Entre A Razão E O Desejo - Em edição
3 Irresistível
Notas iniciais
—... Sakura, temos que conversar. Eu... Ahn...
As palavras simplesmente sumiram e ele permaneceu parado, abrindo e fechando a boca, sem saber nem por onde começar. Era tarde da noite e a rua estava vazia. Os postes de luz vez ou outra piscavam e o único barulho era o de respingos de garoa que batiam nos telhados.
Sua noiva continuava parada diante dele, parecendo muito irritada, evitando tremer de frio sob a garoa fina e gelada que descia do céu, respingando os cabelos rosados e dando a eles aspecto grisalho. Ela estremeceu e retesou o corpo, porém sem fazer menção de sair do lugar antes de receber uma explicação convincente o bastante.
Estava bastante aborrecida. Sentia que Naruto estava diferente das outras vezes. Já haviam brigado muitas, mas muitas vezes mesmo. Porém desta vez em especial ele estava diferente, alguma coisa no olhar. A forma como ele a fitava agora mais parecia... Um mero olhar de consideração e nada mais.
Naruto sentiu o coração apertar ao vê-la apenas de pijama curto no meio da rua numa noite tão fria. Sakura não merecia receber tal notícia daquela forma. Não era justo.
Retirou o casaco de moletom que vestia e cobriu o corpo pequeno dela, fechando o zíper até em cima, de maneira que cobrisse todo o corpo até a altura dos joelhos. A abraçou e suspirou, pesaroso, sentindo o corpo pequeno entre seus braços.
Não podia fazer isso com ela.
— Naruto?
— Vá para casa, por favor. Acho que estou um pouco cansado por causa dos preparativos, eu só preciso dormir um pouco. E além do mais será ruim se você pegar uma gripe pouco antes do casamento, não é?
A garota olhou para cima, ainda dentro do abraço, até focalizar seu rosto. O noivo lhe sorria ameno, como um irmão o faria. Ela ainda estava nervosa e confusa, queria milhares de explicações, mas a simples menção de seu casamento a fez perceber que ele não mudara de ideia, então estava tudo bem.
Acabou concordando, vencida.
— Ok então. Trate de descansar um pouco, está com os nervos à flor da pele. Sou eu quem deveria estar já que sou a noiva e já que todos os preparativos ficaram por minha conta. É tão fácil ser homem, a responsabilidade de nada fica em suas costas, não é? Imagina então quando eu ficar grávida e enorme carregando um ou dois filhos seus enquanto você fica belo e folgado sentado no sofá da sala...
Ele ouvia tudo sem responder, sequer prestava atenção. Vez ou outra balançava a cabeça em concordância, sabia que sempre que fazia isso Sakura acreditava que ele estava acompanhando o que ela dizia. Na realidade só conseguia pensar em como sua vida se tornou complicada desde que aquele maldito Uchiha entrou nela.
Não poderia adiar, mesmo que seu coração quisesse o extremo oposto. A brincadeira com Sasuke tinha de terminar, e ele precisava saber disso o quanto antes.
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Ainda não sabia o que fazer para as coisas se acertarem, e também não tinha ideia de como contar a verdade para Sakura. Assim os dias foram passando como se nada houvesse acontecido. Continuou pagando as prestações das dívidas da festa, pegou as alianças na loja, alugou seu traje para a cerimônia no religioso, tudo conforme o planejado. Os convidados já estavam sendo avisados e naquela mesma semana uma caixa chegou à casa de Sakura, que pulou de alegria ao ver os convites prontos da gráfica, em papel branco e decorado com fitas cor de rosa, a preferida da garota.
Naruto imaginava que talvez com o tempo ele passasse a sentir amor por Sakura. Provavelmente não seria tão difícil visto que já nutria muita afeição por ela. Conhecia muitas histórias de pessoas que se casaram sem amor, mas que passaram a se dar muito bem ao longo da vida a dois.
Desde o ocorrido no dia da festa de noivado não havia mais atendido as ligações de Sasuke e nem retornava. Não respondia às milhares de mensagens que ele mandava durante todo o dia, e recusara educadamente, quase morrendo de vergonha, o entregador de flores que veio trazer em seu apartamento um imenso arranjo de rosas vermelhas e corações de chocolate. Sasuke estava se divertindo enquanto brincava com seus sentimentos, sem perceber a bagunça que deixara em sua vida.
O pior era que evitar contato só o fazia pensar mais nele. Durante o horário de expediente no prédio da agência de publicidade onde trabalhava, o loiro tinha dificuldades de se concentrar, devaneava no horário de reuniões, e cada vez que seu celular vibrava sentia o coração disparar e uma imensa vontade de gritar. Queria responder, dizer que precisava dele, que queria vê-lo, que se sentia sozinho e perdido. Mas acabava apenas ignorando as mensagens se acumulavam no aplicativo, visualizadas sem resposta.
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Naquele dia havia chegado mais tarde porque passou em frente ao prédio onde Naruto trabalhava, mas acabou não o encontrando nas redondezas.
