administrada no horário exato ele fatalmente tinha surtos de lucidez. Surtos esses tão óbvios que sentia que não tardaria a despertar por completo.

O médico responsável precisava saber disso! Se a família Uchiha descobrisse todo o hospital corria sérios riscos!

Saiu afobada da sala, deixando-o sozinho. Itachi voltara a cair no sono sem respostas a que foi submetido há tanto tempo. Um sono gelado, sem sonhos, sem consciência. Durante os poucos segundos em que sua mente trabalhou, antes de perder novamente os sentidos, apenas uma pessoa surgiu em sua mente.

Sasori...

Continua

Notas finais
Eu sei, eu sei que depois dessa vai ter gente querendo me matar por parar o capítulo aqui rsrsrs Minha cabeça foi posta a prêmio XD Mas não me matem limõezinhos lindos! Apenas comentem. Tem gente que ainda tem medo de mim! Mas por que calhas d'água??? Gente eu não mordo, só se me pedir kkkkkk ¬_¬ Falando sério agora, não é porque eu escrevo esse texto cheio de "vosmecê" que significa que eu fico procurando erros ou corrigindo ninguém não, longe disso! Eu erro muito como todo mundo e minhas respostas são cheias de carinhas ლ(ಠ▃ಠლ) Muahahahahaha Se você lê a história e não comenta porque acha que muita gente já comenta e você é só mais um na multidão (olhar solitário...) Eu lhe digo para deixar de boiolagem e vir para o lado cor de rosa da força!!! Faça uma conta e comente! Você pode opinar o que quiser, se quer ler mais isso ou aquilo é só falar! Vocês mandam por aqui. Do jeito que as coisas estão indo vou leiloar a virgindade do Gaara!!!! Quem der mais leva o ruivo! E que Menma não me escute... E lembrem-se: sou movida a comentários. Quanto mais mandarem, maior o capítulo :p Bj pra todos vocês limõezinhos e nos vemos no próximo!