Sasuke já estava ficando impaciente. Não gostava de esperar muito, sempre forçava sua vontade e jamais encontrara alguém que o rejeitasse. Era egocêntrico o suficiente para saber que Naruto estava caído por ele, que não conseguia esquecê-lo. Sabia disso porque a cada mensagem provocante que enviava o outro fugia do assunto, desconversava, dava respostas contraditórias, às vezes demonstrava certa carência e urgência...
Sorriu de canto enquanto dirigia pelas ruas escuras.
Era divertido provocá-lo, e seria ainda mais quando a maldita mulher cor de rosa descobrisse que perdeu seu noivo para ele.
Dirigiu-se ao apartamento que dividia com a esposa apenas para apanhar alguns papéis e tentar dormir um pouco. Não suportava passar a noite com ela, mas ainda era melhor do que permanecer no outro apartamento, afinal acabava se lembrando do loiro maravilhoso e do modo como fizera amor com ele até fazê-lo gritar. A lembrança não o deixava dormir de excitação. Ao contrário disso, o tempo que passava perto de Karin funcionava como um sonífero e ele sempre acabava dormindo longamente.
Deixou as chaves com o manobrista do condomínio de luxo e dirigiu-se ao elevador, afrouxando a gravata. Estava cansado, andava imerso em muito trabalho e seu pai estava sempre o incomodando com futilidades acerca do contrato que mantinha com a família de Karin. Sempre o cobrando para ser um marido melhor e mais responsável, pois caso o casamento deles acabasse, a família Uchiha perderia praticamente todo o seu patrimônio.
Sasuke estava bem no meio de toda a farsa, foi ele quem teve de se casar à força com uma mulher por quem só nutria antipatia. Havia deixado todos bem cientes disso e não mudaria agora, mesmo que lhe implorassem. E claro, ainda havia um motivo maior, algo que fazia o rancor que nutria por aquela mulher aumentar consideravelmente.
Abriu a porta do apartamento encontrando Karin sentada no sofá diante da TV imensa, assistindo algo como uma novela ou algum romance dramático. Ao vê-lo entrar ela abriu um imenso sorriso, arrumando os cabelos para trás nervosamente.
— Bem vindo de volta. Fiz o jantar para nós, mas você demorou tanto que acabou esfriando. Eu posso esquentar se quiser para jantarmos juntos, e...
— Não estou com fome – respondeu num tom seco, atirando o paletó sobre a mesa de centro e rumando para o quarto.
Karin torceu os lábios para não ceder às lágrimas.
Estava tentando tanto! Mas ele não parecia perdoá-la por forçá-lo a se casar. Estava disposto a martirizar sua vida durante o tempo de contrato e depois disso simplesmente lhe dar as costas.
Isso ela não poderia suportar. Preferia uma convivência conturbada a ficar longe dele!
Caminhou devagar para não fazer barulho, espiando pela porta do quarto o marido calmamente tirar as roupas para entrar no banho.
Corou de imediato ao ver a pele lisa e muito pálida, os contornos bem definidos, a cintura esguia, as pernas firmes, o bumbum macio... Sasuke era de uma beleza inigualável, um homem lindo, atraente, viril e pra lá de sedutor. Irresistível.
Ele voltou os olhos frios e iracundos para ela. Detestava que a mulher ficasse o analisando como uma espiã, e já deixara bem claro que não a desejava, mas ela parecia não entender.
— Saia Karin. Quero ficar sozinho. – ordenou, virando-se de frente para a mulher, completamente nu, passando as mãos pelos cabelos negros, desembaraçando-os. As pernas de Karin tremeram, teve vontade de correr até ele, mas se controlou. Estava disposta a sair quando algo chamou sua atenção.
Ela franziu a testa olhando bem para um ponto do corpo do marido. Caminhou ao seu encontro olhando bem de perto. A pele de Sasuke era tão pálida que o menor sinal ficava logo evidente e por isso não foi difícil enxergar os vergões nos ombros. Arranhões rosados espalhavam-se pela pele, descendo pelo peito em direção a púbis. Marcas arroxeadas tomavam seu corpo, marcas que ela sabia de que se tratavam. Beijos chupados pelo corpo.
— Mas o que é isso? – espalmou a pele com as mãos, tateando por toda parte, aturdida – Que marcas são essas? Você... Você esteve dormindo com alguém?
Ele tirou as mãos dela de cima de si, irritado, virando-lhe as costas para entrar no banheiro.
— Poupe-me de suas ceninhas, Karin.
A ruiva desabou sobre a cama, as lágrimas cobrindo seu rosto.
— Eu liguei no seu apartamento e o porteiro disse que o viu entrar acompanhado, mas não viu quem era essa pessoa! Eu faço tudo por você, Sasuke, qualquer coisa! Eu só quero que olhe para mim. Eu te amo mais do que serei capaz de amar qualquer outra pessoa na vida!
— Então pare de me aborrecer com besteiras — dizendo isso ele calmamente entra no banheiro e fecha a porta, deixando a mulher aturdida para trás.
Uma amante! Agora estava certa disso! Sempre desconfiou das saídas do marido, mas nunca teve certeza.
Pensou seriamente em buscar ajuda no clã, comunicando aos Uchiha que Sasuke a estava traindo. Porém talvez aquela não fosse a melhor solução. Certamente acabariam com o contrato de casamento e isso ela não queria!
Ninguém podia imaginar o trabalho que teve para obrigar Sasuke a se casar com ela através do contrato, as coisas que precisou fazer, o quanto isso lhe custou... Precisava continuar casada com ele, sua felicidade dependia exclusivamente disso! Estava certa de que com o tempo ele passaria a gostar dela, só precisava se esforçar mais.
Por hora tinha de descobrir quem era a maldita aproveitadora e dar um jeito de afastá-la definitivamente do marido, nem que fosse à força.
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Passadas quase três semanas desde o ocorrido, Naruto não podia adiar mais sua decisão, mesmo com o coração em pedaços. Definitivamente Sasuke não sabia se dar por vencido e o perseguiria até o fim do mundo, até que lhe desse um fora apropriadamente. Foi isso que o rapaz pensou, parado diante do edifício principal da Uchiha Co, a imponente empresa fundada e herdada pela família de Sasuke há gerações.
Seu corpo inteiro tremia, mas não poderia mais adiar.
Caminhou até a entrada do edifício, passando pela porta de vidro e adentrando a recepção. Deixou escapar um assobio baixo.
O lugar era amplo, de cores claras, muito luxuoso. Na parede principal estava um quadro gigante com o logo da família Uchiha em arte contemporânea. Tudo era muito novo, com design impecável.
Ao falar com a recepcionista tentou dar a entender que havia ido prestar algum serviço, porque achava impossível que o deixassem subir se somente dissesse que tinha ido falar com Sasuke sem marcar horário. A moça sorriu e lhe deu um crachá de visitante, indicando os elevadores. Naruto seguiu até o andar da presidência. Só precisava ser discreto.
Ao chegar no andar da diretoria percebeu-se em um longo corredor. As portas estavam fechadas e deu graças por isso. Procurou com os olhos rapidamente e ao reconhecer uma silhueta diante de si caminhou reto, sem se desviar, em direção à recepção. Algumas pessoas passavam por ali, circulando enquanto lidavam com a rotina de trabalho.
A recepcionista trabalhava imersa em um mar de papéis, com a testa enrugada de tanta concentração. Ao perceber que alguém havia parado diante de sua mesa ela ergue o rosto com um sorriso, mas este morreu na mesma hora.
— Naruto?– ergueu uma sobrancelha ao se deparar com o noivo parado diante dela. – O que pensa que faz aqui?
— Err... Eu vim ver o Sasu... Digo, o Sr. Uchiha. É um assunto urgente.
— Mas o que é tão importante assim para você vir a esta hora da manhã? Podia ter me falado que eu passaria o recado.
— É que eu preciso falar pessoalmente...
— Sem essa — Sakura ergueu o dedo em riste em direção a ele — Sasuke é uma pessoa muito ocupada e não tem tempo pra te atender. Ele mal dispensa duas ou três palavras comigo, que sou sua secretária, quem dirá com você! Saia daqui antes que me faça passar vergonha.
O rapaz respirou fundo. Havia esquecido como a noiva era teimosa e irritante.
— Sakura, se isso não fosse realmente importante eu não teria vindo. Agora, chame ele de uma vez!
— Não. Meu emprego depende de eu fazer o que o Sr. Uchiha manda, e ele me disse claramente que hoje não queria ver ninguém.
— Por favor, Sakura. Eu estou pedindo. Tenho que falar com ele e tem que ser agora! Eu não posso esperar mais!
Ela encarou-o por um momento, sem entender.
— Que interesse repentino é esse pelo Sasuke? — perguntou desconfiada e seu noivo engoliu seco, nervoso — Desde a nossa festa de noivado você não fala de outra coisa. É Sasuke daqui, Sasuke de lá. E ele então nem se fala! Fica me aborrecendo perguntando de você todo o tempo! O que vocês tanto conversaram aquele dia, hein?
Certo, Naruto estava muito feliz por Sasuke estar interessado nele, mas a situação era deveras perigosa!
— Não faça caso por causa disso, nós nos tornamos bons amigos e... Ele me pediu para ajudá-lo... Em uma questão de trabalho.
— O Sasuke? Pediu ajuda a você?
— Apenas chame-o de uma vez!
— Aff... Tudo bem. Mas tenho certeza que ele não dará atenção nenhuma pra você e vai dizer que está ocupado. Não diga que não te avisei — desdenhou, retirando o telefone do gancho e acionando a linha um. Ouviu o clique do aparelho do chefe sendo retirado do gancho.
— Pronto – a voz grave de Sasuke soou.
— Senhor Uchiha, bom dia. Deve estar bastante ocupado, não é? Deseja que eu lhe envie uma xícara de café ou... – ela fez uma careta e afastou um pouco o telefone do ouvido. Aparentemente ele havia cortado o assunto rispidamente, como de costume. Incomodada ela olhou o noivo à sua frente enquanto dizia com voz de tédio – Meu noivo está aqui para vê-lo e continua insistindo, mesmo eu tendo dito para ele que o senhor está ocupado, e... – Sasuke bateu o telefone contra a base, cortando a ligação e assustando a jovem. Em seguida a porta da sala da presidência ao lado da mesa de Sakura se abriu, revelando um moreno trajando um terno caro, com os costumeiros cabelos penteados para trás e estampando um belo sorriso de triunfo nos lábios. Naruto sentiu imediata falta de ar ao vê-lo.
Quando os olhares dos dois se cruzaram transmitiram tanta coisa ao mesmo tempo que a jovem ficou incomodada. Sentiu certa anormalidade naqueles olhares e teve vontade de separá-los para quebrar o contato. O modo como se olhavam parecia beirar o desespero e era como se fossem correr em direção um ao outro a qualquer momento.
Sasuke foi o primeiro a se recompor, pigarreando. Isso pareceu despertar o loiro do transe porque até agora, havia esquecido até o porquê de estar ali.
— Bom dia, senhor Uzumaki. Como tem passado? – caminhou até ele e estendeu-lhe a mão para um aperto amigável, mas esboçou um daqueles lindos sorrisos que guardava tão bem quanto um tesouro. Naruto, Sakura e quem passava pela recepção teve de parar um momento para admirar aquela beldade em forma de gente sorrir, doce como um garoto.
— Eu... Estou bem – rapidamente retribuiu o aperto de mão, sentindo a pele macia e quente, inevitavelmente lembrando-se delas percorrendo seu corpo inteiro... Piscou depressa, assustado e soltou rapidamente a mão do outro — Eu realmente precisava lhe dizer algo muito importante. Desculpe vir num momento tão inoportuno.
— Não é inoportuno, e sempre abrirei uma exceção ao saber que se trata de uma visita sua – revirou os olhos de canto para a garota sentada — Por que não o deixou entrar? Eu deixei claro para me avisar se alguém importante aparecesse – mirou Sakura com uma feição assustadora. Ela se encolheu na cadeira.
— Pensei que o senhor estivesse ocupado, e...
— Pensou errado, para variar. Siga-me, senhor Uzumaki – fez um gesto com a mão e o rapaz o seguiu. Sentia certa pena pela bronca aplicada em sua noiva, mas a conhecia bem o suficiente para saber que Sakura podia ser difícil de lidar às vezes, além de muito teimosa.
A sala era ampla e bonita, com móveis em madeira escura. As janelas eram bem grandes e por elas era possível ter a vista da cidade movimentada lá embaixo. Atrás da mesa havia um quadro de um pintor famoso estampando pessoas que Naruto não conhecia.
Madara, o avô Uchiha, que parecia muito mais jovem do que realmente era. Fugaku, pai de Sasuke, dono de cerviz e comportamento rígido. Itachi, o irmão mais velho e por último Sasuke, o mais novo na linha de sucessão. Todos estampados em feições muito sérias, como as antigas pinturas de reis na idade média. Quatro gerações de Uchihas trabalhando há décadas na mesma empresa de tecnologia da informação.
Naruto ainda observava o quadro, a beleza dos Uchiha estampada ali, quando ouviu a porta da sala bater. Olhou pra trás e viu Sasuke apoiado com as costas na porta, exibindo um sorriso malicioso.
— Não aguentou ficar sem me ver?
— Pelo contrário, vim aqui porque não podemos continuar com isso – disse o mais firme que conseguiu, embora seu coração tivesse disparado dentro do peito apenas pela proximidade com aquela criatura linda de morrer. Tinha medo de acabar cedendo e destruir todo o plano que traçou até aquele momento.
Sasuke não respondeu, continuava sorrindo provocante. Avançou alguns passos, lentamente, seus quadris esguios gingavam a cada passo, o que só hipnotizou ainda mais o outro. Instintivamente Naruto recuava cada vez que ele avançava para si. Viu-se encurralado ao bater contra a mesa do escritório. Papéis voaram para todo lado.
Acuado, nervoso, respirando depressa, com a boca aberta percebeu com desespero o Uchiha colocar as mãos apoiadas na mesa, uma de cada lado de seu corpo. Sentiu as cadeiras dele se encaixarem às suas, o rosto provocante bem próximo. Naruto cerrou os olhos firmemente, seu rosto ardendo como se tivesse ficado febril de uma hora para outra.
O hálito quente batia em seu pescoço, eriçando a pele do corpo inteiro. Um arrepio torturante subiu-lhe a espinha quando a língua molhada e quente de Sasuke trilhou um caminho de saliva entre a pele fina do pescoço em direção ao lóbulo da orelha. Uma mescla incrível de sofrimento e prazer unidos de forma perfeita. Tapou a boca com a mão para não deixar a voz escapar ou sua noiva ouviria. Sasuke riu em resposta.
Era divertido provocá-lo.
— Você pode se pronunciar se quiser, sabe? Eu realmente não me importo. Adoro te ouvir gemer.
— Seu... Você não tem controle sobre mim! Não podemos continuar com isso!
Sasuke aproveitou o momento e segurou seus pulsos um de cada lado do corpo, forte o bastante para imobilizar o rapaz de cabelos loiros. Deitou seu corpo sobre o dele e o fitou nos olhos com a maestria digna de um deus. Naruto ficou sem ação. Achou que seria beijado, na verdade ansiava por isso há tanto tempo que nem conseguia descrever. Mas ao invés, Sasuke aproximou os lábios o quanto pôde, respirando o mesmo ar quente, apenas o encarando.
Inconscientemente, Naruto baixou os olhos para aquela boca rosada e úmida, tão próxima de si, com aquele hálito limpo e quente, e desejou ardentemente beijá-lo. Ouviu a risada cínica em resposta e praguejou baixinho. Havia caído de novo!
— Pensei que não me quisesse, mas não está fazendo muita força para se soltar, não é?
— Sasuke, entenda minha situação de vez! Não podemos seguir adiante com isso. Vou me casar em poucos dias, já nem sei como encarar a Sakura!
— Podemos viajar se quiser, ou sumir do mapa. Diga-me apenas para onde quer ir e partimos imediatamente. Uns dias longe e sua noiva vai rapidamente entender que foi chutada.
— Não é tão simples! Droga, você não ouviu nada do que eu disse.
— Quero ouvir outras coisas vindas de você – beijou-o enfim, enfiando a língua dentro da boca do outro, um beijo tão intenso que era quase indecente, mas ainda sim, delicioso e erótico. Naruto suspirou, rendido. Seu corpo inteiro vibrava a falta que aqueles lábios lhe fizeram por dias e dias de saudade. Como era bom ter Sasuke beijando-o novamente! Fez força para livrar os pulsos e quando se viu solto abraçou as costas largas o mais forte que conseguiu, apertando o tecido caro, sentindo o calor da pele branca e macia. Sentia as mãos do moreno segurarem seu rosto, bagunçarem seus cabelos, passearem sem pudor pelo corpo que julgava ser seu. Quando Sasuke o tocava o universo inteiro desaparecia e a mente racional descansava. Tudo era desejo, paixão e ardor.
Ainda enquanto o beijava, Sasuke tira o paletó, abre alguns botões da camisa e Naruto ouve o som de zíper se abrindo. Não precisou de muito esforço para saber o que estava acontecendo.
— Espera! Ainda é dia! E se alguém entrar?
— Ninguém entra sem antes ser anunciado por minha secretária – desabotoava cada um dos botões da camisa de Naruto beijando a pele conforme era revelada.
— MAS SUA SECRETÁRIA É A SAKURA!!!
— Melhor. Assim ela entende de uma vez por todas que te perdeu pra mim.
— Mas... Para! Sakura está... Bem do outro lado da parede.
— Esqueça-a.
— Mas...
Não pôde responder quando Sasuke enfiou a mão dentro de sua calça, encontrando seu membro já duro e arqueado, preso à boxer. Com firmeza Sasuke passou a mão inteira em torno dele e o ergueu para fora do tecido, deixando-o ereto. Naruto gemeu baixinho, era um alívio se ver livre da pressão do tecido, e conforme era manipulado maior e mais ereto ficava. Estava ficando difícil se concentrar.
—... S... Sasu... Ah! – gemeu mais forte quando o sentiu lamber a cabeça, baixando suas calças de uma vez até os joelhos. Naruto olhou para baixo fascinado com a visão. O rosto de Sasuke estava enfiado em sua virilha, próximo de seus testículos. Abocanhou-os de uma vez, puxando um pouco a pele para então soltá-los, esfregando o rosto sem pudor enquanto o lambia por todo canto. Naruto mordeu os lábios tão forte que sentiu gosto de ferro na boca. Estava bom demais!
Apoiou um dos cotovelos na mesa e com a mão livre segurou o próprio membro ereto e deu algumas batidas contra a face de Sasuke. Este riu maliciosamente sentindo a tora quente bater contra seu rosto. Abriu bem a boca, esperando que ele o enfiasse todo. Naruto obedeceu e se viu engolido, aos poucos, descendo pela garganta do Uchiha até os lábios dele tocarem-lhe a virilha. Gemeu, virou a cabeça para trás enquanto se sentia sugado, comprimido, deslizando para dentro e para fora daquela boca quente e úmida. Sasuke sabia fazer aquilo como ninguém! Com a língua fazia movimentos circulares em torno da cabeça, se enroscava na base, sem parar de engoli-lo, deixando o baixinho louco de excitação. Queria senti-lo encravar-se dentro dele, não importava mais nada.
Agarrou-se aos cabelos negros impondo o ritmo, tentando a todo custo respirar devagar, sem fazer barulho, mas era praticamente impossível com os movimentos fortes que o outro fazia. Apertava a boca contra ele, quase o estrangulando, movendo-a para cima e para baixo. Mordiscava de leve, encarando-o com a face rubra, os fios negros grudados na testa por causa do suor, quase fazendo o outro gozar ali mesmo. Um líquido claro escorria da ponta e se espalhava, ajudando a lubrificar e tornando o movimento ainda mais intenso. Estava quase lá.
—... Ah... Para... Por favor...
— Quer mesmo que pare? — passou vagarosamente a língua desde o talo até a ponta rosada fazendo o outro se contorcer.
Sem perder tempo, Sasuke encaixou-se entre as pernas dele de tal forma que os testículos de ambos se encostassem.
— Quer que eu pare?
— Não... Não quero... – confessou, rendido. Abriu mais as pernas, mesmo se odiando por isso. Deixou a mão dele escorregar para o buraquinho rosado, já molhado. Arqueou as costas quando sentiu um dedo entrando, para se mover devagar, abrindo passagem, enquanto seu peito era beijado. A língua quente de Sasuke passava pelo peito suado, lambendo seus mamilos.
Estava enlouquecendo, perdendo a razão, precisava dele e precisava agora! Segurou com força a cabeça do Uchiha puxando-o para um beijo, enlaçando as pernas ao redor do tronco dele, se movendo para fazendo entender o que queria. Sasuke compreendeu prontamente e posicionou o membro duro na entradinha, penetrando numa estocada longa sem parar de beijá-lo. Naruto gemeu dentro do beijo e se contorceu, cravando os dedos nos ombros brancos, arrebatado pelo prazer intenso. O membro grande e largo se encravava fundo nele, abrindo passagem, deixando-o louco. Sasuke começava devagar até conseguir se enfiar por inteiro para então sair todo e voltar com mais força, chocando seu corpo ao do rapaz que só conseguia virar a cabeça de um lado para outro cada vez que recebia uma estocada funda.
Em pouco tempo as estocadas foram ficando cada vez mais fortes, provocando um barulho molhado conforme os corpos se chocavam. A mesa de mogno rangia e se arrastava pelo chão, mas o Sasuke não fazia menção de diminuir o ritmo. Adorava se enfiar naquele buraco quente e apertado. Amava a visão do loiro perdido em prazer e mesmo sem querer admitir sentiu falta dele todos os dias desde a primeira vez que estiveram juntos. Encaravam-se extasiados, contagiados de prazer. Naruto agarrou firme o próprio membro, bombeando-o com força.
Não conseguia pensar em nada, nem se dava conta da barulheira. Começou a se masturbar no mesmo ritmo em que era violado. Era bom demais, não conseguia se controlar, naquele ritmo não duraria nem um minuto a mais. Sasuke lambeu os lábios girando os quadris para esbarrar ainda mais nas paredes internas do loiro, aumentando ainda mais o prazer de ambos.
—... S... Sasuke... Desse jeito eu... Eu vou...
Três batidas soaram à porta e Naruto arregalou os olhos, apreensivo. Segurou nos ombros nus de Sasuke tão forte que as unhas marcaram a pele branca. A consciência voltou toda de uma vez e sua mente desanuviou. Deu-se conta da loucura que estava cometendo ao fazer sexo em cima de uma mesa de trabalho, cheia de documentos, numa sala ao lado de sua noiva! Por que continuava a fazer esse tipo de loucura? Sakura podia entrar a qualquer momento, qualquer um podia entrar e flagrá-los.
O susto o impedia de se mexer. O prazer outrora arrebatador agora se transformara num volume incômodo em seu interior.
A porta não estava trancada! Como pôde deixar um detalhe tão importante passar despercebido? E se ela entrasse o que iria fazer?
Uma vozinha estridente soou alto vinda do outro lado da porta. Sasuke respirava depressa, e estava irritadíssimo por ter sido interrompido num momento tão crucial.
— Sr. Uchiha...? — era a voz de Sakura do outro lado da porta. O coração de Naruto acelerou tanto que ele pensou que iria desmaiar.
— Fique calmo. — sussurrou ao loiro.
A expressão dele era de puro terror, suas pernas tremiam.
—... Sasuke... — praticamente implorou com os olhos. O Uchiha porém parecia calmo e sereno como se nada estivesse acontecendo.
Oras, era apenas um homem casado que estava fazendo sexo com o noivo da garota parada do outro lado da porta. Nada de mais.
Do lado de fora, Sakura mordeu o lábio inferior. Segurava nas mãos uma bandeja com um bule de café forte sem açúcar, o preferido de Sasuke, e duas xícaras.
—... Err... Só queria perguntar se o senhor precisa de alguma coisa.
O que aqueles dois estavam fazendo sozinhos naquela sala durante tanto tempo? Era estranho demais para ela entender. Ouvira ruídos, rangidos de mesa, sons abafados de vozes.
Seria possível que o imbecil de seu noivo estivesse discutindo com Sasuke? Ou pior, que estivesse brigando com ele? Oh céus, era de se esperar de um caipira como Naruto. Ele jamais teria a classe e decência de alguém como Sasuke, mas como estava difícil arrumar um bom homem e ela estava ficando velha demais para ficar solteira era preciso se casar sem fazer muita escolha.
Por mais que pensasse não conseguia imaginar por que estavam tão fascinados um pelo outro. E quando se trancaram na sala da presidência achou que se tratasse de algum assunto rápido, mas já havia passado um bom tempo. Pensou em qualquer desculpa que a fizesse entrar apenas para constatar que estava tudo bem, e tentar ser prestativa levando café aos dois foi a única coisa que conseguiu pensar.
No interior da sala, Naruto fez menção de descer da mesa, mas Sasuke foi mais rápido e o agarrou com força, tapando sua boca com uma das mãos e penetrando-o com maior vigor que antes. Naruto deu graças por ter sido calado ou teria soltado um longo gemido que os denunciaria.
Sua mente tornou a anuviar tanto de prazer que o medo de ser apanhado ficou em segundo plano. Por hora precisava se livrar daquela agonia prazerosa ou ficaria louco. Sasuke não o deixava gozar, apertava a cabeça de sua ereção, enquanto se movia rapidamente para dentro e fora do loiro.
Sakura pensou ter ouvido um barulho estranho, definitivamente algo estava acontecendo ali dentro. Desceu o olhar para a maçaneta e constatou que a porta estava destrancada. Talvez se desse apenas uma rápida espiada eles nem a perceberiam…
Achou melhor tornar a perguntar.
— Eu só queria saber se não querem um café, já que vocês dois estão aí faz tanto temp...
— JÁ LHE DISSE QUE ESTOU OCUPADO! — vociferou. O susto foi tanto que a garota deixou cair a bandeja, quebrando a louça fina das xícaras em vários estilhaços e espalhando café por todos os lados.
Ela praguejou baixinho, abaixando-se para apanhar os cacos. Os demais funcionários do escritório a olhavam com desaprovação e a garota sentiu-se corar de vergonha.
Naruto não teve tempo de se zangar por ele ter sido indelicado com sua noiva, porque nesse instante explodiu em um orgasmo intenso, seu corpo inteiro foi chacoalhado e as íris giraram. Segundos intermináveis de uma sensação totalmente arrebatadora.
Sasuke alcançou o clímax em seguida, apoiando o peso do corpo nos cotovelos, a boca entreaberta, esboçando uma irresistível expressão de prazer enquanto enchia o interior dele com sêmen quente e espesso.
Seguiram-se longos segundos de silêncio em que Sakura ficou completamente sem entender o que se passava. Só o que ela conseguia ouvir era o som de respirações entrecortadas.
—... Está tudo bem aí dentro?
— Sakura, não me faça repetir...
— Está bem, se precisar de alguma coisa basta me chamar — derrotada, dá meia volta, praguejando baixinho. Imaginava como Naruto fizera para se tornar íntimo de Sasuke tão rapidamente. Ela trabalhava faz tempo com ele e nunca conseguiu arrancar mais do que três ou quatro palavras seguidas. Ter a atenção de um homem daqueles só para ela... Ah que tentação! Como seria maravilhoso se estivesse noiva de Sasuke e não do imprestável atual noivo, mas a vida era assim mesmo e já estava conformada.
Tão logo os passos se distanciaram, Naruto abriu os olhos como se despertasse de um pesadelo. Sasuke soltou um riso abafado, que logo se transformou numa gargalhada sem controle.
— E você ri??? — estava inconformado. Sentou-se e puxou a camisa até o colo, se cobrindo, envergonhado de si mesmo, do que estava fazendo e por não ter forças para resistir. Claro que não foi nem um pouquinho ruim, mas ainda não era certo!
Sasuke por sua vez não conseguia parar de rir.
— Teria sido bom ela abrir a porta, talvez assim desencanasse logo.
— NEM BRINQUE COM ISSO!
— Vem cá — beijou os cabelos espetados — Você precisa encarar os fatos, Naruto. Está louco por mim como estou por você. Precisa terminar com aquela mulher.
— Pra você é fácil falar. Quem foi que se casou mesmo a contragosto?
— Meu caso é totalmente diferente, envolve quantias de dinheiro que simplesmente não se podem calcular. É um grande investimento.
A frase lhe pareceu horrível.
— Então essa é a ideia que tem de um casamento? O que quer é fazer um investimento comigo também?
— Quero fazer muitas coisas ainda com você... — sussurrou roucamente, beijando-lhe o queixo, olhando-o nos olhos e exibindo aquele sorriso pra lá de safado.
— Aff... Não estou falando de sexo. Você fala tão trivialmente sobre relacionamentos. Nunca se apaixonou de verdade por alguém?
Ele segurou-lhe a mão, beijando as costas enquanto o mirava firmemente.
— Talvez. Preciso que me ajude a descobrir.
— Não parece muito sincero.
Sasuke coçou atrás da cabeça e suspirou irritado.
— Certo, o que quer que eu faça para você entender que quero ficar contigo? Quer que eu me divorcie?
— Não deveríamos nem ter começado isso, Sasuke! O que estamos fazendo é um erro.
— Mesmo? Você realmente acha que o tempo que passamos juntos seja um erro?
Ele desviou o olhar.
—... De qualquer modo nós não podemos prosseguir com isso, eu nem devia ter cedido... Vim aqui justamente para dizer que não podemos continuar com essas coisas. Meus sentimentos estão virando uma bagunça e estou começando a sentir por você algo mais do que deveria.
Falara tão naturalmente que só depois de terminar é que Naruto se dera conta de suas próprias palavras. Sasuke por sua vez estava surpreso, fora pego de surpresa, não imaginava ouvir do outro que este estava realmente sentindo algo por ele. Um calor reconfortante se formou no peito, diferente do desejo costumeiro que costumava sentir em suas várias aventuras sexuais.
Aquele loiro magricela conseguia mexer consigo de uma maneira inexplicável. Um pequeno sorriso se formou no canto dos lábios.
— E que mal há nisso? Fica comigo. Vamos recomeçar tudo, só nós dois.
As mãos de Naruto tremiam, seus olhos arderam tanto que precisou fechá-los, ou acabaria caindo em prantos.
—... Sasuke – tentou manter a voz firme, mas ela soou embargada. Retirou de um dos bolsos um papel amassado pela violência dos movimentos de antes. Desamassou o quanto pode e o entregou. O Uchiha analisou de perto, sem entender. Quando desdobrou percebeu do que se tratava e fechou o cenho, muito desagradado.
— E você acha que vai mudar alguma coisa vir até aqui e me trazer seu convite de casamento?
— É assim que as coisas devem ser. Vou me casar em cinco dias, acha que consigo abandonar tudo agora? É melhor a gente não se ver mais.
— Que droga é essa agora, Naruto?
— Tudo está fugindo de controle! Eu não quero continuar mentindo pra todo mundo!
— Está mentindo porque quer. Já lhe disse que quero que fiquemos juntos, mas é você quem não parece disposto a se separar daquela mulher.
— Sakura já sofreu muito, eu não quero que ela passe por outra desilusão. Nos conhecemos há muito tempo.
— Eu já sei, você já me disse isso um milhão de vezes! Mas vai ter que escolher Naruto: ou fica com ela ou fica comigo. Não estou disposto a te dividir com mais ninguém.
Naruto fitou os próprios pés. Desceu da mesa e abotoou a camisa, vestiu a calça, alinhou os cabelos. Ainda lançou um último olhar antes de dar as costas e sair da sala.
Do lado de fora Sakura imediatamente o chamou, mas ele seguiu reto sem olhar para trás, rumo às escadas. Queria sair dali o quanto antes.
Estava destroçado por dentro.
A noiva o alcançou e segurou em seu braço antes que ele conseguisse descer.
— Espera. O que aconteceu lá dentro? Por que você saiu assim?
— Desculpa, mas eu não quero conversar com ninguém agora.
— Mas você precisa me dizer querendo ou não! Nunca teve segredos comigo e não vai ser agora qu... — ele segurou em seus ombros e a afastou.
— Pelo menos uma vez na vida escute e respeite o que digo! – deixou-a para trás e então seguiu seu caminho.
Sakura estava abalada, era a primeira vez que o noivo a tratava assim, nunca foi frio com ela. Além disso, ele estava despenteado, com as roupas amassadas, muito corado.
Provavelmente estava certa ao pensar que discutiu com Sasuke. E ela precisava consertar as coisas.
Pensando nisso entra sem bater na sala da presidência encontrando Sasuke apoiado de pé junto à mesa com uma das mãos cobrindo o rosto. A sala estava uma bagunça, papéis jogados por toda parte.
— O que aconteceu aqui?
— Sakura, saia – ameaçou.
Ela era a última pessoa que queria ver naquele momento.
A jovem deu uma olhada de relance no chefe que estava com a camisa meio aberta e pela primeira vez viu seu peito liso. Um arrepio subiu pela espinha ao pensar em tudo que poderiam fazer naquela sala, trancados. Claro que ela seria muito discreta, faria tudo em silêncio e ninguém jamais descobriria nada.
Era a última chance que teria de dormir com o Uchiha que povoava seus sonhos antes de se casar.
Aproximou-se dele esboçando uma expressão inocente, seu corpo magro agindo graciosamente para cativá-lo. Segurou em um de seus ombros.
— Não acredito que Naruto tenha feito uma coisa tão baixa revirando sua sala desse jeito, sr. Uchiha. Estou tão envergonhada, peço que desculpe essa grosseria. Ele não tem noção das coisas – murmurou, debruçando-se a ponto do decote evidenciar mais os seios. Percebeu que o Uchiha desceu o olhar para seu decote e sentiu-se triunfante.
— Deixe-me fazer algo pelo senhor para reparar o erro dele. Eu insisto – seu tom de voz deixava muito claro o que queria. Sasuke lentamente segurou em sua cintura e a aproximou mais de seu corpo, olhando-a seriamente. Inclinou o corpo sobre o dela de maneira que os seios pressionassem seu peito. A garota estremeceu e corou, fitando-o, quase implorando por um toque.
Era como um sonho! Desejou aquele homem por tanto tempo que nem era capaz de expressar!
Sasuke baixou o rosto lentamente, a expressão suave, cerrando os olhos devagar conforme se aproximava. Sakura podia sentir o hálito quente bater em seu rosto. Fechou firmemente os olhos e inclinou-se em sua direção, ansiando que seus lábios se tocassem, sentindo a proximidade aumentar cada vez mais.
E então de repente ele parou. Quando ela abriu os olhos percebeu tamanha frieza nos orbes negros que estremeceu. Ele a afastou de uma vez.
— Não me admira que Naruto tenha se cansado a ponto de traí-la. Logo se vê que é uma mulher muito vulgar, senhorita Haruno.
Ela corou, aturdida, num torpor de vergonha e raiva por ele ter brincado consigo daquela maneira! Afastou-se sem conseguir encará-lo, fechando a blusa com as mãos.
— Desculpe, Sr. Uchiha, não me entenda mal. Creio que tudo não passe de um mal entendido e se me deixar explicar tenho certeza que eu...
— Isso não será necessário, Srta. Haruno – abotoou os botões de camisa que ainda estavam abertos antes de lhe lançar um olhar de desprezo — Porque está despedida.
Continua.
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